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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Trânsito: gentilezas e responsabilidades


Essa semana depois de uma cansativa jornada de trabalho, ao voltar da UNIFOR por volta de onze da noite, vi-me em um engarrafamento na Av. Washington Soares logo após o viaduto que leva ao Iguatemi. Meu carro estava perigosamente mal posicionado logo no começo da descida do viaduto. Só soube, no entanto, o quanto aquilo era perigoso quando refiz-me do tremendo impacto que senti provocado por um carro que entrou direto na traseira do meu.

A desagradável sensação se prolongou até conseguir sair do carro (precisei encontrar meus óculos primeiro) e olhar o estrago do ocorrido. O carro que colidiu em mim estava num estado lastimável e temi pela sorte de seu condutor. Ao ver a jovem condutora saindo do carro, percebi seu espanto e só lhe perguntei se estava bem e sã. À parte algumas contusões ela estava bem. Fomos conversando, tentando entender o que acontecera e buscando explicações. Acidentes acontecem, foi só que pude dizer.

Seus pais vieram ajuda-la e logo tínhamos todos nos postos de acordo a como proceder. Nada de arroubos, muita cortesia e compreensão. Acabei tendo uma leve sensação de felicidade, se é que pode-se dizer que se fica contente de estar envolvido em circunstância de tal natureza, mas o fato de não haver vítimas e a forma educada, cortês e civilizada de todos deixou-me feliz. Bom saber que existe gente cordata no mundo. Pessoas que sabem reconhecer quando erram, que sabem pedir desculpas e assumem suas responsabilidades. Diferente da ainda grande quantidade de situações que ainda vivenciamos em nossas ruas de pessoas que agem errado e ainda assim consideram-se com a razão.

No fim de semana, ao passar novamente pela região, percebi que o acidente não ocorrera exclusivamente pelo descuido da condutora. A sinalização e engenharia do trânsito do local favorecem acidentes. Como é possível dobrar a esquerda logo após a saída do viaduto, engarrafamentos na área são frequentes e se terminarem no início da descida do viaduto vão provocar mais acidentes. A curva do viaduto tem um ponto cego e a percepção de um carro parado logo à frente é sempre uma grande surpresa levando a frenagens bruscas e derrapagens. Seria bom a prefeitura assumir suas responsabilidade na área, cordialidades à parte, ninguém merece experimentar acidentes, que podem ser bem mais danosos a todos.

* Artigo publicado na coluna Opinião do Jornal O Povo de hoje

terça-feira, 15 de maio de 2012

Ainda sobre ladainhas e trânsito em Fortaleza


Fábio Campos escreveu recentemente neste quotidiano o artigo “Para fugir da ladainha” em que discorda dos que esbravejam contra a indústria da multa e vivem pedindo mais educação no trânsito a AMC (o que ele chama de ladainha). Acredita ele que a epidemia de infrações de trânsito em Fortaleza requer ação repressiva e que educação no trânsito já foi dada quando se tira a carteira de motorista.

Minha visão é que os que defendem ambas as ladainhas perdem o foco do problema.  Primeiro, não compreendem que, como toda questão comportamental na sociedade, causas e efeitos de problemas e ações não podem ser compreendidos isoladamente. Há uma interação entre  os fatores condicionantes que podem tanto potencializar as soluções como aumentar os problemas.  No tocante ao caos do trânsito, é impossível dissociar as omissões e erros do poder público, que inclusive lhe diminuem a credibilidade nas ações preventivas e repressoras, do mau comportamento dos motoristas e pedestres (não esquecer que os pedestres cearenses não usam a faixa de segurança, por exemplo).

O segundo equívoco refere-se ao conceito de educação comportamental, social ou cívica (como queiram). Enganam-se que é algo a ser ensinado em sala de aula e muito menos nos bancos do Detran quando se faz exame para retirar uma habilitação.  Não se refere aqui em “aprender” o que é certo, mas sim de quanto se está disposto a fazê-lo. O cada um por si e a lei do mais esperto não têm sustentabilidade, mas as pessoas precisam perceber e sentir que seguir as regras é a melhor forma de todos “se darem bem”.

Quem tem o dever de quebrar esse ciclo vicioso no qual estamos inseridos hoje é o poder público. Deve agir nos fatores que potencializam a desobediência, começando por aqueles que lhes são obrigação como sinalização, engenharia de trânsito, pavimentação das ruas, etc. Depois deve agir na educação (não de sala de aula) com programas de divulgação, exemplos, jogos e concursos de forma a gerar motivação e controle sociais sobre o tema. Tudo isso com  intuito de que a sociedade em geral comece a fazer a parte que lhe compete.  Aí sim, a fiscalização deve agir. Com a credibilidade e  a autoridade fortalecida o governo penalizaria a minoria(difícil acusar de indústria da multa quando se penaliza uma minoria) que não conseguiu aprender a lição. 

* artigo publicado hoje na coluna Opinião do Jornal O Povo

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Mais para idiota do que para gênio

Adorei essa figura que anda circulando nas redes sociais e que por isso decidi compartilhar aqui. Esse é o tipo de comportamento que presenciamos diariamente nas ruas de Fortaleza e que bem que valeria uma manifestação contrária nas redes sociais.



terça-feira, 4 de outubro de 2011

“Escolas: menos empresa, mais educação!”

O título deste artigo reproduz um apelo feito no Twitter e que me chamou a atenção pela pertinência. Numa época em que abundam pela cidade propagandas patrocinadas pelas escolas privadas de Fortaleza sobre suas (discutíveis) façanhas em exames disto e daquilo, refleti sobre o que se espera que nossas escolas eduquem. Lembrei-me imediatamente do festival de falta de educação que se vê no trânsito frente às escolas, diariamente, nos horários em que pais vão transportar seus filhos. Há desde o desrespeito ao trânsito até agressões e discussões entre pais. Justamente o local onde deveria se aprender o certo, pratica-se diariamente o errado.   

Permitam-me compartilhar algumas experiências que tive quando de minha estada em outros países. Na Califórnia, no primeiro dia que fui transportar minha filha à escola, vi um senhor organizando o trânsito com um grupo de crianças (alunos da escola) de 6 a 9 anos que usavam coletes de trânsito e indicavam onde as pessoas deveriam parar. Na reunião de pais e mestres descobri que se tratava do diretor da escola. Na França, minha experiência foi similar. A escola tinha um local de estacionamento distante da entrada e todos tinham que deixar os carros lá e caminhar com a criança até a entrada. Nada de querer parar na porta da escola como é hábito aqui. A diretora da escola também participava do controle do trânsito.

Isso não é óbvio? Não há melhor momento e local para aprender a como se comportar no trânsito do que na chegada e saída da escola. E ainda por cima, há alguém com mais moral para fazer o controle do que o responsável máximo pela escola e as próprias crianças? O fato é que nesses países está muito claro de que a missão da escola é também educar cidadania, e isso deve envolver os pais, que devem ser responsáveis pelos bons exemplos. Esperar que a criança entre na sala de aula para só então ser educada, dissociada do contexto e da sociedade em que vive, é totalmente imbecil.

Querer que isso faça parte do rol de atividades de nossas escolas, em especial das privadas, é demais? Embora isso não seja cobrado no ENEM, no ITA, no vestibular ou seja lá no concurso que for, como acho que deveria ser cobrado pela sociedade, faço meu, o apelo feito no título.  


* Artigo escrito no Jornal O Povo de hoje

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Os Engarrafamentos Vão Acabar. Não Me Perguntem Quando.

Àqueles como eu que estão a sofrer diariamente com a rotina dos engarrafamentos, segue a boa notícia de que há uma luz no fim do túnel. Basta para isso que os carros “conversem” entre si. Futurista? Talvez não.  A tecnologia para isso já existe.  O Departamento de Transportes Americano lançou um desafio para que apresentassem propostas inovadoras para melhorar a mobilidade urbana. Os vencedores propuseram muita conectividade para os carros de forma que sejam hábeis e ágeis para informar aos condutores sobre tudo que está a ocorrer. Todos acreditam que os engarrafamentos são mais frutos de falta de informação para tomada de decisão inteligente do que pela quantidade de carros. Não sei se pensariam isso se conhecessem Fortaleza :-))

Vejam o vídeo abaixo para ter ideia de como nos comportaremos com carros que se conectam à Web.



quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Google Não Coopera com a AMC

Esse negócio de não falar ao telefone ao dirigir ainda será algo que, em futuro bem próximo, não terá mais nenhum sentido. Vejam a nova tecnologia da Google para ser usada em telefones que rodem seu sistema operacional Android. Você fala e o telefone liga. Você fala e o telefone envia um email. Você fala e o telefone faz a busca do termo. Como dirigir sem usar o telefone? Só se for mudo.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Vans Privilegiadas e Trânsito Caótico

Entendam essa. Ontem li aqui no jornal O Povo que a prefeitura por intermédio da ETUSA decidiu que as vans não podem parar fora de pontos de parada demarcados. Ao ler, pensei que tinha me enganado ou então havia um engano do jornalista. Ora bolas! Desde quando um veículo, ainda mais de transporte coletivo, pode parar na rua onde bem entender. É contra o código de trânsito, não? Guardei a matéria para fazer um comentário no conselho de leitores do O Povo do qual sou integrante. Ao lê-la novamente, pasmem, descobri que isso ocorria mesmo. Havia um “acordo” que autorizava as vans a pararem em até cem metros das paradas oficiais. É isso mesmo. Sempre me indignava ao dirigir e ter que reduzir a marcha ou mesmo parar em uma via de alta velocidade, porque uma van decidia abruptamente coletar ou deixar seus passageiros. Reclamava da falta de fiscalização, mas nunca podia imaginar que era tudo oficializado. Só não entendo é como é que se pode legalmente fazer esse tipo de acordo. Queria ver o Ministério Público mais atuante da questão. E o melhor é o seguinte: a distância média das paradas oficiais em Fortaleza é de duzentos metros. Ou seja, na verdade as vans podiam parar em qualquer lugar mesmo. Além do mais, convenhamos, alguém acredita que a fiscalização da ETUSA pode monitorar se uma van está parando a cem metros de uma parada? Acho mesmo que ninguém acredita que ela fiscalize nem se estão parando nos locais corretos, quanto mais com essa “pequena” particularidade. Acredito piamente que o trânsito de Fortaleza pode modificar sensivelmente com uma gestão eficiente, que trate de prover sinalização correta, educação aos motoristas e pedestres e muita, mas muita fiscalização. Não é o que vemos hoje. A continuar assim, podem fazer viadutos, túneis e o que for. O caos só vai ficar mais caro.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Dê Carona Pela Web

Escrevo muito frequentemente sobre como a Web pode criar mecanismos de compartilhamento de opiniões, costumes e está mesmo a modificar o comportamento das pessoas. O site Pickuppal é um exemplo disso (pick up pal é uma expressão inglesa para dizer algo como carona para amigos). A idéia é simples, mas bem eficiente. Busca ligar condutores de veículos com passageiros e assim promover e facilitar caronas. Nas principais auto-estradas dos EUA e Canadá há sempre uma via destinada exclusivamente para veículos com pelo menos duas pessoas. É uma medida de incentivo à redução da emissão de poluentes e à diminuição do tráfego. O site pickuppal permite pessoas formarem uma comunidade (ou mesmo aqueles que já fazem parte de uma) afim de que comuniquem rotas e horário dessas rotas aos membros da comunidade de forma a compartilharem horários nos carros. Isso funcionaria por aqui?


quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Sinalização em Fortaleza

Já tinha escrito sobre o quanto considero debilitado o sistema de trânsito em Fortaleza (clique aqui para ler um texto passado). Recentemente, no entanto, isso chegou a níveis impressionantes de desleixo. Com as obras de recapeamento do asfalto que abundam na cidade, um problema que já era importante tornou-se agora por demais crítico: a péssima (e muitas vezes inexistente) sinalização nas ruas. Tornou-se comum encontrar as marcas de tinta no chão feitas por peritos de trânsito em função de acidentes onde não há sinalização. Inaceitável que as autoridades deixem ruas e esquinas, muitas vezes por mais de uma semana, sem a devida sinalização. Será que teremos que agir como os cidadãos que moram na rua Júlio Lima próximo da esquina com a Cônego Barbosa? Ao passar por lá ontem percebi que eles mesmos decidiram fazer o sinal de pare no chão da rua que, por sua vez,está totalmente sem sinalização (vejam a foto que tirei do local abaixo). Detesto a forma como os americanos encontraram de, costumeiramente, resolver seus problemas indo ao extremo de processar o Estado e mesmo outras pessoas em função de qualquer conflito menor. No entanto, nosso modelo está no outro extremo. Somos por demais passivos. Se fossemos mais cientes de nossos direitos e os exigíssemos mais veementemente (inclusive recorrendo à Justiça), os serviços públicos muito provavelmente seriam melhores. As vítimas de acidentes em ruas mal sinalizadas bem que poderiam se pronunciar.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Ainda a Lei Seca: Efeitos Colaterais

Revisito o polêmico tema da lei seca para detalhar um pouco mais o porquê de minhas reticências. Para o internauta que não leu o texto anterior (clique aqui para acessá-lo), vale a pena o seguinte intróito: não discordo que a combinação álcool e direção é um problema e nem acho que a sociedade e, em particular, o governo não deva fazer nada. Só que discordo da forma como se está buscando induzir a mudança de comportamento e da redação da lei em si. Minhas argumentações sempre são no sentido de que a lei cria um sentimento de injustiça em muitas pessoas, pois acaba por reforçar a punição àqueles que podem ter um convívio controlado com o álcool (os que não estão visivelmente embriagados). Alerto que as conseqüências negativas para a sociedade são muitas. Nesse texto venho esclarecer e exemplificar o que quero dizer com isso. Para melhor compreender meus argumentos vale a pena relembrar um conceito sobre o qual tenho reiteradamente escrito nesse blog: o da cultura cidadã (leia aqui, aqui e aqui alguns dos textos sobre o assunto). Em resumo, a prática da cultura cidadã visa à mudança comportamental e uma sinergia entre a lei, moral e cultura (veja aqui o que escrevi sobre isso). Governos deveriam conseguir criar um clima de participação popular dentro do possível condizente com a cultura do povo, para que os valores compartilhados pela maioria sejam seguidos. A lei viria somente para concretizar esse compromisso das pessoas na comunidade. Por que isso é tão importante? Porque com o compromisso selado pela maioria, somente os desvios precisam ser monitorados e por isso mesmo podem ser punidos. É claro que nem todo assunto pode seguir esse caminho. Algumas leis, como as que buscam preservar os direitos das minorias (étnicas, sexuais, etc.), são exemplos em que o surgimento da lei é, per se, o instrumento mor para provocar a mudança de comportamento e de cultura (em nome de valores e ideais maiores de liberdade e igualdade). Voltando aos efeitos colaterais da lei seca. Por incrível que pareça essa lei conseguiu algo difícil numa sociedade: criar um sentimento de solidariedade entre as pessoas. Mas se trata de uma solidariedade bem pervertida: solidariedade para encontrar formas de burlar a lei. Freqüentemente descubro novas formas de burlar a lei, das blitz aos bafômetros. Muito pouco escapa a criatividade do brasileiro que é imediatamente compartilhada com os outros. Nada como ter a necessidade e um inimigo comum para motivar a criação de inovações. O exemplo mais extraordinário e emblemático para mim está sendo a saída a la moto-táxi. A idéia é a seguinte. Vai-se a festa de carro, bebe-se a vontade e na hora de ir embora se chama um moto-táxi. Moto-táxi? E o carro vai ficar aonde? Calma. O moto-táxi não é para levar o passageiro, é para servir de “batedor”. Ele vai na frente dizendo (pelo celular) se tem blitz ou não no caminho. Santa criatividade! Outras estratégias mais colaborativas como números de telefone que dizem onde as blitz estão sendo realizadas até o habitual sinal de luz que dá a dica de onde elas estão acontecendo surgem aos roldões. Recebi emails dando receitas de como “enganar”o bafômetro até vindo de estudantes de Química: alguma coisa como expelir hidrogênio a partir de gelo e coca-cola na boca. Incrível! Ai de quem quiser trabalhar a cultura cidadã no Brasil, vai ter um trabalho danado para desfazer esse sentimento.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

A Polêmica Lei Seca: Minha Opinião

Muito difícil em tão pouco espaço (evito fazer textos grandes demais) argumentar sobre um assunto tão polêmico como a lei seca. Vou me arriscar. Sem querer ficar em cima do muro, quero logo dizer minha opinião: sou contra. A parte mais difícil é a argumentação. Primeiro porque não há como contestar que álcool e direção formam uma combinação catastrófica e em respeito às pessoas que perderam entes queridos em acidentes não posso ser descuidado de não observar isso. Falar contra a lei seca é politicamente incorreto e os poucos que ousam usar argumentos contrários ou apelam para os impactos econômicos negativos ou vão na direção de que a lei poderá aumentar a corrupção. Não acho que nenhum dos dois pontos seja o mais relevante. Minha insatisfação é porque se trata mais uma de vez de acreditar que o rigor da lei pode mudar comportamento. Aliás, ressalte-se que as penas previstas na nova lei são as mesmas da lei anterior, o que mudou foi a rigidez de critérios com que se avalia se alguém deve ou não ser penalizado. A lei do jeito que estava já era suficientemente rigorosa e deveria coibir os abusos. Bastava que fosse cumprida. Como o Estado não é capaz de fazer a fiscalização, decide enrijecer a lei. Já tinha escrito sobre o risco de vivermos em uma sociedade em que se brinca de fazer leis e fica-se na expectativa de saber se será “lei que pega”ou “lei que não pega” (clique aqui para ler o texto). Como será que avaliaremos se essa lei pegou? Se diminuir o número de acidentes, provavelmente. Mas e a quantidade de pessoas que, de um dia para outro passaram a se tornar marginais? E o clima de ilegalidade permissiva? Quem vai medir? A lei fez como que as pessoas que tem uma convivência harmônica com a bebida passassem a ser obrigados a viver em constante prática de delito. Bastar ir a qualquer restaurante no País e olhar para casais que estejam bebendo uma garrafa de vinho para dar um veredicto quase que infalível: são delinqüentes. Se ao beber dois copos de vinho se está em um estado superior ao aceito pela lei, quase todos estarão fora da lei. Alguns poderiam dizer, isso ocorre no mundo todo! Diferenças de cultura a parte, não é verdade que as leis são tão rigorosas como esta brasileira em tantos lugares, e ainda por cima, a autoridade policial nos países que adotam regras rígidas têm a representatividade moral e são educadas para fazer julgamentos quanto às condições dos condutores. A lei não se orienta por um valor limite absolutamente injusto medido por um bafômetro. Todos concordam que a reação das pessoas ao alcool é extremamente variável. Aqui estamos transformando a sociedade em escravos de uma tecnicidade que sobrepõe o bom senso e inibe a avaliação subjetiva da autoridade posta. Novamente poder-se-ia argumentar que isso é bom, pois tira a margem de corrupção que existiria em um exame subjetivo. Mas então voltamos ao ponto inicial: incompetência de implementação. Dificil adivinhar que tipo de estratégia as pessoas vão adotar para se adaptar a essa realidade, mas não descarto que manter-se ilegal e esperar não ter o azar de encontrar um bafômetro é uma delas (o uso de outros entorpecentes que não são flagrados no bafômetro tem também sido alertado por policiais). Não nos esqueçamos ainda que a decisão subjetiva sobre a culpabilidade do cidadão, se não vai ser decidida pelos guardas nas ruas, vai agora acabar no judiciário. Nosso abarrotado e lento judiciário agora vai ter que decidir se 0,65 mg de álcool no sangue é ou não motivo para colocar um cidadão numa prisão.E a corrupção por lá também não é impossível (vou parar por aqui). Em entrevista a um jornal cearense uma promotora estadual disse que “Se a pessoa estiver visivelmente (grifo meu) embriagada não tem nem o que ser contestado. Ela pode até se recusar a usar o bafômetro ou a fazer exame no IML . Tudo bem, mas ela vai ter a carteira retida e pagar uma multa de R$ 957,00.” Não discuto de que os que estejam visivelmente embriagados devam ser punidos. Mas, repito, a lei anterior já previa isso. O que a lei fez agora foi abrir espaço para punir os que não estão visivelmente embriagados. Sob que argumento? Que poderão ficar visivelmente embriagados? Sob o argumento ainda de que qualquer nível de álcool no sangue tira os reflexos? Da mesma forma que falar ao telefone, sintonizar um rádio ou mesmo conversar com uma pessoa pode tirar o reflexo. Não há outro nome para isso: terrorismo. No entanto, mesmo sendo contra, só resta-me torcer para que essa lei pegue, porque senão daqui há alguns anos estar-se-á editando uma nova lei pregando a prisão perpétua para quem tomar uma taça de vinho. E assim vamos continuando nossa loteria do “pega”ou “não-pega”.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Consequencias da Ioga

Recebi uma dica de Márcio Viegas, um colaborador ativo de WikiCrimes em Portugal (Bebeto Moreira já tinha divulgado algo similar), sobre um vídeo incrível do trânsito na Índia. Um exemplo interessantíssimo da diferença cultural que existe entre a cultura daquelas bandas e a ocidental. Quando penso que não conseguimos nem nos adaptar a um girador e decidimos colocar semáforos nos mesmos, dá para se perguntar: onde estamos errando? O fato é que não conseguimos agir no trânsito de forma minimamente racional. Precisamos de uma série de regras, leis, sinais e o que quer que seja para nos dizer algo simples: não podemos compartilhar com outros um exato espaço físico ao mesmo tempo. Com calma podemos procurar nosso espaço e dar tempo e espaço para os outros. Fazemos isso quando estamos a pé, mas quando estamos dentro de veículos, parece que nos esquecemos disso. No vídeo dá para perceber que os indianos conseguem encontrar espaços livres para todos.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Um Sinal Bem Desmoralizado







As fotos acima são de um dos sinais mais desmoralizados de Fortaleza. Chego mesmo a pensar que ele pode significar o contrário do que aprendi. Seria “estacione aqui” o sentido do mesmo? Para mim, trata-se do exemplo mais marcante do completo abandono do controle de trânsito na cidade. E olha que não estou falando de uma pequena ruela residencial. Algumas ruas de grande movimentação como a Rui Barbosa viraram estacionamento público (as duas primeiras fotos foram tiradas lá). Além de se estacionar nos dois lados da rua (como mostra a foto acima), há uma fila de carros que fica “em busca de estacionar”. Ou seja, o trânsito engarrafa totalmente. As outras fotos foram tiradas ao redor do centro de convenções. Ressalte-se que há um grande estacionamento do lado que poderia ser usado. Algumas medidas simples de respeito à sinalização trariam fluidez ao trânsito de forma bem menos onerosa do que viadutos ou pontes. Mas, como não dá para resolver com fotossensores, deixa-se do jeito que está! Agora, a foto abaixo é imbatível. Representa como as pessoas passam a usar o espaço público em função do vácuo causado pela omissão das autoridades.Uma loja ambulante em plena Rui Barbosa às três horas da tarde. O proibido estacionar aqui pelo menos tem um uso. Não atrapalha o comércio do ambulante (e olhe que já tem um gol vermelho querendo o espaço)!

terça-feira, 24 de junho de 2008

“Cem mil pessoas dirigindo sem carteira”

Essa frase foi título do Figaro quando estive na França mês passado. Não se refere à realidade brasileira, mas francesa. A reportagem versava sobre como os aparelhos eletrônicos de controle de trânsito (os nossos fotossensores ou pardais), ao substituírem a presença dos guardas de trânsito, têm gerado efeitos colaterais indesejados. Ainda alertava que a probabilidade das pessoas serem abordadas pelas autoridades de trânsito era cada vez menor e por isso praticavam mais delitos como andar sem documentação comprobatória de habilitação. A matéria, em geral, discutia sobre o quão educativo eram esses aparelhos de controle eletrônicos e em que situações eles seriam eficientes. Não posso deixar de pensar no caso brasileiro, no fortalezense em particular (posto que aqui vivo), onde o descaso foi gradativamente tomando conta do sistema de controle de trânsito. Vivemos um caos total e vale a pena fazer um pequeno histórico de como isso começou a acontecer. É claramente um reflexo de decisões intempestivas tanto na formulação de leis como na implementação das mesmas. Vejam o caso de Fortaleza. Ao final dos anos 90, o Governo do Estado decidiu acabar com o Batalhão de Trânsito da Polícia Militar visto que o mesmo estava envolto em denuncias de corrupção e de mau uso de dinheiro público. Bem sintomático da nossa forma de fazer política pública. Tem corrupção acaba com os órgãos. E aí? Quem fica no lugar? Os órgãos não eram necessários? Nesse caso a saída foi apressar a municipalização. Dada a falta de estrutura e inexperiência das prefeituras nessas atividades, estava criado o ambiente perfeito para o surgimento de um salvador da pátria: os equipamentos eletrônicos de controle de trânsito. Imunes a corrupção, eficientes em arrecadar dinheiro e fáceis de serem gerenciados (até mesmo com terceirizações). Ocorre que esses equipamentos não podem de forma alguma serem usados para substituir a presença das autoridades e do respeito que elas têm por obrigação impor (não vou nem mencionar a falta que fazem em termos de segurança pública). Gosto sempre de dar um exemplo de situação ocorrida comigo enquanto morava lá mesmo na França (mais de dez anos atrás). Vi-me, certo dia, trancando um cruzamento em um grande congestionamento. Naquele momento, um policial de moto, que passava em outra parte da avenida, fez um grande contorno para vir em minha direção. Deu-me uma tremenda de uma bronca, parou o trânsito e me fez dar “marche arrière” ao mesmo tempo que exigia que os carros atrás de mim me dessem espaço. Valor da multa: zero. Valor da vergonha: enorme. Dá para ficar desatento e fechar o cruzamento de novo? Há que se compreender que autoridades da lei (não só as de trânsito) têm obrigação de fazer valer suas prerrogativas de controladores sociais que lhes foram dadas pela sociedade. Nada os substitui e o constrangimento que podem eventualmente fazer um cidadão passar por estar em uma situação de delito tem um enorme peso educacional. Nenhum equipamento e nenhum valor de multa conseguem substituir isso. Vejam o que já escrevi sobre isso quando me refiro às políticas públicas no domínio da segurança pública implantadas por Antanas Mockus na Colômbia(clique aqui). As estratégias de Mockus em Bogotá configuram-se na maior iniciativa na direção de aumento do ambiente de controle social já tentada. Mockus costuma dizer que o cidadão de Bogotá (onde foi prefeito por duas vezes) tem mais receio de ficar envergonhado em público do que de levar uma multa. Isso é tão mais verdadeiro, quanto maior o poder aquisitivo das pessoas. O que dizer do caso em que as multas são aplicadas por máquinas !

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Cooper Atrapalha o Trânsito: Continuamos Estragando Boas Idéias

Uma matéria do Diário do Nordeste de 28 de janeiro com o mesmo título da primeira parte do título deste texto chamou-me atenção (clique aqui para ver a matéria ). De início, o próprio título da matéria me causou espanto. Numa cidade onde os pedestres nunca têm a prioridade, o título em questão é no mínimo inusitado. Podem os coopistas ser os causadores de tamanha façanha? O inverso me soaria mais natural. É o trânsito desregulado da cidade que não permite a prática de ciclismo, nem de corridas sem que o praticante arrisque sua vida. O corpo da matéria descrevia que alguns motoristas se queixavam pelo fato da prefeitura destinar um espaço na Avenida Beira-mar das 5 as 8 da manhã para os coopistas. Ao fazer isso, o espaço para os veículos foi reduzido e engarrafamentos passaram a ocorrer frequentemente. Como sou freqüentador casual desse espaço pelas manhãs, pude testemunhar os problemas. Como muitas das coisas no nosso País, trata-se de mais um exemplo de boa idéia e péssima implementação. É claro que destinar um espaço público ao cidadão para prática do esporte é uma boa idéia e trata-se de iniciativa louvável (vejam o exemplo de Paris que mencionei aqui). Mas ao fazer da forma atual, a Prefeitura arrisca estragar mais uma boa idéia (outros dois textos sobre estrago de idéias está aqui e aqui). A iniciativa requer um pouquinho de planejamento e ação interdisciplinar (não muito!). Há dois problemas cruciais no trânsito da Beira-mar: o estacionamento de carros da Avenida e a parada de ônibus de turismo. Os dois problemas podem ser resolvidos com um pouco de engenharia de trânsito e capacidade de articulação com o setor de turismo. Não se admite que cada ônibus de turismo tenha que obrigatoriamente parar na porta de cada hotel da orla. Porque não criar espaços próprios para paradas dos ônibus na própria avenida (ao se restringir o estacionamento de veículos de passeio nessas áreas se ganharia espaço para tal). Porque não destinar outros espaços para os ônibus nas vias de acesso a Beira-Mar? Porque não negociar como setor hoteleiro e com as agências de viagem um pequeno escalonamento de horário para o embarque e desembarque de passageiros visto que o fluxo é muito concentrado em alguns horários durante o dia? E principalmente,porque não colocar agentes de trânsito para coordenar o trânsito e educar os transeuntes e motoristas nos horários de engarrafamento: Normalmente isso só é necessário em períodos curtíssimos (no caso da manhã, o problema se concentra entre 7 e 8 da manhã). Não quero ser exaustivo nas soluções até porque não sou especialista em engenharia de trânsito, mas me parece claro que há alternativas, não muito complicadas, para que todos se sintam atendidos e respeitados. Agora, sem uma ação integrada e planejada, decididamente, não dá. Vejam o que disse o secretário de esportes sobre o assunto. “O que aconteceu é que muitos guias de turismo e pessoas ligadas à hotelaria se sentiram incomodados porque os ônibus não podem mais estacionar no meio da via. Até porque isso é proibido pela Código Nacional de Trânsito”. Não podem, mas o fazem, secretário, o fazem diariamente e é por isso que o problema ocorre. Criar o hábito de parar no meio da rua para recuperar os hóspedes é um desrespeito às leis, sim, mas infelizmente os órgãos responsáveis não estão presentes para repreender os abusos. É preciso entender que uma cidade bela e turística significa uma cidade onde as regras são seguidas e as instituições são respeitadas por buscarem resguardar o interesse da coletividade. Isso não estamos vendo na Beira-mar. Aliás os problemas mencionados ocorrem à noite também mesmo sem haver espaço reservado para os coopistas.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Moral, Cultura e Lei

Estava lendo um texto sobre a cultura cidadã no site do ex-prefeito de Bogotá por duas vezes Antanas Mockus (clique aqui para acessá-lo, em espanhol) e achei interessante revisitar alguns exemplos e conceitos. Antes, no entanto, lembro que já venho escrevendo sobre a cultura cidadã nesse blog (para saber mais, digite “cultura cidadã” no campo de pesquisa deste blog no canto superior esquerdo). Leis são normas criadas por uma sociedade com o objetivo de organizar a vida comunitária. Outros dois aspectos que andam pari passu com a lei são a moral e a cultura. Esses conceitos são bem conhecidos para quem estuda ética, mas no contexto da cultura cidadã de Mockus ganham um pragmatismo surpreendente. Vejam, por exemplo, quais foram as ações desenvolvidas no programa de educação no trânsito. Mímicos contratados para ensinar às pessoas a importância das faixas de pedestre explicavam teatralmente que o correto era atravessar na faixa e, aos motoristas, que aquele território pertencia aos pedestres. Com o passar do tempo, a própria população passava a repreender os transgressores com apitos e vaias. Se uma pessoa não era convencida a respeitar a faixa pelos mímicos, o povo nas calçadas a repreendia e, se ainda assim não funcionasse, vinha o guarda de trânsito para aplicar a multa. Essa seqüência representa os três mecanismos reguladores: a moral (representada pelos mímicos), a cultura (manifestada pela população vaiando) e a lei (personificada no guarda). Muito difícil conseguir emplacar leis e fazê-las obedecidas se não são suportadas pelos outros dois fatores. Em outro exemplo, o prefeito Peñalosa, que sucedeu Antanas Mockus e deu continuidade a política de seu predecessor, ao se referir sobre a recuperação de espaços públicos e suas formas urbanas, disse “em ambientes desordenados, as pessoas de boa índole (moral) se sentem minoria e não agem solidariamente. Por outro lado, um lugar bem-conservado dá a impressão de uma comunidade alerta(cultura), com cidadãos atuando em conjunto. Como a comunidade se conhece e interage nos parques, quadras esportivas e espaços públicos em geral, acaba ganhando uma cidade mais segura”. É claramente uma visão transversal e multi-disciplinar. Creio que não é preciso gastar muito argumento para convencer sobre o quanto essas idéias são interessantes. O grande desafio é ter capacidade de implantá-las.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Cultura Cidadã: É Preciso Conquistar as Escolas

Não é muito difícil achar exemplos no cotidiano de nossa falta de cultura cidadã. Não vou ficar enumerando-os a todo o momento, mas queria me deter a um exemplo que considero ilustrativo e excessivamente relevante da falta da cultura cidadã em um local que tem por obrigação ensiná-la: as escolas. Trata-se da postura da escola face à forma deseducada como os pais de estudantes se comportam no trânsito quando vão deixar seus filhos na escola. Vê-se um festival de maus exemplos. Como esperar que as crianças cresçam educadas? O pior é que nesse caso estamos falando exatamente de escolas que têm por objetivo ensinar. Vem-me sempre a mente os modelos dos países mais desenvolvidos. Quando cheguei na Califórnia, no primeiro dia que fui deixar minha filha de nove anos na escola, vi um senhor organizando o trânsito e logo pensei que fosse um servidor da escola como os que costumo deparar-me aqui (que por sua humildade, são incapazes de impor respeito e não servem de forma alguma para controlar o trânsito). Ele coordenava um grupo de crianças (alunos da escola) de 6 a 9 anos que estavam com coletes de trânsito e indicavam onde as pessoas deviam parar. Alguns minutos depois fui recebido por este Sr. e só então pude perceber que ele era o diretor da escola. Isso mesmo. O trânsito nos arredores da entrada da escola é controlado pelo diretor da escola com a ajuda das crianças. Isso não é óbvio? Claro que sim! Não há melhor momento e local para aprender a como se comportar no trânsito do que na chegada e saída do estacionamento da escola. E ainda por cima, há alguém com mais moral para fazer isso do que as próprias crianças? Ou será que os pais das crianças seriam tão mal educados que desrespeitariam até mesmo os(as) colegas de seu(sua) filho(a)? Creio que não. Até porque os pais saberiam que seus filhos também passariam por aquela atividade. Na França, minha experiência foi similar. A escola tinha um local de estacionamento distante da entrada e todos tinham que deixar os carros lá e se encaminhar com a criança até a entrada. Nada de querer parar na porta da escola como é hábito aqui. A diretora da escola também participava do controle do trânsito (embora menos ativamente que o diretor americano. Creio que só por uma questão de estilo). O fato é que nesses países está muito claro de que a missão da escola é também educar cidadania. Os muros da escola não podem ser limites para isso. Esperar que a criança entre na sala de aula para que ela possa começar a ser educada é totalmente imbecil. O que é mais lamentável é que nossas escolas privadas, que se vangloriam de ter qualidade de ensino, são as que mais se isentam de assumir um papel mais ativo nesta educação integral que, talvez, seja a que mais faça falta ao nosso país.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Dirigindo em Rond Points


Rond point é o nome em Francês para os giradores ou rotatórios que encontramos em algumas cidades brasileiras. São usados para controle de tráfego em cruzamentos. Escolhi o nome em francês pelo fato deste tipo de controle de tráfego ser bem típico na França. Quando morava lá, sempre me surpreendia como o trânsito fluía bem e pude conviver com alguns giradores que possuem mais de 10 avenidas. O mais popular é sem dúvida L´Étoile (A Estrela) onde está o Arco do Triunfo (ver foto acima), e chegam doze avenidas. Isso mesmo, doze (veja o mapa acima). Mesmo nesses gigantescos, a coisa funciona (e sem abalroamentos, diga-se de passagem). Por outro lado, fico extremamente intrigado como aqui em Fortaleza somos tão “amarrados” em rond points. Decididamente é um problema cultural. E olhe que não se trata de coisa nova, por estas paragens. Parece-me que os cearenses não conseguem compreender a lógica do rond point. A idéia básica é de que normalmente se pode entrar na roda sem ter que parar. Basta reduzir a velocidade. A contrapartida dos que já estão na roda é uma direção lenta e atenta para permitir a entrada dos outros. Outra estratégia é saber se posicionar no lado interno ou mais externo da roda. Só se deve ir para o lado externo quando se quer sair da roda. Isso evita o bloqueio da entrada dos outros. Os engarrafamentos que vivenciamos nos nossos rond points demonstram nossa incapacidade de dirigir nesses instrumentos. Quase que diariamente, enfrento um desses engarrafamentos no rond point recentemente construído na entrada da BR-116 (na praça Manuel Dias Branco). Para piorar, a prefeitura, periodicamente decide colocar guardas para fazer o papel de semáforo e “controlar” o trânsito. Como era de se esperar, aí é que o negócio fica ruim. Claro. Colocar semáforos é totalmente contrário a filosofia. Não desespero. Nada que um programa de cultura cidadã não consiga mudar.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Indústria de Multas: Fatos e Discursos

Quando a administração municipal de Fortaleza, no começo de sua gestão, decidiu retirar todos os aparelhos de foto-sensores da cidade achei estranho. Não tinha conseguido entender a razão de tal atitude, mas como, quando em oposição o PT criticou duramente o que chamou de indústria das multas, achei coerente a medida (muito embora poderia supor que no fundo houvesse uma espécie de ranço contra a administração anterior). Depois de certo tempo, começaram a aparecer nos jornais notícias de que essa mesma administração tinha decidido recolocar os tais aparelhos, pois o número de acidentes tinha aumentado. Fiquei estarrecido com o que considero um absurdo. Quer dizer que a própria administração municipal havia tomado uma medida que provocava o aumento de acidentes? E ninguém disse nada! Não seria questão de responsabilizar a administração municipal por tal imperícia? Precisava tirar os foto-sensores para perceber que eles serviam para reduzir o número de acidentes? As administrações anteriores que tomaram a medida de colocar tais aparelhos não sabiam que eles serviam para reduzir os acidentes? A administração municipal preferiu desconsiderar isso a custas de acidentes que provocou. Tal situação caracteriza um flagrante exemplo de pouca continuidade nas ações de governo. Agora uma nova geração de foto-sensores voltou a ser implantada. Os foto-sensores que foram colocados em semáforos pela administração estadual pelo DERT, além de verificarem se os veículos passam no sinal vermelho e param em faixa, também medem a velocidade dos veículos. Descobri isso da forma mais desagradável. Fui multado, pois ao conduzir a 60 km/h na Washington Soares, tive que acelerar para passar o semáforo que estava amarelo. Passei o cruzamento com 63km/h! Se mantivesse a velocidade passaria no sinal vermelho, multa. Se acelerasse, como fiz, multa. Se tivesse parado na faixa, multa. Maravilha de processo educativo. Se isso não é indústria da multa, não sei o que é.