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sábado, 13 de julho de 2013

Apavorado ou não, use WikiCrimes


Nos dias de hoje, vendo surgir e acompanhando em Fortaleza os movimentos em redes sociais como “Fortaleza Apavorada” e “Fortaleza Sem Medo”  percebo a riqueza dos mesmos pela pluralidade e capacidade de viralização que possuem.  A movimentação que vêm provocando é muito salutar e tem potencial para pressionar as autoridades para que mudanças efetivas ocorram. Mas nem tudo é só virtudes.

A diversidade dos que participam desses movimentos faz com que as opiniões e percepções sobre os problemas da Segurança Pública sejam por vezes preconceituosas, com interpretações equivocadas das causas e, principalmente, do que seriam as soluções viáveis. Isso não é nada extraordinário e seria previsível que ocorresse. Afinal, não é papel das pessoas proporem soluções para um problema tão complexo. A divergência de opiniões e percepções talvez nem seja um problema tão sério se o objetivo for somente o de pressionar  o poder público.  

No entanto, nenhum movimento social se sustenta muito tempo só com esse propósito de indignação, principalmente se não se percebe algum resultado efetivo. Ele tende a ser envolto por um sentimento de desconforto de seus membros pela falta de objetivo a longo prazo o que também afeta também a imagem do movimento junto à maioria silenciosa que só observa.

Por essa leitura, tenho ainda mais convicção de que WikiCrimes é um instrumento valiosíssimo a ser apropriado pelas pessoas e por esses movimentos. WikiCrimes foi pensado com o objetivo de captar essa indignação das pessoas, mas ele tem uma proposta concreta de fazer algo mais. Um algo mais que não requer alinhamento quanto às crenças ideológicas, preconceituosas ou não, e nem precisa ser especialista em Segurança Pública. 

Nossa opção foi a de desenvolver em WikiCrimes serviços que pudessem ser usados por todos. Além de ser esse algo a mais do que só se indignar, esses serviços deveriam ser os impulsionadores da participação popular e dos governos. Serviços como alertas de crimes na sua área, aplicativos no celular, a possibilidade de gerar QR-Codes para indicar nos locais quantos crimes ocorrerão na região são exemplos.

Basta participar denunciando ocorrências e usar os serviços. Se os governos começarem a participar também, ótimo. Mas isso não é obrigatório. Se conseguirmos movimentar as pessoas nessa direção vamos canalizar nossa energia para algo que vai fazer a diferença. Para os que ainda não conhecem o projeto, há muito texto escrito nesse blog sobre o assunto. Os vídeos abaixo também ajudam a compreender a ideia.

 


terça-feira, 4 de junho de 2013

Fui pra balada


Para quem duvida do poder de aproximação das redes sociais, vai aqui breve depoimento. Um fim de semana desses, em que fui abandonado por minhas mulheres (L), decidi ir a balada.

Antes que minha mulher saiba por outros e me veja em apuros, exponho logo aqui o tipo de balada a qual me refiro: em casa, tomando um drink, só e acompanhado por amigos no mundo virtual. Um momento incrível, nostálgico e plural. Converso com muitos amigos de diferentes épocas. Alguns mais próximos, outros nem tanto. Pitacos aqui e acolá, vai o tempo passando e uma sensação incrível de que, só na sala, com gente tão eclética como David Guilmour, Amy, Andreas Wollenweider, Burt Bacharach e muito rock and roll, não estou só. Muito pelo contrário. Estou muito bem acompanhado.

Essa é a magia das redes sociais. Permite uma conexão instantânea entre pessoas de diferentes gerações ou não, de amigos ou não, de próximos fisicamente ou não, enfim, uma balada movimentadíssima. Abaixo um exemplo do que escutava e que me tocou vindo de Loló, um amigo roqueiro, que hoje viaja ao Rio para sambar na Sapucaí J

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A Privacidade no Virtual: Problema para Pais e Filhos

Nesses últimos dias tenho sentido na pele as dificuldades que passam os pais de adolescentes quando se trata de discutir a postura dos jovens na Internet. E olhe que posso me dizer escolado no assunto (pelo menos pelo ponto de vista técnico!), o que deveria me dar mais espaço para argumentação e capacidade de compreensão das diferentes dimensões que envolvem a questão.

Deixem-me dar um exemplo para tornar minha reflexão um pouco mais clara. Quem de nós (de idade mais avançada) não era mais contido quando falávamos com os amigos na frente de nossos pais? Tínhamos sempre um pouco mais de cuidado ao falar em público (para não dizer palavrões, por exemplo) do que quando estávamos somente com nossos colegas. Na verdade, essa atitude é muito natural e ainda agimos assim. Nosso comportamento privado, dentro de uma rede social de amigos, é sempre muito mais livre do que em ambientes menos íntimos. A decisão de como se portar era  relativamente simples de ser feita. Estava fortemente relacionada ao local físico e a presença física. Ou seja, na roda com os amigos o comportamento é um,  já nos meios mais formais,  o comportamento é outro sempre mais contido.

Ocorre que o mundo atual digital expandiu os horizontes de interação e tornou essa escolha de postura muito mais difícil de ser feita. No mundo atual, tudo se digitaliza e por isso ganha a capacidade de estar em qualquer lugar instantaneamente. Mesmo uma reunião presencial pode ser rapidamente difundida. Pode-se, por exemplo, estar reunido em uma mesa de bar e ser filmado e “transmitido” para qualquer lugar do mundo com a facilidade que smartphones conectados na internet e com suas câmeras de vídeo de alta resolução permitem.

E isso não para por aí. Depois de digitalizado, fica-se registrado. Ou seja, não dá para esquecer o que disse. A reprodutibilidade é outra característica marcante do mundo digital. Pode até ser que sua imagem e mensagem não seja imediatamente transmitida, mas ela estará registrada em algum lugar e poderão acha-la (com a ajuda do Google, claro) em outro momento.

De uma forma geral, o que quero atentar é que os contextos privados estão cada menos reservados. As redes sociais virtuais, então, são mestres em nos ludibriar sobre que contexto estamos. Quando conversamos pelo Facebook ou Orkut, por exemplo, temos a tendência a achar que é o mesmo contexto da nossa mesa de bar ou mesmo uma mera reunião com amigos. Não é bem assim. Por mais que queiramos ou tentemos, impossível ter o controle sobre a difusão da informação digitalizada.

Em se tratando de adolescência, os perigos pela não percepção exata de que contexto se está inserido são ainda maiores. Jovens são mais despojados e expõem-se mais abertamente, o que pode ter consequências muito desagradáveis. Não é a toa que as redes sociais não podem ser acessadas pelas crianças (o que aliás, se desmoraliza cada vez mais aqui no Brasil).

Mas afinal, o que fazer? Não tenho a prepotência de dizer que tenho soluções para a questão. Na verdade, tento, eu também, aprender como agir. De uma forma geral, creio que só uma velha máxima é que vale aqui: os pais devem acompanhar seus filhos. Acompanhar aqui significa participar também dos contextos virtuais nos quais eles se inserem. Segui-los no Twitter, tê-los como amigo nas redes sociais, etc são o mínimo(ou talvez o máximo) que nós pais podemos fazer. 

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Redes Socias e Complexas

Aos interessados em redes complexas sugiro esse vídeo de Christaskis. Ele se concentra nas redes sociais. Intrigante.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Quer viver mais? Tenha amigos

Muito interessante esse estudo que tomei conhecimento no site LiveScience
Já estamos carecas de saber (alias, nós quarentões, literalmente) que fazer exercício físico, hábitos alimentares e deixar de fumar são fatores essenciais para aumentar a longevidade. Novos estudos sugerem que há um outro fator importante para termos vida longa: relacionamentos sociais. Estudos desenvolvidos por pesquisadores da universidade de Brigham Young University, Utah, EUA (publicado no PLoS Medicine Journal). mostram que pessoas com fortes laços sociais podem aumentar as chances de sobreviência em até 50% para um certo período de tempo. Isso é quase o dobro tão benéfico quanto atividade física em termos de capacidade de reduzir as chances de morrer cedo.
Os pesquisadores revisaram 148 estudos que examinaram o link entre relacionamentos sociais e mortalidade. Foram estudos que envolveram mais de 308 mil participantes em pessoas que foram seguidas em média durante cerca de 7.5 anos. Os estudos mediram os relacionamentos sociais de várias formas como o tamanho da rede social do individuo, se ele era casado ou não bem como o quão engajado nos relacionamentos eram os indivíduos. Perguntas sobre como as pessoas achavam que eram vistas pelos amigos também foram realizadas. Visaram assim capturar o sentimento de se sentir importante aos outros.
Mas porque mesmo os relacionamentos sociais nos ajudam a viver mais? Nada que já não saibamos. Amigos nos ajudam a combater as situações stressantes cotidianas, nos encorajam, apoiam-nos quando necessário, acompanham-nos no lazer, etc. Enfim, o ditado popular “Mais vale um amigo na praça do que dinheiro no bolso”agora é que ganha força mesmo. Tem validação científica. 

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A Capacidade Mobilizadora do Twitter: Real ou Virtual?

A grande estrela da web nesses últimos dias no Brasil tem sido o Twitter. O fenômeno “CALA BOCA GALVAO” foi largamente explorado pela mídia impressa e está fazendo mais gente refletir sobre o que ele realmente significa. Não é o tipo de reflexão nova para mim. Tenho trabalhado com a noção de partipação e interação na Web e tentar compreender as diferentes nuances e comportamentos das pessoas na web é um desafio que já me acompanha.

A capacidade de propagação de uma mensagem em uma rede social é estupenda. Já expliquei um pouquinho da matemática que rege isso aqui. Em suma, a rede que se forma com os seus amigos, amigos de amigos, etc. cresce exponencialmente. Isso explica porque uma mensagem que se propaga nessa rede pode atingir tantas pessoas. Veja o seguinte exemplo. Suponha que você tem cinquenta amigos numa rede social (podem cinqüenta seguidores no Twitter). Suponha também que, em média esses amigos também têm, cada um, cinquenta amigos e assim sucessivamente. Se você enviar uma mensagem para os amigos e pelo menos dez desses amigos a repassarem e por sua vez mais dez dos amigos de seus amigos fizerem o mesmo já serão mais de mil pessoas a receber a mensagem. Como é muito comum termos mais que cinquenta amigos e a propagação vai normalmente em profundidades maiores que 3, os números são bem mais impressionantes. Vamos expandir mais três níveis dessa rede mantendo essa proporção de dez amigos que repassam a mensagem. Nesse caso teremos a mensagem atingindo 1 milhão de pessoas!

É por isso que dominar os segredos das redes sociais é um desejo tão cobiçado por marqueteiros, homens de negócios, jornalistas, religiosos, enfim, todos que querem propagar uma mensagem.

O Twitter tem uma característica particular. Por ter restrições do tamanho de sua mensagem (somente 140 caracteres) as mensagens que nele trafegam ou são indicações para textos maiores ou são mensagens curtas que, obviamente, não possuem muita profundidade. Essa característica é determinante, pois faz com que mensagens bem humoradas quase sempre irônicas bem como os clichés dominem o ambiente. Não exigem uma leitura muito criteriosa, nem muita reflexão e por isso acabam sendo repassados (retuitados). Isso pode dar uma falsa impressão de mobilização. Digo falsa, porque muitas vezes não há muita substância de proposta. Reflete somente um estado de espírito. O CALA BOCA GALVAO é um exemplo clássico. Não exigia uma mobilização real. Refletia sim, uma demonstração de insatisfação. Alguns tentaram aproveitar a onda de insatisfação e propuseram um dia sem a Globo. Nesse caso, em que uma real mobilização era necessária (a ação de não assistir a televisão na Globo) o resultado é bem menos satisfatório. Na verdade, os últimos números indicam que a popularidade da Globo nem se mexeu e chegou mesmo a aumentar.

Ou seja, não é tão simples usar a capacidade de mobilização das redes sociais para acabar com a corrupção, para defender a adoção de uma nova matriz energética que emita menos poluentes, para fiscalizar o poder, etc.  São causas que exigem engajamento real e muito mais que uma demonstração de insatisfação que se demonstra com uma repassagem de mensagem. Torço para que avancemos nisso, mas creio que não será só com o Twitter que isso ocorrerá. Acredito ser preciso usar os diversos meios de veiculação de informação de forma combinada para fornecer mais consistência às mobilizações.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

WikiCrimes Social no Ning


criadores do NING (oriundos do Vale do Silício) apostam no fato de que as redes sociais focadas em assuntos específicos vão ser de mais em mais usadas. Essa é, aliás, a mesma aposta que fazemos comWikiMapps.
O NING lançou, há cerca de dois meses, um concurso para o desenvolvimento de mini-aplicativos para serem integrados nas redes sociais criadas na sua plataforma. Decidimos participar. Já tínhamos experiência no desenvolvimento de aplicações para o Orkut e achamos que poderíamos ser competitivos. Esse trabalho ficou sob responsabilidade do mestrando da UNIFOR Carlos Caminha que, em seu trabalho de final de curso, já havia desenvolvido para o Orkut.
Carlos desenvolveu o que passamos a chamar de WikiCrimes Social – um mini-aplicativo onde os usuários de uma rede social podem alertar os amigos de crimes e regiões perigosas com o uso de um mapa.
Ontem tivemos a grata novidade de que  WikiCrimes Social havia sido escolhido vencedor na categoria gestão pública (havia três categorias as quais os competidores podiam se inscrever). Não consigo esconder minha satisfação pela vitória. Soma-se à outras igualmente importantes. Carlos é, sem dúvida, merecedor do prêmio (U$ 3000,00 !!)pelo entusiasmo e dedicação com que vem desenvolvendo suas atividades de pesquisa e de desenvolvimento. Agora, além de seu merecimento, essa vitória é simbólica. Consolida o Laboratório de Engenharia de Conhecimento como um ator reconhecido nacional e internacionalmente no desenvolvimento de inovações. O reconhecimento vem de todo o País como demonstra os convites para palestras e parcerias que temos recebido.
Desde minha volta do pós-doutorado decidi andar em duas vias: a da pesquisa e da inovação. Ser bom em uma dessas coisas já é difícil. Sê-lo nas duas, aqui no Nordeste, e no Ceará então ! Acho que já mostramos o nosso potencial de crescimento. Creio que isso se deve pelo fato de termos encontrado sinergia entre as duas vias. Se alimentam mutuamente e nos ensinam, cada uma delas, a todo momento. Mas, acima de tudo, tenho que mencionar que o fator chave é ter jovens motivados, dedicados e qualificados. Meu trabalho é mantê-los assim e fazê-los acreditar que podem bem mais do que acham que podem. Dá trabalho, mas recompensa.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

E-Gov 2.0 e Inclusão Digital

Continuam proliferando no Brasil políticas de inclusão digital focadas no provimento do acesso à rede mundial de computadores. Já refleti algumas vezes sobre esse tema aqui no blog. Volto ao mesmo, porque mais eu vejo iniciativas de inclusão digital pelo Brasil mais minha opinião sobre a questão amadurece. Definitivamente, não creio que deva ser esse o foco desses programas. Acho-os reducionista. Obviamente não estou a dizer que meios de acesso não são necessários, mas acho que esse processo vai ocorrer naturalmente, aliás, já está a ocorrer. Nos mais longínquos pontos do País há uma Lan House para acesso a rede (Regina Casé na Globo nos mostrou vários desses exemplos). Temo que ao focarmos na disponibilização do acesso percamos de vista que o problema maior refere-se ao uso que queremos dar àqueles que acessam a rede. Em um texto publicado em Junho do ano passado comentei sobre o cuidado que devemos ter com o excessivo entusiasmo de que o acesso a Internet pode trazer melhoria na Educação. Isso vai depender muito de como o Estado vai conseguir levar conteúdo interessante para a escola. Essencialmente vai depender de como os professores serão competentes no manuseio das diferentes ferramentas que podem acrescentar qualidade ao ensino. Esse mesmo raciocínio vale para a inclusão digital de uma forma geral. Basicamente, os internautas de hoje usam a Internet como meio de divertimento e de comunicação. A popularidade de Orkut e de jogos eletrônicos não nos deixa espaço para dúvidas. O provimento de conteúdo com qualidade aos internautas não deve ser objetivo somente dos professores e muito menos somente um problema da Escola. A televisão, no seu surgimento, também era vista como instrumento essencial para melhorar a qualidade do ensino. Tele-cursos e outras modalidades à distância ficaram longe de demonstrar esse poder. Vemos agora com a Internet uma situação parecida. A rede está cada vez mais sendo encarada como um instrumento de lazer. Ser fun (divertido em inglês) é decididamente o que pega. A internet impõe aos produtores de conteúdo esse desafio. O Estado, em especial, como grande produtor de conteúdo que é, também se vê diante do mesmo desafio. Enfim, não basta veicular conteúdo de qualidade, tem que conquistar o público. Um governo que provê serviços de forma eletrônica que aumentem a aproximação com o cidadão, permitam compreender suas demandas e os atendam melhor é um grande passo nessa direção. Agora, isso tudo não deve ser feito dissociado das plataformas dos sites de relacionamento, blogs e outras formas de expressão da Web 2.0. Esse governo eletrônico 2.0, ou e-gov 2.0 é um dos grandes desafios aos profissionais e empresas públicas de informática e o mais relevante papel que o Estado vai poder realizar para fomentar a inclusão digital.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

WikiCrimes no Orkut

Essa semana estamos inaugurando uma das maiores novidades de WikiCrimes desde seu lançamento. Já está a disposição dos usuários do Orkut uma aplicação chamada WikiCrimes Social. Trata-se de uma adaptação da versão original de WikiCrimes mais voltada ao contexto de redes sociais. A idéia básica é dar a possibilidade, aos usuários do Orkut de alertar seus amigos sobre regiões que considera perigosa. Além do alerta, estamos buscando capturar a opinião desses usuários sobre os porquês da periculosidade da área. Um espaço para comentários permite ainda discussões e observações dos amigos sobre a questão. A iniciativa é parte do trabalho de final de curso de Carlos Caminha e que, como todas as nossas iniciativas no grupo de pesquisa da UNIFOR, conta com o auxílio de todos. Nessa semana, começaremos um estudo inédito de como se comportará jovens usuários do Orkut no seu uso de WikiCrimes Social. Serão alunos de nível médio com idade média de 16 anos, de escolas públicas e privadas de Teresina que participarão desse estudo científico em parceria com o curso de Psicologia da Universidade Estadual do Piauí. Vejam abaixo a interface de WikiCrimes no Orkut e não deixem de acessá-lo e divulgar paras seus amigos. Se quiser instalar diretamente WikiCrimes Social no seu Orkut basta clicar aqui.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Critical Mass

Acabei de ler Critical Mass: How one thing leads to another (Massa Crítica: como uma coisa leva a outra) de Philip Ball, que coloco na lista de sugestão de livros ao lado. Foi minha mais recente (e temporariamente a última) leitura dentro da temática “não ficção”, em particular, de livros que falam da emergência das redes, da conectividade de componentes naturais e biológicos e em última instância de como se pode “matematizar”o comportamento social. Como já disse em textos anteriores, encontro aqui uma forte fonte de inspiração para os trabalhos de modelagem da criminalidade e da criação de modelos de simulação com essa finalidade. Outras obras similares a critical mass são Linked, Emergence, The Social Athom e Nexus. Ball faz um apanhado de diversos trabalhos que procuram modelar matematicamente o comportamento humano de forma agregada mesmo considerando que isso pode não ser possível para um indivíduo somente. Em outras palavras, impossível de prever o comportamento de um homem, mas o mesmo não é verdade para milhares deles. A idéia é de identificar padrões baseados na interatividade entre componentes (que no caso social são as pessoas) e que possam ser representados em modelos analíticos. Como já disse no meu comentário sobre o livro The Social Athom aqui, não se trata aqui de encontrar fórmulas matemática gerais analíticas, mas de realizar simulações baseadas em interações de agentes com o objetivo de reproduzir os padrões dos fenômenos a serem estudados. O livro faz uma análise histórica de como os modelos estudados na física, economia e sociologia interagem e, por meio de analogias cruzadas entre essas disciplinas, faz-nos compreender a emergência dessa nova abordagem da ciência social. Algo que podemos chamar de Sociometria. O livro é bem denso e mais completo (no sentido de cobrir um número maior de temas) do que os outros. Seu grande problema é que se deixa levar pelo entusiasmo característico de livros ditos populares de ciência. A sociometria está apenas no seu início e todo entusiasmo dos que nela navegam deve ser visto com muita cautela. De qualquer forma a leitura é muito interessante aos que desejam compreender melhor as diferentes ligações existentes entre conceitos como a teoria do jogos, redes small world, estatística social, simulação de tráfico, leis de potência e transições de fluidos. Trabalhos de pesquisadores como Thomas Schelling, Ilya Prigogine, Brian Arthur, Alan Kirman, Robert Axtell, Joshua Epstein, Robert Axelrod, Paul Omerod, Martin Nowak, Per Bak e Duncan Watts são discutidos. Recomendo.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Ranking de Redes Sociais


O recente levantamento da Compete que descreve as redes sociais mais visitadas no mês de fevereiro de 2008 nos dão uma dimensão do quanto é extraordinária a popularidade desses sites. Para se ter uma idéia, Orkut que é considerado um fenômeno de popularidade no Brasil, só se encontra em décimo-segundo lugar entre os mais visitados. E a diferença é bem significativa como pode ser vista no quadro acima. Outra conclusão que já era sentida pelos pais de adolescentes brasileiros é que a razão entre numero de acessos e de visitantes de Orkut é a maior de todas. Ou seja, o pessoal que visita o site vive nele o tempo todo. Ressalte-se ainda algo não considerado no levantamento de que fevereiro é um mês ímpar para o contexto brasileiro devido ao carnaval. O acesso a web diminui sensivelmente pelo menos durante cinco dias, pois o pessoal decididamente está mias interessado em redes sociais, digamos, menos virtuais. O crescimento de Facebook, que é o único em condições de ameaçar MySpace, foi claramente identificado na pesquisa. Comparado com o mesmo mês de 2007, Facebook cresceu 77% enquanto MySpace estacionou. Agora, o mais surpreendente é o surgimento de Fubar (www.fubar.com) que cresceu 3.272.217% em um ano! (lá se vem mais um milionário americano devido a web). Fubar é um site de redes sociais com uma proposta um pouco diferente. Ele se considera um bar e propaga que é o melhor local para se ter encontros casuais como happy hours e tomar “uma dose” (virtualmente, é claro). A metáfora das bebidas está a todo momento presente na proposta de Fubar. Um rapaz que quiser paquerar pode,por exemplo, “oferecer um drink” a um membro da comunidade que estiver no bar e assim começar um relacionamento. Será que isso pega aqui no Brasil? Pelo menos tem a vantagem de que dá para dirigir depois de ter ido ao bar, tomado todas, e ainda não ter ressaca.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Exemplos de Redes Small World

Continuando no tema que vinha discorrendo no texto anterior, a rede de artistas de cinema, por exemplo, é uma rede Small World, pois a distância que existe entre dois artistas de cinema a partir de filmes que eles atuaram é sempre muito pequena (em média seis conexões). Suponha a título de exemplo que queremos analisar a distância de Lima Duarte a Kevin Bacon (dois atores que aparentemente deveriam estar bem distantes). Poder-se-ia verificar que ele tinha atuado com Sonia Braga que tinha atuado com Robert Redford que atuou com Kevin Bacon (somente três passos). Muitos sites hoje em dia promovem um serviço para encontrar as conexões entre artistas a partir de bancos de dados de filmes e músicas. Vejam, a título de exemplo, em um site da Universidade de Virginia nos EUA, que a distância há entre qualquer artista ao superconectado ator Kevin Bacon (clique aqui para acessar). Descobri em outro site, que Gilberto Gil e Phill Collins, dois cantores aparentemente que não tem muito a ver um com outro, estão conectados por apenas seis links (clique aqui para saber quais são essas conexões e realizar outras consultas em uma base de cantores). Em função de seis ser em média o número de conexões de uma rede Small World, este fenômeno é também conhecido de seis graus de separação (six degree of separation já foi título de filme. Clique aqui para saber mais sobre o filme). Como já disse em texto anterior, não é só no mundo das celebridades artísticas se identifica claramente as redes Small World. Ela está junto de nós. Basta você mesmo que está lendo este blog fazer um pequeno exercício. Quantas conexões lhe separam do Presidente americano George Bush? Você acha que ele está muito longe? Pensem e me digam.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

A Ciência das Redes Explica Porque o Mundo é Pequeno

Um dos livros sugeridos na coluna ao lado, chamado Linked, discorre sobre um dos temas mais fascinantes que tenho estudado recentemente e que alguns pesquisadores têm batizado de ciência das redes. Trata-se de um tema multidisciplinar em que físicos, biólogos, economistas, cientistas de computação e psicólogos dentre outros têm se debruçado. A idéia básica por trás destes estudos refere-se ao fato de que redes tanto naturais (por exemplo, rede de células) como artificiais (como redes de relacionamento entre pessoas) possuem uma forma (dita topologia) padrão. Isso faz como que as mesmas compartilhem várias propriedades dentre as quais o fato de possuírem um diâmetro pequeno (que significa que a distância média entre quaisquer dois pontos da rede não é longa). Outra propriedade importante dessas redes é o fato de possuírem pontos concentradores (hubs) que são largamente conectados. O primeiro a perceber isso foi um psicólogo americano chamado Stanley Milgram que realizou o seguinte experimento. Ele enviou aleatoriamente cartas a diversas residências da cidade de Omaha (no Estado de Nebraska) solicitando que as pessoas as repassassem diretamente a um destinatário em Boston (Estado de Massachussets). Caso a pessoa não conhecesse diretamente o destinatário, ela deveria repassar a carta para alguém com maior probabilidade de fazê-lo. O objetivo de Milgram era saber em quantos passos as cartas chegariam ao destino. Ao final do experimento ele concluiu que em média a carta viajava seis conexões até o destino. Ele assim abriu o campo de pesquisa para se entender as redes Small World (mundo pequeno) que foram como elas passaram a ser conhecidas. A partir de então vários estudos foram sendo feitos com o objetivo de verificar se algumas redes compartilhavam as mesmas propriedades de uma rede Small World. Pesquisas em diferentes domínios foram mostrando que redes tipo small world são mais freqüentes do que se poderia imaginar e que elas estão presentes em contextos naturais como artificiais. A rede de aeroportos mundiais, por exemplo, segue a topologia Small World, pois se pode chegar de qualquer parte do planeta a outro lugar com menos de seis conexões. Na área de saúde, por exemplo, ele permite compreender a velocidade com que vírus se propagam entre pessoas e com epidemias podem ser evitadas. Permite igualmente compreender a estrutura do DNA e de proteínas que parecem se estruturar seguindo a mesma forma. Na UNIFOR estou estudando essas redes em dois contextos diferentes. Estamos verificando como elas podem ajudar a realizar explicações de relacionamentos entre pessoas na web 3.0 e como elas podem ser importantes no contexto das simulações criminais a partir da compreensão de redes de criminosos. Em breve discorrerei mais sobre esses temas.

terça-feira, 8 de maio de 2007

FOAF - Um Formato Padrão de Redes Sociais na Web


Um dos fenômenos que mais me intriga nesses últimos anos é o surgimento das inúmeras redes sociais virtuais na web. Reconheço que custei a perceber a importancia disso. Pensava que era mais uma daquelas modas que, com a mesma rapidez que aparecem, desaparecem. Questionava-me ainda porque as pessoas colocavam tanta informação pessoal na web sem nenhuma preocupação com privacidade. Entretanto, depois de algum tempo em que as mesmas continuam atrativas, devo admitir que já acho que se trata de algo para ficar. Dois aspectos me chamam atenção nesse fenômeno. Primeiro, me parece que as redes sociais virtuais ganharam relevância, pois vieram preencher uma carência de nossa sociedade moderna que nos torna individualistas e solitários. Como a necessidade de fazer parte de uma sociedade é inerente ao ser humano, as redes sociais virtuais foram o instrumento para que isso fosse obtido. Elas permitem ampliar o leque de relacionamentos, pois não requerem que as pessoas estejam fisicamente próximas. Para minha surpresa, a privacidade não parece ser uma preocupação muito grande, principalmente para os jovens. Em segundo lugar observo que as redes sociais virtuais formam uma base de dados incrivelmente rica abrindo possibilidades para inúmeras novas aplicações. Por exemplo, há alguns trabalhos de vanguarda em computação que estudam o desenvolvimento de programas anti-spams com o auxílio de redes sociais. Eles buscam calcular o quão próximo o remetente de um email é de seu recebedor. Essa proximidade seria medida através de navegações nas redes sociais do remetente e do recebedor, o que permitiria calcular um valor de reputação para os envolvidos na comunicação. Não é a toa que todas as grandes empresas de software querem possuir dados sobre redes sociais. Orkut, MySpace, LinkedIn são as mais conhecidas (vejam o mapa ao lado que descobri no blog de Alex Barbosa do Estado de SP descrevendo o tamanho de cada comunidade no mundo). Quero aqui alertar para um perigo: a concentração de poder pela acumulação de dados de redes sociais na mão de algumas grandes empresas. Creio que o antídoto para isto é participar de redes sociais armazenadas em bases de dados com formato padrão e de livre acesso. A melhor iniciativa nesta direção, uma proposta isenta, patrocinada pela comunidade científica de web semântica, é a comunidade FOAF (Friend of a Fried). O site FOAF pode ser acessado aqui . A idéia é que você diga quem são seus amigos, construindo sua rede social, e disponibilizando-a na web, mas em um formato padrão (o formato RDF). Informações como email e telefone podem também ser fornecidas, mas de forma criptografada para não terem seu uso deturpado. Vários programas que ajudam a criar um arquivo FOAF estão sendo disponibilizados na web (veja aqui um deles). Um exemplo a ser seguido é o da comunidade LiveJournal que grava toda a sua rede social em FOAF. Enfim, ao participar de comunidades e redes sociais virtuais, não esqueça que está fornecendo dados pessoais que podem no futuro dar um poder imenso a quem os detém. Sendo assim, se considera que não há prejuízo pessoal em disponibilizar os dados, melhor fazê-lo em formato padrão e aberto para que não estejamos ajudando a construir outras Microsofts.

sábado, 28 de abril de 2007

Ações Concretas para Ajudarmos na Redução do Crime

O recente clamor por paz e redução da violência e criminalidade mostra que a sociedade brasileira está no limite. Sinto que todos estão dispostos a contribuir, mas muitas vezes não sabem como. Normalmente, decidem fazer passeatas nas ruas pedindo paz. São atos simbólicos, mas de muito pouco efeito prático. Tenho escrito que uma das formas de contribuição para a redução da criminalidade está em nosso alcance. Basta mudarmos um pouco nossa postura, por exemplo, deixando de pensar somente em nós mesmos para pensar um pouco mais no coletivo (clique aqui para ver outro texto sobre o assunto). Deixem-me usar um exemplo simples que pode fazer com que um tipo de delito que nos aflige diariamente, o furto em veículos, reduza sensivelmente. Este tipo de delito é uma das coisas que mais aumenta a sensação de insegurança, pois recorrentes casos de furtos de toca-cds, calotas de pneus e outros equipamentos dos veículos deixam-nos com a sensação de que o crime está em todo o canto. Como podemos agir para combater esse crime? Simples. Não comprando equipamentos ou peças em locais que reconhecidamente fazem o tráfico dos produtos ilegais. Deixemos de comprar em comerciantes duvidosos, em feiras onde reconhecidamente se vende produtos piratas, enfim em lugares onde não se emite nota fiscal e onde não se pode garantir a boa procedência do produto. Se fizéssemos isso em conjunto esses furtos diminuiriam sensivelmente, pois eles só ocorrem porque há quem compre os produtos furtados. Somos nós mesmos que alimentamos o sistema. Eu sei bem que este tipo de discurso pode provocar logo o ceticismo de alguns: e se somente eu fizer isso? Isso não vai adiantar nada, pois meu colega do lado não faz e acabo tendo o prejuízo sozinho! Mas é exatamente esse tipo de raciocínio vicioso que temos que quebrar. Ele embute o sentimento de querer levar vantagem em tudo e de não acreditar que um comportamento coletivo correto pode emergir de uma ação individual. Outros mais céticos poderiam dizer: mas furto a carro é algo sem importância. Não resolve o problema da violência em geral. Isso é verdade em parte, mas lembremos-nos daqueles que morreram em latrocínios que ocorreram em situações ridiculamente sem sentido, como em uma simples tentativa de furto da capa de toca-cd em que o dono do carro surpreendeu o criminoso. Acredito muito que ações individuais e a propagação das mesmas em uma rede podem fazer a grande diferença. Trata-se de fazer algo e divulgar para o amigo que faça o mesmo. É incrível como o efeito corrente pode fazer a diferença. O exemplo do furto em veiculo é emblemático, mas serve para muitas outras coisas como o tráfico de drogas, de cargas comerciais roubadas, etc. Alimentamos um sistema que estimula o crime e fazemos isso muitas vezes sem perceber que estamos errando ou por não perceber as conseqüências de nossos atos. Pensemos nisso e acima de tudo, comecemos a agir.

sábado, 27 de janeiro de 2007

A Relação da Academia com a Sociedade

Um aspecto que me atrai particularmente na sociedade americana, que já tinha observado na sociedade francesa quando vivi quatro anos durante o doutorado, é que ela tem uma clara percepção da importância da pesquisa científica no bem estar da sociedade. Ser um pesquisador ou professor universitário que desenvolve pesquisa é uma profissão extremamente reconhecida. O cidadão comum tem uma percepção de que a ciência tem um papel importante na vida dele e na vida dos seus filhos. Mesmo se essa percepção é superficial e não há conhecimento profundo sobre os meandros do conhecimento cientifico, há reconhecimento. Presenciei várias iniciativas de jornadas “portas abertas”, onde a universidade convida a sociedade para conhecer o que ela está fazendo. Normalmente é um dia em que os pesquisadores e professores demonstram seus trabalhos e explicam o que estão fazendo para as pessoas “comuns”. O mais interessante é que eles conseguem explicar os assuntos os mais diversos e complexos de forma didática e divertida. As crianças adoram. É emocionante! Evidentemente que este não é o único fator para criar o reconhecimento, mas acho emblemático.