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sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Belchior

Depois do choque da notícia da morte de Belchior em uma tentativa de roubo deu-se uma terrível sensação de impotência frente à trágica situação que vivemos. Para mim em particular que tenho voltado meus esforços profissionais para contribuir com a Segurança Pública, tratou-se de uma enorme ducha de água fria. Só agora me sinto em condições de escrever algumas palavras. O que dizer de uma pessoa que tinha uma expressão tão singela? Em todos os momentos que convivemos ele sempre me ofereceu um olhar fraterno e cordial. Sabia defender suas posições com uma indescritível ternura que o fazia firme e reputado. Tratava-se daquele tipo de pessoa que você pode confortavelmente encher de elogios que nunca vai parecer exagerado. Mas nada como a humildade com que sabia viver a despeito da qualificação que possuía. E olhe que se tratava de qualificação com reconhecimento nacional e internacional. Para nós, professores e pesquisadores, o bem mais precioso é o conhecimento. E não é difícil nos embevecermos pela vaidade de saber, de dominar os assuntos, de se sentir inteligente. Numa época em que somos facilmente escravizados pela constante necessidade de sermos reconhecidos, Belchior era um exemplo de que esse reconhecimento pode se fazer calma e mansamente da mesma forma como ele falava. Sem arroubos, sem exageros. E o que é melhor: em concomitância com a aquisição do bem querer e do respeito. O carinho que seus alunos sempre lhe demonstraram comprova isso. Tenho constantemente em meu pensamento sua família, Fátima, Arnaldinho e, em particular Mairon, que faz parte de nosso grupo de pesquisa. E em função disso escrevo aqui. Não posso me furtar de dar o depoimento de que Belchior foi uma pessoa de quem eles podem e devem se orgulhar. Nós, como amigos, temos obrigação de lembrar isto sempre.

6 comentários:

Luis Eduardo disse...

Caro Vasco,

Não lembro se conhecia o Belchior. Porém, você o descreveu tão bem que parece que ele é um velho conhecido meu.

Sinto pela morte de um amigo e rezo pela sua família

Luis Eduardo

Vinicius Machado disse...

Vasco,

Qualquer outro elogio à personalidade do Prof. Belchior será redundante diante de sua descrição. Simplesmente uma pessoa admirada e querida por todos.

Com relação aos "canseis", este caso reflete minha opinião sobre o assunto. Acredito que nunca vou me cansar de me chocar muito menos de me indignar.

Abraços...

Beto disse...

Brilhantes palavras em reconhecimento ao Professor Belchior. Ele partiu, mas a sua história de vida, o seu jeito de ser ganhou tanta notoriedade agora que vai nos inspirar por muito tempo para que nos tornemos pessoas cada vez melhores, mais humanas, sem perdermos a capacidade de fazermos a diferença no mundo em que vivemos.

Keninha disse...

Depois dessa trágica notícia e do choque, tenho pensado muito no Belchior. No decorrer de quase 10 anos, convivemos com ele como alunos na graduação, como alunos no mestrado, como profissionais e também pupilos no Banco do Nordeste, como pesquisadores escrevendo artigos juntos e organizando congressos e como amigos nas conversas do dia-a-dia. Só são lembranças boas, que pessoa especial!
Em meio a tanta reflexão sobre "fazer a coisa certa", o Belchior é um exemplo a se seguir!!! Estamos rezando por ele e por sua família.

Fernando Lincoln disse...

Disse tudo e disse bem, Vasco. Eu convivi pouco com o Belchior, mas os contatos que tivemos foram marcantes - todos os elementos que você citou eram notados em poucos minutos de conversa, tamanha a força de sua personalidade.

Anônimo disse...

Vasco,
Nos últimos dias temos lido e recebido várias mensagens vidas de alunos, de colegas de trabalho, professores e funcionários que conviveram com o Belchior. Algumas mensagens são longas, outras mais breves, umas mais chorosas, outras mais leves. A sua mensagem, Vasco, é uma sincera e carinhosa homenagem a uma pessoa que marcou nossas vidas, não apenas pelo conhecimento, mas principalmente, pela sua amibilidade, sua simplicidade contagiante, sua serenidade intrigante. Isso, sim, nos fará muita falta...