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quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Ainda Sem Cansaço, Embora Não Descansado!

Um comentário da Kenia sobre a campanha “cansei“ da OAB-SP e de meu texto sobre fazer a coisa certa me faz revisitar o tema (clique aqui para ver o comentário). Adorei as sugestões que ela fez e queria de antemão solicitar aos leitores deste blog que pensem em slogans que apelem por essa cultura cidadã que tenho falado. Muito se tem falado sobre cidadania no Brasil. Entendo que cidadania requer acima de tudo uma postura participativa e pró-ativa. Não se trata somente de criticar. Há que contribuir, agir. Daí meu slogan “Faça a coisa certa”. Kenia está vivendo na Bélgica e assim tendo a oportunidade ímpar de conviver com pessoas que cultivam um singelo sentimento de ser um cidadão ativo, respeitoso e zeloso com as coisas comuns e com a comunidade em geral (como é a maioria dos europeus). Sempre que converso com pessoas que tiveram a experiência de viver em países mais desenvolvidos, escuto o quanto essa postura chama a atenção e o quanto isso é invejado. Perguntam sempre: o que nos impede de sermos iguais a eles? Engraçado o quanto essa situação é parecida com a postura que a religiões pedem a seus fiéis. As religiões normalmente solicitam que seus fiéis pratiquem a bondade, a caridade, a solidariedade e o amor, sem pensar em retribuição (muitas vezes sob o argumento de que esta retribuição só virá em um outro mundo, vida, dimensão ou reencarnação!). Pois bem. Uma cultura cidadã ativa e participativa requer o mesmo desprendimento. Talvez nem precisemos esperar tanto para ser retribuídos.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Paredes Digitais na Finlândia

A Finlândia é um dos exemplos mais impressionantes de como um país pode se transformar. Em pouco tempo (até 1917 ela era da Rússia) tornou-se um dos maiores exportadores de tecnologia do mundo. Hoje em dia os finlandeses estão entre os primeiros colocados entre qualquer pesquisa que avalie o nível de inclusão digital da sociedade. Para se ter uma idéia disso, o número de telefones celulares na Finlândia é de aproximadamente 5,3 milhões para uma população de aproximadamente 5,3 milhões de habitantes! Acho que o governo tem a dura tarefa de procurar alguém que não tenha celular para fazer uma doação e não deixar o percentual de 100% cair! A empresa finlandesa Nokia de telefonia celular e de equipamentos móveis de computação simboliza todo esse avanço. Ela está espalhada em todos os cantos do planeta sendo hoje a maior empresa de telecomunicação do mundo. Vejam, no vídeo abaixo, outro exemplo deste avanço dos finlandeses. O projeto City Wall (Muro da Cidade) tem por objetivo divulgar eventos como concertos, jogos esportivos, feiras que acontecem na capital Helsinki. Trata-se de uma grande tela de aproximadamente 2 metros de largura que permite a interação gestual tipo a que já mostrei neste blog em texto e vídeo sobre o surface (clique aqui para acessar). Além dos mecanismos usuais de interação gestual que permitem zoom e interação com duas mão ao mesmo tempo, achei interessante o teclado virtual que permite a escrita de textos e o pincel que permite realizar desenhos. Outra novidade é que quem quiser pode enviar fotos e vídeos por email (post@citywall.org) ou pelo flickr ou pelo youtube (com tags “Helsink”) para serem postadas no City Wall.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Fórum Estadual de Segurança Pública

Hoje será a abertura do I Fórum de Segurança Pública do Estado do Ceará no Centro de Convenções. Organizado pelo Conselho Estadual de Segurança e Governo do Estado, ele visa trazer a sociedade civil para debater sobre Segurança Pública. O evento é aberto ao público e espera-se uma participação ativa dos mais diversos setores sociais. A iniciativa é louvável e merecedora de provocar esperança no cidadão cearense. Tenho dito em textos anteriores (clique aqui e aqui para ver alguns deles) que Segurança Pública não é só um problema de polícia. Ele é acima de tudo um problema político e social. A compreensão dos problemas que passa o setor e a busca de soluções requer esforços integrados e o Conselho Estadual por sua composição diversificada é um excelente veículo para que estes esforços sejam potencializados. Estarei participando de três painéis. No painel Prevenção e Repressão a Criminalidade ( terça-feira, dia 14, a partir da 8:00hs), estarei com o Cel. Reformado da Polícia Militar de São Paulo e um dos maiores especialistas em Segurança Pública do País, José Vicente Silva, Cel. José Vicente e com o promotor José Francisco de Lima Filho titular da 2ª promotoria de Justiça e Meio Ambiente. No mesmo dia à tarde darei uma palestra sobre “tecnologia para Segurança Pública” em um painel onde terei a honra de ter a companhia de outros colegas pesquisadores da UNIFOR na área de tecnologia. A participação dos professores Tarcisio Pequeno, Raimir Holanda e Roberto Macedo indicam o quanto a UNIFOR estará presente no debate do Fórum. No painel sobre Mapeamento Criminal para redução da criminalidade (quarta-feira dia 15 a partir das 8:00hs) estarei participando com o pesquisador Bráulio Figueiredo do CRISP (Centro de Estudos de Segurança Pública de Minas Gerais) um dos mais importantes institutos de sociologia e criminologia do país e novamente com o Cel. José Vicente. A programação completa do Fórum pode ser vista clicando aqui . Participem e busquem formas de serem escutados.

domingo, 12 de agosto de 2007

Dia dos Pais

Neste dia dos pais, novamente YouTube me ajuda a homenagear Seu Furtado (clique aqui para ver a outra homenagem onde João Gilberto canta Noel Rosa). Desta vez, achei um documentário sobre Orlando Silva (1915-1978) feito nos anos 60 pela Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro . São três filmes que mostram-nos um Brasil e em particular o Rio de Janeiro bem delicado e diferente dos dias de hoje. Aliás, há um momento no vídeo 2 que descreve sua visita em 1945 a Fortaleza onde ele ficou hospedado no hotel Excelsior em frente a Praça do Ferreira e que ele mesmo relata a multidão que o acompanhava desde o aeroporto e durante toda sua estada.
Vídeo 1

Vídeo 2

Vídeo 3

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Indústria de Multas: Fatos e Discursos

Quando a administração municipal de Fortaleza, no começo de sua gestão, decidiu retirar todos os aparelhos de foto-sensores da cidade achei estranho. Não tinha conseguido entender a razão de tal atitude, mas como, quando em oposição o PT criticou duramente o que chamou de indústria das multas, achei coerente a medida (muito embora poderia supor que no fundo houvesse uma espécie de ranço contra a administração anterior). Depois de certo tempo, começaram a aparecer nos jornais notícias de que essa mesma administração tinha decidido recolocar os tais aparelhos, pois o número de acidentes tinha aumentado. Fiquei estarrecido com o que considero um absurdo. Quer dizer que a própria administração municipal havia tomado uma medida que provocava o aumento de acidentes? E ninguém disse nada! Não seria questão de responsabilizar a administração municipal por tal imperícia? Precisava tirar os foto-sensores para perceber que eles serviam para reduzir o número de acidentes? As administrações anteriores que tomaram a medida de colocar tais aparelhos não sabiam que eles serviam para reduzir os acidentes? A administração municipal preferiu desconsiderar isso a custas de acidentes que provocou. Tal situação caracteriza um flagrante exemplo de pouca continuidade nas ações de governo. Agora uma nova geração de foto-sensores voltou a ser implantada. Os foto-sensores que foram colocados em semáforos pela administração estadual pelo DERT, além de verificarem se os veículos passam no sinal vermelho e param em faixa, também medem a velocidade dos veículos. Descobri isso da forma mais desagradável. Fui multado, pois ao conduzir a 60 km/h na Washington Soares, tive que acelerar para passar o semáforo que estava amarelo. Passei o cruzamento com 63km/h! Se mantivesse a velocidade passaria no sinal vermelho, multa. Se acelerasse, como fiz, multa. Se tivesse parado na faixa, multa. Maravilha de processo educativo. Se isso não é indústria da multa, não sei o que é.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Por Dentro da Google

Em textos anteriores falei sobre a Google e de meu sentimento quando fui conhecê-la (clique aqui para acessar o texto). Vejam esta reportagem da CNN para ter uma idéia como as coisas são lá dentro do campus que é chamado de Googleplex. A novidade desde meu último texto é o enorme investimento em energia alternativa, em particular, em painéis solares para geração de energia. Os patinetes são elétricos e se os funcionários quiserem comprar carros elétricos, eles podem carregar as baterias dos carros em locais destinados a tal fim.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

O Estereótipo Informático Que Afugenta as Mulheres

Como já mencionei em textos anteriores, boa parte dos países ocidentais passa atualmente por um fenômeno de falta de profissionais em informática. Em particular, quero focar em um aspecto que considero ser um dos fatores indicativos dessa carência: o pouco interesse das mulheres em seguir a carreira de informática. Recentemente li um artigo no Jornal francês mensal Le Monde Diplomatique que discorria exatamente sobre esse assunto no contexto francês. Os sintomas e diagnósticos por aquelas terras são bem similares ao que passamos aqui. O artigo foi escrito pela pesquisadora em educação da Universidade de Paris-X (Nanterre), Isabelle Collet, que escreveu o livro “L´informatique a-t-elle um sexe? Hackers, Myths et Realités – A informática tem um sexo? Hackers, Mitos e realidades”. A autora rejeita uma explicação superficial de que as mulheres gostam de humanas e os homes de exatas e assim busca compreender mais profundamente os porquês desta realidade. Ela decidiu olhar para o problema pela ótica das razões que fizeram, depois dos anos 80, os homens ficarem muito mais apaixonados pela informática. Em resumo, ela observou que a microinformática e depois a internet ajudaram a criar um estereótipo do hacker, não somente no sentido de pirata de software, mas daquele profissional que se encastela no computador desenvolvendo programas e fica meio alienado. Essa imagem não casa com o perfil feminino o que as leva a ignorar a possibilidade de seguir a profissão. Ela observa ainda que o mais surpreendente é que mesmo com o uso das ferramentas da web 2.0 que privilegiam interação e redes sociais, com as quais as mulheres se identificam fortemente, este estereótipo persistiu. No entanto, ele não é representativo da realidade da profissão. Estima-se que somente trinta por cento dos profissionais de informática sejam programadores e ainda assim programadores, tipo hackers, não são a maioria e tão pouco privilegiados pelo mercado de trabalho. Trata-se de uma imagem mística, meio heróica e que seduz a alguns (mas não as mulheres). Em uma pesquisa realizada entre estudantes franceses universitários dois terços das mulheres disseram não saber o que é o trabalho de um informático(a). Perguntado sobre se escolheriam Informática por profissão, responderam em grande parte que “ ... não me vejo passar toda a jornada de trabalho falando de RAM, circuitos e de máquinas. Prefiro me ocupar com gente”. E o que é pior, muitas disseram que a informática não lhes interessa de forma alguma, sem nem mesmo saber precisar a razão (Isabelle Coiret acredita que elas não se interessam por uma profissão em que as pessoas que lá estão não são parecidas com elas. Já seria assim o efeito de uma conseqüência). Na verdade a Informática está longe de ser uma profissão onde as tarefas individuais e repetitivas prevalecem. Há muito espaço para trabalho em equipe, multidisciplinar e que impõe desafios e renovações constantes. A solução seria buscar reduzir os efeitos deletérios do estereotipo do hacker e fornecer maiores informações da variedade de atividades que pode ter um profissional de informática. Há inclusive ainda outras características que poderiam ser atrativas às mulheres. O trabalho é desenvolvido em ambientes agradáveis, limpos, não exige força física e pode, de mais em mais, ser realizado em casa. Acredito que as análises no contexto francês podem servir de insumo para o governo brasileiro em todos os seus níveis. A questão da falta de profissionais em um setor tão dinâmico como a Informática é estratégico para o País. Não se pode imaginar que há como participar desta batalha sem a contribuição feminina.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Cansei de “Canseis”: Contra a Indignação Inoperante

Provocado por um comentário anônimo (clique aqui para ver o comentário) sobre minha suposta postura light e sobre minha posição quanto a campanha “cansei”, venho refletir sobre ambos. Primeiro, quero dizer que não estou cansado de nada, muito menos do blog. Aliás, a iniciativa deste blog foi uma das mais corretas decisões que tomei nos últimos anos. Evidentemente os textos que escrevo refletem meu estado de espírito e que naturalmente varia. Reconheço ainda que a capacidade de crítica e de indignação é uma característica bem marcante de minha personalidade e assumo as conseqüências positivas e negativas de tê-la assim. Se por um lado ela me permite identificar oportunidades, acusar problemas e quebrar paradigmas, por outro lado ela me faz incompreendido, indesejável e muitas vezes de ser tachado de chato. Ou seja, minhas variações de humor tendem a acontecer em função deste constante processo de busca por equilíbrio (que espero não atingir, pois significaria a morte!). Se estou, a luz de alguns, um pouco mais light, creio que se trata de um mero reflexo momentâneo deste processo. Deixando as reflexões intimistas de lado, vamos à questão da minha postura mais contundente quanto aos problemas da realidade brasileira. Um dos princípios que regem minhas posições é de que nosso problema enquanto país, só será resolvido por nossa mudança de conduta. Não acredito que a solução esteja em campanhas de indignação como o “cansei”, “não a violência” e outras mais. Tenho dito isso em textos passados (clique aqui, aqui , aqui e aqui ). A campanha da OAB intitulada “cansei” (clique aqui para saber da campanha ) me parece mais um exemplo de campanha de indignação imobilizante que traz mais prejuízo do que benefício. Estamos fazendo crescer o sentimento de que esse país não tem jeito e que nada pode ser feito. Me isento aqui do debate político-partidário que passaram a dar para essa campanha. Acho mesmo é que temos um erro conceitual enquanto sociedade: nossa eterna capacidade de sempre colocar a culpa em alguém. Não há nenhuma campanha que busque alertar que precisamos fazer, nós mesmos, a coisa certa. Quanto mais colocamos culpa nos outros, mais nos sentimos confortáveis em justificar os nossos erros. Cria-se um ambiente perfeito para a racionalização com raciocínios do tipo “Como os políticos são ladrões, não pago imposto”, etc. Não quero dizer com isso que não devamos nos indignar com o que estamos vivenciando, mas não creio que seja somente a indignação que esteja ao nosso alcance. Aliás, soube que a OAB-SP tinha se preocupado para que a campanha cansei fosse diferente (até aqui estava otimista!). Eles decidiram coletar um conjunto de sugestões para serem entregues aos governos, congresso, etc. (aí perdi o otimismo! Lá estamos nós achando um responsável por resolver todos os problemas). Já disse e repito, nossos políticos, dirigentes, governantes são uma representação fiel do que somos. São uma amostragem mais do que representativa. Não há como esperar diferentemente. Eles são como nós, refletem o que somos, e quando os mudamos, os novos são novamente como nós e refletem de novo o que somos e assim sucessivamente. O ponto principal é como quebrar o ciclo e minha posição é de que só o quebramos mudando a nós mesmos. Eu sei que posso ser acusado de ter um discurso meramente retórico com baixa possibilidade de ser implementado. No entanto, sou otimista. Creio que se começarmos a olhar a realidade sob essa perspectiva e passarmos a investir nossa energia mobilizadora nessa direção, as mudanças acontecerão de uma forma surpreendente. Acho o “Faça a Coisa Certa” é um slogan muito mais positivo para o Brasil.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Um Pouco Mais do Maestro Morricone

Já escrevi sobre minha admiração pela obra de Ennio Morricone (clique aqui para ler e escutar o que já tinha postado). Aproveitando um comentário de Jefferson sobre a "trilogia do Dólar", posto abaixo outra de suas magistrais composições. Novamente de um filme clássico e com uma música que estará para sempre na mente dos amantes dos clássicos do farwest ou western spaghetti. O filme The Good, The Bad and The Ugly, direção de Sergio Leone, que no Brasil recebeu a tradução “Três Homens em Conflito” com Clint Eastwood em começo de carreira. Trata-se de um dos filmes que compõem a trilogia que ainda tem "Por um punhado de dolares" e "Por uns dolares a mais". Novamente podemos ver Morricone na regência. A gradativa força que a performance da orquestra ganha com o coral é o ponto alto desta interpretação. Imperdível.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Ainda Sobre a Classificação Indicativa de Programas Televisivos

Leiam este trecho do texto escrito por Gustavo Gindre no excelente site Observatório da Imprensa.
“ ... os jornais se contentam em entrevistar artistas e diretores famosos (a maior parte composta por empregados da TV Globo) que afirmam que a classificação etária seria censura. Segundo essa posição, o Estado não teria o direito de cobrar que um concessionário de serviço público tenha preocupação com a formação de nossa infância e adolescência. Por essa versão dos fatos, alterar a exibição de um programa de televisão, baseado na quantidade de cenas de sexo e violência (sem impedir a sua exibição em outro horário), seria censura.” Vejam o esclarecedor texto cliquando aqui.
Como tenho insistentemente dito. O real debate sobre mídia e censura só pode ser feito na Internet. Os grandes grupos de comunicação não permitem outramente.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Relaxogozismo e Propaganda da Peugeot

Li no Kibe Loco que O Globo noticiou que essa propaganda da Peugeot não foi ao ar por pressão do governo federal. Não quero entrar no mérito e nem discutir a veracidade da notícia. De qualquer forma, acho que ela comporta um risco para a montadora francesa. Depois das tragédias da GOL e da TAM, o assunto já se tornou triste demais. Mas que o brasileiro faz piada com tudo, faz! Serve ainda para perceber que o relaxogozismo ainda tem muito a produzir.

terça-feira, 31 de julho de 2007

A Cultura do Compartilhamento Através de Avaliações Coletivas

Outro exemplo da emergência da cultura do compartilhamento é o crescente aparecimento de avaliações de produtos e serviços na Web. Nos Estados Unidos isso já está totalmente consolidado. As pessoas ao irem a um cinema, hotel, comprarem um produto em uma loja, enfim em qualquer ação de consumo realizando um serviço ou comprando um bem, vão a Web e fazem uma avaliação deste serviço ou produto. É incrível como isso proliferou. Já faz parte do hábito do consumidor americano ler as avaliações (em inglês, chama-se review que ao pé da letra seria revisões em português). O mais interessante e que caracteriza perfeitamente a cultura do compartilhamento é que as pessoas fazem isso por puro voluntarismo, movidas pelo interesse de compartilhar com os outros suas experiências e opiniões. Por se tratar de avaliações feitas por pessoas que vivenciaram o serviço ou experimentaram um produto, elas ganham credibilidade mesmo que não sejam realizadas por especialistas. Isso não significa dizer que não existam avaliações de especialistas. Na verdade, identifiquei dois tipos de avaliações. Há sites especializados que realizam avaliações técnicas por especialistas, normalmente de produtos como o site CNET onde especialistas em eletrônica e computação fazem avaliações de produtos eletrônicos. Por outro lado, há os sites de prestação de serviço como as agencias de viagens que proporcionam espaço para os clientes avaliarem os produtos que lhes foram fornecidos. A livraria virtual Amazon possui um espaço para avaliações de livros feitas pelos leitores. Na minha estada em Stanford tive a oportunidade de assistir uma palestra do vice-presidente de pesquisa da Yahoo que disse que o futuro da web estará ligado a uma maior exploração dessa enorme base de avaliações que esta disponível atualmente e que cresce sem cessar. A idéia é que seja possível automaticamente aferir uma reputação ao produto ou serviço através das avaliações disponíveis. Cabe aqui novamente reforçar as recomendações de livros que discorrem sobre esse fenômeno: The Wisdom of Crowds (A Sabedoria das Massas) que está sugerido na coluna ao lado e Wikinomics (clique aqui para saber mais sobre o livro).

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Qualificando a Marca dos Países

Estive lendo o relatório da Simon Anholt chamado Nation Brand Index (NBI) que descreve o estudo feito sobre o quanto vale a marca de um país. Periodicamente o NBI mede a percepção das pessoas quanto às características dos outros países segundo seis diferentes ângulos: investimento e imigração, cultura, exportação, povo, governança e turismo. A perspectiva do investimento e imigração, visa medir o quão inclinadas a migrar ou investir no país as pessoas são. A dimensão cultural é medida pela percepção que as pessoas têm das músicas, artes, filmes e esportes. Em relação ao ângulo das exportações, os entrevistados são perguntados sobre o quão suscetíveis eles são para comprar produtos advindos de um certo país. A dimensão das pessoas é medida através da sensação de amizade, não preconceito e competência das pessoas do país avaliado. A dimensão governança é medida por critérios como o quanto os governos são democráticos, não corruptos e buscam a paz e a segurança mundial. Por fim o aspecto do turismo permite avaliar as belezas naturais e histórico-culturais do país. Surpreendentemente o país mais bem colocado é o Reino Unido. Entre os dez primeiros colocados sete são países da Europa ocidental (Canadá, Austrália e Japão são as exceções). Os Estados Unidos ocupam a 11ª posição e o Brasil a 19ª. O Brasil sai-se muito bem nos critérios “soft” como cultura, povo e turismo. No entanto, as pessoas não conseguem associar qualidade a produtos e serviços feitos no Brasil. Em particular, o critério relativo à imigração e investimento, é o que mais acredito ser representativo. Mesmo tendo uma avaliação super positiva do povo e da cultura do país, quando perguntados sobre se quereriam morar e trabalhar no País, o Brasil não é dos mais cotados. Ou seja, as pessoas têm uma visão positiva do País, mas acham que é só para passear, não para viver e trabalhar. Isso certamente tem reflexos nas decisões de investimento de estrangeiros no Brasil. Dinamarca e Holanda são os países que mais crescem nesse critério. O relatório completo pode ser obtido no site da Simon Anholt clicando aqui.

sábado, 28 de julho de 2007

Mastercard na Espanha

Divertidíssimo essa que o blog kibe loco (www.kibeloco.com.br) pegou. Uma propaganda espanhola da Mastercard em que uma caipirinha custa R$ 32,00. Isso mesmo trinta e dois! A turma não deixou passar essa e emendou: “vender caipirinha de R$ 32,00 para gringo, decididamente, não tem preço”.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Comprando Pizza no Futuro

Este vídeo que achei no YouTube é representativo de uma corrente de pessoas que está começando uma batalha para o uso politicamente correto da Web. Uma das coisas que mais preocupa as pessoas é a questão da privacidade. Dados pessoais estão disponíveis em diversos sites e cada vez mais tecnologias como a Web Semântica (clique aqui e aqui para acessar textos sobre isso) vão permitir a integração automática desses dados. O vídeo abaixo, em inglês, comporta uma crítica irônica de como a tecnologia vai avançar. Um simples sistema de uma pizzaria possuirá tanta informação sobre as pessoas que um cenário amedrontador pode ser vislumbrado. No vídeo, o diálogo da atendente com um solicitante é divertido, pois a atendente conhece todos os hábitos de consumo do solicitante. Quando o solicitante pede uma pizza de carne, a atendente diz que ao preço deve ser adicionada uma taxa e que o cliente tem que assinar um termo isenta a pizza de qualquer responsabilidade. Tudo isso porque como a pizza é de carne e o solicitante tem colesterol alto e hipertensão (descoberto automaticamente), a pizza poderá provocar danos a saúde (na tela aparecem os problemas de saúde do cliente como impotência e eczema). A atendente sabe os livros que o cliente comprou, sabe das passagens aéreas compradas para ir ao Hawaii, e até dos itens comprados no supermercado (inclusive 48 camisinhas). Vale a pena conferir.