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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Xenofobia de Mayara na rede

Talvez nem todos conheçam Mayara Petruso. Eu também não a conhecia (aliás, nem creio poder dizer que a conheço). Logo depois da eleição, no entanto, essa estudante paulista de Direito ganhou seus momentos de notoriedade no Twitter e acabei sendo apresentado às suas idéias (ou pelo menos a algumas delas).

A pobre moça explicitou em seu Twitter sentimentos Xenófobos que, infelizmente, indicam ranços, muitas vezes subconscientes, mas que existem em parte da população brasileira e que afloram em momentos de paixão. Não vou reproduzir o que ela disse, pois não quero alimentar rancores. Acho que o calor da campanha e o tom agressivo dos candidatos potencializaram comentários exagerados em todas as direções e de muitos.  Mesmo daqueles que se esperava uma postura mais serena.

Achei o debate eleitoral no Twitter lamentável.  Nem em dias de clássico de futebol se vê tanta bobagem. Cheio de clichês, slogans preconceituosos, agressões e muita baixaria. Lamento que o Twitter tenha se transformado em um instrumento de debate inócuo. A falta de espaço para argumentações proíbe discussões mais profundas. Elas são marcadas por frases de efeito e as agressões e clichês negativos são os preferidos.

Não me surpreende que Mayara e muitos outros seguidores tenham entrado na linha xenófoba. A moça até que tentou se refazer da tolice. Retirou o Tweet e pediu desculpas, mas já tinha dado o combustível para uns e outros começarem a “discussão”com mais baixaria em todas as direções. Como é jovem, Mayara terá oportunidade para mostrar que seus tweets foram um mero lapso e que não vão influenciar na sua vida. Só tem um problema: ela agora é celebridade! Outra marca relevante da Twitterland: o sucesso explosivo e intempestivo. Se quiser, ela poderá deixar-se explorar pelos meios de comunicação, pelas revistas masculinas, programas de auditório, etc. e etc. Será uma outra Geisy Arruda? Cabe a ela escolher. Mas creio que, se decidir pelo caminho da celebridade, terá muito mais trabalho para mostrar que a xenofobia  não está dentro dela.  

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A Derrota de Serra: o PSDB precisa aprender com Minas

 Fiz questão de enfatizar nesse texto a derrota de Serra e não a vitória de Dilma. Primeiro porque não quero aqui fazer uma análise dos resultados da eleição em geral. Depois, porque muito tem se divulgado que o Nordeste foi o responsável pela vitória governista e consequentemente pela derrota de Serra. Faço uma leitura um pouco diferente das razões da derrota. Acho que o PSDB continua criando condições internas para perder.

Evidentemente que não posso deixar de considerar que algumas regiões do País demonstraram uniformemente a preferência por um ou por outro e que muitas pessoas votaram em Dilma porque achavam que ela era a melhor candidata. No entanto, creio que há algo não explorado na derrota de Serra que deve ser um aprendizado ao PSDB: desuniões internas.

Acho que a grande e inaceitável derrota de Serra foi em Minas Gerais. Ali sim, o candidato tucano foi derrotado flagrantemente. Como explicar que em um dos maiores colégios eleitorais do País, Aécio Neves com enorme popularidade, já eleito para o senado e tendo feito um governador sucessor, não consiga nem fazer com que o candidato de seu partido tenha maioria? Indício claro que o PSDB não marchou unido na campanha.

Essa não foi a primeira vez. Em 2002 Tasso Jereissati quis disputar as primárias com Serra e foi voto vencido. Não conseguiu convencer o partido de que a disputa seria salutar. De lá para cá, Serra não conseguiu nunca mais obter a simpatia do cearense. E a conseqüência disso não foi  somente a falta de apoio de Tasso. Foi sobretudo um sentimento de antipatia do cearense que achou que a atitude do partido e de Serra havia sido autoritária. Estava criado então o terreno fértil para os slogans tipo “Serra anti-nordestino”.

Na eleição deste ano a mesma situação se repetiu. Aécio Neves se apresentou como potencial candidato, mas, novamente, o PSDB paulista não permitiu maiores discussões sobre quem recairia a escolha. Fui a BH duas vezes e escutei com freqüência dos mineiros o mesmo tipo de comentário que escutei na época de Tasso. Havia sempre um ranço, um desgosto que não permitia criar um entusiasmo pelo candidato do partido. Por mais que Aécio tenha trabalhado, não foi suficiente.

A implantação de uma sistemática mais democrática de escolha do candidato deveria ser-lhe a maior aprendizagem de todas dessa campanha ao PSDB. Seria um ganho a mais na democracia brasileira.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Jamais diga uma mentira que não possa provar

A frase paradoxal que intitula esse texto é de Millor Fernandes e ilustra o que, ao meu ver, tornou-se a campanha para eleição presidencial. O “debate” (se é que se pode chamar assim) entre Dilma e Serra é talvez o maior símbolo do quanto a política nacional está aquém da Nação e do que Ela merece.

Os candidatos, assessorados por especialistas em marketing, buscam incessantemente encontrar manchas um no outro, e sobretudo, manchas que “peguem”. A campanha virou uma guerra de clichês sem igual. Dilma é favor da morte de criancinhas e é terrorista enquanto Serra detesta nordestinos e vai acabar com o Bolsa Família, só para exemplificar. Sob os olhos da população espantada, mentem e chamam-se de mentirosos. Esse parece ser justamente o único ponto que os faz convergir e provavelmente é onde estão certos.  A eleição se encaminha mais e mais para a escolha daquele que não queremos que seja presidente. Ou seja, será o voto pela exclusão do outro.

Os candidatos são reféns de uma estratégia que eles mesmos criaram. Abdicaram de um debate profundo e puseram-se em um contínuo e desgastante processo de infantilização da população como dito no primeiro turno por Marina Silva. Não conseguem defender nem mesmo aquilo em que acreditam. Consequentemente, não convencem.Tal situação eleva o desgaste da classe política e do processo democrático e só nos dá uma certeza, qualquer que seja o vencedor terá um governo que já entra perdendo.

O próximo presidente não nos ajudará muito a sonhar, nem a pensar no Brasil do futuro. Será presidente, mas não será líder. Como não podemos nos dar o luxo de perder a oportunidade de continuar progredindo, vamos ter que nos auto-motivar e aprender a sonhar por nós mesmos. Mas que a campanha de 2014 começará muito mais cedo, vai.

domingo, 10 de outubro de 2010

A Hipocrisia Eleitoral

O curso que a campanha tomou com o predomínio de um debate puxado pelos conservadores religiosos e onde agora predomina a hipocrisia dos candidatos é o que mais me dá desgosto desde o começo da campanha.

O governo brasileiro vinha gradativamente tomando medidas seguras e importantes fernte a um problema gravíssimo de saúde pública. No Brasil a cada dois dias uma mulher more vítima de abortos feitos em condições precárias. Algo precisava e precisa ser feito.

Serra teve sorte de sempre se posicionar contra o aborto. Viu um tema que conseguiu deixar Dilma nas cordas cair-lhe ao colo e agora está disposto a capitalisar. Já Dilma não consegue defender o que o governo fez até agora e fica querendo dizer algo que agrade a gregos e troianos.
Irresponsabilidade pura dos dois. Deixam assim emergir uma classe que até então era silenciosa, mas que começa a colocar as asas de fora. Nunca fomos um País marcado pela intransigência religiosa. Esse movimento pode ser extremamente pernicioso para o País.

Louve-se Marina Silva. Sempre tive receio de sua religião e do quanto ela poderia ser influenciada por pensamentos radicais vindos dos que a apoiavam. Para minha surpresa, o perigo está em todos os campos.