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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Best Buy Recorre à Web Semântica

A cadeia de eletro-eletrônicos americana Best Buy é uma das primeiras grandes empresas de comércio varejista a usar tecnologias da Web Semântica. A Best Buy decidiu enriquecer a representação de suas páginas na web com meta-tags (informações que descrevem as informações da página). O objetivo inicial não era muito ambicioso, pois não se esperava que o site ficasse muito diferente aos usuários.  Eles queriam que a página principal da Empresa detalhasse as informações sobre produtos, lojas, etc. Queriam ainda que ela fosse mais facilmente encontrada pelos sites de busca (e.g. Google). Queriam, no entanto, que não somente a página inicial fosse fácil de ser encontrada, mas igualmente as páginas específicas como as que definem os horários de funcionamento ou os horários de abertura das lojas.

Passaram então a representar todas as informações de suas páginas em RDFa (um subconjunto de RDF). Ao fazer isso, naturalmente passaram a ter mais ponteiros para seus produtos. Isto é, para cada seção da página, uma nova página foi criada com uma URI própria (identificador universal). Assim, naturalmente, essas páginas foram mais encontradas pelos sites de busca (e.g. Google)  o que levou a um aumento de cerca 30% de acessos. Esses resultados foram surpreendentes e provavelmente serão impulsionadores da adoção generalizada dos padrões da Web Semântica por outros. Era exatamente o que mais precisava a área: um benefício tangível, imediato e que pode ser obtido sem grandes custos. Mais detalhes de como está sendo a experiência da Best Buy está aqui.


terça-feira, 13 de julho de 2010

Web Semântica: Será Que Agora Vai?


A conferência de tecnologia semântica (SemTech) em São Francisco na Califórnia ocorrida semana passada que acompanhei pelo Twitter parece ter deixado os pesquisadores e práticos na área bem otimistas quanto ao futuro da representação e uso de semântica na web.  Pode-se ver que grandes empresas já começaram a usar padrões que facilitam a criação de dados ligados (linked data) e esses padrões estão sendo fortemente influenciados pelos padrões já usados pela comunidade acadêmica de web semântica. Dentre os padrões uma versao light de RDF chamada RDFa é a grande sensação. A mega empresa de venda de eletrônicos Best Buy, o Google e o Facebook são exemplos dessas empresas.
Nessa onda surgiu o RDFa que é uma versão simplificada do idioma base da Web Semântica: RDF (Resource Description Framework). O principal objetivo do RDFa é a de adicionar metadados para páginas HTML ou XHTML, por isso é mais fácil de implantar do que RDF. Desde o ano passado no evento do ano passado a adoção de padrões para dados abertos foi o grande tema. Os mais otimistas acreditam que em breve RDFa será a maior fonte de dados depois dos bancos de dados relacionais.  
Muito embora Facebook não esteja nem usando RDFa (decidiu usar uma versão ainda mais simplificada) as influências desse padrão são claras. Além disso, como o peso de Facebook é muito grande, uma nova iniciativa de busca para facilitar o intercâmbio de informações surgiu. Trata-se do RIF (Rule Interchange Format) que permite descrever regras que tanto permitem especificar formas de conversões de padrão como permite representar conhecimento em formato de regras de produção.
Aqui, de nossa parte, já estamos projetando WikiMapps e WikiCrimes com tecnologias semânticas. Durante toda essa semana estamos fazendo um workshop com todos os membros do Laboratório de Engenharia do Conhecimento sobre o assunto. Em breve lançaremos novidades.


quinta-feira, 26 de julho de 2007

Comprando Pizza no Futuro

Este vídeo que achei no YouTube é representativo de uma corrente de pessoas que está começando uma batalha para o uso politicamente correto da Web. Uma das coisas que mais preocupa as pessoas é a questão da privacidade. Dados pessoais estão disponíveis em diversos sites e cada vez mais tecnologias como a Web Semântica (clique aqui e aqui para acessar textos sobre isso) vão permitir a integração automática desses dados. O vídeo abaixo, em inglês, comporta uma crítica irônica de como a tecnologia vai avançar. Um simples sistema de uma pizzaria possuirá tanta informação sobre as pessoas que um cenário amedrontador pode ser vislumbrado. No vídeo, o diálogo da atendente com um solicitante é divertido, pois a atendente conhece todos os hábitos de consumo do solicitante. Quando o solicitante pede uma pizza de carne, a atendente diz que ao preço deve ser adicionada uma taxa e que o cliente tem que assinar um termo isenta a pizza de qualquer responsabilidade. Tudo isso porque como a pizza é de carne e o solicitante tem colesterol alto e hipertensão (descoberto automaticamente), a pizza poderá provocar danos a saúde (na tela aparecem os problemas de saúde do cliente como impotência e eczema). A atendente sabe os livros que o cliente comprou, sabe das passagens aéreas compradas para ir ao Hawaii, e até dos itens comprados no supermercado (inclusive 48 camisinhas). Vale a pena conferir.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Web 1.2.3... Descrevendo a Semântica de Termos com Ontologias

Continuando sobre o assunto Web 3.0, queria esclarecer mais um conceito fundamental nesse contexto. Para uma pessoa, é simples olhar uma página na web com a seguinte informação “data de partida: DD/MM/AAAA” e saber que se trata de um campo para entrar uma data de partida de uma viagem ou de um percurso qualquer. Isto ocorre porque os seres humanos ao lerem o termo conseguem compreender o conceito, pois possuem conhecimento sobre as relações que o conceito possui. Um programa de computador não consegue fazer isso tão facilmente. Por isso diz-se que se precisa definir a semântica dos termos que estão nas páginas para que os programas consigam acessá-los e entendê-los. Essa definição de termos e significados nos remete a um conceito extremamente relevante no contexto da web semântica: o conceito de ontologia. Em computação diz-se de ontologia como sendo uma representação de conceitos em um domínio e dos relacionamentos destes conceitos. A importância das ontologias na web semântica deve-se ao fato de que são elas que permitem a definição da semântica dos termos. São elas que permitem um programa de computador ler a informação de uma página e realizar tarefas mais elaboradas como as mencionadas no texto anterior. Um dos desafios das pesquisas em web semântica é facilitar o desenvolvimento de ontologias pelos internautas ou mesmo criá-las automaticamente a partir das páginas que hoje estão na web. Afinal de contas o sucesso da web 3.0 está ligado à capacidade de se organizar as informações que estão na web, dando-as uma estrutura que possa ser explorada por programas de computador. Difícil de prever é quando a web 3.0 será realidade. O comportamento da web é algo caótico e isso pode acontecer repentinamente. O surgimento de uma aplicação de sucesso (em inglês chamada de killer application) que use os conceitos da web 3.0 pode ser o ponto de inflexão e causar um crescimento exponencial da mesma forma como estamos presenciando com a onda da web 2.0.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Web 1.2.3... Onde elas são diferentes?

Podemos olhar para a web em dois momentos distintos, e uma forma de distingui-los é olhando a quantidade de produtores e consumidores de informação. Na web tradicional (ou Web 1.0) há poucos produtores e muitos consumidores. Os principais produtores são pessoas especializadas (web designers), empresas (públicas e privadas) e mídia tradicional. O internauta típico só acessa as informações disponibilizadas por estes produtores. Na web 2.0 a diferença quantitativa entre produtor e consumidor diminui sensivelmente, pois diversas aplicações enfatizam a produção de informação por qualquer internauta. Vem assim a onda de blogs, fotologs, wikis, comunidades on-line, redes sociais, etc. Com esta produção de conteúdo massificada, mecanismos de colaboração como a Wikipédia vieram quase que naturalmente. Outro tipo de aplicação que começa a surgir visa à integração de informações vindas de diferentes fontes (o termo em inglês é mashup). Se for possível definir uma fronteira entre a web 2.0 e uma futura web 3.0 ou web semântica, ela certamente passa pela idéia de realizar programas que façam automaticamente integração de informações. Em qualquer “versão’ da web, ela continua sendo primordialmente explorada pelas pessoas. Por exemplo, se alguém deseja fazer um plano de férias usando a web, um procedimento normal seria consultar páginas de companhias aéreas para visualizar as opções de preço, datas, tempo de vôo, etc. O mesmo deve ter que ser feito no que se refere à acomodação, transporte terrestre e pontos turísticos. Na web semântica, o paradigma seria outro. O internauta acessaria uma página na web que simularia um agente de viagens para determinar seus interesses, preferências e restrições. Por exemplo, o internauta diria “em julho quero fazer uma viagem de 10 dias ao Nordeste brasileiro, de avião, que passe obrigatoriamente em Fortaleza e Canoa Quebrada. Só posso gastar R$ 3.000,00, prefiro pagamento parcelado, viajar durante o dia e, se tiver que alugar carro, prefiro Volkswagen”. Para o agente(o programa) responder a este tipo de demanda ele terá que ir às páginas de companhia aéreas, locadoras de veículos, hotéis e mesmo da secretaria de turismo do Ceará (da mesma forma que faria o internauta se ele fosse fazer isso pessoalmente). Fica claro que para que isso seja possível, há que existir padrões de representação da informação na web, pois senão os programas não seriam capazes de entender o que está nos sites. Este é o primeiro foco de pesquisa da web semântica. Linguagens como RDF e OWL são exemplos destes padrões. Espera-se que com a difusão dos mesmos seja possível fazer programas que “leiam” o conteúdo das paginas, entendam o que nelas estão e assim possam realizar atividades complexas que hoje são realizadas pelas pessoas. O nome web semântica vem do fato que as representações padrão que começam a ser adotadas como nas linguagens supramencionadas visam prover o significado(a semântica) dos termos que estão na página.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Já existe uma web 3.0 ?

Recentemente fui entrevistado pela Folha de São Paulo sobre a Web 3.0 ou Web Semântica (clique aqui para ver a reportagem). Na verdade a matéria que eles estavam produzindo referia-se a Inteligência Artificial (IA). Como a Web Semântica é estudada por pesquisadores em IA, foi uma oportunidade muito interessante de discutir sobre esses conceitos. Vou elaborar um pouco mais essa discussão aqui. Para começar quero deixar claro que os termos web 1.0, web 2.0 e web 3.0 não são muito bem claramente definidos. Acabam por dar a impressão de que se trata de uma evolução como se fosse uma nova web que surgiu ou está surgindo. Vejo muita gente se interrogando: “e existe outra web? Não sabia que uma nova web tinha sido lançada”. Essa confusão de termos ficou maior quando, nem mesmo se começa a falar da web 2.0, já se escuta agora falar da web 3.0. Na verdade, não existem várias webs, nem várias versões dela. Os termos foram e estão sendo criados somente com o intuito de distinguir alguns aspectos que ficaram mais relevantes com o advento de novas utilizações. Há também muito de marketing nisso tudo (aliás a relação da mídia com a ciência merece uma reflexão que farei neste blog em breve). Quando participei do congresso mundial de semântica web na Geórgia nos EUA ano passado percebi que existia na comunidade uma inquietação com o surgimento do termo web 2.0. Percebeu-se que isso ocupou um espaço que os trabalhos de semântica web não conseguiram ocupar. Por esta razão alguns pesquisadores começaram a chamar a web semântica de web 3.0. Alguns o fizeram de forma provocadora, outros apostaram que era uma oportunidade que se criou com a popularidade dos termos web 1.0 e web 2.0. Parece que está oportunidade está sendo bem aproveitada. O New York Times fez algumas reportagens com pesquisadores que cunhavam a web semântica de web 3.0 e o efeito multiplicador começou a acontecer. Trarei minhas definições para esses termos amanhã. Por enquanto, fiquem com a Folha (se forem assinantes :-( )