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terça-feira, 21 de agosto de 2007
Eu Me Importo com o Piauí!
"Não se pode achar que o país é um Piauí, no sentido de tanto faz quanto tanto fez. Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado". Esta frase do presidente da Philips para a América Latina e um dos líderes do movimento “cansei” quando de sua manifestação sobre esta campanha é merecedora de várias reflexões. Primeiro, ela serve para tornar o movimento mais atabalhoado ainda. Não bastasse a temática de indignação inoperante que já tinha acusado em textos anteriores (clique aqui para acessar), ela representa uma visão preconceituosa e elitista que faz um imenso mal ao País. Já tinha tido oportunidade, neste blog, de escrever sobre o malvado estereótipo que persegue os piauienses (clique aqui para acessar o texto), principalmente em função de seu clima extremo. Dito por um alto dirigente de uma multinacional, essa frase é ainda mais deslocada. Aliás, a vinculação do nome da multinacional a uma campanha como essa é extremamente duvidosa. Não consigo entender como o staff da holding deixou essa vinculação ocorrer. Reações negativas do povo piauiense levaram a um boicote (veja um blog sobre o tema clicando aqui ). Considerado o quinto maior cliente da marca 'Philips', o Grupo Claudino, através do Armazém Paraíba aderiu à campanha de boicote aos produtos da Philips. Não se trata de querer aqui enumerar as riquezas naturais ou econômicas do Estado. Trata-se simplesmente de respeitar àqueles que lá vivem e que certamente por terem criado suas raízes tem do que se orgulhar da sua terra. O mínimo que nos cabe fazer é respeitá-los. De qualquer forma em nome de tantos amigos e conhecidos piauienses, me sinto na obrigação de dizer: eu ficaria chateado, sim, se o Piauí deixasse de existir.
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segunda-feira, 11 de junho de 2007
Teresina Fresca!
Estive esse fim de semana em Teresina, capital do Piauí. A certeza de ter uma recepção calorosa de Thaís e Murilo já existia, mas confesso (com perdão do trocadilho) que existia outro calor que me prendia mais a atenção. Para minha feliz surpresa o clima estava muito agradável, nos mesmos níveis de Fortaleza, o que me permitiu passear mais do que normalmente faço. Com o clima ameno pude explorar uma das coisas que mais me entusiasma na cidade: sua riqueza de artesanato. Há muitas iniciativas criativas com o uso de materiais diversos dentre os quais a que aprecio mais são os tapetes feitos a base de palha de taboa. A taboa é uma espécie de capim alto dos brejos que cresce rápido e que pode dar até quatro cortes por ano. Ela é usada na fabricação de esteiras, tapetes e outros trançados. Outra iniciativa que conheci e que me fascinou foi a de artesãos com argila nas margens do Rio Poti. Trata-se do centro artesanal Poti Velho, ponto histórico de nascença da cidade, onde artesãos criam peças decorativas usando argila de diferentes cores. As peças produzidas impressionam pela beleza, criatividade e diversidade. É incrível como algumas peças se assemelham com peças de madeira que conheci recentemente em visita ao Havaí. Tive oportunidade de conversar com artesãs que fazem parte de uma cooperativa denominada Mulheres do Poti. São cerca de 25 artesãs que estão aprendendo a fazer negócio e que começam a divulgar seus trabalhos em outros Estados do Brasil. Perguntei sobre a possibilidade de fazer negócios com o exterior, mas elas disseram que ainda não têm planos para isso embora já tenham contactado o Banco do Brasil para saber sobre um programa de exportação. Conheci ainda outras iniciativas artesãs com o uso do couro na produção de bolsas e sacolas. Uma característica básica de todas essas iniciativas trata-se de que as mesmas começam a ter desenhos feitos por designers profissionais o que agrega valor ao produto final. É evidente o potencial de desenvolvimento artesanal o que, aliás, é realidade em vários estados nordestinos. O que me parece faltar é a capacidade de fazer essas iniciativas se tornarem auto-sustentáveis e virarem um negócio lucrativo. Acima de tudo, esse fim de semana me fez perceber o quão malvado é o estigma que carrega Teresina em função de seu clima extremo. Isso nos impede de conhecer melhor seu povo e nos faz desconhecer suas potencialidades latentes.
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