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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Projet Triangle Paris


Recentemente tomei conhecimento via (@c_reginaldo no Twitter) do projeto do prédio Triangle que está sendo construído em Paris. A ser completado em 2014, trata-se de um edifício super arrojado que por uma perspectiva parece uma pirâmide, mas que se trata mesmo de um fino triangulo de vidro. Sua localização é na Porte de Versailles e tem uma característica marcante (mas somentes para aqueles que moram em terras frias): o prédio não gerará sombras nos arredores. Vejam o video abaixo com simulações do projeto e de como ele ficará depois de pronto. Tiro o chapéu para os franceses. Paris não para de ficar bonita.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Os Franceses, o Cigarro e a Lei

Vou continuar o texto anterior em que discorri sobre leis que pegam e outras que não para exemplificar como a criatividade de um governo representativo e atuante pode fazer a diferença na implantação de mudanças culturais. Quem conhece a cultura francesa sabe o quanto o hábito de fumar nos restaurantes e, principalmente, nos bares era e ainda é forte. Havia pressões de todas as partes (da comunidade européia, inclusive) para que a sociedade francesa tomasse medidas mais fortes na direção da proibição de fumar. O governo francês teve papel importante nesse processo. Começou uma campanha e abriu uma ampla discussão do quanto fumar desrespeitava o direito dos outros. Estava dado o mote para a mudança cultural. Tratava-se assim de mostrar que, acima do direito individual da escolha de fumar, havia o direito dos outros que não queriam fumar e eram contaminados pelos que fumavam. Propagandas mostravam estudos que explicavam que a fumaça era extremamente danosa a saúde dos que estão próximos de fumantes. A lei quando promulgada encontrou uma sociedade muito mais consciente de que era preciso mudar. Os donos de bares, que eram os maiores opositores das leis repressivas, passaram a perceber que poderiam perder alguns clientes, mas que ganhariam outros que não os freqüentava por não gostar da fumaceira. Nas minhas duas últimas idas a França este ano, percebi que os fumantes estão explorando os ambientes externos dos bares deixando o ambiente interno para os não-fumantes com preconiza a lei. Algumas vezes é interessante perceber mesas de restaurantes com bebidas e aperitivos sem nenhum cliente: estão fumando lá fora e só voltam depois de acabarem. Não deixa de ser interessante passar por ruas na França e encontrar os fumantes nas calçadas. Algo meio deprimente, discriminatório. Abaixo, uma foto de algo muito comum em Paris: fumantes que dão uma tragada em seus cigarettes no exterior dos escritórios.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Moulin Rouge e A Magia dos Musicais

A produção de filmes musicais não é tão farta como os outros estilos de filmes. Acho que compreendo por que. Um musical requer sempre um pouquinho a mais de cada item do filme. Por exemplo, os atores têm que ter habilidades especiais ligadas às canções, o roteiro requer uma dinâmica especial para a estória não ficar monótona, além, é claro, da música que passa a ter uma relevância obviamente maior do que num outro estilo. Nessa viagem recente que fiz à Paris não pude deixar de lembrar daquele que para mim é o mais belo dos musicais de todos os tempos: Moulin Rouge. Trata-se de uma produção americana que retrata uma estória de amor e lágrimas vivida numa Paris super extravagante e protagonizada por uma soberba encarnação de uma estrela holywoodiana, Nicole Kidman. Ewan McGregor consegue ficar a altura de Nicole (o que é uma grande coisa!). O diretor é australiano e não muito conhecido Baz Luhrmann, com Moulin Rouge, teve sua obra-prima. Dificílimo de comparar com qualquer outro musical tradicional como Cantando na Chuva ou A Noviça Rebelde. Moulin Rouge é muito diferente deles. As cores são exageradas, os personagens excepcionalmente extravagantes, a música, super-eclética. É pura ousadia. Fazer com que tudo isso consiga divertir e emocionar é dificílimo. Poderia mencionar vários momentos especiais do filme. Particularmente, a interpretação de Your Song de Elton John que acompanha as personagens durante todo o filme é magistral. No entanto, admito que a versão de Roxanne de Sting é imbatível. Transformar um rock em tango e com momentos de ópera tem tudo para se tornar uma salada de mau gosto. Não é o caso em Moulin Rouge. Vale a pena conferir. Para os que não assistiram o filme, vejam abaixo: El Tango de Roxanne.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Curtas Impressões Francesas

Fazia mais de sete anos desde minha última estada em Paris. Minha visita na semana passada foi extremamente agradável. Rememorei diversos aspectos inerentes à sociedade francesa e que, mesmos sem os esquecer, aos senti-los trouxeram várias lembranças. Falar da inconteste beleza de Paris é chover no molhado, mas sou atraído a falar da áurea de glamour que está presente em cada pequeno evento, em cada pequeno restaurante, em cada garrafa de vinho, em cada refeição, em cada loja, enfim, que está presente no ar. Incrível como os franceses conseguiram se demarcar por dar essa dimensão especial a sua cultura. São extremamente orgulhosos disso. Mas não foi somente isso que percebi na atmosfera francesa. Percebi algo que me preocupou. Vi uma atmosfera pesadíssima em relação à presidência de Nicolas Sarkozy. Que ele é um homem polêmico e mediático, todos já sabiam, mas a má vontade da imprensa é notória. Os jornalistas são acintosos em suas críticas e comentários pejorativos e irônicos contra o presidente. Além disso, suas propostas econômicas que visam aproximar-se do modelo americano são explosivas. Um dos assuntos mais querido aos franceses é falar mal dos americanos. Em qualquer programa de entrevistas na TV se encontra alguém para criticar a sociedade americana. Sarkozy tem o interesse, dentre outras idéias, de dinamizar a economia francesa com reformas que envolveriam, por exemplo, facilidades dos empresários de demitir e conseqüentemente de contratar funcionários. Implantar uma política econômica “a La America” na França é um desafio imenso e que não sei se Sarkozy terá força para tal. Outra coisa que me surpreendeu foi a forma como os franceses reagiram a proibição de fumar em lugares fechados. Nunca pensei que isso poderia ser obtido somente com uma mudança legal. Contraria demais um hábito secular de fumar em bares e restaurantes. Mas para minha imensa surpresa, os franceses estão seguindo a lei à risca. É comum encontrar uma mesa de restaurante sem clientes, somente com os copos de vinho ou champagne. Onde estão os clientes? Na rua (muito frio!) fumando. Eles saem, fumam e depois voltam para a mesa. Difícil saber o que faz uma lei ser tão respeitada, mas o medo de ser punido, certamente é um dos principais. As multas para os donos de estabelecimento são altíssimas.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Le Metro à Paris

Paris nos surpreende a cada esquina, a cada ruela, a cada “coin”. Seu metrô não poderia ser diferente. Embora já o tenha visto mais limpo no passado, surpreende-me sempre encontrar artistas de diferentes nacionalidades, gêneros musicais, estilos em espetáculos bem sui generis. Abaixo uma pequena amostra de um começo de “soirée” muito fria (zero grau).

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Des Détails, Des Images e des Sons

Sem linearidade. Detalhes de uma viagem por aeroportos, metrôs e trens. No aeroporto em Lisboa, uma língua portuguesa sempre surpreendente e anedótica: fiz um levantamento (saque) em um caixa eletrônico, depois de ter carregado (teclado) no botão verde. E nem precisou enfrentar uma bicha (fila)! Gare Du Nord à Paris. Um painel mais do que tradicional. Em uma época onde tudo é digital, é de chamar atenção ver os nomes dos trens passando com esse som de máquina de escrever. Nada mais clássico.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Bicicletas em Paris e a Cultura Ecológica

No dia 15 de Julho, dia de festa da queda da Bastilha, Paris estará começando um programa revolucionário de transporte urbano. A idéia é encorajar o uso da bicicleta para reduzir emissões de gases e reduzir os congestionamentos. A cidade estará colocando 20.600 bicicletas à disposição para aluguel de moradores e visitantes. A Empresa JCDecaux fornecerá todas as bicicletas e construirá as estações de retirada e devolução das mesmas. Ela fará um investimento de 155 milhões de euros e empregará cerca de 290 pessoas para operar o sistema. Todo o dinheiro arrecadado com o sistema será da cidade de Paris além de uma taxa de 4,3 milhões que a JCDecaux irá pagar anualmente. O contrato tem validade por 10 anos e em troca, a cidade dará a Empresa o direito de explorar os 1628 espaços públicos de outdoors. Cerca da metade desses espaços poderão ser usados pela cidade sem nenhum custo. Não posso entrar no mérito dos valores do contrato, pois não tenho base para avaliar se o mesmo está no preço ou não. O que mais me fascina são a riqueza da cooperação e a organização da cidade. Este tipo de iniciativa deve servir de exemplo para nossos governantes. Há vários aspectos que poderíamos aprender. Primeiro, devemos perceber que quando se tem uma política reguladora de uso do espaço urbano para anúncios, este passa a ser valorizado tratando-se de uma excelente moeda de troca do governo. O segundo aspecto a se aprender refere-se à forma escolhida para implementar uma política que incremente a cultura e educação ecológica. Creio que com essa medida, mais do que a quantidade de gás que deixa de ser emitido, se consegue acima de tudo envolver o cidadão no processo de preservação do meio ambiente. Isso é algo muito mais perene e que tem um valor agregado à cultura da cidade. Finalmente, trata-se de uma medida de impacto turístico. A cidade, que já é mundialmente admirada, passará a ter seus espaços urbanos ocupados por pessoas em maior número do que carros e passará a ser explorada pelos turistas de uma forma bem mais pitoresca.