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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Cidades Alegres e Motivadas

Quando escrevo e palestro sobre cidades inteligentes gosto sempre de enfatizar que cabe ao poder público criar um ambiente que motive a participação dos cidadãos na solução de seus problemas cotidianos. Uma das formas de fazer isso tem sido investigada no que vem sido chamada de " The Fun Theory"(algo como Teoria do Divertido).

Trata-se de uma iniciativa, originalmente patrocinada pela VW, para fomentar a inovação através de ideias que façam apelo ao divertido e lúdico para resolver problemas de mobilidade urbana. É algo que converge também com a onda atual de gamification que estamos tanto vendo na Web onde se busca criar situações de competição típica de jogos nos mais diferentes contextos.

Vejam dois exemplos nos vídeos abaixo para entender melhor do que se trata. A primeira ideia é simples. O valor da multa dos que foram flagrados pelos fotosensores em um certo local é acumulado em um bolão para ser sorteado por aqueles que passaram nos mesmos locais sem serem multados. A ideia vem sendo testada em  Stockholm na Suécia.

O outro vídeo mostra uma forma também simples para motivar a reciclagem de garrafas de vidro. Descubram.




terça-feira, 20 de março de 2012

Janelas e Calçadas Quebradas

Abaixo reproduzo artigo meu publicado no O Povo de hoje, coluna Opinião, que dedico a meu pai, um frequentador assíduo do centro da cidade de Fortaleza e que sofre há anos com as calçadas de lá.


Semana passada, o cientista político James Wilson, 80, autor juntamente com George Kelling de artigo em 1982 que lançou a teoria das janelas quebradas, faleceu. Impossível lembrar de Wilson e Kelling sem lembrar dos problemas urbanos verificados em Fortaleza. Em particular da questão da ocupação irregular das calçadas, fato evidenciado pelo mapa construído pelos internautas aqui no O Povo.
 Wilson e Kelling sugeriram que a ordem pública é frágil e se não se conserta a primeira janela quebrada, logo as outras também estarão quebradas. Para eles, em termos comunitários, desordem e crime são coisas que se desenvolvem como consequência um do outro. Eles enfatizaram que as janelas não são quebradas porque os cidadãos que vivem na comunidade são inerentemente, digamos quebradores-de-janela. Isso ocorre porque cria-se o sentimento de que é coisa de ninguém. Como não há quem se importe, não há custo em quebra-las (na verdade é até divertido, os jovens que o digam!). Ou seja, o negócio é não deixar o efeito dominó acontecer.
 Uma das declarações mais emblemáticas feitas por Wilson diz que “A Segurança Pública tem que proteger a comunidade tanto quanto os indivíduos. Nossos trabalhos de vitimização e estatística medem somente as perdas individuais, mas não medem as perdas coletivas.” Da mesma forma que médicos devem tratar da saúde como um todo do que simplesmente da doença específica, todos nós devemos reconhecer a importância de manter intactos comunidades sem janelas quebradas.
 Todos os casos de sucesso de políticas públicas nos EUA e mesmo fora dele, desde então, levam em contas as premissas dessa teoria. Será que conseguiríamos aplica-las aqui em Fortaleza? Para começar, seria possível ter alguma ordem nas calçadas do centro da cidade que forma que os cidadãos nelas pudessem andar? A Segurança Pública agradeceria com certeza.

sábado, 10 de março de 2012

Seminários Valor Econômico

Estarei, no final do mês (28/03) , em São Paulo para palestrar e debater no seminário promovido pela revista Valor econômico sobre o futuro das megacidades. Em particular, vou participar de um painel sobre "O avanço das cidades inteligentes como legado da Copa 2014". Será uma ótima oportunidade para falar de governo aberto, participação cidadã e tudo mais que está ao redor e que tem motivado algumas de minhas pesquisas. Estejam convidados. Para maiores informações o site do evento (ainda em formação) está aqui.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Cidades Inteligentes

Um exemplo interessante de uso de sensores para otimizar recursos públicos em cidades é este entre a empresa Trimble especializada no desenvolvimento de aplicações de localização via GPS e a Irlandesa Smartbin especializada em desenvolvimento de software e hardware de sensores eletrônicos.

Elas uniram suas expertises e fizeram um sistema completo de apoio logístico que usa sensores dentro dos containers de lixo e entulhos para saber o nível dos mesmos e assim otimizar a rota dos caminhões de coleta. Além dos sensores, os containers também contem GPS o que permite saber onde eles estão e assim calcular rotas até o seu destino. Um módulo que roda no celular e no computador da frota de caminhão permite, por exemplo, computar as rotas dinamicamente durante o dia de coleta.

Esse sistema é o que vem sendo exaustivamente chamado de cidades inteligentes. A nova cidade de Songdo na Coréia é talvez o projeto mais arrojado de uma cidade inteligente criada do zero. Seu funcionamento é previsto para 2015. Deve ter sensores distribuídos por toda a infraestrutura de  transporte, iluminação e coleta de lixo. Além disso, ela é toda projetada dentro dos princípios de sustentabilidade e assim emitir um terço de gases de uma típica metrópole de mesmo tamanho (previsão é de 300 mil pessoas).

Todo o projeto de Songdo foi adotado e em grande parte patrocinado pela Cisco. A empresa californiana acredita que a cidade será capaz de definir padrões e odelos a serem adotados em outras cidades. A aposta é arrojada e repetida pelas grandes da área de TIC no mundo. A IBM, por exemplo, vem desenvolvendo seu projeto, ainda mais ambicioso, de planeta inteligente já há algum tempo. Veja aqui alguns exemplos de projetos implementados pela Big Blue nesta direção.  A IBM não esperou a tecnologia de sensores estar amadurecida para lançar seus projeto. Ela acredita que os governos, atualmente, já têm muitos dados à disposição, não conseguem é explora-los.

Isso eu concordo perfeitamente. Só acho que a melhor forma de uma cidade virar inteligente é abrindo esses dados e não contratando uma plataforma privada para explora-los. A razão de meu argumento é muito simples. Não creio que uma cidade inteligente se resuma à questão tecnológica, mas de pessoas competentes para explorar os dados. Por essa ótica, internalizar tecnologia em governos para explorar dados pode se tornar somente custo.


quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

História Urbana

Felizmente, muito se tem falado atualmente sobre a necessidade de uma política de ocupação do solo e de ordenamento do espaço urbano em Fortaleza que vem sofrendo há anos com essa carência. Infelizmente as ações públicas e da iniciativa privada demonstram uma enorme miopia para um aspecto que considero essencial: o respeito à história urbana. Estamos sempre derrubando prédios e construindo tudo de novo (de preferência arranha-céus em estilo “moderno” envidraçado). Em minha última viagem a Portugal tive a oportunidade de presenciar uma obra de engenharia civil que exemplifica o tratamento por eles dado a essa questão. A foto abaixo ilustra o que quero descrever. Veja que a fachada da obra é a de um prédio velho, mas que deverá ser mantido. Dentro há um enorme espaço oco, indicando que a obra vai ser de reforma total. Exceto na fachada. Não é a toa que as cidades européias mantêm um estilo próprio e representativo de suas ricas histórias. Lisboa, em particular, é um exemplo que deveríamos seguir. Vejam que temos, aqui mesmo em Fortaleza, exemplos de como vale a pena conservar e restaurar nossos prédios, como o caso dos prédios da Secretaria da Fazenda do Estado e alguns outros nos arredores da Praia de Iracema, mas eles não parecem ser suficientes para a formulação de políticas públicas mais incisivas. Lamentável.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Dê Carona Pela Web

Escrevo muito frequentemente sobre como a Web pode criar mecanismos de compartilhamento de opiniões, costumes e está mesmo a modificar o comportamento das pessoas. O site Pickuppal é um exemplo disso (pick up pal é uma expressão inglesa para dizer algo como carona para amigos). A idéia é simples, mas bem eficiente. Busca ligar condutores de veículos com passageiros e assim promover e facilitar caronas. Nas principais auto-estradas dos EUA e Canadá há sempre uma via destinada exclusivamente para veículos com pelo menos duas pessoas. É uma medida de incentivo à redução da emissão de poluentes e à diminuição do tráfego. O site pickuppal permite pessoas formarem uma comunidade (ou mesmo aqueles que já fazem parte de uma) afim de que comuniquem rotas e horário dessas rotas aos membros da comunidade de forma a compartilharem horários nos carros. Isso funcionaria por aqui?