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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Mais Efeitos da Era WikiLeaks

No final do ano passado, no auge da questão WikiLeaks, escrevi alguns artigos sobre o que pensava da questão. Vejam um trecho de um de meus artigos:

O jornalismo está em cheque também. Novos desafios aos jornalistas se impõem nesse tipo de contexto. Como aproveitar a inteligência do público para gerar uma longa lista de matérias, e ainda por cima, aumentar a credibilidade das mesmas. Ou por outro lado, como filtrar as informações e decidir o que vale a pena ou não ser publicado de forma rápida. Na verdade, o grande jornalista do futuro será aquele que vai ser procurado diretamente pelos denunciantes ao invés de lançarem diretamente em sites tipo Wikileaks.

Pois vejam só o que li recentemente. O reputado The New York Times começa a estudar como criar uma linha aberta e com a mais estrita segurança para receber contribuições de quem deseja promover vazamentos. Embora nada tenha sido definido sobre como essa linha para vazamentos vá funcionar, sabe-se que eles precisam agir rapidamente. A concorrência saiu na frente. A rede de televisão árabe Al-Jazeera já criou uma linha dessas que passou a chamar de Unidade de Transparência. Há inclusive rumores que documentos secretos sobre violações de direitos humanos pelo exército israelense já chegaram aos jornalistas da rede árabe.

E cá por essas bandas? Algum meio jornalístico se atreve a abrir um canal de transparência como os que aparecem ailleurs?


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

WikiLeaks, Anarquia, Diplomacia e Liberdade

Julian Assange, o criador de WikiLeaks, já entrou para a história. O homem que trouxe a anarquia para o palco mundial está pagando um preço alto e ainda nem sabemos qual será o tamanho da sua conta. A primeira grande anarquia realmente revolucionária na rede veio de alguém que decidiu desmoralizar o jogo hipócrita que rege as relações diplomáticas internacionais. Desnudou os segredos dos jogos de poder.

Para os que não estão a par de WikiLeaks trata-se de um site onde documentos sigilosos são postos a disposição de todos. Um site onde  informações vazam  (daí o termo leak que em inglês quer dizer vazamento). Já tinha mencionado o mesmo aqui. Detalhe: na época tinha posto o link do site.

Hoje não posso mais fazê-lo simplesmente porque não sei qual o endereço está sendo usado agora. O governo americano se engajou numa campanha frenética para “calar” Assange. Algo nunca visto no mundo ocidental democrático. Ameaçam a todas as empresas que ousem hospedar WikiLeaks de serem processadas com rigor. A Amazon, por exemplo, teve que se negar a hospedar o site nos EUA. O sistema de pagamento por crédito Pay Pal teve que sustar todo tipo de doação que era feito a WikiLeaks via seu site. A caçada a Assange em todo o mundo é feita pela Interpol. Já circula no Congresso Americano mudanças legais para endurecer o tratamento a todos que, de uma forma ou outra, venham a se envolver em ações que favoreçam WikiLeaks.

Talvez os americanos devam pedir ajuda aos chineses já que estes têm mais experiência em censura na Web. O mais paradoxal é que a última notícia tida sobre WikiLeaks era que estava hospedado em um site na China! Estariam os chineses dando uma “tapa com luva de pelica” nos americanos? Estes últimos condenam tanto a censura na rede como a que ocorre na China, e agora agem da mesma foram!? 

É extraordinário o efeito WikiLeaks ! Não tenho conhecimento detalhado do que os documentos sigilosos dizem. Aliás, acho que ninguém tem. É tanta informação que somente com o tempo saberemos mais. Mas o que quero aqui refletir é sobre o impacto pós-WikiLeaks. Ou seja, das ações que estão sendo tomadas contra WikiLeaks. A decisão dos países que se consideram afetados em censurar tudo que se relacione a WikiLeaks. Isso provoca um debate super interessante sobre a liberdade de imprensa e sobre o domínio de um determinado País sob a Web.

Primeiro, vale se perguntar: até que ponto WikiLeaks é imprensa? O site é um mero lançador de furos. Consegue informações importantes de fontes privilegiadas e as publica. Além disso, a última leva de documentos com informações que vazaram tiveram, antes de serem divulgadas, uma análise da imprensa de mais alto nível. Assange já sabia que precisava de “costas mais largas”. Liberou os documentos sigilosos que tinha primeiramente para editorias do porte do New York Times e The Guardian. Alguns consideram que esse ato mostra o que se espera da imprensa neste nosso século: certificador da credibilidade de informações.   

O segundo aspecto que vale ressalva é sobre o poder que um País, em particular os EUA, terá ou quer ter sobre a rede. A tentação existe, mas a teia tem sua vida própria e formas de se defender. Difícil bloquear WikiLeaks. Acho interessante a analogia com uma caixa-d’água com vazamento. Os países tentam tapar um vazamento, mas outros aparecem. Aliás, eu tinha mencionado que não poderia dizer em que endereço WikiLeaks estava. Não estava sendo de todo preciso. Na verdade, apoiadores do site não param de aparecer e WikiLeaks já está disponível em mais de 200 sites distribuídos no mundo. Haja bombeiro!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Wikileaks: Vazamento de Informações Colaborativo

Vazamento de informações. Esse é o negócio do WikiLeaks (algo como WikiVazamentos), um site que tem ganho enorme atenção esses últimos dias. Nele qualquer pessoa pode colocar denúncias, as mais diversas, preferencialmente a partir do acesso à informações de documentos oficiais (normalmente sigilosos). O site tem um sistema similar às redes de espionagem. A entrada de informação é descentralizada, anônima, criptografada, etc. Softwares destinados a esse fim são usados (veja TOR para saber mais sobre isso). Diversos colaboradores participam da entrada dos dados em diversas partes do mundo para que qualquer forma de monitoramento seja dificultada. O site já tem mais de 1 milhão de documentos e, por seu modelo corajoso e inovador, ganhou prêmios do The Economist e da Anistia Internacional. Alguns consideram-no uma completa revolução na forma de veicular notícias.

Recentemente relatórios oficiais do departamento de defesa americano vazaram. Informações sobre como os EUA pagam a mídia afegã para contar estórias boas sobre o exército americano. Até mesmo informações sobre Osama Bin Laden que estavam nesses arquivos foram veiculadas no site. O governo americano sentiu na pele o quanto é ruim ser vidraça. Enquanto as denúncias de WikiLeaks eram em sua maioria contra os desmandos de ditaduras chinesas e africanas bem como de impérios econômicos, o site era um bem à humanidade. Quando os vazamentos começaram a incomodar, a coisa muda de figura. O fato é que se alguém ainda tinha dúvida de que a web reformulou totalmente o conceito de privacidade individual, convença-se e saiba que está a reformular o conceito de privacidade institucional também.

Mas não é somente a questão da privacidade que está em jogo. O jornalismo está em cheque também. Novos desafios aos jornalistas se impõem nesse tipo de contexto. Como aproveitar a inteligência do público para gerar uma longa lista de matérias, e ainda por cima, aumentar a credibilidade das mesmas. Ou por outro lado, como filtrar as informações e decidir o que vale a pena ou não ser publicado de forma rápida. Na verdade, o grande jornalista do futuro será aquele que vai ser procurado diretamente pelos denunciantes ao invés de lançarem diretamente em sites tipo Wikileaks.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O Desastre no Golfo do México


A Copa do Mundo de Futebol tem feito com que o vazamento de petróleo no Golfo do México não tenha recebido a devida atenção da mídia brasileira e mesmo da internacional. O vazamento ocorre há mais de 50  dias. Ele originou-se quando de uma explosão na plataforma da BP que ocasionou inclusive a morte de 13 pessoas. O desastre é de proporções gigantescas. Obama chegou a compará-lo com os atentados de 11 de setembro. Vejam abaixo um mapa que mostra o tamanho da mancha. Coloquei-a em Fortaleza para termos uma idéia comparativa.

A mancha foi produzida pelo site if it was my home (se fosse minha casa) com dados da Administração Atmosférica e Oceânica do EUA. São dados coletados de fotos de satélites e relatórios de observadores que fazem vôos diários pela região. Essas informações são ainda combinadas com dados sobre os ventos no Golfo do México. Se quiser ver a mancha em sua posição original no Golfo do México acesse o próprio site.