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terça-feira, 21 de agosto de 2012

SPAM Eleitoral


Para os não familiares com o informatiquês que invade nosso cotidiano, deixem-me definir o que significa SPAM. Trata-se do uso de sistemas eletrônicos de comunicação para enviar uma grande quantidade de mensagens não-solicitadas às pessoas.

A atual campanha para prefeito tem posto à prova o conhecimento dos candidatos e de suas equipes sobre o que é SPAM e sobre as formas que ele pode assumir. Os incômodos carros de som e, mais recentemente, o SPAM telefônico com o envio de mensagens gravadas mostram que as campanhas precisam evoluir muito na questão.

Detenho-me aqui ao SPAM por telefone, pois o acho até mais intrusivo e incômodo ao cidadão do que o popular SPAM através de emails. Uma chamada telefônica interrompe a rotina da pessoa, força-lhe uma ação, sem que ela tenha a menor ideia de quem seja e de que assunto se trata. Já imaginou se todos os candidatos decidem fazer a campanha disparando chamadas para a população? E se todos os empresários também decidem fazer o mesmo para anunciar seus produtos?

Além disso, a questão do SPAM telefônico levanta uma outra problemática: a da privacidade. Como os números telefônicos têm sido conseguido? De que base de dados eles vêm? Não me consta que essa informação esteja aberta ao público. Se está sendo comprada, quem tinha o direito de vende-la? Os usuários que tiveram seus números de telefone usados, permitiram o uso para esse fim?

Além de tratar-se de um péssimo exemplo, pois demonstra desconhecimento da ética de uso saudável dos meios de comunicação, duvido da efetividade de tal medida. Será que os que dela recorrem gravam a quantidade de desaforos que recebem das pessoas que se aborrecem ao receber o telefonema? Será que medem o impacto negativo nas redes sociais de tal prática?

Os candidatos têm obrigação de conhecer e respeitar essa nova ética porque, como homens públicos, têm um papel preponderante na tarefa de zelar para que os recursos eletrônicos e as informações privadas das pessoas sejam usados de forma responsável.  É uma boa hora de dar o bom exemplo.

* Artigo publicado na coluna Opinião do jornal O Povo de hoje

domingo, 5 de agosto de 2012

Campus Party Recife


Estive na semana passada na Campus Party (CP) em Recife a convite da Fundação Telefônica para participar de um painel de debates. Para os que não conhecem o que é a CP, trata-se de uma conferência tecnológica realizada em diversos locais no mundo desde 1997 quando surgiu na Espanha. Ela tem por principal característica ser bem abrangente e eclética, pois reuni várias comunidades de usuários da rede mundial de computadores envolvidos com tecnologia e cultura digital. Os jovens aficionados chegam a acampar nos espaços destinados a tal e participam de atividades que podem varar madrugada.

O painel que participei visava discutir as iniciativas de modelos de construção coletiva de conhecimento que vem transformando o comportamento, hábitos e valores da sociedade. Crowdsourcing  (nome em inglês para definir a participação das massas) é um desses modelos, que (Segundo a Wikipedia) utiliza a inteligência e os conhecimentos coletivos e voluntários espalhados pela internet para resolver problemas, criar conteúdo e soluções ou desenvolver novas tecnologias. A ideia era mostrar como a evolução das tecnologias e a crescente modificação dos usuários em seus hábitos, preferências e necessidades caminham para um novo cenário onde consumidores e mobilidade se redefinirão mutuamente.
A experiência que temos tido com WikiCrimes e Wikimapps nos credenciou a discutir a questão. Em especial, provoquei a discussão sobre como motivar as pessoas a participar desse processo. Alguns de meus posts nesse blog  já versaram sobre as estratégias de motivação, algumas vezes através da mecânica de jogos, outras vezes identificando os interesses pessoais. Durante o debate, como várias atividades ocorrem simultaneamente, escuta-se vaias, músicas, gritos de comemoração, brincadeiras e tudo mais. Um ambiente decididamente muito diferente do que estou acostumado a palestrar. No entanto, isso não impede a entrar no ritmo da conversa e discutir com o público que se mostrou muito participativo. Para quem não conhece, recomendo uma visita. A próxima edição será em São Paulo em 2013.




segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Inovação na Fotosensores

Semana retrasada palestrei na empresa fotosensores atendendo a honroso convite de Eurico Filho. Falei sobre inovação em Tecnologia da Informação (TIC). Oportunidade ainda de vislumbrar parcerias e fazer balanços do que já estamos desenvolvendo em conjunto.

Não creio ter falado muita novidade para uma empresa que nasceu na universidade e tem a inovação em seu DNA, mas foi sem dúvida uma ótima oportunidade para trocar ideias com os que a compõe. Desde Baltazar, um dos sócios, passando por técnicos e convidados, o ambiente leve e descontraído foi preponderante.

Meu discurso foi basicamente o mesmo que tive quando da apresentação que fiz para a Câmara Setorial de Tecnologia da Informação na Agencia de Desenvolvimento do Ceará (ADECE). A grande diferença é que não posso mais dizer que não conheço empresas cearenses de TIC que tenham núcleo de inovação estabelecido com pelo menos um doutor fazendo parte do mesmo: a Fotosensores tem isso e pude conhecer in loco. Seguem abaixo as transparências usadas.


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Empreender na Web: O Case da Ingresso.com

Hoje a partir das 14:00, Jorge Reis, criador da Ingresso.com vai palestrar sobre sua experiência em empreendedorismo na Web. Tive a oportunidade de conversar com Jorge longamente ontem e hoje e conheci um pouco de sua rica trajetória.

Desde quando deixou um confortável emprego na Petrobras até se tornar diretor da Americanas.com, e logicamente passando pela criação do ingresso.com, Jorge é um inquieto: algo típico dos  empreendedores. Na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) ele falará das dificuldades e desafios de empreender na web brasileira, mas creio que desde já ouso dizer que ele é otimista. Acredita que o Brasil e o Nordeste, em particular, têm um grande potencial para crescer na área.

Em visita à FUNCAP, Jorge conheceu um pouco do contexto de inovação no estado do Ceará e pode nos falar sobre seus planos de estágio que fará em Berkeley, na Califórnia. Vamos tentar estreitar os laços para fortalecer a cadeia de inovação no estado.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O Que Mudou na Computação ?


A computação faz cada vez mais parte de nossas vidas. Quando decidi por esta carreira em 1983 não tinha a menor ideia do quão impactante ela seria. Sabia que era algo “do futuro” (literalmente), mas não tinha nenhuma pista de que futuro seria este. Vez por outra reflito sobre o que mudou da época que comecei para cá. A base da computação mudou durante esses quase trinta anos?

Na faculdade estudei, grosso modo, as mesmas coisas que meus alunos estudam hoje. A necessidade de construir modelos computacionais para representar o mundo real estava presente naquela época como hoje em dia. Dominar o manuseio do símbolos e das abstrações (representados pelas linguagens de programação) nos diferentes níveis, sejam o das aplicações, comumente chamadas de sistemas de informação, sejam os de software básicos como sistemas operacionais e banco de dados era a atividade predominante. A compreensão da arquitetura do computador e as formas de organizar e manipular a informação aliava-se às essas outras atividades mencionadas. Não é a toa que as disciplinas de teoria da computação, banco de dados, estrutura de dados, linguagens de programação, análise de sistemas, redes de computadores ainda estejam presentes nos currículos dos cursos de computação mundo afora.

Mas isso não é intrigante? Como pode uma ciência ter evoluído tanto, ser hoje tão ubíqua e mudar tão pouco? Não falta algo na nossa formação? Quando penso em responder a estas perguntas sempre me vem uma coisa à cabeça: falta compreender melhor as pessoas. Creio ser essa a grande diferença da computação de hoje da de outrora.

Trinta anos atrás, os programas que desenvolvíamos geravam resultados que eram apropriados pelas pessoas de uma forma muito elementar. Produzíamos relatórios a serem lidos, via de regra por burocratas (sem sentido pejorativo), pois o objetivo era processar os dados. À época o computador era algo raro, grande, caro, excêntrico. Era uma máquina compreendida por poucos. No mundo dos mainframes (grandes computadores corporativos) a relação daqueles que o manipulavam (nós, os informáticos) com aqueles que iam usar seus resultados era distante e com um formato predefinido. Iríamos gerar as listagens de correntistas para uso dos bancários, a listagem dos produtos no estoque, as listagens dos funcionários com seus salários, etc.

Não tinha o menor sentido falarmos em interação humano-computador. A interação era humano-listagem de computador. Com o advento do PC e depois da Internet tudo isso se transformou radicalmente. Fazemos software que são usados pelas pessoas para fazer tudo e cada vez mais um pouco. Do micro-ondas à geladeira, passando pelos ipods, ipads e iTVs tudo requer interatividade. Como produzir isso sem compreender os meandros da comunicação entre as pessoas e delas com as máquinas? Nossos currículos se atualizaram para nos prepararmos a essa nova realidade?

É bem verdade que IHC (Interface Humano Computador) passou a fazer parte dos currículos de referencia dos cursos de ciência da computação, mas creio eu, ainda de forma incompleta. A comunicação, lingüística, sociologia e psicologia cognitiva para exemplificar algumas áreas parecem-me ser hoje cruciais para um profissional de computação. E não estou aqui querendo falar de alguém que vai fazer pesquisa. Penso mesmo em alguém que acaba de se formar e quer empreender. Sem base para compreender toda a dimensão do que é um software na era digital alguém pode inovar? Ainda há espaço comercial para o desenvolvimento tradicional de software corporativo, mas não é mais aí que está o futuro. O futuro está em fazer software para as pessoas no seu dia-a-dia. Para isso precisamos compreender o que as motivam, quais suas intenções, suas reações e suas relações. Os softwares vão de mais em mais permear tudo isso. 

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Parabéns!

Minha vinda para Vancouver para participar da Conferência Internacional de Inteligência e Informática na Segurança Pública (Intelligence and Security Informatics - ISI) foi cheia de imprevistos. Aquele tipo de viagem que a gente decide ir e se pergunta várias vezes se deveria mesmo. Para começar, não estaria presente em Fortaleza no dia 26 de Maio, aniversário de 80 anos de seu Furtado. Depois, vários imprevistos me fizeram perder a partida e postergá-la por mais um dia. Problemas com a reserva no hotel só vinham a aumentar a dúvida. Pensei que o universo conspirava para que não viesse.

Pois acho que acabei de descobrir que na verdade o universo conspirou fortemente para que eu viesse. Fui participar do banquete que sempre ocorre nessas conferências e nem me lembrava de que haveria a premiação de melhor trabalho apresentado. Confesso que não é muito comum (para não dizer nunca) ter seu trabalho cotado a vencedor em conferências internacionais. Quase me engasgo quando escutei meu nome. “Vasco !” procurou-me a Profa. Patrícia Brantingham, renomada criminologista canadense e presidenta da conferência. Por decisão do comitê de programa, Vládia Pinheiro, Tarcísio Pequeno, Douglas Nogueira e eu fomos considerados os vencedores do melhor artigo da conferencia.

Estou a escrever esse artigo muito emocionado e a palavra que me veio naturalmente a mente foi Parabéns. Os outros autores que me perdoem, mas o primeiro parabéns vai para meu pai que aniversaria nesse dia 26. A mensagem da premiação foi recebida justamente nesse dia 26 no Brasil (9:00hs aqui no Canadá). Queria oferta-lhe essa honra que estou tendo. Não me cansarei nunca de agradecê-lo pela estrada que me pavimentou e espero continuar nela firme e sempre o presenteando.

O segundo parabéns vai para Vládia,. O trabalho é dela e só fui porta-voz do mesmo. Modéstia a parte, até isso deu certo. Acho que eu era mesmo a pessoa indicada para fazer a apresentação, pois o contexto de Segurança Pública assim o exigia. Só agora percebi que o conjunto de perguntas que tive que responder depois da apresentação foi um bom sinal. Creio que os revisores e o público perceberam que o que estamos propondo é um novo caminho que abre possibilidades interessantes, principalmente quando prospectei como nosso método pode ser útil para descobrir atividades terroristas (o que os americanos mais querem). A Tarcísio já tive a oportunidade de dizer pessoalmente como foi prazeroso e enriquecedor desenvolver as inspiradoras idéias que na base do trabalho são todas dele. A Douglas meus parabéns pela excelência na programação e que lhe sirva de motivação para um mestrado com a mesma qualidade do doutorado de Vládia. Enfim, estou qual jogador de futebol a agradecer a família, aos amigos, etc. e etc (vou deixar minha esposa e filhas fora dessa, porque assim já é demais). Mas que é bom é. 

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Intelligence and Security Informatics Conference – ISI

Já estou em Vancouver, onde apresento um artigo desenvolvido por Vládia, Tarcísio, Douglas e eu na Conferência Internacional de Inteligência e Informática na Segurança Pública, conhecida por ISI em função das iniciais em ingles. Trata-se de uma conferência organizada pela IEEE uma reconhecida associação que congrega pesquisadores das diversas ciências exatas (engenharias, matemática, física, computação, etc.). Já participei uma vez da ISI quando estava na Califórnia o que facilitou inserir-me na comunidade de pesquisadores mundiais que trabalham com Segurança Pública. A participação deste ano visa consolidar isso. Além da apresentação, fui convidado para organizar uma sessão de apresentações dentro da própria conferência. O programa completo da ISI pode ser obtido aqui.

O artigo que vou apresentar descreve as pesquisas que desenvolvemos para criar programas que consigam compreender um texto escrito em português. Mais especificamente, visamos, prioritariamente, compreender textos jornalísticos que descrevem crimes e assim mapear o relato da ocorrência com a devida caracterização diretamente em WikiCrimes. Esse trabalho é resultado da tese de doutorado de Vládia que tive a honra e o prazer de co-orientar com Prof. Tarcísio Pequeno. Escreverei um pouco mais sobre a conferência no Twitter. Os interessados devem seguir-me e ficar atentos.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Robôs Lendo Mentes

A Honda e um Instituto de Pesquisa Internacional no Japão desenvolveram uma nova tecnologia que permite a um robô imitar os movimentos de uma pessoa através da leitura dos padrões de atividade no cérebro dessa pessoa. Se a pessoa fechar as mãos, o robô faz o mesmo; basta levantar dois dedos para cima, e o robô faz a mesma coisa. Na verdade, isso em si não é uma completa inovação, pois algumas pesquisas já tinham desenvolvido dispositivos que podem ser operados por eletrodos implantados (veja o vídeo abaixo). Entretanto, este é o primeiro sistema do mundo a promover o movimento de um robô somente analisando as mudanças no movimento natural do fluxo sangüíneo causado pela atividade cerebral. Essa tecnologia usa imagens de ressonâncias magnéticas que capturam súbitas mudanças que ocorrem no fluxo sanguíneo no cérebro quando as pessoas se movem. A qualidade da leitura da mente feita pelo robô varia de pessoa a pessoa, mas a taxa de leituras correta da mente chegou a 85% dos gestos feitos pelas pessoas. Esses avanços nos dão uma indicação de algo muito interessante que está para nos atingir no que se refere à interação com computadores: poderá ser possível controlá-lo sem nenhum contato físico. Ele lerá nossas mentes!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Regulamentação da Profissão de Informática

O primeiro tema que emergiu nos debates, por email, do Conselho de Leitores do Jornal O Povo acabou sendo mais atual para mim do que poderia pensar. Discutiu-se a questão da regulamentação da profissão de jornalista e pude ver logo, logo que era uma questão semelhante a que estamos vendo em várias outras profissões. Em particular, o debate sobre a regulamentação da profissão de informático (até o nome é difícil de definir), que não é regulamentada, acontece há mais de 25 anos. Tema polêmico e que, como tudo o que ocorre na Informática, pela rapidez das mudanças que caracteriza a área, merece reavaliação constante. Dito isso, devo dizer que minha opinião ainda não mudou do que defendo há alguns anos. Compartilho a posição da Sociedade Brasileira de Computação de que não é salutar uma regulamentação que dê reserva de mercado aos formados em Informática. Sei que isso pode parecer um tiro no pé, para um professor que tem demonstrado tanta preocupação com a significativa redução da procura de alunos pelos cursos de Informática. Será que esse não seria uma das razões? Talvez. Mas não acredito que uma visão meramente corporativa deva ser a melhor forma de abordar a questão. Acredito que em uma área em que a multidisciplinaridade é inata, nada pode substituir a liberdade de todos poderem contribuir. Um dos argumentos mais fortes pró-regulamentação é de que ela é necessária para proteger a sociedade, pois determinadas profissões podem causar danos sociais, principalmente os que levam à exposição de vidas humanas. Nestes casos, justifica-se a submissão dos profissionais às regras de órgãos fiscalizadores. Quando esses riscos não são evidentes e a sociedade tem outros mecanismos para sua proteção, como acredito ser o caso da Informática, o melhor é deixar prevalecer a liberdade. O controle social deve ser feito pelo produto ou serviço a ser prestado. Meus alunos poderiam perguntar: mas é justo, professor, passar quatro anos estudando (e há ainda aqueles que fazem mestrado por mais dois anos) e competir com outros profissionais que não tiveram a formação adequada? Bem, se um aluno de informática não conseguir, por sua habilidade, ser melhor do que outros que não fizeram o curso, das duas uma. Ou ele não era tão bom profissional assim e nesse caso a sociedade lucra em não privilegiá-lo, ou o contratante não zela pela qualidade do que estará a produzir e nesse caso o mercado irá avaliá-lo (o dano nesse caso será mais ao contratante). Mas como proteger o contratante? Sabemos que esse não é motivo de preocupação, pois diferentemente de um médico ou de um advogado, o mais comum é que as pessoas físicas contratem o software pronto ou o serviço a ser prestado. Nesse caso existem inúmeros mecanismos para proteger o contratante. Até o direito do consumidor pode ser evocado aqui. O mais típico é quando as contratantes são as Empresas e elas são bem espertinhas para saber o que contratar não? Senão, não estariam vivas no mercado competitivo! Embora compreenda a pressão das entidades que representam os profissionais, desculpem, mas ainda não vejo justificativas para reservas de mercado.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Promessas Digitais: Visões de Prefeitas

Coincidentemente (ou talvez não?) deparei-me semana passada com dois comentários, uma com teor de promessa, outra de realização política na área da computação que me surpreenderam. Primeiramente, a prefeita de Fortaleza divulgou que deixou de comprar um software por 23 milhões, encomendado na gestão anterior (herança maldita sempre rende!) , e que o mesmo está sendo desenvolvido, com a mesma qualidade, por menos de novecentos mil reais pelos alunos do projeto Pirambu Digital. Para os que não o conhece, esse projeto refere-se a uma iniciativa de inclusão social no bairro do Pirambu um dos mais populosos e pobres de Fortaleza. Iniciativa louvável (inclusive premiada pela FINEP) que visa dar uma nova alternativa de trabalho e renda para os jovens do bairro. A Cooperativa Pirambu Digital teve origem num projeto de formação de jovens em tecnologia da informação do CEFET-CE e desenvolve soluções em TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) oferecendo ao mercado local e nacional os serviços de desenvolvimento de software, criação de sites, manutenção de computadores, criação e implantação de projetos de redes, treinamentos em TIC e implantação de projetos de Inclusão Digital. Esses projetos dão sustentabilidade para que a cooperativa ofereça serviços de inclusão à comunidade como ensino de inglês e empreendedorismo, a preparação para o vestibular, o reforço escolar para crianças, as atividades de canto e dança, o suporte técnico em informática e o acesso à Internet gratuito. Nada contra a cooperativa, muito pelo contrário, mas o que me surpreendeu na afirmação da prefeita foi o fato que o tipo de software, a que ele se destinava, se o mesmo já está em funcionamento e implantado, onde está funcionando, bem como outros detalhamentos para a perfeita compreensão dos porquês dessa grande diferença de preço, nada disso, foi fornecido. A forma como a questão foi colocada me parece excessivamente simplista. Quem trabalha com computação ou mesmo somente precisa dela sabe que a especificação de um software e seu desenvolvimento podem sofrer variações grandes em termos de qualidade e preço em função das escolhas e exigências realizadas. Usar em um discurso político um exemplo de economia dessa magnitude sem detalhamentos é no mínimo incorreto. Outra declaração que me surpreendeu foi a promessa da candidata a prefeitura de São Paulo Marta Suplicy de que forneceria Internet Wireless de graça em toda a capital paulista, para todo paulistano. Pensei comigo mesmo, “será que escutei direito”. Não é que seja impossível, mas é uma proposta tão arrojada que nos faz desconfiar. Seriam cerca de 4.000 antenas espalhadas pela cidade tanto em prédios públicos como privados. Os detalhes técnicos não foram fornecidos, muito menos o custo para se ter algo do tipo. Esses dois assuntos me alertam para algo que já havia percebido em outras iniciativas, mas que parece estar começando a se popularizar: computação tornou-se assunto popular, mas com forte tentação a populismo. Os candidatos incorporaram de que devem dizer algo sobre o mundo digital. Como são normalmente pouco conhecedores do tema, são levados a dar declarações de impacto e que não se sustentam a uma análise mais criteriosa. Senti-me na obrigação de alertar e solicitar cautela.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Mineração de Dados e Futebol

Semana passada estive a assistir uma reportagem na TV que, além de me fazer rir, me levou a uma relação entre o conceito de mineração de dados (data mining, em inglês) e o futebol. A reportagem era uma entrevista do técnico do Grêmio Celso Roth depois de uma derrota em casa inesperada (para ele e para os gremistas) diante do Goiás. O técnico argumentou que achou “estranho” (ele certamente queria dizer algo mais forte...) a forma de atuar da arbitragem que, segundo ele, não apitou conforme esperava (dá prá imaginar o que ele esperava, não?!). Ele disse que o árbitro só havia apitado dois jogos no campeonato (incluindo esse) e os dois foram jogos do Goiás. Pois é, ele foi bem hábil em encontrar uma correlação entre arbitragem e o adversário. Zero para o futebol, dez para a mineração de dados. E o que mesmo a mineração de dados tem a ver com isso? O conceito de mineração de dados se refere ao desenvolvimento de programas de computador que tenham a capacidade de encontrar correlações significativas em um conjunto (normalmente grande) de dados. Aqui duas palavras merecem destaque: significativas e conjunto grande de dados. Deixem-me mencionar o exemplo canônico de mineração de dados (o termo Business Intelligence – Inteligência de Negócio é também muito usado nesse contexto). O exemplo vem de uma grande rede de supermercados nos EUA que, ao analisar os registros de compras de seus clientes, começou a perceber que havia uma correlação, em compras feitas a noite, entre fraldas e cervejas. Um estudo mais aprofundado pôde explicar que se tratava de pais de famílias que, ao se verem obrigados a comprar fraldas para as crianças a noite, aproveitavam e compravam cerveja. A descoberta desse conhecimento fez com que o supermercado propusesse kits especiais onde fraldas e cervejas podiam ser compradas juntas e em promoção (evidentemente com fraldas e cervejas que apresentavam a maior margem de lucro!). Dá para perceber que o grande desafio dessa tarefa é descobrir uma correlação realmente útil em um banco de dados gigantesco como o de todos os itens comprados pelos clientes do supermercado. As historietas populares só contam o final feliz. Quantas outras correlações encontradas e que não agregam nenhum conhecimento útil tiveram que ser exploradas? Nesse sentido, a analogia com a mineração é bem feliz: há que se peneirar muito pedregulho até encontrar uma pepita. Há uma alternativa a qual recorrem alguns (políticos em maioria) e que Celso Roth também escolheu: só olha para a correlação que lhe interessa. E nem precisa ser um conjunto de dados muito grande.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Informática! Eca!

Dado o momento de tanta euforia sobre a necessidade de se ensinar informática aos jovens e principalmente com a chegada da Internet nas escolas públicas, venho novamente refletir sobre o tema. Já tinha comentado da necessária cautela que devemos ter quando se fala sobre a questão no texto “Não alimentemos expectativas com o mito da internet nas escolas” (clique aqui para acessá-lo). Vou revisitar o tema de uma forma diferente, mesmo que em essência seguindo a mesma linha da crítica e cautela. Decidi fazer uma pesquisa empírica (nada, nada científica) e com uma amostragem bem reduzida com alguns doutores em informática. A pesquisa foi bem simples. Fiz duas perguntas (só duas! A hora de um doutor é cara!!!), baseado no caderno de informática que minha filha de dez anos usa nas aulas em uma escola particular em Fortaleza. A primeira pergunta era sobre o software Paint (instalado em qualquer microcomputador que tenha o Sistema Operacional Windows): “ Qual (is) tecla(s) devemos pressionar para aumentar a ferramenta apagador?”. A outra pergunta era sobre o Microsoft Word (também proprietário da Microsoft e que funciona sob Windows). “Descreva os passos que devem ser seguidos para a inserção de uma figura em um texto”. As respostas dos doutores foram diversas, mas em um ponto coincidiram: não sabiam responder ou erraram a resposta. A diversidade da resposta deu-se ao fato de que me perguntavam se eu estava brincando ou se estava doido. Sabem por quê? Simplesmente pelo fato de que não tem o menor sentido estudar informática dessa forma. Absolutamente emburrecedor e imbecilizante. Pobre de minha filha (tenho o maior trabalho em não desmotivá-la). Não é a toa que cada vez mais temos menos jovens querendo fazer informática. Voltando a questão de porque essa é uma forma errada de ensinar informática. Há várias razões. A primeira é que ensinar o uso desses softwares é totalmente irrelevante. Eles nunca devem ser o fim de um estudo. Eles são o meio. Era como se quiséssemos fazer um curso sobre o pincel, a caneta, o projetor, etc. Trata-se de ferramentas. A melhor forma de aprender a usá-los é, simplesmente, usando-os. Poucos são os softwares que valem a pena o estudo de per se. E mesmo desses, cobrar a memorização de seus comandos e ainda mais a sequência desses é impensável. A segunda pergunta sobre os passos que devem ser seguido no Word é facilmente respondida por qualquer um que use o Word ao fazê-lo. Isso é naturalmente recuperado da memória na hora de fazer. E mesmo os que não têm o hábito de usar um determinado software, acabam por conseguir realizar as tarefas por tentativa e erro. Isso é ainda mais comum em se tratando de jovens que são curiosos e não têm medo de tentar. Para finalizar, vale pena registrar a declaração de minha filha: “a única aula legal em informática é quando a “tia” deixa livre para fazer o que a gente quer!”. Temos ainda muito o que fazer no âmbito educacional para termos efetividade no ensino da informática. Caso contrário, atrapalha mais do que ajuda.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

A TI no Ceará em Debate

O Estadão divulgou nesse sábado o resultado de um estudo realizado pela BRASSCOM (Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação) que alerta para a falta de trabalhadores especializados em TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação). No estudo o Nordeste só apresenta 2% da demanda de mão de obra. O estudo mostrou que o Sudeste responde por 70% da demanda, sendo 47% somente na Grande São Paulo. O levantamento mostrou ainda que 20 cidades concentram a indústria brasileira de tecnologia da informação. A falta de profissionais qualificados já foi assunto nesse blog (veja aqui e aqui), mas números como os apresentados pelo estudo enfatizam o problema. Estima-se que há uma demanda de cerca de 33 mil profissionais, mas que somente 16 mil são formados anualmente. Não sei o quanto a BRASSCOM é representativa das Empresas de TI no Brasil (descobri que pouquíssimas empresas cearenses fazem parte da BRASCOM e o estudo não está disponível no site da Associação) mas de qualquer forma, ele é preocupante. As empresas de TIC no Estado têm tentado ocupar um espaço relevante, política e economicamente na economia local e por isso vêm realizando uma série de movimentos e estudos no sentido de atrair atenção política e da sociedade para os problemas que enfrenta. Quando cheguei da Califórnia, participei de um grupo de estudo sobre o tema (veja aqui o que escrevi sobre isso). Agora me vejo debatendo o mesmo assunto novamente, pois estou representando a FUNCAP (Fundação Cearense de Apoio ao desenvolvimento Científico e Tecnológico) nas reuniões da Câmara Setorial de Tecnologia da Informação que teve sua criação promovida pela Agencia de Desenvolvimento do Ceará (ADECE). A formação de mão de obra é um dos vetores de discussão. Sinto que há um entusiasmo muito grande pelas propostas de formação em massa de jovens que vêm de acabar o ensino médio. Reluto em acreditar que essa é a solução para o problema. Vai precisar muita criatividade para promover qualificação tecnológica de alto nível com uma matéria-prima tão limitada como a que termina o ensino médio e não consegue entrar na Universidade. Acredito muito mais em ações que visem requalificar profissionais de nível superior formados em outras áreas. Teremos muito o que discutir.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

WikiCrimes na InfoBrasil

Nessa semana WikiCrimes está sendo demonstrado na InfoBrasil (veja a programação do evento aqui) que está ocorrendo no SEBRAE durante todo o dia até às 19:00hs. A coordenação do evento gentilmente nos cedeu um pequeno (mas largamente suficiente) espaço para nos instalarmos. Está sendo uma ótima oportunidade de divulgarmos o projeto e o “corpo a corpo” com as pessoas que conhecem o sistema pela primeira vez é muito enriquecedor. Percebo que não é fácil entender de pronto os objetivos do projeto. Algumas pessoas, a primeira vista, têm uma reação de desinteresse. Quando começam a perceber tudo que pode se obter com o projeto, logo mudam de postura e se declaram fãs da idéia. De uma forma geral, são levados ao entusiasmo quando percebem que podem ter diversos serviços de consulta de onde pode estar ocorrendo crime e com isso se precaver. Além disso, quando percebem o que podem obter, fica mais fácil mostrar que se não houver participação, nada daquilo será viável. Hoje (quinta-feira, dia 15) Leonardo Ayres e eu estaremos dando uma palestra sobre WikiCrimes no congresso tecnológico-científico. O grupo de engenharia de conhecimento que coordeno estará ainda representado hoje de manhã por Thiago Assunção, recém entrante aluno de mestrado na UNIFOR, que apresentará um artigo que foi basicamente seu trabalho de final de curso de graduação. Neste trabalho, investigamos métodos eficientes de particionamento de grafos para serem aplicados na demarcação de áreas de policiamento. Quem tiver interesse em conhecer mais sobre outros projetos do grupo que coordeno na UNIFOR, clique aqui.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

As Oportunidades e Desafios do Desenvolvimento de Software Off Shore

Em julho escrevi sobre os desafios do desenvolvimento de software off shore (ver aqui o texto). Só lembrando, este termo refere-se à prática de empresas terceirizarem algumas de suas atividades em países onde o custo do serviço é reduzido. O desenvolvimento de programas de computadores, os serviços de telemarketing e mesmo as atividades ditas Back Office (contabilidade, logística, cobranças, etc.) são exemplos de serviços que cada vez mias passam a ser exercidos na modalidade off shore. Esta semana tomei conhecimento de um relatório recente produzido pela empresa de consultoria AT Kearney que faz uma análise de que países têm mais potencial para atrair investimentos em serviços off shore. Os quatro primeiros colocados continuam sendo asiáticos com Índia e China encabeçando a lista nessa ordem. A grande novidade é o Brasil que era o décimo colocado em 2005 e, agora em 2007, é o quinto. A análise da AT Kearney baseia-se em três critérios: financeiro, pessoal e ambiente de negócios. No aspecto financeiro se analisa o custo da mão-de-obra, impostos e outros fatores que afetam o custo do serviço. Quanto ao aspecto das pessoas, busca-se analisar a qualidade da mão-de-obra como no nível de fluência em diferentes línguas, a quantidade de pessoas com nível superior e indicadores de educação básica em geral. Por fim o critério referente ao ambiente de negócios analisa o quanto o mercado local é regulado, quão sólidas são as instituições governamentais, inclusive o judiciário e a lei de falência, quão presente é a cultura de proteção de direitos autorais (antipirataria) e outros fatores que podem tranqüilizar ou preocupar um investidor externo. Ao analisar os índices brasileiros para esses critérios fica evidente que o nosso grande desafio refere-se à pessoal qualificado. O Brasil tem uma grande desvantagem no que se refere aos serviços de telemarketing que é a língua. Mesmo grandes conglomerados latinos não consideram o Brasil o primeiro alvo para investimento, pois preferem países de língua espanhola. Esta é uma das razões pela qual o desenvolvimento de software passa a ser o setor mais promissor. O Brasil já tem uma história no setor, mas sofre da carência de pessoal em quantidade que venha a abastecer as demandas do mercado internacional que são grandes. Esse tinha sido exatamente o diagnóstico que tínhamos feito no texto anterior supramencionado, em particular, quando nos referimos ao contexto cearense. Infelizmente, deficiências desta ordem não são rapidamente sanadas. Pode-se até construir prédios, fornecer banda larga e dar incentivos fiscais. Formação de pessoal, no entanto, demanda tempo. Melhor começar logo!

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Mac x PC

Para os conhecedores do MacIntosh e das diferenças que ele tem em relação a um PC, vejam esse vídeo com várias publicidades em que esses divertidos personagens são mostrados. Uma das mais criativas campanhas publicitárias sobre a questão tecnológica. O PC é mostrado de uma forma super careta e pouco inteligente. O Mac é mostrado de uma forma casual (despojada), jovem e inteligente. É covardia, mas é bem engraçado. Até Giselle Bunchen foi chamada a participar.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Tecnologia da Informação: Em Busca do Sonhado Salto de Qualidade

Tenho participado de grupos de trabalho e acompanhado outros, em diferentes contextos, que visam discutir políticas e definir ações a serem tomadas no Estado do Ceará para transformar nosso perfil na área de Tecnologia da Informação (TI). Há um sentimento de que temos um potencial que precisa ser incentivado e que podemos dar um salto de qualidade nesta área. Como acabei de chegar do Vale do Silício e tive a oportunidade de conviver um ano neste ambiente que, em minha opinião, é o mais dinâmico e rico no mundo em se tratando de inovação e criatividade em TI, não pude me furtar a participar das iniciativas nesta direção. O processo de interação que tenho tido com os diferentes setores que representam o setor tem sido muito gratificante. Vejo uma preocupação e um interesse geral em contribuir. No entanto, pude perceber também como esse debate consegue ficar desfocado e excluir o ponto, que na minha concepção, é o mais relevante para que se consiga dar o tal salto. Em qualquer lugar do mundo em que se criou um ambiente de criatividade, inovação e empreendedorismo, pode-se claramente identificar Universidades que foram a base para tal. Para começar exemplificando com o Vale do Silício, as Universidades de Stanford e Berkeley são os dois grandes motores deste processo na Califórnia. Berkeley ao norte e Stanford ao sul de San Francisco congregam um pólo de indústrias de todos os portes ao seu redor. Há de se perguntar, se há alguma política fiscal de incentivo a essas empresas nessas áreas. Absolutamente. Aliás, a região de Palo Alto, nos arredores de Stanford, é um dos metros quadrados mais caros do mundo. O que existe lá, é o que é de mais precioso para quem almeja conseguir inovação: gente qualificada. Todos os anos essas universidades despejam no mercado doutores qualificados não somente na teoria e prática de suas áreas de atuação, mas, sobretudo, impregnados de uma visão empreendedora que lhes leva naturalmente a ousar, arriscar, competir, enfim, cheios de fome e loucura como diz a expressão sempre usada naquelas bandas por Steve Jobs (stay hungry, stay foolish, clique aqui para ver o discurso de Jobs na formatura em Stanford). Os mais céticos poderiam dizer que a realidade americana é outra e que ainda não estamos em condições de agir da mesma forma. Voltemos nosso olhar para o Brasil e veremos que aqui também não é tão diferente. O pólo tecnológico de Campinas é suportado pela UNICAMP com um dos melhores cursos de doutorado em Computação do Brasil, sem contar os outros cursos de doutorado em áreas afins. O Rio de Janeiro com a UFRJ e a PUC , Santa Catarina, com a UFSC, para ficar por aqui, também formam anualmente dezenas de doutores e mestres que alavancam o mercado de produção de software nessas regiões. Chegando ao Nordeste, em Pernambuco, a UFPE forma mais do que o dobro de mestres e doutores que todas as nossas Universidades juntas. Eles são o combustível que propulsiona o CESAR e o Porto Digital. Somente este ano a UFC conseguiu formar o nosso primeiro doutor em computação! Ressalto que quando estou falando de formação de mestres e doutores não estou me referindo a formação de pessoas com perfil exclusivamente acadêmico para pesquisa e docência (embora seja uma grande lacuna a ser preenchida). Minha visão de um doutor perpassa a capacitação na sua especialidade. Ela envolve uma capacidade crítica de análise e síntese, uma capacidade de identificar oportunidades da aplicação do estado da arte em benefício da sociedade, o que o credencia na atividade de saber identificar problemas não resolvidos e buscar formas inovadoras de resolvê-los. Obviamente, essas características não são exclusivas de quem consegue uma titulação academia, mas elas são potencializadas em quem passa por essas experiências, pois é o tipo de efeito colateral positivo que naturalmente se obtém durante essa formação. Enfim, é essa a realidade que temos que mudar urgente e prioritariamente. É esse o nosso real gargalo de formação de pessoal que temos. Como agir? Governos! Fortaleçam nossas instituições de ensino e pesquisa. Criem um ambiente de incentivo a inovação, a competitividade, a criação de pequenas empresas. Empresários! Estabeleçam mecanismos de cooperação com as Universidades que identifiquem possibilidades de utilização de seus recursos privados, dos recursos de lei de informática, dos recursos advindos de financiamentos de subvenção econômica e todas as outras oportunidades que hoje surgem abundantemente. Essas cooperações servem tanto para financiar geração de pessoal qualificado como para a produção de inovações. Afinal, não era essa a real intenção do legislador quando propôs as leis de incentivo hoje existentes? Professores! Saiamos de nossas salas de aulas para conhecer os problemas do “mundo real” e formemos doutores e mestres que sejam empreendedores. Esse é o tripé de base de uma política de TI consistente e que poderá nos levar ao tão sonhado salto de qualidade.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Marketing Viral Chegou na Academia

O conceito de marketing viral é mais um daqueles que está pegando forte carona na Internet. A idéia é de lançar publicidade em redes sociais que facilitam um efeito de contágio normalmente através de trocas de mensagens entre internautas. Este conceito não tem se restringido as empresas comerciais ávidas por venderem seus produtos. Mesmo a academia está se beneficiando deste tipo de marketing para divulgar suas idéias e projetos. Uma grande variedade de projetos universitários são lançados diariamente na rede em sites como YouTube. Já tinha mencionado há alguns meses atrás sobre o projeto de etnografia digital de um professor da Universidade de Kansas (clique aqui para acessar o texto) que por efeito contágio foi visto por mais de 1,7 milhões de pessoas. Outro exemplo de projeto acadêmico é o programa de computador que estou publicando abaixo. Trata-se um exemplo de simulação para uso educativo. O programa tem outra característica interessante que é a mistura entre objetos físicos estáticos e animados. Ao permitir identificar que tipo de objetos está sendo desenhado o sistema os cria de forma dinâmica e permite a realização de experimentos. Evidentemente que não posso deixar de lembra que ExpertCOP também esta no YouTube como mostrado no texto de ontem.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Por Dentro da Google

Em textos anteriores falei sobre a Google e de meu sentimento quando fui conhecê-la (clique aqui para acessar o texto). Vejam esta reportagem da CNN para ter uma idéia como as coisas são lá dentro do campus que é chamado de Googleplex. A novidade desde meu último texto é o enorme investimento em energia alternativa, em particular, em painéis solares para geração de energia. Os patinetes são elétricos e se os funcionários quiserem comprar carros elétricos, eles podem carregar as baterias dos carros em locais destinados a tal fim.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

O Estereótipo Informático Que Afugenta as Mulheres

Como já mencionei em textos anteriores, boa parte dos países ocidentais passa atualmente por um fenômeno de falta de profissionais em informática. Em particular, quero focar em um aspecto que considero ser um dos fatores indicativos dessa carência: o pouco interesse das mulheres em seguir a carreira de informática. Recentemente li um artigo no Jornal francês mensal Le Monde Diplomatique que discorria exatamente sobre esse assunto no contexto francês. Os sintomas e diagnósticos por aquelas terras são bem similares ao que passamos aqui. O artigo foi escrito pela pesquisadora em educação da Universidade de Paris-X (Nanterre), Isabelle Collet, que escreveu o livro “L´informatique a-t-elle um sexe? Hackers, Myths et Realités – A informática tem um sexo? Hackers, Mitos e realidades”. A autora rejeita uma explicação superficial de que as mulheres gostam de humanas e os homes de exatas e assim busca compreender mais profundamente os porquês desta realidade. Ela decidiu olhar para o problema pela ótica das razões que fizeram, depois dos anos 80, os homens ficarem muito mais apaixonados pela informática. Em resumo, ela observou que a microinformática e depois a internet ajudaram a criar um estereótipo do hacker, não somente no sentido de pirata de software, mas daquele profissional que se encastela no computador desenvolvendo programas e fica meio alienado. Essa imagem não casa com o perfil feminino o que as leva a ignorar a possibilidade de seguir a profissão. Ela observa ainda que o mais surpreendente é que mesmo com o uso das ferramentas da web 2.0 que privilegiam interação e redes sociais, com as quais as mulheres se identificam fortemente, este estereótipo persistiu. No entanto, ele não é representativo da realidade da profissão. Estima-se que somente trinta por cento dos profissionais de informática sejam programadores e ainda assim programadores, tipo hackers, não são a maioria e tão pouco privilegiados pelo mercado de trabalho. Trata-se de uma imagem mística, meio heróica e que seduz a alguns (mas não as mulheres). Em uma pesquisa realizada entre estudantes franceses universitários dois terços das mulheres disseram não saber o que é o trabalho de um informático(a). Perguntado sobre se escolheriam Informática por profissão, responderam em grande parte que “ ... não me vejo passar toda a jornada de trabalho falando de RAM, circuitos e de máquinas. Prefiro me ocupar com gente”. E o que é pior, muitas disseram que a informática não lhes interessa de forma alguma, sem nem mesmo saber precisar a razão (Isabelle Coiret acredita que elas não se interessam por uma profissão em que as pessoas que lá estão não são parecidas com elas. Já seria assim o efeito de uma conseqüência). Na verdade a Informática está longe de ser uma profissão onde as tarefas individuais e repetitivas prevalecem. Há muito espaço para trabalho em equipe, multidisciplinar e que impõe desafios e renovações constantes. A solução seria buscar reduzir os efeitos deletérios do estereotipo do hacker e fornecer maiores informações da variedade de atividades que pode ter um profissional de informática. Há inclusive ainda outras características que poderiam ser atrativas às mulheres. O trabalho é desenvolvido em ambientes agradáveis, limpos, não exige força física e pode, de mais em mais, ser realizado em casa. Acredito que as análises no contexto francês podem servir de insumo para o governo brasileiro em todos os seus níveis. A questão da falta de profissionais em um setor tão dinâmico como a Informática é estratégico para o País. Não se pode imaginar que há como participar desta batalha sem a contribuição feminina.