Siga-me no Twitter em @vascofurtado

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Francês Nóis Sabe


Cansei de ir aos restaurantes requintados de Fortaleza e ver erros grosseiros nos cardápios. Não entendo como TODOS, digo sem medo de errar, todos os restaurantes finos de Fortaleza não se preocupam com o que está escrito em seus cardápios. 

Em alguns deles, onde já tenho certa intimidade com maitres, sugeri correções. Em particular, os restaurantes com inspiração na gastronomia francesa apresentam barbaridades como as que mostro abaixo. Não vou dizer o nome do restaurante porque, como disse previamente, não creio ser um problema de um único local. Mas vejam que até filé mignon está escrito errado. 

Interessante é que esse critério é claramente desprezado. Os restaurantes tem ótimo aspecto, boa comida e preços altíssimos. Não sabem o quanto isso pega mal. 



segunda-feira, 25 de junho de 2012

Valeu a Pena?


Vi-me refletindo sobre qual balanço deve fazer Cid Gomes após a aliança (dita) com Luizianne ter se desfeito. Uma aliança que inclusive o levou, cerca de um ano e meio atrás, a romper com Tasso Jereissati quando apoiou o Pimentel para o senado. Ao contrapor-se a Tasso tomou uma decisão que parece-me ter se fundamentado na crença de que a troca de conveniências que vivia era por demais valiosa. Mais valiosa do que afinidades de estilo, pensamento e forma de governar que pareciam existir. 

Para alguém que não vive na política como eu é difícil compreender a lógica seguida pelos que nela vivem.  É fácil repetir que a política é feita de coligações, partidos, alianças, sapos engolidos e blá, blá, blá. Mas tendo a achar que existe alguma ética de afinidades programáticas ou ideológica que devem ser perseguidas. Pelo menos era para ser assim. Não vem sendo o caso aqui no Estado.

Sempre ficou evidente que os governos estadual e municipal pensavam diferente em suas ideias mais determinantes (e.g. estaleiro no titanzinho).  Na verdade, PT e PSB pós Ferreira Gomes também deram várias mostras que pensavam diferente. Bem, se Cid considera que valeu a pena ou não, não cabe a mim dizer e nem é de fato muito relevante. A questão mais relevante refere-se ao balanço que nós cidadãos fizemos desse tempo de aliança. Ela nos foi positiva ?

Não consigo achar indicações que sim. Não vi o surgimento de políticas integradas, muito pelo contrário (e.g. buracos nas ruas). Não vi plano integrado por prevenção em Segurança Pública, coisa que considero fundamental para o combate á violência e nem vi ações políticas articuladas pela bancada em prol do Estado. A aliança teve ainda o deletério efeito de sufocar as opiniões contraditórias. Implantou-se um pacto do silêncio que só era quebrado pelas tuitadas de alguns em razões e momentos muito pouco claros.  

O que espero é que não escutemos novamente, nas próximas eleições, as promessas de que vamos trabalhar em sintonia com Estado e União porque somos aliados. Os acordos de conveniência tem feito como que esse discurso fique cada vez mais desagastado.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Discursos Desgastados



Tenho escrito sobre a importância de ações preventivas para conter a onde de violência e insegurança que vivenciamos, mas sempre tenho muita cautela nas minhas exposições. Essa cautela se justifica porque me incomoda sobremaneira a forma como esse discurso tem sido usado de forma quase que irresponsável.

Em recente artigo para o Jornal O Povo deixei bem claro que repressão com ações policiais deve acontecer em dosagem variada dependendo do problema. Ações preventivas, desenvolvidas pela Polícia ou não, são em algumas circunstâncias muito mais efetivas que qualquer ação repressiva. Tão logo escrevo isso, sou surpreendido com uma matéria no mesmo cotidiano sobre a onda de assaltos a banco em cidades do interior do Estado. Representantes da Academia e da Polícia são interrogados pelo jornal e pasmem, o discurso de prevenção social está lá presente.

Francamente! Dizer que explosão de bancos bem como assaltos feitos com quadrilha de oito carros que fecham uma cidade devem ser tratados com projetos sociais é uma brincadeira de muito mau gosto. Isso desgasta o discurso da prevenção e parece querer encobrir suas próprias deficiências ofuscando a visão das pessoas. 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Os Trilhos da Segurança Pública


Ao ler a notícia sobre a, ufa!, inauguração de parte do metrô de Fortaleza lembrei que tratava-se de uma obra iniciada em 1999. Treze anos foram necessários para que viesse a trazer benefícios aos cidadãos. Não pude deixar de relaciona-la ao Plano Estadual de Segurança Pública lançado àquela mesma época.

A demora na inauguração do Metrô de Fortaleza é indubitavelmente um símbolo do fracasso da política cearense e do descaso do governo federal. Nada justifica tanto tempo a não ser uma enorme desconsideração pelas causas do Estado. O término da obra, no entanto, pode servir de exemplo positivo devido a um aspecto que aqui quero explorar. Por mais que tenha demorado, os diferentes governos que passaram e o atual tinham trilhos a seguir e o fizeram. Havia um projeto, uma obra em andamento e um objetivo claro a se atingir. Desde o governo Tasso Jereissati até o atual governo, passando pelo governo de Lúcio Alcântara, cada um deu sua contribuição.

Na Segurança Pública infelizmente os trilhos definidos em 1999 não foram suficientes para guiar os governos anteriores. Esse á um dos problemas da área. Ela nunca é tratada como algo supragovernamental. Cada governo que entra quer lançar sua solução e assim, tome ideia “inovadora”.

Hoje vejo que o plano de 1999 tinha suas limitações, mas não porque o que propunha era errado. Tinha no entanto uma visão exclusivamente centrada na visão da Polícia sobre Segurança. Os aspectos preventivos e a participação da comunidade tinham sido contemplados com a formação de Conselhos Comunitários de Defesa Social, mas isso é claramente limitante. Esses aspectos têm que ser tratados numa escala mais abrangente pelo próprio Governo do Estado em articulação com outras esferas e poderes. Mencionei isso no artigo anterior a este. 

Os aspectos relativos à atuação da Polícia eram e ainda são muito atuais e pertinentes. Previa-se integração das polícias, foco na polícia investigativa com suporte da polícia científica, mensuração de resultados, uso intensivo e disseminado de tecnologia da informação, um novo plano de qualificação de pessoal, etc. Nada muito diferente do que os especialistas ainda hoje sugerem para qualquer governo. Só que as implementações dessas medidas variam muito. Diferente de um projeto de engenharia como o MetroFor em que as especificações são detalhadas e assim compartilhadas no tempo com as diferentes equipes de responsáveis, os planos de segurança não têm o mesmo nível de detalhe em seus projetos, ou se têm, não são seguidos. Enquanto isso, é só peia!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Insegurança: os que não querem ver também sentem


Não precisa ser especialista para afirmar que segurança pública não é só polícia. Mas não podemos cair na armadilha de repetir isso como se cliché fosse, eximindo os órgãos repressores de responsabilidade e dando a entender que só depois da completa resolução de nossos problemas sociais é que chegaremos a viver em locais minimamente seguros.

Não há justificativa para estarmos, há tanto tempo, reféns das mesmas soluções centradas na repressão. Os problemas relativos à Segurança Pública são de dimensão, complexidade e variedade diversas. Podem, por exemplo, se referir a assaltos na Beira-mar feitos por adolescentes à explosão de bancos no interior, passando por homicídios com causas não menos diversificadas.

É evidente que as inúmeras facetas desta complexa problemática exige Polícia em doses variadas. Mas o que faz maior falta são ações preventivas, integradas às ações de polícia,  que devem perpassar, inclusive, às executadas pelo setor público com o envolvimento do terceiro setor.

É aqui que empacamos. Os governos não agem de forma integrada e nem usam suas estruturas para articular com sincronia ações de combate aos problemas de Segurança. Deve-se em parte à forma como estão organizados em estruturas isoladas e com tendência à formação de feudos (normalmente de políticos e de corporações) que não compartilham informações e muito menos responsabilidades. O problema se acentua no caso da Segurança porque essas articulações integradas não se restringem a uma esfera de governo. É preciso ação federal, estadual e municipal, além de articulação entre poderes.

Embora haja planos esboçados nesta direção, eles se perdem nas suas implementações com a mesma facilidade com que se faz um outro plano. Enquanto isso, de concreto mesmo, só a dosagem de repressão que é cada vez maior. Os resultados até os que não querem ver, sentem.  

* Artigo publicado na coluna Opinião do Jornal O Povo hoje

domingo, 10 de junho de 2012

O valor de um 2 estrelas Michelin: Bocuse e Henriroux

Os que me conhecem um pouco sabem de minha paixão pela gastronomia francesa. Na recente viagem a Lyon para participar do WWW tive a oportunidade de visitar dois dos melhores restaurantes da mais fina escola e tradição francesa. Esperei um pouco para escrever sobre isso. Queria ter a calma para “degustar” os momentos passados doucement ao lembrar novamente daquelas noites.

Primeiramente, fomos, Beth e eu, ao restaurante de Paul Bocuse, L’auberge du Pont de Collonges. Para os menos ligados na área, não é exagero dizer que Bocuse  é uma lenda viva. Uma espécie de pai da moderna culinária francesa. Foi professor ou e inspirador dos chefs atuais. Com seus 86 anos, ainda recebe seus convidados como se fosse participar da festa que, por assim dizer,  é um jantar em seu restaurante no subúrbio charmoso de Lyon. Foi surpreendente perceber o quão renomado é o restaurador. Uma verdadeira celebridade. Todos a quem mencionava que iria ao restaurante, reagiam prontamente com uma expressão misto de surpresa, inveja e de felicitação.  Tínhamos feito a reserva 2 meses antes de ir (só atende sob reserva) e tivemos que reconfirma-la duas vezes para garantir nosso lugar (creio que brasileiros por lá, não deve ser algo muito típico).

A experiência foi totalmente única. Indescritível. O ritual típico de várias entradas, pratos diversos, um Bourgogne maravilhoso (meu favorito) e surpresas mignones juntam-se ao ambiente super-aconchegante.  Local perfeito para festejar meu aniversário (com a mais bela e eterna das companhias, é claro). 

No dia seguinte partimos para Viena na França. Uma pequena e charmosa cidade distante 40 km ao sul de Lyon que se caracteriza por ruínas romanas. Nosso passeio não tinha objetivos exclusivamente históricos, ficamos hospedados no Hotel Pyramide reconhecido pelo restaurante de mesmo nome de Patrick Henriroux. Outro dois estrelas Michelin (o guia Michelin avalia restaurantes ao redor do mundo oferecendo notas que no máximo chegam a três estrelas).

Foi outra noite inesquecível, mas desta vez, embora sem todo o glamour da noite anterior, foi ainda mais cheia de surpresas causadas pela qualidade extraordinária do cardápio oferecido. Henriroux está no auge de sua carreira. Tinha acabado de retornar de New York onde participara de uma competição internacional de grand chefs. Seus pratos são todos, sem exceção, muito trabalhados e deliciosos. Oferecem combinações as vezes exóticas outras vezes maravilhosas pela simplicidade. As fotos vão dizer mais.

Uma coisa vale ressaltar que é comum aos dois lugares. São muito chiques e requintados, mas não são cheios de etiqueta. Ao contrário, fica claro que a etiqueta maior é curtir o momento. O serviço é extremamente atencioso, gentil e lhe deixa muito à vontade. Para os que não gostam de excesso de regras, não se preocupem. Aliás, tenho observado que a época de exigências de se conhecer regras de etiquetas é passado. Nosso mundo ficou muito informal (talvez demais). 

Souflé Grand Marnier

Gourmandises



Foie Gras

Gourmandises salées

Une Piece de Veau

Des pains avec des sels variés


quarta-feira, 6 de junho de 2012

A Irracionalidade da TAM


Nos é costumeiro criticar a incompetência do serviço público, mas não é difícil deparamo-nos com absurdos no setor privado que servem de exemplo para qualquer curso de gestão.

Vivi uma dessas situações ontem quando na volta de São Paulo tive que esperar quase três hora dentro de um avião da TAM até que o mesmo decolasse para Fortaleza. Os passageiros foram informados que a razão da espera era por uma contagem, que não batia, entre o número de passageiros e bagagens embarcadas. A incompetência da empresa no seu controle de qualidade ficava evidente toda vez que entrava um funcionário para contar os que estavam a bordo.

As versões vindas do comandante variaram um pouco com o passar do tempo e, no final, ele explicou que havia ainda um outro problema: uma passageira que tinha tido “problemas financeiros” com seu bilhete teve que ser desembarcada e sua mala teve que ser recuperada e retirada do avião.  Lá estávamos nós passageiros a “assistir” o corre-corre de funcionários e bagageiros a procurar a bagagem da passageira barrada.

Após cerca de duas horas de espera pela solução, nós passageiros não pudemos comemorar. Vem novamente o comandante ao sistema de áudio informar que não poderíamos decolar. Desta vez a razão era de que, em função do atraso ocorrido, um excedente de horas de trabalho da tripulação ocorreria se a mesma realizasse o voo a Fortaleza. Seria um excedente superior ao permitido por convenções internacionais. Consequencia: tivemos que esperar uma nova tripulação chegar e assumir o controle do avião.

Quanto deve ter sido o custo da TAM nesta estória toda? Sem contabilizar os custos relativos à imagem, tenho absoluta certeza de que foram bem maiores do que os problemas financeiros que poderiam ter caso a passageira desembarcada não pagasse seu ticket. Não teria sido mais racional tê-la deixado no voo e ter buscado resolver o problema na chegada?

Só uma coisa não me desgostou. Nesse interim, a bateria de meu Mac acabou e só então descobri que o avião tinha uma tomada para ligar o notebook abaixo do encosto do braço, o que me permitiu inclusive escrever esse texto.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Neymar e a Época de Celebridades Efêmeras



A imprensa nacional e por tabela, os torcedores brasileiros, adoram fazer a comparação entre Messi e Neymar. Pelé então ! Viu assim uma ótima estratégia de blindar sua posição como maior de todos os tempos. Se Messi tem um concorrente real como Neymar, compara-lo com o Rei não tem sentido.

Não vou aqui desenvolver nenhum argumento técnico com o intuito de avaliar quem é o melhor. Sinto-me motivado, no entanto, a refletir sobre esse desejo de alguns de realizar tal comparação e, principalmente, sobre a forma como a marca Neymar está sendo construída.

Neymar é hoje celebridade no Brasil. A forma encontrada pelo Santos de mantê-lo no País foi a de reparti-lo entre diversos patrocinadores, o que lhe exige em contrapartida uma exposição midiática intensa. Jovem e com talento evidente, ele passou a ser celebridade, fenômeno, mito, prodígio além de os outros superlativos que normalmente são aplicados a alguém que se diferencia em sua área de atuação.

A grande diferença de Neymar para os outros, e aqui vale a comparação não somente com Messi, mas com outros grandes craques do passado, é que ele atingiu esse nível de notoriedade no Brasil antes de ter sua obra completa ou pelo menos realizada com algum impacto internacional. Muitos têm tentado torna-lo estrela internacional baseados somente pelo seu  potencial. Mas o mundo não engole essa. A imprensa mundial analisa com frieza os jogos internacionais de Neymar e não consegue se entusiasmar como os colegas brasileiros conseguem.

Creio que Neymar é um exemplo dos nossos dias em que celebridades têm ascensão meteórica, muitas vezes sem terem nem mesmo muito portfólio. Caem na mesma velocidade como que sobem, pois o que a mídia precisa mais do que cultivar um ídolo é ter notícias de sucesso e de fracasso dele. É exatamente esse o receio que tenho do que possa vir a ocorrer com o garoto. 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Cidades Alegres e Motivadas

Quando escrevo e palestro sobre cidades inteligentes gosto sempre de enfatizar que cabe ao poder público criar um ambiente que motive a participação dos cidadãos na solução de seus problemas cotidianos. Uma das formas de fazer isso tem sido investigada no que vem sido chamada de " The Fun Theory"(algo como Teoria do Divertido).

Trata-se de uma iniciativa, originalmente patrocinada pela VW, para fomentar a inovação através de ideias que façam apelo ao divertido e lúdico para resolver problemas de mobilidade urbana. É algo que converge também com a onda atual de gamification que estamos tanto vendo na Web onde se busca criar situações de competição típica de jogos nos mais diferentes contextos.

Vejam dois exemplos nos vídeos abaixo para entender melhor do que se trata. A primeira ideia é simples. O valor da multa dos que foram flagrados pelos fotosensores em um certo local é acumulado em um bolão para ser sorteado por aqueles que passaram nos mesmos locais sem serem multados. A ideia vem sendo testada em  Stockholm na Suécia.

O outro vídeo mostra uma forma também simples para motivar a reciclagem de garrafas de vidro. Descubram.




domingo, 27 de maio de 2012

A Academia e a Cidade


Jocélio Leal, reputado jornalista do O Povo, fez nesse domingo uma provocação à todos que queiram se sentir incomodados. Disse que há uma enorme pobreza de ideias nas pré-candidaturas e no período pre-eleitoral e não deixou de fora a academia. Perguntou onde estão aqueles que foram pagos por dinheiro público para avançar o conhecimento.

Sou um dos que se sentiu inocomodado, pois concordo com ele de que temos, nós da academia, que sermos mais atuantes. Busco sê-lo. Não vou aqui discorrer que defendo isso ou aquilo outro. Não há espaço para tal. Vou somente indicar alguns textos que já escrevi no blog e/ou no próprio O Povo sobre temas ligados a nossas vida pública. Desde Segurança até limpeza urbana, tenho buscado contribuir.

Textos sobre Segurança Pública





Textos sobre Cidades Inteligentes




Textos sobre Cultura Cidadã





Textos sobre urbanismo





Tem muito mais no blog, basta pesquisar. Serve, no entanto, para dizer que me senti atingido, mas não visto a carapuça.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Leitura sobre Qualidade nas Interações

Essa sexta, dia 25 de maio, apresenta-se especial. A profa. Elizabeth Furtado recebe amigos, alunos e interessados no lançamento do livro que organizou. Qualidade da Interação de Sistemas e Novas Abordagens para Avaliação dará uma ótima visão do que tem sido desenvolvido no  Laboratório de Estudos do Usuário e da Qualidade do uso de Sistemas – LUQS da unifor e tem tudo para se tornar obra de referencia na área. 

Tenho a honra de fazer parte dos que contribuíram com o conteúdo do livro, mas sobretudo, tenho a honra de ter sua organizadora como esposa e companheira. Sua determinação aliada ao brilhantismo que permeia sua carreira não me são estranhos e certamente ficarão evidentes a você leitor que for conhecer a obra.  

O lançamento do livro será no centro de conveniência da UNIFOR as 19h. Venham todos. 

sábado, 19 de maio de 2012

As Belas Calçadas de Fortaleza (Cont)


Volto ao tema das belas calçadas de Fortaleza. Comecei a discorrer sobre o mesmo semanas atrás, depois de ter lido uma matéria do jornal O Povo sobre uma pesquisa feita pelo Mobilize Brasil. Nela algumas  calçadas de Fortaleza são consideradas pelos entrevistados como as melhores do Brasil.

A pesquisa foi feita por uma OSCIP(Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), fundada em 2003, e que atua nas áreas de educação, cultura e cidadania, chamada Associação Abaporu, organização sem fins lucrativos que lançou o projeto Mobilize Brasil. Não pude conseguir maiores detalhes sobre a OSCIP.

Concluir que Fortaleza tem as melhores calçadas do País é um contra-senso tão grande que logo a notícia virou piada nas redes sociais. Achei que a estória ia parar por aí mesmo, mas quando li o artigo da prefeita Luizianne Lins se vangloriando das calçadas da cidade e usando a pesquisa em questão, decidi escrever ao portal Mobilize Brasil para pedir maiores informações. Passados 15 dias, as respostas não vieram. Estimo que não virão e por isso decidi escrever o que penso independentemente das mesmas.

Não se pode lançar mão de informações feitas em pesquisas de opinião sem a mínima preocupação em compreender a forma como elas foram realizadas, pois isso vai impactar nas conclusões que podem ser tiradas. Infelizmente isso não faz parte da prática jornalística da maioria da mídia cearense. Reconheço que isso dificulta sobremaneira o trabalho e muitas vezes os meandros desse mundo, por mais que questionados, não são totalmente desvendados. Mas na maioria das vezes, não se precisa de muito detalhe.

Voltemos à questão das calçadas e foquemos primeiramente em um aspecto: o da escolha de que calçada será o alvo da pesquisa de opinião com os cidadãos. Trata-se de uma variável fundamental. Uma metodologia seria pegar o total de ruas da cidade e sortear aquela a ser investigada. Isto daria uma visão mais neutra da qualidade das calçadas independentemente de qualquer critério e a deixaria livre de um “bias” (termo em inglês comumente usado para dizer que a pesquisa está viciada). Assim, supondo que Fortaleza tem em torno de 50.000 ruas, a probabilidade de escolher a Bezerra de Menezes (rua que acabou de sofrer serviços de reparação da prefeitura) seria de 1 em 50.000. Pois não é que a Bezerra foi justamente uma das ruas investigadas ! Muita sorte da prefeitura, não (azar o nosso)?

Outra variável importante é a quantidade de calçadas a serem pesquisadas. Qual o valor que pode ser considerado significativo para que, ao final da pesquisa, possa-se dizer com algum grau de certeza de que os resultados referem-se à cidade em geral? Não vou entrar em detalhes das técnicas estatísticas que podem ser usadas, mas não precisa ser especialista para perceber que uma pesquisa feita em 7 ruas não parece ser muito representativa das 50.000 que compõem o total. O mesmo tipo de raciocínio se aplica à quantidade de pessoas que responderam às perguntas, a forma como elas estavas escritas, a ordem das perguntas, etc. etc.

O mais interessante disso tudo foi o artigo da prefeita Luzianne logo em seguida o lançamento da matéria. Ela aproveitou a onda, mas foi bem mais inteligente do que poderíamos esperar. Compreensível! Ela já tinha cometido uma gafe horrível que apontei aqui quando vangloriou-se em cima de um estudo errado. Ao ler o título do artigo, cheguei a pensar, que ela iria cometer o mesmo erro de novo. Mas, não. Desta vez ela disse em seu artigo em resumo que a pesquisa feita nas calçadas que a Prefeitura tinha acabado de renovar, indicavam que a decisão tinha sido correta e que o trabalho havia sido bem feito. Disso não discordo e é a única conclusão válida que a pesquisa do Mobilize Brasil pode dar. Agora se a pesquisa não tivesse bias, ela permitiria verificar o quanto em termos percentuais da cidade esse tipo de iniciativa foi feito em 8 anos de gestão. Será que a prefeita teria motivado para se vangloriar e achar efetiva sua política de renovação urbana?

Enfim, o que devemos fazer, nós cidadãos “superinformados",  é estar muito atentos com o que nos é apresentado hoje em dia. Vivemos  na época do excesso de informação que flui a velocidade descomunal e trafega com intensidade global. Isso torna cada vez mais exigente nossa postura ao consumi-la. Por outro lado, aos meios de comunicação, espera-se ainda mais rigor nesse processo de curadoria. Será um fator decisivo para a sobrevivência dos mesmos. Afinal de contas repassar informação sem digeri-la está a um RT de todos nós.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Cidades Inteligentes

Estive hoje durante todo o dia palestrando e participando de debates sobre o tema cidades inteligentes no Simpósio Brasileiro de Sistemas de Informação (SBSI) que ocorre na USP em São Paulo. Um dia cansativo, mas muito gratificante em virtude das ínumeras discussões frutíferas e da quantidade de interações também ricas. Minha apresentação está abaixo. Sintam-se livres para interrogar-me caso tenham interesse em conhecer mais sobre o que defendo.


terça-feira, 15 de maio de 2012

Ainda sobre ladainhas e trânsito em Fortaleza


Fábio Campos escreveu recentemente neste quotidiano o artigo “Para fugir da ladainha” em que discorda dos que esbravejam contra a indústria da multa e vivem pedindo mais educação no trânsito a AMC (o que ele chama de ladainha). Acredita ele que a epidemia de infrações de trânsito em Fortaleza requer ação repressiva e que educação no trânsito já foi dada quando se tira a carteira de motorista.

Minha visão é que os que defendem ambas as ladainhas perdem o foco do problema.  Primeiro, não compreendem que, como toda questão comportamental na sociedade, causas e efeitos de problemas e ações não podem ser compreendidos isoladamente. Há uma interação entre  os fatores condicionantes que podem tanto potencializar as soluções como aumentar os problemas.  No tocante ao caos do trânsito, é impossível dissociar as omissões e erros do poder público, que inclusive lhe diminuem a credibilidade nas ações preventivas e repressoras, do mau comportamento dos motoristas e pedestres (não esquecer que os pedestres cearenses não usam a faixa de segurança, por exemplo).

O segundo equívoco refere-se ao conceito de educação comportamental, social ou cívica (como queiram). Enganam-se que é algo a ser ensinado em sala de aula e muito menos nos bancos do Detran quando se faz exame para retirar uma habilitação.  Não se refere aqui em “aprender” o que é certo, mas sim de quanto se está disposto a fazê-lo. O cada um por si e a lei do mais esperto não têm sustentabilidade, mas as pessoas precisam perceber e sentir que seguir as regras é a melhor forma de todos “se darem bem”.

Quem tem o dever de quebrar esse ciclo vicioso no qual estamos inseridos hoje é o poder público. Deve agir nos fatores que potencializam a desobediência, começando por aqueles que lhes são obrigação como sinalização, engenharia de trânsito, pavimentação das ruas, etc. Depois deve agir na educação (não de sala de aula) com programas de divulgação, exemplos, jogos e concursos de forma a gerar motivação e controle sociais sobre o tema. Tudo isso com  intuito de que a sociedade em geral comece a fazer a parte que lhe compete.  Aí sim, a fiscalização deve agir. Com a credibilidade e  a autoridade fortalecida o governo penalizaria a minoria(difícil acusar de indústria da multa quando se penaliza uma minoria) que não conseguiu aprender a lição. 

* artigo publicado hoje na coluna Opinião do Jornal O Povo