Siga-me no Twitter em @vascofurtado
Mostrando postagens com marcador Fortaleza. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fortaleza. Mostrar todas as postagens

domingo, 30 de junho de 2013

A Beleza de Fortaleza


Em Maio de 2007, recém-chegado do pós-doutorado em que passei pouco mais de um ano na Califórnia, escrevi sobre a Beira-mar.
Na época descrevi meu sentimento quando passeei pelas calçadas e percebi todo o calor humano e diversidade lá presentes. Aqui decido voltar sobre a questão, porque vi alguns comentários de turistas que vieram a Fortaleza e disseram não achar a cidade bela. Diziam não ter visto nada de especial.

Lembrei-me de quando cheguei em Marseille na França, cidade que morei por quatro anos. A primeira impressão quando lá cheguei foi a de achar a cidade feia. Era minha primeira ida a Europa e esperava aquelas coisinhas lindas bem ajeitada, tipo Suíça. Marseille não tinha(e não tem nada disso). É um caos só. Multiarquitetura, multicultural, multilépoca J).  Só compreendi a beleza da cidade depois de algum tempo. E vi que a França não tem tantas cidades como Marseille.

Acho que Fortaleza, embora muito diferente de Marseille, é uma cidade dessas que não dá para perceber a beleza em um primeiro momento como Rio, Paris e outras onde as beleza natural aflora. Ela tem que ser vivida e sentida. E a Beira-mar (incluindo a Praia de Iracema) é para mim o local a se sentir.

Sempre que lá passeio, vejo uma representação de classes, de culturas e de valores incríveis. Difícil encontrar um espaço amplo, cheio de atrações, como muita gente e eclético como a Beira-mar. A proximidade com a zona hoteleira e restaurantes é riquíssima. Durante a Copa das Confederações adorei ainda mais passear na Beira-mar. A mistura de gente tornou-se ainda mais eclética.

Lembro que tudo isso é ainda temperado pelo cearense com seu condimento especial: o bom humor.  Há sempre um vendedor exótico fazendo alguma graça (com a própria desgraça ou zombando da cara do próprio comprador (pode algo ser mais politicamente incorreto)).

Seria muito pobre reduzir a beleza de Fortaleza à noite da Beira-mar? Talvez, mas se os turistas a vivenciarem  vão começar a perceber uma  beleza que vale o ticket. 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Trânsito: gentilezas e responsabilidades


Essa semana depois de uma cansativa jornada de trabalho, ao voltar da UNIFOR por volta de onze da noite, vi-me em um engarrafamento na Av. Washington Soares logo após o viaduto que leva ao Iguatemi. Meu carro estava perigosamente mal posicionado logo no começo da descida do viaduto. Só soube, no entanto, o quanto aquilo era perigoso quando refiz-me do tremendo impacto que senti provocado por um carro que entrou direto na traseira do meu.

A desagradável sensação se prolongou até conseguir sair do carro (precisei encontrar meus óculos primeiro) e olhar o estrago do ocorrido. O carro que colidiu em mim estava num estado lastimável e temi pela sorte de seu condutor. Ao ver a jovem condutora saindo do carro, percebi seu espanto e só lhe perguntei se estava bem e sã. À parte algumas contusões ela estava bem. Fomos conversando, tentando entender o que acontecera e buscando explicações. Acidentes acontecem, foi só que pude dizer.

Seus pais vieram ajuda-la e logo tínhamos todos nos postos de acordo a como proceder. Nada de arroubos, muita cortesia e compreensão. Acabei tendo uma leve sensação de felicidade, se é que pode-se dizer que se fica contente de estar envolvido em circunstância de tal natureza, mas o fato de não haver vítimas e a forma educada, cortês e civilizada de todos deixou-me feliz. Bom saber que existe gente cordata no mundo. Pessoas que sabem reconhecer quando erram, que sabem pedir desculpas e assumem suas responsabilidades. Diferente da ainda grande quantidade de situações que ainda vivenciamos em nossas ruas de pessoas que agem errado e ainda assim consideram-se com a razão.

No fim de semana, ao passar novamente pela região, percebi que o acidente não ocorrera exclusivamente pelo descuido da condutora. A sinalização e engenharia do trânsito do local favorecem acidentes. Como é possível dobrar a esquerda logo após a saída do viaduto, engarrafamentos na área são frequentes e se terminarem no início da descida do viaduto vão provocar mais acidentes. A curva do viaduto tem um ponto cego e a percepção de um carro parado logo à frente é sempre uma grande surpresa levando a frenagens bruscas e derrapagens. Seria bom a prefeitura assumir suas responsabilidade na área, cordialidades à parte, ninguém merece experimentar acidentes, que podem ser bem mais danosos a todos.

* Artigo publicado na coluna Opinião do Jornal O Povo de hoje

segunda-feira, 23 de julho de 2012

A Marginalidade na Greve


As últimas grandes greves vivenciadas pelos cidadãos fortalezenses têm sido marcadas por atos de completo desrespeito a esses próprios cidadãos. Desde policiais, passando por trabalhadores da construção civil a motoristas de ônibus, todos têm recorrido a ações violentas que indicam uma tendência perigosíssima e, por outro lado, uma fragilidade latente do Estado constituído.

O desrespeito dos grevistas é visto a todo momento. Se apossam de bens que não são seus, os depredam às vezes e o que é pior, quando podem, os usam contra a sociedade. Na última greve dos motoristas, eu mesmo vi grevistas que usaram ônibus para retardar e prejudicar o trânsito. Estacionavam nas próprias ruas ou os conduziam em marcha lenta com o intuito de prejudicar os outros. Um abuso inaceitável. Trabalhadores da construção civil depredam bens privados, agridem jornalistas e também dificultam o direito de ir e vir dos cidadãos.

Contra isso, o que faz o poder público? Um poder público que, para ter que combater os abusos, deve ter que recorrer a suas forças de segurança que por sua vez, além de experimentarem suas greves, as fazem utilizando estratégias não menos reprováveis.  Não surpreende ver que o resultado é uma completa omissão.

A cidade torna-se refém e só nos resta apelar para o bom-senso dos grevistas. Bom senso que não parece estar em fácil acesso, uma vez que as ações grevistas são terceirizadas como mostra a entrada do MST “dando apoio” aos companheiros em greve
Esse apoio na logística, na metodologia e nos recursos humanos tem também introduzido um componente de guerrilha que é absolutamente inaceitável no Estado de direito democrático. É bom dar um basta enquanto está no começo. 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Francês Nóis Sabe


Cansei de ir aos restaurantes requintados de Fortaleza e ver erros grosseiros nos cardápios. Não entendo como TODOS, digo sem medo de errar, todos os restaurantes finos de Fortaleza não se preocupam com o que está escrito em seus cardápios. 

Em alguns deles, onde já tenho certa intimidade com maitres, sugeri correções. Em particular, os restaurantes com inspiração na gastronomia francesa apresentam barbaridades como as que mostro abaixo. Não vou dizer o nome do restaurante porque, como disse previamente, não creio ser um problema de um único local. Mas vejam que até filé mignon está escrito errado. 

Interessante é que esse critério é claramente desprezado. Os restaurantes tem ótimo aspecto, boa comida e preços altíssimos. Não sabem o quanto isso pega mal. 



sábado, 19 de maio de 2012

As Belas Calçadas de Fortaleza (Cont)


Volto ao tema das belas calçadas de Fortaleza. Comecei a discorrer sobre o mesmo semanas atrás, depois de ter lido uma matéria do jornal O Povo sobre uma pesquisa feita pelo Mobilize Brasil. Nela algumas  calçadas de Fortaleza são consideradas pelos entrevistados como as melhores do Brasil.

A pesquisa foi feita por uma OSCIP(Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), fundada em 2003, e que atua nas áreas de educação, cultura e cidadania, chamada Associação Abaporu, organização sem fins lucrativos que lançou o projeto Mobilize Brasil. Não pude conseguir maiores detalhes sobre a OSCIP.

Concluir que Fortaleza tem as melhores calçadas do País é um contra-senso tão grande que logo a notícia virou piada nas redes sociais. Achei que a estória ia parar por aí mesmo, mas quando li o artigo da prefeita Luizianne Lins se vangloriando das calçadas da cidade e usando a pesquisa em questão, decidi escrever ao portal Mobilize Brasil para pedir maiores informações. Passados 15 dias, as respostas não vieram. Estimo que não virão e por isso decidi escrever o que penso independentemente das mesmas.

Não se pode lançar mão de informações feitas em pesquisas de opinião sem a mínima preocupação em compreender a forma como elas foram realizadas, pois isso vai impactar nas conclusões que podem ser tiradas. Infelizmente isso não faz parte da prática jornalística da maioria da mídia cearense. Reconheço que isso dificulta sobremaneira o trabalho e muitas vezes os meandros desse mundo, por mais que questionados, não são totalmente desvendados. Mas na maioria das vezes, não se precisa de muito detalhe.

Voltemos à questão das calçadas e foquemos primeiramente em um aspecto: o da escolha de que calçada será o alvo da pesquisa de opinião com os cidadãos. Trata-se de uma variável fundamental. Uma metodologia seria pegar o total de ruas da cidade e sortear aquela a ser investigada. Isto daria uma visão mais neutra da qualidade das calçadas independentemente de qualquer critério e a deixaria livre de um “bias” (termo em inglês comumente usado para dizer que a pesquisa está viciada). Assim, supondo que Fortaleza tem em torno de 50.000 ruas, a probabilidade de escolher a Bezerra de Menezes (rua que acabou de sofrer serviços de reparação da prefeitura) seria de 1 em 50.000. Pois não é que a Bezerra foi justamente uma das ruas investigadas ! Muita sorte da prefeitura, não (azar o nosso)?

Outra variável importante é a quantidade de calçadas a serem pesquisadas. Qual o valor que pode ser considerado significativo para que, ao final da pesquisa, possa-se dizer com algum grau de certeza de que os resultados referem-se à cidade em geral? Não vou entrar em detalhes das técnicas estatísticas que podem ser usadas, mas não precisa ser especialista para perceber que uma pesquisa feita em 7 ruas não parece ser muito representativa das 50.000 que compõem o total. O mesmo tipo de raciocínio se aplica à quantidade de pessoas que responderam às perguntas, a forma como elas estavas escritas, a ordem das perguntas, etc. etc.

O mais interessante disso tudo foi o artigo da prefeita Luzianne logo em seguida o lançamento da matéria. Ela aproveitou a onda, mas foi bem mais inteligente do que poderíamos esperar. Compreensível! Ela já tinha cometido uma gafe horrível que apontei aqui quando vangloriou-se em cima de um estudo errado. Ao ler o título do artigo, cheguei a pensar, que ela iria cometer o mesmo erro de novo. Mas, não. Desta vez ela disse em seu artigo em resumo que a pesquisa feita nas calçadas que a Prefeitura tinha acabado de renovar, indicavam que a decisão tinha sido correta e que o trabalho havia sido bem feito. Disso não discordo e é a única conclusão válida que a pesquisa do Mobilize Brasil pode dar. Agora se a pesquisa não tivesse bias, ela permitiria verificar o quanto em termos percentuais da cidade esse tipo de iniciativa foi feito em 8 anos de gestão. Será que a prefeita teria motivado para se vangloriar e achar efetiva sua política de renovação urbana?

Enfim, o que devemos fazer, nós cidadãos “superinformados",  é estar muito atentos com o que nos é apresentado hoje em dia. Vivemos  na época do excesso de informação que flui a velocidade descomunal e trafega com intensidade global. Isso torna cada vez mais exigente nossa postura ao consumi-la. Por outro lado, aos meios de comunicação, espera-se ainda mais rigor nesse processo de curadoria. Será um fator decisivo para a sobrevivência dos mesmos. Afinal de contas repassar informação sem digeri-la está a um RT de todos nós.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Estamos de Parabéns?

Senti-me impelido a falar, nessa época de aniversário meu e de Fortaleza, da relação que tenho com a cidade e de um dos sentimentos que ela me desperta. Nasci aqui e embora tenha vivido cerca de 20% de minha vida fora, sempre estou de volta. Não consigo, no entanto, deixar de compara-la com os locais onde passo. O que temos de atrativo?

Cresci numa Fortaleza, não tão pacata quanto a de meus pais. Passei a explorá-la e conhecê-la por conta própria na década de 70. À época, Fortaleza estava em crescimento como eu. Parece-me que havia (e ainda há) no nosso imaginário de fortalezense, uma necessidade constante de torná-la uma grande metrópole. E assim aconteceu. Infelizmente esse crescimento se deu de forma totalmente dissociada de uma reflexão mais ampla sobre que tipo de crescimento deveríamos ter.

Uma das poucas coisas que, nos últimos quarenta anos, se aproxima de um planejamento a longo prazo para a cidade foi a unanimidade em torno de nossa vocação ao turismo. Uma ideia que independeu de partido político no poder, mas que aqui também parece se desenvolver de forma desfocada, sem a completa percepção do que realmente devemos fazer para sermos atrativos.

Não me parece que percebemos que o mundo hoje quer ardorosamente consumir cultura (em sentido amplo que o conceito representa). Esse é o objeto de desejo dos que viajam. Querem conhecer, dentre outras coisas, arte, sabores, costumes, produtos, vegetação, gente, enfim, um ecossistema cultural que quanto mais rico mais atrativo. As pessoas querem sentir uma cidade e alimentar seus sentidos. Infelizmente, ser atrativo aos turistas por este ponto de vista requer um dever de casa que não estamos fazendo a contento: investir muito em cultura.

O pior é que não percebemos que a forma de crescimento que adotamos consegue inclusive a ser depredadora do que possuímos. Destruímos cada vez mais nossos espaços típicos, como pequenas vilas residenciais, áreas verdes urbanas e ruas rústicas de paralelepípedo. Privilegiamos os grandes empreendimentos a nossos artistas, cozinheiros e empreendedores da cultura enfraquecendo a economia criativa local. Desvalorizamos nossa história que, embora jovem, é essencial para compreendermos o que somos e porque assim estamos.

Ainda estamos tão ávidos por consumir a cultura de “fora” que deixamos a preservação e fortalecimento da nossa em segundo plano. E assim vamos crescendo.

* artigo reproduzido hoje na coluna Opinião do Jornal O Povo

terça-feira, 20 de março de 2012

Janelas e Calçadas Quebradas

Abaixo reproduzo artigo meu publicado no O Povo de hoje, coluna Opinião, que dedico a meu pai, um frequentador assíduo do centro da cidade de Fortaleza e que sofre há anos com as calçadas de lá.


Semana passada, o cientista político James Wilson, 80, autor juntamente com George Kelling de artigo em 1982 que lançou a teoria das janelas quebradas, faleceu. Impossível lembrar de Wilson e Kelling sem lembrar dos problemas urbanos verificados em Fortaleza. Em particular da questão da ocupação irregular das calçadas, fato evidenciado pelo mapa construído pelos internautas aqui no O Povo.
 Wilson e Kelling sugeriram que a ordem pública é frágil e se não se conserta a primeira janela quebrada, logo as outras também estarão quebradas. Para eles, em termos comunitários, desordem e crime são coisas que se desenvolvem como consequência um do outro. Eles enfatizaram que as janelas não são quebradas porque os cidadãos que vivem na comunidade são inerentemente, digamos quebradores-de-janela. Isso ocorre porque cria-se o sentimento de que é coisa de ninguém. Como não há quem se importe, não há custo em quebra-las (na verdade é até divertido, os jovens que o digam!). Ou seja, o negócio é não deixar o efeito dominó acontecer.
 Uma das declarações mais emblemáticas feitas por Wilson diz que “A Segurança Pública tem que proteger a comunidade tanto quanto os indivíduos. Nossos trabalhos de vitimização e estatística medem somente as perdas individuais, mas não medem as perdas coletivas.” Da mesma forma que médicos devem tratar da saúde como um todo do que simplesmente da doença específica, todos nós devemos reconhecer a importância de manter intactos comunidades sem janelas quebradas.
 Todos os casos de sucesso de políticas públicas nos EUA e mesmo fora dele, desde então, levam em contas as premissas dessa teoria. Será que conseguiríamos aplica-las aqui em Fortaleza? Para começar, seria possível ter alguma ordem nas calçadas do centro da cidade que forma que os cidadãos nelas pudessem andar? A Segurança Pública agradeceria com certeza.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

As Greves da Polícia Cearense

Impossível não comparar a greve de 1997 com a da semana passada. O Diário do Nordeste fez uma matéria lembrando o que havia ocorrido naquela época que pode ser vista aqui.
Evidentemente que a comparação deve levar em conta o contexto da época, que é totalmente diferente do atual, mas cabe-nos perguntar se aprendemos algo de lá para cá.

Eu tinha acabado de chegar da França e começava minha trajetória, que seria de quase dez anos, na SSPDC (chamava-se Secretaria de Segurança Pública e Defesa da Cidadania). Lembro-me bem como o Gen. Freire, secretário também recém-chegado, estava apreensivo. E lembro-me mais ainda como o Governador Tasso Jereissati assumiu toda a responsabilidade pelas decisões difíceis tomadas. Creio que uma diferença marcante entre as duas greves foi a postura de Tasso e de Cid.

Tasso não deixou o movimento grevista ganhar corpo. Agiu com rapidez e vigorosamente. Articulou com o Presidente Fernando Henrique Cardoso a vinda do Exército, reuniu o GATE e  responsabilizou-se por uma de suas decisões mais difíceis: partiu para o confronto com os grevistas. Arriscou demais. Teve muita sorte. Embora tenham havido feridos, algo muito pior poderia ter acontecido. De qualquer forma, no final das contas, parou o movimento e saiu fortalecido. Teve assim  mais respaldo para implantar uma nova política de Segurança centrada na integração das polícias, na modernização da gestão e na criação dos conselhos comunitários de defesa social (que fim levou essa política já foi objeto de muitos de meus textos aqui no blog).

Quinze anos depois, Cid viu-se em situação similar. Sinal de que as coisas não parecem ter melhorado muito durante todo esse tempo. Mas Cid não teve a mesma sensibilidade ou digamos, habilidade. Subestimou o movimento que ganhou proporções nunca vistas, ouso dizer, no Brasil. Adotou uma estratégia que até agora não tem uma explicação muito lógica: a estratégia do silêncio. Não pode-se dizer que foi medo como alguns querem imputar, mas não há dúvida que a omissão do Governo foi um combustível importante para que a engrenagem paredista funcionasse.

Serei acusado de pessimista se perguntar se assistiremos a episódios como esses em futuro próximo ou longíquo? 

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O Rachão da Praia dos Diários

Este texto é nostálgico. Uma nostalgia que me veio após passar pela praia dos Diários um domingo destes. A maré baixa voltou a deixar a parte da areia ampla e plana. Similar à forma que ficava em minha infância. Não sei muito bem porque, mas a praia do Diários nos últimos anos não ficava mais seca como antes.

Voltou a ficar. E com essa maré voltou um hábito típico de outrora: jogar futebol na praia. Um rachão digno de descrição. Caminhava por volta de meio-dia e não pude deixar de observar um pouco daquele espetáculo. Veio-me à mente os detalhes de quando frequentava a praia nos anos setenta. A primeira característica marcante é o número de jogadores. Não há limites. Em certos momentos parecem ser vinte de cada lado. Um exemplo interessantíssimo de um sistema aberto que se autorregula. Quer jogar? Basta entrar. A única exigência é manter o equilíbrio numérico. Entrar aos pares, por exemplo, é incentivado.

Algumas regras são bem específicas desse tipo de jogo. A bola que vai em direção ao mar, permite que seja coletada com a mão, por quem chegar primeiro. Ótima oportunidade para aliviar o intenso calor. Alguns mergulham para pegar a bola. Outros para se refrescar mesmo.

Mas não é somente as regras que valem menção. Os jogadores são personagens excêntricas. Há para todos os gostos. Lembro-me como eu, meu pai e meu tio Darlan, após participar do rachão, ficávamos a nos deliciar com as figuras exóticas que participavam religiosamente, todos os domingos, do rachão. Eu os vi novamente. Evidentemente que não se tratavam das mesmas pessoas, mas havia lá a representação eclética e anedótica que nos entretenha e fazia-nos rir. Cabelos exóticos, zagueiros ríspidos (porém leais J), craques do drible, calções démodés ou não, tudo está lá. Todas as classes sociais, etnias e idades. Um micro-sistema social belíssimo, cheio de alegria, calor humano. Quanta democracia. Uma democracia bem brasileira!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Fortaleza: Tiramos o Bode da Sala

Ao ver a euforia da torcida tricolor depois do jogo contra o CRB, não pude deixar de pensar sobre como nosso nível de satisfação é algo variado.  Para os que não estavam muito ligados à odisseia tricolor vivida no terceira divisão do campeonato brasileiro de futebol, deixem-me traduzir de forma sucinta. O time de futebol do Fortaleza estava brigando para subir para a série B, isso depois de ter caído vertiginosamente da série A para a série B e depois para a C.

Esse ano já é o segundo em que o time está na série B. A esperança de subir foi o grande motivador de todos. Torcedores, jogadores e diretores estavam convencidos de que era momento de voltar a competir nas divisões mais ricas.

A forma como se deu a manutenção do Fortaleza na série C é típica de operetas dramáticas. A campanha foi desastrosa e o time chegou a última rodada com grandes chances de cair para a série D. Não dependia mais de suas próprias forças. Precisava fazer quatro gols, o que não havia acontecido há muito tempo.

Conseguiu tal feito. Sobraram acusações de que houve acordo e esquema entre os times. No final, tudo deu certo e a alegria da torcida foi tão grande quanto a de uma grande conquista. Lembrei-me da seguinte historieta.

João e a Maria, que estão ambos desempregados, têm muitos filhos, não têm dinheiro para pagar as dívidas, encontram um consultor esperto, que lhes diz ‘ponham um bode na sala’. Eles põem, mas um mês depois têm os mesmos problemas e estão desesperados: o bode cheira mal, assusta as crianças e come os cortinados. ‘O que fazer?, perguntam o João e a Maria. E o consultor responde-lhes: tenho a solução, tirem o bode da sala». É a teoria do ganho do mal menor. 

Assim somos nós torcedores. Tiramos o bode da sala.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Os Engarrafamentos Vão Acabar. Não Me Perguntem Quando.

Àqueles como eu que estão a sofrer diariamente com a rotina dos engarrafamentos, segue a boa notícia de que há uma luz no fim do túnel. Basta para isso que os carros “conversem” entre si. Futurista? Talvez não.  A tecnologia para isso já existe.  O Departamento de Transportes Americano lançou um desafio para que apresentassem propostas inovadoras para melhorar a mobilidade urbana. Os vencedores propuseram muita conectividade para os carros de forma que sejam hábeis e ágeis para informar aos condutores sobre tudo que está a ocorrer. Todos acreditam que os engarrafamentos são mais frutos de falta de informação para tomada de decisão inteligente do que pela quantidade de carros. Não sei se pensariam isso se conhecessem Fortaleza :-))

Vejam o vídeo abaixo para ter ideia de como nos comportaremos com carros que se conectam à Web.



sábado, 25 de junho de 2011

Dom Pedrito de la Mancha

O título deste post era a forma carinhosa com que o chefe da delegação da seleção cearense de basquete infanto-juvenil, que foi ao Brasileiro de Joinville, Paulo Henrique Aguiar (vulgo Paulinho mão), chamava o nosso técnico Pedro Osvaldo, o Pedrinho. Acabei adotando a mesma expressão para saudar o professor que logo se tornou um amigo. Momentos inesquecíveis. Como treinador, dava-nos uma enorme tranquilidade. Era aquele tipo de técnico que nos deixava a vontade e que sabíamos que acreditava em nosso potencial. Como professor, nos ensinava pelo diálogo. O relacionamento carinhoso que tinha com todos era a sua maior força.  

Conheci Pedrinho por volta de 1977, pouco depois de começar a jogar basquete. Ele era treinador do Líbano. Eu jogava no Náutico. A primeira vez que tivemos um convívio mais próximo foi quando ele foi técnico da seleção cearense infanto-juvenil que foi a Joinville. Depois de lá, foram várias outras ocasiões, inclusive na seleção do colégio cearense que foi ao Maristão em Natal.

Quem de minha geração não teve o prazer de conhecê-lo. Uma pessoa afável, alegre e de fácil trato. Amante do basquete como poucos, este pequeno homem de grande coração será sempre lembrado por nós. Desde seu gesto característico de  subir as calças com os braços até suas aulas sempre entusiasmantes de basquete, Pedrinho marcou-se pela simplicidade e companheirismo. 

Quando me tornei veterano e voltei a frequentar as quadras de basquete do Nautico, voltei a conviver mais frequentemente com Pedrinho. Uma convivência que relembrou-me a figura querida que ele era. Nesse dia em que choramos sua perca, resta-nos solidarizar-nos com a família e dizer que sentimos muito sua falta. No entanto, posso dizer com toda a confiança de que ele jamais será esquecido nas quadras do basquete cearense.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Educação Cidadã pelo Exemplo

Segui por meio de matérias jornalísticas a iniciativa da Prefeitura de Fortaleza que, através de funcionários da AMC, busca ensinar aos Fortalezenses a fazer fila nos terminais de ônibus.

Uma medida inovadora que gerou reações diversas. Alguns, dentre os quais me incluo, acham-na salutar. Outros são contra, pois consideram-na improdutiva e  que esse nível de comportamento básico deve ser atingido com a punição dos que desrespeitam.  

O conceito de cultura cidadã está fundamentado na capacidade do Estado em mudar uma cultura que muitas vezes está permeada de vícios e que se formou, quase sempre, por falta de educação. Ou seja, cabe sim ao Estado a tarefa de educar e aqui refiro-me ao sentido amplo que certamente envolve a postura das pessoas nos lugares públicos como nos terminais de ônibus.
Evidente que o Estado não precisa e nem deve abdicar do direito de punir, o que também lhe é dado pela sociedade.  

Adiciono, no entanto, que um desafio tão grande quanto o de decidir “educar” o povo é escolher a forma certa de fazê-lo. E parece-me que aqui é se encontra a grande deficiência da Prefeitura de Fortaleza.

Primeiramente, deve-se compreender que as ações de disseminação da cultura cidadã devem ser intensivas, integradas e planejadas. É preciso criar um movimento, uma onda, quase uma moda. Isso não se consegue com ações isoladas.

Além disso, nos lugares onde a cultura cidadã foi implantada, o Estado tomou precauções para que as ações educativas persistissem e fossem devidamente apropriadas pelas pessoas. A forma básica do Estado fazer isso é dando o exemplo. Fazendo bem aquilo que deve fazer.

Por exemplo, pode-se fazer uma campanha educativa para não jogar lixo numa praça, se a própria praça não tem lixeiros? Pode-se querer que os motoristas dirijam corretamente se as ruas não têm suas vias devidamente pintadas? Pode-se querer que motoristas parem antes da faixa de segurança bem como querer que os pedestres as usem, se elas não estão marcadas ? Assim por diante.

A Prefeitura até pode continuar a fazer um trabalho educativo da sociedade, mas para que o mesmo seja efetivo, terá que fazer sua parte exemplarmente.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Força Leão

Decido ir ao estádio hoje. Não gosto de multidões, mas o jogo hoje me motiva.

Vale a pena relembrar esses dois golaços de Vinicius contra o Flamengo em pleno Maracanã. É difícil acreditar que isso possa se repetir hoje com o tme que temos, mas em se tratando de fé ...

quinta-feira, 3 de março de 2011

Como é bom um parlamento (que funciona)


Tenho sido ácido na minha percepção da política, em especial, da cearense. Não posso deixar de mencionar quando algo positivo emerge desse contexto. Em Fortaleza, na semana passada a câmara de vereadores aprovou uma lei proposta pelo vereador Guilherme Sampaio que ficou conhecida como Lei do Paredão. A proposta é coibir os abusos de poluição sonora da cidade através do uso de caixas de som superpotentes.

Para mim, o processo todo como se deu a discussão da supramencionada lei é um exemplo de como, se usado corretamente, o sistema de tri-partição de poderes é elegante e adequado à democracia. O legislativo escuta a sociedade, propõe leis, discute mais um pouco dando espaço às diferentes opiniões e delibera. Simples e efetivo. No entanto, nos dias atuais isso tem sido muito difícil. Os parlamentos brasileiros em todas as esferas têm se esforçado para se desmoralizar. Propõem cada vez menos e com isso deixam espaço para o executivo fazê-lo. Na verdade, parlamentares estão, cada vez mais, somente a aceitar o que os governos propõem. Sintomático ainda é o fato de que, recentemente, até o judiciário tem legislado mais do que o próprio legislativo.

Mas, como já disse, deixem-me enfatizar o bom exemplo. A Lei do Paredão é daquelas coisas que nos faz parecer civilizados (talvez sejamos J) A sociedade que se organiza para defender o direito dos indivíduos na coletividade. Parabéns aos vereadores. Resta-nos agora esperar que o executivo faça sua parte em colocar a lei em prática.  

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Os Desagradáveis e Incômodos Buracos de Fortaleza

O artigo da Prefeita Luizianne Lins no O Povo de hoje que versa sobre a, para lá de desgastada, questão dos buracos de Fortaleza é digno de comentário. Eu escrevo mensalmente naquele espaço e sei como é difícil passar uma mensagem em espaço tão diminuto. Ela conseguiu uma proeza. Tem mensagem ali para um caderno inteiro.

Mesmo que em sua linha mestra, o objetivo seja o de reconhecer que tem realmente muito buraco na cidade e discutir as causas e possíveis soluções, o que mais me chamou a atenção foi a relativização inicial do problema. A primeira frase é simbólica: os buracos são incômodos e desagradáveis. Algo como uma espinha, uma acne. Ou seja, chato, mas periférico, que não é essencial. Depois escreveu um parágrafo inteiro onde tentou caracterizar aqueles que não sabem dos serviços que a Prefeitura desenvolve.

Imaginemos qualquer munícipe que não tem filhos na escola pública, portanto não tem dimensão das melhorias na educação Municipal. Paga um plano de saúde que o faz não depender exclusivamente da saúde pública (mas quase dois milhões de pessoas dependem). Tem casa própria ou alugada, portanto não precisa de casas dadas ou reformadas pela Prefeitura - que já beneficiaram mais de 37 mil pessoas. Tem carro, então não usufrui dos avanços no transporte coletivo.

Bingo! Sou um desses munícipes (sem culpa)!

Depois de criar a classe daqueles que podem se sentir incomodados com os desagradáveis buracos ela continua e diz:

Talvez nesse momento ele lembre da Prefeitura!

Preciso dizer que não é só quando passo nos buracos que me lembro da prefeitura. Sou obrigado a fazer isso anualmente ao pagar o IPTU e mensalmente ao pagar ISS e todos os outros impostos e taxas, mesmo que não arrecadados diretamente pelo município, como a tarifa de iluminação pública, IR, etc.

Ainda por cima me pergunto: será que aqueles que fazem parte dos que “percebem” a Prefeitura também não percebem os buracos? Creio que sim. Percebem porque o trânsito para os ônibus também fica prejudicado com a buraqueira. Percebem porque os ônibus quebram. Percebem porque é feio. Enfim, percebem porque é o dinheiro deles também.

Essa me parece a falha fundamental do discurso de Luizianne. Ela tem uma tendência a considerar o problema da mobilidade urbana como uma questão ideológica de luta entre classes. Em especial, aqueles que têm carros e aqueles que não os têm. Não vou nem entrar no mérito da qualidade do serviço coletivo de transporte urbano, mas uma coisa é fato: ele ocorre sob as ruas e consequentemente quem dele faz uso “se lembra” da prefeitura a todo momento.

O que a Prefeita parece não conseguir perceber é que ela está ficando estigmatizada como alguém que não cuida da cidade. Esse é o ponto! Os buracos são somente um dos sintomas evidenciados pelo tratamento ruim que a cidade vem recebendo. As ruas mal sinalizadas, o descaso com o uso inadequado do espaço urbano  e a sujeira das ruas se integram naturalmente aos buracos para aumentar essa sensação. Não adianta querer ideologizar muito, pois o exemplo concreto do cotidiano é muito forte.



segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A História do Ceará na Web


Grata satisfação tive ao revisitar o site criado por Gildácio de Almeida Sá com documentos, fotos e textos sobre a história do Ceará. A iniciativa de Gil, colega de longas datas desde minha entrada no antigo SEPROCE, é louvável e merece todo o nosso apoio.

O site (http://www.ceara.pro.br) vem cotidianamente sendo atualizado e contém muito mais material do que quando tinha consultado anteriormente. Segundo Gildácio, já está com cerca de 6GB de documentos e informação. Informações sobre livros raros, fotos e documentos da Fortaleza Antiga, biografias de cearenses ilustres e links diversos a outros portais da história cearense.

Já sugeri ao Gildácio que crie um canal para receber contribuições dos cidadãos cearenses. Tem muita coisa memorável que está guardada nas gavetas dos cearenses e que poderia estar disponível para consulta no site.

Concentrei-me em explorar Fortaleza, em particular a Gentilândia de meu avô e de meu pai. Pois não é que Seu Joca está lá presente em foto ao lado de sua mercearia que eu freqüentava quase todos os domingos antes de ir ao jogos de futebol no PV. Emocionante!


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A COELCE contribui para A Fortaleza Bela

Já percebia que as instalações elétricas públicas feitas pela COELCE não primam pela estética, mas nunca pensei que elas pudessem ser tão descuidadas. Vejam essa foto abaixo que tirei de uma borracharia na Rua José Lourenço quase esquina com a Torres Câmara. As instalações aparentes são horrorosas e dominam completamente a visão do muro. Não sou especialista, mas arrisco a dizer que as mínimas condições de segurança também não são verificadas. Vinda de uma empresa que tem concessão pública, deveríamos esperar mais, não?

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Mais Uma Pérola do Trânsito Fortalezense

A Prefeitura de Fortaleza está trabalhando muito bem para tornar a cidade um ponto turístico no Pais e mesmo no mundo por uma razão bem inusitada: barbaridades na sinalização de trânsito. Não bastassem semáforos em baixo de viadutos e dentro de rotatórias, agora temos um semáforo que sinaliza paradas de carros em cruzamento onde não cruzam carros ! Difícil de entender? Deixem-me tentar  explicar. Vejam a foto abaixo. A tirei quando estava na Avenida Pontes Vieira, direção Iguatemi. Há um semáforo para quem dobra a esquerda na Barão de Studart e um outro para quem seguem em frente. Recentemente a Prefeitura proibiu que os carros vindo da Barão de Studart dobrem a esquerda na Pontes Vieira e peguem a mesma direção que eu estava ao tirar a foto. Consequentemente, o semáforo de quem está na Pontes Vieira e deseja seguir em frente é absolutamente desnecessário. No entanto ele continua lá. Quando bati a foto os dois estavam verde, mas ficam vermelho sim.  O nobre objetivo de termos turistas (um bom nicho são alunos de urbanismo e engenharia de trânsito. Para aprender como não fazer evidentemente)  deve ser atingido em cheio. O grande handicap é que vai proibir, a nós fortalezenses, contar piada de português. Outro problema é a dúvida se ficamos com uma Fortaleza Sem Lei como tão bem denunciado no blog do Plínio ou com alguém que tome conta dessa forma.


quarta-feira, 14 de julho de 2010

Livraria Cultura em Fortaleza

Fiquei muito contente com a abertura da Livraria Cultura em Fortaleza. Como “rato de biblioteca” que sou, minha primeira visita ao novo prédio na Av. Dom Luís deixou-me muito bem impressionado.

Embora ainda continue a comprar majoritariamente meus livros pela Internet, não nego que o charme e o bem-estar de freqüentar uma livraria é inigualável. Fortaleza não tinha um local no nível da Cultura. Em particular, chamou-me atenção o acervo de literatura estrangeira escrito em outras línguas. Os livros em inglês, por exemplo, não se resumem à pockets como na maioria das outras livrarias. Livros que em livrarias no exterior são caracterizados como “não ficção” dificilmente eram encontrados aqui. O acervo de DVDs e CDs é igualmente rico, embora não tenha tido tempo de explorá-lo com carinho.  

Mas de tudo o que mais me entusiasmou foi o fato de ter feito a visita com minhas filhas e tê-las visto tão entusiasmadas quanto eu. Em certo momento emocionei-me ao perceber o prazer que as duas sentiam ao folhear os livros, ao procurar novidades e ao explorar os diferentes temas e o espaço. Indescritível o sentimento que tive. Um misto de orgulho e realização por termos conseguido, Beth e eu, transferir-lhes tão naturalmente o gosto pela leitura que nos é caro. Saímos com a sacola cheia. Caro, mas com o sentimento de que o dinheiro foi bem gasto.