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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Viaduto e Mobilidade Urbana


Tenho acompanhado atentamente o debate sobre os viadutos a serem construídos no cruzamento da Antônio Sales com Engenheiro Santana Júnior. Trata-se de tema polêmico, pois envolve as diversas e complexas facetas que permeiam o contexto urbano. Recuso análises simplistas e vejo que muitas pessoas fornecem opiniões e soluções que, mesmo para alguém não especialista como eu, são facilmente percebidas como pura retórica.

Parece consenso de que o cruzamento das avenidas em questão é um ponto de estrangulamento do trânsito. Porém, o fato dele não ser o único, exige-nos a pensar sobre a questão de forma mais ampla e assim é natural perguntar sobre qual é o plano de mobilidade urbana da cidade. Afinal, como esperamos ver Fortaleza nos próximos anos? Não sabemos. Não temos um plano e há um bom tempo que ninguém se preocupou em fazê-lo. Se há alguém que não pode ser criticado especificamente disso é o atual prefeito.

Mas até mesmo essa conclusão que fiz logo acima de que não temos nenhum planejamento não é de todo verdadeira. Temos parte do que seria esse plano geral de mobilidade: o plano de transporte coletivo. Esse plano foi concebido há mais de dez anos e, durante esse tempo, vem sendo implementado (com ajustes de variado tamanho). Foi esse plano que concebeu um conjunto de intervenções urbanas na cidade como o viaduto na Antônio Sales com Santana Jr, as obras das calçadas da Costa Barros, a Bezerra de Menezes e outras que acompanhamos recentemente. Ele nasceu com o objetivo de prover vias para o sistema de ônibus rápido (Bus Rapid Transit – BRT). Aliás, diante disso, é inexato então afirmar que o projeto do viaduto da Antônio Sales visa exclusivamente beneficiar carros.  

Se por um lado é muito positivo termos planos que são implementados por diversas gestões, ingrediente básico para o sucesso de qualquer iniciativa ampla de intervenção urbana, por outro lado, é necessário sempre atentar para a obsolescência do que foi proposto. Estaria o plano inicialmente proposto com data de validade totalmente ultrapassada? Ainda não me convenci que sim.

Os impactos ambientais do viaduto existem (como em toda obra), mas podem ser mitigados com medidas compensatórias como as que a prefeitura se propôs a fazer e que o Prefeito inclusive incrementou. Ademais, a desobstrução do fluxo de veículos e de ônibus na região provoca redução de emissão de gases o que pode ser benéfico ao meio ambiente, dizem alguns, que em escala mesmo superior às árvores derrubadas. Eximo-me de comentar sobre os aspectos legais, os desconheço e acho mesmo que são acessórios. Prefiro pensar que as autoridades responsáveis e o judiciário saberão decidir. O que considero mais relevante é o debate público sobre o nosso desejo em tanto que sociedade. 

Mas como desconsiderar o impacto no entorno dos viadutos? Impossível. Todos sabem que viadutos criam áreas degradadas, em particular, perto de seus alicerces. Os benefícios da obra valem para pagar essa conta? Haveria outra solução que não o viaduto? Certamente sim, mas a que custo? De  posse de dados fornecidos pela Secretaria de infraestrutura da PMF, pude entender que a alternativa escolhida tem custo muito menor do que uma solução que envolva um túnel (cerca de 5 vezes mais caro). Isso se dá, em sua maioria, pelo fato das condições específicas do terreno exigir obras de drenagem e infraestrutura de monta. Novamente faz falta o plano maior de mobilidade urbana. Se ele existisse, seria mais simples definir as medidas compensatórias e as prioridades. Mas, repito, ele não existe e esperar por sua criação e não fazer nada até lá poderia significar passar os quatro anos de gestão sem ação.  

Vendo o cenário dessa forma, fica mais claro compreender a decisão do Prefeito. Decidiu não omitir-se. Louvável!  Homens públicos precisam tomar suas posições. Foi eleito criticando a inoperância da administração anterior especificamente na área de mobilidade urbana. Ele sabe muito bem que as urnas o avaliarão.  Diferentemente de mim  e de outros que podem opinar sem muito compromisso com o “fazer”, ele sabe que vai ser avaliado por essa e por outras decisões como ela. Manteve a coerência com os que o elegeram e sente haver apoio para isso.  

No fim, acho que a cidade está amadurecendo e o debate tem sido muito bom para gerar o engajamento tanto dos opositores quanto dos apoiadores. Tirando o viés politiqueiro, que sempre existe nesse tipo de debate, vejo por um lado um discurso por uma cidade ideal e por outro um discurso pragmático por uma cidade viável a curto prazo. Há razão nos dois lados, mas seria bom se pudéssemos canalizar as energias para termos logo um amplo debate que leve a criação do plano de mobilidade. Tenho notícias de que a própria PMF está iniciando isso. Quanto mais cedo o tivermos, mais rápido o implementaremos, e menos viveremos a ânsia de fazer somente o possível e viável. 

P.S. Talvez nem fosse necessário dizer, mas quero enfatizar que esse texto não reflete uma opinião oficial de gestor da CITINOVA/PMF, mas de cidadão. 


domingo, 27 de maio de 2012

A Academia e a Cidade


Jocélio Leal, reputado jornalista do O Povo, fez nesse domingo uma provocação à todos que queiram se sentir incomodados. Disse que há uma enorme pobreza de ideias nas pré-candidaturas e no período pre-eleitoral e não deixou de fora a academia. Perguntou onde estão aqueles que foram pagos por dinheiro público para avançar o conhecimento.

Sou um dos que se sentiu inocomodado, pois concordo com ele de que temos, nós da academia, que sermos mais atuantes. Busco sê-lo. Não vou aqui discorrer que defendo isso ou aquilo outro. Não há espaço para tal. Vou somente indicar alguns textos que já escrevi no blog e/ou no próprio O Povo sobre temas ligados a nossas vida pública. Desde Segurança até limpeza urbana, tenho buscado contribuir.

Textos sobre Segurança Pública





Textos sobre Cidades Inteligentes




Textos sobre Cultura Cidadã





Textos sobre urbanismo





Tem muito mais no blog, basta pesquisar. Serve, no entanto, para dizer que me senti atingido, mas não visto a carapuça.

sábado, 19 de maio de 2012

As Belas Calçadas de Fortaleza (Cont)


Volto ao tema das belas calçadas de Fortaleza. Comecei a discorrer sobre o mesmo semanas atrás, depois de ter lido uma matéria do jornal O Povo sobre uma pesquisa feita pelo Mobilize Brasil. Nela algumas  calçadas de Fortaleza são consideradas pelos entrevistados como as melhores do Brasil.

A pesquisa foi feita por uma OSCIP(Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), fundada em 2003, e que atua nas áreas de educação, cultura e cidadania, chamada Associação Abaporu, organização sem fins lucrativos que lançou o projeto Mobilize Brasil. Não pude conseguir maiores detalhes sobre a OSCIP.

Concluir que Fortaleza tem as melhores calçadas do País é um contra-senso tão grande que logo a notícia virou piada nas redes sociais. Achei que a estória ia parar por aí mesmo, mas quando li o artigo da prefeita Luizianne Lins se vangloriando das calçadas da cidade e usando a pesquisa em questão, decidi escrever ao portal Mobilize Brasil para pedir maiores informações. Passados 15 dias, as respostas não vieram. Estimo que não virão e por isso decidi escrever o que penso independentemente das mesmas.

Não se pode lançar mão de informações feitas em pesquisas de opinião sem a mínima preocupação em compreender a forma como elas foram realizadas, pois isso vai impactar nas conclusões que podem ser tiradas. Infelizmente isso não faz parte da prática jornalística da maioria da mídia cearense. Reconheço que isso dificulta sobremaneira o trabalho e muitas vezes os meandros desse mundo, por mais que questionados, não são totalmente desvendados. Mas na maioria das vezes, não se precisa de muito detalhe.

Voltemos à questão das calçadas e foquemos primeiramente em um aspecto: o da escolha de que calçada será o alvo da pesquisa de opinião com os cidadãos. Trata-se de uma variável fundamental. Uma metodologia seria pegar o total de ruas da cidade e sortear aquela a ser investigada. Isto daria uma visão mais neutra da qualidade das calçadas independentemente de qualquer critério e a deixaria livre de um “bias” (termo em inglês comumente usado para dizer que a pesquisa está viciada). Assim, supondo que Fortaleza tem em torno de 50.000 ruas, a probabilidade de escolher a Bezerra de Menezes (rua que acabou de sofrer serviços de reparação da prefeitura) seria de 1 em 50.000. Pois não é que a Bezerra foi justamente uma das ruas investigadas ! Muita sorte da prefeitura, não (azar o nosso)?

Outra variável importante é a quantidade de calçadas a serem pesquisadas. Qual o valor que pode ser considerado significativo para que, ao final da pesquisa, possa-se dizer com algum grau de certeza de que os resultados referem-se à cidade em geral? Não vou entrar em detalhes das técnicas estatísticas que podem ser usadas, mas não precisa ser especialista para perceber que uma pesquisa feita em 7 ruas não parece ser muito representativa das 50.000 que compõem o total. O mesmo tipo de raciocínio se aplica à quantidade de pessoas que responderam às perguntas, a forma como elas estavas escritas, a ordem das perguntas, etc. etc.

O mais interessante disso tudo foi o artigo da prefeita Luzianne logo em seguida o lançamento da matéria. Ela aproveitou a onda, mas foi bem mais inteligente do que poderíamos esperar. Compreensível! Ela já tinha cometido uma gafe horrível que apontei aqui quando vangloriou-se em cima de um estudo errado. Ao ler o título do artigo, cheguei a pensar, que ela iria cometer o mesmo erro de novo. Mas, não. Desta vez ela disse em seu artigo em resumo que a pesquisa feita nas calçadas que a Prefeitura tinha acabado de renovar, indicavam que a decisão tinha sido correta e que o trabalho havia sido bem feito. Disso não discordo e é a única conclusão válida que a pesquisa do Mobilize Brasil pode dar. Agora se a pesquisa não tivesse bias, ela permitiria verificar o quanto em termos percentuais da cidade esse tipo de iniciativa foi feito em 8 anos de gestão. Será que a prefeita teria motivado para se vangloriar e achar efetiva sua política de renovação urbana?

Enfim, o que devemos fazer, nós cidadãos “superinformados",  é estar muito atentos com o que nos é apresentado hoje em dia. Vivemos  na época do excesso de informação que flui a velocidade descomunal e trafega com intensidade global. Isso torna cada vez mais exigente nossa postura ao consumi-la. Por outro lado, aos meios de comunicação, espera-se ainda mais rigor nesse processo de curadoria. Será um fator decisivo para a sobrevivência dos mesmos. Afinal de contas repassar informação sem digeri-la está a um RT de todos nós.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Projet Triangle Paris


Recentemente tomei conhecimento via (@c_reginaldo no Twitter) do projeto do prédio Triangle que está sendo construído em Paris. A ser completado em 2014, trata-se de um edifício super arrojado que por uma perspectiva parece uma pirâmide, mas que se trata mesmo de um fino triangulo de vidro. Sua localização é na Porte de Versailles e tem uma característica marcante (mas somentes para aqueles que moram em terras frias): o prédio não gerará sombras nos arredores. Vejam o video abaixo com simulações do projeto e de como ele ficará depois de pronto. Tiro o chapéu para os franceses. Paris não para de ficar bonita.