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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

FHC disparado


Fiquei surpreso com o resultado da votação no iG sobre qualpresidente fez mais pelo Brasil. FHC teve maioria absoluta com quase a metade dos votos de Lula, o segundo colocado.

Sem entrar no mérito sobre as opiniões dos internautas, minha surpresa vem do fato de que os primeiros números das pesquisas eleitorais para prefeito têm mostrado que  Lula ainda continua muito forte como cabo eleitoral. Aqui em Fortaleza, por exemplo, nada pode explicar a subida do candidato do PT nas pesquisas a não ser o apoio de Lula. Ficou-me a dúvida, será que a amostra de usuários do iG é tendenciosa? Ou o resultado seria fruto de um perfil típico dos que acessam Internet de uma forma geral? Alguém arrisca uma explicação?



segunda-feira, 18 de abril de 2011

FHC em sua Plenitude


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso escreveu um extenso artigo semana passada  que li e reli. Acessem-no integralmente aqui. Trata-se de um artigo denso, muito bem articulado e cheio de reflexões inteligentes, provocadoras e instigantes. De tão instigante, alguns políticos de seu próprio partido vieram a público para se posicionar contra. Infelizmente FHC parece achar possível escrever somente como sociólogo e não mais como ex-presidente. Isso é impossível. Esquece (ou não se incomoda) de que é difícil lê-lo sem paixão. Ao não perceber isso, exagera na exposição e fica vulnerável à mesquinhez que predomina no jogo político nacional.

Independente disso, eu acho que, na época atual, onde a mesmice intelectual prevalece na política, FHC é um dos poucos que consegue quebrar essa monotonia. Primeiro veio sua defesa da descriminalização dos usuários de droga, agora vem esse artigo de diretrizes de uma nova política. Sua imagem, no entanto, é muito desgastada. Lula conseguiu desconstruir FHC e, aliás, ainda o faz. Sobre esse artigo em particular, ele fez logo uma interpretação simplória, quase maldosa, de que FHC estava sugerindo esquecer o povão. Chegou a dizer “não sei como alguém estuda tanto  para dizer que devemos abandonar o povão”. 

FHC não queria desprezar o povão e é simples perceber isso (se for lido sem paixão e honestamente). O que ele disse claramente é que o Brasil está se tornando um País de classe média. Que classe média é essa? O que ela vai defender? Quais são os valores que vão caracterizá-la?  Há um enorme espaço político para oposição, se conseguir capturar e seduzir essa classe. FHC considera que o povão é muito  identificado (mesmo cooptado e aparelhado) com o governo Lula, PT e Dilma, mas o primordial é de que essa massa será menos determinante (em termos quantitativos) nas eleições. Já somos em torno de cem milhões de classe média. Senão vejamos o que ele escreveu em um trecho do artigo:
Sendo assim, dirão os céticos, as oposições estão perdidas, pois não atingem a maioria. Só que a realidade não é bem essa. Existe toda uma gama de classes médias, de novas classes possuidoras (empresários de novo tipo e mais jovens), de profissionais das atividades contemporâneas ligadas à ti (tecnologia da informação) e ao entretenimento, aos novos serviços espalhados pelo Brasil afora, às quais se soma o que vem sendo chamado sem muita precisão de “classe c” ou de nova classe média.
Concordando-se com esse diagnóstico, vem logo o segundo aspecto: não será mais fundamental enfatizar nas políticas compensatórias nascidas ainda em seu governo e implantadas com a dimensão massiva que marcou o governo Lula.  Mostrando estar antenado com o que acontece no mundo virtual, ele se refere às novas formas de participação popular e formação de comunidades e redes sociais.
Pois bem, a imensa maioria destes grupos – sem excluir as camadas de trabalhadores urbanos já integrados ao mercado capitalista – está ausente do jogo político-partidário, mas não desconectada das redes de internet, Facebook, YouTube, Twitter, etc.
Ainda sobre as redes sociais,
No mundo interconectado de hoje, vê-se, por exemplo, o que ocorre com as revoluções no meio islâmico, movimentos protestatórios irrompem sem uma ligação formal com a política tradicional. Talvez as discussões sobre os meandros do poder não interessem ao povo no dia-a-dia tanto quanto os efeitos devastadores das enchentes ou o sufoco de um trânsito que não anda nas grandes cidades. Mas, de repente, se dá um “curto-circuito” e o que parecia não ser “política” se politiza. Não foi o que ocorreu nas eleições de 1974 ou na campanha das “diretas já”?
Como disse antes, o artigo de FHC é extenso e poderia ser sublinhado em diversos pedaços. Suas ideias merecem ser debatidas, concordemos ou não com o que ele professa, mas admitamos que nos dias atuais suas ideias são o pouco de instigante que nasce da oca política brasileira. O PSDB então deveria logo se apropriar de muito exposto por FHC, senão “outro vem e come”. 

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Entrevistas com Homens Públicos Tem Que Ser Hard Talk

Acompanhei recentemente duas entrevistas dadas pelo Governado Cid Gomes em programas televisivos, um da TV Diário outro da TV OPovo. Surpreendeu-me a passividade dos jornalistas entrevistadores. As entrevistas acabam por se tornar um espaço de propaganda de ações realizadas ou para externar a opinião do homem público. Raramente as respostas dadas geraram alguma réplica que o levasse a uma argumentação mais detalhada e consistente. Senti limitações dos entrevistadores em relação ao domínio dos dados e problemas da administração pública o que os impediu de realizar questões mais aprofundadas. Acho valiosíssimo que as autoridades venham a público se posicionar frente ao eleitorado, mas da forma como foi feito, deixou um gostinho de quero mais. Abaixo publico uma das entrevistas mais extraordinárias que já assisti. Fernando Henrique Cardoso frente a frente com o jornalista britânico da BBC Stephen Sackur no programa Hard Talk (Conversa Dura). Esse programa é conhecido por suas entrevistas pontiagudas em que o repórter se esmera em realizar perguntas capciosas. É um exemplo de uma imprensa questionadora, mas não posso deixar de mencionar que serve também de exemplo do espírito democrático e da habilidade retórica do ex-presidente. Para entender o contexto, percebam que essa entrevista foi dada em Julho de 2007 no momento em que mensalão e outras crises políticas estavam nos noticiários nacionais.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Continuidade Dá Voto!

Em qualquer pesquisa informal ou mesmo formal que é feita sobre onde está o melhor desempenho do governo Lula, invariavelmente a economia e a política assistencialista estão entre as maiores contribuições. Este é o maior exemplo de como a continuidade pode ser benéfica a nação. Não há dúvidas que Lula e seu governo se aproveitam da boa administração econômica, mantendo o plano real de FHC para aumentar seus índices de popularidade. Da mesma forma ele estendeu o programa bolsa família (lançado no governo FHC) tornando-o um dos carros-chefe de seu governo. É exatamente este o ponto que considero mais interessante. Lembro-me que no começo de sua gestão, o fato de continuar a política do governo anterior foi criticado duramente pela oposição. Argumentava-se que, enquanto oposição, os petistas defendiam uma coisa, no governo, a postura foi outra. Depois que esse discurso se desgastou, veio o debate sobre de quem era o mérito das boas iniciativas econômicas e sociais: do governo FHC ou do governo Lula? Minha opinião é de que essa conversa toda não interessa para a população e os índices de popularidade do presidente demonstram isso. Acho na verdade que ela é reveladora de outro aspecto muito mais relevante e de que deveria estar sendo assimilado pelos aspirantes a governo: o povo está cansado de dinheiro jogado fora por falta de continuidade. Esse hábito de desfazer para fazer com a marca do novo governo tem que acabar. Os bons exemplos de prática da continuidade que mencionei sustentam o atual governo e isso é muito bom. Nada mais lógico e racional do que aproveitar o que já está em andamento. Qualquer gestor público sabe o quão difícil é implantar mudanças e os primeiros anos são os mais duros requerendo altos investimentos e sem que os retornos sejam visíveis. Espero chegar o tempo das campanhas eleitorais onde os candidatos serão obrigados (por percepção da vontade popular) a se comprometer com projetos bons que estão em andamento.Recentemente escutei do governador Serra que em São Paulo vai estender um programa educacional criado por Marta Suplicy. Espero que a moda pegue. Lucraremos todos.