Soube que numa dessas listas sobre as profissões portadoras de futuro, a profissão de especialista em SEO estava entre elas. Para os que não são especialistas, deixem-me primeiro introduzir o que significa SEO. Vem da sigla Search Engine Optimization (Otimização para Máquinas de Busca). Trata-se de otimizar uma página (ou até o site inteiro) para ser melhor compreendido pelas ferramentas de busca (leia-se aqui sem medo de exagero Google). A consequência da utilização das técnicas de SEO é o melhor posicionamento de um site em uma página de resultados de uma busca.
Estamos desenvolvendo um projeto no LEC (Laboratório de Engenharia de Conhecimento) que nos requer compreender os meandros de SEO. Trata-se de um projeto que envolve um portal de notícias e tem sido muito interessante ver o quanto hoje em dia se exige dos produtores de conteúdo (no caso jornalistas) a memorização de regras e mais regras para fazer com que uma notícia seja mais acessada.
O mero título de uma matéria pode ser mais, digamos atrativo, ao Google se os termos usados são os mais adequados. É fácil perceber como todo esse processo deve ser difícil de ser apropriado pelas redações de jornais que têm portais de conteúdo. Um título que para o jornal impresso é bom, para a versão on line pode não ser adequado. Como saber quais são os termos adequados para cada tipo de matéria é só uma das exigências que os jornalistas, editores e redatores estão sendo obrigados a conhecer.
Diante disto, uma profissão que surgiu recentemente foi a de especialista em SEO. Refere-se ao profissional que entende do processo e orienta o projeto do site e a forma adequada com que o conteúdo deve ser produzido. Mas seria essa uma profissão de futuro? Se depender de nossas pesquisas no LEC, absolutamente. Estamos desenvolvendo programas que procuram automatizar as ações de SEO. Não acreditamos que os produtores de conteúdo, por mais comprometidos que sejam, se dediquem a tarefa de adequar seus textos, ou pelo menos os títulos destes, para que atendam às regras de SEO.
Como, por enquanto ainda estamos em fase inicial de nossa pesquisa e não temos resultados ainda concretos, os especialistas em SEO podem ficar tranquilos. Mas que acho que essa profissão é muito mais de presente do que de futuro, acho.
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quarta-feira, 17 de agosto de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
O Que Mudou na Computação ?
A computação faz cada vez mais parte de nossas vidas. Quando decidi por esta carreira em 1983 não tinha a menor ideia do quão impactante ela seria. Sabia que era algo “do futuro” (literalmente), mas não tinha nenhuma pista de que futuro seria este. Vez por outra reflito sobre o que mudou da época que comecei para cá. A base da computação mudou durante esses quase trinta anos?
Na faculdade estudei, grosso modo, as mesmas coisas que meus alunos estudam hoje. A necessidade de construir modelos computacionais para representar o mundo real estava presente naquela época como hoje em dia. Dominar o manuseio do símbolos e das abstrações (representados pelas linguagens de programação) nos diferentes níveis, sejam o das aplicações, comumente chamadas de sistemas de informação, sejam os de software básicos como sistemas operacionais e banco de dados era a atividade predominante. A compreensão da arquitetura do computador e as formas de organizar e manipular a informação aliava-se às essas outras atividades mencionadas. Não é a toa que as disciplinas de teoria da computação, banco de dados, estrutura de dados, linguagens de programação, análise de sistemas, redes de computadores ainda estejam presentes nos currículos dos cursos de computação mundo afora.
Mas isso não é intrigante? Como pode uma ciência ter evoluído tanto, ser hoje tão ubíqua e mudar tão pouco? Não falta algo na nossa formação? Quando penso em responder a estas perguntas sempre me vem uma coisa à cabeça: falta compreender melhor as pessoas. Creio ser essa a grande diferença da computação de hoje da de outrora.
Trinta anos atrás, os programas que desenvolvíamos geravam resultados que eram apropriados pelas pessoas de uma forma muito elementar. Produzíamos relatórios a serem lidos, via de regra por burocratas (sem sentido pejorativo), pois o objetivo era processar os dados. À época o computador era algo raro, grande, caro, excêntrico. Era uma máquina compreendida por poucos. No mundo dos mainframes (grandes computadores corporativos) a relação daqueles que o manipulavam (nós, os informáticos) com aqueles que iam usar seus resultados era distante e com um formato predefinido. Iríamos gerar as listagens de correntistas para uso dos bancários, a listagem dos produtos no estoque, as listagens dos funcionários com seus salários, etc.
Não tinha o menor sentido falarmos em interação humano-computador. A interação era humano-listagem de computador. Com o advento do PC e depois da Internet tudo isso se transformou radicalmente. Fazemos software que são usados pelas pessoas para fazer tudo e cada vez mais um pouco. Do micro-ondas à geladeira, passando pelos ipods, ipads e iTVs tudo requer interatividade. Como produzir isso sem compreender os meandros da comunicação entre as pessoas e delas com as máquinas? Nossos currículos se atualizaram para nos prepararmos a essa nova realidade?
É bem verdade que IHC (Interface Humano Computador) passou a fazer parte dos currículos de referencia dos cursos de ciência da computação, mas creio eu, ainda de forma incompleta. A comunicação, lingüística, sociologia e psicologia cognitiva para exemplificar algumas áreas parecem-me ser hoje cruciais para um profissional de computação. E não estou aqui querendo falar de alguém que vai fazer pesquisa. Penso mesmo em alguém que acaba de se formar e quer empreender. Sem base para compreender toda a dimensão do que é um software na era digital alguém pode inovar? Ainda há espaço comercial para o desenvolvimento tradicional de software corporativo, mas não é mais aí que está o futuro. O futuro está em fazer software para as pessoas no seu dia-a-dia. Para isso precisamos compreender o que as motivam, quais suas intenções, suas reações e suas relações. Os softwares vão de mais em mais permear tudo isso.
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terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Regulamentação da Profissão de Informática
O primeiro tema que emergiu nos debates, por email, do Conselho de Leitores do Jornal O Povo acabou sendo mais atual para mim do que poderia pensar. Discutiu-se a questão da regulamentação da profissão de jornalista e pude ver logo, logo que era uma questão semelhante a que estamos vendo em várias outras profissões. Em particular, o debate sobre a regulamentação da profissão de informático (até o nome é difícil de definir), que não é regulamentada, acontece há mais de 25 anos. Tema polêmico e que, como tudo o que ocorre na Informática, pela rapidez das mudanças que caracteriza a área, merece reavaliação constante. Dito isso, devo dizer que minha opinião ainda não mudou do que defendo há alguns anos. Compartilho a posição da Sociedade Brasileira de Computação de que não é salutar uma regulamentação que dê reserva de mercado aos formados em Informática. Sei que isso pode parecer um tiro no pé, para um professor que tem demonstrado tanta preocupação com a significativa redução da procura de alunos pelos cursos de Informática. Será que esse não seria uma das razões? Talvez. Mas não acredito que uma visão meramente corporativa deva ser a melhor forma de abordar a questão. Acredito que em uma área em que a multidisciplinaridade é inata, nada pode substituir a liberdade de todos poderem contribuir. Um dos argumentos mais fortes pró-regulamentação é de que ela é necessária para proteger a sociedade, pois determinadas profissões podem causar danos sociais, principalmente os que levam à exposição de vidas humanas. Nestes casos, justifica-se a submissão dos profissionais às regras de órgãos fiscalizadores. Quando esses riscos não são evidentes e a sociedade tem outros mecanismos para sua proteção, como acredito ser o caso da Informática, o melhor é deixar prevalecer a liberdade. O controle social deve ser feito pelo produto ou serviço a ser prestado. Meus alunos poderiam perguntar: mas é justo, professor, passar quatro anos estudando (e há ainda aqueles que fazem mestrado por mais dois anos) e competir com outros profissionais que não tiveram a formação adequada? Bem, se um aluno de informática não conseguir, por sua habilidade, ser melhor do que outros que não fizeram o curso, das duas uma. Ou ele não era tão bom profissional assim e nesse caso a sociedade lucra em não privilegiá-lo, ou o contratante não zela pela qualidade do que estará a produzir e nesse caso o mercado irá avaliá-lo (o dano nesse caso será mais ao contratante). Mas como proteger o contratante? Sabemos que esse não é motivo de preocupação, pois diferentemente de um médico ou de um advogado, o mais comum é que as pessoas físicas contratem o software pronto ou o serviço a ser prestado. Nesse caso existem inúmeros mecanismos para proteger o contratante. Até o direito do consumidor pode ser evocado aqui. O mais típico é quando as contratantes são as Empresas e elas são bem espertinhas para saber o que contratar não? Senão, não estariam vivas no mercado competitivo! Embora compreenda a pressão das entidades que representam os profissionais, desculpem, mas ainda não vejo justificativas para reservas de mercado.
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quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Excessiva Qualificação e Crowdsourcing
Esse texto é uma continuação dos dois anteriormente escritos quando falei de excessiva qualificação (aqui) e quando falei de um exemplo de Crowdsourcing com o projeto Innocentive (aqui). Sabem onde as duas coisas se conectam? É que muitas pessoas que estão em situação de qualificação excessiva tendem a encontrar trabalhos alternativos às suas tarefas profissionais. O mais interessante é que elas buscam, nesses trabalhos alternativos, fazer aquilo que as agradam. São movidas por motivações como o reconhecimento da comunidade, obtenção de reputação ou simplesmente o prazer de fazer o que gostam. Vejam o exemplo da pesquisadora que mais teve prêmios na solução de problemas do Innocentive, Giorgia Scargetta. Essa italiana fez seu doutorado em química orgânica em 1997. Trabalhou com projetos de criação de bio-catalisadores, mas não tendo muitas opções para se tornar pesquisadora na sua pequena cidade de Cannara, preferiu ficar com a família a se mudar para centros mais avançados. Conseguiu um cargo de professora de Química em escola de segundo grau e continuou a realizar suas pesquisas “nas horas vagas”. Já ganhou duas vezes prêmios do Innocentive e com o dinheiro foi incrementando seu laboratório de pesquisa bem como sua residência. O livro Crowdsourcing de Jeff Howe fornece vários exemplos de pessoas que participam de atividades de produção de conhecimento em massa. Em vários deles, identificou que as pessoas que mais participam desses projetos já tem um emprego e estão em condições de excessiva-qualificação. Se essa correlação é significativamente relevante e se o mesmo fenômeneno ocorrerá aqui no Brasil, o futuro dirá.
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quarta-feira, 6 de agosto de 2008
A TI no Ceará em Debate
O Estadão divulgou nesse sábado o resultado de um estudo realizado pela BRASSCOM (Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação) que alerta para a falta de trabalhadores especializados em TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação). No estudo o Nordeste só apresenta 2% da demanda de mão de obra. O estudo mostrou que o Sudeste responde por 70% da demanda, sendo 47% somente na Grande São Paulo. O levantamento mostrou ainda que 20 cidades concentram a indústria brasileira de tecnologia da informação. A falta de profissionais qualificados já foi assunto nesse blog (veja aqui e aqui), mas números como os apresentados pelo estudo enfatizam o problema. Estima-se que há uma demanda de cerca de 33 mil profissionais, mas que somente 16 mil são formados anualmente. Não sei o quanto a BRASSCOM é representativa das Empresas de TI no Brasil (descobri que pouquíssimas empresas cearenses fazem parte da BRASCOM e o estudo não está disponível no site da Associação) mas de qualquer forma, ele é preocupante. As empresas de TIC no Estado têm tentado ocupar um espaço relevante, política e economicamente na economia local e por isso vêm realizando uma série de movimentos e estudos no sentido de atrair atenção política e da sociedade para os problemas que enfrenta. Quando cheguei da Califórnia, participei de um grupo de estudo sobre o tema (veja aqui o que escrevi sobre isso). Agora me vejo debatendo o mesmo assunto novamente, pois estou representando a FUNCAP (Fundação Cearense de Apoio ao desenvolvimento Científico e Tecnológico) nas reuniões da Câmara Setorial de Tecnologia da Informação que teve sua criação promovida pela Agencia de Desenvolvimento do Ceará (ADECE). A formação de mão de obra é um dos vetores de discussão. Sinto que há um entusiasmo muito grande pelas propostas de formação em massa de jovens que vêm de acabar o ensino médio. Reluto em acreditar que essa é a solução para o problema. Vai precisar muita criatividade para promover qualificação tecnológica de alto nível com uma matéria-prima tão limitada como a que termina o ensino médio e não consegue entrar na Universidade. Acredito muito mais em ações que visem requalificar profissionais de nível superior formados em outras áreas. Teremos muito o que discutir.
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terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Porque Eu Gosto de Arquitetura
Quando minha filha Lara me perguntou o que achava sobre arquitetura como profissão, respondi: boa escolha. Mas logo emendei. O que acho legal em arquitetura é que é uma profissão que promove e premia a criatividade. É dessa criatividade que precisaremos de mais em mais no mercado de trabalho. Um profissional arquiteto é introduzido naturalmente aos conceitos ligados a idéia mais geral de design. Esse conceito significa projetar coisas (que podem até ser casas, mas não obrigatoriamente) que sejam úteis, atrativas, prazerosas, ecológicas, enfim que façam as pessoas (e mesmo o planeta) viverem melhor. Aliás, design de serviços também é comum nos dias atuais e vem sendo fortemente explorado em um mundo de prestação de serviços virtuais com a Internet. Outra coisa que me agrada na profissão refere-se à natural proximidade entre o método, a técnica e a arte. Novamente, estimula-se outra característica fundamental para o profissional do futuro: sensibilidade artística, estética e visão multidisciplinar. Evidentemente que nem todos que escolhem essa profissão percebem todas essas nuances ou podem explorá-las a fundo. Mas para um pai orgulhoso de ter recebido a notícia de que sua filha conseguiu passar na Universidade, como é meu caso hoje, nada como vislumbrar futuros promissores. Parabéns Larinha!
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quarta-feira, 25 de julho de 2007
Mercado de Desenvolvimento de Software Off-shore no Ceará
No mês de Abril escrevi que achava que a profissão de informática passava por uma espécie de crise de identidade (veja o texto clicando aqui). Não me é muito clara a direção que ela está tomando mesmo para um futuro em médio prazo. Tenho gradativamente aumentado esse sentimento (reconheço que não muito confortável para um professor na área), principalmente após a minha participação nas reuniões de um grupo de estudo coordenado pela Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Ceará que se propõe a elaborar um plano estratégico para o setor de Tecnologia da Informação no Estado. Este grupo tem por objetivo definir políticas de desenvolvimento para o setor e um dos temas recorrentes refere-se à definição de estratégias de formação de mão de obra. Essa questão toma proporções ainda mais relevantes quando se pensa a atender o mercado internacional de empresas de software. Os países em desenvolvimento como os EUA e a Inglaterra, por exemplo, tem contratado empresas na Índia para desenvolver softwares que serão usados em seus países. Isto tem sido cunhado de desenvolvimento off shore (ao pé da letra seria fora do porto em português). A infraestrutura de comunicação mundial estabelecida com a Internet e a tecnologia de redes existente permitem que tais atividades sejam desenvolvidas transparentemente em locais totalmente diferentes das sedes das empresas. Para as contratantes a atração principal desse modelo é a redução de custos, pois em países em desenvolvimento como a Índia se consegue serviço de boa qualidade com salários baixos. Os modelos indianos e recentemente os chineses deram certo porque nesses países havia, e ainda há, uma grande quantidade de mão de obra qualificada e muito barata disponível. Esta não é bem a realidade brasileira, principalmente porque não há tanta oferta de pessoal, embora alguns casos de sucesso nacionais nessa direção já possam ser identificados. A IBM de Hortolândia em São Paulo, por exemplo, possui cerca de cinco mil funcionários que fazem desenvolvimento de software para serem usados pelas próprias fábricas e escritórios da IBM ao redor do mundo. Exemplos como esse e estudos de consultorias internacionais indicam que o Brasil também tem condições de se tornar um desses paraísos de off shore. O Estado do Ceará, sabendo dessa possibilidade, tem buscado criar condições para que o desenvolvimento econômico nesse setor se torne realidade no Estado. O principal problema é que a maioria do pessoal necessário para desenvolvimento off shore é de programadores e a quantidade necessária para atender a demanda é normalmente bem maior do que as Universidades e Faculdades cearenses hoje lançam no mercado. Por esta razão urge um forte investimento em qualificação de pessoal que poderá assim resultar na criação de um novo nicho para o profissional de informática com a captação deste mercado. Uma das idéias é investir na formação de um profissional técnico mesmo sem a base acadêmica tradicional de cursos de ciência da computação, mas com qualificação em matemática e áreas afins que o permitam ter a abstração necessária para ser um bom programador de computador. Várias alternativas têm sido estudadas dentre os quais menciono a formação de programadores já no nível médio e a requalificação de desempregados de nível superior. O debate no tema está longe de se exaurir e não se pode dizer com certeza se os resultados de tais estratégias trarão o retorno desejado. O fato é que tal situação serve para reforçar o que já sabíamos, mas infelizmente não temos sido capaz de reverter: é preciso um forte investimento na formação de pessoas para se aproveitar as oportunidades da sociedade do conhecimento. Como lamentar-se não levará a lugar nenhum, só nos resta começar logo a agir, pois antes tarde do que nunca.
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segunda-feira, 23 de abril de 2007
O Profissional e a Profissão de Informática
Recentemente, quando estive participando de uma reunião com professores do curso de Informática da UNIFOR, um assunto muito interessante emergiu das discussões. Qual deve ser o perfil do profissional de informática do futuro? Os programas dos cursos universitários de computação são adequados às novas demandas do mercado? Essas questões não estão dissociadas de um contexto maior. Primeiramente, foi observado algo paradoxal. O mercado de informática está extremamente carente de pessoal, o que poderia ser bom e atrativo para os jovens. No entanto, vê-se exatamente o contrário. A procura por cursos de informática e mesmo por cursos tecnológicos de uma forma geral continua caindo assustadoramente. Vale ressaltar que este fato não é especifico da realidade brasileira, mas também de países desenvolvidos como os EUA e os países europeus. Já tinha mencionado em textos anteriores desse blog que a computação tem uma enorme dificuldade para definir suas bases. Isto se dá em grande parte pela forma rápida com que ocorrem as mudanças tecnológicas que por sua vez provocam o surgimento de novas ocupações e mesmo o desaparecimento de outras. Com o passar do tempo as tarefas que eram realizadas por profissionais de nível superior vão gradativamente sendo vulgarizadas e, ou desaparecem ou passam a ser exercidas por profissionais de nível médio. Creio que o que está ocorrendo com os programadores é um bom exemplo disso. O mercado mundial de software tem necessitado de programadores em grande quantidade. Em função disso, diversos países têm incrementado o ensino de programação de computadores para alunos de nível médio. A idéia com isso é lançar uma maior quantidade de profissionais, o mais cedo possível, no mercado. Obviamente, que acompanhado disto vem uma redução do nível salarial, o que acaba afetando muitos profissionais de nível superior, principalmente aqueles que em sua vida profissional se concentraram na tarefa de desenvolvimento de software. Outra conseqüência disso, é que o curso de Informática nas Universidades acaba perdendo seu poder de atratividade. Cursos de faculdades e outros de menor duração passam a ser uma opção mais barata e que levam os profissionais ao mercado mais rapidamente. Assim, a questão adjacente que se coloca nesse contexto é: “ qual o perfil do profissional de Informática de nível superior?”. O que as Universidades devem enfatizar para que este profissional se diferencie da grande massa de programadores que tende a se formar a partir de cursos tecnológicos de curta duração? Certamente esta é uma pergunta difícil de ser respondida somente por um prisma e queria oferecer este espaço para abrigar reflexões sobre o tema. Deixo somente algumas palavras chaves que me parecem relevantes a este novo perfil e que visam iniciar uma reflexão coletiva: empreendorismo, multi-disciplinaridade, gestão e liderança, capacidade de análise e síntese.
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quinta-feira, 19 de abril de 2007
Profissão: Concursado!
Todos sabemos que um emprego em um órgão publico comporta uma série de vantagens como a segurança e salários bons ou mesmo muito bons (principalmente para cargos do judiciário ou ministério publico). Ter um bom emprego público sempre foi sonho legítimo de muitos e principalmente de jovens em busca de algo que lhes assegure um futuro tranqüilo para toda sua vida profissional. No entanto, tenho percebido recentemente que algo estranho está acontecendo no Brasil. Os jovens estão escolhendo suas profissões já pensando em fazer concursos. Ou seja, ao invés de escolher uma profissão por achar que ela vai satisfazer sua vocação e lhes realizar (até talvez ingressando no serviço público, em função da oportunidade) o objetivo de passar em um concurso tem se tornado a meta principal de vida. Esta situação explica um pouco porque tantos jovens hoje em dia optam por fazer Direito, pois abre a possibilidade de tentar um maior número de concursos possíveis. Pode-se tentar o Judiciário, o Ministério Público, as Polícias, além dos locais que não requerem uma formação específica como o fisco e os bancos. Isto não faz bem ao País. A competição para concursos fica absurdamente alta, o que de certo eleva a qualidade dos servidores públicos, mas o que vão fazer aqueles que não conseguiram lograr êxito? Perseguirão até conseguir passar? Não estariam, nossos jovens, perdendo a capacidade de sonhar, de inovar, enfim de empreender. Se assim for, isso é grave. Gravíssimo. Os jovens são por natureza sonhadores, ousados e inovadores. Buscam quebrar os paradigmas. Discordam deles. Entristece-me vê-los acomodados e buscando segurança tão cedo. Se eles não vão arriscar, quem vai? Não estou querendo desmerecer o serviço público. Até porque sou um servidor público e sei de sua importância. Mas mesmos nós servidores, sabemos que nosso trabalho não é suficientemente preponderante para gerar o desenvolvimento e aumentar a riqueza de uma nação. A riqueza de um país depende da capacidade de seu povo de empreender, expandir horizontes, ganhando espaço em diferentes mercados e criando empresas para gerar riquezas e empregos. Isto deveria prioritariamente estar entre as metas e objetivos dos jovens. Devemos motivá-los a tomar esses rumos mostrando que ao abraçarem com afinco uma profissão específica, poderão ter renda maior do que o teriam em um cargo público e que teriam ainda motivos de sobra de se sentir realizados. Novamente, não estou querendo dizer que as pessoas que tem por vocação seguir carreiras públicas estejam erradas. Só acho que esta havendo uma inversão de valores (e a quantidade de inscritos em concursos públicos é um indicador disto). Refletir sobre as causas que levam a essa realidade requer um outro texto. Parece-me claro que uma das razões está no fato de que temos ainda a cultura de ser empregado e como tal, nada como ter o governo como patrão. Isso precisa ser mudado. O mundo tem mudado (eu diria mesmo que já mudou). A escolha de uma profissão, qualquer que seja ela, exige de mais em mais do profissional um senso de criatividade e de empreendedorismo. Há muito a fazer para mudar essa mentalidade e principalmente dentro da própria Universidade, que tem por obrigação liderar esse processo.
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quinta-feira, 5 de abril de 2007
Trabalhando em Casa
Uma reportagem televisiva sobre algumas pessoas que trabalham em casa me levou a escrever esse texto. Os avanços tecnológicos como a Internet permitem que as Empresas aceitem e mesmo incentivem estas iniciativas. As pessoas que trabalham em casa têm a tendência de ficar obcecadas por trabalho e acabam cumprindo uma jornada de trabalho maior que a de trabalhadores “normais”. Fica difícil separar a jornada de trabalho da jornada familiar. O trabalho acaba ganhando prioridade, pois lhe forca sempre a reagir a alguma demanda intempestiva. Para profissionais que trabalham em multinacionais com sedes em diversos paises isso é ainda mais sério em função de diferenças de fuso horário. O problema é que não se tem muita certeza de que esse novo modelo de trabalho aumenta a produtividade. Primeiro, em função do natural estado de stress do funcionário que tende a crescer e porque algumas atividades como olhar e-mails tornam-se uma paranóia e a produtividade pode até diminuir. Recentemente uma pesquisa divulgada no New York Times mostrou que os americanos gastam em torno de uma hora por dia acessando e respondendo e-mails. Torna-se uma das razões pelo qual eles são menos produtivos do que alguns países europeus como a Franca. Experimentei o quanto as pessoas trabalham em casa na minha estada na Califórnia. As pessoas no ambiente de pesquisa científica literalmente não têm mais hora para trabalhar. Incrível. Muito frequentemente, tarde da noite quando estava no ar (normalmente, escrevendo o blog) recebia mensagens de membros das equipes de trabalho que tinham contato. O pior disso tudo é que se acaba por criar um hábito de responder às mensagens prontamente, para isso, precisa-se acessar os e-mails a todo o momento e assim a obsessão vai se formando. Cabe a cada um montar sua estratégia para viver no novo paradigma sem entrar nesta roda viva.
sábado, 31 de março de 2007
A Empresa Google
Não considero exagero dizer que Google já entrou para história. Poucas empresas, em tão pouco tempo de vida, cresceram tão rapidamente e demonstraram uma capacidade de crescimento continuo como ela vem demonstrando. Basta dizer que ela surgiu em 1998 e hoje já possui cerca de 15.000 funcionários no mundo todo. Vou deixar o aspecto tecnológico de lado e discorrer um pouco sobre como é a Google como Empresa. Vale a pena conhecê-la. Primeiramente, seus restaurantes estão entre os melhores da região da Baía de San Francisco (San Francisco Bay Area). Tem para todos os gostos: chinês, italiano, indiano, americano, mexicano, mediterrâneo e alguns que são ecléticos (não me lembro se há um francês). O detalhe mais importante é que é tudo de graça! Para os funcionários, claro. Alguns convidados de funcionários (meu caso) podem ir para fazer uma boquinha (só um por mês). Os funcionários podem tomar café, almoçar, jantar e se quiser fazer ceia. Tudo isso com o objetivo de deixá-los à vontade na Empresa (e fazê-los trabalhar um pouquinho mais, sim). O fato de ter ônibus para trazer e levar os funcionários de/para casa não é uma novidade muito grande. Mas convenhamos, rede wireless dentro do ônibus para o pessoal ir usando o notebook e acessando a Internet, já não é muito normal. A sala de ginástica é comparável às melhores academias de uma grande cidade. Outras atividades lúdicas estão à disposição e na área há cinema também. Os funcionários têm horário flexível e a estrutura organizacional é muito plana. Tenho conversado com colegas que trabalham lá, que dizem quase não falar com o chefe durante a semana. Do tempo de trabalho, pode-se tirar 20% para uso pessoal. Para criar algo ou propor inovações. Se uma inovação proposta por um funcionário gerar recursos para a Google, o funcionário ganha um bônus em ações da empresa. Não é coisa pouca, não. Pode chegar facilmente na casa dos milhões de dólares. Ao visitar os escritórios de trabalho tive a impressão de estar em um shopping center. Nunca de estar em uma empresa com aqueles biombos, tipo repartição pública ou banco. A Google tem inovado também na forma de contratar as pessoas (em alguns meses chegam a ser contratadas em torno de 50 pessoas por semana). A maioria esmagadora do pessoal contratado tem doutorado, mas aspectos relativos à personalidade da pessoa são também considerados. Ao conversar com as pessoas aqui nos EUA, funcionários ou não, sinto que todos têm uma visão muito positiva da Empresa. Ela não comporta o sentimento de rejeição de outras grandes (como Microsoft, por exemplo). A grande interrogação que coloco é quanto tempo isso vai durar? Só o fato de conter uma base de dados imensa em milhares de computadores e que permitem saber sobre tudo já é algo assustador. Ainda por cima ela tem crescido para todos os lados e manter-se imune ao fenômeno da rejeição não será fácil. Aliás, na Internet já circula um vídeo que demonstra essa preocupação, principalmente em relação ao papel que Google terá como meio de comunicação (clique aqui para ver o vídeo).
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