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domingo, 24 de fevereiro de 2013

Nem eu, Nem tu


Vou reproduzir uma piada que escutei do Prof. Tarcísio Pequeno recentemente e que não me sai da cabeça. Ela tem muito a ver com o mundo de empreendedorismo digital que, junto com alunos e desbravadores, descubro.

“Um grupo de pessoas observava caranguejos em água fervendo na panela quando um deles percebeu que um caranguejo estava a escapar de destino tão cruel. Havia conseguido atingir a beirada da panela o que lhe permitiria dar um impulso e fugir da mesma. Alertado por um dos observadores de que um dos caranguejos estava a escapar, aquele que promovia o evento culinário disse tranquilamente – não se preocupe esses caranguejos são cearenses. Paralelamente a esse comentário, aquele que fez o alerta, observou que outros caranguejos haviam puxado o que estava por fugir.”.

Se tal piada representa ou não a cultura cearense, difícil de garantir. Certamente pode-se trocar os cearenses por outras categorias e/ou nacionalidades dependendo do contexto ou interesse. O que creio ser interessante ressaltar é que nesses nossos tempos de empreendedorismo na Internet, em sendo verdade, tal comportamento traz prejuízos incalculáveis.

Boa parte de novos empreendimentos na Internet requerem viralização para serem bem sucedidos. Ou seja, precisam que as pessoas se engajem e se motivem a divulgar, a disseminar e a trabalhar pela causa.  Requerem igualmente a formação de comunidades virtuais envoltas em modelos de negócio que se baseiam em situações de ganha-ganha. As razões de tal engajamento podem ser devidas a motivações intrínsecas (de caráter individual) ou extrínsecas (fatores externos). Por outro lado, razões para o não engajamento como inveja, preconceitos ou competição predatória são destrutivas e mesmo catastróficas aos empreendedores. Geram situações de perde-perde.

Já não vivemos em um ambiente onde viralizar coisas seja fácil, pois não temos conectividade e reputação suficientemente impactantes como em outros lugares do planeta. Por exemplo, tudo que é lançado no MIT, Havard, Vale do Silício e similares é notícia, se espalha com incrível rapidez e nós mesmos cearenses nos apressamos a retuitar, postar no Facebook e divulgar com ânsia e orgulho como se fizéssemos parte daquela realização. Tudo do que não precisamos é de um sentimento de que se for iniciativa daqui, temos que puxar para dentro da panela. O “nem tu, nem eu” vai nos deixar fervendo e escalpelando. Afinal, será que somos assim mesmo? 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Radicais na Rede

Encontrei essas tirinhas no Facebook e por acha-las geniais, decidi reproduzi-las aqui. Ilustra bem o momento atual em que vivemos. A Internet trouxe-nos uma tamanha possibilidade de expressões, mas que via de regra nos faz muitas vezes mais virulentos do que se estivéssemos face-a-face. Reconheço que o exercício de pensar um pouco antes de criticar algo ou alguém não é fácil. Um exercício a ser aprendido.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A Privacidade no Virtual: Problema para Pais e Filhos

Nesses últimos dias tenho sentido na pele as dificuldades que passam os pais de adolescentes quando se trata de discutir a postura dos jovens na Internet. E olhe que posso me dizer escolado no assunto (pelo menos pelo ponto de vista técnico!), o que deveria me dar mais espaço para argumentação e capacidade de compreensão das diferentes dimensões que envolvem a questão.

Deixem-me dar um exemplo para tornar minha reflexão um pouco mais clara. Quem de nós (de idade mais avançada) não era mais contido quando falávamos com os amigos na frente de nossos pais? Tínhamos sempre um pouco mais de cuidado ao falar em público (para não dizer palavrões, por exemplo) do que quando estávamos somente com nossos colegas. Na verdade, essa atitude é muito natural e ainda agimos assim. Nosso comportamento privado, dentro de uma rede social de amigos, é sempre muito mais livre do que em ambientes menos íntimos. A decisão de como se portar era  relativamente simples de ser feita. Estava fortemente relacionada ao local físico e a presença física. Ou seja, na roda com os amigos o comportamento é um,  já nos meios mais formais,  o comportamento é outro sempre mais contido.

Ocorre que o mundo atual digital expandiu os horizontes de interação e tornou essa escolha de postura muito mais difícil de ser feita. No mundo atual, tudo se digitaliza e por isso ganha a capacidade de estar em qualquer lugar instantaneamente. Mesmo uma reunião presencial pode ser rapidamente difundida. Pode-se, por exemplo, estar reunido em uma mesa de bar e ser filmado e “transmitido” para qualquer lugar do mundo com a facilidade que smartphones conectados na internet e com suas câmeras de vídeo de alta resolução permitem.

E isso não para por aí. Depois de digitalizado, fica-se registrado. Ou seja, não dá para esquecer o que disse. A reprodutibilidade é outra característica marcante do mundo digital. Pode até ser que sua imagem e mensagem não seja imediatamente transmitida, mas ela estará registrada em algum lugar e poderão acha-la (com a ajuda do Google, claro) em outro momento.

De uma forma geral, o que quero atentar é que os contextos privados estão cada menos reservados. As redes sociais virtuais, então, são mestres em nos ludibriar sobre que contexto estamos. Quando conversamos pelo Facebook ou Orkut, por exemplo, temos a tendência a achar que é o mesmo contexto da nossa mesa de bar ou mesmo uma mera reunião com amigos. Não é bem assim. Por mais que queiramos ou tentemos, impossível ter o controle sobre a difusão da informação digitalizada.

Em se tratando de adolescência, os perigos pela não percepção exata de que contexto se está inserido são ainda maiores. Jovens são mais despojados e expõem-se mais abertamente, o que pode ter consequências muito desagradáveis. Não é a toa que as redes sociais não podem ser acessadas pelas crianças (o que aliás, se desmoraliza cada vez mais aqui no Brasil).

Mas afinal, o que fazer? Não tenho a prepotência de dizer que tenho soluções para a questão. Na verdade, tento, eu também, aprender como agir. De uma forma geral, creio que só uma velha máxima é que vale aqui: os pais devem acompanhar seus filhos. Acompanhar aqui significa participar também dos contextos virtuais nos quais eles se inserem. Segui-los no Twitter, tê-los como amigo nas redes sociais, etc são o mínimo(ou talvez o máximo) que nós pais podemos fazer. 

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Tempos de Fácil Acesso à Informação. Ruim para a Mesa de Bar

Estava em Mountain View, terra da Google, em um papo superdescontraído, regado a um bom vinho californiano, quando contestei uma determinada afirmação do amigo Walfredo. Nem me lembro bem do que se tratava. O fato é que ele disse algo que duvidei de que era preciso. Algo muito comum em conversas entre amigos. Aquele tipo de coisa que pode gerar uma agradável (para os que adoram debater como eu) e interminável discussão com argumentos de convencimento de parte e doutra. Um ótimo motivo para mais vinho e mais interação. Nada como um, literalmente inebriante, papo entre amigos.

No entanto, as coisas não aconteceram bem assim. Mal a dúvida pairou, esse amigo já estava de olho no celular. Acessou a Google, que o direcionou a uma fonte confiável e, bingo, final de discussão. Embora eu estivesse certo no mérito, o que ficou mesmo deste fato foi nossa reflexão conjunta e jocosa de que vivíamos tempos difíceis para um papo de amigos e seus habituais blefes na mesa do bar.

Isso tem acontecido comigo com certa frequência (não que esteja sempre em mesa de bar!). Nas circunstancias em  que as frequento vejo que as disputas (refiro-me aqui àquelas amigáveis) com os amigos cada vez perduram menos. A Internet está sempre lá, cruel e infalível, com a pronta resposta. A forma intempestiva com que podemos acessar informação, em especial permitida pela Internet em dispositivos móveis, já molda a forma com que interagimos com amigos em rodas (e redes) sociais. Caminhamos para uma época em que a informação será cada vez mais disponível, tanto em ambientes de trabalho quanto na vida cotidiana. Parece-me que isso enfraquece o dito popular “mais vale a veemência do que a veracidade” (Ciro Gomes precisa saber disso :-))).

Outro fato interessante é que as pessoas estão tendo acesso a tanta informação que não conseguem mais lembrar-se de onde elas vêm. Eu mesmo já me deparo com frequência com pessoas informando-me de algo que eu mesmo escrevi em textos divulgados em diversas mídias.  E aqui outra coisa determinante de nossa época se mostra desafiador: como analisar e dar credibilidade às fontes de informação? Opa, essa é uma boa pergunta !  Google não tem facilmente como indicar a resposta. Longa vida a conversa de bar! 

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Ciberdebates: Jornalismo Móvel

Nessa terça-feira participei do Ciberdebates promovido pelo curso de jornalismo da UNIFOR. Formei a mesa com Marília Cordeiro do O Povo e Rodrigo Coifman do Diário do Nordeste. As questões do jornalismo me são particularmente caras como os leitores deste blog já puderam perceber. O clima participativo da audiência deixou o debate muito mais interessante.

Em minha apresentação concentrei-me em dois aspectos que considero relevantes dento do contexto de jornalismo móvel. O primeiro aspecto refere-se ao dilema participação do leitor vs. credibilidade da informação. A Web 2.0 tem se caracterizado pela intensa participação das pessoas na produção de conteúdo. Esse processo é potencializado pelo massivo uso dos dispositivos móveis, que permitem o registro de fatos inusitados a todo momento. Usar a participação popular como fonte de notícias parece ser natural, mas por outro lado a verificação da credibilidade das informações produzidas é um grande desafio. Exemplifiquei isso com o caso do Diário do Nordeste que tinha mencionado aqui.

Esse dilema tem sido especialmente explorado em WikiCrimes. Estamos pesquisando formas de calcular automaticamente a reputação dos usuários do sistema e assim deduzir quão crível é a informação que ele provê ao sistema. Por outro lado, desenvolvemos algoritmos de mineração de dados para identificar padrões anormais e que podem indicar atividades maliciosas com o objetivo de gerar tendências de crimes em locais específicos.

O segundo aspecto que enfatizei foi o quanto dados abertos potencializam o uso de dispositivos móveis. Exemplifiquei com o uso da realidade aumentada. Pode-se apontar o telefone para uma placa de uma obra e obter imediatamente os dados relativos à mesma como preço, prazo, fornecedor, etc. Isso permitirá inspeções de obras públicas on real time. As transparências que usei estão abaixo.


quinta-feira, 7 de abril de 2011

Luizianne e os Covardes

A prefeita Luizianne consegue quase sempre, em suas entrevistas, fazer declarações polêmicas. Goste ou não dela, há que se admitir, ela faz notícia. Recentemente ela disse que sabe dos ataques covardes que lhe estão sendo feitos pela Internet. No O Povo chegou a dizer que “vai ter que entrar nesse negócio”(sic).  Veja uma das declarações abaixo:

"A cidade está bombando de obras, com maior investimento do Nordeste, cheia de coisas promissoras e ficam numa "ladainha" boba de ataques covardes. Alguns anônimos criam clima na cidade, fazendo guerra viral na Internet".

Depois dessas declarações, a conseqüência foi que alguns internautas, ao saber da reclamação da prefeita, decidiram escrever suas críticas com assinaturas explícitas justamente para mostrar que não estão se escondendo.

O que acho que vale reflexão aqui é o papel que a Internet e as redes sociais vêm desempenhando como instrumento de participação popular. A Prefeita quando diz que acha covarde as críticas demonstra não conhecer nada da lógica das redes sociais. Não pense que é porque você não está na rede que não vão falar de você. É bem verdade que o fato de não estar presente para debater faz com que as pessoas se sintam mais à vontade para criticar. Isso é muito comum mesmo nos meios de comunicação mais tradicionais. É fácil perceber que jornalistas quando confrontados pessoalmente com políticos são menos ácidos do que quando escrevem.

Enviar um esquadrão para defender a Prefeitura e discordar das críticas parece ter sido a estratégia adotada pelo PT e pela Prefeita. Não creio que isso ajude muito não.

E o que ajuda então? Evidentemente que fazer uma boa gestão é a melhor resposta aos críticos. Mas adicionalmente, um gestor público atualmente se obriga a ter uma política de governo que envolva as mídias sociais. Não se trata somente de fazer propaganda (se bem que é uma alternativa não desprezível), mas acima de tudo, é preciso utilizar as redes sociais como instrumento de propagação de idéias positivas.

Gosto sempre de dar o exemplo do Wikimapps Lixo que fizemos juntamente com o Jornal O Povo. As pessoas podem usá-lo para mapear lixo nas ruas através da Internet. Esse tipo de iniciativa se apropriada pela Prefeitura é uma ótima oportunidade de sair da defensiva. Ao invés de somente receber críticas e denúncias, pode-se prestar contas das ações executadas e das medidas tomadas após as denúncias dos cidadãos. Campanhas educativas também podem ser realizadas usando a força das redes.

Infelizmente, a política mais comum adotada pela Prefeitura tem sido a de avestruz. Não aceita as criticas, e ainda se nega a ver os problemas na cidade. Afinal, “a cidade está bombando ...”diz a prefeita. Eu é que digo: “assim é covardia”.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A Concorrência Global e Preconceitos Locais


Quantos de vocês já pensou que pode estar fazendo propaganda excessiva do Twitter ? Há algum pudor em usá-lo indiscriminadamente? Governos que decidem usar o Twitter para se comunicar com seus cidadãos, o fazem sem perceber que alimentam o poder de uma grande software house?

Nessa minha viagem aos EUA refleti muito sobre isso. Incrível  a força que os americanos têm de implantar suas marcas. Na Internet isso está muito presente.  Windows era uma dominação que logo foi percebida. Google está começando a ser, mas e os outros? A percepção de quão dominante é uma marca, só acontece quando ela é  muito forte. As Empresas americanas se beneficiam enormemente com isso.

Além disso, percebo que a proximidade muitas vezes prejudica. Por exemplo, os governos parecem se sentir intimidados em usar aplicações web de empresas locais. Interessante ver governadores de Estado se fazendo valer de plataformas que se tornaram “naturalmente”globais. Podem ser acusados de privilegiar um em detrimento de outros. Muito dificilmente  sentiriam acusados de privilegiar o Google em detrimento de uma empresa local. Parece uma competição tão absurda que a crítica é pouco impactante.

E isso não é somente coisa de governo. Criamos WikiMapps para permitir a criação de mapas colaborativos e fornecer ferramentas para que interações ocorram nesse contexto. No entanto, tenho visto empresas cearenses, que conhecem nossa iniciativa, mas estão criando mapas  colaborativos diretamente no Google com bem menos qualidade e estrutura. Seria preconceito? É desalentador.

Conclusão: faça sucesso fora para ser reconhecido em casa. 

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A Internet e a Democracia Representativa

Estou em Santiago do Chile, participando do Personal Democracy Forum (PDF - Fórum da Democracia Pessoal). WikiCrimes estará na agenda, mas segue abaixo um pouco do que também deverei debater aqui. Como a Internet pode e deve mudar a forma de fazer política e a postura dos cidadãos quanto à isso. 

Não é só no Brasil que a política e políticos estão em desgaste. As democracias ocidentais estão todas, em grau maior ou menor, em crise no que se refere à representatividade dos eleitos. Recentemente uma pesquisa nos EUA indicou que somente cerca de 20% da população daquele País aprova o que faz o Congresso. A dissociação entre os anseios da coletividade e a prática desempenhada por seus representantes é uma das razões dessa crise.

Os representantes dos cidadãos demonstram cada vez menos compromisso com idéias e promessas apresentadas aos eleitores. Nossa recente eleição presidencial foi emblemática disso. Basta ver o pouco valor que os candidatos deram a seus próprios planos de governo. Pediam aos eleitores escancaradamente a assinatura de um cheque em branco. O cumprimento de um mandato eletivo se caracteriza assim por decisões unilaterais, autocráticas ou quando muito oligárquicas. Por consequência, cresce a sensação de que o povo não é escutado, o que dificulta enormemente o engajamento e a participação cidadã nas ações governamentais.

Em direção oposta, a era digital que vivemos transforma a comunicação entre as pessoas e tem se caracterizado pela forte participação das mesmas em todas as instancias. A Internet fez aflorar uma cultura de participação, discussão, ativismos, enfim de compartilhamento de visões e de interação constantes que se opõem radicalmente à forma como os representantes políticos atuam hoje em dia.

Urge repensar as formas de participação popular para que a voz do povo seja ouvida com constância maior do que somente na época de votação. O uso da Internet será essencial para que isso ocorra. Orçamentos participativos mediados por sites na Internet são exemplos de como a tecnologia abre um novo horizonte para uma democracia participativa mais forte  e que o ideal da representatividade se consolide.


terça-feira, 24 de agosto de 2010

Seu Perfil de Consumo na Web vale R$ 0,20

O Wall Street Journal dedicou um grupo de jornalistas para investigar como a tecnologia de tracking (rastreamento) na web estava interferindo na privacidade das pessoas. Os jornalistas concluíram que as empresas estão bisbilhotando os clientes de uma forma nunca dantes vista. Os cinqüenta principais sites americanos em media instalam cerca de 60 pequenos cookies e outros softwares do tipo que servem para monitorar as ações dos usuários. Até a Wikipédia faz isso.


A tecnologia de monitoramento ou rastreamento dos usuários está cada vez ficando mais inteligente e não intrusiva. Empresas especializadas têm software que consegue rastrear até as atividades que estão sendo feitas on-line pelos usuários. A conseqüência disso é que o perfil dos usuários passou a valer cerca de R$ 0,20. Vejam mais sobre o estudo aqui.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Porque a Informação na Internet Flui tão Rapidamente?

Em alguns textos desse blog (aqui e aqui, por exemplo), escrevi sobre as celebridades da web e sobre indicadores de porque elas aparecem. Mas nem todas as causas se relacionam com o aspecto cultural ou comportamental dos internautas. Uma das razões é porque a web é uma rede que possui algumas características que a tornam infraestrutura adequada para fluxo da informação. Deixem-me introduzir dois conceitos estatísticos importantes para a compreensão do todo. O primeiro é o de distribuição probabilística de uma variável aleatória (puxa vida!). Calma. Basta entender que a maioria dos fenômenos que ocorre na vida real segue o que chamamos de distribuição normal ou gaussiana. Por exemplo, se estivermos interessados em observar a altura dos cidadãos adultos de Fortaleza (a variável a ser observada). A maioria vai estar perto da média (admitamos 1,68m). Poucos estariam nos extremos (2,00m e 1,50m). Se traçarmos um gráfico onde no eixo X temos as alturas das pessoas e no Y a quantidade de pessoas com aquela altura, veremos que a curva tem um formato de sino (por isso chamada de em inglês, Bell Curve). O pico da curva é a média e as caudas, tanto esquerda como direita, representam os extremos com as poucas pessoas altas e as poucas baixas, respectivamente. Agora, nem tudo no mundo segue essa regra. Algumas coisas têm um comportamento bem “desajeitado” (ou seja, não seguem a curva normal). Por exemplo, vamos observar agora os aeroportos do mundo todo (colocando-os no eixo X) em relação à quantidade de vôos que eles recebem por dia (eixo Y). Será que o gráfico faz a mesma curva? Ou seja, poderíamos dizer que a maioria dos aeroportos recebe em média o mesmo número de vôos? Evidentemente que não. Temos poucos aeroportos no mundo que recebem milhares de vôo por dia e muitos aeroportos que recebem poucos vôos. Esses poucos aeroportos com muitos vôos são chamados de hubs. Se traçarmos a curva para retratar a distribuição dos aeroportos teremos a curva B da figura abaixo. Já escrevi sobre essa curva chamada de cauda longa aqui. Voltemos então à questão da web. Duas características próprias da web seguem a distribuição tipo cauda longa. Se escolhermos as páginas da web como nossa variável de observação e a quantidade de links que apontam para cada página (ou mesmo a quantidade de acessos que elas recebem), observamos que se forma uma rede onde poucas páginas recebem milhões de links (os hubs são Google, Facebook, Youtube, Blogger, etc,) e milhões de outras recebem pouco links. Isso também vale para as redes que se formam nos sites de relacionamento tipo Orkut, Facebook, MySpace, etc. Nelas temos poucas pessoas que têm milhares de amigos e são super conectadas enquanto temos milhões de pessoas que são pouco conectadas. Mas o que isso tem mesmo a ver com a velocidade do fluxo da informação? Essas redes, ditas livres de escala (scale free, em inglês) possuem uma propriedade que influencia diretamente a velocidade de transmissão da informação: a conexão entre dois pontos quaisquer da rede se faz em média com poucos passos. É por isso que se consegue ir de avião de qualquer canto do mundo para qualquer outro somente com duas ou no máximo três conexões. Os hubs acabam se conectando e fazem um papel de centralizadores e distribuidores entre pontos com poucas conexões. Assim uma informação que sai de um ponto da rede chega aos outros muito rapidamente, pois viaja através de hubs. A figura C mostra o formato de uma rede desse tipo. O mais interessante é que essas características estão presentes em redes diversas que vão desde redes moleculares, partículas subatômicas e mesmo distribuição de crimes numa cidade. O estudo dessas redes deu origem ao que alguns batizam de ciência das redes. Uma área com enfoque multi-disciplinar explorada por físicos, biólogos, químicos, sociólogos e cientistas de computação dentre outros.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Encontros, namoros e algo mais virtuais

Um dos usos mais intensos da Internet hoje é a pornografia. Já mostrei um vídeo interessantíssimo que desnudava (para manter o nível) as estatísticas em 2007(acesse-o aqui). Os sites de encontro (mate em inglês) onde as pessoas se conhecem e até namoram pela rede são igualmente populares. Alguns internautas até extrapolam em seus relacionamentos amorosos via web e com uma web cam transmitem e recebem imagens provocativas e sensuais. Esse erotismo virtual tem se difundido e me pergunto qual será a próxima novidade nessa área. Aliás, percebo que não sou o único, o blog boing boing especializado em gadgets (brinquedos eletrônicos) já andou especulando que o uso do wiimote do jogo Wii pode ser o próximo alvo dos desenvolvedores de brinquedos sexuais. Alguns alunos já me tinham alertado que algo nessa direção já deve estar sendo produzido. Para os que não conhecem o jogo Wii, vale a pena dar uma olhada aqui onde descrevo o jogo com vídeos com exemplos. Trata-se de um jogo eletrônico onde o controle remoto (Wiimote) é usado para capturar os movimentos humanos e reproduzi-los na tela do computador (ou televisão). Pode-se, por exemplo, jogar tênis simulando o uso de uma raquete e a batida na bolinha com o Wiimote. O nível de precisão do software é impressionante e o usuário tem a nítida sensação de estar movimentando a bolinha com cada raquetada que fornece. O Wii se expandiu fortemente nos últimos anos e jogos para capturar o movimento dos mais diversos órgãos humanos já existem. Só falta agora os órgãos sexuais. Alguém se habilita? Não me surpreenderia se isso se transformar em um enorme sucesso comercial.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Web 2.0 e Informática Pública

Além de meu frequente contato com os colegas da ETICE (Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará), nos últimos meses tive várias experiências de contato com o ambiente das Empresas Públicas de Informática. Ano passado palestrei no KM Brasil (Congresso Nacional de Gestão de Conhecimento), e boa parte do público era de funcionários públicos de TI. Os convites recebidos para realizar apresentações no Congresso Nacional do SERPRO – CONSEG e no Alagoas digital foram outras oportunidades de conversar com funcionários públicos técnicos em TI. Interessante perceber que as Empresas Públicas de TI, bem com os departamentos de processamento de dados das grandes Empresas Públicas, vivem um dilema quanto ao uso das novas ferramentas de informática advindas com a Web 2.0. Na sua grande maioria essas empresas bloqueiam o acesso a sites de relacionamento, sites de compartilhamento de vídeo e fotos, blogs e mesmo do Google Maps. Os motivos variam da necessidade de “proteger” os funcionários da tentação de desviar o foco do trabalho até a racionalização do uso da banda larga de acesso a Internet. Por outro lado, cresce gradativamente (embora em grau diferenciado de empresa para empresa) a percepção de que há espaço para explorar positivamente as tecnologias de Web 2.0 e ainda as redes sociais que se formam em função de seu uso. O dilema está criado. Como será possível se qualificar a explorar um potencial que tem seu uso mesmo proibido dentro da Organização? Reconheço que não se trata de um problema fácil de ser resolvido, creio que para começar é preciso que se compreenda como a web 2.0 pode ser útil no contexto dos serviços públicos. Por essa ótica, deixo aqui algumas definições que podem contribuir na formação de conhecimento preliminar para a criação de uma política para a TI pública. Em linhas gerais, relembro que a característica marcante do que se batizou de Web 2.0 é aumento de oportunidades de compartilhamento e produção de conhecimento pelos internautas viabilizado pelo surgimento de sites para esses fins. Blogs, sites de relacionamento (www.orkut.com), sites de compartilhamento de vídeos (www.youtube.com), de fotos (www.flick.com), de transparências (www.slideshare.com) e sistemas wikis para compartilhamento de conhecimento (www.wikipedia.com) e crimes (www.wikicrimes.com) são alguns exemplos desse movimento. No contexto organizacional aqueles que trabalham com gestão do conhecimento (GC) perceberam rapidamente que essa nova onda tecnológica compartilha caprichosamente os mesmos princípios da GC como o compartilhamento de conhecimento para aumento da aprendizagem intra-organizacional, a formação de comunidades de prática, a formalização de conhecimento tácito, dentre outros. Enfim, um novo tipo de sistema de informação na web, chamado por alguns de e-gov 2.0 ou KM 2.0, está a surgir. São aplicações onde a aproximação do governo com o cidadão se dá não somente através da prestação do serviço público, mas igualmente pelo provimento de instrumentos para que o cidadão se pronuncie, questione, forneça informações, proponha alternativas, denuncie enfim interja ricamente. Junte ainda a possibilidade de que tudo isso seja feito de forma colaborativa, onde o cidadão faz parte de uma comunidade virtual. Há muito o que fazer nessa direção.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Novidades em Gengibre

Em conversa com Cazé, apresentador da MTV, empreendedor na Web e um dos idealizadores do site Gengibre, descobri que já é possível publicar áudio no site em Fortaleza pagando ligações locais. Vale a pena lembrar que em Gengibre o internauta registra uma mensagem no site, mas ao invés de uma mensagem de texto, o registro é feito em áudio. Na verdade, são várias as cidades brasileiras que estão cobertas pelo serviço. Vejam abaixo os números de Gengibre nas diferentes cidades. Vejam também um exemplo de um post de voz que fiz com um trecho da conversa com Cazé.Basta clicar no botão de "play". Ele dá inclusive dicas de como o serviço tem sido usado de forma criativa.


quinta-feira, 9 de abril de 2009

E-Gov 2.0 e Inclusão Digital

Continuam proliferando no Brasil políticas de inclusão digital focadas no provimento do acesso à rede mundial de computadores. Já refleti algumas vezes sobre esse tema aqui no blog. Volto ao mesmo, porque mais eu vejo iniciativas de inclusão digital pelo Brasil mais minha opinião sobre a questão amadurece. Definitivamente, não creio que deva ser esse o foco desses programas. Acho-os reducionista. Obviamente não estou a dizer que meios de acesso não são necessários, mas acho que esse processo vai ocorrer naturalmente, aliás, já está a ocorrer. Nos mais longínquos pontos do País há uma Lan House para acesso a rede (Regina Casé na Globo nos mostrou vários desses exemplos). Temo que ao focarmos na disponibilização do acesso percamos de vista que o problema maior refere-se ao uso que queremos dar àqueles que acessam a rede. Em um texto publicado em Junho do ano passado comentei sobre o cuidado que devemos ter com o excessivo entusiasmo de que o acesso a Internet pode trazer melhoria na Educação. Isso vai depender muito de como o Estado vai conseguir levar conteúdo interessante para a escola. Essencialmente vai depender de como os professores serão competentes no manuseio das diferentes ferramentas que podem acrescentar qualidade ao ensino. Esse mesmo raciocínio vale para a inclusão digital de uma forma geral. Basicamente, os internautas de hoje usam a Internet como meio de divertimento e de comunicação. A popularidade de Orkut e de jogos eletrônicos não nos deixa espaço para dúvidas. O provimento de conteúdo com qualidade aos internautas não deve ser objetivo somente dos professores e muito menos somente um problema da Escola. A televisão, no seu surgimento, também era vista como instrumento essencial para melhorar a qualidade do ensino. Tele-cursos e outras modalidades à distância ficaram longe de demonstrar esse poder. Vemos agora com a Internet uma situação parecida. A rede está cada vez mais sendo encarada como um instrumento de lazer. Ser fun (divertido em inglês) é decididamente o que pega. A internet impõe aos produtores de conteúdo esse desafio. O Estado, em especial, como grande produtor de conteúdo que é, também se vê diante do mesmo desafio. Enfim, não basta veicular conteúdo de qualidade, tem que conquistar o público. Um governo que provê serviços de forma eletrônica que aumentem a aproximação com o cidadão, permitam compreender suas demandas e os atendam melhor é um grande passo nessa direção. Agora, isso tudo não deve ser feito dissociado das plataformas dos sites de relacionamento, blogs e outras formas de expressão da Web 2.0. Esse governo eletrônico 2.0, ou e-gov 2.0 é um dos grandes desafios aos profissionais e empresas públicas de informática e o mais relevante papel que o Estado vai poder realizar para fomentar a inclusão digital.

quinta-feira, 5 de março de 2009

A Web e Controle Social

Muito me orgulhou o convite recebido pelo Presidente do Tribunal de Contas do Município do Estado do Ceará (TCM), Ernesto Sabóia, para escrever um texto sobre Informatização e Controle Social. Creio que minha militância pela transparência para os dados criminais com WikiCrimes levou-o a considerar que poderia contribuir com o tema. O texto será um dos fascículos do curso “Controle Social das Contas Públicas”, iniciativa do TCM e que estará sendo realizado pela Fundação Demócrito Rocha em parceria com o Bradesco (veja mais sobre o curso aqui). O curso será realizado na modalidade à distância com fascículos distribuídos pelo jornal e aulas pela televisão. O convite me fez pesquisar, dentre outras coisas, como a Internet pode ser usada pelo cidadão para auxiliar atividades de controle social. Descobri que existem vários sites que fornecem informações sobre as contas dos governos e prefeituras. Alguns dos endereços desses sites estarão no fascículo que deve sair em Maio (por isso vou guardar segredo!). O lado negativo é que minhas pesquisas me mostraram que não é nada fácil para um cidadão comum saber como seu dinheiro está sendo usado pelos governos. A razão é simples. Por mais que as informações estejam disponíveis na Web, elas são difíceis de serem encontradas e, principalmente, interpretadas. Há muito número de empenho, licitação, documento e processo para que alguém possa ligar uma determinada obra ou serviço realizado na sua comunidade. Creio que a situação mais comum onde um cidadão pode agir como auditor é, ao presenciar in loco uma obra ou serviço público, tentar saber mais sobre os valores pagos, quem os recebeu e quanto. Por exemplo, eu, ao perceber a reforma do calçadão da Beira-mar de Fortaleza, sempre tenho vontade de ter informações de quanto já foi pago pela obra e porque a mesma não terminou dentro dos seis meses previsto. Na verdade, não consegui nem descobrir quando a obra começou. A partir das informações que a placa descritiva da obra me deu (veja a foto abaixo), procurei acessar mais informações na rede. Infelizmente, não obtive sucesso. Embora o site do TCM seja o mais apropriado para encontrar essa informação, como elas estão estruturadas de acordo com a forma passada pela Prefeitura e aí não se consegue identificar nenhum interesse na transparência. O máximo que consegui foi encontrar alguns contratos e pagamentos feitos para a Trana Edificações, a construtora responsável pela obra, mas sem os detalhes que buscava. Muito há a ser feito, mas não se pode desconsiderar que os avanços são sensíveis. Temos mais é que começar a fiscalizar.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Denúncias em WikiCrimes

WikiCrimes está com mais novidades, as primeiras de 2009. Agora já é possível fazer denúncias de áreas perigosas e de tráfico e uso de drogas. Trata-se de uma nova funcionalidade que tinha sido solicitada por alguns usuários desde o começo do projeto. Precisou do apoio dos flamenguistas (é dose!) Carlos Gustavo e Carlos Caminha para sair do papel. Ao invés de registrar a ocorrência de um crime específico, os usuários poderão indicar que uma área é perigosa de uma forma geral. Isso atende a uma demanda de pessoas que têm informações sobre uma região, mas não têm conhecimento detalhado de um crime. A figura abaixo mostra o ícone verde com um alto-falante que será usado para representar as denúncias. Simplificamos ainda o número de campos a serem informados. Precisa-se basicamente da descrição do período do dia cujo qual a denúncia se refere, uma breve descrição da mesma e um espaço para escolher a causa que o usuário acredita provocar os fatos denunciados.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Spam Oficial?

Dá-se o nome de spam a toda informação indesejada que alguém recebe normalmente distribuída em massa através de correios eletrônicos. Pois bem, os internautas, desde a semana passada, foram premiados com uma novidade (uma façanha mesmo) vinda do Governo do Estado do Ceará que creio podemos chamar de spam-link ou link-spam. Todos os acessos às páginas de Órgãos do Governo do Estado estão sendo automática e obrigatoriamente redirecionadas para uma página inicial do Governo (www.ceara.gov.br). Essa página inicial possui basicamente links para a estrutura do governo, alguns serviços e muita, mas muita propaganda através das notícias sobre ações do governo. Ou seja, se o cidadão quiser acessar o site da Secretaria de Segurança, vai ter que ler umas noticiazinhas sobre as ações do Governo, se quiser acessar o portal da ciência da Funcap, vai ter que passar por lá também, multas do DETRAN, idem. Isso é ou não é spam? Você é forçado a ter informação que não solicitou. Contraria qualquer livro de interface ou manual de usabilidade que pregam a máxima de que o caminho para acessar a informação deve ser o mais curto possível. De onde será que veio essa idéia? Se tiver algum aluno meu envolvido nesse projeto, não me diga! Vou me deprimir. O fato é que as pessoas não percebem que uma das maiores características da Internet é a liberdade que ela traz aos produtores e consumidores de informação. Querer controlá-la é um erro de concepção primário. Agora, se o objetivo é de marketing, reconheço: é uma medida que dá o que falar. Só não sei se positivamente.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Pedofilia, Orkut e Lan Houses

Hoje estarei no programa de televisão do Paulo Oliveira na TV Diário pela manhã para conversar sobre Redes Sociais na Internet (e.g. Orkut), pedofilia e outras mais. Recentemente venho me interessando pela forma como os brasileiros usam o Orkut. O lançamento de WikiCrimes no Orkut aumentou a necessidade de compreender as preferências e motivações de seus usuários. Muitos amigos me perguntam sobre a postura a ter em relação aos filhos sobre o uso do computador e essa será a pergunta condutora da conversa na TV. Para começar, quero dizer que as redes sociais vieram para ficar e não as vejo somente como um demônio a ser combatido. Trata-se de uma nova forma de socialização e comunicação entre pessoas. Há inclusive um enorme espaço para negócios nesse contexto (falarei sobre isso em outro momento). É bem verdade, que no Brasil ainda predomina o uso das redes sociais para atividades de lazer e quase sempre bem fúteis. Infelizmente, não se trata aqui de um problema tecnológico, mas cultural. Pois bem, deixem-me voltar à questão do controle dos pais. Já existem ferramentas para bloquear acesso a sites pornográficos ou para registrar todos os endereços consultados pelas crianças para posterior “auditoria”. Mas isso não garante proteção total e , sinceramente, não vejo muito interesse dos pais em fazer isso. Talvez aqueles que são profissionais de Informática até se aventurem, mas a maioria não tem tanto entusiasmo ou familiaridade com a tecnologia. Mas como proceder então? Acompanhar e impor limites constitui uma boa estratégia. Definir horários de uso do computador, acompanhar os sites que estão sendo usados pelos filhos (se possível participando das comunidades que eles fazem parte), conversar sobre os perigos de conversar com desconhecidos, enfim, nada extraordinário e que os pais devem fazer de uma forma geral, não somente ao que concerne a Internet. Infelizmente, isso não é nada fácil. Além da aversão que a geração menos jovem (ou mais madura) tem à tecnologia, uma característica bem brasileira vem potencializar a complexidade do processo. A maioria dos jovens, principalmente os menos favorecidos, usa a Internet fora de casa, nas Lan Houses. Aí, as sugestões de acompanhamento que mencionei previamente não valem muito. Nesse ponto é que o Estado tem um papel importante. Uma regulamentação do uso de computadores por menores em Lan Houses, já existente em alguns Estados, é fundamental. Vejam, no entanto, que essa questão é, de fato, muito parecida com outras que já discuti aqui sobre a responsabilidade das pessoas para que as leis sejam cumpridas. Da mesma forma que vender bebida alcoólica para menores deve ser penalizado, deixar crianças acessar sites proibidos em Lan Houses também requer punição. Se não houver acompanhamento nem suporte da população será mais uma lei que não pega (com efeitos maléficos às crianças).

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

TIM: A Saga Continua

Recentemente escrevi aqui sobre minha péssima experiência com a TIM ao tentar comprar um modem 3G para uso em transmissões de dados pelo meu notebook. Em resumo, tive que cancelar a minha assinatura do serviço sem mesmo conseguir colocá-lo para funcionar, depois de uma frustrante “visita” ao serviço de atendimento ao cliente da Empresa. Relembro que ao final de meu texto disse que enviaria o texto do blog ao fale conosco da TIM. Assim o fiz. Ontem recebi um telefonema da TIM. Que bom, pensei. Achei que mandariam alguém para pegar o modem que ainda está sob minha posse. Para minha surpresa, a ligação não era bem para isso. Minha saga ainda estava a continuar. A atendente (na verdade, nem acho que posso chamá-la de atendente, visto que ela mesma é quem tinha me ligado) disse–me que sua ligação se devia pelo fato de ter recebido minha mensagem pelo site (até aí, ainda estava otimista). Pediu para que eu anotasse um número de protocolo e depois disse que eu devia ligar para *144 para contar meu caso e pedir ajuda! Puxa vida! Ela nem se deu o trabalho de ler o que eu havia escrito. Ora bolas, todo meu problema foi exatamente porque o serviço de atendimento telefônico, nem mesmo a loja, conseguiam resolver meu problema. Tinha que ligar de novo?! Ficou claro que ela só queria dar uma satisfação a algum sistema que lhe cobrava uma resposta ao fale conosco. Aliás, acho essa atitude bem típica de instituições com sistema de qualidade tipo ISO: mantenha a qualidade (mesmo se ela é bem ruim). Mas isso é assunto para outro texto. Voltando a questão. Depois de minhas infrutíferas tentativas de explicá-la a razão de minhas reclamações, percebi que ela não estava nem aí para o que eu falava. Ela dizia somente ”certo Sénhoor, o Sénhoor deve ligar para o *144 e contar tudo isso, Sénhoor”. Nem acreditei! Puro surrealismo! Minha surpresa foi tamanha que acabei por ligar de novo ao *144 como sugerido. Depois de toda a rotina de pergunta de dados básicos (id, fone, CPF, etc.) e algumas transferências de ligações cheguei ao serviço de atendimento para transmissão de dados. Novamente, deu para perceber que o sotaque tradicional de Call Center tinha desaparecido. Passei 30 minutos tentando explicar meu caso. Nada. A TIM não sabia o que tinha acontecido comigo. Por fim, a atendente disse que meu serviço tinha sido cancelado porque não tinham conseguido contato comigo. Como? Não tinham contato comigo? Mas eu mesmo havia ligado várias vezes? Cheguei a pensar que aquilo era uma pegadinha ou coisa que o valha. Expliquei novamente toda minha saga. A atendente pediu-me um tempo. Passei quase dez minutos em modo de esperar. Ao voltar a atender-me ela disse: “lamento dizer, mas o que tenho a dizer é o que já disse. O Sr. tem que entrar em contato com o serviço responsável para saber porque seu serviço foi cancelado”. Incrível! Até a autoria de ter cancelado o pedido do modem, eles me tiraram! Não sabia se ria ou chorava. Estava tão stressado que as palavras não me vinham a mente. A atendente então disse que ia me transferir para o “setor competente”(como se fosse possível acreditar que há alguma competência por lá”). Pois bem, sabe o que aconteceu? Ao tentar realizar a transferência, a ligação caiu. Simples. Lá estava eu, de novo, sendo obrigado a começar tudo do zero. Assim não dá. Decidi escrever esse texto e agora vou mandá-lo novamente ao fale conosco da TIM. Quanto tempo esse ciclo vicioso permanecerá? Talvez indefinidamente.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Gestão do Conhecimento: Reflexões e Definições

Durante o KM Brasil, tive a oportunidade de assistir a palestra de David Gurteen. Um entusiasta da gestão do conhecimento (em inglês, Knowledge Management – KM) há muitos anos. Foi um dos pioneiros a discutir o conceito e ainda mantém uma série de iniciativas que visam divulgar os conceitos de KM. Em sua palestra no KM Brasil falou sobre a história da gestão do conhecimento (GC) e, similarmente às diversas apresentações feitas no congresso, enfatizou o quanto a Web 2.0 tem rompido com a forma habitual das pessoas interagirem e conseqüentemente como a GC também estava sendo impactada. Definiu o conceito de KM 2.0 analogamente a Web 2.0. Ao assistir sua apresentação vi crescer um sentimento que já havia me tomado no dia anterior quando das apresentações em que a Web 2.0 também tomou o espaço. O sentimento de que a GC ficou muito dependente do desenvolvimento tecnológico e acaba sendo conduzida por tal desenvolvimento. Nos primórdios da GC, os sistemas de informações já possuíam um papel preponderante. Eram necessário para “formalizar”, estruturar”e organizar” o capital intelectual (desculpem-me, mas não serei rigoroso na busca de definir o que realmente são esses conceitos e termos) para que se pudesse disponibilizá-lo aos que necessitam em outras circunstâncias, locais ou contexto. O próprio Gurteen, durante sua palestra, disse que muitos achavam que a GC estava morrendo, mas a Web 2.0 não deixou que isso ocorresse. Na fase de perguntas, pós-apresentação, eu lhe fiz o questionamento provocativo: não estaria a GC muito dependente das ondas tecnológicas? Será que daqui a algum tempo ela não estaria de novo a morrer até que com a web semântica (ou web 3.0), por exemplo, ela viesse a ressuscitar novamente? Suas respostas foram tímidas (não sei se me compreendeu totalmente). Disse que acredita que esses altos e baixos são típicos e que não tinha refletido se no futuro isso poderia via a acontecer. Não me pareceu saber muito sobre a Web 3.0. O fato é que acho que há ainda um grande problema na comunidade de GC que é a falta de uma definição relativamente consensual do que é gestão do conhecimento, quais problemas visa resolver e que desafios persistem para que esses objetivos sejam atingidos. Percebi, nas diversas palestras que assisti, que a compreensão do que é GC flutua dependendo de quem estava falando e de que tema se referia. Por essa razão, achei interessante usar esse espaço para esclarecer o que é GC, no contexto da computação. Trata-se do estudo e desenvolvimento de técnicas, métodos e softwares destinados a realizar a distribuição pró-ativa de informação útil para a pessoa certa no momento certo. É fato que a Web 2.0 trouxe várias possibilidades de cooperação e interação e assim torna-se instrumento para que as pessoas possam fornecer informações úteis para outras pessoas no momento certo. Toda essa gama de mecanismos interativos e participativos de ferramentas sociais como blogs, e redes sociais exemplifica isso. No entanto, o grande problema de acesso e provimento da informação certa na hora certa para a pessoa certa ainda continua, pois nem sempre as pessoas têm disponibilidade para realizar essas tarefas. Ainda por cima, recuperar informação numa Web cada vez mais repleta de informação torna-se sempre um grande problema. São essas limitações que motivam a pesquisa da computação no contexto da GC: desenvolver software para automaticamente realizar essas tarefas. Percebe-se facilmente que a forma como as informações são representadas na Web ainda é muito pobre para a realização dessa automatização. Daí também a motivação das pesquisas sobre Web semântica (para alguns Web 3.0). Vale à pena consultar o que já tinha escrito sobre a Web semântica nesse blog (acesse aqui e aqui). Enfim, no lugar de ficar sempre pensando que a GC está morrendo, prefiro pensar que sua problemática persiste e fica cada vez mais complexa. Pelo menos no contexto da computação.