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segunda-feira, 23 de julho de 2007

Onde Está o Fair Play do Público no Pan Americano?

Muito se tem dito que os jogos pan-americanos no Rio serviriam de teste para saber se o Brasil tem como sediar uma copa do mundo ou mesmo os jogos olímpicos. Diz-se que o Pan serviria para avaliar a questão da infra-estrutura dos estádios, ginásios, complexos esportivos, bem como a infra-estrutura da cidade em geral, particularmente em relação à segurança pública. Acho que esquecemos um fator determinante e que não tínhamos percebido que estamos muito mal. Precisamos melhorar muito nossa postura enquanto espectador de um evento esportivo. A postura da torcida, em muitos momentos, é lamentável e reveladora de nossa falta de educação. O público parece que estava sedento por vaias. Começou vaiando o presidente Lula na abertura. Estaria o público vaiando o fato de o Governo Federal ter bancado o estouro do orçamento da festa e dos jogos (o que, aliás, é sim, um acinte)? Não creio que tenha sido essa a razão. Com o desenrolar dos jogos ficou evidente que a falta de educação do público tinha uma dimensão maior do que uma vaia por motivações políticas. Logo no início dos jogos as vaias destinadas às ginastas adversárias deixaram os próprios (as) atletas brasileiros (as) incomodados. Várias outras situações constrangedoras vivenciadas pelos atletas ocorreram. Vaiar atleta americano no pódio, então, nem se fala, virou rotina. Os lamentáveis episódios de vaias e de violência contra atletas cubanos e árbitros no judô foram mais um exemplo. Não há justificativa para isso. Torcer pelas equipes e atletas brasileiros fazendo barulho, gritando e vibrando é mais do que normal. O que não se pode é desrespeitar os adversários, muito menos após o final da competição como nas premiações. O público brasileiro conseguiu se portar raivosamente talvez contagiado pela forma violenta que cada vez mais caracteriza as torcidas em estádios de futebol. Há que existir respeito pelos atletas que, independentemente do país que representam, são merecedores de admiração. Eles representam a perseverança, a obstinação, a luta pela quebra de seus próprios limites e acima de tudo fair play. O consolo é que os atletas brasileiros demonstram que entendem bem esses conceitos. Além das declarações dos ginastas, insatisfeitos com a postura da torcida, os judocas brasileiros se juntaram aos cubanos para saudar e aplacar a ira do público. Mesmo no Handball os atletas brasileiros tiveram o domínio para evitar maiores violências contra os Argentinos. Acredito que temos que torcer muito pelos atletas brasileiros, que merecem todo nosso apoio, mas respeito pelos outros e reconhecimento dos vencedores é o que o espírito olímpico exige.

4 comentários:

Juan Vazquez disse...

Que vaiar um adversário é falta de educação, é... Mas o problema é que no caso do Handball e do Judô, quem arrumou a confusão foram os adversários...

Os argentinos não souberam perder e partiram pra agressão uns 5 minutos antes de terminar o jogo e foi assim até aquela confusão maior.

Já os cubanos ficaram insultando a torcida qd saiam. O pessoal já estava revoltado com o roubo do juiz, e o cara ainda vem sacanear... Isso mostra que brasileiro não tem é sangue de barata...

Acredito que se fosse na Inglaterra a torcida fizesse pior, por causa dos hooligans...

Tudo depende do seu ponto de vista...

Vasco Furtado disse...

Caro Juan,
Concordo que depende de ponto de vista. No meu, hooligans nao sao modelo comparativo nem falhas de arbitragem podem justificar violencias da torcida.

Vasco Furtado disse...

Para acescentar mais sobre o assunto, vejam a materia no Estadao de hoje intitulada "vaias para a torcida do Brasil". Um pequeno trecho eh "...Na partida de pólo aquático masculino do sábado, entre Brasil e Estados Unidos, torcedores causaram mal estar ao gritar 'Osama' a cada jogada do rival, referência ao terrorista Osama Bin Laden. 'Sabemos que os motivos são políticos, mas ninguém gosta de levar vaia', disse a jogadora de vôlei Danielle Scott. Ela foi a primeira americana a ser apupada, por carregar a bandeira de seu país durante a cerimônia de abertura do Pan...".

Vasco Furtado disse...

Esqueci de mencionar este artigo da agencia Reuters que esta sendo divulgado em varios jornais no mundo. Veja o link do Jornal canadense The Globe http://www.globesports.com/servlet/story/RTGAM.20070720.wsptpanamfans20/GSStory/GlobeSportsOther/home
O pior eh a entervista do representante brasileiro que nao se desculpa dos fatos ocorridos e ainda quer justificar o injustificavel.