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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Insatisfação no Trabalho

Quem não passou por aquela situação desgastante de desmotivação no trabalho? Os outros empregos sempre nos parecem melhores do que o nosso. A publicidade abaixo que me foi introduzida por Plínio que a postou em seu blog é uma forma muitíssimo bem humorada para nos mostrar o quanto podemos ser ingratos com nosso destino profissional. Vale a pena uma olhadinha (un coup d’oeil como dizem os franceses). Agora, por via das dúvidas, nada como um fim de semana que se aproxima.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Excessiva-qualificação

Vou chamar aqui de excessiva-qualificação quando uma pessoa tem uma qualificação acima daquela necessária para realizar suas atividades profissionais. Mas será que isso ocorre com frequencia? Não temos sempre ouvido falar de que o que ocorre é a falta mão de obra qualificada para ocupar cargos vagos no mercado? Claro que dependendo do País e do contexto, isso ocorre em diferentes proporções. Durante meu doutorado na França, há dez anos atrás, já convivi com esse fenômeno. Meus colegas franceses recém doutores não encontravam trabalho em universidades ou em empresas que faziam pesquisa e aí acabavam por se ocupar em atividades que exigiam minimamente de sua qualificação. Na Europa, havia (e ainda há) muito PhD disponível e o contexto de recessão que sempre rondou o Velho Mundo torna o processo de excessiva-qualificação um problema real. Evidente que, como já disse em textos anteriores (acesse aqui), a capacitação para pesquisa traz, além da qualificação técnica, uma formação adjacente que é ampla e útil para a resolução de problemas em geral, o que, sem sobra de dúvidas, pode ser aproveitada pelo mercado de diversas formas. Não há dúvida, no entanto, que isso nem sempre é simples de ser conseguido. Vale ressaltar que excessiva-qualificação não se refere somente a PhDs ou pessoas que estudaram muito. É algo bem mais abrangente. Semana passada estive conversando com algumas pessoas da Polícia Militar e da Guarda Municipal e vi claramente esse fenômeno presente. A febre de concursos públicos para cargos com salários atraentes e a estabilidade inerentes ao Serviço Público leva uma legião cada vez maior de pessoas com qualificação acima da necessária para o cargo a assumir cargos que lhes exigem bem menos daquilo que podem dar. Conversei com soldados e patrulheiros municipais que estavam extremamente desmotivados porque se achavam mal aproveitados nos seus trabalhos. Tinham que fazer nada motivadoras rondas de patrulha em prédios públicos ou em ruas e avenidas e só. Eles achavam que podiam render muito mais em outros setores e em outras atividades e que não eram percebidos. Tinham mágoas de suas Instituições. Quando lhes alertei que suas Instituições talvez necessitassem de gente para fazer exatamente o que lhes eram solicitados, percebi que passaram a compreender claramente que estavam em situação de excessiva-qualificação. Alguma receita? Não por mim. Os gerentes e as próprias pessoas que se encontram em situação de excessiva-qualificação devem buscar trilhar seus caminhos. E ainda, por favor, me entendam. Não estou querendo dizer que qualificações podem ser excessivas e que não devemos buscar tê-las. Na verdade, minha intenção foi só de introduzir o problema porque quero refletir sobre a relação entre Excessiva-qualificação e Crowdsourcing em um próximo texto. Confiram!

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Ser Empregado ou Empregador, Não Há nem a Questão

Em Abril de 2007, tinha recém chegado da Califórnia e saltou-me aos olhos a postura dos jovens universitários excessivamente interessados em fazer concursos públicos. Escrevi o texto “profissão concursado” (clique aqui para acessar o texto) descrevendo esse meu espanto. Semana passada, voltei a pensar no assunto quando tive a grata satisfação de assistir a uma palestra do ex-ministro e presidente da Embraer Ozires Silva que agora está presidente do Fórum de Líderes Empresariais. Fez uma apresentação bem informal alicerçada na sua enorme experiência. Duas historietas que contou foram bem interessantes. Na primeira, ele contou que ao dar uma palestra para jovens em uma universidade americana perguntou “quem quer um emprego?” Pouquíssimos alunos disseram que sim. Enquanto que ao serem perguntados se queriam ser empreendedores a maioria respondeu positivamente. Disse que fez a mesma pergunta no Brasil e quase ninguém respondeu que queria ser empresário. Ele enfatizou que acredita que a cultura de empreendedorismo passa por uma mudança de postura das universidades, mas também por um maior espírito patriótico. É preciso acreditar que o País pode dar certo e que para que isso aconteça é preciso ter gente com espírito desbravador. O comodismo da juventude em busca de concursos não pode ser a regra. A outra estória enfatiza esse segundo aspecto meio que patriótico. Contou à platéia que um dia teve a oportunidade de perguntar a um avaliador do Nobel, porque nunca houve um cientista brasileiro vencedor do prêmio. Teve como resposta que quando Cesar Lattes foi indicado, recebeu tantas críticas dos próprios brasileiros que teve sua candidatura retirada. Voltou a cobrar um espírito nacionalista que estivesse acima de querelas pessoais e que congregasse a nação em torno daquilo que nos orgulha. Disse que sente isso ainda hoje em relação a Embraer. Ainda não existem aviões da Empresa voando no espaço aéreo brasileiro embora eles estejam em toda parte do mundo. Diante um depoimento tão contundente de quem tem respaldo, bem que os jovens poderiam pelo menos começar a a se questionar do que vale mais a pena (e nem precisa de crise existencial).

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

A Indústria Criativa e a Economia da Cultura

Neste dia do professor, quero voltar a refletir sobre um aspecto que tenho reiterada vezes abordado nesse blog: a cultura de empreendedorismo, da inovação e da criatividade. Em particular vou me concentrar em um assunto que descobri após uma dica do Presidente da Fundação Cearense de Pesquisa do Estado do Ceará, Prof. Tarcísio Pequeno, sobre um site que congrega várias organizações que se dedicam a questão da criatividade como instrumento de produção de riqueza(clique aqui para acessar o site). Um dos conceitos básicos dessa iniciativa chama-se Indústria Criativa. Não se trata aqui de simplesmente dar um adjetivo às indústrias tradicionais. Estou me referindo a toda atividade que foi originada por uma idéia criativa, em função de um talento próprio, que pode gerar renda, bem-estar e emprego através da geração e exploração de propriedade intelectual. Essa é uma definição dada pelo departamento de cultura, mídia e esporte do governo do Reino Unido que, aliás, investe fortemente em iniciativas do tipo e por isso mesmo boa por parte das iniciativas da creative industries vêm de lá. O congresso de indústrias criativas reunirá expositores de todo o mundo e será em Londres em Novembro. Dentre os diversos setores que compõem iniciativas criativas pode-se elencar o audiovisual, a música digital, a publicidade e propaganda, artes de uma forma geral, designer e arquitetura, enfim, atividades que o Brasil tem um portfólio considerável e que pode ser explorado continuamente. A operacionalização de uma indústria criativa se dá normalmente com suporte da tecnologia e métodos modernos de gestão. Ressalte-se que o valor econômico do "produto" é baseado nas suas propriedades intelectuais ou culturais. Aqui entra um outro aspecto importante nessa nova economia, o valor cultural. Hoje em dia, as iniciativas específicas de uma cultura estão sendo cada vez mais difundidas globalmente. Por envolverem peculiaridades próprias de seu contexto de origem, são quase sempre inéditas e inovadoras à luz de boa parte do mercado global consumidor. Desta forma podem agregar valor e se tornam um excelente produto comercial. Vale aqui a máxima típica do mundo globalizado: produza local e comercialize global. Interesso-me particularmente por essas idéias por dois motivos. Primeiramente, deve-se perceber que todo esse contexto de indústrias criativas é convergente com a web2.0 e com o mundo digital. A web é a infra-estrutura comum e disponível a todas essas atividades criativas. Quer seja somente como veículo de disseminação, quer seja como próprio componente da solução criativa, a grande teia mundial potencializa as idéias criativas e apresenta-se como forma natural para abrigá-las. Acrescente-se a isso o fato de que os meios analógicos de armazenagem de mídia estão sendo radicalmente mudados para meios digitais. O segundo aspecto que me atrai deve-se ao fato de que o conceito de indústria criativa pode e deve ser aplicado às atividades governamentais, principalmente, à de transformação de cidades em espaços agradáveis e que promovam o bem-estar da população. Boa parte das iniciativas criativas a serem apresentadas no congresso mundial de indústrias criativas que se desenrolará em novembro em Londres, destinam-se a esse fim. Enquanto professores cabe-nos não somente apresentar esses conceitos aos alunos universitários mas, principalmente, fomentar a aplicação dos mesmos. Isso certamente será o vetor de transformação econômico e social com capacidade de transformação radical da realidade que vivemos hoje.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

O Estereótipo Informático Que Afugenta as Mulheres

Como já mencionei em textos anteriores, boa parte dos países ocidentais passa atualmente por um fenômeno de falta de profissionais em informática. Em particular, quero focar em um aspecto que considero ser um dos fatores indicativos dessa carência: o pouco interesse das mulheres em seguir a carreira de informática. Recentemente li um artigo no Jornal francês mensal Le Monde Diplomatique que discorria exatamente sobre esse assunto no contexto francês. Os sintomas e diagnósticos por aquelas terras são bem similares ao que passamos aqui. O artigo foi escrito pela pesquisadora em educação da Universidade de Paris-X (Nanterre), Isabelle Collet, que escreveu o livro “L´informatique a-t-elle um sexe? Hackers, Myths et Realités – A informática tem um sexo? Hackers, Mitos e realidades”. A autora rejeita uma explicação superficial de que as mulheres gostam de humanas e os homes de exatas e assim busca compreender mais profundamente os porquês desta realidade. Ela decidiu olhar para o problema pela ótica das razões que fizeram, depois dos anos 80, os homens ficarem muito mais apaixonados pela informática. Em resumo, ela observou que a microinformática e depois a internet ajudaram a criar um estereótipo do hacker, não somente no sentido de pirata de software, mas daquele profissional que se encastela no computador desenvolvendo programas e fica meio alienado. Essa imagem não casa com o perfil feminino o que as leva a ignorar a possibilidade de seguir a profissão. Ela observa ainda que o mais surpreendente é que mesmo com o uso das ferramentas da web 2.0 que privilegiam interação e redes sociais, com as quais as mulheres se identificam fortemente, este estereótipo persistiu. No entanto, ele não é representativo da realidade da profissão. Estima-se que somente trinta por cento dos profissionais de informática sejam programadores e ainda assim programadores, tipo hackers, não são a maioria e tão pouco privilegiados pelo mercado de trabalho. Trata-se de uma imagem mística, meio heróica e que seduz a alguns (mas não as mulheres). Em uma pesquisa realizada entre estudantes franceses universitários dois terços das mulheres disseram não saber o que é o trabalho de um informático(a). Perguntado sobre se escolheriam Informática por profissão, responderam em grande parte que “ ... não me vejo passar toda a jornada de trabalho falando de RAM, circuitos e de máquinas. Prefiro me ocupar com gente”. E o que é pior, muitas disseram que a informática não lhes interessa de forma alguma, sem nem mesmo saber precisar a razão (Isabelle Coiret acredita que elas não se interessam por uma profissão em que as pessoas que lá estão não são parecidas com elas. Já seria assim o efeito de uma conseqüência). Na verdade a Informática está longe de ser uma profissão onde as tarefas individuais e repetitivas prevalecem. Há muito espaço para trabalho em equipe, multidisciplinar e que impõe desafios e renovações constantes. A solução seria buscar reduzir os efeitos deletérios do estereotipo do hacker e fornecer maiores informações da variedade de atividades que pode ter um profissional de informática. Há inclusive ainda outras características que poderiam ser atrativas às mulheres. O trabalho é desenvolvido em ambientes agradáveis, limpos, não exige força física e pode, de mais em mais, ser realizado em casa. Acredito que as análises no contexto francês podem servir de insumo para o governo brasileiro em todos os seus níveis. A questão da falta de profissionais em um setor tão dinâmico como a Informática é estratégico para o País. Não se pode imaginar que há como participar desta batalha sem a contribuição feminina.