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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Meus votos ao novo prefeito


Passada a disputa, o concreto agora é que Roberto Claudio vai ter que arregaçar as mangas e trabalhar muito. Se não bastasse o desafio de ser prefeito de uma cidade cheia de problemas e desigualdades, será ainda o prefeito da Copa. Um desafio que traz consigo boas oportunidades.

Oportunidades como as que já vêm sendo discutidas pela mídia, sociedade organizada e governo de cunho econômico, de mobilidade urbana e de infraestrutura básica. Queria, no entanto, discorrer sobre uma não menos relevante: a oportunidade de gerar uma corrente de participação do cidadão fortalezense. Eleições acirradas movimentam a paixão dos eleitores e por isso mesmo os fazem se engajar. A Copa de Futebol é um ingrediente a mais nesse contexto. Cabe ao novo prefeito aproveitar a oportunidade e criar condições para que o engajamento persista e mais do que isso contagie a todos.

Creio que sua primeira tarefa é dar mostras aos fortalezenses que tem  identidade própria. Mais do que apadrinhado por um ou outro, ele é agora credenciado por mais da metade dos eleitores fortalezenses.  Isso é que vai contar daqui pra frente. Será isso que permitirá que escape dos estereótipos de rejeição que predominaram nessa eleição. Tem que ser o prefeito de todos.

Tenho escrito sobre o papel do homem público na tarefa de liderar um movimento de melhoria de postura do cidadão em relação à cidade. Precisamos de um animador, um educador social, enfim, um líder. Roberto Claudio terá a sua oportunidade para fazer isso. A campanha e a vitória serviram para mostrar que ele tem luz própria. Afinal, se estamos a falar de oportunidades, não podemos deixar de reconhecer que ele aproveitou a que lhe apareceu. Nem todos conseguem ver o cavalo selado. Menos ainda são os que nele montam. Espero que consiga elevar o nível da política municipal, da administração pública e que consiga criar  esse senso de engajamento.

* Artigo publicado no O Povo de hoje na coluna Opinião



domingo, 21 de outubro de 2012

E os vencedores são ...


Independente do resultado das eleições na semana que vem, creio já ser possível apontar os vencedores. Um deles é Heitor Ferrer. Trata-se de um vencedor não só pela expressiva votação que obteve, mas especialmente pela forma como não conseguiu ir ao segundo turno. Não ganhou, mas levou algo que não é fácil de conseguir na política: credibilidade.

De quebra ganhou muito espaço na mídia. Primeiro pela forma como perdeu, supostamente decorrente das falhas nas pesquisas, o que ecoou significativamente. Depois, usou bem sua intuição quando decidiu não apoiar nenhum dos dois candidatos ao segundo turno. Acabou conseguindo tanta notoriedade como se estivesse na disputa. No segundo turno, se falou mais de Heitor do que dos candidatos.

O outro vencedor foi Luizianne Lins. Ela, quer gostem ou não de sua administração,  demonstrou pela segunda vez que tem um feeling político sem igual. Já está na história da política cearense. Não da forma como Maria Luiza Fontenele pelo pioneirismo, mas pela liderança.  Não bastasse a forma com foi eleita pela primeira vez, contra tudo e contra todos (inclusive Lula), ela voltou a arriscar quando lançou o candidato isoladamente. Apostou alto. Se deu bem.

Os Ferreira Gomes tinham preparado todo o terreno para ocupar o espaço de centro-esquerda. Cooptaram os petistas mais entusiasmados por cargos e ávidos por chegar logo ao poder. Luizianne percebeu toda a manobra. O que estava em jogo era mais do que a eleição municipal deste ano. Tratava-se, na verdade, da disputa pela hegemonia política no Estado. Ah se suas decisões administrativas fossem tão acertadas quanto as políticas ! 

terça-feira, 24 de julho de 2012

Criativa Mobilização Social


Google, Facebook  e outros que vivem das redes sociais virtuais têm muito que ensinar à classe política. Esses gigantes da Internet nunca deixam de reconhecer que precisam incansavelmente compreender o comportamento de seus usuários. Eles sabem muito bem que as pessoas são fortemente influenciadas, para o bem ou para o mal, por suas redes sociais.  Para não perderem seguidores, todas as mudanças em seus produtos passam pelas etapas Teste, Aprenda e Execute.  

Aplicar metodologias similares para compreender o que milhares de pessoas sentem e reagem dentro de suas redes sociais deve despertar o interesse de nossos governantes da mesma forma que aos empreendedores da Internet.  Alguns políticos mundo afora já perceberam como as ciências comportamentais e o estudo das redes sociais (virtuais ou não) podem ser importantes ferramenta de gestão.

O governo britânico, com a ajuda de cientistas comportamentais, realizou estudos em que enviou cartas a contribuintes em débito com o fisco pedindo que regularizassem sua situação. Fez isso em dois grupos distintos. No primeiro, fez uma solicitação de quitação de débito normal. No segundo, o texto solicitava o pagamento dos impostos devidos, mas comparava o contribuinte com outros do mesmo setor ao dele. Dizia, por exemplo, que a grande maioria dos contribuintes do setor já havia regularizado sua situação fiscal pagando em dia. A mera comparação do contribuinte com aqueles que compõem sua rede social profissional fez com que a quantidade de regularizações deste segundo grupo fosse cerca de 15% maior do que a do primeiro grupo.  

Eis aqui um enorme campo a ser explorado por nossos governantes.  A mobilização da sociedade, buscando motivá-la e incitá-la a ações positivas, é condição determinante para a efetiva implantação de leis e de políticas de governo.  

* Artigo publicado no Jornal O Povo na coluna Opinião de hoje

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Valeu a Pena?


Vi-me refletindo sobre qual balanço deve fazer Cid Gomes após a aliança (dita) com Luizianne ter se desfeito. Uma aliança que inclusive o levou, cerca de um ano e meio atrás, a romper com Tasso Jereissati quando apoiou o Pimentel para o senado. Ao contrapor-se a Tasso tomou uma decisão que parece-me ter se fundamentado na crença de que a troca de conveniências que vivia era por demais valiosa. Mais valiosa do que afinidades de estilo, pensamento e forma de governar que pareciam existir. 

Para alguém que não vive na política como eu é difícil compreender a lógica seguida pelos que nela vivem.  É fácil repetir que a política é feita de coligações, partidos, alianças, sapos engolidos e blá, blá, blá. Mas tendo a achar que existe alguma ética de afinidades programáticas ou ideológica que devem ser perseguidas. Pelo menos era para ser assim. Não vem sendo o caso aqui no Estado.

Sempre ficou evidente que os governos estadual e municipal pensavam diferente em suas ideias mais determinantes (e.g. estaleiro no titanzinho).  Na verdade, PT e PSB pós Ferreira Gomes também deram várias mostras que pensavam diferente. Bem, se Cid considera que valeu a pena ou não, não cabe a mim dizer e nem é de fato muito relevante. A questão mais relevante refere-se ao balanço que nós cidadãos fizemos desse tempo de aliança. Ela nos foi positiva ?

Não consigo achar indicações que sim. Não vi o surgimento de políticas integradas, muito pelo contrário (e.g. buracos nas ruas). Não vi plano integrado por prevenção em Segurança Pública, coisa que considero fundamental para o combate á violência e nem vi ações políticas articuladas pela bancada em prol do Estado. A aliança teve ainda o deletério efeito de sufocar as opiniões contraditórias. Implantou-se um pacto do silêncio que só era quebrado pelas tuitadas de alguns em razões e momentos muito pouco claros.  

O que espero é que não escutemos novamente, nas próximas eleições, as promessas de que vamos trabalhar em sintonia com Estado e União porque somos aliados. Os acordos de conveniência tem feito como que esse discurso fique cada vez mais desagastado.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Fofocas e a Política Personalista

A pobreza da política cearense ganhou um grande aliado: os meios de comunicação. Lendo os jornais e as redes de TV locais, vejo como os mesmos caíram integramente na armadilha de ficar insistentemente focando na posição das “personalidades políticas” e desfocando o conteúdo do que pode (e deve) emanar das mesmas. O nome para isso não é outro senão fofoca.

É verdade que nossa política é e sempre foi muito personalista. Não me parece ser algo específico do Ceará. Mas atualmente, isso está cansativo demais. A aliança Luizianne, Cid, Pimentel, Eunício, gregos e troianos gera notícia de péssima qualidade e extremamente fútil. O tititi já chegou a ser primeira página de jornal. Um mar de especulações sobre quem apoia quem, quem vai apoiar quem, quem falou de quem, arghhh. E as ideias? Alguém tem alguma?

Não satisfeitos com essa fofocada geral, correm para escutar Tasso Jereissati em um ambiente onde ele falaria sobre empreendedorismo e liderança empresarial. Perguntam-no de qualquer forma sobre o que acha do tititi requentado diariamente. Deve ter sido muito triste escutar a resposta do ex-senador: “isso é problema deles”. Não xingou ninguém? Não tem graça.  

Seria bom fugir dessa armadilha. Estamos em ano de eleição e não há absolutamente nenhuma discussão sobre a cidade. Estou querendo demais?

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Agrotóxico Para os Pobres!

Incrível! Estive a falar sobre política nesses últimos dias e parece que o descalabro não acaba mais. Vou buscar mudar de tema, mas antes disso, deixem-me mostrá-los esse vídeo abaixo.
As imagens e discursos falam por si. O raciocínio da parlamentar é totalmente sulrreal. Não me contive quando ela  chuta uns números inconsistentes. Nem precisa contra-argumentar, ela mesmo já disse antes que não sabe os números. No final, a conclusão que tenho é que, morrer de forme, os "pobres" brasileiros pobres não podem, mas morrer envenenados, aí sim, podem. A diferença é que vai ter muito nego com o bolso cheio, né.



via viomundo

terça-feira, 9 de agosto de 2011

De Banheiros e Eleições

Deparei-me pensando sobre banheiros, eleições e política. Antes que o caro leitor relacione isso tudo com mau odor e derivações (o que, aliás, seria uma inferência mais do que justificada) deixem-me esclarecer.

Ao acompanhar o noticiário sobre o que está sendo chamado de escândalo dos banheiros, li uma matéria sobre como se portaram a maioria dos deputados estaduais quanto à questão. Barraram a abertura de uma CPI, relativizaram tudo e decidiram que nada daquilo era com eles. Na matéria havia uma foto de deputados com quem cheguei a me identificar um dia e até, reconheço, forneci meus votos. Numa época, não muito longínqua (pelo menos gosto de pensar assim) em que defendiam ética, espírito público e uma nova forma de fazer política. Hoje eles são governo. E não é pouco não. São governo municipal, estadual  e federal. Conheceram o poder. Defendem tudo que deles vêm. Não têm limites.

Viro a página do jornal. Leio outra matéria. Desta vez veicula-se a forma com as lideranças políticas se articulam para apresentar os candidatos à eleição municipal. Os que detêm o poder se organizam para manter o status quo. Cada um com seu pedaço, tudo dominado.  Me pergunto: mas será que isso não os incomoda mesmo? Seria somente a nossa (minha e deles, mais minha obviamente) ingenuidade de jovens que nos fez acreditar no propagado outrora?  

O escândalo dos banheiros além do mérito em si, escancara, à fossa aberta, a situação de nossa política. E aí, começo a achar que não há mesmo outra relação mais significativa do que o fedor.

Tout d’un coup torno-me um otimista. Lembro-me que as eleições municipais chegarão em breve e o fortalezense já demonstrou em outros momentos que não coaduna com jogo de cartas marcadas. 

* Artigo publicado na coluna Opinião hoje no Jornal O Povo

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Indignado

Essa semana escutei uma notícia no rádio que ficou na minha cabeça e quanto mais penso nela, mais fico indignado. A notícia era simples. Dizia que o Metrô de Fortaleza poderia ficar pronto em 2012 e que já fazia 14 anos que ele estava sendo construído. Isso mesmo! 14 anos!

Não é para indignar-se? Que justificativas podem existir senão a mais completa indiferença de uma classe política que não se respeita e que por isso não merece mesmo respeito. Para completar minha indignação, o Jornal O Povo desse domingo mostra o nível de propostas que os nobres deputados estaduais fazem na Assembleia Legislativa. São elogios, batismos de nomes de praças, condecorações e todo tipo de bajulação sem a menor relevância para a sociedade.

Os senadores e deputados federais, que em sua grande maioria são situação, fazem de tudo para ter cargos e benefícios, mas não fazem a menor força para sensibilizar um governo dito desenvolvimentista, ou talvez mais ufanista, a terminar uma obra tão importante. O governador atual e os anteriores sempre apoiaram o Governo Federal. O governador atual chegou a dizer que Lula tinha sido o maior presidente para o Ceará de todos os tempos. Em oito anos Lula destinou migalhas para finalizar a obra. E os políticos cearenses? Onde estavam ? Aliás, onde estão? Como isso ocorre num Estado que deu a maior vitória a Lula e continuou a dar o voto de confiança a Dilma? É certo que a vontade do povo cearense nas últimas eleições foi de que o poder não mudasse de mãos.  Mas não creio que o povo está dizendo que aceita situações como essa do Metrô. Se os nossos representantes não percebem isso, não merecem reconhecimento.

Em tempo, quinta-feira estava reunidos com amigos e uma proposta de fazer ações sociais e solidárias surgiu. Dentre as inúmeras ideias apresentadas, poucas tiveram a unanimidade de uma que foi colocada no calor da discussão: “Não vamos envolver nenhum político”. É compreensível.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Financiamento Público de Campanha


Volta e meia a questão do financiamento público de campanha é discutida no Brasil. Ouço sempre argumentos prós e contras, mas creio que os mesmos não focam o principal.

Quero logo esclarecer que sou a favor. Mas não o sou porque ache que isso vai impedir candidaturas milionárias ou que o poder econômico deixe de prevalecer nos certames. Não sou inocente de achar que essa medida vai fazer com que todos os candidatos compitam no mesmo patamar.

No entanto, acho que o maior benefício do financiamento público de campanha é o de elevar o debate. Uma das razões de nossa política ser tão sofrível é porque os candidatos são ruins. Há muita gente boa que tem uma mensagem qualificada a passar, possui boas idéias, boa vontade e pode defender valores louváveis, mas que não entra na política porque não tem dinheiro para uma campanha mínima.

Embora não deixe todos os candidatos em condições iguais, o financiamento público vai colocar gente boa na política e isso é essencial para a melhoria do País como um todo.  Repito que sei que o poder econômico ainda será determinante para ganhar eleições, mas tenho certeza que vai ter muita gente que vai qualificar o debate. Algumas surpresas acontecerão. Será a única forma de renovar verdadeiramente os parlamentos.

O grande desafio é convencer a população de que o dinheiro gasto nas campanhas tem retorno. Acho que a renovação do parlamento, como espero que ocorra, por menor que seja, vale qualquer preço.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

FHC em sua Plenitude


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso escreveu um extenso artigo semana passada  que li e reli. Acessem-no integralmente aqui. Trata-se de um artigo denso, muito bem articulado e cheio de reflexões inteligentes, provocadoras e instigantes. De tão instigante, alguns políticos de seu próprio partido vieram a público para se posicionar contra. Infelizmente FHC parece achar possível escrever somente como sociólogo e não mais como ex-presidente. Isso é impossível. Esquece (ou não se incomoda) de que é difícil lê-lo sem paixão. Ao não perceber isso, exagera na exposição e fica vulnerável à mesquinhez que predomina no jogo político nacional.

Independente disso, eu acho que, na época atual, onde a mesmice intelectual prevalece na política, FHC é um dos poucos que consegue quebrar essa monotonia. Primeiro veio sua defesa da descriminalização dos usuários de droga, agora vem esse artigo de diretrizes de uma nova política. Sua imagem, no entanto, é muito desgastada. Lula conseguiu desconstruir FHC e, aliás, ainda o faz. Sobre esse artigo em particular, ele fez logo uma interpretação simplória, quase maldosa, de que FHC estava sugerindo esquecer o povão. Chegou a dizer “não sei como alguém estuda tanto  para dizer que devemos abandonar o povão”. 

FHC não queria desprezar o povão e é simples perceber isso (se for lido sem paixão e honestamente). O que ele disse claramente é que o Brasil está se tornando um País de classe média. Que classe média é essa? O que ela vai defender? Quais são os valores que vão caracterizá-la?  Há um enorme espaço político para oposição, se conseguir capturar e seduzir essa classe. FHC considera que o povão é muito  identificado (mesmo cooptado e aparelhado) com o governo Lula, PT e Dilma, mas o primordial é de que essa massa será menos determinante (em termos quantitativos) nas eleições. Já somos em torno de cem milhões de classe média. Senão vejamos o que ele escreveu em um trecho do artigo:
Sendo assim, dirão os céticos, as oposições estão perdidas, pois não atingem a maioria. Só que a realidade não é bem essa. Existe toda uma gama de classes médias, de novas classes possuidoras (empresários de novo tipo e mais jovens), de profissionais das atividades contemporâneas ligadas à ti (tecnologia da informação) e ao entretenimento, aos novos serviços espalhados pelo Brasil afora, às quais se soma o que vem sendo chamado sem muita precisão de “classe c” ou de nova classe média.
Concordando-se com esse diagnóstico, vem logo o segundo aspecto: não será mais fundamental enfatizar nas políticas compensatórias nascidas ainda em seu governo e implantadas com a dimensão massiva que marcou o governo Lula.  Mostrando estar antenado com o que acontece no mundo virtual, ele se refere às novas formas de participação popular e formação de comunidades e redes sociais.
Pois bem, a imensa maioria destes grupos – sem excluir as camadas de trabalhadores urbanos já integrados ao mercado capitalista – está ausente do jogo político-partidário, mas não desconectada das redes de internet, Facebook, YouTube, Twitter, etc.
Ainda sobre as redes sociais,
No mundo interconectado de hoje, vê-se, por exemplo, o que ocorre com as revoluções no meio islâmico, movimentos protestatórios irrompem sem uma ligação formal com a política tradicional. Talvez as discussões sobre os meandros do poder não interessem ao povo no dia-a-dia tanto quanto os efeitos devastadores das enchentes ou o sufoco de um trânsito que não anda nas grandes cidades. Mas, de repente, se dá um “curto-circuito” e o que parecia não ser “política” se politiza. Não foi o que ocorreu nas eleições de 1974 ou na campanha das “diretas já”?
Como disse antes, o artigo de FHC é extenso e poderia ser sublinhado em diversos pedaços. Suas ideias merecem ser debatidas, concordemos ou não com o que ele professa, mas admitamos que nos dias atuais suas ideias são o pouco de instigante que nasce da oca política brasileira. O PSDB então deveria logo se apropriar de muito exposto por FHC, senão “outro vem e come”. 

quinta-feira, 3 de março de 2011

Como é bom um parlamento (que funciona)


Tenho sido ácido na minha percepção da política, em especial, da cearense. Não posso deixar de mencionar quando algo positivo emerge desse contexto. Em Fortaleza, na semana passada a câmara de vereadores aprovou uma lei proposta pelo vereador Guilherme Sampaio que ficou conhecida como Lei do Paredão. A proposta é coibir os abusos de poluição sonora da cidade através do uso de caixas de som superpotentes.

Para mim, o processo todo como se deu a discussão da supramencionada lei é um exemplo de como, se usado corretamente, o sistema de tri-partição de poderes é elegante e adequado à democracia. O legislativo escuta a sociedade, propõe leis, discute mais um pouco dando espaço às diferentes opiniões e delibera. Simples e efetivo. No entanto, nos dias atuais isso tem sido muito difícil. Os parlamentos brasileiros em todas as esferas têm se esforçado para se desmoralizar. Propõem cada vez menos e com isso deixam espaço para o executivo fazê-lo. Na verdade, parlamentares estão, cada vez mais, somente a aceitar o que os governos propõem. Sintomático ainda é o fato de que, recentemente, até o judiciário tem legislado mais do que o próprio legislativo.

Mas, como já disse, deixem-me enfatizar o bom exemplo. A Lei do Paredão é daquelas coisas que nos faz parecer civilizados (talvez sejamos J) A sociedade que se organiza para defender o direito dos indivíduos na coletividade. Parabéns aos vereadores. Resta-nos agora esperar que o executivo faça sua parte em colocar a lei em prática.  

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Governos e Campanhas Eleitorais


Governos não conseguem resolver sozinhos muitos dos problemas que afloram diariamente na vida de uma comunidade. Precisam da participação das pessoas, mas sofrem para serem catalisadores da energia popular. Muitas vezes nem percebem essa necessidade. Recentemente, li uma matéria jornalística que versava sobre como o lixo depositado nas ruas gerava poluição nas praias. Um exemplo clássico de como as ações governamentais de limpeza urbana não são suficientes. Se as pessoas sujarem indiscriminadamente não há serviço de limpeza que baste.

Conseguir o engajamento dos cidadãos às causas comunitárias envolve, dentre outras coisas, uma campanha educacional para além da sala de aula. A postura dos cidadãos no seu cotidiano pode e deve ser educada. Usar a criatividade em campanhas de conscientização com exemplos claros dos danos que atos inadequados podem causar é a melhor estratégia educacional.

Mas não é somente isso. O verdadeiro desafio para tornar essas campanhas efetivas é fazer com que sejam apropriadas pelos cidadãos. Elas precisam ser marcantes e gerar o sentimento de contágio. As pessoas têm que se sentir impelidas a participar, pois compreendem os impactos e, acima de tudo, se contagiam com a participação dos outros.

Alguns mais céticos acreditam que nossos governantes não são capazes de gerar isso. Digo que são, sim. O fazem muito bem quando querem se eleger. A mesma dinâmica usada durante uma campanha eleitoral que visa criar um movimento em torno de uma ideia ou de um nome de um candidato pode e deve ser usada nas ações de governo.

Temos exemplos de políticos que são excelentes na campanha. Agitam, interagem, convencem. Agindo assim conseguem ajuda para se eleger. Quando no governo, se apequenam, se fecham. Não conseguem ajuda para governar. Custa usar a mesma estratégia? 

*publicado na coluna opinião do Jornal O Povo, 22 de Fevereiro, 2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Eles Temem o Quê?


Essa semana que passou foi, para mim, marcante para a política cearense. Depois de uma matéria jornalística que relatava que o Gov. Cid Gomes tinha recebido um presente de um empresário para ir em seu (do empresário) jato particular ao exterior (durante as férias do governador), o deputado Heitor Ferrer fez uma solicitação na Assembléia para pedir maiores informações ao Governador. Não buscava nenhum veredicto, visava pedir informações.

A postura dos deputados foi mais um daqueles exemplos que nos faz perder crença no sistema político. Em particular ressalto a posição daqueles do PSDB que estão em “dúvida” se são oposição ou não (o que mesmo significa essa crise de oposição, eu não sei). O fato é que uma denúncia de irregularidade foi exposta. Mas eles todos (com a exceção do requerente Heitor) decidiram se omitir. Na verdade, essa atitude per se, não me surpreende muito. Afinal de contas as negociatas políticas estão aí diariamente expostas. Não há mais como ser ingênuo, nem como confiar nos representantes que lá estão.

Agora algo nessa história me chamou ainda mais a atenção e aumentou-me a repugnância. Trata-se da explicação dos deputados quando perguntados sobre a questão. Se limitavam a dizer nada com nada. Engoliam as palavras. Não tinham justificativas. O líder do PSDB não sabia o que dizer, mas soltou uma frase fantástica: “O governador Cid Gomes é um homem de bem”. Só tenho uma explicação para descrever tudo isso: tinham medo.

Mas estamos ou não numa democracia? Aliás, mesmo numa ditadura temos bons exemplos de pessoas corajosas. A covardia nunca foi páreo para idealistas. Mas nos dias atuais não há nem idéias, nem corajosos. Será que não percebem que o povo vê isso?

Acho apropriado assistir o vídeo da Dep. Cidinha Campos que circula na Internet. Continua recebendo menções de apoio pela coragem que representa. Pode até não ter provocado resultados concretos, mas como eles são nossos representantes, devem pelo menos expor nossa indignação que é cada vez mais crescente.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Os Desagradáveis e Incômodos Buracos de Fortaleza

O artigo da Prefeita Luizianne Lins no O Povo de hoje que versa sobre a, para lá de desgastada, questão dos buracos de Fortaleza é digno de comentário. Eu escrevo mensalmente naquele espaço e sei como é difícil passar uma mensagem em espaço tão diminuto. Ela conseguiu uma proeza. Tem mensagem ali para um caderno inteiro.

Mesmo que em sua linha mestra, o objetivo seja o de reconhecer que tem realmente muito buraco na cidade e discutir as causas e possíveis soluções, o que mais me chamou a atenção foi a relativização inicial do problema. A primeira frase é simbólica: os buracos são incômodos e desagradáveis. Algo como uma espinha, uma acne. Ou seja, chato, mas periférico, que não é essencial. Depois escreveu um parágrafo inteiro onde tentou caracterizar aqueles que não sabem dos serviços que a Prefeitura desenvolve.

Imaginemos qualquer munícipe que não tem filhos na escola pública, portanto não tem dimensão das melhorias na educação Municipal. Paga um plano de saúde que o faz não depender exclusivamente da saúde pública (mas quase dois milhões de pessoas dependem). Tem casa própria ou alugada, portanto não precisa de casas dadas ou reformadas pela Prefeitura - que já beneficiaram mais de 37 mil pessoas. Tem carro, então não usufrui dos avanços no transporte coletivo.

Bingo! Sou um desses munícipes (sem culpa)!

Depois de criar a classe daqueles que podem se sentir incomodados com os desagradáveis buracos ela continua e diz:

Talvez nesse momento ele lembre da Prefeitura!

Preciso dizer que não é só quando passo nos buracos que me lembro da prefeitura. Sou obrigado a fazer isso anualmente ao pagar o IPTU e mensalmente ao pagar ISS e todos os outros impostos e taxas, mesmo que não arrecadados diretamente pelo município, como a tarifa de iluminação pública, IR, etc.

Ainda por cima me pergunto: será que aqueles que fazem parte dos que “percebem” a Prefeitura também não percebem os buracos? Creio que sim. Percebem porque o trânsito para os ônibus também fica prejudicado com a buraqueira. Percebem porque os ônibus quebram. Percebem porque é feio. Enfim, percebem porque é o dinheiro deles também.

Essa me parece a falha fundamental do discurso de Luizianne. Ela tem uma tendência a considerar o problema da mobilidade urbana como uma questão ideológica de luta entre classes. Em especial, aqueles que têm carros e aqueles que não os têm. Não vou nem entrar no mérito da qualidade do serviço coletivo de transporte urbano, mas uma coisa é fato: ele ocorre sob as ruas e consequentemente quem dele faz uso “se lembra” da prefeitura a todo momento.

O que a Prefeita parece não conseguir perceber é que ela está ficando estigmatizada como alguém que não cuida da cidade. Esse é o ponto! Os buracos são somente um dos sintomas evidenciados pelo tratamento ruim que a cidade vem recebendo. As ruas mal sinalizadas, o descaso com o uso inadequado do espaço urbano  e a sujeira das ruas se integram naturalmente aos buracos para aumentar essa sensação. Não adianta querer ideologizar muito, pois o exemplo concreto do cotidiano é muito forte.



terça-feira, 2 de novembro de 2010

A Derrota de Serra: o PSDB precisa aprender com Minas

 Fiz questão de enfatizar nesse texto a derrota de Serra e não a vitória de Dilma. Primeiro porque não quero aqui fazer uma análise dos resultados da eleição em geral. Depois, porque muito tem se divulgado que o Nordeste foi o responsável pela vitória governista e consequentemente pela derrota de Serra. Faço uma leitura um pouco diferente das razões da derrota. Acho que o PSDB continua criando condições internas para perder.

Evidentemente que não posso deixar de considerar que algumas regiões do País demonstraram uniformemente a preferência por um ou por outro e que muitas pessoas votaram em Dilma porque achavam que ela era a melhor candidata. No entanto, creio que há algo não explorado na derrota de Serra que deve ser um aprendizado ao PSDB: desuniões internas.

Acho que a grande e inaceitável derrota de Serra foi em Minas Gerais. Ali sim, o candidato tucano foi derrotado flagrantemente. Como explicar que em um dos maiores colégios eleitorais do País, Aécio Neves com enorme popularidade, já eleito para o senado e tendo feito um governador sucessor, não consiga nem fazer com que o candidato de seu partido tenha maioria? Indício claro que o PSDB não marchou unido na campanha.

Essa não foi a primeira vez. Em 2002 Tasso Jereissati quis disputar as primárias com Serra e foi voto vencido. Não conseguiu convencer o partido de que a disputa seria salutar. De lá para cá, Serra não conseguiu nunca mais obter a simpatia do cearense. E a conseqüência disso não foi  somente a falta de apoio de Tasso. Foi sobretudo um sentimento de antipatia do cearense que achou que a atitude do partido e de Serra havia sido autoritária. Estava criado então o terreno fértil para os slogans tipo “Serra anti-nordestino”.

Na eleição deste ano a mesma situação se repetiu. Aécio Neves se apresentou como potencial candidato, mas, novamente, o PSDB paulista não permitiu maiores discussões sobre quem recairia a escolha. Fui a BH duas vezes e escutei com freqüência dos mineiros o mesmo tipo de comentário que escutei na época de Tasso. Havia sempre um ranço, um desgosto que não permitia criar um entusiasmo pelo candidato do partido. Por mais que Aécio tenha trabalhado, não foi suficiente.

A implantação de uma sistemática mais democrática de escolha do candidato deveria ser-lhe a maior aprendizagem de todas dessa campanha ao PSDB. Seria um ganho a mais na democracia brasileira.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Jamais diga uma mentira que não possa provar

A frase paradoxal que intitula esse texto é de Millor Fernandes e ilustra o que, ao meu ver, tornou-se a campanha para eleição presidencial. O “debate” (se é que se pode chamar assim) entre Dilma e Serra é talvez o maior símbolo do quanto a política nacional está aquém da Nação e do que Ela merece.

Os candidatos, assessorados por especialistas em marketing, buscam incessantemente encontrar manchas um no outro, e sobretudo, manchas que “peguem”. A campanha virou uma guerra de clichês sem igual. Dilma é favor da morte de criancinhas e é terrorista enquanto Serra detesta nordestinos e vai acabar com o Bolsa Família, só para exemplificar. Sob os olhos da população espantada, mentem e chamam-se de mentirosos. Esse parece ser justamente o único ponto que os faz convergir e provavelmente é onde estão certos.  A eleição se encaminha mais e mais para a escolha daquele que não queremos que seja presidente. Ou seja, será o voto pela exclusão do outro.

Os candidatos são reféns de uma estratégia que eles mesmos criaram. Abdicaram de um debate profundo e puseram-se em um contínuo e desgastante processo de infantilização da população como dito no primeiro turno por Marina Silva. Não conseguem defender nem mesmo aquilo em que acreditam. Consequentemente, não convencem.Tal situação eleva o desgaste da classe política e do processo democrático e só nos dá uma certeza, qualquer que seja o vencedor terá um governo que já entra perdendo.

O próximo presidente não nos ajudará muito a sonhar, nem a pensar no Brasil do futuro. Será presidente, mas não será líder. Como não podemos nos dar o luxo de perder a oportunidade de continuar progredindo, vamos ter que nos auto-motivar e aprender a sonhar por nós mesmos. Mas que a campanha de 2014 começará muito mais cedo, vai.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Coronelismo

Em tempo de eleição, os clichês abundam. Aparecem as mensagens e os rótulos que visam caracterizar pessoas, partidos e idéias. Normalmente, esses rótulos são pejorativos e a manipulação dos mesmos pode ser determinante para o sucesso ou fracasso de um candidato. Neo-liberal, esquerda, direita, privatização, comunista, terrorista, etc. são só alguns exemplos de rótulos que nos últimos anos estão em voga na nossa sociedade

Um desses rótulos me chama particular atenção, posto que regional e sempre presente nas eleições cearenses: o de Coronel. Quem são os coronéis de hoje? Alguns podem se apressar a responder que os empresários no poder são os coronéis de hoje. A Wikipédia, ao definir o conceito, diz que se trata de um fenômeno “onde se aplica o domínio econômico e social para a manipulação eleitoral em causa própria ou de particulares”.

Em tempos idos esteve sempre ligado aos latifundiários, mas hoje, pode ser aplicado a uma diversidade de políticos bem maior. O voto de cabresto, por exemplo, era uma das características mais marcantes do coronelismo. Trata-se de controle do poder político através da compra de votos ou utilização da máquina pública. Os súditos votam em quem o coronel indica!

Outra faceta típica do coronelismo era a busca incessante de calar os críticos e de “extirpar os inimigos” políticos. Não admira que a definição vem sendo usada com tanta freqüência. Uma ilustração do quão democrático batizar alguém de coronel se tornou, vejam o que recentemente o Deputado Federal Ciro Gomes disse da prefeita de Fortaleza: "Coronel de Saias'.  Você conhece mais alguém que merece esse rótulo?

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Imagens que valem por milhões de argumentos

Quem mudou? Lula? Os brasileiros? Os Sarney? A televisão brasileira? Só sei que a política é que não foi.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Web Cidadania

Se você é daqueles que se sente incomodado por não saber o que seu representante político anda fazendo no Congresso, o site Vote na Web vai lhe ajudar a reduzir esse incômodo (embora possa aumentar-lhe a indignação). Além de acompanhar o rendimento dos políticos, nele você pode acompanhar as propostas de lei em andamento no Congresso. O melhor de tudo é que você pode votar se concorda ou não com as mesmas.

Outro site que lhe permite ser mais atuante é o voto consciente. Acompanha o desempenho dos vereadores nas Câmaras Municipais em cidades de todas as regiões do País. Adorei a chamada que diz “Você controlaria sua conta bancária só uma vez a cada quatro anos?”. Claro que não ! Como então deixamos nossos políticos tomarem conta da parte de nosso dinheiro que é pública sem fazer nenhum acompanhamento? Por comodismo é que não será mais. A web permite cada vez mais colocar todo o contexto de informação pública a disposição dos cidadãos. Vamos esperar que iniciativas como as mencionadas comecem a mudar nossa cultura política.



terça-feira, 18 de maio de 2010

Financiamento Público para Times de Futebol: Quando Propaganda e Publicidade Não Convergem

Novamente o tema do financiamento público para times de futebol é a bola da vez.  O jornal O Povo apurou, a partir do portal da transparência do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), números alarmantes. Prefeituras que investiram mais de 1 milhão de reais em times profissionais que disputam o campeonato cearense de futebol. Já tinha escrito sobre assunto em outras oportunidades. É decididamente uma das coisas que me deixa inconformado.

Há um rol de razões para que isso não seja aceito pela sociedade. Desde o uso irregular das verbas, visto que abre possibilidades para desvios, até o fato de que acaba servindo para promoção individual de dirigentes (envolvidos com políticos ou com intenções eleitoreiras).  Sem me deter nas anteriores, outra causa que me desagrada sobremaneira é o fato de que há aqui um claro exemplo de incompreensão do que significa publicidade.

Refiro-me ao termo publicidade no sentido de tornar uma informação pública. Os governos possuem verba para publicidade (e é bom que as tenham.) O objetivo é de informar à sociedade sobre as ações realizadas com o dinheiro público. Trata-se de uma obrigação. Infelizmente, o que se vê hoje me dia é uma deturpação desse conceito. Os governantes fazem muito mais propaganda do que publicidade. Fazem-na quase sempre com fins de auto-promoção. 

Senão vejamos. Que tipo de publicidade faz um governante ao patrocinar a exposição da marca da sua Prefeitura na camisa de jogadores de Futebol? Que ações estão sendo publicizadas? Eu diria mesmo que é um tiro no pé. Está se publicizando a ação de propaganda de uma marca. A marca da Prefeitura ?! Isso tem sentido? 

O argumento dos governantes é de que todos fazem e é impossível não continuar. Bem, depois de Lula esse argumento ficou banalizado. Sem mais comentários.

Ressalto, como fiz nos textos anteriores, que não estou a dizer que não é papel dos Governos apoiar o esporte e, em particular, o esporte profissional. Mas as formas devem ser outras. Há, por exemplo, que se fornecer uma infra-estrutura correta e digna que dê acesso aos cidadãos apreciadores do esporte e contribuintes de impostos. O esporte como instrumento educativo também merece todo o apoio. Sugeri várias vezes que o dinheiro público fosse usado na criação de parcerias das escolinhas de futebol dos clubes com as escolas. Isso sim é de interesse público. Espero que o alerta do Jornal acorde os órgãos competentes e, principalmente, a sociedade cearense.