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domingo, 21 de outubro de 2012

E os vencedores são ...


Independente do resultado das eleições na semana que vem, creio já ser possível apontar os vencedores. Um deles é Heitor Ferrer. Trata-se de um vencedor não só pela expressiva votação que obteve, mas especialmente pela forma como não conseguiu ir ao segundo turno. Não ganhou, mas levou algo que não é fácil de conseguir na política: credibilidade.

De quebra ganhou muito espaço na mídia. Primeiro pela forma como perdeu, supostamente decorrente das falhas nas pesquisas, o que ecoou significativamente. Depois, usou bem sua intuição quando decidiu não apoiar nenhum dos dois candidatos ao segundo turno. Acabou conseguindo tanta notoriedade como se estivesse na disputa. No segundo turno, se falou mais de Heitor do que dos candidatos.

O outro vencedor foi Luizianne Lins. Ela, quer gostem ou não de sua administração,  demonstrou pela segunda vez que tem um feeling político sem igual. Já está na história da política cearense. Não da forma como Maria Luiza Fontenele pelo pioneirismo, mas pela liderança.  Não bastasse a forma com foi eleita pela primeira vez, contra tudo e contra todos (inclusive Lula), ela voltou a arriscar quando lançou o candidato isoladamente. Apostou alto. Se deu bem.

Os Ferreira Gomes tinham preparado todo o terreno para ocupar o espaço de centro-esquerda. Cooptaram os petistas mais entusiasmados por cargos e ávidos por chegar logo ao poder. Luizianne percebeu toda a manobra. O que estava em jogo era mais do que a eleição municipal deste ano. Tratava-se, na verdade, da disputa pela hegemonia política no Estado. Ah se suas decisões administrativas fossem tão acertadas quanto as políticas ! 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Não quero perder meu voto


Escutei recentemente a frase que é título desta crônica com uma frequência que me surpreendeu. Fez-me refletir. 
A circunstância das eleições municipais na Capital, onde vários candidatos tinham boas intenções de voto, fez com que muitos fortalezenses decidissem seu voto por um critério que a meu ver soa, no mínimo, estranho: votar no mais provável a ganhar, pois afinal “não queriam perder o seu voto”.
Quero esclarecer primeiramente que acho que a grande vitória de todos os eleitores é a de possuir o poder do voto e de usá-lo como considerar correto. Por isso não me agrada discutir o mérito da escolha por um ou outro candidato. Não critico nem mesmo a opção pela não-escolha via voto nulo ou branco (embora particularmente nunca opte por ela). 
No entanto, considerar que o voto bom é aquele dado a quem supostamente tem mais chance de ganhar parece-me equivocado. Afinal, não estamos falando de aposta em uma corrida de cavalos, não? Seria isso fruto de nossa sociedade 
competitiva em que temos sempre que nos mostrar vitoriosos? Talvez, mas o cenário vivido em Fortaleza continha um agravante. 
Estive com frequência rodeado por pessoas que consideravam Heitor Férrer (PDT) o melhor candidato, mas mesmo assim não declaravam que votariam nele porque achavam que ele não iria ganhar. Pois é, ele não ganhou. Não se saberá jamais se teria ido ao segundo turno se esses eleitores tivessem agido diferente. Espero que o resultado final da apuração os tenha feito refletir sobre sua postura.
Afinal, pensar que é possível saber o vencedor antes da eleição é dar valor demais às pesquisas e valor de menos ao candidato e ao próprio voto. Resta-me racionalizar: o exercício da democracia se aprende na prática e nós brasileiros temos ainda pouca experiência. Que o episódio dessa nossa eleição sirva-nos como aula a não ser esquecida do que deve ser um voto vitorioso. 
* artigo publicado na coluna Opinião do jornal O Povo de hoje