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sábado, 12 de julho de 2014

Auto-engano


Eduardo Giannetti escreveu um livro de título Auto-engano. Trata-se de refletir sobre a hábito humano de mentir para si mesmo o tempo todo.  Vejam abaixo o que é dito no resumo do livro

Mentimos para nós o tempo todo: adiantamos o despertador para não perder a hora, acreditamos nas juras da pessoa amada, só levamos realmente a sério os argumentos que sustentam nossas crenças. Além disso, temos a nosso próprio respeito uma opinião que quase nunca coincide com a extensão de nossos defeitos e qualidades. Sem o auto-engano, a vida seria excessivamente dolorosa e desprovida de encanto. Abandonados a ele, entretanto, perdemos a dimensão que nos reúne às outras pessoas e possibilita a convivência social.
Nos últimos dias, com a derrota da Seleção, lembrei-me com frequencia desse termo. Recebo diariamente textos que relacionam a derrota brasileira com todo tipo de mazela de nossa sociedade e do nosso País. Dizem, em geral, que a derrota brasileira é reflexo de nossa sociedade pobre de valores pautado no trabalho, na honestidade e coisa e tal.

Neles(nos textos) é patente o auto-engano.  É incrível como as pessoas que bradam só vêem o problema nos outros. Dito de outra forma a la Giannetti "temos a nosso próprio respeito uma opinião que nunca coincide com a extensão de nossos defeitos".

Descobrimos que o País precisa de educação embora não percebamos a nossa própria falta de educação em atos simples do dia a dia, percebemos que o Brasil precisa de honestidade, sem conseguir perceber nossas práticas habitualmente desonestas, percebemos que o País precisa de comportamento cívico e social, como se nossos hábitos deletérios e danosos à vida comunitária não existissem e assim adiante.

Esse festival de auto-engano é talvez um dos primeiros problemas a resolver para que possamos ter um País diferente. Seremos capazes de perceber e mudar?


quarta-feira, 25 de junho de 2014

Minha História em Medalhas

As fotos abaixo são de como ficaram os dois quadros que emolduram as medalhas que conquistei na minha vida de esportista. São 61 medalhas que agora estão em lugar de destaque no escritório de minha casa. A maioria delas referentes a campeonatos de basquete, embora haja uma variedade razoável.

As medalhas contam um pouco de minha trajetória e valem meu orgulho. Alguns momentos memoráveis em competições nacionais e estaduais. Confesso aqui no entanto que o que mais me motivou a preparar os quadros e a escrever esse texto foi o fato de que elas só existem ainda, porque meu pai as guardou durante esses cerca de 40 anos.

Nunca fui muito ligado em colecioná-las. Durante um certo tempo, lembro que tinha receio de que parecesse esnobe. Depois, com o passar do tempo, esse descaso foi mesmo fruto de minha ignorância histórico-cultural. Dias atrás, quando as vi na casa de meu pai, caiu a ficha. Era um pouco de minha história. Conquistadas, literalmente, com meu suor.  

Meu pai teve a sabedoria e a paciência de guarda-las. Creio que ele sabia que minha ignorância havia de ser passageira. Este post é assim uma forma de agradece-lo pela guarda e pelo ensinamento.



quarta-feira, 16 de abril de 2014

Esses Filmes Despretensiosos que me Conquistam



Percebo que alguns filmes que nem estão cotados como top podem me tocar de forma marcante. Fiquei pensando se poderia descrever o que então caracterizaria esse meu gosto. São filmes despretensiosos a princípio, mas que, vão gradativamente me surpreendendo. Possuem quase sempre uma temática relacionada às minhas pesquisas sobre o impacto da tecnologia na vida das pessoas. Dois exemplos que merecem menção: Julie e Julia e, mais recentemente, A Vida Secreta de Walter Mitty.

Julie e Julia  retrata a vida de Julia Child, autora de livros de culinária e uma das pioneiras a explorar o tema da gastronomia e das receitas culinárias na televisão norte-americana e de Julie Powell uma tele-atendente do ramo de seguros que decide escrever um blog sobre o principal livro de Julia. A vida das duas protagonistas é descrita de forma intercalada.

O filme me encantou porque retrata de forma leve e descompromissada as diferenças do mundo da comunicação do final do século XX para o mundo deste início de século. O filme apresenta conceitos chave da economia digital de nossos dias. Em especial, ele exemplifica ainda o que significa  cognitive surplus e remix.

Cognitive Surplus foi lançado por Clay Shirky em sua palestra na Conferência Web 2.0 em San Francisco. Ele acredita que as pessoas vão cada vez mais usar o tempo que têm disponível para realizar atividades que lhe interessam “cognitivamente”, i.e. que lhes acrescentem conhecimento, cultura ou meramente prazer. Julie, no filme, faz exatamente isso. Precisa se realizar, o que o trabalho rotineiro decididamente não lhe permite, e para isto resolve escrever um blog.

O segundo conceito, o de Remix, foi lançado por Lawrence Lessig em seu livro de mesmo nome . Lessig é um advogado que em seu livro desconstrói o conceito de direitos autorais (copyright) tal como ele é hoje. Ele advoga por uma reformulação das idéias de base do conceito e um de seus argumentos repousa na, cada vez mais  frequente, capacidade das pessoas de renovar (remixar?) produtos com diferentes abordagens, apelos e normalmente em uma mídia digital. 

No filme, Julie, em seu blog, faz exatamente isso. Ela explora o livro de Julia e tenta reproduzir as receitas lá descritas. É uma espécie de revisitação das receitas e dos desafios de reproduzi-las. Não quero descrever todo o filme, mas basta salientar que as diferenças do sistema de marketing e publicidade dos trabalhos das duas também está presente no filme. Mesmo para os que não estão muito afeitos à tecnologia, recomendo o filme mesmo que somente pela versátil atuação de Meryl Streep ao interpretar Julia.

A Vida Secreta de Walter Mitty me conquistou mais ainda. Trata-se de um remake do Homem de oito vidas  produzido em 1947 com Danny Kaye e Virginia Mayo. A nova versão produzida pelo filho do produtor da versão original Samuel Goldwin Jr. tem Ben Stiler como diretor e ele mesmo atua como Walter Mitty. Walter é um sujeito sonhador e  responsável pelo departamento de arquivo e revelação da tradicional revista Life. A revista  deixará de ter uma versão impressa para ter apenas conteúdo online e aí começa uma história com enredo divertido e com dois aspectos que me chamaram fortemente a atenção.

Novamente vem à tona os impactos provocados pela Era Digital. Walter está em vias de ser despedido, muito embora tenha trabalhado com afinco para a Empresa durante longos anos, simplesmente porque sua função, a de revelar fotografias, deixará de existir. Aliás, quem no futuro conhecerá alguém que revelava fotografias?

Outro fato revelador (com o perdão do trocadilho) dessa nossa Era é a relação de Walter com um atendente da e-harmony, um site destinado a encontrar namorados(as). Walter, por ser alguém de vida simples e pacata, tem um perfil muito pouco atrativo. Nesses nossos dias de superexposição midiática, redes sociais e etc. estamos a todo momento buscando nosso momento de celebridade. Um artigo no Facebook contando nossas aventuras e que recebe vários curtir é uma massagem forte no ego, não? Walter, no entanto, tem pouca possibilidade de contar algo a ser curtido, a ser invejado, a ser compartilhado. Ele tem tão pouco a contar, é, por isso, pouco atraente (so boring)

Mas por que não contar seus sonhos? Eles lhe parecem tão reais! Aliás, mesmo para o espectador é difícil distinguir o que é sonho e o que é realidade na vida de Walter. Aqui para nós, mentir em perfis virtual não é nada muito extraordinários, não? Pesquisas sobre a veracidade do que se diz em sites de encontros e namoros mostram que as pessoas tendem a ser bem benevolentes consigo mesmas. As pessoas são sempre “um pouquinho” mais bonitas, inteligentes, despojadas, enfim, são aquilo que querem ser. Walter conseguiu isso?

Sem querer contar mais sobre o filme, não posso, no entanto, deixar de mencionar os efeitos visuais, os cenários e a fotografia que formam outros grandes méritos do filme.

Para finalizar, não poderia deixar de escrever sobre a ótima trilha sonora, em especial, a mixagem feita em Space Oddity do grande David Bowie (já havia postado outra ótima dele aqui) com a própria atriz Kristen Wiig. Escutem-na abaixo e tenham também uma breve ideia da belíssima fotografia.

terça-feira, 8 de abril de 2014

terça-feira, 25 de março de 2014

Fortaleza também NÃO é a sétima cidade mais violenta do mundo

Alguns me perguntaram sobre o que achei da pesquisa da ONG mexicana veiculada recentemente no Fantástico. Há um ano, tinha escrito no Blog sobre o ranking de criminalidade da referida ONG. Ele já indicava a posição crítica de Fortaleza (dizia que era a 13a. mais violenta do mundo). Veja aqui o que escrevi na ocasião. Em resumo, tinha exposto os erros da pesquisa e da veiculação acrítica feita pelo O Povo. Um ano depois os erros da pesquisa e da forma como foi exposta, desta feita pela Globo, persistem.

Enfim, tanto a pesquisa como a matéria do Fantástico são imprecisas, mas o fato é que a sensação de insegurança chegou a um nível que tornou a discussão técnica um detalhe. Detalhe este que os fortalezenses não estão nem mais interessados em discutir.

Tudo isso é lamentável. Mostra um estado de descrença e de indignação que não me parece levar a nenhuma medida efetivamente positiva. As manifestações nas redes sociais e por vezes dos cidadãos nas ruas estão cheias de clichés e soluções mágicas que servem mais para demonstrar nossos preconceitos do que outra coisa.

Queria muito que toda essa indignação pudesse nos levar para uma pauta concreta de melhorias no setor. Vamos ver se isso ocorrerá no debate eleitoral que se aproxima. Confesso que não estou muito confiante.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

WikiCrimes na Info Exame

Essa semana a Exame Info fez uma matéria sobre aplicativos que mapeiam crime em celular. WikiCrimes foi lembrado. Veja-a aqui.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Uma Enciclopédia para profissionais e estudiosos em Segurança Pública

A Springer acaba de lançar a Enciclopédia de Criminologia e Justiça Criminal (Encyclopedia of Criminology and Criminal Justice). Acesse-a aqui. Trata-se de uma enorme obra que visa ser referência nos temas em questão e servir de consulta a acadêmicos e práticos que trabalham na área de Segurança Pública em geral. O capítulo que fala de Simulação como ferramenta para planejamento policial (Simulation as Tool for Police Planning) foi de minha autoria e resume um pouco de minhas pesquisas na área de simulação de crime. Acesse-o aqui.




sábado, 7 de dezembro de 2013

Museu Perot de Ciência e da Natureza em Dallas


A passagem por Dallas permitiu que eu conhecesse mais um Museu de Ciência, o Perot Museum. Trata-se de diversão que naturalmente já tenho sempre que possuo oportunidades em viagens. Agora que estamos na CITINOVA começando a projetar um museu nesse estilo para Fortaleza, minha visita foi ainda mais especial.

O Museu foi inaugurado em 2013. Está com cheiro de novo! O prédio de seis andares(vejam foto abaixo) é belíssimo e está anexo a uma pequena floresta que faz parte do museu. Como a grande maioria dos museus americanos foi uma obra feita a partir de doações. A família Perot foi a principal doadora, mas se vê espaços patrocinados pela DELL, Texas Instruments e outras grandes multinacionais.

O conteúdo é riquíssimo como tudo mais. Vários experimentos interativos tornam a visita um deleite. As crianças têm oportunidade de correr, brincar, participar de jogos e de competições com cunho educador.

Os cinco andares de exposição ( o sexto andar é de adm) são :
-1 : Esportes, Espaço Criança e auditórios;
0 : Entrada e exibições especiais;
1: Vida, Ser Humano e Engenharia e Inovação;
2: Terra, Energia, Germes e Minerais;
3: Universo, Vida “now and then”, Pássaros.

Em todos os andares há vários experimentos interativos que são educativos. O uso de tecnologia é intenso. Muitas experiências interativas usam câmeras de captura de movimento para que os gestos do visitante se reproduzam em uma tela. Por exemplo, simulei o voo de um pássaro em um equipamento assim. Vejam o vídeo abaixo para entender como funciona.

No espaço esporte encontrei mais experimentos interativos sobre temas diversos. Há, por exemplo, uma raia de corrida com um telão adjacente à mesma onde o visitante pode comparar sua velocidade com animais como o Leopardo, o Tiranossauro ou uma Baleia. Pode ainda se comparar com atletas profissionais de alto rendimento. Os competidores virtuais fazem o percurso no telão. 

Nesse mesmo espaço minha imagem chutando uma bola de futebol e passando uma bola de basquete foi capturada. Pode-se depois disso comparar as imagens com a de profissionais. Tudo isso em super slow motion o que dá um efeito muito legal (vejam o vídeo abaixo).

Minha visita ocorreu na segunda-feira. Muitas crianças acompanhadas por pais ou avôs estavam presentes. Fortaleci a convicção de que um museu como o Perot tem um impacto importante na vida de uma criança/jovem que o visita. Vê-se por suas feições o entusiasmo pela descoberta que a participação em cada experimento causa.

A carência brasileira em museus, em especial os de ciência, simboliza nosso atraso em termos educacionais. Cabe-nos combate-lo.

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                                                    Fachada principal do Museu

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Inovar sim, mas por quanto tempo?


Em passagem por Dallas, na ida para a Costa Rica participar do Clihc 2013, aluguei um carro. A Dollar Rent-a-car tinha o melhor custo-benefício. Como habitualmente faço, solicitei que o carro viesse com GPS. Desta feita, carregava uma dúvida, pois sabia que se ativasse um chip pre-pago no meu celular poderia usar o GPS do próprio. Mantive-me conservador e solicitei o GPS assim mesmo.

Qual foi minha surpresa quando recebi o carro com um Galaxy II Note da Samsung com chip que me permitia ligar para o Brasil, acessar Internet 4G e com GPS a U$ 19,00 diários. Ou seja, a Dollar ao invés de usar os “inovadores” (até bem pouco tempo) receptors tipo Garmin e Tom Tom decidiu mudar de plataforma. Foi uma sacada genial.

O Galaxy se tornou bem mais do que um simples GPS para mim. COnfigurei-o para que se tornasse meu roteador de 4G e nem no hotel precisei pagar Internet. Um roteador móvel para acesso Web do computador e de meu iPhone. 

Essa estratégia da Dollar provavelmente será seguida por todas as locadoras de carro (se já não estiver ocorrendo). Um tiro de misericórdia nos fabricantes de receptores de GPS. Ainda parecia ser um nicho que eles explorariam. Não demorará mais nada.

Vejam abaixo o que encontrei pelo Google no site da própria Dollar. Uma notícia falando da inovação de usar receptors GPS em todos os seus carros alugados. Isso foi em 2005. Oito anos atrás. A vida das inovações está cada vez mais curta.





terça-feira, 26 de novembro de 2013

Gestão do Conhecimento 2.0

Estive na tarde de hoje palestrando no Tribunal de Justiça do Estado do Ceará sobre Gestão do Conhecimento. Decidi falar do que considero ser o futuro do tema e que batizei de gestão do conhecimento 2.0 (em analogia a Web 2.0 e governo 2.0). Os slides apresentados estão abaixo. Caso tenham maiores questões, digam-me.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Cidades Mais Inteligentes

A era digital que vivemos é pródiga em siglas, slogans e termos que acabam caindo no uso popular (e.g. bits e bytes). Um dos mais recentes é o conceito de cidade inteligente (Smart City).  Não seria difícil obter o consenso de que uma cidade inteligente deve ser sustentável, segura, inclusiva, fácil de se locomover, propensa à criatividade e à inovação, enfim, facetas que, de uma forma ou de outra, caracterizam um local bom para se viver.

Qualquer que seja a faceta a ser considerada, um nutriente fundamental para alimentar uma cidade inteligente é informação de qualidade.  Cotidianamente, uma avalanche de dados é coletada e armazenada digitalmente, em especial pelos governos. Explorar esses dados para produzir informação útil  é, no entanto, tarefa de toda uma sociedade e não exclusivamente de governos. Para isso há uma mudança cultural que precisa ser implantada, pois ainda prevalece nos governos a prática de guardar dados e monopolizar seu uso.  

Uma política de dados abertos governamental com ênfase na transparência dos dados é infraestrutura para o desenvolvimento de uma cidade mais inteligente. Cidades inteligentes usam, por exemplo, informações sobre tráfego de veículos para auxiliar os cidadãos sobre que rota ou que meio de transporte tomar e assim serem mais racionais no uso do recurso escasso não renovável. Para que isso seja possível as informações sobre tráfego devem estar disponíveis de forma que empresas, jornalistas, autônomos, cientistas, estudantes, enfim, empreendedores de uma forma geral possam criar serviços a serem usados por todos.

A decisão da Prefeitura de Fortaleza de lançar em breve um portal de dados abertos da cidade visa colocar Fortaleza nesse diapasão. O portal irá inicialmente apresentar dados digitalizados da cartografia da cidade e de suas diferentes camadas de informações como pontos de coleta de lixo, iluminação pública, rotas de ônibus e semáforos. Um caminho que somente começa a ser trilhado, deve envolver todos os órgãos que fazem a administração municipal, mas que precisa ser pavimentado com o apoio da sociedade para que seja um caminho sem volta.

*artigo publicado no Jornal O Povo de terça-feira 29/10


sábado, 2 de novembro de 2013

Presidente da Obra

Só quem está construindo ou construiu uma casa consegue entender na sua plenitude essa publicidade maravilhosa da Tigre. Não são poucas as vezes que me vejo refém dos "Presidentes da Obra". Uma experiência digna de Ariano Suassuna "Ruim de viver, bom de contar". Para os que não conhecem a publicidade, sigam-na abaixo.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O Poder de um Photoshop

Nesses dias em que a exposição nas redes sociais é cada vez mais frequente e determinante na busca de um companheiro(a), é mais importante um Photoshop ou um personal trainer? Veja o video abaixo antes de responder.

domingo, 20 de outubro de 2013

A Barra está pesando no Facebook


O debate sobre Segurança Pública nas redes sociais (se é que podemos dizer que as opiniões lá expressas configuram um debate)  têm me preocupado. Se por um lado, vejo com entusiasmo a possibilidade da sociedade expressar sua indignação e cobrar providências, por outro lado vejo como as opiniões tendem a buscar soluções simples para um problema complexo e que vêm sempre carregadas de preconceito e falta de visão sobre a questão.

Não culpo as pessoas pelo desconhecimento sobre como solucionar os problemas. Segurança ideal é aquela que se tem sem precisar de polícia ou mesmo nem pensar em “segurança”. É viver despreocupado. É algo que se quer e não se quer nem pensar como conseguir. É como juiz de futebol: bom é quando o jogo acaba e ninguém nem percebe que ele existia. É querer demais que a sociedade tenha soluções técnicas para uma coisa que não se quer nem pensar que existe.

No entanto, como tenho estudado um pouco o assunto e vivi o contexto (muito embora, não tão à fundo como um policial que atua no dia-a-dia), não espere de mim apoio à soluções prontas, muito menos à soluções pautadas em repressão desmesurada suportada por chavões tipo “bandido bom, é bandido morto”.

Já escrevi sobre soluções e diagnósticos e quem quiser se aprofundar sobre o que penso pode ler aqui, aqui e aqui. Em especial, no final de 2007, escrevi essa retrospectiva do ano que faz referencias para textos sobre segurança e que estão bem atuais. Dado a recorrente popularidade do tema, vou buscar resumir nesse texto alguns dos pontos que considero essencial para ver se contribuo em colocar o debate em uma boa direção.

A primeira coisa é que não se faz uma política de segurança baseada somente na repressão ou somente baseada na prevenção. Não existe e  nem pode existir exclusividade entre essas coisas. Não são coisas conflitantes. Portanto quando se fala em atacar causas sociais, não se pode achar que se esteja falando em deixar um bandido profissional livre porque ele teve uma vida difícil ou sem oportunidades. Nem se pode pensar que é somente algo a longo prazo que só vai dar resultado quando o brasileiro for educado e tiver boa renda. Por outro lado, é completamente absurdo dizer que uma criança de 11 anos de idade que esfaqueia alguém não pode ser cuidada, tratada e reintegrada à sociedade.

Então é bom separar as duas coisas. Há causas da insegurança que devem ser atacadas pelo ponto de vista social e há outras que devem ser atacadas pelo ação rigorosa dos agentes da lei. Isso é de uma obviedade sem tamanho, mas é preciso ser dito e redito, porque é frequente a confusão que as pessoas fazem entre esses contextos. Aliás, nos dias atuais, há ainda outra coisa que complica muito esse contexto que são as manifestações de protesto, black blocs e similares. Não vou nem ousar complicar muito.

Sobre o aspecto social, vale a pensa ressaltar que há muitos exemplos no mundo, de lugares tão díspares como Colômbia ou EUA, que ações preventivas em áreas abandonadas pelo Estado, em especial focadas na juventude, voltadas a arte, esporte, qualificação profissional e oportunidade de trabalho dão resultado muito mais rápido do que poderíamos pensar.

Sobre o aspecto repressivo (onde as opiniões milagrosas e pré-fabricadas mais se situam), deve-se compreender que Polícia boa é aquela que age de acordo com a lei. A firmeza da ação policial não pode nunca ser confundida com arbitrariedade. Temos que buscar qualificação e temos que enfatizar o respeito às leis pelos agentes de segurança. Talvez atacar a qualificação da polícia seja até mais a longo prazo do que realizar ações preventivas pontuais em áreas desprotegidas.

Para não me alongar muito, sugiro mais cautela nas soluções. Se acham que vale a pena ficar vibrando porque um policial matou alguém durante um assalto e dizendo palavras de apoio à violência arbitrária, lembrem-se do último aspecto que desejo enfatizar nesse meu resumo. Segurança pública é todo um sistema e que não exclui o Ministério Público e a Justiça. Esse sistema judiciário com todo seu aparato (advogados de acusação, de defesa, juízes, etc.) ainda comete falhas em seus julgamentos, imaginem se decidirmos dar o poder de decisão de quem deve viver ou não a cerca de 20.000 policiais (números cearenses) com qualificação totalmente inadequada para tomar tais decisões.

Para terminar, não me surpreende que programas televisivos policiais explorem com tanto entusiasmo esse sentimento humano de “ver sangue”. O sensacionalismo sempre vendeu e nesses dias de liberdade de expressão de uma democracia jovem nunca vendeu tanto. Se quisermos transformar o Facebook em mais um desses veículos, digo logo que estou fora. Desligar o canal é fácil, é só barrar a amizade. 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Old Uncle in the Basket

Muito bom esse vídeo da Pepsi em que um atleta da NBA se fantasia de um velho "Uncle" e esnoba os jovens na quadra. Nada mais que 27 milhões de views no you tube (quando acessei). Ri muito quando "Uncle Drew" fala que esses jovens de hoje só têm mesmo esses tênis luminosos. Um regalo para os saudosos do Converse All Star de pano, meu primeiro tênis de basket (e de muitos da minha geração). Viva a nostalgia !!!