Siga-me no Twitter em @vascofurtado

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Profissão: Concursado!

Todos sabemos que um emprego em um órgão publico comporta uma série de vantagens como a segurança e salários bons ou mesmo muito bons (principalmente para cargos do judiciário ou ministério publico). Ter um bom emprego público sempre foi sonho legítimo de muitos e principalmente de jovens em busca de algo que lhes assegure um futuro tranqüilo para toda sua vida profissional. No entanto, tenho percebido recentemente que algo estranho está acontecendo no Brasil. Os jovens estão escolhendo suas profissões já pensando em fazer concursos. Ou seja, ao invés de escolher uma profissão por achar que ela vai satisfazer sua vocação e lhes realizar (até talvez ingressando no serviço público, em função da oportunidade) o objetivo de passar em um concurso tem se tornado a meta principal de vida. Esta situação explica um pouco porque tantos jovens hoje em dia optam por fazer Direito, pois abre a possibilidade de tentar um maior número de concursos possíveis. Pode-se tentar o Judiciário, o Ministério Público, as Polícias, além dos locais que não requerem uma formação específica como o fisco e os bancos. Isto não faz bem ao País. A competição para concursos fica absurdamente alta, o que de certo eleva a qualidade dos servidores públicos, mas o que vão fazer aqueles que não conseguiram lograr êxito? Perseguirão até conseguir passar? Não estariam, nossos jovens, perdendo a capacidade de sonhar, de inovar, enfim de empreender. Se assim for, isso é grave. Gravíssimo. Os jovens são por natureza sonhadores, ousados e inovadores. Buscam quebrar os paradigmas. Discordam deles. Entristece-me vê-los acomodados e buscando segurança tão cedo. Se eles não vão arriscar, quem vai? Não estou querendo desmerecer o serviço público. Até porque sou um servidor público e sei de sua importância. Mas mesmos nós servidores, sabemos que nosso trabalho não é suficientemente preponderante para gerar o desenvolvimento e aumentar a riqueza de uma nação. A riqueza de um país depende da capacidade de seu povo de empreender, expandir horizontes, ganhando espaço em diferentes mercados e criando empresas para gerar riquezas e empregos. Isto deveria prioritariamente estar entre as metas e objetivos dos jovens. Devemos motivá-los a tomar esses rumos mostrando que ao abraçarem com afinco uma profissão específica, poderão ter renda maior do que o teriam em um cargo público e que teriam ainda motivos de sobra de se sentir realizados. Novamente, não estou querendo dizer que as pessoas que tem por vocação seguir carreiras públicas estejam erradas. Só acho que esta havendo uma inversão de valores (e a quantidade de inscritos em concursos públicos é um indicador disto). Refletir sobre as causas que levam a essa realidade requer um outro texto. Parece-me claro que uma das razões está no fato de que temos ainda a cultura de ser empregado e como tal, nada como ter o governo como patrão. Isso precisa ser mudado. O mundo tem mudado (eu diria mesmo que já mudou). A escolha de uma profissão, qualquer que seja ela, exige de mais em mais do profissional um senso de criatividade e de empreendedorismo. Há muito a fazer para mudar essa mentalidade e principalmente dentro da própria Universidade, que tem por obrigação liderar esse processo.

4 comentários:

Anônimo disse...

Concordo plenamente!

Jafal disse...

Prezado Professor Vasco,

Suas análises, idéias e reflexões sobre temas diversos sempre foram fonte de inspiração. O tema abordado, Profissão: Concursado, nos remete a questão da Inovação e Empreendedorismo. Vejo no Brasil atual uma clara contradição, pois ao mesmo tempo em que precisamos crescer e gerar empregos, observamos o estímulo a uma cultura (que já existiu) do emprego público. Minha percepção é que trata-se de um reflexo da doutrina ou ideologia política que a maioria escolheu por voto popular. Não seria complicado deduzir que o problema maior reside na educação do nosso povo e que, aqui sim, a Universidade deveria exercer bem o seu papel. Programas de empreendedorismos, pré-incubação ou mesmo incubação de empresas deveriam fazer parte dos planos das Universidades. Criar empreendimentos de sucesso e abrir novas oportunidades de inovação tecnológica são objetivos que devem ser perseguidos em atividades que articulem os três eixos do ensino superior: Ensino, pesquisa e extensão. Será que estamos fazendo isto no Ceará? Na área de TI o nosso vizinho Pernambuco fez e se destaca no cenário internacional.

José Alzir Falcão
Seu nobre discípulo

Carlos Gouveia disse...

Caro Prof. Vasco,

Esta cultura de concursos, já vem desde a formação básica de nossos alunos, onde as escolas "EMPRESAS" de vestibulares, não buscam formar o aluno com uma visão para a vida, ou seja, existe somente um objetivo, passar no vestibular e concluir um curso de 3o. Grau, e mais, não é qualquer curso de 3o. Grau, mais o que está na vitrine dos concursos públicos.

Percebe-se ao longo da história que nem todos os empreendedores, iniciam seus empreendimentos de sucesso porque estão em uma universidade, mas porque a sociedade onde vive, trabalha estas caracteristicas desde o inicio da formação do ALUNO, ou seja, ensino Fundamental e Médio, mesmo antes de entrarem nos cursos de 3o Grau.

Bem, Acredito que temos que combater este problema na RAIZ, e não tentarmos modificar a cultura já adquirida, ou seja, iniciar o trabalho de aculturamento, desde o ensino BÁSICO.

Mais difícil do que convencer alguém a aceitar novos conceitos, é convencer alguém a “se livrar” dos velhos!

Carlos Alberto Aguiar Gouveia

Vasco Furtado disse...

Otimas as participacoes de Alzir e Carlos. Concordo em essencia com ambas. Seria evidentemente bom que a cultura do empreendedorismo pudesse ser disseminada desde ja o ensino basico, mas acredito que seja mais factivel que a Universidade lidere esse processo. Digo isso porque ela eh naturalmente o ambiente de formacao profissional e por possuir a massa critica que tem por obrigacao perceber essa deficiencia na sociedade e agir na direcao de reduzi-la.