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sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Encontro de Blogueiros de Fortaleza


Vejam só! A comunidade de blogueiros (e simpatizantes) de Fortaleza começa a se organizar. O primeiro encontro será este sábado no parque recreio da Rui Barbosa às 20:00hs conforme a chamada abaixo.

Relógio Mundial Estatístico

Este relógio gerado no site poodwadlle.com é bem interessante com estatísticas diversas atualizadas a cada momento baseadas em dados reais e em algumas estimativas feitas a partir da distribuição histórica dos dados. Pode-se acessar dados como a população mundial e a taxa de crescimento(os dois primeiros) por ano(YR), mês(MTH), semana(WK), dia(DAY) e atualmente(NOW). Basta clicar nos botões do relógio.


Poodwaddle.com

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Quem Matou o Jornal?

Já tenho dito e venho mostrando matérias que apontam um futuro bem diferente para a mídia convencional visto que a Internet a vem modificando constantemente. Soube de uma matéria de Agosto de 2006 na revista britânica The Economist (clique aqui para acessar o texto em inglês ) intitulada “Who Killed the Newspaper?” (que é a tradução em inglês da pergunta que intitula o texto que hora escrevo). Nessa reportagem, se faz menção ao livro de Philip Meyer “ The Vanishing Newspaper” que prevê que por volta de 2040 os jornais estarão praticamente extintos nos EUA. Na verdade a circulação de jornais nos EUA, na Europa Ocidental, na America Latina, na Austrália e na Nova Zelândia vem caindo nos últimos dez anos (fonte da própria revista). Blogs e outras formas de expressão digital estão entre as causas desse declínio. Como devem agir os empresários do jornalismo nesse contexto? Difícil pergunta mas uma coisa eu posso dizer: não podem partir para o desespero. Mas foi exatamente isso que o Estadão fez recentemente. Lançou uma campanha para denegrir os blogs e blogueiros (clique aqui para ver o vídeo da campanha). Quis passar a imagem de que informação com credibilidade só se obtém na mídia convencional e vinda de profissionais do setor. Disse que há muita bobagem nos blogs. Que novidade! Como não existisse muita bobagem nos jornais. Não vou gastar energia tentando dizer que blogs são bons ou úteis. Acho que quem deve dizer isso são os que destinam algum tempo para lê-los. Agora, o que me parece claro é que os meios convencionais de jornalismos têm que pensar urgente em estratégias de participar do processo democrático, distribuído e eclético que acontece na blogesfera. Tentar fechar os olhos para sua existência é burrice. Corre-se o risco de descobrir que quem matou o jornal foi um mico (veja o vídeo do Estadão para entender melhor).

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Wikimapia: Mapeando o Mundo Colaborativamente

Um exemplo interessante de tarefa colaborativa, típica da web 2.0, pode ser vista no site wikimapia (http://www.wikimapia.org/). A idéia é de denominar locais em mapas de forma distribuída. Qualquer pessoa pode acessar o site, localizar o local (edifício, praça, residência, etc.) e caracterizá-lo. O sentido aberto a atualização de todos, normal as aplicações wiki (como na Wikipédia), permite se ter uma especificação extremamente detalhada do mapa. É muito comum se ver mapas digitais com indicações de pontos notáveis como praças, pontos turísticos ou edifícios públicos, mas é bem menos comum tê-los com a caracterização de residências comuns, apartamentos residências, clubes privados e mesmo terrenos sem construções. Quem teria o interesse de caracterizar e usar esses pontos? Os donos desse locais, provavelmente. Além da questão colaborativa, outros aspectos interessantes podem ser ressaltados nesta aplicação. O mapa do mundo está à disposição. Eu, por exemplo, fiz a denominação de locais na Califórnia, na França, em Fortaleza e em Paracuru. Outro aspecto é que em virtude da necessidade de controle para que as denominações não sejam incorretamente feitas, wikimapia deixa o local denominado esperando por uma confirmação de outra pessoa para ratificar o que foi feito. Esta é uma forma de controle social, característica comum em aplicações colaborativas na web 2.0. Se alguém olha a denominação e discorda da mesma, ele pode registrar sua discordância. Clique aqui e aqui para ver dois locais que denominei recentemente. Aproveite e experimente site fazendo a denominação de lugares que lhe são conhecidos.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Continuidade Dá Voto!

Em qualquer pesquisa informal ou mesmo formal que é feita sobre onde está o melhor desempenho do governo Lula, invariavelmente a economia e a política assistencialista estão entre as maiores contribuições. Este é o maior exemplo de como a continuidade pode ser benéfica a nação. Não há dúvidas que Lula e seu governo se aproveitam da boa administração econômica, mantendo o plano real de FHC para aumentar seus índices de popularidade. Da mesma forma ele estendeu o programa bolsa família (lançado no governo FHC) tornando-o um dos carros-chefe de seu governo. É exatamente este o ponto que considero mais interessante. Lembro-me que no começo de sua gestão, o fato de continuar a política do governo anterior foi criticado duramente pela oposição. Argumentava-se que, enquanto oposição, os petistas defendiam uma coisa, no governo, a postura foi outra. Depois que esse discurso se desgastou, veio o debate sobre de quem era o mérito das boas iniciativas econômicas e sociais: do governo FHC ou do governo Lula? Minha opinião é de que essa conversa toda não interessa para a população e os índices de popularidade do presidente demonstram isso. Acho na verdade que ela é reveladora de outro aspecto muito mais relevante e de que deveria estar sendo assimilado pelos aspirantes a governo: o povo está cansado de dinheiro jogado fora por falta de continuidade. Esse hábito de desfazer para fazer com a marca do novo governo tem que acabar. Os bons exemplos de prática da continuidade que mencionei sustentam o atual governo e isso é muito bom. Nada mais lógico e racional do que aproveitar o que já está em andamento. Qualquer gestor público sabe o quão difícil é implantar mudanças e os primeiros anos são os mais duros requerendo altos investimentos e sem que os retornos sejam visíveis. Espero chegar o tempo das campanhas eleitorais onde os candidatos serão obrigados (por percepção da vontade popular) a se comprometer com projetos bons que estão em andamento.Recentemente escutei do governador Serra que em São Paulo vai estender um programa educacional criado por Marta Suplicy. Espero que a moda pegue. Lucraremos todos.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

PRONASCI Nasce Morto para o Ceará

Inaceitável e revoltante a exclusão da Região Metropolitana de Fortaleza(RMF) como área prioritária para receber apoio do governo federal para programas de segurança pública e redução da violência, o chamado PRONASCI. Tenho minhas dúvidas da efetividade deste programa, mas de qualquer forma o Estado do Ceará precisa muito de ajuda do governo federal para avançar nas mudanças que o setor requer. Onze foram as áreas agraciadas pelo PRONASCI. Uma seleção escolhida a dedo: Belém - PA, Belo Horizonte - MG, Brasília e Entorno - DF, Curitiba - PR, Maceió - AL, Porto Alegre - RS, Recife - PE, Rio de Janeiro - RJ, Salvador - BA, São Paulo - SP e Vitória – ES. Para formar esse time, imagino quanto deve ter sido difícil para os técnicos do governo federal elaborar um conjunto de critérios que excluísse Fortaleza da convocação. Melhor pensando, talvez nem tenham se preocupado com isso. Ninguém vai reclamar mesmo! Eu conseguiria formular vários critérios que incluiriam a RMF no PRONASCI. Dentre eles a crescente criminalidade e violência entre jovens de menos de 25 anos que na RMF é crítica e que é a razão de ser inicial do projeto. Não gosto muito de discursos bairristas e dramáticos, mas nesse caso não dá para ficar calado. Nossa representação política nunca foi tão desmoralizada e nunca demonstrou tanta desmobilização. A mídia da mesma forma. Calada ficou e calada permanece. Depois da mobilização frustrada pró-siderúrgica, o PRONASCI é outro exemplo que nos leva a pensar que há algo não resolvido no Governo Federal em relação ao Estado do Ceará. É muita coincidência. Dá para desconfiar de que se trata de retaliação por divergências políticas do passado ou mesmo ações eleitoreiras de olho em 2010. Em um Estado pobre como o nosso e que deu uma maioria acachapante ao presidente sempre que ele se candidatou, isso tudo é lamentável. Um pequeno detalhe (que os fatos têm mostrado que é bem pequeno mesmo): prefeitura do mesmo partido do presidente e governo estadual de partido de apoio.

sábado, 25 de agosto de 2007

Tecnologia para Segurança na Estrada

Esse noticiário abaixo descreve as inovações que a Nissan está pretendendo colocar brevemente no mercado. Um sistema de sensores que, a partir do odor e da transpiração nas mãos, pode medir o nível de álcool do condutor. Um sistema de alerta é acionado e o carro pode até parar automaticamente e a ignição ser bloqueada. Além disso, um sistema de acompanhamento do movimento dos olhos (clique aqui para ler outro texto que escrevi sobre essa tecnologia chamada em inglês eye track) permite identificar se o condutor está com sono ou cansado. Neste caso, até o cinto de segurança pode ser acionado para “alertar” o condutor.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Soluções Milagrosas para a Segurança Pública

Instigado a posicionar-me sobre a questão da Segurança Pública por comentários de Menezes (veja os comentários clicando aqui) sobre o texto “ O Debate Repressão vs Prevenção”, decidi reproduzir parte de um texto que já tinha escrito em março sobre o tema. “Quando se começa a penetrar um pouco no problema das Polícias vê-se que não há solução a curto prazo e não há mágica. Creio que o que vivemos na economia há pouco tempo nos faz pensar que podemos conseguir um plano real para a Segurança. Isso não é possível. Acredito que reformas em leis específicas como a que versa sobre a estrutura das Polícias Militares devem ser perseguidas. O estatuto da criança e adolescente deveria sofrer melhorias para tratar situações de barbáries praticadas por adolescentes, por exemplo. Mas deixemos de pensar que mudança de lei ou plano de gabinete será a panacéia para os problemas que vivemos” (clique aqui para acessar o texto completo). E o que fazer então? Decididamente, só ficar discutindo não vai resolver o problema, embora debates com a sociedade permitam ver o problema sobre as diferentes óticas que ele requer. Como já tinha dito antes, desculpem-me os ansiosos por receitas mágicas se os decepciono, mas não as conheço até porque não acredito que existam. Neste texto vou me concentrar em ações estruturadoras que também costumo chamar de estratégias de gestão. A primeira estratégia é realizar ações integradas, pois as mesmas permitem potencializar o resultado de ações individuais. Isso exige uma capacidade de planejar ações transversais envolvendo diferentes setores e diferentes esferas de poder. Em particular, a integração entre as polícias é pré-requisito para o sucesso da ação policial, principalmente em se rtatando de investigação e inteligência policial. A outra estratégia é, ao invés de priorizar novos projetos e planos com slogans que divulgam soluções imediatistas, priorizar as experiências bem sucedidas. Mudanças de comportamento requerem tempo e a continuidade é a única forma de obtê-las. A terceira estratégia é criar um ambiente de constante renovação nas instituições com rigoroso processo de recrutamento, seleção e treinamento. O perfil do policial que queremos está bem distante da grande massa de policiais que hoje está na ativa. O grande problema é que nossa história tem mostrado que estamos seguindo uma direção inversa. Nossas instituições estão cada vez mais enfraquecidas fruto de pouco investimento, baixo índice de renovação, falta de planejamento e baixíssima continuidade. Em um recente debate durante o fórum de Segurança Estadual, uma líder comunitária pediu a palavra e com toda sua humildade fez uma pergunta simples, mas que ecoou muito fortemente: “Porque a gente tá sempre começando do zero?”. Ela disse que já tinha participado de reuniões como aquela e que muitas das idéias que estavam sendo propostas já eram conhecidas. Pior, muitas das idéias já tinham funcionado em algum momento e simplesmente deixaram de ser realizadas. Costumo dizer que temos a capacidade deletéria de estragar idéias ao não conseguir implantá-las com continuidade. Já escrevi sobre o que penso da nossa incapacidade de fazer acontecer (leia o texto aqui ). Acho que em se tratando de Segurança Pública isso está bem evidenciado. Em resumo, precisamos atacar nossas deficiências gerenciais e políticas que nos impedem de efetivamente implantar as medidas planejadas, participativamente ou não, de forma que as mesmas se tornem perenes e imunes as mudanças de humor dos governantes. Infelizmente, como isso tudo se faz basicamente com investimento em pessoas, requer tempo.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Quem Atualiza a Wikipédia?

A wikipédia (clique aqui para acessar a página principal da enciclopédia) é o maior exemplo da cultura do compartilhamento que tenho tanto descrito neste blog. O conteúdo da enciclopédia é atulizado voluntariamente por milhares de pessoas no mundo. Sua popularidade, no entanto, não a deixa imune a críticas, pois muito tem se discutido sobre o quão crível são as informações nela contida. Achei bem interessante este site feito por um aluno de doutorado em computação na Grécia que pode ser um forte aliado para que se conheça melhor as fontes da Wikipédia. O site permite identificar se modificações foram realizadas a partir de endereços de grandes Empresas (clique aqui para acessar o site). Trata-se de uma ferramenta bem interessante para aqueles que desejam conhecer um pouco mais sobre quem atualiza a maior enciclopédia eletrônica do mundo. Dá para identificar, por exemplo, que alguns parágrafos que descreviam possíveis efeitos colaterais a saúde de refrigerantes foram retirados por editores que usaram computadores da Pepsi nos EUA. As edições feitas por pessoas a partir de computadores da CIA também podem ser visualizadas. Especialistas e inclusive Jimmy Wales, o fundador de Wikipédia, consideram o site uma boa idéia e acreditam que pode servir para dar maior credibilidade a Enciclopédia. Ele permitirá a identificação de conflitos de interesse mais facilmente. Uma recente matéria no New York Times popularizou mais ainda a iniciativa (clique aqui para acessar a matéria )

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Eu Me Importo com o Piauí!

"Não se pode achar que o país é um Piauí, no sentido de tanto faz quanto tanto fez. Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado". Esta frase do presidente da Philips para a América Latina e um dos líderes do movimento “cansei” quando de sua manifestação sobre esta campanha é merecedora de várias reflexões. Primeiro, ela serve para tornar o movimento mais atabalhoado ainda. Não bastasse a temática de indignação inoperante que já tinha acusado em textos anteriores (clique aqui para acessar), ela representa uma visão preconceituosa e elitista que faz um imenso mal ao País. Já tinha tido oportunidade, neste blog, de escrever sobre o malvado estereótipo que persegue os piauienses (clique aqui para acessar o texto), principalmente em função de seu clima extremo. Dito por um alto dirigente de uma multinacional, essa frase é ainda mais deslocada. Aliás, a vinculação do nome da multinacional a uma campanha como essa é extremamente duvidosa. Não consigo entender como o staff da holding deixou essa vinculação ocorrer. Reações negativas do povo piauiense levaram a um boicote (veja um blog sobre o tema clicando aqui ). Considerado o quinto maior cliente da marca 'Philips', o Grupo Claudino, através do Armazém Paraíba aderiu à campanha de boicote aos produtos da Philips. Não se trata de querer aqui enumerar as riquezas naturais ou econômicas do Estado. Trata-se simplesmente de respeitar àqueles que lá vivem e que certamente por terem criado suas raízes tem do que se orgulhar da sua terra. O mínimo que nos cabe fazer é respeitá-los. De qualquer forma em nome de tantos amigos e conhecidos piauienses, me sinto na obrigação de dizer: eu ficaria chateado, sim, se o Piauí deixasse de existir.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

O Debate Repressão vs. Prevenção

Durante o I Fórum Estadual de Segurança Pública participei de um painel sobre prevenção e repressão da criminalidade. Estava como relator e entre os debatedores estavam o consultor e ex-secretário Nacional de Segurança Pública e coronel da reserva de São Paulo, José Vicente da Silva, e o promotor cearense José Filho. O debate foi dominado por um ponto comum de discórdia. A melhor forma de reduzir a criminalidade seria a repressão através das ações dos órgãos policiais ou a prevenção através de medidas sociais. Os debatedores exemplificaram, em muitos momentos, que a polícia cearense precisa muito melhorar. A falta de recursos básicos para manutenção de viaturas e de delegacias, a carência de pessoal e a pouca qualidade de ações investigativas bem como dos inquéritos submetidos à justiça são só alguns dos problemas apontados. Ou seja, não há dúvida que muito precisa ser feito no campo da repressão e que a conseqüência de melhorias nessa direção será o aumento das prisões. Isso acontecendo, evidencia-se outro problema do sistema estadual que é a falta de vagas nos presídios e a impossibilidade de se continuar amontoando presos nas delegacias da capital. Cel. José Vicente acredita que um dos problemas da polícia cearense é que ela prende pouco. Ele acredita que uma polícia bem preparada deve não somente prender os suspeitos, mas fornecer evidências para que a justiça possa efetivamente realizar a prisão. Ele estima que, baseado pelos índices populacionais e de criminalidade do Estado, o número de detentos em presídios deveria ser de pelo menos o dobro. Mesmo concordando que ações preventivas são necessárias, ele crê que em curto prazo, fruto da falta de políticas sociais do passado, há um grande quantidade de criminosos que são “impermeáveis” a qualquer ação social. Para esses, somente o encarceramento é a solução. O promotor José Filho discordou frontalmente dessa posição. Ele acredita que o que se precisa é trabalhar a questão social com escola, educação, lazer para os jovens, programas de re-socialização, etc. Não acho que este seja o foco principal do debate, pois não consigo entender as duas coisas como mutuamente exclusivas. Muito pelo contrário. Percebo ainda um perigoso discurso dito por alguns policiais de que não podem fazer muito em relação a criminalidade porque o problema é social. Cheguei a escutar a expressão ”estamos enxugando gelo” vinda de um policial! É óbvio que temos um grande déficit social e que muito precisa ser feito nessa direção, mas isso não pode ser desculpa para que a polícia não consiga aumentar sua produtividade e com isso reduzir os índices de criminalidade preocupantes que estamos vivendo. Vários exemplos no país e no exterior demonstram que ações bem sucedidas da polícia são capazes de mudar fortemente o cenário da criminalidade. Cel. José Vicente exemplificou com dados irrefutáveis como São Paulo, em cinco anos, conseguiu reduzir o crime violento em até 70% com a melhoria da ação policial. Outro depoimento nessa mesma direção foi dado pelo pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais, Bráulio Figueiredo, sobre o trabalho desenvolvido em conjunto com a Polícia Militar de Minas Gerais. Os índices de criminalidade também foram reduzidos sensivelmente em dois anos de ações baseadas em uma metodologia que envolve o mapeamento do crime e um sistema gerencial de cobrança por resultados. O real debate é como e quais ações implantar para aumentar a efetividade das ações policiais além de conseguir articular ações entre os diversos setores governamentais e em diferentes esferas de poder para melhorar os indicadores sociais de forma convergente com os programas de segurança. Que nós discutimos muito e agimos pouco eu já tinha dito em textos anteriores (clique aqui para acessar). Mas em alguns momentos tenho o sentimento desanimador de que não estamos evoluindo nem mesmo nos debates.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Belchior

Depois do choque da notícia da morte de Belchior em uma tentativa de roubo deu-se uma terrível sensação de impotência frente à trágica situação que vivemos. Para mim em particular que tenho voltado meus esforços profissionais para contribuir com a Segurança Pública, tratou-se de uma enorme ducha de água fria. Só agora me sinto em condições de escrever algumas palavras. O que dizer de uma pessoa que tinha uma expressão tão singela? Em todos os momentos que convivemos ele sempre me ofereceu um olhar fraterno e cordial. Sabia defender suas posições com uma indescritível ternura que o fazia firme e reputado. Tratava-se daquele tipo de pessoa que você pode confortavelmente encher de elogios que nunca vai parecer exagerado. Mas nada como a humildade com que sabia viver a despeito da qualificação que possuía. E olhe que se tratava de qualificação com reconhecimento nacional e internacional. Para nós, professores e pesquisadores, o bem mais precioso é o conhecimento. E não é difícil nos embevecermos pela vaidade de saber, de dominar os assuntos, de se sentir inteligente. Numa época em que somos facilmente escravizados pela constante necessidade de sermos reconhecidos, Belchior era um exemplo de que esse reconhecimento pode se fazer calma e mansamente da mesma forma como ele falava. Sem arroubos, sem exageros. E o que é melhor: em concomitância com a aquisição do bem querer e do respeito. O carinho que seus alunos sempre lhe demonstraram comprova isso. Tenho constantemente em meu pensamento sua família, Fátima, Arnaldinho e, em particular Mairon, que faz parte de nosso grupo de pesquisa. E em função disso escrevo aqui. Não posso me furtar de dar o depoimento de que Belchior foi uma pessoa de quem eles podem e devem se orgulhar. Nós, como amigos, temos obrigação de lembrar isto sempre.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

A Questão da Maioridade Penal na França

O Jornal Le Monde Diplomatique do mês de Junho(clique aqui para acessar o texto de base em francês) abriu um grande espaço para debater a política do governo Francês de endurecer as leis para menores infratores. A nova proposta é de que a partir da terceira reincidência criminosa os menores de mais de 16 anos passem a responder como adultos. O Jornal faz menção a um estudo realizado nos EUA que mostrou que os menores encarcerados como adultos acabam por realizar mais crimes e se tornarem mais violentos quando são soltos. No entanto, esse discurso não parece sensibilizar muito o governo entrante. O argumento do governo Sarkozy é de que os menores de hoje em dia não são mais como os de 1945 (época em que a lei foi proposta). Vejam que a questão é bem parecida com o que estamos vivendo no país. Não me parece que podemos escapar a uma revisão nas nossas leis. Evidente que, de uma forma indiscriminada, encarcerar menores com adultos é uma política desastrosa, principalmente nas condições atuais de nosso sistema prisional. No entanto, temos que ter mecanismos para punir os casos de crimes hediondo que, além de provocarem um terrível dor nas vítimas e seus familiares, são capazes de alimentar um sentimento de impunidade que faz muito mal ao País.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Ainda Sem Cansaço, Embora Não Descansado!

Um comentário da Kenia sobre a campanha “cansei“ da OAB-SP e de meu texto sobre fazer a coisa certa me faz revisitar o tema (clique aqui para ver o comentário). Adorei as sugestões que ela fez e queria de antemão solicitar aos leitores deste blog que pensem em slogans que apelem por essa cultura cidadã que tenho falado. Muito se tem falado sobre cidadania no Brasil. Entendo que cidadania requer acima de tudo uma postura participativa e pró-ativa. Não se trata somente de criticar. Há que contribuir, agir. Daí meu slogan “Faça a coisa certa”. Kenia está vivendo na Bélgica e assim tendo a oportunidade ímpar de conviver com pessoas que cultivam um singelo sentimento de ser um cidadão ativo, respeitoso e zeloso com as coisas comuns e com a comunidade em geral (como é a maioria dos europeus). Sempre que converso com pessoas que tiveram a experiência de viver em países mais desenvolvidos, escuto o quanto essa postura chama a atenção e o quanto isso é invejado. Perguntam sempre: o que nos impede de sermos iguais a eles? Engraçado o quanto essa situação é parecida com a postura que a religiões pedem a seus fiéis. As religiões normalmente solicitam que seus fiéis pratiquem a bondade, a caridade, a solidariedade e o amor, sem pensar em retribuição (muitas vezes sob o argumento de que esta retribuição só virá em um outro mundo, vida, dimensão ou reencarnação!). Pois bem. Uma cultura cidadã ativa e participativa requer o mesmo desprendimento. Talvez nem precisemos esperar tanto para ser retribuídos.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Paredes Digitais na Finlândia

A Finlândia é um dos exemplos mais impressionantes de como um país pode se transformar. Em pouco tempo (até 1917 ela era da Rússia) tornou-se um dos maiores exportadores de tecnologia do mundo. Hoje em dia os finlandeses estão entre os primeiros colocados entre qualquer pesquisa que avalie o nível de inclusão digital da sociedade. Para se ter uma idéia disso, o número de telefones celulares na Finlândia é de aproximadamente 5,3 milhões para uma população de aproximadamente 5,3 milhões de habitantes! Acho que o governo tem a dura tarefa de procurar alguém que não tenha celular para fazer uma doação e não deixar o percentual de 100% cair! A empresa finlandesa Nokia de telefonia celular e de equipamentos móveis de computação simboliza todo esse avanço. Ela está espalhada em todos os cantos do planeta sendo hoje a maior empresa de telecomunicação do mundo. Vejam, no vídeo abaixo, outro exemplo deste avanço dos finlandeses. O projeto City Wall (Muro da Cidade) tem por objetivo divulgar eventos como concertos, jogos esportivos, feiras que acontecem na capital Helsinki. Trata-se de uma grande tela de aproximadamente 2 metros de largura que permite a interação gestual tipo a que já mostrei neste blog em texto e vídeo sobre o surface (clique aqui para acessar). Além dos mecanismos usuais de interação gestual que permitem zoom e interação com duas mão ao mesmo tempo, achei interessante o teclado virtual que permite a escrita de textos e o pincel que permite realizar desenhos. Outra novidade é que quem quiser pode enviar fotos e vídeos por email (post@citywall.org) ou pelo flickr ou pelo youtube (com tags “Helsink”) para serem postadas no City Wall.