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sexta-feira, 11 de junho de 2010

Premiação no Canadá


Eis duas fotos tiradas quando recebi o prêmio de melhor artigo por trabalho desenvolvido com Vládia, Tarcísio e Douglas na IEEE Internation Intelligence and Security Informatics (ISI) em vancouver. A entrega me foi feita pela Professora Patricia Brantingham da Universidade Simon Frazer do Canadá.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Processamento de Linguagem Natural: O que é isso mesmo?


Depois da notícia da premiação que recebemos ontem aqui em Vancouver por ter o melhor artigo da conferência mundial de Informática em Segurança Pública ( de título Natural Language Processing based on Semantic Inferentialism for Crime Information Extraction), algumas pessoas ficaram curiosas para saber do que mesmo se trata o trabalho. Afinal de contas, isso vai resolver que tipo de problema? Vou elaborar um pouco sobre isso.

A área de expertise que atuamos (Tarcísio, eu e a recente doutora Vládia) é a de Inteligência Artificial (IA). Busca-se aqui desenvolver programas de computador que tenham a capacidade de simular algumas das atividades que as pessoas realizam e que são por vezes extremamente difíceis de serem realizadas pelo computador. Ler e compreender um texto é uma delas. Trata-se de uma sub-área da IA e que tem o nome de Processamento de Linguagem Natural  - PLN (refere-se aqui à linguagens como inglês, português, francês, etc.). Compreender um texto é ter a capacidade de discutir, argumentar, explicá-lo e fazer inferências (como deduções) sobre coisas expressas nele. Não se está aqui somente a buscar o sujeito e predicado ou se uma palavra A ou B está presente no texto (que Google faz muito bem). Busca-se apreender o significado do que está escrito
  
PLN é uma área básica da IA com mais de 50 anos de idade. Embora muitos avanços tenham sido obtidos desde então, não se pode afirmar que o problema de compreender um texto pelo computador está resolvido. Ou seja, ainda não temos programas de computador que leiam e compreendam plenamente um texto escrito em uma determinada língua natural.

O trabalho de doutorado de Vládia busca avançar o estado da arte em PLN. Mais particularmente, ela propõe uma nova maneira de representar e explorar os conceitos e sentenças de uma língua de forma que permita realizar inferências. Aqui atento para um dos grandes desafios da pesquisa na área: manipular os símbolos de uma língua para a realização de inferências úteis ao dia-a-dia das pessoas. O trabalho é fundamentado em teorias filosóficas da linguagem, em particular em filósofos ditos inferencialistas. Por essa razão o próprio título do artigo possui referencia à base inferencialista. Ao usar essa fundamentação, mostramos que podemos obter a capacidade de explorar um texto e de inferir conhecimento que não está explicitamente representado nele.

Mas para que isso serve mesmo na Segurança Pública? Em muito. Notícias sobre crimes e boletins de ocorrência policial são exemplos de documentos que poderiam ser explorados por programas tipo o que produzimos. Por exemplo, suponha uma notícia no jornal dizendo o seguinte: “João matou sua esposa a facadas após discussão por que ela havia chegado tarde em casa”. Temos a capacidade de inferir que se trata de um crime passional. Nada na sentença está explicitamente a nos dizer isso, mas conseguimos inferir. O programa desenvolvido por Vládia também tem essa capacidade, o que os outros programas desenvolvidos até então não tinham (ou tinham em menor capacidade). Imagine um programa que consiga entender um texto e que possa então ler os milhões que estão na Web e deles extrair os objetivos e as causas principais.

No caso do artigo, mostramos o que chamamos de WikiCrimesIE (WikiCrimes Information Extractor). Com ele podemos ler notícias sobre crimes na web, compreende-las e assim registrar automaticamente em WikiCrimes. Na verdade, ainda não estamos fazendo isso completamente. Estamos a extrair porções de informações do texto, como endereço, tipo do crime, causas e tipo de vitima, mas o objetivo final é deixar para o usuário de WikiCrimes somente a tarefa de confirmar se a compreensão do texto foi correta.

Para finalizar, quero dizer que temos a plena consciência de que o problema de compreender um texto ainda não foi resolvido. Muitas limitações no trabalho de Vládia ainda existem (eximo-me de descrevê-las aqui) e deverão ser objetos de trabalhos futuros. É assim que avança a ciência. Mas o relevante é dizer que o trabalho abre perspectivas importantes na área e que por isso merece o reconhecimento que está tendo.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Parabéns!

Minha vinda para Vancouver para participar da Conferência Internacional de Inteligência e Informática na Segurança Pública (Intelligence and Security Informatics - ISI) foi cheia de imprevistos. Aquele tipo de viagem que a gente decide ir e se pergunta várias vezes se deveria mesmo. Para começar, não estaria presente em Fortaleza no dia 26 de Maio, aniversário de 80 anos de seu Furtado. Depois, vários imprevistos me fizeram perder a partida e postergá-la por mais um dia. Problemas com a reserva no hotel só vinham a aumentar a dúvida. Pensei que o universo conspirava para que não viesse.

Pois acho que acabei de descobrir que na verdade o universo conspirou fortemente para que eu viesse. Fui participar do banquete que sempre ocorre nessas conferências e nem me lembrava de que haveria a premiação de melhor trabalho apresentado. Confesso que não é muito comum (para não dizer nunca) ter seu trabalho cotado a vencedor em conferências internacionais. Quase me engasgo quando escutei meu nome. “Vasco !” procurou-me a Profa. Patrícia Brantingham, renomada criminologista canadense e presidenta da conferência. Por decisão do comitê de programa, Vládia Pinheiro, Tarcísio Pequeno, Douglas Nogueira e eu fomos considerados os vencedores do melhor artigo da conferencia.

Estou a escrever esse artigo muito emocionado e a palavra que me veio naturalmente a mente foi Parabéns. Os outros autores que me perdoem, mas o primeiro parabéns vai para meu pai que aniversaria nesse dia 26. A mensagem da premiação foi recebida justamente nesse dia 26 no Brasil (9:00hs aqui no Canadá). Queria oferta-lhe essa honra que estou tendo. Não me cansarei nunca de agradecê-lo pela estrada que me pavimentou e espero continuar nela firme e sempre o presenteando.

O segundo parabéns vai para Vládia,. O trabalho é dela e só fui porta-voz do mesmo. Modéstia a parte, até isso deu certo. Acho que eu era mesmo a pessoa indicada para fazer a apresentação, pois o contexto de Segurança Pública assim o exigia. Só agora percebi que o conjunto de perguntas que tive que responder depois da apresentação foi um bom sinal. Creio que os revisores e o público perceberam que o que estamos propondo é um novo caminho que abre possibilidades interessantes, principalmente quando prospectei como nosso método pode ser útil para descobrir atividades terroristas (o que os americanos mais querem). A Tarcísio já tive a oportunidade de dizer pessoalmente como foi prazeroso e enriquecedor desenvolver as inspiradoras idéias que na base do trabalho são todas dele. A Douglas meus parabéns pela excelência na programação e que lhe sirva de motivação para um mestrado com a mesma qualidade do doutorado de Vládia. Enfim, estou qual jogador de futebol a agradecer a família, aos amigos, etc. e etc (vou deixar minha esposa e filhas fora dessa, porque assim já é demais). Mas que é bom é. 

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Intelligence and Security Informatics Conference – ISI

Já estou em Vancouver, onde apresento um artigo desenvolvido por Vládia, Tarcísio, Douglas e eu na Conferência Internacional de Inteligência e Informática na Segurança Pública, conhecida por ISI em função das iniciais em ingles. Trata-se de uma conferência organizada pela IEEE uma reconhecida associação que congrega pesquisadores das diversas ciências exatas (engenharias, matemática, física, computação, etc.). Já participei uma vez da ISI quando estava na Califórnia o que facilitou inserir-me na comunidade de pesquisadores mundiais que trabalham com Segurança Pública. A participação deste ano visa consolidar isso. Além da apresentação, fui convidado para organizar uma sessão de apresentações dentro da própria conferência. O programa completo da ISI pode ser obtido aqui.

O artigo que vou apresentar descreve as pesquisas que desenvolvemos para criar programas que consigam compreender um texto escrito em português. Mais especificamente, visamos, prioritariamente, compreender textos jornalísticos que descrevem crimes e assim mapear o relato da ocorrência com a devida caracterização diretamente em WikiCrimes. Esse trabalho é resultado da tese de doutorado de Vládia que tive a honra e o prazer de co-orientar com Prof. Tarcísio Pequeno. Escreverei um pouco mais sobre a conferência no Twitter. Os interessados devem seguir-me e ficar atentos.