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quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Dell está CrowdSourcing

Que título é esse eih? Para aqueles que não são de computação então! Eu me explico. Relembro que crowdsourcing significa produção de conhecimento em massa feita de forma distribuída e com pouco ou nenhum controle centralizado. Vários exemplos de crowdsourcing estão surgindo no mundo. Gostaria de descrever o exemplo da Dell, uma das empresas líderes no mundo na produção de computadores. Parece-me emblemático de como as grandes empresas estão dando atenção ao assunto. Em fevereiro de 2007 a Dell lançou o projeto chamado IdeaStorm (tempestade de idéias) com o modesto objetivo de permitir ao usuário se expressar e dizer a Dell que novos produtos eles gostariam de ver a Empresa produzindo. Em dez dias, uma chuva de pedidos para que a Dell lançasse suas máquinas com um sistema operacional com código aberto chamou a atenção dos executivos da Empresa. Desde então a Dell percebeu que estava diante de um novo fenômeno. As pessoas estavam ávidas por participar, mas a Empresa tinha que dar o retorno. Máquinas com Ubuntu(um sistema operacional baseado em Linux desenvolvido pela comunidade) passaram então a ser produzidas. Depois disso, nove tipos de laptops foram lançados baseados nas sugestões vindas do IdeaStorm. Percebam que isso não se faz da noite para dia. Exige muita paciência e investimento da Empresa para discutir com os usuários, detalhar, refinar e filtrar as idéias e mostrar sempre aos mesmos de que suas idéias estão sendo consideradas. Outro ponto importante é de que o retorno desse tipo de estratégia nem sempre é financeiro, mas acima de tudo de uma imagem de proximidade e cumplicidade com o usuário. No mundo de hoje computadores estão se tornado commodities. Já não é novidade que a escolha de uma marca de equipamento possa ser baseada simplesmente no sentimento de confiança e mesmo de carinho que o usuário tem pela marca. A Apple é um exemplo categórico disso. Usuários Apple são quase que torcedores da marca. A estratégia da Dell é um passo nessa direção e creio que deverá ser seguida por outras grandes. É esperar para ver.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

WikiCrimes: Compartilhe Informações Sobre Crimes. Saiba Onde Não É Seguro

Os que me conhecem mais de perto sabem o quanto tenho investido minhas energias no projeto que concebi recentemente chamado WikiCrimes. Ele está se tornando realidade com a ajuda dos alunos, parceiros e todos os membros da célula de engenharia do conhecimento da UNIFOR. Antes de dizer como funcionará o projeto, deixem-me manter um pouco o suspense e apresentar a motivação para o mesmo. A veracidade e precisão das informações sobre onde ocorrem crimes bem como as informações sobre a tipificação desses crimes sempre esteve na pauta das discussões sobre Segurança Pública no Brasil. Tradicionalmente essas informações são monopolizadas pelas instituições policiais e caracteriza-se assim por um mecanismo altamente centralizado. Esse monopólio acaba por criar uma tensão na relação dessas instituições com a sociedade, pois, vez por outra, se contrapõe ao preceito da publicidade e da transparência das informações que requer um regime democrático. Alie a esse contexto, as recentes crises que têm caracterizado o dia-a-dia das instituições policiais bem como suas limitações para prestar um serviço público de qualidade que tendem a reduzir a confiança do cidadão nessas instituições. Esses fatores compreendem algumas das razões para o agravamento das sub-notificações: baixo índice de notificações de crimes ocorridos. Tornou-se comum escutar de alguém que foi assaltado dizer que não deu queixa a polícia por considerar que isso não surtiria algum efeito. Pesquisas feitas com vitimados em alguns estados brasileiros mostram que a sub-notificação pode, em áreas densamente povoadas, chegar a 60% para certos tipos de delitos. O resultado disso pode ser desastroso em termos da formulação de políticas públicas e em especial no planejamento da ação policial, pois o mapeamento criminal oficial pode estar refletindo uma tendência bem diferente da que ocorre na vida real. Seria possível modificar essa lógica da centralização e do monopólio oficial da informação criminal que tem prevalecido nos últimos tempos? Por achar que sim, idealizei WikiCrimes. A idéia é fornecer um espaço comum de interação entre as pessoas para que as mesmas façam as notificações e possam acompanhar onde os crimes estão ocorrendo. Parte-se do princípio que quem detém a informação sobre um crime é o cidadão. Se ele desejar torná-la pública pode fazê-lo. Desta forma a participação individual, de forma colaborativa, pode gerar uma sabedoria das massas. Ou seja, se houver participação ativa o mapeamento criminal passa a ser feito colaborativamente e todos terão o benefício de ter acesso às informações sobre onde ocorrem crimes. Vejo WikiCrimes como um projeto do cidadão para o cidadão. Seu slogan é “Compartilhe informações sobre crimes. Saiba onde não é seguro!”. Como Wikicrimes vai ajudar para que isso seja feito será explicado em um próximo texto.

terça-feira, 31 de julho de 2007

A Cultura do Compartilhamento Através de Avaliações Coletivas

Outro exemplo da emergência da cultura do compartilhamento é o crescente aparecimento de avaliações de produtos e serviços na Web. Nos Estados Unidos isso já está totalmente consolidado. As pessoas ao irem a um cinema, hotel, comprarem um produto em uma loja, enfim em qualquer ação de consumo realizando um serviço ou comprando um bem, vão a Web e fazem uma avaliação deste serviço ou produto. É incrível como isso proliferou. Já faz parte do hábito do consumidor americano ler as avaliações (em inglês, chama-se review que ao pé da letra seria revisões em português). O mais interessante e que caracteriza perfeitamente a cultura do compartilhamento é que as pessoas fazem isso por puro voluntarismo, movidas pelo interesse de compartilhar com os outros suas experiências e opiniões. Por se tratar de avaliações feitas por pessoas que vivenciaram o serviço ou experimentaram um produto, elas ganham credibilidade mesmo que não sejam realizadas por especialistas. Isso não significa dizer que não existam avaliações de especialistas. Na verdade, identifiquei dois tipos de avaliações. Há sites especializados que realizam avaliações técnicas por especialistas, normalmente de produtos como o site CNET onde especialistas em eletrônica e computação fazem avaliações de produtos eletrônicos. Por outro lado, há os sites de prestação de serviço como as agencias de viagens que proporcionam espaço para os clientes avaliarem os produtos que lhes foram fornecidos. A livraria virtual Amazon possui um espaço para avaliações de livros feitas pelos leitores. Na minha estada em Stanford tive a oportunidade de assistir uma palestra do vice-presidente de pesquisa da Yahoo que disse que o futuro da web estará ligado a uma maior exploração dessa enorme base de avaliações que esta disponível atualmente e que cresce sem cessar. A idéia é que seja possível automaticamente aferir uma reputação ao produto ou serviço através das avaliações disponíveis. Cabe aqui novamente reforçar as recomendações de livros que discorrem sobre esse fenômeno: The Wisdom of Crowds (A Sabedoria das Massas) que está sugerido na coluna ao lado e Wikinomics (clique aqui para saber mais sobre o livro).