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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Retrospectiva 2008 – Parte I

Mais um ano se passou. Esse blog já começa a ter uma história. São mais de dois anos desde o momento em que decidi iniciá-lo. Ano passado fiz uma retrospectiva do que tinha escrito em 2007. Ao lê-la (foi escrita em três partes e você pode acessá-la aqui, aqui e aqui) convenci-me de que possui seu valor. Usarei a mesma estratégia de construir um texto pleno de links para os textos originais, mas que, espero, seja auto-contido. WikiCrimes evidentemente foi o que dominou minhas atenções. Essa primeira parte da retrospectiva vai lembrar alguns desses momentos. WikiCrimes teve uma cobertura midiática considerável. Algumas reportagens foram tipicamente local e com pouco impacto. Outras como a matéria no Ciência On-line tiveram particular visibilidade. Um público crítico e que interagiu com o sistema e forneceu sugestões interessantes. Entre reportagens e aprendizagens que WikiCrimes trouxe, uma viagem a Europa oxigenou o blog. Paris, em particular, é o tipo de lugar que inspira para leitura e escritura. Faz-nos repensar nossos hábitos e nossa cidade. Mais ainda quando me defrontei com a dificuldade de fazer Cooper na beira-mar. Fez-me até me lembrar de dois dos mais bonitos musicais que já assisti: Le Maître de la Musique e Moulin Rouge. A tecnologia sempre esteve presente, mas as atenções nas redes sociais começaram a me interessar. Não se pode fazer pesquisa sobre a Web sem compreender o que elas estão a dizer. Do lado da Segurança Pública, a palestra do especialista David Bayley me fez refletir sobre a necessidade de uma Polícia Esperta e justa. Em Abril, já previa o que podia acontecer com meu Vasco, os indícios eram fortes de que as coisas não andavam bem. 15 de Abril foi uma data marcante: WikiCrimes na BBC. A partir de então o projeto tomou outra dimensão e a mídia internacional abriu espaço. Continua ....

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Cearês , Cultura e Turismo

Bem divertido o dicionário de Cearês(acesse-o aqui). Ele elenca uma centena de palavras que fazem parte do vocabulário do povo cearense e que são um deleite de se serem exploradas. Encontrar expressões como “rebolar no mato” (jogar fora) fazem rir, mas servem, por exemplo, a nos mostrar a pouquíssima preocupação ecológica que certamente não fez parte de nossas últimas gerações (e que ainda não faz!). O mato era o lixo! Só senti falta de um estudo mais elaborado que buscasse as raízes de cada palavra. Termos como baitola e espiricute são derivações do inglês, por exemplo, têm explicações. Baitola surgiu na época da segunda grande guerra quando americanos coordenavam a construção de estradas de ferro que deviam ser construídas com especial cuidado quanto à “bitola” das mesmas. Pelo sentido que a palavra tomou por aqui, dá para perceber que os cearenses não gostavam muito do jeito desses coordenadores, né? Espiricute é outra variação que refere-se ainda hoje a garotas ou garotos danados, mas não no sentido pejorativos. Vem de ”she is pretty cult” (algo como, ela é muito bonitinha!). Mesmo sem possuir esse estudo etimológico, a iniciativa é genial. Felizmente, percebo que gradativamente vamos, nós brasileiros e, cearenses em particular, perdendo o complexo de inferioridade que nos acompanhou muito por muito tempo e que nos fez ter vergonha de nossa cultura. Está cada vez mais claro que temos uma cultura própria, rica e que merece ser divulgada. Não há que comparar ou avaliar se é boa ou ruim. Ela é fruto de nossa história, reflete nossas raízes e auxilia a compreender nossos hábitos e comportamento. As diferenças culturais são a grande riqueza que vem sendo explorada por diversos povos, principalmente em benefício do turismo. Quem viaja, principalmente quando se fala de turismo internacional, está disposto, digo mais, está ávido para conhecer culturas diferentes das suas. É isso que os entusiasma. É claro que nossas belezas naturais e nosso clima ameno são fatores essenciais para atrair turistas. Mas isso só não basta. Há muita beleza natural em várias partes do mundo. O diferencial nessa competição de atratividade é a cultura. Vejam que minha definição de cultura é ampla. Não se resume a museus ou visitas a pontos históricos. Envolve as relações pessoais, a linguagem, a forma de se comunicar de expor os sentimentos, de sorrir, enfim de se dar. E nesse ponto, desculpem os compatriotas, o Ceará é imbatível. Nossa cultura acomoda naturalmente um sentimento de serventia, o prazer de receber e de fazer rir. Não é a toa que há uma proliferação de humoristas e shows de humor na cidade. Um povo que brinca com a própria dificuldade. Chega de leriado, arre égua, feliz festas!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Scorpions

Já que estive recentemente na Alemanha e falando das coisas de lá, vou homenagear o Rock germânico com essa gravação acústica de um dos grandes sucessos do Scorpions. Essa banda alemã de Hanover que fez muito sucesso na década de 80. Mesmo sendo em essência mais "Heavy", teve músicas com um estilo bem moderado como Still Loving You (um de seus maiores sucessos).


quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

WikiCrimes na TV UNIFOR

Nesse mês de dezembro a TV UNIFOR abriu um espaço para conversarmos sobre WikiCrimes. No agradável ambiente do campus da UNIFOR e depois no laboratório da Célula de Engenharia de Conhecimento, onde desenvolvemos WikICrimes, pudemos falar desa experiência inovadora e desafiadora. Veja o vídeo do bate bapo no portal multimídia da UNIFOR clicando aqui. O bate papo está entitulado de "o conteúdo do site WikiCrimes" e se encontra entre outros pequenos vídeos sobre a Internet em geral.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Qual Será o Impacto da Crise?

Aproveito minha referência feita no texto anterior sobre a crise econômica mundial para me perguntar sobre o impacto dela no Brasil. As recentes notícias nos jornais sobre o aumento do nível de emprego bem como do turismo no Ceará nos últimos meses aumentaram minha dúvida. Na minha viagem a Alemanha e Espanha, na semana passada, o que mais me impressionou foi o efeito visível da crise no turismo e no comércio. Os aeroportos estavam vazios. Esperava-os lotados e presenciar muita confusão como sempre experimentei em finais de ano pela Europa e EUA. A época de festas e o inverno que se inicia trazem transtornos inevitáveis ao sistema de controle aéreo. Não foi o que presenciei. Até minha bagagem conseguiu chegar a tempo ao destino (coisa que não é muito do feitio da TAP)! Em particular, o vôo da TAP para a Europa, quase não possuía brasileiros. Euro a R$3,35 impede qualquer sonho. Agora, o fato mais surpreendente foi presenciar o comportamento dos europeus nas lojas. Ninguém a comprar. As lojas, que normalmente ofereciam descontos após o Reveillon, passaram a oferecê-los antes do Natal. Descontos que às vezes chegam a 70% do valor cheio. Não estamos ainda sentindo quase nada do efeito dessa crise, o que é ao mesmo tempo surpreendente e animador. Sempre éramos afetado ao menor sinal de turbulência na economia mundial. O mero fato da crise não ter se instalado aqui com força já é bem alentador. Agora que ela vai chegar, vai. Vamos torcer para não ser com tanta força. Abaixo vejam a foto dos espanhóis em Madrid, no dia 21 de Dezembro, último fim de semana antes do Natal, fazendo fila até o meio da rua para entrar numa loja com descontos excepcionais. Tudo a 6, 12 ou 18 Euros. Só assim para fazer a turma comprar.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Dahlem Konferenzen – Éticas em Modelos

Na Dahlem Konferenzen, como já mencionei, participei dos grupos de modelagem de crime com criminologistas, sociólogos, matemáticos e físicos. Mas outros grupos também discutiram a modelagem matemática das interações sociais. Obviamente, a Economia é uma das áreas que historicamente vem fazendo isso. E por essa razão um dos aspectos mais largamente debatidos foi à necessidade de uma ética na manipulação de modelos econômicos. Os economistas argumentaram que modelos matemáticos em economia vêm exercendo um papel de mais e mais relevante no mundo. Isso fez com que modelos fossem sendo usados sem que se tivesse a perfeita dimensão das conseqüências e limitações que eles contêm. A crise atual foi para muitos um exemplo de como havia um gap nas teorias econômicas e a prática e, por isso mesmo, é um momento fantástico para se rever o que se está fazendo. Percebi que mesmos os pesquisadores da área estavam espantados com o fato de que nenhum modelo econômico tinha previsto o que ocorreu e nem sabe como proceder diante da situação. A conclusão deles é que, primeiro, crises são parte da dinâmica do sistema, como conviver com elas deve ser previsto, pois sabe-se que elas vão acontecer. Depois, há que existir uma ética na criação dos modelos de forma que se possa sempre ter a perfeita conseqüência dos limites dos mesmos e das implicações se estiverem incorretos. Essas preocupações já passaram a fazer parte dos outros grupos mesmo daqueles onde o tema é embrionário como é o caso da modelagem matemática das relações sociais que levam à criminalidade. Quiçá essas preocupações passem, em breve, a estar na pauta de minhas pesquisas.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Dahlem Konferenzen – Representantes

Só agora que acabou tive tempo de organizar as idéias discutidas em Berlim na Dahlem conferência. Vou começar falando da diversidade de pesquisadores presentes no grupo que foi, pelo meu ponto de vista, um dos fatores mais positivos da reunião. Sem querer entrar muito em detalhe, nós pesquisadores estudamos e discutimos sobre como é possível definir modelos matemáticos (aqui inseridos os modelos computacionais) para representar aspectos da vida em sociedade. O objetivo foi o de definir uma agenda com temas e questões de pesquisas que sejam direcionadores das pesquisas a médio prazo no tema. Éramos 40 pesquisadores de diversas partes do mundo representando áreas diversas como Economia, Sociologia, Criminologia, Física, Matemática e Computação. A representação por nacionalidade dos pesquisadores era a seguinte Alemanha 12, EUA 8, França 5, Reino Unido 4, Dinamarca 2, Suiça 1, Suécia 2, Holanda 2, Austrália 1, Brasil 1, Romênia 1, Itália 1. Vejam que do hemisfério sul somente um australiano e eu fomos convidados. O convite foi formulado pelo conselho da Dahlem Konferenzen, formado por professores da Universidade de Berlim e pelos organizadores e moderadores escolhidos para discutir o tema. A escolha foi baseadas no currículo dos pesquisadores e, principalmente, nas publicações científicas realizadas no tema em questão. Minha participação deveu-se as publicações realizadas no contexto de simulações de crime. WikiCrimes ajudou ainda a tornar-me, digamos, “mais popular”. Aliás, durante a conferência fui convidado a dar uma entrevista, juntamente com um colega holandês, para uma rádio alemã em um programa que fala sobre ciência. Dois aspectos merecem menção. Primeiro, ressalte-se que crime é notícia até em países com índices baixíssimos de criminalidade. Dentre os assuntos discutidos, a rádio escolheu exatamente dois representantes desse tema. Mesmo a crise econômica não teve tanta prioridade. Segundo, o jornalista que me entrevistou era um alemão que tinha doutorado em matemática e possuía um conhecimento profundo em simulações. Foi uma das entrevistas mais desafiadoras que pude dar. Ele me fez uma sabatina, sempre buscando ir além do que eu respondia. Bem diferente da maioria das entrevistas que dou no Brasil onde muitos jornalistas nem mesmo escutam o que estou a dizer (ou se tentam, não conseguem entender). Vou ver se consigo o áudio da entrevista para disponibilizá-la aqui. Falei em inglês, mas será traduzida para o Alemão. Vamos ver como vai ficar.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Berlim é Um Canteiro de Obras

Há quinze anos atrás, quando morava na França, já escutava essa frase do título: “Berlim é um canteiro de obras”. Nunca tinha tido oportunidade de visitar a cidade, e agora, ao fazê-lo percebo que a frase continua válida. Depois da queda do muro, a parte oriental da cidade precisou ser quase que totalmente reformada, eu diria mesmo que reconstruída. Tudo era muito precário e principalmente feio. As obras, que em todos os lugares podem ser vistas em Berlim, são gigantescas. Algumas são restaurações de prédios históricos, mas a maioria refere-se à construção de prédios modernos. As ruas e avenidas são largas e monumentos gigantescos aparecem a todo o momento na mais simples caminhada. Entretanto, não posso dizer que senti aconchego lá. Os monumentos históricos reformados, os prédios modernos e mesmo futuristas e os condomínios padronizados da época comunista compõem um conjunto bizarro. Tenho a sensação de que é uma cidade que ainda busca sua identidade. Como ela é um canteiro de obras a única certeza que tenho é de que será bem diferente daqui a alguns anos. A questão principal é, no entanto, conseguirá Berlim ser bonita?

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Capacidade de Indignação

A capacidade de se indignar e de se manter indignado é fundamental para uma mudança significativa de uma sociedade. Isso é muito, mas muito difícil. Faz parte da natureza humana, a racionalização, pois nos libera das tristezas causadas pelas “coisas que (pensamos) não podemos mudar” ou mesmo porque queremos esquecê-las. Creio que racionalização é especialmente importante para nós brasileiros que temos a felicidade como valor tão fundamental (veja um exemplo do que já escrevi sobre nossos valores aqui). O exemplo mais marcante de indignação tive quando tinha acabado de chegar de mais de um ano de vida nos EUA. Fomos, minhas filhas e eu, de carro a uma farmácia e ao sair de lá, formos abordados por uma jovem mulher que tinha uma criança chorando no colo. Ela me pedia dinheiro para comprar um remédio enquanto mostrava-me a filha doente e triste. Ao sair do local, percebi que minha filha (de 17 anos) chorava muito. Ao perguntar-lhe o que estava a ocorrer, só escutei como resposta “não é justo, não é justo”. Aquilo me chocou tanto que nem me lembro muito dos argumentos que encontrei para racionalizar tudo. Só me lembro que foi exatamente o que tentei fazer. Nunca me esquecerei de sua indignação sincera e pura. Isso ainda acontece hoje, dois anos depois? Aprendeu a racionalizar. Essa estória me veio à mente quando de minha visita ao monumento ao holocausto bem no coração de Berlim. São grande pedras como túmulos que são dispostas em uma enorme área. Ao todo, perfazem 90 mil metros quadrados com 2711 lápides de concreto cinza. Um projeto de 27 milhões de euros. É verdadeiramente chocante. Uma sociedade que reconhece que não pode racionalizar e nem esquecer. A foto abaixo é do monumento. Como as lápides são de tamnha diferente, cria-se essa impressão de que há uma onda acontecendo.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Harnack Haus

A primeira emoção que tive ao chegar em Berlim deu-se na chegada ao hotel. Estou hospedado na Harnack Haus, uma antiga casa criada nos anos 20 para receber reuniões e conferencias de cientistas alemães e do resto do mundo. Por mais de 80 anos ela possui uma aura de magia, pois representa o símbolo da Academia germânica uma das mais renomadas de todos os tempos. A descoberta da fissura do átomo, por exemplo, foi feita há poucos metros daqui por cientistas que estavam em uma reunião na Haus (casa em alemão). A casa está intimamente ligada a Dahlem – o nome do bairro que outrora era um município – colônia de cientistas nos arredores da Universidade Livre de Berlin. Ela foi primeiramente sede da Sociedade Kaiser Wilhelm (no final do império Prussiano – república de Weimar) que se destinava a promoção da Ciência. Depois da segunda guerra, virou quartel dos americanos que saíram depois da queda do muro. Depois disso, voltou a ter os objetivos de antes e passou a ser gerida pela prestigiosa Sociedade Max Planck. Sinto-me enebriado pela força dos gigantes que passaram pela casa e seus compartimentos. Diga-se de passagem que não é somente o valor histórico do hotel que merece elogio. O restaurante é muito bom. Já pagou a vinda (Assim não vale. Os alemães já pagaram tudo mesmo)!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Dahlem Konferenzen - Viagem

Essa semana meus textos serão prioritariamente voltadas à Dahlem Konferenzen. Já tinha escrito sobre o honroso convite que recebi para fazer parte de um grupo de cientistas para estudar temas como a modelagem matemática da criminalidade (veja o texto aqui). A viagem Fortaleza-Berlim transcorreu bem (pelo menos a TAP não perdeu minha bagagem!) embora bem cansativa. Uma conexão em Munique me permitiu tirar algumas fotos de curiosidades que encontrei em um dos aeroportos mais elegantes do mundo.



Uma réplica da Allianz Arena, a casa do Bayern de Munique. Essa réplica está em um lugar central do pavilhão de embarque e pode ser acessada por todos os passageiros que nela passam. Dentro um aspecto bem futurista (como a fachada, diga-se de passagem). Vejam abaixo a quantidade de computadores e monitores deixados ao uso dos interessados.



Bem na mosca! No banheiro do aeroporto, registrei essa curiosidade da foto abaixo. Há uma mosca desenhada em cada mictório. É para mirar no alvo e consequentemente sujar menos. Bem criativo!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Pedofilia, Orkut e Lan Houses

Hoje estarei no programa de televisão do Paulo Oliveira na TV Diário pela manhã para conversar sobre Redes Sociais na Internet (e.g. Orkut), pedofilia e outras mais. Recentemente venho me interessando pela forma como os brasileiros usam o Orkut. O lançamento de WikiCrimes no Orkut aumentou a necessidade de compreender as preferências e motivações de seus usuários. Muitos amigos me perguntam sobre a postura a ter em relação aos filhos sobre o uso do computador e essa será a pergunta condutora da conversa na TV. Para começar, quero dizer que as redes sociais vieram para ficar e não as vejo somente como um demônio a ser combatido. Trata-se de uma nova forma de socialização e comunicação entre pessoas. Há inclusive um enorme espaço para negócios nesse contexto (falarei sobre isso em outro momento). É bem verdade, que no Brasil ainda predomina o uso das redes sociais para atividades de lazer e quase sempre bem fúteis. Infelizmente, não se trata aqui de um problema tecnológico, mas cultural. Pois bem, deixem-me voltar à questão do controle dos pais. Já existem ferramentas para bloquear acesso a sites pornográficos ou para registrar todos os endereços consultados pelas crianças para posterior “auditoria”. Mas isso não garante proteção total e , sinceramente, não vejo muito interesse dos pais em fazer isso. Talvez aqueles que são profissionais de Informática até se aventurem, mas a maioria não tem tanto entusiasmo ou familiaridade com a tecnologia. Mas como proceder então? Acompanhar e impor limites constitui uma boa estratégia. Definir horários de uso do computador, acompanhar os sites que estão sendo usados pelos filhos (se possível participando das comunidades que eles fazem parte), conversar sobre os perigos de conversar com desconhecidos, enfim, nada extraordinário e que os pais devem fazer de uma forma geral, não somente ao que concerne a Internet. Infelizmente, isso não é nada fácil. Além da aversão que a geração menos jovem (ou mais madura) tem à tecnologia, uma característica bem brasileira vem potencializar a complexidade do processo. A maioria dos jovens, principalmente os menos favorecidos, usa a Internet fora de casa, nas Lan Houses. Aí, as sugestões de acompanhamento que mencionei previamente não valem muito. Nesse ponto é que o Estado tem um papel importante. Uma regulamentação do uso de computadores por menores em Lan Houses, já existente em alguns Estados, é fundamental. Vejam, no entanto, que essa questão é, de fato, muito parecida com outras que já discuti aqui sobre a responsabilidade das pessoas para que as leis sejam cumpridas. Da mesma forma que vender bebida alcoólica para menores deve ser penalizado, deixar crianças acessar sites proibidos em Lan Houses também requer punição. Se não houver acompanhamento nem suporte da população será mais uma lei que não pega (com efeitos maléficos às crianças).

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Ensino de Cultura Cidadã

O Brasil passou a olhar, de repente, para a Colômbia. As políticas públicas implementadas pelo ex-prefeito de Bogotá Antanas Mockus estão mais em alta do que nunca. Enrique Penalosa, ex-prefeito depois de Mockus e Hugo Acero, ex-Secretário de Segurança, além do próprio Mockus, são somente dois exemplos de Colombianos que têm sido convidados para expor os milagres das políticas implantadas por lá. Em 30 de Abril de 2007 já escrevia sobre a iniciativa Colombiana (clique aqui para acessar o texto). Para os que não conhecem bem ainda o conceito de cultura cidadã sugiro a leitura do texto que escrevi em Maio de 2007 onde descrevo em detalhes minha visão sobre as idéias de Mockus (acesse o texto aqui). Depois escrevi aqui sobre educação e cultura cidadã. Por começar a escutar muito sobre cultura cidadã vindo de diferentes direções , senti-me impelido a revisitar rapidamente o tema. Sinto-me preocupado de que as idéias sejam mal-compreendidas ou se desgastem devido à implementações mal-sucedidas. A cultura cidadã é daquelas coisas que todos adoram ler, acham belíssimo e defendem ferrenhamente em qualquer lugar. Problema: há uma enorme distância entre o discurso e a implementação. Esquivar-se da pura retórica é um grande desafio. Agora, é bem verdade que se compreenderem errado, aí é que a implementação fica difícil. Sabe onde a Teoria da Cultura Cidadã é mais mal compreendida? Porque ela não tem quase nada de teoria: é pura prática. É a implementação constante de mecanismos de mudança de comportamento no dia-a-dia das pessoas. É instinto de aproveitar as oportunidades. É ensinar constantemente (na sala de aula da vida). Isso requer liderança, mas uma liderança que deve ter uma característica especialíssima: capacidade de ensinar e principalmente de ensinar por exemplos práticos. Mockus na Colômbia teve essa capacidade. Como era filósofo e professor acadêmico usou brilhantemente seu skill de mestre para criar comunicação constante com a sociedade e assim passar sua mensagem educativa.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Convergência Jornais e YouTube

A convergência entre diferentes mídias já é uma realidade nos EUA. O mapa abaixo mostra a quantidade de Jornais que possuem canais no YouTube para transmitir suas notícias de forma visual e as vezes interativa. Quem poderia imaginar um dia que o New York Times, por exemplo, teria uma cadeia de televisão. Pois bem, ainda não a tem. Mas tem um canal no Youtube (clique aqui para acessá-lo). Custo baixíssimo e sem necessidade de maiores burocracias e formalizações como a obtenção de outorgas para transmissões necessárias no caso das televisões via satélite. Para ser justo, já começamos a ver isso também aqui por essas bandas, embora de forma bem mais tímida. Aqui em Fortaleza, o Diário do Nordeste e OPovo já começam a colocar inserções de vídeos em suas páginas. Caminho sem volta que tende a ficar mais relevante quando as barreiras de banda larga forem gradativamente vencidas. A grande questão é quão rápido isso vai ocorrer. A pouquíssima qualificação de nossas prestadoras de serviço de telefonia móvel,nos leva a duvidar de que isso corra rapidamente. O mapa abaixo, via 10000 words, mostra os canais YouTube de cada jornal.

Newspapers on YouTube

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Celulares com GPS contra Engarrafamentos

A Nokia e a Universidade de Berkeley lançaram um projeto interessante em novembro chamado Mobile Millenium. Os telefones celular com GPS da Nokia vão passar a funcionar como sensores para controle do tráfego. Os celulares com GPS (Global Positioning System) recebem sinais de satélites (satélites GPS) indicando a localização geográfica do receptor (no caso o telefone). A idéia é então transmitir essa informação de localização geográfica, quando o usuário estiver dentro de um carro, a um site central que passa a ter condições assim de saber quantos carros estão em um dado local. Com base nessas informações o site controlará o tráfego na região da Bay Area (San Francisco e cidades vizinhas) até a região de Lake Tahoe (área de montanhas na Califórnia). A idéia é simples, mas com alguns desafios a serem vencidos. Só funcionará em celulares que pode rodar Java. Até aqui tudo bem, visto que a maioria dos celulares possuem essa capacidade. No entanto, a questão financeira é um pouco mais complexa. A quantidade de dados transmitida do telefone para o site centralizador é muito grande. Se o usuário do telefone não tiver um plano com transmissão ilimitada, a conta será salgadíssima. Agora o maior problema mesmo é a questão da privacidade dos usuários. Os desenvolvedores construíram um sistema de transmissão dos dados do celular que, segundo eles, não identifica o telefone celular de onde o dado de localização está vindo. Se isso vai ter o aceite e credibilidade dos usuários, só o tempo dirá. O protótipo do sistema terá dez mil usuários e funcionará até abril de 2009. O site onde as informações de tráfego serão veiculadas é http://traffic.berkeley.edu/.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Habemus Ciço

O Alphaville na região do Porto das Dunas teve a maior concentração de ciço por metro quadrado do planeta. A eleição para o Ciço Bola na Rede 2009 ocorreu lá e reuniu ciços e ciças numa festa concorrida e cheia de ciçagem. As fotos abaixo ilustram alguns momentos.


Ciços




Ciças


Ciço votando


Autoridade Eleitoral


Meu voto


Homenagem à Tania Arruda




Passagem de Faixa


Muita dança!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Black Black Friday

Não exagero quando digo que o maior lazer dos Americanos é ir ao shopping. E olhe que não é só para passear como muitos o fazem aqui. É para comprar mesmo. A última sexta-feira de novembro que coincide com o feriado de Thanksgiving (ação de graças), chamada de Black Friday, é um dia que exemplifica minha afirmação. Esse dia é considerado o primeiro dia de compras para o Natal e é quando os lojistas realizam promoções gerais. Notem que não se trata de ponta de estoque. As lojas estão cheias de novos produtos a serem vendidos no Natal. Quando estava na Califórnia, fiquei impressionado com as filas que se formavam nas lojas desde cedo na manhã, para aproveitar as pechinchas. Não me surpreendi quando li a notícia no OPovo (veja matéria aqui) de que um funcionário do WalMart tinha morrido, no Black Friday desse ano, pisoteado por uma multidão de compradores descontrolados. Decididamente um Black Friday bem Negro.Me pergunto como os americanos vão conviver na crise. Conseguirão parar de comprar? Se sim, terão um lazer bem mais reduzido. Se não, vai ter muito calote!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Dê Carona Pela Web

Escrevo muito frequentemente sobre como a Web pode criar mecanismos de compartilhamento de opiniões, costumes e está mesmo a modificar o comportamento das pessoas. O site Pickuppal é um exemplo disso (pick up pal é uma expressão inglesa para dizer algo como carona para amigos). A idéia é simples, mas bem eficiente. Busca ligar condutores de veículos com passageiros e assim promover e facilitar caronas. Nas principais auto-estradas dos EUA e Canadá há sempre uma via destinada exclusivamente para veículos com pelo menos duas pessoas. É uma medida de incentivo à redução da emissão de poluentes e à diminuição do tráfego. O site pickuppal permite pessoas formarem uma comunidade (ou mesmo aqueles que já fazem parte de uma) afim de que comuniquem rotas e horário dessas rotas aos membros da comunidade de forma a compartilharem horários nos carros. Isso funcionaria por aqui?


terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia

Já tinha mencionado em textos anteriores o quanto a ciência brasileira está a receber investimentos nesses últimos anos. A diferença do tempo em que voltei de meu doutorado em 1997, há dez anos atrás, é estupenda. Na época, não tinha recursos para fazer nada. A única fonte de financiamento era o CNPq que possuía verbas reduzidíssimas que só chegavam a um pequeno grupo de pesquisadores mais experientes. A situação hoje em dia é tão diferente que não me canso de, nas minhas palestras a alunos, incentivá-los a fazer pesquisa. Falta gente! É preciso quebrar um paradigma, ainda disseminado na sociedade em geral, de que não temos, nós brasileiros, condições de estrutura, material e financiamento para realizar ciência de alto nível. O mais recente edital lançado pelo CNPq distribuiu mais de R$ 600 milhões a grupos de pesquisa de excelência no País para criação de Institutos de C&T. Esses Institutos (percebam que, embora com esse nome, não se trata obrigatoriamente de um prédio) são redes regionais ou nacionais de cientistas com o objetivo de estudar um tema específico. O objetivo é financiar continuamente grupos de pesquisa de alto nível. O Estado do Ceará foi contemplado com três Institutos, todos na UFC, nos seguintes temas: Biomedicina do Semi-árido, coordenado pelo professor Aldo Ângelo Moreira Lima, Transferência de Materiais Continente-oceano, coordenado pelo professor Luiz Drude de Lacerda e Salinidade, coordenado pelo professor José Tarquínio Prisco. O edital recebeu 261 propostas, das quais 61% vieram da região Sudeste. Dos recursos disponíveis, serão destinados 35% para os projetos dos estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, 15% para o Sul e 50% para os do Sudeste. Trata-se de um processo competitivo e a submissão de propostas só podia ser feita por pesquisadores nível 1A ou 1B do CNPq (ou equivalente!?). Não sei qual critério o CNPq usa para definir o que pode ser equivalente a um pesquisador 1A ou 1B. Requer pelo menos, como especificado no Edital, capacidade para liderar projetos complexos e com vários participantes, e liderança demonstrada por publicações de impacto em revistas científicas, patentes nacionais ou internacionais, e expressivo resultado em orientação de dissertações ou teses e supervisão de pós-doutores. Para se ter uma idéia do quão difícil é submeter o pedido do Instituto, não há no Estado do Ceará, nenhum pesquisador 1A ou 1B, por exemplo, em Computação. Aliás, chamou-me atenção o fato que o Estado de São Paulo teve 35 Institutos contemplados, mas nenhum em Computação. Projetos em Computação com coordenadores da UFRJ, UFMG e UFPE foram os únicos contemplados.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Que Sufoco!

Não poderia deixar de escrever sobre o final do ano desgastante no futebol. O Fortaleza fez sofrer a mim e a todos os leoninos. Felizmente, o sufoco passou, mas não sem deixar marcas. Éramos, nós torcedores, até então, orgulhosos da forma como o Fortaleza vinha sendo conduzido. Tinha subido duas vezes para a primeira divisão, tinha sempre as contas em dia, estava construindo um Centro de Treinamento moderno, enfim tudo parecia nos trilhos. A fragilidade de tudo isso ficou clara quando os resultados ruins chegaram. Será que aprendemos algo? Alguns detalhes merecem comentário. Para começar, gostaria de reforçar minha posição já exposta anteriormente de que é preciso investir na formação de jogadores (clique aqui para acessá-la) Os jovens jogadores da terra foram aqueles a quem o time recorreu na hora H. Ninguém tem dúvida de que o jovem Osvaldo foi o protagonista do salvamento milagroso do time. Outro aspecto interessante e que merece mais reflexão é sobre a questão administrativa e financeira. O pedido de apoio financeiro para a torcida no último jogo é uma idéia interessante, mas feita em momento inapropriado. Demonstra desespero e desorganização. Não temos o hábito de contribuir com um time de Futebol. Tradicionalmente, somente uns poucos mais abastados e apaixonados colocam dinheiro para contratar e pagar jogadores. Essa fórmula já demonstrou não ter sustentabilidade a médio e muito menos a longo prazo. Além disso, gera uma relação conflituosa com crise de comando entre esses contribuintes e os diretores. Fica sempre a questão de saber quem manda mesmo. A saída é criar uma cultura de participação das massas. As grandes equipes européias têm um corpo de associados que sustenta sua equipe do coração (o Barcelona, por exemplo, tem cerca de cento e cinquenta mil sócios). Particularmente desafiador é implementar isso em um Estado pobre em que os torcedores mal têm dinheiro para comprar os ingressos, mas é tempo de pensar em algo nessa direção. Afinal de contas trata-se doFortaleza Esporte CLUBE e sabe-se que sem associados, não há clube.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

ConSerpro em Fortaleza

O Serviço Federal de Processamento de Dados - SERPRO é uma empresa pública, vinculada ao Ministério da Fazenda. Tem mais de quarenta anos de existência e tem por objetivo modernizar e dar agilidade a setores estratégicos da Administração Pública brasileira. Há cerca de dois meses atrás fui convidado para ser um dos jurados a avaliar os trabalhos que seriam submetidos ao Congresso Anual do SERPRO - ConSerpro. Qualquer funcionário dentre os mais de 10.000 existentes no Brasil pode submeter um trabalho que descreva uma iniciativa inovadora que provenha um melhor serviço público ao cidadão ou que melhore processos internos da Instituição. Embora tenha sido uma tarefa a mais nesse final de ano em que trabalhos diversos se acumulam na minha mesa, foi uma boa experiência. Pude conhecer um pouco mais do SERPRO e de suas iniciativas de Gestão do Conhecimento através da sua Universidade Corporativa. Ontem fui convidado a ministrar uma palestra e comentar sobre os trabalhos que corrigi. Antes de minha palestra, Rogério Santana, Secretário de Logística e Informática do Governo Federal fez sua apresentação. Senti em suas palavras a preocupação com a Empresa e com os desafios que deve enfrentar nos próximos anos. Conheço bem alguns desses desafios. São os mesmos com as quais tive a oportunidade de conviver no antigo SEPROCE. A existência de grandes sistemas de informação desenvolvidos com tecnologias antigas e que requerem manutenção constante, um corpo de funcionários com faixa etária avançada e necessitando de reciclagem e uma estrutura pesada são exemplos. Vencer esses desafios passa impreterivelmente pela qualificação de pessoal e aqui a Universidade Corporativa (UniSerpro) é um excelente exemplo de iniciativa positiva. Criada em 2003, visa incrementar a formação acadêmica e o desempenho profissional dos empregados do Serpro. Outro aspecto positivo a ser ressaltado é o fato que todos os eventos do ConSerpro está sendo (o congresso vai até amanhã) transmitido por videoconferência para todas as sedes nos dez Estados onde se encontra. Na minha palestra falei de e-gov 2.0. Um conceito que ainda está em formação e que vou explorar em outros textos. Evidentemente, que WikiCrimes e WikiCrimes Social fizeram parte de minha apresentação. Agora, o ponto negativo mesmo foi a pouca estrutura que me foi fornecida para realizar a apresentação. O Orkut é bloqueado (soube que YouTube também) e por isso o acesso a internet teve que ser feito por uma ligação de celular 3G e aí vocês podem imaginar. Quando me deram a sugestão de usar o 3G, perguntei: Claro ou TIM (tremi na base!) ? O da TIM é péssimo enquanto o da CLARO é pior ainda. Tinham o da CLARO. Resultado. Durante a apresentação de WikiCrimes a rede saiu do ar quatro vezes! Desisti. Só fiz mostrar o site para que os espectadores tivessem a idéia do que se tratava. Pelo menos deixei claro na minha apresentação que a liberdade de uso da Internet e em particular dos sites típicos Web 2.0. é uma tendência incontornável dentro das Empresas.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Obama e a Internet

Já comentei que há uma enorme expectativa mundial em Obama e na sua administração. Particularmente, deposito uma esperança especial em como ele vai usar a Internet para se comunicar com as pessoas. Há um espaço enorme para relançar as bases de uma nova democracia. Já na campanha, a participação dos internautas foi um dos pontos fortes de Obama. O caminho agora está sedimentado. Da mesma forma que Keneddy usou a televisão para passar sua mensagem e sua imagem, Obama parece ser o primeiro político americano a perceber que a Rede Mundial de Computadores é o meio de comunicação dessa nossa época. A base de dados de emails de Obama é de mais de 10 milhões de pessoas. São aqueles que participaram de sua campanha quer fazendo doações (mais de 3 milhões) quer trabalhando voluntariamente. Mas não é somente de emails que viverá Obama e sua administração, um blog e um espaço de escuta de sugestões já está sendo construído para assim que tomar posse, ele possa escutar o que as pessoas querem sugerir. Reitero o que já tinha refletido no texto Espero ansiosamente para ver. Abaixo coloco uma charge que achei interessante feita por Dave Brown no Independent, Londres. Liga Abraham Lincoln, o presidente anti-esclavagista, com Obama. Aliás, a similaridade entre Lincoln e Obama não é só por razões raciais. Os acordos com inimigos que começa a fazer Obama foi marca registrada no Governo de Lincoln.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Google está Crowdsourcing

A Google aderiu a moda Wiki e decidiu fazer crowdsourcing também. Agora é possível fazer comentários em links disponibilizados por suas pesquisas. Tudo no já famoso estilo Google de atuar: super simples. Basta clicar na seta verde ao lado de cada item que retorna após uma busca. Você pode ainda dizer quais links retornados em uma busca são os que mais lhe interessam. A princípio, seus votos e comentários não modificarão a forma como as outras pessoas vão receber as buscas para as mesmas páginas. A idéia inicial é personalizar as buscas, embora seja possível ver como os outros estão customizando suas próprias buscas. Não creio, no entanto, que a Google vá deixar passar a oportunidade de encontrar utilidade para mais essa montanha de dados que vai se formar com a participação dos internautas. Nada como saber um pouquinho mais sobre eles. Em se tratando de Google, não podemos nem falar de um pouquinho, pois tudo é gigantesco. O vídeo oficial da Google lançando o SearchWiki, que é como eles estão a chamar o serviço, está abaixo.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

WikiCrimes no Canadá


Semana passada, recebi um telefonema de um repórter do jornal Sun de Edmonton no Canadá. Ele tomou conhecimento de WikICrimes e queria fazer uma entrevista comigo. Não tínhamos ainda tido a cobertura de nenhum veículo daquele País. Fiquei surpreso ao saber que os canadenses também estão preocupados com a violência. Temos sempre a imagem de que se trata de um local muito calmo. E o é, se compararmos com nossos padrões. Edmonton tem a taxa media de 3 homicídios por cem mil habitantes. Fortaleza tem a taxa de 22. Quando lhe falei desses números, ele silenciou e disse “entendo o porquê de WikiCrimes”. De qualquer forma, é compreensível a preocupação dos canadenses. O que lhes interessa é a comparação com o passado e não com outros países ou outros contextos quaisquer. No fim de semana, choveu acesso a WikICrimes por canadenses. A comunidade cresce internacionalmente.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Gisele, 99 gatas e WikiCrimes



O título desse post e a foto acima certamente devem tê-los feito pensar: é o Blog do Vasco mesmo? Embora, certamente alguns devam ter achado que o blog mudou para melhor, tenho que decepcioná-los. O significado disso tudo está na revista VIP desse mês. WikiCrimes foi objeto de uma matéria (veja uma foto com a matéria abaixo). Não poderia haver meio de divulgação mais adequado. O número de usuários de WikiCrimes vem crescendo desde o lançamento da revista. Entre fotos de beldades e muita propaganda de artigos masculinos, havia algo para ler. WikiCrimes estava lá e muito bem acompanhado.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Excessiva Qualificação e Crowdsourcing

Esse texto é uma continuação dos dois anteriormente escritos quando falei de excessiva qualificação (aqui) e quando falei de um exemplo de Crowdsourcing com o projeto Innocentive (aqui). Sabem onde as duas coisas se conectam? É que muitas pessoas que estão em situação de qualificação excessiva tendem a encontrar trabalhos alternativos às suas tarefas profissionais. O mais interessante é que elas buscam, nesses trabalhos alternativos, fazer aquilo que as agradam. São movidas por motivações como o reconhecimento da comunidade, obtenção de reputação ou simplesmente o prazer de fazer o que gostam. Vejam o exemplo da pesquisadora que mais teve prêmios na solução de problemas do Innocentive, Giorgia Scargetta. Essa italiana fez seu doutorado em química orgânica em 1997. Trabalhou com projetos de criação de bio-catalisadores, mas não tendo muitas opções para se tornar pesquisadora na sua pequena cidade de Cannara, preferiu ficar com a família a se mudar para centros mais avançados. Conseguiu um cargo de professora de Química em escola de segundo grau e continuou a realizar suas pesquisas “nas horas vagas”. Já ganhou duas vezes prêmios do Innocentive e com o dinheiro foi incrementando seu laboratório de pesquisa bem como sua residência. O livro Crowdsourcing de Jeff Howe fornece vários exemplos de pessoas que participam de atividades de produção de conhecimento em massa. Em vários deles, identificou que as pessoas que mais participam desses projetos já tem um emprego e estão em condições de excessiva-qualificação. Se essa correlação é significativamente relevante e se o mesmo fenômeneno ocorrerá aqui no Brasil, o futuro dirá.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Innocentive – Onde o Mundo Inova

Tenho escrito sobre crowdsourcing que significa produção de conhecimento em massa feita de forma distribuída e com pouco ou nenhum controle centralizado. Trata-se de uma forma de terceirização de pessoas, mas que não implica obrigatoriamente na remuneração das mesmas pelas atividades realizadas. O exemplo típico de crowdsourcing é a Wikipedia onde as pessoas contribuem na feitura de artigos sem que recebam nenhuma remuneração. Escrevi recentemente sobre como as grandes empresas como a Dell têm usado crowdsourcing (veja aqui). Uma forma de motivar as pessoas e que tem sido cada vez mais usada é oferecer prêmios para as melhores contribuições. Uma espécie de concurso aberto a todos os interessados. O(s) melhor(es) leva(m) os prêmios. Um exemplo de sucesso de projeto desse tipo pode ser encontrado no excelente site Innocentive. Trata-se de um projeto dedicado exclusivamente à inovação. No site são colocadas chamadas para solução de problemas, os mais diversos. Há chamadas por propostas nas áreas de química, computação, negócios, física, matemática, ciências da vida, engenharia e políticas públicas. Normalmente essas chamadas são feitas por empresas com o intuito de motivar inovadores, inventores e pesquisadores a se debruçarem sob problemas que possam lhes trazer diferencial competitivo. Cada problema apresentado tem um prêmio associado que pode ser dinheiro e/ou participação em royalties pela exploração do produto. Por exemplo, atualmente há uma chamada da Câmera de Comércio da Cidade de Chicago para redução de emissão de gases poluentes pelo uso eficiente de transporte coletivo, de caminhadas, de uso de bicicletas, enfim de alternativas aos automóveis. O prêmio pela melhor proposta é de 5.000 dólares. As propostas podem ser enviadas até dia 5 de Dezembro. Alguém se habilita? Detalhes dessa chamada e de outras ligadas às inovações de políticas públicas podem ser encontradas aqui. Encontrei uma chamada na área de química em que o prêmio é de 1 milhão de dólares. Em 2007 foram mais de 160 mil problemas solucionados. Os maiores solucionadores de problemas aparecem no site, o que os motiva mais ainda (afinal, pesquisador prefere reputação ao dinheiro!). Abaixo, mostro os países que mais tiveram inovadores premiados (quanto maior o nome, maior o número de soluções). Imperdível uma visita por lá de vez em quando.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Excessiva-qualificação

Vou chamar aqui de excessiva-qualificação quando uma pessoa tem uma qualificação acima daquela necessária para realizar suas atividades profissionais. Mas será que isso ocorre com frequencia? Não temos sempre ouvido falar de que o que ocorre é a falta mão de obra qualificada para ocupar cargos vagos no mercado? Claro que dependendo do País e do contexto, isso ocorre em diferentes proporções. Durante meu doutorado na França, há dez anos atrás, já convivi com esse fenômeno. Meus colegas franceses recém doutores não encontravam trabalho em universidades ou em empresas que faziam pesquisa e aí acabavam por se ocupar em atividades que exigiam minimamente de sua qualificação. Na Europa, havia (e ainda há) muito PhD disponível e o contexto de recessão que sempre rondou o Velho Mundo torna o processo de excessiva-qualificação um problema real. Evidente que, como já disse em textos anteriores (acesse aqui), a capacitação para pesquisa traz, além da qualificação técnica, uma formação adjacente que é ampla e útil para a resolução de problemas em geral, o que, sem sobra de dúvidas, pode ser aproveitada pelo mercado de diversas formas. Não há dúvida, no entanto, que isso nem sempre é simples de ser conseguido. Vale ressaltar que excessiva-qualificação não se refere somente a PhDs ou pessoas que estudaram muito. É algo bem mais abrangente. Semana passada estive conversando com algumas pessoas da Polícia Militar e da Guarda Municipal e vi claramente esse fenômeno presente. A febre de concursos públicos para cargos com salários atraentes e a estabilidade inerentes ao Serviço Público leva uma legião cada vez maior de pessoas com qualificação acima da necessária para o cargo a assumir cargos que lhes exigem bem menos daquilo que podem dar. Conversei com soldados e patrulheiros municipais que estavam extremamente desmotivados porque se achavam mal aproveitados nos seus trabalhos. Tinham que fazer nada motivadoras rondas de patrulha em prédios públicos ou em ruas e avenidas e só. Eles achavam que podiam render muito mais em outros setores e em outras atividades e que não eram percebidos. Tinham mágoas de suas Instituições. Quando lhes alertei que suas Instituições talvez necessitassem de gente para fazer exatamente o que lhes eram solicitados, percebi que passaram a compreender claramente que estavam em situação de excessiva-qualificação. Alguma receita? Não por mim. Os gerentes e as próprias pessoas que se encontram em situação de excessiva-qualificação devem buscar trilhar seus caminhos. E ainda, por favor, me entendam. Não estou querendo dizer que qualificações podem ser excessivas e que não devemos buscar tê-las. Na verdade, minha intenção foi só de introduzir o problema porque quero refletir sobre a relação entre Excessiva-qualificação e Crowdsourcing em um próximo texto. Confiram!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Bons Ventos

Em momentos em que as relações pessoais parecem sempre levar a conflitos, Morricone com A Missão é de abrandar qualquer temperamento. Traz bons ventos. Nunca é demais reverenciar esse mágico da música. Vejam o que já escrevi sobre ele aqui . Numa navegada recente em YouTube achei esse vídeo em que ele conduz a Missão na Arena de Verona. Melancolia, pureza, beleza, alegria e muitos outros sentimentos vão aflorando no decorrer desses oito minutos abençoados. Para os que não assistiram o maravilhoso filme, segue o trailer para entusiasmar.Permite ainda perceber a sinergia da música com o cenário.



quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Propagandas no Google Maps

Sempre me perguntam onde a Google ganha dinheiro. Principalmente quando ficam surpresas com o fato de usamos o Google Maps em WikiCrimes de graça. Quando respondo que preferencialmente vem de publicidades, as pessoas custam a acreditar. Bem, para ser mais convincente, recorro ao recente estudo da ComScore, especializada em pesquisas sobre acessos à sites na web. Nesse estudo verificou-se que o número de visitantes que acessaram o Google Maps somente em agosto desse ano foi de 131 milhões. Esses visitantes consultaram ao todo 1,3 bilhões de páginas. Dá para entender porque uma das maiores preocupações da Google é encontrar onde colocar publicidade e ainda por cima fazê-la aparecer em momentos oportunos. Vejam abaixo uma foto do Google Maps com pequenas publicidades que aparecem quando se faz uma busca New York City Hotels. Quase não dá para ler, mas com essa quantidade de visitantes, não precisa de muito, não?

terça-feira, 11 de novembro de 2008

WikiCrimes no Orkut

Essa semana estamos inaugurando uma das maiores novidades de WikiCrimes desde seu lançamento. Já está a disposição dos usuários do Orkut uma aplicação chamada WikiCrimes Social. Trata-se de uma adaptação da versão original de WikiCrimes mais voltada ao contexto de redes sociais. A idéia básica é dar a possibilidade, aos usuários do Orkut de alertar seus amigos sobre regiões que considera perigosa. Além do alerta, estamos buscando capturar a opinião desses usuários sobre os porquês da periculosidade da área. Um espaço para comentários permite ainda discussões e observações dos amigos sobre a questão. A iniciativa é parte do trabalho de final de curso de Carlos Caminha e que, como todas as nossas iniciativas no grupo de pesquisa da UNIFOR, conta com o auxílio de todos. Nessa semana, começaremos um estudo inédito de como se comportará jovens usuários do Orkut no seu uso de WikiCrimes Social. Serão alunos de nível médio com idade média de 16 anos, de escolas públicas e privadas de Teresina que participarão desse estudo científico em parceria com o curso de Psicologia da Universidade Estadual do Piauí. Vejam abaixo a interface de WikiCrimes no Orkut e não deixem de acessá-lo e divulgar paras seus amigos. Se quiser instalar diretamente WikiCrimes Social no seu Orkut basta clicar aqui.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Saga da TIM: Parte III

Se eu estivesse escrevendo a estória da Saga da TIM não teria tanta criatividade para imaginar as situações inusitadas, nem para manter a estória viva em capítulos que se sucedem. Para os que ainda não conhecem bem a novela, sugiro uma lida nos textos anteriores (aqui e aqui). Pois bem, na semana passada o terceiro capítulo foi escrito (repito, não sou eu que o escrevo, só o relato). Recebi uma conta de R$ 768,00. A descrição que nela consta é bem sucinta: não devolução de equipamento. O melhor é que ela se refere a DOIS equipamentos. Confesso que já esperava por algo do tipo. Nessa estória toda só faltava a TIM me cobrar algo. Agora, me cobrar dois equipamentos quando só pedi um e, principalmente, me cobrar uma devolução que não consigo fazer é decididamente surreal. Quando recebi a conta, decidi retornar a loja da TIM para devolver o equipamento de qualquer maneira. Não consegui. Ninguém aceitou recebê-lo. Queria que me dessem um recibo qualquer dizendo que estavam com o equipamento. Não consegui falar com a gerente (nem sei se ela existe, de qualquer forma, se existir, não está servindo para nada). Tive somente a ajuda de uma moça muito distinta que buscou me ajudar levando-me ao famoso espaço telefônico que já me está virando familiar. Sim, aquele mesmo em que tirei uma foto sentado ao chão (e que muitos de meus leitores adoraram!). Essa moça me confidenciou que a loja da TIM só serve para vender e nada mais. Nenhuma outra atividade era permitida. Creio que quando percebeu meu desespero ao saber que tinha que resolver tudo por telefone mesmo, se dispôs a ajudar-me ligando para os inúmeros setores da TIM somente para conseguir abrir outro chamado de solicitação de entrega do equipamento. Ela descobriu o que é uma saga. Foram TRÊS horas passadas ao telefone. A ligação passa de setor a setor, não se consegue identificar os responsáveis e nessas transferências a chance da ligação cair e ser necessário começar tudo de novo é grande. Aprendi que era necessário abrir duas solicitações: uma de pedido de entrega do equipamento e outra de contestação da conta. Até aqui tudo bem, o problema é que aprendi também que só posso contestar a conta, se o equipamento for entregue. Como o equipamento não foi (e nem sei quando será) entregue, não posso contestar a conta. Estou a esperar que a TIM entre em contato comigo e venha pegar o equipamento para poder fazer algo. O pior é que já vislumbro o que vai acontecer pela frente. Não pagarei a conta, meu débito vai aumentar e corro o risco de ser colocado na SERASA. Já disse várias vezes na loja da TIM que não queria resolver o problema na justiça e nem queria dinheiro da TIM por indenizações. Mas me parece que isso será inevitável. Ainda bem que tenho o blog como válvula de escape. Ajuda-me a manter a calma e conviver com humor nessa situação nada agradável.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Guerra nas Estrelas Está Chegando

Quem não se lembra das cenas de Guerras nas estrelas em que as personagens se comunicavam e interagiam como se estivessem face a face através da transmissão de imagens de seus corpos para outros locais? Isso se chama holograma que de uma forma geral se refere à técnica de jogar luz em um objeto e depois reconstituí-lo. Essa reconstituição pode ser feita em outro local e , em função do jogo de emissão dos raios de luz em diferentes ângulos, dá a idéia de uma reconstituição em três dimensões. Pois bem, a CNN inovou fortemente nessa semana, mostrando que não foi só a eleição de Obama que foi histórica. Ela passou a usar hologramas para simular a “transmissão” de seus repórteres de um lugar para outro. Acompanhe no vídeo abaixo que recebi de Leonardo Ayres via brainstorm9, um holograma da repórter que foi filmada em Chicago por mais de 30 câmeras de alta definição e teve sua imagem reconstruída ao lado de Wolf Blitz nos estúdios da CNN em Atlanta. Alguns mais céticos poderiam perguntar o que isso traz de vantagem em relação aos métodos tradicionais de entrevistas. A CNN argumenta que isso permite isolar o repórter, tirando-o da interferência de outras pessoas o que aumenta a qualidade da matéria. Não esqueçamos, no entanto, que a CNN vem se caracterizando como uma rede que sempre inova tecnologicamente, o que lhe aporta muito em termos de imagem progressista e moderna. Vamos esperar para ver novas aplicações e se as mesmas vão mostrar-nos que hologramas serão o futuro como George Lucas tinha previsto.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Obama Presidente

Poucas vezes em nossas vidas temos a sensação de estar vivendo momentos históricos de escala mundial. A queda das torres gêmeas, por exemplo, não deixou dúvidas a ninguém. Hoje estou tendo a mesma sensação com um evento que, felizmente, não tem nada de trágico. Ao acabar de assistir pela CNN de que o Estado de Ohio dará a vitória a Obama, fica a certeza de que ele será presidente em uma apuração que varará a noite brasileira. É um momento histórico e que nos enche de expectativas positivas. A força do simbolismo que o evento representa é tão intensa quanto o poder americano no mundo, mesmo com sua economia em crise. Suas origens africanas, sua infância humilde, sua vitória pessoal e seu discurso de mudança conseguiram fazer algo que até pouco era impensável: o mundo olha melhor para os EUA. Além da simbologia que já mencionei, o mundo olha para os EUA com admiração pela demonstração de que é uma terra de oportunidades, olha com respeito pela solidez de sua democracia e olha com esperança pela mensagem progressista que Obama veicula. Todos querem acreditar nele e no que ele quer fazer. O mundo está aberto para que os EUA sejam um líder por batalhas que precisam ser combatidas como a pobreza, a devastação ecológica, a intolerância de idéias diversas e as desigualdades trazidas por mecanismos econômicos perversos. O maior triunfo de Obama advêm desse depósito de esperança global, mas que se torna instantaneamente seu maior desafio: não deixar essa imensa esperança evanescer. Só nos resta torcer. God Bless Obama!

Few times in our lives we have the feeling of living a historic moment. September 11th, for example, left no doubt in anyone. Today I am having the same feeling with an event which, fortunately, has nothing of tragedy. I have just watched at CNN that the state of Ohio gave victory to Obama, implying that for sure he will be announced President of USA in the next few hours. It is a historic moment that bring us only positive expectations. The strength of the symbolism that this represents is as intense as the American power (even with the economics crisis). His African root, his humble childhood, his well succeed personal life and his speech of changing provokes what was unthinkable few ago: the world has a better look to US. Besides the symbolism that I mentioned, the world looks to the U.S. with admiration due to the demonstrating that it is a land of opportunities, looks with respect due to the strength of its democracy and looks with hope due to the message that Obama invokes. Everybody wants to believe in him and in what he wants to do. The world is open for that US becomes a leader in the battlefield of wars such as poverty, inequality, intolerance as for divers ideas and ecological devastation brought by perverse economic mechanisms running Today. The greatest triumph of Obama comes from this big global reservoir of hope, but that instantly becomes his greatest challenge: not to allow this immense hope disappear. We can only pray. God Bless Obama!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Aurora

Os vídeos que estou publicando abaixo foram produzidos pelos laboratórios Mozilla, aqueles que produzem o Firefox e que, de longe, é o melhor browser dos dias atuais (se você ainda não o usa, clique aqui para instalá-lo gratuitamente em seu computador). Eles mostram diversas funcionalidades que são esperadas fazerem parte dos browsers do futuro (batizado de Aurora pela Mozilla). Exemplos de integração de dados e programas de diferentes fontes (mashups), colaboração com compartilhamento de dados visualizados no browser e interfaces inteligentes fazem parte do vídeo e certamente estarão cada vez mais presentes nas próximas gerações de browsers. Vejam aqui o texto e vídeo que escrevi sobre Ubiquity que é um exemplo de como o próprio usuário pode fazer mashups. Mas não são somente as idéias exploradas no vídeo que me chamam a atenção. O próprio vídeo merece destaque. O barateamento da produção e da distribuição de vídeos pela Internet deixou muito popular esta forma de apresentação de idéias. Trata-se de uma forma de prospecção de inovações que é produzida com uma qualidade boa (muitas vezes profissionalmente, mesmo que não obrigatoriamente) e que tem o poder de divulgar e de entreter.


Aurora (Part 1) from Adaptive Path on Vimeo.

Aurora (Part 2) from Adaptive Path on Vimeo.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Beira-Mar de Fortaleza Precisa de Segurança ou de Polícia?

Estava em viagem ao exterior e por isso não tinha tomado conhecimento da matéria da TV Verdes Mares sobre a insegurança na Beira-Mar de Fortaleza. Somente na semana passada pude ver o vídeo que está agora disponível na Internet e que publico abaixo. O vídeo é rico de cenas impressionantes e é desmoralizador (uma vergonha para a sociedade como um todo, não só do Governo). Ele serve perfeitamente para ser usado como caso exemplo em qualquer curso sobre Segurança Pública, pois, no mínimo, permite explorar a diferença ente esse Segurança e Polícia. No vídeo, dentre as diversas cenas capturadas que mostram gritos de desespero, quedas de patinete, omissão das testemunhas, o fato que mais me chamou a atenção foi o teor do noticiário: falta policiamento (ou ele é feito incorretamente). Há inclusive um depoimento de um comerciante que disse que antes, quando havia uma cabine em frente ao seu comércio, não havia nenhum crime (era bom para ele, né!). A questão fundamental para o problema é que a solução para o mesmo passa por outras ações que são totalmente diferentes das que a reportagem leva o telespectador a perceber (e parece que as autoridades também). Para começar, vale a pergunta: Quem são os delinqüentes? Eles são conhecidos? A resposta é obviamente, sim. Percebam no vídeo que há várias pessoas conversando com os mesmos antes e depois de suas ações. Eles usam o espaço público para planejar suas ações tranquilamente e bem as claras. Quem quiser conhecê-las basta ir presenciá-las como fez a televisão. Dá para perceber ainda que são jovens, a maioria menores. Colocar policiamento ostensivo é claramente ineficiente (de patinete então!). A própria matéria mostra que eles esperam que as rondas passem para então agir. Ou seja, eles estão decididos a delinqüir, o policiamento não irá impedi-los. Não podem ser presos, pois são menores. As casas de detenção não os faz mais temerosos. Criou-se algo muito comum, já identificado por estudiosos do sistema penal: o medo de ser punido diminui quando se habitua à pena. Na verdade, não precisa ser muito especialista para saber disso: todo pai sabe que não adianta castigar muito os filhos, pois eles acabam se habituando. O receio da pena é um dos maiores fatores de prevenção da criminalidade: vulgarização da prisão tem efeito contrário. E aí? O que fazer então? Aí é que entra a necessidade de se saber a diferença entre Polícia e Segurança Pública. Esse último conceito é algo bem mais abrangente. Envolve a compreensão das causas e fatores condicionantes da criminalidade e violência. Resolver o problema requer investigar e, muitas vezes, agir nas causas sociais. Vejam, não estou aqui querendo levantar um discurso retórico de que é preciso acabar com o desemprego e com a pobreza para acabar com os roubos na Beira-Mar. O que quero enfatizar é que é preciso fazer um trabalho com aqueles jovens que estão delinqüindo. É preciso ir às suas casas, is as suas escolas (se não as freqüentam, identificar o porquê), conversar com seus pais, propor medidas socio-educativas, enfim se envolver fortemente no contexto das vidas dos mesmos. Eles precisam querer deixar de fazer aqueles roubos. Eles têm que ser detidos (não obrigatoriamente no sentido de serem presos) antes que a escalada de deliquencias não os levem a um patamar muito mais alto e danosos à sociedade. Requer, no mínimo, o envolvimento da Prefeitura, da Assistência Social, Ministério Público, Secretaria de Justiça e Secretaria da Juventude. Isso sim é Segurança Pública. Talvez possa ser considerado mais difícil do que colocar Rondas e mais Rondas, mas, dá resultados mais duradouros e concretos.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Leis que pegam e Leis que não querem(?) que pegue

Já tinha falado do fenômeno brasileiro das leis que pegam e de outras que não e do quanto isso é perigoso para a nossa sociedade. No texto lei, moral e valores reforcei o fato de que se existem leis que não suportam valores da sociedade(clique aqui para ler esse texto), elas são fadadas ao insucesso. A situação do jogo do bicho é emblemática e me causa estarrecimento. São exemplos de coisas que ocorrem porque o poder público não cumpre sua parte com uma conivência da sociedade. Completa omissão de todos. Um jogo de faz de contas inacreditável. Chega a ser surrealista os funcionários do Paratodos pedindo em público para “trabalhar”. Veja esse depoimento que tirei do Diário do Nordeste : “Ganhamos por comissão e a maioria só vive disso”, afirmou uma funcionária, de 46 anos. “Eu irei aonde for para mudar isso. Estamos sem trabalhar”. Esses funcionários não se consideram fora-da-lei. Aliás, nem ele, nem ninguém. Ou seja, há a lei, mas não há o suporte moral para a sua imposição. Isso explica como que um negócio que envolve cerca de 15 mil pessoas só em Fortaleza e em Caucaia pode acontecer e sobreviver sob o olhar inerte de todos durante todos esses anos? Aliás, o jogo do bicho não é o único exemplo. Os transportes alternativos estão indo na mesma pegada. Quando alguém quiser colocar ordem, não vai conseguir.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Genialidade Grupal – Resposta dos testes

Semana passada, coloquei dois testes realizados por psicólogos quando tentavam compreender como se dá a criatividade. O resultado para o primeiro pode ser visto na figura abaixo. Parabéns ao Adriano que foi o único que enviou a solução. A dificuldade de resolvê-lo é chamada em inglês de “thinking outside the Box” (algo abrir os horizontes ou ao pé da letra pensar fora da caixa). Os gestaltitas acreditavam que o insight era algo diferente do nosso pensamento tradicional e que estava influenciado por um bloqueio que ao ser eliminado leva a conclusão. No caso do jogo dos nove pontos, o bloqueio é não pensar que as retas podem passar dos pontos. Testes mais recentes com uso de scanners computadorizados indicam que isso não é bem assim. O insight é um mecanismo de raciocínio e busca de solução como os outros. Por essa razão depende mesmo é da experiência de casos similares vividos. Fica difícil ligar os pontos do teste, porque tradicionalmente a experiência das pessoas está ligada ao joguinho de labirinto onde ligar os pontos é feito dentro dos limites. Não há aprendizagem de outra estratégia. Por isso fica difícil encontrar a solução. Outros testes realizados com o intuito de provar essa hipótese mostraram que ao serem ensinadas com estratégias similares as pessoas acabam resolvendo problemas desse tipo mais rapidamente. Para finalizar, a resposta do teste do Raio X é a seguinte: coloque vários aparelhos de Raio X em posições diferentes e direcionados ao tumor. Ligue-os ao mesmo tempo com uma intensidade que não destrua os tecidos, mas de forma que os raios atinjam o tumor ao mesmo tempo. Dessa forma a intensidade que atinge o tumor será forte o suficiente para destruí-lo. O mais interessante desse problema é que ele é resolvido muito mais rapidamente quando várias pessoas discutem sobre o mesmo e colaboram na solução.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Polícia Comunitária ou Policial Cidadão?

Tem sido muito rica a minha interação com os alunos no curso de Especialização em Polícia Comunitária que coordeno e que nesse mês de Outubro ministrei uma disciplina. Interessante como me interei dos problemas do contexto da Segurança e como aprendo sobre ele constantemente. Um dos pontos que tenho percebido é a percepção de alguns agentes de segurança (vejam que isso é mais abrangente do que só a Polícia) e da própria sociedade sobre o conceito de Polícia Comunitária. Percebo uma tendência a considerar polícia comunitária como aquela que é educada em contraposição à tradicional que não o é. Preocupa-me essa visão que além de reducionista do conceito de Polícia Comunitária é ainda indutor de uma postura errada dos que não fazem essa função. Digo sempre aos alunos que ser respeitoso com os direitos do cidadão, tratá-lo dignamente e sempre dentro dos ditames da lei é obrigação de qualquer policial (do servidor público de uma forma geral). A verdade mesmo é que há uma cultura arraigada de que na hora de “fazer Polícia mesmo”, não dá para ser educado. Tem que ser na porrada. Ser bacana na hora de dar uma informação, de trocar o pneu de uma madame, de orientar um turista é fácil. No pega para capar, não dá para ser comunitário. Esse tipo de raciocínio é uma tremenda de uma confusão que está se formando na cabeça dos agentes de segurança e, pior, na cabeça dos cidadãos. Não vamos misturar alhos com bugalhos. Polícia comunitária não pode ser confundida com fraqueza. A Polícia é uma Instituição a quem a sociedade deu o direito do uso da força. Se a situação assim o exigir, nada mais natural de que ela recorra a esse expediente. Agora, a polícia deixa de ser comunitária (mais do que isso, deixa de ser cidadã) quando se excede, usa a força desnecessariamente e desrespeita os valores e direitos individuais do cidadão. Polícia comunitária requer proximidade com a comunidade para ações pró-ativas, preventivas, reconhecimento da sociedade e identificação de potenciais focos de violência e tensão social. No entanto, Polícia, comunitária ou não, requer auto-controle, autoridade, postura e acima de tudo seguimento da lei.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Lei de Inovação Cearense

A sociedade cearense está de parabéns! Desde a semana passada, 21 de outubro para ser mais exato, o Estado do Ceará têm sua lei estadual de inovação: a lei 14.220. Em seu artigo primeiro é dito que a lei
“... estabelece medidas de incentivo à inovação e pesquisa científica e tecnológica com vistas a introdução da inovação no ambiente produtivo, nas políticas públicas e nas ações estratégicas visando o desenvolvimento social e econômico do Estado do Ceará”.
Embora com pouco impacto mediático, ou pelo menos, com bem menos do que considero ser merecido, essa lei é um marco histórico. Ela segue em linhas gerais a lei de inovação federal, mas, introduz mecanismos próprios voltados ao contexto estadual. Creio que ela é, acima de tudo, emblemática ao colocar o Estado em papel preponderante no contexto da inovação. Ressalta uma importante decisão estratégica que sinaliza à sociedade de que o momento atual, visto em todo o mundo, de que inovar é preciso, está sendo percebido pela sociedade cearense. Bem além, não se trata somente de perceber a importância do tema, mas de agir, de criar mecanismos que façam atuar os diferentes atores envolvidos no processo: empresas, academia e governo. Entre os diferentes mecanismos que a lei traz para incentivar a inovação no setor produtivo, ressalte-se a estruturação das agências de fomento, os estímulos à participação de Empresas no processo de inovação, da participação do Estado em fundos de investimento e em parques tecnológicos. Em particular, gostaria de mencionar o capítulo VI que estabelece mecanismos para estimular a participação do funcionário público no processo de inovação. Essa participação não só passa a ser permitida, como pode inclusive ser remunerada por bolsas ou complementos salariais vindos das instituições executantes ou apoiadoras de um projeto de inovação. A lei assegura ainda que os pesquisadores em geral podem ter participação nos ganhos econômicos resultantes de contratos de transferência de tecnologia e de licenciamento para outorga de direito de uso ou de exploração de criação. Os ganhos podem ser através de royalties ou quaisquer benefícios financeiros resultantes da exploração direta ou por terceiros. Esse mecanismo é particularmente importante, pois cria condições concretas de incentivo à participação de pesquisadores em projetos de inovação empresariais o que implica na tão desejada proximidade Universidade-Empresa. A lei é leitura obrigatória para empresários, pesquisadores e servidores públicos.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Dave Mathews Band

A rádio ao lado está mudando (não muito), pois continua com o rock moderno (no sentido de recente) do Dave Mathews Band. Trata-se de um conjunto americano nascido no início dos anos 90 e que vêm a cada ano se aperfeiçoando e criando um estilo bem próprio. Abaixo, coloco uma de suas músicas mais populares e que admiro pela combinação de instrumentos jazzísticos com a voz de Dave com seu sotaque meio caipira que é inconfundível.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Web na Televisão

Recentemente estive a assistir rapidamente Fox Television, uma das maiores cadeias de televisão do mundo, e vi algo que me chamou a atenção: um exemplo de integração da televisão com a web. A Fox fica constantemente mostrando na telinha quais matérias são as mais “pesquisadas”e as mais “clicadas”no seu site na Web. Reflete uma tendência já existente nos EUA. As pessoas usam a web mais do que a televisão e mesmo quando usam a TV, o fazem concomitantemente com um computador. Isso certamente vai dirigir a atenção das cadeias de TV de mais em mais. Agora, se isso é bom ou ruim é outra estória. No momento em que estava assistindo a TV, num desses dias de crise econômica, eleições nos EUA, atentados e outras coisas mais, sabem qual assunto foi disparado o mais clicado (26% dos acessos): o divórcio de Madonna. Lado positivo: caras e bundas não é privilégio de brasileiros.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Anuário do Fórum de Segurança

Somente ontem pude ler com um pouco mais de detalhe o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública lançado na semana passada (acesse o anuário completo clicando aqui). Trata-se da segunda edição de uma iniciativa que tem tudo para se tornar uma referência em um País tão carente de dados sobre Segurança. Vou me deter a algumas reflexões mais voltadas ao Estado do Ceará. A primeira constatação é extremamente preocupante. O Fórum dividiu, no Anuário, grupos de Estados caracterizados pela qualidade estimada dos dados criminais. Para cada Unidade da Federação foram considerados o número de mortes por agressão (homicídios) e o percentual de óbitos mal declarados, ambos produzidos pelo Datasus, do Ministério da Saúde. O Ceará ficou no grupo dos Estados que o índice de óbitos maldeclarados é muito grande e por essa razão o dado de homicídio não é totalmente confiável. Em outras palavras não sabemos, por uma fonte externa à Polícia, quantas pessoas morrem vítimas de violência. De quebra, os dados de outros crimes também não foram contabilizados pela pouca credibilidade dos dados de homicídios. Os Estados considerados como possuidores de dados qualificados, e por essa razão, fontes de maiores análises são SP, DF, ES, MT, MS, MG, PR, PE, RJ, RS e SC. Bem, pelo menos em relação a dados de recursos humanos e financeiros, podemos fazer análises comparativas. É bem verdade que toda análise comparativa tem que ser feita com muito cuidado, pois os critérios de coleta dos dados podem ser muito variados. Não obstante, elas servem, no mínimo, para forçar um refinamento no sistema de coleta. Vejam, por exemplo, outros dois conjuntos de dados que indicam pontos vulneráveis de nossa Segurança. A primeira situação refere-se ao contingente da Polícia Civil dos Estados (já tinha mencionado as deficiências da Polícia cearense aqui). Vejam o gráfico abaixo que produzi com os dados do Fórum e que têm como fonte principal a Secretaria Nacional de Segurança Pública - SENASP. O gráfico de barras mostra o número de delegados de Polícia por habitante. O Estado do Ceará é o penúltimo colocado: um delegado para cada 31.482 habitantes. Outro dado que merece menção é o de investimentos feitos em Segurança Pública em cada Estado. A fonte é o Ministério do Planejamento e a variável é o quanto do total do orçamento do Estado está sendo usado para Segurança. Nesse quesito, o Ceará é o último colocado (em 2007).




Errata : Genialidade Grupal

Desculpem-me o erro. Esqueci de dizer que para o jogo 1 é preciso ligar os pontos com quatro retas. Senão ficava muio fácil, não?!

Genialidade Grupal

Li recentemente Group Genius: the Creative Power of Collaboration (Grupo Gênio: a força creativa da colaboração) de Keith Sawyer. O livro trata de assuntos interessantíssimos e que estão fortemente ligados às minhas atividades atuais: criatividade, inovação e colaboração. De uma maneira geral, no entanto, me decepcionou pelo o que considero uma infeliz estratégia seguida pelo autor. Ele caiu na armadilha de dar receitas do que fazer e não fazer e assim dirigiu-se a um terreno arenoso de obra tipo auto-ajuda e que particularmente detesto. Principalmente quando se trata de assuntos que estão na fronteira do conhecimento, melhor deixar o leitor tirar suas conclusões do que ficar querendo propor receitas. Por esta razão não o estarei postando na coluna ao lado. No entanto, há muita coisa interessante no livro que em resumo busca quebrar certo estereotipo de que a criatividade e a inventividade vêm através de insights repentinos por indivíduos iluminados, isolados e mesmo alienados. Ao contrário, criatividade está mais ligada a trabalho em equipe, experiência com tentativa e erro e muita interação, quer seja diretamente com colegas, quer através de idéias que vão sendo gradativamente assimiladas e evoluídas. Quando o autor não está dando receitas de como ser criativo, a leitura flui agradavelmente muito em função das diferentes e interessantes experiências feitas por psicólogos cognitivos descritas no livro. Para relaxar, deixem-me exemplificar com dois testes realizados na década de 60 por psicólogos “Gestaltistas” (consideram que o pensamento e as percepções das pessoas não podem ser entendidos por análises de componentes individualizados, mas somente com a visão completa do todo). Eles fizeram vários testes em busca de entender o fenômeno “aha”ou “heureka” que caracteriza o momento do click, da descoberta, o chamado “cair a ficha”.
1º teste – Nove Pontos
Veja a figura abaixo. Tente conectar os nove pontos com quatro retas sem tirar a caneta do papel, nem passar duas vezes no mesmo caminho.


2º teste – Problema do Raio X
Suponha que você é um médico e tem um paciente com um tumor maligno no estômago. É impossível operá-lo, mas se o tumor não for destruído o paciente irá morrer. Existe um tipo de Raio X que pode ser usado para destruir o tumor. Se esse Raio X atingir o tumor todo de uma vez com uma intensidade alta o tumor será destruído. Infelizmente, com essa intensidade necessária o Raio X destruirá todo tecido de pele e nervoso que encontrar pela frente. Com uma intensidade baixa os tecidos não são destruídos mas o tumor não é destruído. Como fazer para não deixar o paciente morrer sem destruir seus tecidos nervoso e da pele?


Quem souber resolver, pode colocar as soluções nos comentários. Em alguns dias, farei alguns comentários sobre a dificuldade de se resolver esse tipo de problema (além de dizer a solução).

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O Cliente Tem Sempre Razão?

Um fato ocorrido comigo no mês passado me deixou tremendamente incomodado e levou-me a escrever esse texto. Fui a Brasília para um dia de trabalho. No final da tarde tive tempo de ir ao shopping Pier e lá fui à livraria e papelaria Leitura onde comprei uma caneta. Passei a usá-la mas na semana seguinte ela apresentou-se sem tinta na sua carga. Um pouco mais de uma semana, em uso normal (eu arriscaria até a dizer abaixo do normal), não é suficiente para acabar a tinta, não? Decidi guardar a caneta para voltar a loja, pois sabia que a oportunidade de voltar a Brasília me viria logo. Pois bem, cerca de vinte dias depois, lá estava eu novamente na livraria Leitura. Expliquei à situação a atendente que logo me disse que não poderia resolver o problema e por isso chamaria a gerente. Ao chegar, a gerente foi logo dizendo que não realizava troca de cargas e que a caneta, na venda, tinha sido testada, o que comprovava que ela tinha tinta. Tentei argumentar, mas logo percebi sua intolerância e inflexibilidade. A caneta custou cerca de R$ 60,00. A carga vale R$ 8,00. Eu não me conformava como ela poderia pensar que estava lá vindo de uma outra cidade, para levar vantagem por um valor tão baixo. Minha indignação crescia com o passar do tempo, pois ficava cada vez mais claro que a questão era de desconfinça mesmo. Ela argumentava que eu não tinha como provar que a caneta tinha pouca carga. Podia ter sido meu uso que era excessivo. Ou seja, ela não acreditava na minha palavra. Ponto final. Tentei falar com alguem superior (talvez o dono) não consegui. Só me restou guardar a indignação para, agora, com a cabeça mais fria, pensar: o que pode motivar uma pessoa agir assim? Há como generalizar? Não pude deixar de me lembrar de uma situação que passei na Califórnia similar a essa. Fui fazer a feira no supermercado e, quando cheguei em casa, me dei conta de que tinha esquecido um pacote. Não sabia muito bem o que tinha ficado no pacote, mas sabia de alguns itens que tinha certeza que havia comprado não tinha chegado em casa. Detalhe. Não estava mais com a nota. Dei o prejuízo por assumido, mas minha esposa me incentivou a voltar lá e explicar o ocorrido. Talvez alguem tivesse ficado com o saco de compras faltante. Relutei, mas, na manhã seguinte, voltei. Ao chegar lá expliquei meu caso a supervisora. O caixa que me atendeu não estava lá e ninguem tinha visto o saco de compras. A supervisora então perguntou-me se eu sabia o que estava dentro do saco. Eu disse que lembrava-ne de algumas coisas, não tudo. Ela nem chegou a me perguntar o que eram as coisas. Disse-me para entrar, pegá-las e sair. Quase não acreditei. Lembro-me que só peguei aquilo que tinha certeza que estava faltando. Não tive coragem de pegar o que estava em dúvida. Ela simplesmente confiou em mim. Não fiz mais feira em outro local. O que difere as duas atendentes? Não sei. Talvez a fartura. Uma carga de caneta para a livraria vale muito mais do que os itens que esqueci no supermercado. Não creio. Acho que seria bem difícil acontecer algo similar em supermercados brasileiros. Talvez a qualificação profissional, o cliente sempre tem razão é forte nos EUA. Talvez a cultura de falar a verdade, pois a mentira é repudiada muito fortemente nos EUA (mentira de presidente é a exceção que confirma regra). Talvez não haja como categorizar, são simplesmente pessoas diferentes. O fato é que lamento as situações não terem sido invertidas. Uma coisa é certa:não voltarei mais a livraria-papelaria Leitura.