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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Fórum da Democracia Pessoal

Essa semana recebi um super honroso convite para palestrar no PdF (Personal Democracy Fórum) em Santiago do Chile, em novembro. O PdF é uma conferencia reconhecida que explora e analisa o impacto da tecnologia na política e governo.

Essa conferencia, que acontece há seis anos, tem atraído intelectuais, pensadores e lideres para um ambiente de ensino e aprendizagem. A conferencia, patrocinada em sua maioria pela Google, tem suas versões norte-americana, européia e latino-americana.

Meu convite aconteceu de uma forma inusitada. Me interessei por assistir as palestras da conferencia européia que se desenvolverá em Barcelona. Somente uma platéia restrita, selecionada com base no currículo, pode assistir ao vivo. Enviei meu dossiê contando inclusive sobre WikiCrimes. Infelizmente não fui selecionado. O que soube dias depois é que não havia sido selecionado porque os avaliadores tinham achado WikiCrimes tão interessante que deveria merecer um destaque maior. Fui então convidado para ser um palestrante em Santiago, a próxima etapa do Fórum este ano.

Vejam o que a carta oficial vinha dizendo :

Your project with WikiCrimes is absolutely the kind of creative/disruptive innovation that we want to help showcase at the conference

Ponho-os a par dos acontecimentos! Enquanto isso, vejam alguns vídeos de palestrantes de PdF. Craig Newmark de Craigslist está logo abaixo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Jimmy Wales no Roda Viva

Muito boa a entrevista do criador da Wikipedia Jimmy Wales no Roda Viva. O fato de alguns entrevistadores não entenderem direito como ela funciona teve seu lado positivo. Permitiu que Wales respondesse didaticamente como o projeto nasceu e se desenvolve. O ponto negativo é que perguntas importantes deixaram de ser feitas. Em particular, a relação entre pessoas que consultam e pessoas que atualizam era algo que merecia mais detalhe. Em projetos colaborativos desse tipo é ilusão pensar que todo mundo participa e colabora. Como fazer para manter motivado o grupo que faz as moderações e solicita a colaboração de outros é um dos grandes segredos. Alguns dados interessantes passados pelo próprio Wales são de que proporcionalmente o número de usuários da Internet que usa Wikipedia no Brasil e nos EUA é de cerca 30%. Além disso a Wikipedia em português tem cerca de 500.000 verbetes sendo maior do que a espanhola. A novidade mais interessante é que a reportagem com ele não tem copyright exclusivo da TV Cultura, mas está licenciado em Creative Commons. Isso significa que o programa estará disponível para visualização (clique aqui para acessá-lo). O modelo "Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil" significa que os internautas podem copiar, distribuir, exibir e executar a obra, além de criar conteúdos derivados. Como contrapartida, a licença adotada estabelece que os usuários não podem utilizar o programa com finalidades comerciais e, caso produzam obras baseadas no Roda Viva, devem distribuí-las sob a mesma licença. A Fundação Padre Anchieta tem o direito de receber os créditos sempre que isso acontecer.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

A Indústria Criativa e a Economia da Cultura

Neste dia do professor, quero voltar a refletir sobre um aspecto que tenho reiterada vezes abordado nesse blog: a cultura de empreendedorismo, da inovação e da criatividade. Em particular vou me concentrar em um assunto que descobri após uma dica do Presidente da Fundação Cearense de Pesquisa do Estado do Ceará, Prof. Tarcísio Pequeno, sobre um site que congrega várias organizações que se dedicam a questão da criatividade como instrumento de produção de riqueza(clique aqui para acessar o site). Um dos conceitos básicos dessa iniciativa chama-se Indústria Criativa. Não se trata aqui de simplesmente dar um adjetivo às indústrias tradicionais. Estou me referindo a toda atividade que foi originada por uma idéia criativa, em função de um talento próprio, que pode gerar renda, bem-estar e emprego através da geração e exploração de propriedade intelectual. Essa é uma definição dada pelo departamento de cultura, mídia e esporte do governo do Reino Unido que, aliás, investe fortemente em iniciativas do tipo e por isso mesmo boa por parte das iniciativas da creative industries vêm de lá. O congresso de indústrias criativas reunirá expositores de todo o mundo e será em Londres em Novembro. Dentre os diversos setores que compõem iniciativas criativas pode-se elencar o audiovisual, a música digital, a publicidade e propaganda, artes de uma forma geral, designer e arquitetura, enfim, atividades que o Brasil tem um portfólio considerável e que pode ser explorado continuamente. A operacionalização de uma indústria criativa se dá normalmente com suporte da tecnologia e métodos modernos de gestão. Ressalte-se que o valor econômico do "produto" é baseado nas suas propriedades intelectuais ou culturais. Aqui entra um outro aspecto importante nessa nova economia, o valor cultural. Hoje em dia, as iniciativas específicas de uma cultura estão sendo cada vez mais difundidas globalmente. Por envolverem peculiaridades próprias de seu contexto de origem, são quase sempre inéditas e inovadoras à luz de boa parte do mercado global consumidor. Desta forma podem agregar valor e se tornam um excelente produto comercial. Vale aqui a máxima típica do mundo globalizado: produza local e comercialize global. Interesso-me particularmente por essas idéias por dois motivos. Primeiramente, deve-se perceber que todo esse contexto de indústrias criativas é convergente com a web2.0 e com o mundo digital. A web é a infra-estrutura comum e disponível a todas essas atividades criativas. Quer seja somente como veículo de disseminação, quer seja como próprio componente da solução criativa, a grande teia mundial potencializa as idéias criativas e apresenta-se como forma natural para abrigá-las. Acrescente-se a isso o fato de que os meios analógicos de armazenagem de mídia estão sendo radicalmente mudados para meios digitais. O segundo aspecto que me atrai deve-se ao fato de que o conceito de indústria criativa pode e deve ser aplicado às atividades governamentais, principalmente, à de transformação de cidades em espaços agradáveis e que promovam o bem-estar da população. Boa parte das iniciativas criativas a serem apresentadas no congresso mundial de indústrias criativas que se desenrolará em novembro em Londres, destinam-se a esse fim. Enquanto professores cabe-nos não somente apresentar esses conceitos aos alunos universitários mas, principalmente, fomentar a aplicação dos mesmos. Isso certamente será o vetor de transformação econômico e social com capacidade de transformação radical da realidade que vivemos hoje.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Genialidade Grupal

Li recentemente Group Genius: the Creative Power of Collaboration (Grupo Gênio: a força creativa da colaboração) de Keith Sawyer. O livro trata de assuntos interessantíssimos e que estão fortemente ligados às minhas atividades atuais: criatividade, inovação e colaboração. De uma maneira geral, no entanto, me decepcionou pelo o que considero uma infeliz estratégia seguida pelo autor. Ele caiu na armadilha de dar receitas do que fazer e não fazer e assim dirigiu-se a um terreno arenoso de obra tipo auto-ajuda e que particularmente detesto. Principalmente quando se trata de assuntos que estão na fronteira do conhecimento, melhor deixar o leitor tirar suas conclusões do que ficar querendo propor receitas. Por esta razão não o estarei postando na coluna ao lado. No entanto, há muita coisa interessante no livro que em resumo busca quebrar certo estereotipo de que a criatividade e a inventividade vêm através de insights repentinos por indivíduos iluminados, isolados e mesmo alienados. Ao contrário, criatividade está mais ligada a trabalho em equipe, experiência com tentativa e erro e muita interação, quer seja diretamente com colegas, quer através de idéias que vão sendo gradativamente assimiladas e evoluídas. Quando o autor não está dando receitas de como ser criativo, a leitura flui agradavelmente muito em função das diferentes e interessantes experiências feitas por psicólogos cognitivos descritas no livro. Para relaxar, deixem-me exemplificar com dois testes realizados na década de 60 por psicólogos “Gestaltistas” (consideram que o pensamento e as percepções das pessoas não podem ser entendidos por análises de componentes individualizados, mas somente com a visão completa do todo). Eles fizeram vários testes em busca de entender o fenômeno “aha”ou “heureka” que caracteriza o momento do click, da descoberta, o chamado “cair a ficha”.
1º teste – Nove Pontos
Veja a figura abaixo. Tente conectar os nove pontos com quatro retas sem tirar a caneta do papel, nem passar duas vezes no mesmo caminho.


2º teste – Problema do Raio X
Suponha que você é um médico e tem um paciente com um tumor maligno no estômago. É impossível operá-lo, mas se o tumor não for destruído o paciente irá morrer. Existe um tipo de Raio X que pode ser usado para destruir o tumor. Se esse Raio X atingir o tumor todo de uma vez com uma intensidade alta o tumor será destruído. Infelizmente, com essa intensidade necessária o Raio X destruirá todo tecido de pele e nervoso que encontrar pela frente. Com uma intensidade baixa os tecidos não são destruídos mas o tumor não é destruído. Como fazer para não deixar o paciente morrer sem destruir seus tecidos nervoso e da pele?


Quem souber resolver, pode colocar as soluções nos comentários. Em alguns dias, farei alguns comentários sobre a dificuldade de se resolver esse tipo de problema (além de dizer a solução).