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sexta-feira, 6 de abril de 2007

Fortaleza Bela: Deseducação no Caos Urbano

Não posso me furtar a escrever sobre algumas coisas que me saltam os olhos nesta volta à rotina Fortalezense. Contrastando com a alegria do contato com familiares e amigos, a tristeza de perceber algumas de nossas idiossincrasias ocupa um espaço em meu estado de espírito. Poucas coisas são tão alarmantes como o caos urbano que percebo na cidade. Há toda forma de descontrole com a clara omissão do poder público e sob o olhar inerte dos órgãos de defesa do cidadão. A conseqüência disto é uma população que busca adaptar-se a esse contexto, em prejuízo a uma convivência harmoniosa e em detrimento ao seguimento as leis. Deixem-me exemplificar o que quero dizer. A sinalização das ruas, em geral, é de péssima qualidade, tanto a que se refere ao tráfego de veículos quanto a que se refere ao uso dos espaços públicos pelos pedestres. Além disso, as calçadas são frequentemente intransitáveis, ou por ocupação ilegal ou por terem pavimentação totalmente destruída. Conseqüência, os pedestres têm que encontrar rotas alternativas para se deslocar, o que não pode ocorrer sem perigo. Essa situação provoca uma bola de neve, pois o trânsito que já é péssimo por muitas outras razoes como pavimentação deficiente, buracos, etc (vou parar para não chover no molhado) fica ainda mais prejudicado. Não tenho a menor dúvida que vidas são perdidas e pessoas são acidentadas muito em função deste contexto. Vejo ainda outro aspecto extremamente pernicioso. Na falta de condições para se viver harmonicamente vê-se em marcha um processo inconsciente de deseducação da sociedade. A regra geral de convivência numa sociedade com este contexto é a de se virar como puder e a lei de Gerson (levar vantagem em tudo) é a única claramente seguida. Por exemplo, não da para esperar que os pedestres só atravessem na faixa de segurança quando na maioria das ruas elas nem são indicadas. Nem da para esperar que os motoristas dêem prioridade aos pedestres (como se vê nas sociedades mais “civilizadas” em termos de convivência urbana), se eles estão atravessando as ruas a toda hora e em todos os locais. Conseqüência disso é um filme trágico e surrealista, pessoas cruzando as ruas aloucadamente, carros subindo calçadas para fazer ultrapassagens, sinalização desrespeitada repetidamente, motos e bicicletas “surgindo” de todos os cantos. Tal situação está longe do que pode se esperar de uma Fortaleza Bela.

Um comentário:

Beto disse...

Estava demorando. Esse post é previsível para quem acompanha o seu blog de fora do Brasil. Concordo com você em gênero, número e grau. No Brasil, as pessoas acostumam-se com as coisas erradas e tudo que você descreve passa a ser banal para a maioria da população e visível para quem é ou veio de fora.

O que você chama de "oportunismo" eu chamo de "jeitinho brasileiro", um termo que é aclamado pelo povo depois furar uma fila, passar bem rápido pelo sinal amarelo ou não devolver o dinheiro quando o troco foi além do necessário. Sem falar do garçon que sempre adiciona umas cervejas extra na conta depois que percebe que os clientes já estão, eu diria, animados demais.