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quarta-feira, 18 de junho de 2008

A Política Cearense

Está algo a acontecer com a política cearense? Tenho recentemente acompanhado alguns fatos que me levam a esse questionamento. O Governo do Estado conseguiu em duas medidas polêmicas trazer para si uma imagem negativa que se expandiu nacionalmente. Primeiro, ao contratar Hilux luxuosas para o programa Ronda quarteirão, depois a fatídica viagem ao exterior no jatinho com uma comitiva maior do que a necessária. A substituição na Prefeitura de Fortaleza, que teve três prefeitos em 48 horas, durante a viagem ao exterior da prefeita, levou a política cearense novamente ao noticiário nacional e criou um clima de que havia abandono. Por fim, o relatório do TCM que indica uma grande quantidade de políticos e gestores públicos com problemas de improbidade (na minha opinião, nesse caso, muito salutar à sociedade). Seríamos capazes de encontrar uma lei de formação para tudo isso? Lei de formação em política é dose! Mas achar que isso é só coincidência também me parece simplista. Acho que vivemos uma espécie de entressafra política. Nos últimos vinte anos, nos habituamos a vender a idéia de que tínhamos encontrado um caminho político marcado pelo cuidado com o bem público aliado a progresso econômico e modernidade que traziam orgulho ao cearense. Mesmo se o debate do quanto realmente melhoramos seja ainda muito atual, o fato era de que, em termos políticos, vivíamos um clima de otimismo. As lideranças políticas desses anos ou foram diretamente responsáveis por isso ou pelo menos se aproveitaram desse contexto e ancoraram suas gestões nessa onda. O cansaço desse discurso começou a ficar cada vez evidente nas últimas eleições. Em particular o discurso de que a coisa pública deve ser tratada com zelo, perdeu o apelo. Não porque deixou de ser importante, mas porque na verdade, por si só, isso não pode se constituir em política de governos. É obrigação. Novas lideranças não apareceram com um novo discurso que entusiasmasse e mostrasse uma nova direção. De quebra, o rigor no ser e parecer ser ético parecem estar perdendo a força da mesma forma que a falta de direção para o futuro. Outro fator que considero relevante é que nossa política sempre foi marcada pela existência de lideranças fortes (época dos coronéis ilustra, mesmo sem exclusividade). Hoje não temos mais nenhuma dessas lideranças atuantes. A eleição para prefeito vem aí e não aparenta trazer nenhuma novidade que mude essa realidade (pelo menos em termos dos candidatos. Quanto aos projetos, vou esperar para falar algo). Ou seja, estamos em vácuo de propostas e de líderes. Até quando?

Um comentário:

bodegacultural disse...

a meu ver estamos perdendo o bonde da história, conterrâneo.
Abs!