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terça-feira, 29 de março de 2011

Carta aos Secretários de Segurança do Brasil

Na semana passada enviei uma carta a cada um dos Secretários de Segurança do País. Na carta apresento WikiCrimes e proponho várias formas de parcerias. Decidi torna-la aberta a todos através do blog. Agradeço o apoio de quem puder intermediar formas de aproximarmos WikiCrimes do sistema oficial de coleta de dados criminais.



Ilmo. Sr. Secretário de Segurança

Venho através desta apresentar ao Sr. o projeto WikiCrimes com o objetivo de propor e solicitar formas  de colaboração desta Secretaria no projeto. Wikicrimes (http://www.wikicrimes.org) é um software gratuito e de utilidade pública na internet que permite o acesso e registro de ocorrências criminais no computador diretamente em um mapa digitalizado. Ele está sendo desenvolvido sob minha coordenação e tem a mesma filosofia da enciclopédia eletrônica Wikipédia.
Alguns Estados já começam a publicar seus dados para uso da população e WikiCrimes apresenta-se como ferramenta para este fim. Trata-se de um projeto de cidadania com a completa consciência de que não se pode, nem se deseja, substituir as autoridades de segurança. O fato de se registrar uma ocorrência em WikiCrimes não exime o cidadão de fazê-lo também nas organizações de segurança responsáveis. Na verdade, considero fundamental agir em parceria com os órgãos oficiais e assim identifiquei algumas possibilidades de cooperação com esta Secretaria. Acredito que o crescimento da comunidade WikiCrimes que hoje já conta com mais de 10.000 pessoas, abrirá a possibilidade de comunicação com o cidadão e que os organismos de segurança poderão se beneficiar disso. Dentre as formas de cooperação imaginadas (não exaustivas) queria mencionar.
  • 1)   Apresentar os dados de ocorrência criminal coletados por esta secretaria para dar transparência ao cidadão de onde o crime ocorre a partir de dados oficiais.  Trata-se aqui de começar no País um programa de dados abertos similar ao que acontece na Grã-bretanha (http://www.police.ouk) e Estados Unidos (http://www.data.gov).
  • 2)   Colocar fotos ou até vídeos (em cenas de delitos, por exemplo) de pessoas procuradas pela polícia em WikiCrimes juntamente com a informação sobre os delitos que eles estão sendo acusados no mapa digitalizado. Desta forma os internautas que consultarem o sistema poderão ajudar no reconhecimento de suspeitos.
  • 3)   Colocar fotos e informações de pessoas desaparecidas fornecidas pelo cidadão e por esta secretaria.
  • 4)   Colocar um link para a delegacia eletrônica (caso ela exista) desta secretaria de forma que o internauta seja informado da existência da mesma e realize o registro oficial do crime.
  • 5)   Colocar informações e dicas de segurança no site de forma a auxiliar o cidadão em sua vida cotidiana. Isso poderia ser feito diretamente nos registros de crimes mapeados em WikiCrimes o que seria uma forma de comunicação direta com o cidadão.
  • 6)   Registrar ocorrências de prisões em flagrante realizadas por esta secretaria com a completa descrição da ação policial e do fato ocorrido.
  • 7)   Disseminar WikiCrimes nos conselhos de defesa social (ou similares) para motivar a participação da sociedade na notificação de crimes e problemas encontrados nas áreas das mesmas.
  • 8)   Mapear as delegacias de policia do Estado de forma que ao registrar um fato criminal no telefone celular (versões para iPhone e Android disponíveis) possamos sugerir a delegacia mais próxima para fazer o registro.

Vale ressaltar que independentemente de qualquer das formas de cooperação que essa secretaria deseja ter com WikiCrimes, os dados registrados em WikiCrimes são de livre acesso do cidadão e conseqüentemente desta Secretaria de Segurança. Espero que os mesmos sejam úteis para o planejamento da ação policial, análise de vitimização, cálculo de subnotificações e qualquer outro objetivo que esta Secretaria vislumbre.
Esperamos criar uma comunidade nacional de participantes em WikiCrimes e contamos ter esta digna instituição como parceira nesse processo. 

Cordialmente,

                                   Vasco Furtado
                         Prof. Doutor da Universidade de Fortaleza
                                     Idealizador de WikiCrimes

quarta-feira, 23 de março de 2011

Inovação e Cooperação Universidade-Empresa

Inovação é a palavra da vez no País e não poderia deixar de sê-la no Estado. O crescimento da economia e a conseqüente busca por competitividade obrigaram-nos a acordar para a necessidade de inovar. Naturalmente o tema sobre a necessária aproximação da academia com as empresas vem à tona. Vivemos, há não muito tempo, um dilema falso de que a geração de riqueza era dissociada do desenvolvimento científico. A veia humorística cearense quando expressa “não ficou rico porque decidiu estudar”, reflete um pouco desse sentimento.

O fato é que, agora que inovação virou moda, fica claro que o conhecimento científico é fundamental para a geração de riqueza. Pesquisadores são os parceiros ideais dos empresários na busca de inovação. Eles, por serem obrigados a estarem na fronteira do conhecimento, têm naturalmente a visão do que é novo.  Evidente que isso não exime o feeling que os empresários têm sobre se a ideia dá dinheiro. Por outro lado, a possibilidade de aplicar as pesquisas na sociedade e gerar benefícios em escala significativa fica potencializada com a participação da iniciativa privada. E isso pode dar, além de dinheiro, outra coisa altamente almejada por um pesquisador: reconhecimento.

Muito embora os benefícios da aproximação dos campos sejam facilmente demonstrados, é comum escutar visões estereotipados de um lado em relação ao outro e vice-versa. Isso tem conseqüência deletéria na almejada aproximação, pois elas pode ocorrer de forma bem mais natural se as partes passarem a conhecer melhor a agenda própria do outro. São mundos com lógicas próprias e objetivos que via de regra correm paralelamente e não necessariamente devem sempre convergir.

A agenda acadêmica, por exemplo, é bem ampla, pois envolve docência, extensão e pesquisa. Alem disso, não adianta pensar que tudo quanto é pesquisador deve ter que fazer pesquisa aplicada. Cheguei a escutar empresários “cobrando” retorno social do pesquisador. As pesquisas, pejorativamente chamadas de prateleiras, são as que as dão a base para que as pesquisas aplicadas ocorram e em via de regra são as que causam inovações de ruptura.

O desafio é criar as condições favoráveis para que os dois lados se sintam motivados a participar e assim obter os resultados alvissareiros que isto pode dar. Nesse aspecto, considero que a forma mais efetiva de cooperação deve envolver sempre que possível a imersão do pesquisador dentro da Empresa. Ele precisa conhecer o negócio da Empresa, suas potencialidades e seus problemas. Isso é fundamental porque a descoberta de um problema (em termos científicos) é uma das etapas cruciais do processo de pesquisa.

Tenho visto muito freqüentemente os empresários buscarem na academia soluções para problemas que os mesmos identificam nas suas Empresas. Em sua grande maioria tratam-se de problemas que podem ser resolvidos com a adoção de uma tecnologia adequada. Não deixam de ser importantes para a Empresa e podem otimizar suas operações, mas não se caracterizam como problemas de pesquisa e que, ao serem resolvidos, podem dar um diferencial competitivo significativo.

Já mencionei em texto anterior (acesse-o clicando aqui) como algumas empresas estão criando um conselho de ciência e tecnologia e colocando pesquisadores acadêmicos para fazer parte do mesmo. Se provermos soluções para os problemas apresentados sob essas duas óticas, a aproximação será muito mais fácil. Na verdade, sou bem otimista quanto a essa aproximação, pois é exigência do mercado globalizado. Vale a lembrança de que o maior indutor da aproximação universidade-empresa é a competição do mercado que vai exigir inovação em todos os níveis das organizações. Quem não investir nisso, não sobreviverá muito tempo.