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sábado, 27 de janeiro de 2007

A Pesquisa em Informática

Em se tratando da experiência americana no que se refere ao contexto da pesquisa em Informática, que é o que estou fazendo aqui, provoca-me sentimentos antagônicos. Se por um lado aumenta minha motivação por estar percebendo que aprendo mais cada dia. Por outro lado dá um enorme desânimo ao perceber o quanto estamos em desvantagem no Brasil. O ambiente de pesquisa aqui é extremamente rico e dinâmico. As duas mais conceituadas universidades são Stanford e Berkley que nutrem uma saudável rivalidade. Acho que a rivalidade é mais de Berkley com Stanford. Pois Stanford prefere nutrir a rivalidade com o MIT (no lado leste, em Boston) para se considerar a melhor Instituição tecnológica dos EUA. Alem das universidades, todas as grandes empresas de informática estão aqui: IBM, Google, Microsoft, Apple, SAP, HP, só para citar algumas. Todas essas empresas desenvolvem pesquisa internamente ou em conjunto com as universidades. Já dá pra perceber por que então há tanto dinamismo. Toda semana recebo a programação de palestras que ocorrem na região. Imagine um círculo de aproximadamente 20 Km2 com centro em Cupertino. Acesso fácil em torno de 15 a 30 minutos. São em torno de 20 palestras por semana! Gente do mundo todo que expõe suas idéias, as mais novas. O aprendizado é por osmose. Não precisa fazer força. A palavra-chave é interação. Conte sua idéia, argumente, fortaleça-a através da discussão. Aqui vai uma primeira questão a refletir. Porque interagimos tão pouco no Brasil? E no Ceará, então? Vivemos encastelados fazendo nossas pesquisas como se fossem para nos mesmos. Será que é por medo de se expor? O fato de sermos menores (em numero) deveria ser um fator que fortalecesse a interação, é mais fácil de se conhecer. Tenho algumas opiniões do que dificulta isso. Discorrerei em outro momento. Por enquanto deixo a pergunta no ar.

4 comentários:

Walfredo disse...

Grande Vasco,

Acho que a falta de interação dos pesquisadores brasileiros tem vários motivos. Infelizmentes eles incluem: as pessoas que tem medo de se expor, e as pessoas que se acham boas demais para se beneficiar da discussão. Em ambos os casos, perde-se muito em inovação. :-)

[]s
Walfredo

Wladimir disse...

Professor,
na pequena vivência que tive durante o mestrado, também observei a distância que você comentou.

Me incomoda o fato da pesquisa que se faz por aqui (Brasil / Ceará) não está mais próxima das necessidades do nosso Estado ou região.

A interação entre academia e demais setores da sociedade é realmente necessária. Desejo, sinceramente, que possamos aprender (mais uma vez) com o exemplo americano e fortalecer nossa produção e nossa sociedade, tão carentes.
Um abraço,
Wladimir

Vasco Furtado disse...

Estou postando mensagem recebida por email do colega Aderson. recebi sua autorizacao para tal.
"Estou lhe lendo. Claro q gosto do q falastes: "é que ela tem uma clara percepção da importância da pesquisa científica no bem estar da sociedade", mas será só isto? Nós temos importancia a dizer q todos são ótimos, claro com mais coisas q teremos tipo uma guarda bem clara do q seja uma "pesquisa
cientifica", lebremos de todos, não acho bom a "american way of life", já tivemos uma Hiroshima-Nagasaki e temos mais coisas, vide Irã, Iraque e nosso próprio Brasil. O q é bom para os EUA é apenas bom para os EUA. Igual a um general brasileiro, Juraci agalhães, q achava q seria ótimo,
igualmente a americano, o q é ruim demais. Queria lhe conversar mais, tudo beleza?"

Vasco Furtado disse...

A mensagem de Aderson me leva a acrescentar que concordo com ele no sentido que os americanos estao primeiro preocupados com eles, depois com eles e, depois, com eles de novo.
No entanto, isto nao deve nos impedir de aprender com eles. E olhe que sao muitas as coisas que podemos aprender.
Gostei de suas mensagens. Fiquei feliz que vc nao perdeu a capacidade de se indignar. Diferentemente com alguns adaram dizendo, a idade nao nos faz abandonar os ideias revolucionarios, nao eh?