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quinta-feira, 1 de julho de 2010

Palkin: Uma Delícia Russa

Os que me conhecem sabem de minha paixão pela gastronomia em especial aquela trabalhada e requintada. Em minhas viagens, sempre procuro fazer uma ou mais visitas à restaurantes especiais.

O Palkin em São Petersburgo, na Rússia, que conheci em minha última viagem, é um dos que merece menção. Dificílimo encontrar um local tão marcante. Apresenta tudo que se espera de um grande restaurante. O ambiente é simplesmente extraordinário. Aberto em 1785 foi local de encontro de aristocratas, intelectuais e mesmo da realeza russa da época. Foi reaberto em 2002 deslocando um pouco um cinema que funcionou durante a época comunista. A suntuosidade do ambiente é típica dos grandes castelos russos da época da Czarina Catarina.

Mas não é somente o local que impressiona. O serviço é cinco estrelas. O atendimento é finíssimo. Todos os garçons falam inglês com perfeição. Compreendem perfeitamente o menu e sabem em detalhe cada nuance dos pratos servidos. Alia ainda ao requinte a qualidade da gastronomia. Desde a água mineral (pode-se escolher Perrier, San Pellegrino, Evian, etc.) passando pelo caviar  ao autentico filé Strogonoff a qualidade é sempre prioridade. Os pratos principais não podem ser degustados sem se provar as maravilhosas entradas como foie gras com aspargos verdes e a salada com queijo de cabra (minha predileta). Os melhores queijos franceses estão lá para começar o encerramento. Quanto às sobremesas? Bem, melhor olhar os dois vídeos abaixo. Uma trufa que se derrete com conhaque quente e frutas silvestres flambadas no Calvados merecem ser vistas dado o requinte do preparo. Recomendo fortemente. Está no nível dos grandes monumentos que permeiam São Petersburgo.  






quarta-feira, 9 de junho de 2010

A Rússia, Os Russos(as): Percepções


Além da história representada pelo Hermitage, como descrevi no texto anterior.  Vale a pena mencionar a igreja do Sangue Derramado que é um dos cartões postais da cidade. Vejam-na abaixo no fundo de minha foto. Tem esse nome por ter sido construída, no século XIX, em homenagem ao czar Alexander II, exatamente no local onde seu sangue foi derramado quando do atentado que lhe tirou a vida. Demorou cerca de trinta anos para ficar pronta e tem seu interior completamente construído por mosaicos extraordinários.



Outras curiosidades e impressões que me marcaram na primeira visita à Rússia. A primeira coisa é a escrita com símbolos diferentes. O único local que havia visitado e que tinha símbolos diferentes do alfabeto romano tinha sido a Grécia. No entanto, mesmo lá, era fácil encontrar traduções. Ainda por cima,  alfabeto grego não é tão desconhecido, em particular daqueles que gostam de matemática. Aqui em São Petersburgo tudo é em cirílico e somente alguns restaurantes e pontos turísticos também usam o alfabeto romano. Tive que dar uma estudada para não me sentir tão deslocado. Considerando que a cidade é repleta de outdoors, não ter a menor idéia do que eles se referem é desagradável. Como o tempo vamos nos acostumando. Vejam na foto abaixo como se escreve Restaurante. Fácil não ? Basta perceber que O P é nosso R e o C é nosso S. O resto é similar e vai por dedução.


Uma curiosidade que me chamou a atenção foi o fato das mulheres russas andarem de mãos e braços dados. Não que isso indique uma particular orientação sexual. É um hábito mesmo. A dupla de mulheres de braços entrelaçados é a imagem mais comum nas ruas. Até porque não dá para não notar nas Russas. São altas, louras, bonitas, maquiadas e vestem-se agressivamente (sapatos super altos, saias muito curtas e que beiram à extravagância). Outdoors com mulheres bonitas e as vezes de biquíni fizeram-me lembrar do Brasil. Não se vê isso na Finlândia, por exemplo. E olha que o inverno russo é tão cruel quanto o Finlandês.

Por fim, o sol da meia noite não podia deixar de ser observado. Não cheguei a vê-lo, mas foi quase. Ontem o sol se pôs 11:35 da noite. O dia todo é claro, pois ele se levanta por voltas das 3 da manhã. Vejam-no abaixo quando estava no avião. Esse fenômeno faz com que o frio seja bem menos intenso e desfrutar da noite é um prazer incomparável. A sensação de segurança, mesmo com as notícias de roubos e violência da máfia russa, é grande, pois há muita gente andando nas ruas. Muitas lojas só fecham as portas meia-noite. Aliás, os russos (pelo menos os de São Petersburgo) demonstram ter se adaptado muito bem ao capitalismo. O comércio é forte, diverso, rico e bem movimentado. O turismo é também bem intenso. Gente de toda parte do mundo. 

terça-feira, 8 de junho de 2010

São Petersburgo

Minha expectativa ao visitar a Rússia pela primeira vez era alta. Muitos haviam dito que São Petersburgo era muito bonita. Aproveitei a vinda a Helsinki para dar um pulinho aqui.

É realmente extraordinária. Belíssima! Uma cidade enorme, espaçosa e cheia de história. As igrejas e monumentos são lindíssimos. Todos remontam à era pré-comunismo. Tal fato salta aos olhos e nos leva naturalmente à pergunta: o que foi que o comunismo deixou de herança? Ao se visitar São Petersburgo tem-se a impressão que os quase noventa anos de dominação bolchevique foram como uma parada no tempo. Pós-comunismo, a cidade voltou a viver. Só falta os Romanov assumirem de novo.

Escreverei sobre algumas curiosidades que encontrei por aqui, mas de tudo, o que mais me impressionou foi o  Museu Hermitage. Um dos maiores museus do mundo (o maior acervo de pinturas) é realmente impactante. O prédio é grandioso (veja a entrada principal na foto acima) e algumas de suas salas per si já são uma obra de arte. A galeria das obras de pintores do Século XVIII e XIX é demais. Vê-se Picasso, Derain, Gauguin, Van Gogh, Cézanne, Matisse, Delacroix, Renoir e outros vários,  sala após sala. Sem contar a existência de esculturas de Rodin entre elas para dar o acabamento. Obras de Leonardo da Vinci e Boticelli são o carro-chefe no andar de obras do Renascimento. Tem mais, muito mais. Gasta-se um dia fácil, fácil. Uma aula de história da arte (cansativo, é verdade!). Permite comparações que auxiliam na identificação de estilos, temas e épocas.  

Por fim, acho interessantíssimo como os museus nos dão também indicações de espólios pós-guerras. Os alemães se ressentem que algumas das obras de pintores impressionistas foram levadas pelo exército Russo e que hoje estão presentes no Hermitage. Para quem viu o museu de Berlim com toda a riqueza egípcia “importada”só pode pensar: “ladrão que rouba ladrão ...”