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domingo, 22 de setembro de 2013

WikiCrimes vai bem, obrigado!

Tenho recebido várias perguntas de pessoas que conhecem WikiCrimes e acompanham o desenvolvimento do projeto desde seu nascedouro. As perguntas referem-se às iniciativas similares que surgiram recentemente como BOColetivo e Ondefuiroubado. Perguntam-me se WikiCrimes ainda existe, se WikiCrimes é similar a essas iniciativas e coisas do gênero. Respondo sem hesitar: WikiCrimes vai muito bem. Sua missão é ser o repositório mundial de registros de crimes. Um objetivo ambicioso, mas que não se pode ter a inocencia de que pode ser atingido da noite para o dia. As estratégias que temos são as mais diversas. Desde a participação individual até a coleta de dados que estão dispostos em outros sites. Aliás, dados desses sites mais recentes já estão sendo coletados para WikiCrimes.

Só para exemplificar a constante dinâmica de WikiCrimes, recentemente pessoas em Curaçao (pequena ilha no Caribe) descobriram WikiCrimes e passaram a registrar. Quase na mesma época em Rio Grande, perto de Pelotas, aconteceu o mesmo. Vejam abaixo as fotos que tirei do mapa desses dois lugares. Renovo assim o convite: Venham participar! Compartilhe informações sobre onde ocorrem crimes e ajudem a sua comunidade.

Lembrando que se você é programador, WikiCrimes é open source (procure o código no GITHUB) e procura sempre colaboradores. Não há nenhuma motivação financeira no projeto que se sustenta basicamente com verbas de pesquisa e com apoio de colaboradores.

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sábado, 13 de julho de 2013

Apavorado ou não, use WikiCrimes


Nos dias de hoje, vendo surgir e acompanhando em Fortaleza os movimentos em redes sociais como “Fortaleza Apavorada” e “Fortaleza Sem Medo”  percebo a riqueza dos mesmos pela pluralidade e capacidade de viralização que possuem.  A movimentação que vêm provocando é muito salutar e tem potencial para pressionar as autoridades para que mudanças efetivas ocorram. Mas nem tudo é só virtudes.

A diversidade dos que participam desses movimentos faz com que as opiniões e percepções sobre os problemas da Segurança Pública sejam por vezes preconceituosas, com interpretações equivocadas das causas e, principalmente, do que seriam as soluções viáveis. Isso não é nada extraordinário e seria previsível que ocorresse. Afinal, não é papel das pessoas proporem soluções para um problema tão complexo. A divergência de opiniões e percepções talvez nem seja um problema tão sério se o objetivo for somente o de pressionar  o poder público.  

No entanto, nenhum movimento social se sustenta muito tempo só com esse propósito de indignação, principalmente se não se percebe algum resultado efetivo. Ele tende a ser envolto por um sentimento de desconforto de seus membros pela falta de objetivo a longo prazo o que também afeta também a imagem do movimento junto à maioria silenciosa que só observa.

Por essa leitura, tenho ainda mais convicção de que WikiCrimes é um instrumento valiosíssimo a ser apropriado pelas pessoas e por esses movimentos. WikiCrimes foi pensado com o objetivo de captar essa indignação das pessoas, mas ele tem uma proposta concreta de fazer algo mais. Um algo mais que não requer alinhamento quanto às crenças ideológicas, preconceituosas ou não, e nem precisa ser especialista em Segurança Pública. 

Nossa opção foi a de desenvolver em WikiCrimes serviços que pudessem ser usados por todos. Além de ser esse algo a mais do que só se indignar, esses serviços deveriam ser os impulsionadores da participação popular e dos governos. Serviços como alertas de crimes na sua área, aplicativos no celular, a possibilidade de gerar QR-Codes para indicar nos locais quantos crimes ocorrerão na região são exemplos.

Basta participar denunciando ocorrências e usar os serviços. Se os governos começarem a participar também, ótimo. Mas isso não é obrigatório. Se conseguirmos movimentar as pessoas nessa direção vamos canalizar nossa energia para algo que vai fazer a diferença. Para os que ainda não conhecem o projeto, há muito texto escrito nesse blog sobre o assunto. Os vídeos abaixo também ajudam a compreender a ideia.

 


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

WikiCrimes no Estadão

No final do ano passado o Estadão fez uma matéria sobre transparência e WikiCrimes foi ressaltado. A matéria pode ser encontrada aqui. Além das características e motivações básicas do projeto nela a uma declaração perfeita do sociólogo Renato Lima dizendo que "boletim de ocorrência é ato administrativo e como tal deve estar sujeito à Lei de Acesso à Informação". Simples assim. Já está na hora de avançarmos nesse quesito.




segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Contando Crime


O convite para debater no evento sobre Tecnologia e Segurança promovido pela agência Dinheiro Vivo em São Paulo essa semana deu-me a oportunidade de fazer uma recapitulação do que tenho vivido, estudado, aprendido e experimentado nos últimos 15 anos na área de Tecnologia da Informação (TI) aplicada à Segurança. Infelizmente não vi muitos motivos para entusiasmo.

Acho que temos avançado muito pouco a despeito do avanço tecnológico extraordinário que vivemos. Quando se fala em tratamento e uso da informação através da tecnologia, o que continuamos fazendo hoje é mais do mesmo: contar crime.

Quero aqui me referir a pouca percepção do quanto a coleta, análise e uso da informação nas tarefas policiais é fundamental. As polícias contam crime porque precisam informar a sociedade, mídia, Ministério da Justiça e às demais instancias de poder que as demandam em constância. Ainda por cima, como não o fazem por necessidade cotidiana, o fazem muito mal. Não seguem padrões, só informam aquilo que os interessa, não se integram com dados de outras esferas e não são transparentes.

Essa situação é ainda emblemática do quanto os investimentos em TI precisam estar aliados a um novo modelo de polícia com foco na resolução de problemas e na investigação. Se assim acontecer, a TI passará a justificar os altos investimentos demandados por todas as polícias no País. Caso contrário, é um risco grande de jogar dinheiro fora.

Há exceções à regra? Sim, mas infelizmente essas exceções padecem de outro mal tão deletério quanto o anterior: falta de continuidade. Temos sempre as policias que são a bola da vez, os modelos, os exemplos. No entanto, a institucionalização das iniciativas é prejudicada, pois não há como ocorrer em pouco tempo. O que é bom exemplo hoje  pode, de um governo para outro, virar passado. E vira. Vi isso acontecer aqui no Ceará, para não ir muito longe.

Por fim, na minha apresentação, que pode ser encontrada abaixo, descrevo porque acredito que a política de dados abertos pode ser um caminho para vencer boa parte desses, digamos, maus hábitos.  

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

WikiCrimes Ainda Mais Aberto


As últimas semanas foram muito movimentadas! Ao decidirmos abrir o código de WikiCrimes sabíamos que estávamos apostando em algo que não conhecíamos bem, mas não imaginávamos que iríamos, tão cedo, perceber o tamanho de nosso desconhecimento.

Cometemos alguns enganos no processo de abertura que no final nos fizeram correr atrás para resolver algumas pendências e que, de quebra, nos deram a oportunidade de conhecer os pontos positivos de ter ao lado uma comunidade atuante.

Meu post anterior, em que anunciei a abertura do código de WikiCrimes, recebeu vários comentários, todos, sem exceção, muito distintos e com o intuito de nos orientar. Percebemos que algumas de nossas decisões não agradariam (como não agradaram a comunidade) o que certamente levaria a uma baixa taxa de participação que é justamente o que não queremos.

Em linhas gerais, o problema se referia ao fato de que algumas rotinas de WikiCrimes, por terem sido desenvolvidas em projeto onde havia verbas de terceiros, não podiam ser abertas sem o consentimento dos parceiros. Acabamos lançando o projeto  com essas rotinas ofuscadas. Essas decisão, de fato, não deixou que a comunidade considerasse o código realmente livre.

Corremos atrás do prejuízo e com a compreensão de nossos parceiros, estamos agora liberando um novo projeto no repositório GITHUB com TODAS as rotinas abertas. Acesse-o em https://github.com/Wikicrimes/WikiCrimesOpenSource. Estaremos desativando o repositório anterior em breve.

Outra decisão que tomamos foi a de adotar a licença GPL que, a nosso ver, representa mais fielmente o espírito que queremos empreender ao projeto. Queremos que a comunidade se sinta dona de WikiCrimes e trabalhe para aperfeiçoa-lo tal como nós temos tentado.

Vale ainda ressaltar que, infelizmente, o código de WikiCrimes tem baixa estruturação o que certamente pode dificultar a participação de outras pessoas. No entanto, como havia dito em resposta a um questionamento no post anterior, isso se deve ao fato de que WikiCrimes foi desenvolvido de forma ad hoc com a participação de várias pessoas, com expertise e experiência muito diversa e que acabaram por impossibilitar uma maior estruturação. Pedimos a compreensão da comunidade e contamos com a ajuda da mesma para que um dos aperfeiçoamentos seja exatamente nessa direção.



terça-feira, 31 de julho de 2012

WikiCrimes é Open Source


Durante todo esse tempo de história de WikiCrimes (quase cinco anos), uma coisa sempre nos gerou dúvida: WikiCrimes deveria ter seu código aberto? No início achávamos que não. Tudo era muito novo, não tínhamos experiência com sistemas de código aberto e não sabíamos se haveria a possibilidade de explorar o site via algum modelo de negócio.

Com o passar dos anos, a resposta positiva a essa pergunta foi se fortalecendo.  WikiCrimes é um sucesso acadêmico. Quase a totalidade das publicações científicas produzidas no Laboratório de Engenharia do Conhecimento são relacionadas direta ou indiretamente ao projeto. WikiCrimes também é um sucesso como pioneiro e ação concreta na discussão sobre dados criminais abertos no País. Toda a motivação que nos levou a cria-lo é atualíssima: baixa transparência, alta subnotificação e baixa existência de serviços para apoio à precaução do cidadão. Aliás, isso é infelizmente verdade, o que demonstra como andamos pouco nessas questões esses últimos anos.

No entanto, WikiCrimes sobreviveu e sobrevive até hoje por ações de voluntários dentro do LEC e com alguma verba de pesquisa. Muito embora a FUNCAP e o CNPQ tenham sido parceiros nessa nossa curta história. Nos últimos meses esses apoios se reduziram ou terminaram. Desde então tínhamos voltado a pensar em como trazer mais voluntários para contribuir no projeto.

Mesmo assim, a decisão de abrir era sempre postergada porque precisávamos nos organizar primeiro. Era necessário estruturar o código atual de forma que o mesmo fosse mais facilmente reusado e de forma também com que algumas rotinas proprietárias fossem protegidas. Passamos os últimos seis meses trabalhando nisso e agora chegamos ao término. WikiCrimes está pronto para ser aberto.

Escolhemos o Github para repositório de compartilhamento. Convocamos a comunidade de software livre a ser nossa parceira nessa empreitada. Ela foi uma que sempre me perguntou quando isso aconteceria. Pois bem, Está feito. Juntem-se a nós e sejam bem vindos!
Acessem o código fonte aqui


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

WikiCrimes OpenGov no Celular

Para os que solicitaram, vejam a reportagem da TV jangadeiro sobre WikiCrimes OpenGov. Criamos aplicações para iPhone e Android para consultar as áreas mais perigosas da cidade de São Paulo. Vejam no vídeo abaixo.



*PS. Pergunta que não quer calar: Porque São Paulo e não Fortaleza? porque os dados de São Paulo estão disponíveis.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

WikiCrimes OpenGov no Android

Quem acompanhou o post anterior e me perguntou sobre quando a versão Android sairia, agora já sabe: ela saiu!! Mais rápido do que nós mesmos havíamos previsto. Você pode acessa-la aqui. De seu telefone Android com versão superior a 2.1, basta procurar na Android Market por Wikicrimes OpenGov.
Mantivemos as mesmas funcionalidades presentes do iPhone e que foram descritas aqui. Veja as principais telas abaixo. É possível consultar as áreas mais perigosas da cidade de São Paulo pelo telefone. Basta possuir um telefone com Android 2.1 ou superior e esteja conectado a Internet.



sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

WikiCrimes OpenGov Começa com a cidade de São Paulo

Mais uma novidade nasce do laboratório de engenharia do conhecimento da UNIFOR e de sua start-up associada Wikinova. Agora temos uma versão de WikiCrimes que se baseia exclusivamente em dados governamentais. Eu já havia mencionado em textos anteriores como estávamos trabalhando WikiCrimes para que ele seja cada vez mais um espaço, não só de recepção de dados criminais vindo da população, mas para que seja igualmente  um local que congregue dados governamentais advindos dos departamentos de policia no mundo que aderem de mais em mais à prática de governo aberto (OpenGov).

Neste primeiro momento WikiCrimes OpenGov começa somente no iPhone e com dados da criminalidade de São Paulo. A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo é a única no Brasil que abre seus dados de crime no nível de granularidade de distrito policial. A iniciativa ainda não tem o porte que desejamos, pois o correto é dispor de todos os dados das ocorrências individualmente. No entanto, ela é inegavelmente um grande avanço na nossa retrógrada cultura de baixíssima transparência para com os dados públicos, em especial com os dados da Segurança Pública.  

WikiCrimes OpenGov no iPhone é um exemplo de como o cidadão pode se beneficiar com as informações abertas. Ele tem duas funções: consultar por delegacia de policia na cidade e São Paulo e consultar sobre a criminalidade do local onde o usuário do telefone se encontra.

A consulta de delegacias usa a técnica de realidade aumentada. Para realiza-la o usuário basta acionar o botão de consulta delegacias mais próximas e apontar  seu iPhone para a direção que deseja saber onde estão estas delegacias. Através de ícones de edificações e de um pequeno radar, é possível identificar quais delegacias de polícia existem ao redor. Se desejar, o usuário pode também visualiza-las no Google Maps.

Na consulta sobre o quão seguro é um determinado local, o usuário recebe informações sobre a área da delegacia policial mais próxima com um ranking especificando a colocação daquela área em termos de quantidade de crimes. Venha conhecer WikiCrimes OpenGov. Está na loja da Apple por módicos R$ 1,99. Basta clicar aqui.


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Simpósio Brasileiro de Sistemas de Informações

Sinto-me deveras honrado por ter recebido o convite dos organizadores do VIII Simpósio Brasileiro de Sistemas de Informação para ser um dos dois palestrantes convidados. A temática do Simpósio é a de Cidades Inteligentes. Segue o resumo do que pretendo apresentar e que intitulei de "Cidades inteligentes e Participação Cidadã". Maiores informações sobre o simpósio, inclusive sobre a outra palestra convidada que será ministrada por Jurij Paraszczack pesquisador da IBM nos EUA e diretor do programa de cidades inteligentes da empresa podem ser encontradas aqui.


A Web social e a computação móvel moldam novas formas de comunicação entre as pessoas e abre igualmente espaço para o aparecimento de novas modalidades de participação popular. Paralelamente a este contexto, o clamor popular por publicidade e transparência vem induzindo os governos à abertura de seus dados. A sinergia entre esses dois fatores é determinante para o aparecimento de sistemas de informações ubíquos que realizam acesso imediato à informações determinantes para o cotidiano dos cidadãos e permitem a interação extemporânea entre os cidadãos e governos.

O desenvolvimento de sistemas de informações dentro desse contexto, se por um lado requer expertise sobre as novas tecnologias que surgem, por outro lado, em função do grande volume de dados a disposição, é desejável que possa ser feito inclusive pelos próprios usuários. Torna-se assim, cada vez mais relevante a criação de ferramentas para o fácil desenvolvimento, pelo próprio cidadão de aplicações que fomentem a participação.

Em minha apresentação detalharei os meandros desse contexto e os desafios que ele impõe no tocante ao desenvolvimento de sistemas de informações. Em particular, discorrerei sobre como o processo de participação popular pode ocorrer através de mapas colaborativos e do uso destes em smartphones. Mapas colaborativos são aplicações que envolvem o conceito de participação, interação e localização geográfica. Exemplos na área de segurança pública, poluição sonora e limpeza urbana serão dados.


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Um WikiCrimes para Chamar de Seu – Bis

Poderia repetir meu texto escrito há pouco tempo sobre como novas iniciativas de fazer como WikiCrimes surgem sem que se perceba que o ideal era somar esforços. Não vou repetir a mesma ladainha. 

Vou somente registrar mais uma iniciativa. Desta vez é um jornal paranaense chamado A Gazeta do Povo. Decidiram criar um mapa de crimes para ser povoado pelos cidadãos. Recebi um telefonema de um repórter do jornal interessado em WikiCimes. Aproveitei para convidá-lo a fazer uma parceria conosco. Pelo visto não fui muito convincente.

Como já disse, não tem problemas. Vamos acompanhar atentamente a iniciativa dos paranaenses. Será que conseguem manter o projeto por muito tempo? Ou vão fazer como o mapa de homicídios do Diário do Nordeste que está inexplicavelmente desatualizado há mais de quatro meses?


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Todo Mundo Quer Ter Um WikiCrimes Para Chamar de Seu


Acordo hoje com a informação que o portal Globo.com (G1) decidiu chamar seus leitores para fazer um mapeamento dos crimes acontecidos na região do Morumbi em São Paulo. Vejam aqui

Essa não é a primeira e nem será a última iniciativa do gênero. Ignoram WikiCrimes e preferem criar seu próprio mapa. O Diário do Nordeste que é da terra, do mesmo proprietário da UNIFOR e onde fui pessoalmente apresentar WikiCrimes a toda sua diretoria criou seu próprio mapa, porque a Globo não faria o seu?

Mas não quero dar o tom aqui de desânimo, muito menos de revolta (embora seja difícil de acalmar os alunos envolvidos no projeto e, admito, estou ficando de saco cheio). Na verdade, o que vejo é uma profunda incompreensão de como funciona a lógica de compartilhamento na Web.

Ela não comporta propriedades, nem donos. Teria sentido criar várias Wikipedias e fazê-las competir entre si? O sucesso dessas empreitadas depende do volume, da participação em massa, do desprendimento, das pessoas adotarem uma causa. Os meios de comunicação são parceiros essenciais de WikiCrimes, mas somente se tiverem a visão d que o projeto pode ser útil para a população. Se quiserem ser donos, vincular sua imagem, aumentar seus pageviews, etc. como objetivos principais. Não vão considerarmos como parceiros, como alguns não o fazem. 

Mas não é só isso. Com o tempo, os “concorrentes” vão começar a perceber que terão que criar mecanismos para verificar a credibilidade da informação colocada, coisa que estamos trabalhando há mais de quatro anos. Ou vão mandar os repórteres checarem cada registro efetuado?

Paciência.  Como se dizia naquele antigo comercial de TV, “Sempre cabe mais um!” Vamos andando paralelamente, o que para WikiCrimes não é ideal, mas faz com que tenhamos mais fontes de dados abertas, que é no final das contas o que interessa ao cidadão. A base de WikiCrimes continua crescendo!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Por uma nova visão sobre o uso da informação pública sobre ocorrência de crimes


A Internet através da Web tem mudado gradativamente a forma de se viver em sociedade ao proporcionar, dentre outras coisas, novas formas de interação entre as pessoas, negócios inovadores e que permitem inovar também na  relação dos cidadãos com os governos. Para que isso ocorra em plenitude, há que se criar uma nova postura governamental no trato da informação pública que deve ser fundamentada na transparência e participação.  

Em se tratando de Segurança Pública, transparência e publicidade de dados sobre a criminalidade são pontos nevrálgicos dos governos brasileiros. As informações sobre onde, quando e porque ocorrem crimes são tratadas equivocadamente como sigilosas. A Grã-Bretanha, um dos países mais avançados no conceito de Governo Aberto, é um bom exemplo de como mudanças nessa postura têm sido feitas. Lá a Polícia abriu, aos cidadãos, todas as ocorrências criminais com a exata localização geográfica e horário de onde ocorrem. Nos EUA o mesmo ocorre. As polícias americanas perceberam que quanto mais as pessoas entenderem o que está acontecendo no seu bairro, mais elas podem ajudar.

Abrir-se à sociedade siginifica estabelecer canais de diálogo franco e proativo. Embora difícil, pois é uma mudança cultural, isso é recompensador, porque trata-se de um meio para se obter credibilidade da população e fortalecimento da participação. As pessoas estarão dispostas a participar, se confiarem no governo e nas informações que lhes são postas à disposição. Não é o que acontece atualmente no Brasil onde o que se vê são constantes dúvidas quanto à credibilidade das estatísticas oficiais. Últimas estimativas feitas no País, mostram que mais de 50% dos roubos e furtos em grandes cidades não são nem comunicados à Polícia.

Aqui no Brasil, começamos um projeto de pesquisa que deu origem a um site inovador chamado Wikicrimes(http://www.wikicrimes.org). Trata-se de um espaço de utilidade pública que permite o acesso e registro de ocorrências criminais pelo próprio cidadão no computador diretamente em um mapa digitalizado. Hoje WikiCrimes coleta dados sobre crimes de diversas fontes o que levou o surgimento de vários serviços públicos úteis aos cidadãos. É possível, por exemplo, saber, a partir de um smartphone, sobre a quantidade de crimes que ocorreram na região que a pessoa se encontra. Mais de 10.000 brasileiros já se inscreveram no site.

Fiz correspondências aos Secretários de Segurança Pública de todos os Estados solicitando que ponham seus dados em WikiCrimes para benefício da população. Não consegui sensibilizá-los ainda. Reforço aqui esse convite. Quero convidar a todos aqueles que mantêm dados oficiais sobre a criminalidade (que vale lembrar: são públicos) aprisionados em seus bancos de dados, para que os libertem. Eles serão o vetor transmissor de uma relação de parceria com a sociedade que tende a ser muito frutífera.

* Este artigo foi publicado hoje no site da revista Carta Capital

 

quarta-feira, 1 de junho de 2011

WikiCrimes na Inglaterra

A decisão do governo inglês em abrir seus dados sobre ocorrências criminais fez WikiCrimes um de seus beneficiados. Se você for viajar em Londres, não esqueça de levar seu celular e consultar "Aqui é perigoso?" por lá. Vejam abaixo.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Quem Pode Saber Onde Ocorre Mais Crime em São Paulo?

"A Marginal Pinheiros é a via onde mais ocorrem crimes em São Paulo. É o que revela levantamento feito pela Polícia Militar e obtido com exclusividade (destaque meu) pelo G1”.

Semana passada o portal G1 fez uma matéria que tinha o seguinte título: “Saiba as 40 vias onde mais ocorrem crime em SP”. A referida matéria começa com o texto que reproduzi acima.

Não vou aqui refletir sobre os locais perigosos de São Paulo. Quero retomar a questão da transparência (ou melhor, da falta dela) no trata das informações sobre crimes no Brasil, em particular em São Paulo. Também na semana passada recebi a resposta da Secretaria de Segurança de SP à minha carta (publicada no blog aqui) onde proponho parceria daquela Secretaria com WikiCrimes. A resposta da Secretaria paulista foi muito cordial, mas recusou qualquer tipo de colaboração com WikiCrimes. Dizem estar estudando formas de colocar os dados em um portal da transparência do próprio Estado de SP.

Pois vejam só. Não podem por os dados disponíveis a WikiCrimes, mas podem fazê-lo com o G1?! Porque a Globo tem o direito de acesso a esses dados? Por que essa exclusividade? Incrível como essa situação beira o surrealismo. E a imprensa, eih? Faz parte desse joguinho que cria um mercado de “furos” jornalísticos com informação pública que deveria ser aberta a todos os cidadãos. A troco de que essas informações são repassadas a alguns privilegiados?

Parece que o Governo Paulista não aprendeu nada depois do caso do funcionário acusado de vender informações sigilosas e que havia comentado aqui. Por quanto tempo?

quinta-feira, 12 de maio de 2011

WikiCrimes em São Bernardo

Estive em São Bernardo do Campo em São Paulo na semana passada para para uma entrevista na TVT. A TVT é uma nova rede de televisão ligada ao Sindicato dos Metalúrgicos com sinal aberto na região do ABC paulista. Estive no agradabilíssimo programa Clique e Ligue capitaneado por Marcelo Godoy. Tivemos um papo super leve e pude explicar com calma as motivações de WikiCrimes, inclusive mostrando como usá-lo. Assistam-na abaixo.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Palestra INFOBRASIL

Hoje a tarde palestrei na Infobrasil. Esperava um público de profissionais de informática e aficionados no tema. Para minha surpresa a platéia foi maioritariamente formada por jovens estudantes secundaristas. Adorei ! Nunca tinha falado de WikiCrimes para um público tão jovem. Motivei-me por ter que falar num linguajar mais adequado à audiência. Foi um deleite. O nível de interação foi muito bom e as dúvidas apresentadas mostraram que consegui meu intento de passar a ideia de colaboração, transparência e dados abertos. Para os interessados, segue o prezi usado na minha apresentação



quarta-feira, 30 de março de 2011

WikiCrimes com Novas Manchas

Mais novidades de WikiCrimes foram lançadas essa semana. Vejam abaixo a nova forma de mostrar as áreas perigosas chamadas de hot spots. Usamos um mapa com várias cores para realçar os espaços mais perigosos (espaços mais avermelhados). Trata-se de uma contribuição substancial de Victor Basso, aluno de graduação da UNIFOR, e que tem gradativamente se especializado em programar mapas de manchas.

terça-feira, 29 de março de 2011

Carta aos Secretários de Segurança do Brasil

Na semana passada enviei uma carta a cada um dos Secretários de Segurança do País. Na carta apresento WikiCrimes e proponho várias formas de parcerias. Decidi torna-la aberta a todos através do blog. Agradeço o apoio de quem puder intermediar formas de aproximarmos WikiCrimes do sistema oficial de coleta de dados criminais.



Ilmo. Sr. Secretário de Segurança

Venho através desta apresentar ao Sr. o projeto WikiCrimes com o objetivo de propor e solicitar formas  de colaboração desta Secretaria no projeto. Wikicrimes (http://www.wikicrimes.org) é um software gratuito e de utilidade pública na internet que permite o acesso e registro de ocorrências criminais no computador diretamente em um mapa digitalizado. Ele está sendo desenvolvido sob minha coordenação e tem a mesma filosofia da enciclopédia eletrônica Wikipédia.
Alguns Estados já começam a publicar seus dados para uso da população e WikiCrimes apresenta-se como ferramenta para este fim. Trata-se de um projeto de cidadania com a completa consciência de que não se pode, nem se deseja, substituir as autoridades de segurança. O fato de se registrar uma ocorrência em WikiCrimes não exime o cidadão de fazê-lo também nas organizações de segurança responsáveis. Na verdade, considero fundamental agir em parceria com os órgãos oficiais e assim identifiquei algumas possibilidades de cooperação com esta Secretaria. Acredito que o crescimento da comunidade WikiCrimes que hoje já conta com mais de 10.000 pessoas, abrirá a possibilidade de comunicação com o cidadão e que os organismos de segurança poderão se beneficiar disso. Dentre as formas de cooperação imaginadas (não exaustivas) queria mencionar.
  • 1)   Apresentar os dados de ocorrência criminal coletados por esta secretaria para dar transparência ao cidadão de onde o crime ocorre a partir de dados oficiais.  Trata-se aqui de começar no País um programa de dados abertos similar ao que acontece na Grã-bretanha (http://www.police.ouk) e Estados Unidos (http://www.data.gov).
  • 2)   Colocar fotos ou até vídeos (em cenas de delitos, por exemplo) de pessoas procuradas pela polícia em WikiCrimes juntamente com a informação sobre os delitos que eles estão sendo acusados no mapa digitalizado. Desta forma os internautas que consultarem o sistema poderão ajudar no reconhecimento de suspeitos.
  • 3)   Colocar fotos e informações de pessoas desaparecidas fornecidas pelo cidadão e por esta secretaria.
  • 4)   Colocar um link para a delegacia eletrônica (caso ela exista) desta secretaria de forma que o internauta seja informado da existência da mesma e realize o registro oficial do crime.
  • 5)   Colocar informações e dicas de segurança no site de forma a auxiliar o cidadão em sua vida cotidiana. Isso poderia ser feito diretamente nos registros de crimes mapeados em WikiCrimes o que seria uma forma de comunicação direta com o cidadão.
  • 6)   Registrar ocorrências de prisões em flagrante realizadas por esta secretaria com a completa descrição da ação policial e do fato ocorrido.
  • 7)   Disseminar WikiCrimes nos conselhos de defesa social (ou similares) para motivar a participação da sociedade na notificação de crimes e problemas encontrados nas áreas das mesmas.
  • 8)   Mapear as delegacias de policia do Estado de forma que ao registrar um fato criminal no telefone celular (versões para iPhone e Android disponíveis) possamos sugerir a delegacia mais próxima para fazer o registro.

Vale ressaltar que independentemente de qualquer das formas de cooperação que essa secretaria deseja ter com WikiCrimes, os dados registrados em WikiCrimes são de livre acesso do cidadão e conseqüentemente desta Secretaria de Segurança. Espero que os mesmos sejam úteis para o planejamento da ação policial, análise de vitimização, cálculo de subnotificações e qualquer outro objetivo que esta Secretaria vislumbre.
Esperamos criar uma comunidade nacional de participantes em WikiCrimes e contamos ter esta digna instituição como parceira nesse processo. 

Cordialmente,

                                   Vasco Furtado
                         Prof. Doutor da Universidade de Fortaleza
                                     Idealizador de WikiCrimes

quinta-feira, 24 de março de 2011

WikiCrimes at PDF

This is my presentation at Santiago, Chile about WikiCrimes at the Personal Democracy Forum. It was the first time I had the opportunity to speak about the project outside Brazil.