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terça-feira, 14 de junho de 2011

Os Seminovos

Essa semana deparei-me com uma publicidade super-interessante da TIM feita pela banda Seminovos. A estória desse grupo de jovens irreverentes é um exemplo do poder da Internet. Eles fizeram um vídeo irônico sobre a dificuldade e melancolia de não poderem ter um iPhone. Depois disso, foram contatados pela TIM que os propuseram de fazer uma versão adaptada, o que deu origem ao segundo vídeo. São as oportunidades da web aparecendo. Muito bacana a situação, mas iPhone a R$ 999,00 com os planos da TIM de banda larga (mais para estreita) é dureza!


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Mais Efeitos da Era WikiLeaks

No final do ano passado, no auge da questão WikiLeaks, escrevi alguns artigos sobre o que pensava da questão. Vejam um trecho de um de meus artigos:

O jornalismo está em cheque também. Novos desafios aos jornalistas se impõem nesse tipo de contexto. Como aproveitar a inteligência do público para gerar uma longa lista de matérias, e ainda por cima, aumentar a credibilidade das mesmas. Ou por outro lado, como filtrar as informações e decidir o que vale a pena ou não ser publicado de forma rápida. Na verdade, o grande jornalista do futuro será aquele que vai ser procurado diretamente pelos denunciantes ao invés de lançarem diretamente em sites tipo Wikileaks.

Pois vejam só o que li recentemente. O reputado The New York Times começa a estudar como criar uma linha aberta e com a mais estrita segurança para receber contribuições de quem deseja promover vazamentos. Embora nada tenha sido definido sobre como essa linha para vazamentos vá funcionar, sabe-se que eles precisam agir rapidamente. A concorrência saiu na frente. A rede de televisão árabe Al-Jazeera já criou uma linha dessas que passou a chamar de Unidade de Transparência. Há inclusive rumores que documentos secretos sobre violações de direitos humanos pelo exército israelense já chegaram aos jornalistas da rede árabe.

E cá por essas bandas? Algum meio jornalístico se atreve a abrir um canal de transparência como os que aparecem ailleurs?


quinta-feira, 26 de março de 2009

Twitter e Gengibre

O mundo da web é totalmente caótico e imprevisível. Há muito gente tentando fazer acontecer e novidades surgem diariamente. A bola da vez atualmente é o site Twitter (www.twitter.com). Trata-se de um blog em que as mensagens postadas são curtas de menos de 140 caracteres (sites assim são também chamados de micro-blog). Normalmente, as pessoas os usam com o intuito de dizer o que estão fazendo, vendo ou pensando naquele exato momento. O crescimento de Twitter tem sido absurdamente exponencial. Algo em torno de 1000% ao mês. O site, que foi lançado em 2007, ganhou logo seu público cativo e já tem mais de 6 milhões de usuários. Apesar disso, sempre havia uma dúvida de como se podia ganhar dinheiro com isso. Recentemente, quando implantou seu sistema de busca, a Empresa passou a dar uma dica de que pode ser uma das grandes competidoras de Google no mercado de buscadores na web. Seu principal diferencial é de que, as informações que coleta são instantâneas. Dão uma visão do que está acontecendo agora no mundo. O exemplo mais representativo disso foi o de um internauta que estava em seu barco pescando quando viu a queda do avião da US AirWays próximo de Nova York. A primeira coisa que fez foi postar a notícia no Twitter dizendo do ocorrido e que estava se dirigindo para ajudar o resgate. A notícia fluiu na web muito mais rápido do que na mídia tradicional e mesmo em sites jornalísiticos. Estava criado o conceito de furo por Twiiter. Não é a toa que Facebook ofereceu 500 milhões de dólares pelo site (logo rejeitado). Ontem tomei conhecimento de uma outra inovação, dessa vez brasileira, onde um dos mentores é o apresentador da MTV Cazé. O gengibre (www.gengibre.com.br) é um Twitter por voz. Ou seja, ao invés do internauta publicar uma mensagem de texto no seu micro-blog, ele publica uma mensagem de voz. Basta ligar para um número telefônico específico dado pelo Gengibre e falar sua mensagem que será imediatamente gravada no blog. Parece-me que o número do Gengibre é em São Paulo, o que encarece muito o uso do mesmo para usuários de fora da cidade. Creio que se ele pegar por lá, virá para cá mais barato.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Quanto Mais Caro Mais Saboroso

Embora o marketing seja uma coisa onipresente na nossa vida de consumidor, o conhecimento dos mecanismos psicológicos pelo qual as ações de marketing influenciam o comportamento do consumidor ainda permanece muito limitado. Mas um estudo recente que tomei conhecimento pelo Times On Line (ver a matéria original aqui) está auxiliando a jogar um luz na questão. Trate-se de um estudo em Neuro-economia que mostrou que ao se aumentar o preço do vinho aumenta-se as atividades neurais que demonstram prazer no gosto deste vinho(ao se tomar o vinho, é óbvio!). A Neuro-economia é uma ciência recente e que um tem como um dos seus objetos de estudo a compreensão de porquê há um apelo subconsciente tão forte dos consumidores em relação aos produtos de luxo, marcas famosas, e outras coisas típicas da sociedade capitalista que custam mais e oferecem muito pouca qualidade extra (as vezes nem a oferecem). Com a ajuda de modernos scanners do cérebro pode se compreender a relação entre as reações biológicas e os estímulos provocados pelos mecanismos econômicos que estão permeados na sociedade. Esses testes neurológicos abrem linhas de pesquisa nas ciências cognitivas que visam criar teorias para explicar o porquê desses efeitos. Um trabalho nessa direção está sendo desenvolvido em Stanford, no programa de sistemas simbólicos. Com a ajuda de modelos computacionais, simulações ajudam a verificar que o preço influencia a expectativa de qualidade que por sua vez influencia a experiência de prazer. Para saber mais, acesse a página do programa em Sistemas Simbólicos de Stanford (clique aqui) . Aliás, a proposta do programa de sistemas simbólicos é algo que se vê de mais em mais no mundo acadêmico, onde a multidisciplinaridade vem se tornando a regra. O programa reúne pesquisadores em Psicologia, Lingüística, Inteligência Artificial, Neurologia, Economia e interação Humano-computador.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Uma Desastrosa Política Ambiental

Enquanto o New York times anuncia a “vontade” do Governo Bush de continuar discutindo (e de fato continuar sem fazer nada), vale a pena observar alguns dados que Paul Krugman (articulista deste jornal) descreveu a partir da comissão de energia Americana (Energy Information Administration) sobre a emissão de dióxido de carbonos:
A emissão de CO2 em milhões de toneladas.

Periodo------------1980 1997 2005

Europe_______4672 4446 4675

EUA_________4748 5544 5957

China________1455 3969 5323

Lembrem-se que 1997 é o ano do protocolo de Kyoto. Krugman alerta que as gerações futuras não perdoarão os EUA pela política irresponsável que desenvolvem hoje. Vale a pena também observar que o crescimento econômico chinês é um enorme desastre. Vejam esses números no gráfico abaixo. Fica mais fácil de perceber como o crescimento está ocorrendo.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

A Batalha de Idéias Sobre Biocombustiveis

A impressa mundial começou a abrir espaço para argumentos bem contrários à política dos bio-combustíveis. Quando li em Junho, a matéria do Le Monde Diplomatique (“Les cinq mythes de la transition vers les agrocarburants – Os cinco mitos da transicao para os agrocombustiveis " )percebi o quanto a diplomacia brasileira terá trabalho pela frente. Le Monde Diplomatique é um jornal mensal e importante veículo do pensamento da esquerda francesa e européia. É conhecido por pautar matérias de outros grandes jornais, visto que as apresenta de forma inédita e as explora em profundidade. Foi o começo de uma disputa que começou mesmo a vir a tona depois da visita de Bush ao Brasil. Quando os EUA apresentaram claramente prioridade pró etanol como combustível alternativo e a proposta brasileira de uma espécie de OPEP do álcool foi apresentada, o mundo começou a olhar para a questão. A possibilidade de parceria EUA-Brasil é o combustível perfeito para preocupar a Comunidade Européia e em particular acender a esquerda francesa que adora ser contra os EUA. Os cinco mitos discutidos no artigo de Eric Holtz, diretor do Instituto Food First (Institute for Food and Development Policy) são os seguintes: o bio-combustível é limpo e protege o meio-ambiente. Este mito é imediatamente contestado, pois se argumenta que se a produção de biocombustíveis acabar com 5% das florestas que ainda existem, se perderia todo o ganho ecológico que se teria com a economia de carbono. O segundo mito refere-se ao fato de que eles não levam ao desmatamento. Dados relativos a desmatamentos na Amazonia em função do avanço de áreas de plantação de soja bem como o mesmo efeito na Malásia, mostram que isso não é bem o caso. O terceiro mito refere-se ao fato de que os biocombustiveis trarão desenvolvimento rural. A contestação aqui é quantitativa. Mostra-se que 100 hectares dedicados a agricultura familiar criam trinta e cinco empregos ; a cana-de-açucar dez ; ao eucaliptus dois e à soja só a metade. O quarto mito, que vem sendo inclusive alvo de crítica de Chavez e Fidel Castro, refere-se ao fato de que agrocombustiveis não causarão fome. O exemplo usado para contrapor este argumento veio do México. Este país foi obrigado a importar milho dos EUA porque o preço interno tinha subido enormemente em função da pressão do Etanol. Até a típica tortilha mexicana foi ameaçada. Por fim, o quinto mito refere-se ao argumento de que os agrocombustiveis de segunda-geração estão a ponto de serem lançados e assim que eles minimizarão os outros problemas levantados. O artigo do Le Monde Diplomatique discorda desse argumento, pois as pesquisas nessa área ainda estão engatinhando e as soluções existentes são portadoras de vários problemas em termos ecológicos, como efeitos de contaminação ainda não examinados. Clique aqui para acessar o texto original em francês. Recentemente outro importante jornal, The New York Times, abriu espaço para noticiar o quanto a Floresta Amazônica está “sufocada” pela soja. Por fim, para acalorar ainda mais o debate, vale a pena lembrar que o motor elétrico está sendo considerado por alguns como uma alternativa bem mais viável(e ecológica) que os motores a combustão. Desta forma os biocombustiveis podem não ser tão relevantes em um futuro não muito longo. O desafio está posto. Para não perdermos mais uma grande oportunidade de desenvolvimento econômico, precisaremos de diplomacia, mas sobretudo de organização interna para mostrar que nossa política de biocombustivel consegue ultrapassar os obstáculos apresentados.