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quarta-feira, 23 de maio de 2007

Cultura Cidadã: Um Exemplo de Que É Possível Adquiri-la

O ex-prefeito de Bogotá por duas vezes, Antanas Mockus é professor, filósofo e matemático. A ele é creditada a implantação de uma série de medidas de sucesso que levaram a diminuição do número de homicídios dentre outros índices de violência. Eu já tinha assistido a apresentação do Gen. Alberto chefe da polícia nacional colombiana (clique aqui para ver o texto em que comento sua apresentação) em Belo Horizonte durante o Fórum Brasileiro de Segurança. Escutar o prefeito Mockus foi ainda mais interessante, pois me permitiu conhecer os dois lados dos envolvidos na questão. Devo dizer que até hoje não tinha assistido uma apresentação que fosse tão interessante em termos de segurança publica. A razão pelo qual me entusiasmei tanto não é difícil de identificar: comungamos de muitas idéias como comprova muito do que tenho escrito neste blog. O problema da segurança passa acima de tudo por uma mudança de comportamento da sociedade. Não é a toa que seu plano se chamou cultura cidadã. Fiquei extremamente motivado e mesmo emocionado no decorrer de sua apresentação. As medidas que ele tomou são exemplos de que é possível sim provocar a mudança de comportamento social. Sempre que tento convencer alguém que é possível mudar nossa sociedade e que essa mudança depende de nós, sou visto com desconfiança, como sendo um sonhador e para muitos até alienado. Outros acham que a questão da mudança cultural só pode ser feita com investimento em educação tradicional e assim com resultados visiveis só a longo prazo. A política do Prefeito Mockus me servirá sempre de exemplo de que isso não é necessariamente verdade. Na sua apresentação, Mockus explica de forma simples que a forma como vivemos em sociedade implica em cumprir regras informais além da lei formal. Se conseguirmos a convergência dessas duas, estaremos com muito maior possibilidade de termos uma sociedade mais pacífica. As regras informais envolvem o reconhecimento e respeito social. E é ai exatamente o ponto estratégico que se baseia toda sua política. Ele disse claramente que não há polícia no mundo que consiga resolver o problema de uma sociedade que não se respeita. Onde as regras básicas de convivência pacífica e ordeira não são seguidas. Onde as pessoas não se envergonham de agir erradamente, pois o errado é o comum. Vivemos isto no Brasil. Não tem polícia que baste! A partir desse diagnóstico ele decidiu orientar sua gestão para o lado educativo das políticas públicas tendo sempre em mente de que era preciso incentivar a noção de cidadania e criar efeitos multiplicadores que fizessem as pessoas mudar de comportamento. A criatividade deu o tom de sua gestão. Um dos projetos que mais gostei foi o do cartão cidadão que foi distribuído aos habitantes da cidade. Era um cartão que tinha um lado com polegar levantado (sinal de positivo) e outro lado era vermelho com o polegar para baixo (sinal negativo). A idéia foi fazer a população opinar quando uma atitude de alguém era boa ou não. Por exemplo, se alguém dava preferência aos pedestres em uma faixa de segurança, esse alguém recebia cartão verde com polegar para cima. Se alguém jogava lixo do carro na rua, ele recebia cartão vermelho. Criou-se então a co-responsabilidade com educação e vigilância social. No lugar da guarda de trânsito (que ele disse que era reconhecidamente corrupta), Mockus decidiu colocar mímicos que faziam artes indicando posturas erradas da população e tinham também uma missão educativa. Ele disse que quanto mais inusitada era a medida que tomava, mais a mídia dava atenção e mais a população ficava sabendo da iniciativa. Estava assim incrementado o efeito multiplicador que ele desejava. Os policiais receberam treinamento para aprender a formar cidadãos. Os pontos focais eram sempre melhorar a cidadania, consciência coletiva e auto-regulação social. Várias outras medidas foram tomadas e as comentarei em outros textos. Estou coletando alguns artigos que detalham as medidas e os resultados alcançados e em breve voltarei sobre o tema.

5 comentários:

Anônimo disse...

A sociedade requer mais do que um certo ou errado para gerar uma mudança isso tem que começar nas beiradas da cultura daquela sociedade especifica para não ser confundido com um alienado ou mal interpretado ou pior ainda alguém que tenha uma opinião descartavél mas o que faz realmente uma sociedade global qualquer hoje em dia são os ciclos não adianta mudarmos sempre voltamos para o mesmo "lugar" tudo ficou tão objetivo que e difícil ver o social como algo que tenha "valor" pois tudo e tão fingido hoje em dia e tão artificial um exemplo um entrevista em uma televisão e difícil acreditar que aquela pessoa seja sempre a mesma antes,durante e depois da entrevista isso faz com todos percamos uma certa referencia uma certa fé sobre nós mesmo para realizar objetivos por isso inventamos as máquinas mas também são incompletas e imperfeitas.Por isso na internet vi uma tática de um treinador de futebol que colocou 3 regras para seguir no seu time acho interessante coloca-las em pratica todo o mundo são elas:
1-cuide de você mesmo
2-cuide de seu companheiro
3-cuide do lugar por onde passar

Robinson Rosário Pitelli disse...

Caro Prof. Vasco,
Antanas Mockus também passou aqui por São Paulo. Vi-o numa apresentação memorável no auditório da Prefeitura da Cidade.
Realmente ele se mostrou uma personalidade ímpar. Provoca reações imprevisíveis nas pessoas e cria oportunidades para a quebra de paradigmas. Depois da apresentação eu senti falta de um texto que resumisse sua fala. Fiquei dividido entre as tarefas de desfrutar daquilo que ouvia e anotar as idéias para não perdê-las. Decidi-me pela primeira. Os relatos do prefeito Antanas são intrigantes e capciosos. Ouvi-lo requer raciocínio rápido para entender a mecânica social que ele descreve com destreza.
Na minha opinião, no caso da violência urbana, acredito que falta coragem para que nós, brasileiros, vejamos a realidade completa e integralmente. Poucas pessoas conseguem esse feito sem sentir a compulsão de abandonar o país. É preciso muita coragem para admitir que o Brasil foi e continua sendo palco de tanta violência e para aceitar nossa impotência perante esse fenômeno que já persiste há séculos e que produz em nosso âmago um amplo e diversificado repertório de precedentes.
A percepção é essencialmente produto da atenção do sujeito. Só percebemos algo a que nos dispomos prestar atenção. Já a interpretação é uma etapa diversa. Ela começa concomitantemente com a percepção e pode durar horas ou até dias. A interpretação está diretamente relacionada com o repertório do sujeito. Só vemos aquilo que já temos dentro de nós.
A cada novo episódio de ônibus incendiado ou morte por bala perdida, como é inevitável voltar a face para o outro lado, desviando a atenção, recorremos à etapa de interpretação para trabalhar a negação coletiva do fato. Nesse sentido somos apoiados pela imprensa e pelo governo na tarefa hercúlea de iludir 180 milhões de pessoas.
Então agora já sabemos que, com ações isoladas, não podemos mudar essa realidade. Teremos que aprender a lidar com essa característica do nosso povo urbano ou buscar guarida na alienação.
O prefeito Antanas nos mostra, entretanto, que há um punhado de pequenos erros que só depende de nós mesmos reconhecê-los. Focalizemos nossa atenção nesses erros que estão ao nosso alcance. Reconheçamo-los e aprendamos com eles. Isso vai fazer uma grande diferença na nossa qualidade de vida. Ainda que o Brasil continue sendo um país violento por muito mais anos, alguma melhora com certeza virá.
Esse é o meu pensamento hoje. Mas,... eu posso estar errado. Pois somos todos humanos e falíveis.

Vasco Furtado disse...

Caros comentadores,
Que feleicidade de ter comentarios tao ricos. Concordo com vcs e fico feliz que concordem que podemos pelo menos fazer algo nas coisas que estao em nosso alcance. Ainda vou voltar a falar desse tema mas por hora quero acrescentar que podemos tambem sensibilizar os outros mostrando que eles tambem podem fazer um pouquinho do que esta ao alcance deles. Criemos um efeito de rede positivo.

Victor Martins disse...

Estava conversando com meu tio sobre esses problemas do Brasil, coisa que eu adoro fazer, aliás. A conversa começa a maioria das vezes com o tema da segurança.. na verdade, infelizmente, a conversa começa citando um caso atual de violencia que ocorreu e aí vem o tema da segunrança. É justo que comece assim, esse tema esta cada mais presente na nossa vida. Meu tio disse uma coisa que me chamou a atenção, ele disse: "Antigamente nós citávamos um caso que ocorreu com um amigo de um amigo, até pouco tempo agente citava um caso que ocorreu com um amigo e hoje em dia agente cita casos que ocorreu na nossa própria família, com parentes próximos..". Depois a conversa passa por, como resolver esse problema, o que fazer com tanto bandido preso. Quando agente para pensar é fácil ver como é difícil, quando agente começa a cavar o buraco para encontrar uma solução, cada vez mais agente vê que o buraco é mais embaixo, e só vai aumentando... uma coisa vai puxando a outra até o ponto que agente e pensa: "putz, tá tudo errado, esse país não tem jeito". Eu penso muito sobre isso e eu cada vez mais eu acredito que o problema é realmente cultural, questão de valores mesmo. Eu tenho um teoria, meio básica, mas ela diz algo como: "Um país ou cidade reflete o que o seu povo gosta, e seus objetivos, mas principalmente pelo que seu povo gosta de fazer". Pode ser difícil para um brasileiro entender, mas existe país que o que o povo gosta de fazer é trabalhar, principalmente se a pessoa for dona do seu negócio, existe pessoas assim aqui, mas concerteza não é a maioria, eu acho que o sistema de ensino brasileiro tem algo haver com isso. Existe país que o trabalho e o lazer se completam, uma coisa completa a outra. Aqui no Brasil é bem diferente, quanto mais feriado melhor, e o objetivo do povo é que a semana passe rápido e chegue logo o fim de semana. País nenhum vai para frente assim, e para piorar nossa situação ainda temos um governo gigante e ineficaz, que pune aqueles que gostam de trabalhar e fazer riqueza com altos impostos e uma burocracia infernal e não sabe usar o dinheiro que arrecada.

Eu concordo que a solução não depende só do governo, mas é inégavel que ele tem que ter uma participação importante na solução, até mesmo pela sua abrangencia, pelo seu poder financeiro.

Os valores também precisam mudar se nós quizermos mudar esse país. No Brasil se louva o errado, o malandro. E ái daquele que ouse reclamar do malandro. Quem ouse que se prepare para ser ridicularizado. E quando o malandro vai além do que a sociedade gosta de malandragem, ele só tem que soltar uma ou duas piadas que está tudo bem denovo. Que não se confunda malandragem ou molecagem com comédia, é preciso ser inteligente para fazer comédia, e também para entender. a comédia de bom nível é apreciada em qualquer lugar do mundo.

O nosso povo tem que começar as coisas mais a sério, senão será sempre refém dos bandidos, porque eles levam as coisas deles bem a sério.

toca do túlio disse...

costumo escrever sobre estas matérias e como tal gostei muito de tudo aquilo que se escreve por aqui....