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segunda-feira, 11 de junho de 2007

Teresina Fresca!

Estive esse fim de semana em Teresina, capital do Piauí. A certeza de ter uma recepção calorosa de Thaís e Murilo já existia, mas confesso (com perdão do trocadilho) que existia outro calor que me prendia mais a atenção. Para minha feliz surpresa o clima estava muito agradável, nos mesmos níveis de Fortaleza, o que me permitiu passear mais do que normalmente faço. Com o clima ameno pude explorar uma das coisas que mais me entusiasma na cidade: sua riqueza de artesanato. Há muitas iniciativas criativas com o uso de materiais diversos dentre os quais a que aprecio mais são os tapetes feitos a base de palha de taboa. A taboa é uma espécie de capim alto dos brejos que cresce rápido e que pode dar até quatro cortes por ano. Ela é usada na fabricação de esteiras, tapetes e outros trançados. Outra iniciativa que conheci e que me fascinou foi a de artesãos com argila nas margens do Rio Poti. Trata-se do centro artesanal Poti Velho, ponto histórico de nascença da cidade, onde artesãos criam peças decorativas usando argila de diferentes cores. As peças produzidas impressionam pela beleza, criatividade e diversidade. É incrível como algumas peças se assemelham com peças de madeira que conheci recentemente em visita ao Havaí. Tive oportunidade de conversar com artesãs que fazem parte de uma cooperativa denominada Mulheres do Poti. São cerca de 25 artesãs que estão aprendendo a fazer negócio e que começam a divulgar seus trabalhos em outros Estados do Brasil. Perguntei sobre a possibilidade de fazer negócios com o exterior, mas elas disseram que ainda não têm planos para isso embora já tenham contactado o Banco do Brasil para saber sobre um programa de exportação. Conheci ainda outras iniciativas artesãs com o uso do couro na produção de bolsas e sacolas. Uma característica básica de todas essas iniciativas trata-se de que as mesmas começam a ter desenhos feitos por designers profissionais o que agrega valor ao produto final. É evidente o potencial de desenvolvimento artesanal o que, aliás, é realidade em vários estados nordestinos. O que me parece faltar é a capacidade de fazer essas iniciativas se tornarem auto-sustentáveis e virarem um negócio lucrativo. Acima de tudo, esse fim de semana me fez perceber o quão malvado é o estigma que carrega Teresina em função de seu clima extremo. Isso nos impede de conhecer melhor seu povo e nos faz desconhecer suas potencialidades latentes.

2 comentários:

Beto disse...

Como você disse, nos falta propriedade para falar sobre Terezina, mas pelo menos posso dizer que o povo é maravilhoso, pois conheço vários piauienses.

O que eu gostaria de comentar é que em Juazeiro do Norte, minha cidade, uma mulher empreendedora reuniou dezenas de bordadeiras da cidade e as encomendou alguns modelos de bordado a serem fixados nas alças de sandálias do tipo "havaianas". Esse detalhe, que é chamado "inserto" pela indústria calçadista, ajudou a diferenciar e agregar valor a um produto normalmente barato. Essa empreendedora recebe pedidos de todo o Brasil e agora começa a propectar negócios no exterior.

Essa idéia simples, mudou a vida de várias famílias pobres que passaram a ter renda crescente.

Empreender não é apenas atender a um nincho específico ou colocar uma idéia nova no mercado. É também ajudar a sociedade a superar seus problemas por si só sem depender da boa vontade dos governantes.

Ana disse...

Que bom que gostou daqui! Sou uma paulista praticamente Teresinense que cheguei há quase três anos e só não gosto do calor entre setembro e dezembro. No resto do ano, até gosto do clima, de verdade. Tb sou louca pelo artesanato daqui! Acho que vc não conseguiu pegar a exposição Casa Piauí que estava tendo no shopping, coisas lindissimas, super baratas. Tapetes ma-ra-vi-lho-sos! até mais!