Para os amantes do esporte de alto nível, do basquete em particular, esse vídeo que mostra uma comparação entre lances de Michael Jordan e Kobe Bryant é muito interessante. Claro que vale a pena elogiar o produtor do vídeo porque não é nada fácil achar as jogadas parecidas. Mas mesmo assim, é de impressionar o quão comparável são os estilos.
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quarta-feira, 29 de agosto de 2012
sábado, 17 de dezembro de 2011
Penalty e Cambalhota
Borges, atacante do Santos, gosta de comemorar seus gols dando cambalhotas. Esse vídeo que encontrei na Internet me fez lembrar dele. Não é inspirador?! :-))
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sábado, 25 de junho de 2011
Dom Pedrito de la Mancha
O título deste post era a forma carinhosa com que o chefe da delegação da seleção cearense de basquete infanto-juvenil, que foi ao Brasileiro de Joinville, Paulo Henrique Aguiar (vulgo Paulinho mão), chamava o nosso técnico Pedro Osvaldo, o Pedrinho. Acabei adotando a mesma expressão para saudar o professor que logo se tornou um amigo. Momentos inesquecíveis. Como treinador, dava-nos uma enorme tranquilidade. Era aquele tipo de técnico que nos deixava a vontade e que sabíamos que acreditava em nosso potencial. Como professor, nos ensinava pelo diálogo. O relacionamento carinhoso que tinha com todos era a sua maior força.
Conheci Pedrinho por volta de 1977, pouco depois de começar a jogar basquete. Ele era treinador do Líbano. Eu jogava no Náutico. A primeira vez que tivemos um convívio mais próximo foi quando ele foi técnico da seleção cearense infanto-juvenil que foi a Joinville. Depois de lá, foram várias outras ocasiões, inclusive na seleção do colégio cearense que foi ao Maristão em Natal.
Quem de minha geração não teve o prazer de conhecê-lo. Uma pessoa afável, alegre e de fácil trato. Amante do basquete como poucos, este pequeno homem de grande coração será sempre lembrado por nós. Desde seu gesto característico de subir as calças com os braços até suas aulas sempre entusiasmantes de basquete, Pedrinho marcou-se pela simplicidade e companheirismo.
Quando me tornei veterano e voltei a frequentar as quadras de basquete do Nautico, voltei a conviver mais frequentemente com Pedrinho. Uma convivência que relembrou-me a figura querida que ele era. Nesse dia em que choramos sua perca, resta-nos solidarizar-nos com a família e dizer que sentimos muito sua falta. No entanto, posso dizer com toda a confiança de que ele jamais será esquecido nas quadras do basquete cearense.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Homenagem a Pelé
Só agora tive acesso a essa (via Alex Garcia) bonita e merecida homenagem da VIvo a Pelé. Um filme dirigido por Fernando Meirelles com o título 1284, em que o Rei do Futebol faz mais um gol. Esse que seria sim, seu último. Os adversários são obviamente os argentinos. O palco: Morumbi. E o gol ... bem, o gol vocês mesmos merecem descobrir. Assistam no vídeo abaixo.
terça-feira, 15 de junho de 2010
Só Alguém como Dunga
Chegando ao País, percebe-se claramente o clima de Copa. Assisti duas copas fora do Brasil. Em 94 estava morando na França e em 2006 estava nos EUA. Tinha esquecido do ambiente que toma conta de todos por aqui e do papel da imprensa nesse processo. A Globo, por exemplo, torna-se uma autêntica animadora de auditório. Agrega à qualquer reportagem muita emoção apelando essencialmente para o patriotismo.
Tinha esquecido também do quanto é cruel a profissão de treinador da Seleção. Impossível agradar a todos. Na verdade, eu diria que é impossível mesmo agradar a poucos. Somente alguém como Dunga para suportar. Ele é daquelas pessoas obstinadas e obcecadas o que lhe faz beirar à teimosia. Sempre achei injusto a escolha de Dunga para técnico da Seleção. Acho que é desprestigiar demais os técnicos de carreira. Só que essa estória já não tem mais muito sentido, pois ele já está como técnico há mais de três anos e, além do mais, não é mesmo sobre isso que quero refletir. Na verdade, o que gostaria de mencionar é o quanto Dunga tem se mostrado competente.
Concordo plenamente com Tostão, quando ele menciona que damos excessivo valor aos técnicos de futebol. Ele já escreveu algumas vezes em sua coluna nos jornais do País, que a influência do técnico nos resultados é bem menor do que pensamos. No entanto, pode-se perceber quando um time tem um padrão tático bem definido. Isso sim, deve-se a um bom técnico. Dunga fez isso com a Seleção. Ele não tinha a menor experiência como técnico, mas conseguiu algo que poucos técnicos conseguem em seus times e muito menos na Seleção.
Não estou a dizer que o padrão atual que a equipe apresenta é aquele que nos entusiasma, que nos faz sonhar ou mesmo que vai nos trazer o hexa. Mas creio que somente Telê conseguiu implantar um padrão ofensivo nesses últimos 30 anos. Dunga decidiu seguir a mesma dos outros em particular inspirando-se nos vencedores Felipão (2002) e Parreira(em 1994). Enfatiza o equilíbrio defensivo, reduz a possibilidade de erros, prepara-se para o contra-ataque e, principalmente, cria um clima de “equipe fechada”. As vitórias virão com a individualidade do atacante brasileiro. Podemos até não gostar do caminho que Dunga escolheu, mas temos que admitir que é uma opção lógica.
Em resumo, o hexa vai depender substancialmente das individualidades. Foi assim no primeiro jogo com Michael e com o passe de Robinho. Será o bastante? Só podemos torcer, pois a equipe que lá está não pode jogar diferente do que vem fazendo.
terça-feira, 25 de maio de 2010
Copa do Mundo de 2020: Essa sim, será ao Vivo
Se a Copa de 2020 for no Japão, você pode ser capaz de ir para o estádio de futebol local e ver em tempo real hologramas (veja exemplo de holograma aqui) em 3D de jogos do torneio projetado em tamanho real no campo. Exageradamente futurista? Mas é isso mesmo! A proposta do Japão para a Copa do Mundo de 2022 inclui uma iniciativa denominada Universal Fan Fest, um plano de U$ 6 bilhões para levar aos fãs ao redor do mundo transmissões 3D do torneio. A proposta japonesa quer levar a 400 estádios de 208 países essa maravilha da tecnologia. Para isso, cada jogo será capturado a partir de 360 graus por 200 câmeras de alta definição.
Para arrasar com qualquer outro competidor, há ainda a proposta de captar energia para todo a parafernália de câmeras e etc. sabe de onde? Da energia vinda do batimento dos pés dos torcedores no estádio.
Com uma proposta dessa, não se admirem se a Copa voltar a Asia tão cedo depois de 2002. Na verdade a tecnologia de transmissão holográfica em 3D deverá estar popular mais cedo do que a Copa de 2020. O que o Japão está a fazer é somente impulsionar mais ainda as iniciativas existentes.
Acho bom é que meus netos vão olhar para as TVs de hoje e gozar suas mães da mesma forma que elas me gozam quando falo da TV em preto e branco. Admito que não pensei que minha vingança viesse tão cedo.
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quarta-feira, 31 de março de 2010
Armando Nogueira
Armando Nogueira
Difícil imaginar que alguém tenha a habilidade inata para fazer poemas e prosas sobre o futebol que Armando Nogueira tinha. Somente alguém loucamente apaixonado e perdidamente enamorado podia ter tanta sensibilidade. Os amantes do futebol sabem do que falo. Os sentimentos que esse esporte extraordinário traz são tão ricos que reduzi-los à palavra e mantê-la representativa desses sentimentos só pode ser feito por um gênio. Suas frases são pérolas que vão permanecer por gerações. Aqui embaixo segue algumas delas que mais me agradam. A espiritualidade que contêm ou pelo fato de considerar que as mesmas verdades nuas e cruas me levam a reproduzi-las.
Para Garrincha, a superfície de um lenço era um latifundio
Gol de letra é injúria; gol contra é incesto; gol de bico é estupro
Deus castiga quem o craque fustiga
O calendário do futebol brasileiro não é gregoriano nem juliano, é cartoliano
O futebol não aprimora os caracteres do homem, mas sim os revela
No futebol, matar a bola é um ato de amor. Se a bola não quica, mau-caráter indica
Pelé era tão perfeito que, se não tivesse nascido gente, teria nascido bola
Para terminar, Vale indicar aquela que parece que fez para esse momento:
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
NBA Cares
A NBA (National Basketball Association - Associação Nacional de Basquete) já não é mais uma marca meramente Estadunidense, mas sim mundial. Muito mais do que uma marca ligada ao basquete, trata-se de uma marca ligada a excelência na gestão e na organização. Quiçá conseguíssemos atingir esse nível de organização pelo menos no Futebol. Domingo à noite (15), vendo o já tradicional jogo das estrelas (all star game), em que os melhores jogadores do leste dos EUA jogam contra os melhores do Oeste, pude rever os inúmeros programas sociais incentivados pela NBA. Todas as equipes que fazem parte da liga realizam projetos sociais que vão desde dias de voluntariado em hospitais até aulas de basquete de graça para crianças carentes. Trata-se do projeto batizado “NBA Cares” (algo como NBA Cuida). Nesse ano, até o Presidente Obama gravou um depoimento em que menciona a importância do esporte na formação dos jovens e da importância dos projetos sociais da NBA. Ele considera que ninguém pode deixar de contribuir com a melhoria da sociedade como um todo. É mesmo uma obrigação. Vejam só a diferença de postura. O esporte de alto nível e profissional é gerenciado pela inciativa privada e ainda dá, como contrapartida, seu apoio ao social. Bem diferente do caminho inverso que estamos trilhando com os governos dando dinheiro para os clubes de futebol. Seria injusto de minha parte se não mencionasse a valorosa iniciativa do Fortaleza Esporte Clube em arrecadar alunos de escolas públicas para conhecerem as instalações do Clube, entrarem no estádio com os jogadores e se aproximarem dos mesmos. Embora pouco em relação do que podem fazer, trata-se de um bom começo.
Abaixo, vejam as enterradas de Nate Robinson o ganhador do concurso de enterradas que aconteceu antes do jogo das estrelas. Não é truque, o cara de 1,75 voa mesmo!
Abaixo, vejam as enterradas de Nate Robinson o ganhador do concurso de enterradas que aconteceu antes do jogo das estrelas. Não é truque, o cara de 1,75 voa mesmo!
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Esporte e Sociedade
Instigado por um comentário de um leitor que me dá honra por sua presença neste blog, vou voltar a falar sobre esporte e educação. O comentário foi feito pelo mestre Roberto Bastos um estudioso do basquete mundial e acima de tudo com compreensão, como poucos, do papel do esporte em uma sociedade. Roberto em seus comentários ao texto em que falo de Internet e educação (clique aqui para acessá-lo e ao comentário completo de Roberto) pergunta
“Na sua recente viagem a Europa não viste nada relacionado ao esporte? que tenha ajudado o ser humano a ser melhor através do esporte?”, “Será que esse jogo(o basquete) não melhora o homem em todos os sentidos? Não seria bem mais fácil de aprender dividir, multiplicar, somar,diminuir?”.
É claro que sei que ele já sabe minha resposta, mas não custa nada reiterá-la. Não há menor dúvida que o esporte é capaz sim de tornar as pessoas melhores. Os esportes coletivos, como o basquete, então, são particularmente relevantes para desenvolvimento de aptidões essenciais nos dias de hoje a qualquer profissional: trabalho em equipe, relacionamento interpessoal, liderança, controle emocional e competitividade. Não é novidade para Roberto, como também para grande parte da população, de que precisamos dar uma nova dimensão ao esporte através da educação como já tinha mencionado nesse texto aqui escrito logo após os jogos olímpicos. Agora, é ainda mais relevante entender que é preciso que o esporte tenha uma dimensão maior na sociedade como um todo. Algo muito na linha do que tenho escrito sobre a cultura cidadã (veja textos que escrevi sobre isso escrevendo "cultura cidadã"no espaço de pesquisa no canto superior esquerdo) em que a sociedade passa a participar mais ativamente da resolução de seus problemas em comum. Quando se fala de esporte tem-se uma grande vantagem porque ele tem a capacidade de entusiasmar, fazer sonhar, criar ídolos, enfim, mexe com o imaginário popular. Sentimentos que, quando bem trabalhados, podem fazer as pessoas melhores. Evidentemente, que há outro lado da moeda. Todo esse discurso é muito próximo de argumentos fascistas de preponderância de alguns sobre os outros, de uma classe ou de um tipo de gente sobre alguém. Algo do tipo “ é preciso vencer sempre”e “deve-se levar vantagem em tudo”. Aqui mora o perigo e de novo vem a lembrança de que esporte e educação devem andar juntos, para que o sentimento de respeito e admiração pela excelência prepondere sob a frustração de não ter sido o melhor. Isso não é fácil de jeito nenhum. Aliás, a própria sociedade americana, a qual constantemente está em meus comentários com exemplos positivos devido a seu nível de participação, solidariedade e educação, tem nos demonstrado com freqüência o quanto uma educação competitiva pode ter efeitos colaterais negativos como as matanças de jovens em escolas por colegas desequilibrados. De resto, seria muito bom que nossos prefeitos entrantes ou reentrantes começassem a pensar, e sobretudo, agir mais sobre tudo isso.
“Na sua recente viagem a Europa não viste nada relacionado ao esporte? que tenha ajudado o ser humano a ser melhor através do esporte?”, “Será que esse jogo(o basquete) não melhora o homem em todos os sentidos? Não seria bem mais fácil de aprender dividir, multiplicar, somar,diminuir?”.
É claro que sei que ele já sabe minha resposta, mas não custa nada reiterá-la. Não há menor dúvida que o esporte é capaz sim de tornar as pessoas melhores. Os esportes coletivos, como o basquete, então, são particularmente relevantes para desenvolvimento de aptidões essenciais nos dias de hoje a qualquer profissional: trabalho em equipe, relacionamento interpessoal, liderança, controle emocional e competitividade. Não é novidade para Roberto, como também para grande parte da população, de que precisamos dar uma nova dimensão ao esporte através da educação como já tinha mencionado nesse texto aqui escrito logo após os jogos olímpicos. Agora, é ainda mais relevante entender que é preciso que o esporte tenha uma dimensão maior na sociedade como um todo. Algo muito na linha do que tenho escrito sobre a cultura cidadã (veja textos que escrevi sobre isso escrevendo "cultura cidadã"no espaço de pesquisa no canto superior esquerdo) em que a sociedade passa a participar mais ativamente da resolução de seus problemas em comum. Quando se fala de esporte tem-se uma grande vantagem porque ele tem a capacidade de entusiasmar, fazer sonhar, criar ídolos, enfim, mexe com o imaginário popular. Sentimentos que, quando bem trabalhados, podem fazer as pessoas melhores. Evidentemente, que há outro lado da moeda. Todo esse discurso é muito próximo de argumentos fascistas de preponderância de alguns sobre os outros, de uma classe ou de um tipo de gente sobre alguém. Algo do tipo “ é preciso vencer sempre”e “deve-se levar vantagem em tudo”. Aqui mora o perigo e de novo vem a lembrança de que esporte e educação devem andar juntos, para que o sentimento de respeito e admiração pela excelência prepondere sob a frustração de não ter sido o melhor. Isso não é fácil de jeito nenhum. Aliás, a própria sociedade americana, a qual constantemente está em meus comentários com exemplos positivos devido a seu nível de participação, solidariedade e educação, tem nos demonstrado com freqüência o quanto uma educação competitiva pode ter efeitos colaterais negativos como as matanças de jovens em escolas por colegas desequilibrados. De resto, seria muito bom que nossos prefeitos entrantes ou reentrantes começassem a pensar, e sobretudo, agir mais sobre tudo isso.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Mineração de Dados e Futebol
Semana passada estive a assistir uma reportagem na TV que, além de me fazer rir, me levou a uma relação entre o conceito de mineração de dados (data mining, em inglês) e o futebol. A reportagem era uma entrevista do técnico do Grêmio Celso Roth depois de uma derrota em casa inesperada (para ele e para os gremistas) diante do Goiás. O técnico argumentou que achou “estranho” (ele certamente queria dizer algo mais forte...) a forma de atuar da arbitragem que, segundo ele, não apitou conforme esperava (dá prá imaginar o que ele esperava, não?!). Ele disse que o árbitro só havia apitado dois jogos no campeonato (incluindo esse) e os dois foram jogos do Goiás. Pois é, ele foi bem hábil em encontrar uma correlação entre arbitragem e o adversário. Zero para o futebol, dez para a mineração de dados. E o que mesmo a mineração de dados tem a ver com isso? O conceito de mineração de dados se refere ao desenvolvimento de programas de computador que tenham a capacidade de encontrar correlações significativas em um conjunto (normalmente grande) de dados. Aqui duas palavras merecem destaque: significativas e conjunto grande de dados. Deixem-me mencionar o exemplo canônico de mineração de dados (o termo Business Intelligence – Inteligência de Negócio é também muito usado nesse contexto). O exemplo vem de uma grande rede de supermercados nos EUA que, ao analisar os registros de compras de seus clientes, começou a perceber que havia uma correlação, em compras feitas a noite, entre fraldas e cervejas. Um estudo mais aprofundado pôde explicar que se tratava de pais de famílias que, ao se verem obrigados a comprar fraldas para as crianças a noite, aproveitavam e compravam cerveja. A descoberta desse conhecimento fez com que o supermercado propusesse kits especiais onde fraldas e cervejas podiam ser compradas juntas e em promoção (evidentemente com fraldas e cervejas que apresentavam a maior margem de lucro!). Dá para perceber que o grande desafio dessa tarefa é descobrir uma correlação realmente útil em um banco de dados gigantesco como o de todos os itens comprados pelos clientes do supermercado. As historietas populares só contam o final feliz. Quantas outras correlações encontradas e que não agregam nenhum conhecimento útil tiveram que ser exploradas? Nesse sentido, a analogia com a mineração é bem feliz: há que se peneirar muito pedregulho até encontrar uma pepita. Há uma alternativa a qual recorrem alguns (políticos em maioria) e que Celso Roth também escolheu: só olha para a correlação que lhe interessa. E nem precisa ser um conjunto de dados muito grande.
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segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Falta de Estrutura no Esporte
Os resultados obtidos pelos atletas brasileiros nas olimpíadas de Pequim são bem emblemáticos de nossa maior deficiência como nação: fraco sistema educação. A pouquíssima estrutura no esporte é só mais uma face dessa deficiência. Os países que têm bom rendimento nas competições esportivas, o fazem porque aliam o apoio ao desenvolvimento esportivo à estrutura educacional tanto no ensino médio, como no ensino universitário. Nós nunca conseguimos ter essa visão. Quando conseguimos nos sobressair em alguma competição é sempre fato isolado de uma dedicação pessoal. Nada de induzido ou esperado em função de um trabalho ordenado. Tomemos natação e atletismo, dois exemplos diferentes de onde conseguimos ouro e que nos remetem sempre a mesma conclusão da falta de estrutura do esporte na escola. A natação e mesmo os esportes aquáticos em geral sempre foram de elite no Brasil por motivos óbvios: falta de infra-estrutura para uma popularização. Não há piscinas em escolas e o esporte vive de uma classe média alta que pode freqüentar clubes esportivos e comprar materiais sofisticados para competição. Já no atletismo, em minha opinião o mais nobre de todos os esportes, o problema maior nem é a infra-estrutura. Não se precisa de muita para fazer jovens praticar a grande maioria das modalidades como correr e saltar. É só falta de apoio. Não há mágica! Só se descobre muitos talentos quando há uma forte oferta de candidatos a tal. Isso só se consegue com programas fortes de popularização e é exatamente essa a fórmula do sucesso do futebol. Como todo brasileiro joga futebol, se descobre talentos a todo o momento. Mas não se pode esperar que isso aconteça a torto e a direito para todo e qualquer esporte. É aí que entra a escola como fator de disseminação de esportes menos conhecidos, popularização dos mesmos e, assim, descoberta de novos talentos. Nos esportes coletivos, a mesma regra se aplica. O vôlei é uma exceção que confirma a regra. Um movimento de popularização se criou pela admiração de jogadores de uma geração vencedora e pelo vôlei de praia que encontrou um ambiente propício(inclusive pela questão climática e geográfica) para crescimento no País. Não creio estar falando nenhuma novidade como aliás é fato para boa porte dos nossos problemas. Os diagnósticos já são conhecidos. A questão é que é preciso fazer acontecer. Nõa vejo nenhuma indicação de que isso está a acontecer. Bem que poderíamos vincular isso a Olimpíada de 2016 que queremos abrigar.
terça-feira, 10 de junho de 2008
Boston vs Lakers
A final da NBA deste ano é um regalo para os amantes do basket. Boston Celtics e Los Angeles Lakers fazem o duelo mais tradicional desse esporte no mundo. Um jogo marcado de histórias fascinantes e de decisões memoráveis. As mais marcantes na década de 70 onde Larry Bird pelo lado do Celtics competia contra Magic Johnson e Kareem Abdul Jabar do Lakers. Falar desse jogo serve também para lembrar como um mundo era “grande” na época de minha adolescência. Acompanhava o resultado dos jogos da NBA por uma revista importada que, de vez em quando chegava na banca do aeroporto. “Admirávamos” os lances pelas fotos acrobáticas dos jogadores com seus Converse All-Star Chuck Taylor que todo garoto que jogava basket sonhava em ter. Aliás, eu tive dois desses em toda a minha vida, um preto e um vinho, que meu pai comprou na Zona Franca de Manaus (reservas de mercado típicas da época não permitiam que o mesmo fosse vendido no Brasil). Hoje posso assistir todos os jogos pela TV a cabo e ainda posso escolher os melhores lances na Internet. A globalização tem na NBA um de seus melhores exemplos. É vista no mundo todo, com jogadores de diversas nacionalidades e vende como ninguém the American Way of Life.
terça-feira, 3 de junho de 2008
A Vergonha do Basquete Master na Bahia
Costumo comentar o quanto tem sido agradável participar das competições de basquete master. Eu que fui atleta durante tantos anos (mas nem tanto tantos!) estava sentindo saudades do friozinho na barriga antes de uma final de competição ou partida decisiva. O desafio competitivo e as euforias que ele traz são inebriantes e, para um atleta master (melhor do que ex-atleta, né?), são por demais nostálgicas. Além do aspecto competitivo e rejuvenescedor, outra característica habitual deste tipo de evento é a reunião fraterna entre os jogadores. São momentos de reencontros e de recordações entre amigos e ex-oponentes. Os jogadores estão normalmente acompanhados por suas famílias, o que aumenta o congraçamento entre todos. Infelizmente, por estar em viagem de trabalho na Europa, não pude comparecer a Salvador na última semana para competir no campeonato Norte e Nordeste. Tomei conhecimento, no entanto, de que tive sorte em não ter ido. Uma desagradável cena aconteceu na competição e que a manchou fortemente. Um ex-atleta da Bahia (um tal de Jandiro, que certamente nunca teve a real dimensão do que é ser um atleta), no final de um jogo decisivo contra a Paraíba, forneceu deliberada e reiteradamente a bola para um adversário da Paraíba para que o mesmo fizesse uma quantidade de pontos que gerasse a desclassificação da equipe do Ceará. Pois é, o espírito esportivo e de respeito foi para o espaço. Difícil saber o que passa na cabeça de um cidadão desse. Mas o mais marcante é a reação dos outros integrantes da equipe baiana e dos paraibanos. Ninguém se posicionou e ainda hoje nas listas de discussão por emails, os participantes do certame, inclusive os de outros Estados não envolvidos diretamente, não imputem nenhuma responsabilidade aos outros envolvidos. Na verdade, isso não me surpreende muito. Temos uma grande dificuldade em imputar responsabilidades indiretas. Acostumamo-nos a encontrar o bode expiatório e responsabilizá-lo por toda a maracutaia (para usar um termo em voga). Nesse caso do basquete nem foi preciso muita força para achar o culpado, mas não é difícil perceber que não teria conseguido fazer tudo sozinho. De qualquer forma, o mínimo que se pode fazer é denunciar. Foi nesse intuito de que escrevi esse texto.
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Carreiras e Corridas
Estive neste fim de semana em Guaramiranga participando de uma corrida de longa distância que me permitiu conhecer mais intimamente o ambiente que envolve essa prática que vem se propagando fortemente no Brasil, em especial, em Fortaleza. Experimentei o sentimento que move os entusiastas e pude refletir sobre alguns aspectos que me parecem interessantes deste contexto. Mesmo não sendo muito afeito a modismos, reconheço que neste caso, em particular, só identifiquei benefícios. Obviamente, o maior deles refere-se aos impactos positivos na saúde dos esportistas, conseqüência direta da prática de esporte. Impossível não sublinhar que os aspectos estéticos, por serem tão cultuados em nossa sociedade (veja texto sobre isso aqui), também se constituem resultado e motivação, principalmente nas mulheres que, aliás, comparecem em grande massa. Ao buscar aprofundar a busca de por que desta febre maratonista, identifica-se que as corridas de longa distância têm algumas características bem peculiares e que potencializam sua popularidade. Elas não requerem equipamento nem local especiais para sua prática. São ainda extremamente democráticas, pois todos podem praticá-las: congregam tanto homens como mulheres, profissionais e amadores, jovens e velhos, e de qualquer classe social. Não exigem dos eventos maiores preparações nem tratamentos diferenciados. Poucos esportes podem, por exemplo, realizar uma competição com todas as categorias juntas em um mesmo local e ao mesmo tempo. Vi muitas famílias correndo juntas, com pais e filhos e até avôs participando. Esta diversidade favorece sentimentos de companheirismo e fair-play emocionantes. Os corredores se ajudam e dão força uns aos outros. Nos treinamentos semanais os mais dedicados se juntam em grupos e formam equipes. Nutrem-se assim do componente social que originalmente não está presente na corrida que é eminentemente um esporte individual. A competição (estritamente falando) se restringe aos profissionais que disputam os primeiros lugares. A grande maioria dos corredores está buscando competir consigo mesma. Buscam quebrar seus próprios recordes e limites. O público que acena e aplaude em todo o trajeto dá ainda outro tempero especial ao evento. O segundo aspecto que me saltou os olhos foi de como esses eventos esportivos estão se tornando um negócio lucrativo. Não me refiro exclusivamente ao negócio para aqueles que promovem as corridas, mas principalmente às cidades onde elas se desenrolam: o negócio do turismo esportivo. Os esportistas se articulam para participar das corridas e para conhecer os sítios onde elas se desenvolvem. Essa prática já era habitual quando se falava das grandes e tradicionais corridas como as de New York e São Paulo (São Silvestre). Com a popularização das corridas e com o aumento do número de praticantes, há um nicho a ser explorado pelas cidades de outros portes. O evento deste fim de semana em Guaramiranga demonstrou isso muito claramente. Mais de quatrocentos corredores levaram, certamente, pelo menos o dobro de pessoas à cidade. Trata-se assim de uma ótima oportunidade para as cidades que querem expor suas potencialidades. O momento atual é de euforia dos praticantes e o número de adeptos cresce diariamente. Mesmo após um recrudescimento, que me parece normal que aconteça, com perdão do trocadilho: há carreira nas corridas!
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quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Kobe Bryant 81
Para os amantes do basketball, aliás para os amantes do esporte de alto nível, este vídeo no YouTube registra o recorde de Kobe Bryant de 81 pontos em uma partida contra o Toronto Raptors, na temporada do ano passado. A segunda maior pontuação de todos os tempos, só perdendo para o lendário Wilt Chamberlain que marcou 100 pontos em um jogo em que o Philadelphia venceu o NY Nicks por 169 a 147. Perceba que em boa parte do jogo o Raptors está na frente. Ou seja, não se tratava daquele tipo de jogo em que o adversário não se esforçava mais. Era jogo duro, o que faz o feito ainda mais impressionante.
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segunda-feira, 23 de julho de 2007
Onde Está o Fair Play do Público no Pan Americano?
Muito se tem dito que os jogos pan-americanos no Rio serviriam de teste para saber se o Brasil tem como sediar uma copa do mundo ou mesmo os jogos olímpicos. Diz-se que o Pan serviria para avaliar a questão da infra-estrutura dos estádios, ginásios, complexos esportivos, bem como a infra-estrutura da cidade em geral, particularmente em relação à segurança pública. Acho que esquecemos um fator determinante e que não tínhamos percebido que estamos muito mal. Precisamos melhorar muito nossa postura enquanto espectador de um evento esportivo. A postura da torcida, em muitos momentos, é lamentável e reveladora de nossa falta de educação. O público parece que estava sedento por vaias. Começou vaiando o presidente Lula na abertura. Estaria o público vaiando o fato de o Governo Federal ter bancado o estouro do orçamento da festa e dos jogos (o que, aliás, é sim, um acinte)? Não creio que tenha sido essa a razão. Com o desenrolar dos jogos ficou evidente que a falta de educação do público tinha uma dimensão maior do que uma vaia por motivações políticas. Logo no início dos jogos as vaias destinadas às ginastas adversárias deixaram os próprios (as) atletas brasileiros (as) incomodados. Várias outras situações constrangedoras vivenciadas pelos atletas ocorreram. Vaiar atleta americano no pódio, então, nem se fala, virou rotina. Os lamentáveis episódios de vaias e de violência contra atletas cubanos e árbitros no judô foram mais um exemplo. Não há justificativa para isso. Torcer pelas equipes e atletas brasileiros fazendo barulho, gritando e vibrando é mais do que normal. O que não se pode é desrespeitar os adversários, muito menos após o final da competição como nas premiações. O público brasileiro conseguiu se portar raivosamente talvez contagiado pela forma violenta que cada vez mais caracteriza as torcidas em estádios de futebol. Há que existir respeito pelos atletas que, independentemente do país que representam, são merecedores de admiração. Eles representam a perseverança, a obstinação, a luta pela quebra de seus próprios limites e acima de tudo fair play. O consolo é que os atletas brasileiros demonstram que entendem bem esses conceitos. Além das declarações dos ginastas, insatisfeitos com a postura da torcida, os judocas brasileiros se juntaram aos cubanos para saudar e aplacar a ira do público. Mesmo no Handball os atletas brasileiros tiveram o domínio para evitar maiores violências contra os Argentinos. Acredito que temos que torcer muito pelos atletas brasileiros, que merecem todo nosso apoio, mas respeito pelos outros e reconhecimento dos vencedores é o que o espírito olímpico exige.
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