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terça-feira, 21 de setembro de 2010

O Almoço da Inovação

Fiquei muito entusiasmado após ter participado ontem de um almoço na Federação da Indústria do Estado do Ceará – FIEC. O almoço foi promovido pela FUNCAP e FIEC com o intuito de lançar os editais de subvenção econômica que totalizam R$ 28 milhões de reais a ser fornecido às empresas cearenses. O Presidente da FUNCAP, Tarcísio Pequeno, fez um breve histórico das iniciativas daquela agencia de fomento desde 2007. A lei de inovação está evidentemente no centro de tudo. Outra iniciativa digna de menção foi a regulamentação e implementação do Fundo de Inovação Tecnológica (FIT) que está permitindo o financiamento continuado da inovação no Estado. Escutando o que já foi feito, dá para perceber que esses últimos anos são um marco na história dos investimentos em C&T no Ceará. Em especial, no tocante à inovação, os investimentos que vêem sendo feitos tanto pelo governo federal como pelo governo estadual não tiveram precedente. 

Há de se perguntar, porque só agora isso está ocorrendo? Creio ser daquelas coisas que precisa haver o momentum. E esse momentum é agora. Inovação é a palavra da vez no País e não poderia deixar de ser no Estado. Vivemos, há não muito tempo, um dilema falso de que a geração de riqueza era dissociada e mesmo incompatível com o desenvolvimento científico. Indústria e academia viviam em dois mundos sem interseção. Os cearenses, que adoram uma piada, ainda costumam brincar que alguém não ficou rico porque decidiu estudar. Reflexo subconsciente? Talvez. O fato é que, agora que inovação virou moda, fica claro que o conhecimento científico é fundamental para a geração de riqueza. As cooperações ocorrem naturalmente.

Desde a semana passada, as empresas cearenses estão sendo chamadas a participar de editais que visam ampliar seus índices de inovação. São três editais abertos atualmente. Há um edital específico para a área de Tecnologia da Informação com orçamento de R$ 3 milhões com recursos provenientes do Fundo de Inovação Tecnológica (FIT). As pequenas empresas de outras áreas podem submeter proposta ao edital do FIT. São R$ 10 milhões destinados a esse fim. Por fim, o edital de apoio às micro e pequenas empresas (PAPPE) com recursos do tesouro e da FINEP no valor de R$ 15 milhões. Teremos demanda qualificada para tanto dinheiro? Logo saberemos, as propostas devem ser enviadas até dia18/10.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Portal Inovação

Nessa sexta-feira estive na FIEC no lançamento do Portal Inovação feito pela CGEE (Centro de Gestão de Estudos Estratégicos) e ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial). O portal tem o objetivo de mapear competências e ofertas permitindo que empresários e demais atores de inovação as conheçam em nível nacional. Por outro lado, mapeia as demandas de empresas e dos demais atores que podem se consistir em um embrião para o começo de uma cooperação. O portal não só fornece informações, mas permite também a realização de interações entre os atores. Outro módulo importante refere-se ao apoio à gestão da inovação por meio de sistemas de informação e de conhecimento que produzem gráficos esclarecedores sobre os dados disponibilizados no Portal. Os palestrantes disseram que o uso do Portal é imprevisível. A Siemens, por exemplo, tinha interesse em convencer a matriz alemã de que era viável realizar pesquisa no Brasil. Utilizou-se dos dados existentes no Portal para mostrar que há competência aqui. É possível saber dados preciosos de como anda a cooperação Universidade-Empresa. Qual a quantidade de interação de Universidade com Empresa. A iniciativa é sem dúvida inovadora e o produto per se é de inegável bem feitura e qualidade. No entanto, nem tudo é só maravilha. Boa parte dos dados modelados no Portal deve ser fornecida pelos próprios usuários. Se por um lado isso o faz inovador, requer um grande potencial de articulação e divulgação do produto (algo similar que estou vivendo com WikiCrimes). Os atores do sistema de C&T serão certamente atores fundamentais nesse contexto. O Presidente da FUNCAP, Prof. Tarcísio Pequeno, anunciou que todos os demandantes de incentivo devem cadastrar seus dados no Portal se quiserem concorrer aos incentivos daquela Fundação. A integração com o currículo Lattes foi automaticamente realizada, o que deixa o Portal com cerca de 1,5 milhão de curricula vitae. Integrações com a ANPROTEC e INMETRO seguindo a mesma idéia do Lattes estão sendo estudadas. Finalmente, vale a pena ressaltar o ponto alto do Portal: seus mecanismos de busca. Elas podem ser feitas por palavras-chave e incorporam algoritmos de similaridade entre CVs além de auxiliar na identificação automática de demandas e ofertas. Vale a pena dar uma conferida em http://www.portalinovacao.mct.gov.br/pi/.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Teses em Prateleiras

Na semana passada, participei de uma mesa redonda sobre Inovação no auditório Luis Esteves na Federação das Indústrias do Estado do Ceará. De uma forma geral, percebe-se uma convergência no discurso de que a inovação é necessária e que a cooperação com a academia é o caminho . Aliás, já escrevi sobre isso, mas alguns discursos que escutei recentemente levam-me a revisitar o tema. Na mesa redonda da FIEC, ressalte-se a palestra do Prof. Carlos Pacheco da UNICAMP. Pacheco foi secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia quando Bresser Pereira foi ministro. Teve participação ativa na formulação e operacionalização dos fundos setoriais que são a mola mestra do motor de financiamento em C&T que hoje faz tanto sucesso no País. Pacheco de forma muito elegante disse que o primeiro requisito para se ter cooperações persistentes entre Empresa e Universidade é de se compreender que esses dois agentes possuem agendas próprias. Dito de outra forma, ele estava a dizer que a Universidade não existe só para fazer inovação para as Empresas. A produção de conhecimento é algo eminentemente vasto, eclético, difuso, enfim, não pode ser podado nem restrito, muito menos enquadrado. É na liberdade de se pensar o inusitado, de propor o diferente e de estudar o que aparentemente não se vê aplicação, onde se encontra a capacidade de se fazer grandes descobertas. Essa liberdade não necessariamente está ligada a falta de foco ou implique redução de qualidade. O mecanismo que rege mundialmente a produção de conhecimento é bem definido e há rigor e exigência em todos os momentos. As publicações científicas são avaliadas por comitês de especialistas o que faz com que os pesquisadores sejam obrigados a buscar qualidade no que fazem. Não fazem somente o que lhes “dá na telha” como pode parecer a alguns. Teses e artigos científicos que não têm aplicação prática imediata não estão somente “expostas nas prateleiras” como gostam de expressar vozes incompreensíveis desse contexto. Essas teses alimentam o ciclo de produção de conhecimento, pois são objeto de estudo de outros que podem em futuro, muitas vezes longínquo, achar utilidades práticas para as idéias ali presentes. Interessante é que as mesmas pessoas que falam de teses em prateleiras são as primeiras que gostam de mencionar Havard, Stanford, MIT, etc. como exemplos de instituições de referencia no contexto acadêmico. Só que são exatamente essas instituições que produzem o maior número de “teses de prateleiras”. Conseqüentemente são as mais cobiçadas pelas Empresas para a realização de parcerias. O motivo é simples e fácil de entender. O que as Empresas querem com cooperações com as Universidades é ter acesso ao que não conhecem, ao que não conseguem produzir, querem a novidade. E sabe onde elas estão? Nas tão estigmatizadas prateleiras.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Economia Criativa na FIEC

Imperdível o evento que ocorrerá na Federação das Indústrias do Estado do Ceará - FIEC na semana que vem (26, 27 e 28 de novembro) sobre Economia Criativa. Considero que esse tema, já abordado neste blog (clique aqui e aqui para ler o que foi escrito), deve fazer parte, com prioridade, das políticas públicas em todas as esferas de poder. Na verdade, o interesse pelo tema não se resume aos entes públicos. O setor produtivo já compreende que existem possibilidades interessantes de negócio que começam a surgir, pois se trata de eixo fundamental na questão da inovação. A idéia básica é criar condições de agregação de valor ao potencial criativo das atividades culturais fazendo uso de gestão qualificada, novos meios tecnológicos e marketing agressivo para atingir mercados globais. No evento da FIEC estarão expoentes nacionais e internacionais no tema que discutirão sobre assuntos diversos como a questão das políticas transversais de cultura e inovação, experiências e casos de sucesso, perspectivas de mercado, geração de empregos e renda, para citar alguns. As inscrições podem ser feitas no site (clique aqui para acessar). Aliás, vale a pena mencionar que a iniciativa do evento partiu das organizadoras do festival de Jazz e Blues de Guaramiranga e que se credenciam cada vez mais como representantes legítimas da nova cultura empreendedora e que a economia criativa requer.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Inovação Tecnológica na FIEC

Essa semana a Federação das Indústrias do Estado do Ceará promoveu um evento centrado na temática da inovação. Uma louvável iniciativa que deveria deixar-nos esperançosos de que um futuro melhor se apresente na difícil tarefa de se conseguir mais produtividade na economia cearense. Na abertura do evento ocorreu uma apresentação do presidente da Caloi, o Sr. Edson Musa. Antes da apresentação do palestrante convidado para falar sobre inovação tecnológica, ouvi do presidente da FIEC seu diagnóstico de porque a indústria não investe em pesquisa: alta carga tributaria(sic). Lembrei-me de um dos primeiros textos que escrevi neste blog (clique aqui para acessá-lo ) que admitia mea culpa, de nós professores, por não termos sido hábeis suficientes para formar nossos empresários com uma visão de que pesquisa científica é investimento. Felizmente o palestrante convidado, durante sua apresentação, fez um diagnóstico bem mais elaborado para a pergunta: Porque a indústria não investe em pesquisa? Basicamente os seguintes fatores foram enumerados: i) o desenvolvimento de produtos foi historicamente destinado ao para mercado interno o que não levou a muita competição; ii) um mercado protegido ou pelo governo ou por situações de monopólios e oligopólios que também reduzem a competição; iii) Instabilidade econômica do País que favoreceu a visão de curto prazo; iv) Altos custos e baixa disponibilidade de recursos; v) Excesso de Burocracia; vi) Cultura de cópia de produtos americanos e, vii) baixa interação Universidade-Empresa. Eu adicionaria a esses fatores o puro desconhecimento dos empresários do que vem a ser a pesquisa, o que favorece a aceitação de clichês pejorativos da atividade e dos pesquisadores. Gostei especialmente de uma opinião do palestrante com a qual concordo fortemente: a competitividade microeconômica é um índice muito mais confiável para medir a riqueza de um país. Ou seja, a relação número de pequenos negócios em relação ao total de negócios dá um tom de quão dinâmica e emergente é a economia. Veja que essas observações vão ao encontro às minhas observações em textos anteriores de que a formação de doutores empreendedores, as incubadoras e o incentivo a criação de empresas com capital de risco, tipo modelo Vale do Silício, devem ser perseguidas para dinamizar a economia (veja texto sobre assunto aqui). Outra grande notícia trazida pelo palestrante foi a de que Empresas, como a Natura, estão criando um conselho de ciência e tecnologia e colocando professores universitários para participar do mesmo. Desta forma se consegue um processo de aproximação com a abertura das portas da Empresa o que facilita a identificação de oportunidades. Resta-nos esperar que as Empresas cearenses sigam a mesma idéia (e que não esperem os impostos baixarem para fazerem isso!).