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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A Concorrência Global e Preconceitos Locais


Quantos de vocês já pensou que pode estar fazendo propaganda excessiva do Twitter ? Há algum pudor em usá-lo indiscriminadamente? Governos que decidem usar o Twitter para se comunicar com seus cidadãos, o fazem sem perceber que alimentam o poder de uma grande software house?

Nessa minha viagem aos EUA refleti muito sobre isso. Incrível  a força que os americanos têm de implantar suas marcas. Na Internet isso está muito presente.  Windows era uma dominação que logo foi percebida. Google está começando a ser, mas e os outros? A percepção de quão dominante é uma marca, só acontece quando ela é  muito forte. As Empresas americanas se beneficiam enormemente com isso.

Além disso, percebo que a proximidade muitas vezes prejudica. Por exemplo, os governos parecem se sentir intimidados em usar aplicações web de empresas locais. Interessante ver governadores de Estado se fazendo valer de plataformas que se tornaram “naturalmente”globais. Podem ser acusados de privilegiar um em detrimento de outros. Muito dificilmente  sentiriam acusados de privilegiar o Google em detrimento de uma empresa local. Parece uma competição tão absurda que a crítica é pouco impactante.

E isso não é somente coisa de governo. Criamos WikiMapps para permitir a criação de mapas colaborativos e fornecer ferramentas para que interações ocorram nesse contexto. No entanto, tenho visto empresas cearenses, que conhecem nossa iniciativa, mas estão criando mapas  colaborativos diretamente no Google com bem menos qualidade e estrutura. Seria preconceito? É desalentador.

Conclusão: faça sucesso fora para ser reconhecido em casa. 

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Frutas do Bosque, Finlândia e Futebol


Inusitado encontro no belo e limpíssimo Mercado Central de Helsinki na Finlândia. Decidi comprar frutas vermelhas silvestres também ditas frutas do bosque (não dos nossos bosques, né!). Aquelas que adoro e que sinto tanto serem raras (e caras) em Fortaleza: framboesas, cerejas, mirtilhos e morangos. O vendedor era um turco (o da foto acima). Com inglês recalcitrante perguntou qual minha prosa. Ao dizer que era do Brasil, fez questão de tirar seu agasalho e mostrar-me a camisa que tinha por baixo. A camisa do time de futebol Fenerbach de Istambul na Turquia. Tinha o número 9 e o nome do atacante Deivid (ex-Corinthias). Perguntei-lhe “Is he good”, a resposta afirmativa veio com “all Brazilians are good”. Orgulhei-me.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Regulamentação da Profissão de Informática

O primeiro tema que emergiu nos debates, por email, do Conselho de Leitores do Jornal O Povo acabou sendo mais atual para mim do que poderia pensar. Discutiu-se a questão da regulamentação da profissão de jornalista e pude ver logo, logo que era uma questão semelhante a que estamos vendo em várias outras profissões. Em particular, o debate sobre a regulamentação da profissão de informático (até o nome é difícil de definir), que não é regulamentada, acontece há mais de 25 anos. Tema polêmico e que, como tudo o que ocorre na Informática, pela rapidez das mudanças que caracteriza a área, merece reavaliação constante. Dito isso, devo dizer que minha opinião ainda não mudou do que defendo há alguns anos. Compartilho a posição da Sociedade Brasileira de Computação de que não é salutar uma regulamentação que dê reserva de mercado aos formados em Informática. Sei que isso pode parecer um tiro no pé, para um professor que tem demonstrado tanta preocupação com a significativa redução da procura de alunos pelos cursos de Informática. Será que esse não seria uma das razões? Talvez. Mas não acredito que uma visão meramente corporativa deva ser a melhor forma de abordar a questão. Acredito que em uma área em que a multidisciplinaridade é inata, nada pode substituir a liberdade de todos poderem contribuir. Um dos argumentos mais fortes pró-regulamentação é de que ela é necessária para proteger a sociedade, pois determinadas profissões podem causar danos sociais, principalmente os que levam à exposição de vidas humanas. Nestes casos, justifica-se a submissão dos profissionais às regras de órgãos fiscalizadores. Quando esses riscos não são evidentes e a sociedade tem outros mecanismos para sua proteção, como acredito ser o caso da Informática, o melhor é deixar prevalecer a liberdade. O controle social deve ser feito pelo produto ou serviço a ser prestado. Meus alunos poderiam perguntar: mas é justo, professor, passar quatro anos estudando (e há ainda aqueles que fazem mestrado por mais dois anos) e competir com outros profissionais que não tiveram a formação adequada? Bem, se um aluno de informática não conseguir, por sua habilidade, ser melhor do que outros que não fizeram o curso, das duas uma. Ou ele não era tão bom profissional assim e nesse caso a sociedade lucra em não privilegiá-lo, ou o contratante não zela pela qualidade do que estará a produzir e nesse caso o mercado irá avaliá-lo (o dano nesse caso será mais ao contratante). Mas como proteger o contratante? Sabemos que esse não é motivo de preocupação, pois diferentemente de um médico ou de um advogado, o mais comum é que as pessoas físicas contratem o software pronto ou o serviço a ser prestado. Nesse caso existem inúmeros mecanismos para proteger o contratante. Até o direito do consumidor pode ser evocado aqui. O mais típico é quando as contratantes são as Empresas e elas são bem espertinhas para saber o que contratar não? Senão, não estariam vivas no mercado competitivo! Embora compreenda a pressão das entidades que representam os profissionais, desculpem, mas ainda não vejo justificativas para reservas de mercado.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Stress no Trabalho

Dando continuidade à reflexão feita recentemente sobre o trabalho (ver o texto aqui) e dado que este fim-de-semana estarei trabalhando tanto no sábado quanto no domingo (o que aliás aconteceu também no sábado passado), decidi postar esses vídeos que encontrei no YouTube. São cômicos, mas nos alertam aonde podemos chegar. Vou tomar cerveja!

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

O Trabalho é de Nossa Natureza?

Acabei de ler um artigo no Le Monde Diplomatique edição especial sobre o trabalho. Já mencionei algumas vezes nesse blog o quanto gosto deste jornal mensal. É bem verdade que ele tem um viés de esquerda tão forte que o torna, às vezes, pouco crível. No entanto, não se pode discordar de que o mesmo possui dossiês muito bem realizados sobre temas muito pouco explorados na mídia convencional. Voltando a questão do trabalho, o jornal faz um apanhado deste conceito por diversos pontos de vista. Desde o aspecto histórico até a questão econômica e política do trabalho de trinta e cinco horas na França, todos esses aspectos são abordados. Mas a pergunta mais polêmica é: o trabalho é algo inerente a nossa natureza? Essa é a pergunta de fundo que dá o tom do dossiê e que o jornal coloca a um conjunto de entrevistados. Há aqueles que argumentam que em termos biológicos não há nada que leve a conclusão que trabalhar faz parte de nossa natureza. Eles dizem que somos talhados para não fazer nada! Trabalho só quando é necessário subsistir. Uma abordagem histórica mostra que trabalhar e dizer que isto é da natureza humana vêm sendo sempre usado pelas classes dominantes, seja através da religião, seja através de mecanismos mais elaborados que passaram a ser difundidos com a revolução industrial (mídia, por exemplo). Interessante que nesse campo, comunismo e capitalismo se encontram: trabalho é necessário e devemos louvá-lo. Karl Marx considerava o trabalho como algo da constituição humana. Nem precisa dizer o quanto o capitalismo precisa de nossa dedicação ao trabalho. Não é a toa que o no país mais rico do mundo o trabalho seja tudo (nem férias existem). Mas é bem difícil refletir racionalmente sobre o trabalho, algo que nos domina tão integralmente. Algo que nos faz sentir felizes ou tristes com uma volatilidade enorme. E aqueles que não conseguem trabalho? Podem se considerar os normais e não se sentirem desintegrados da sociedade? Claro que não, dizem outros especialistas, mais afeitos as recentes teorias que consideram o aspecto da auto-realização humana como sendo de nossa natureza e que por conseguinte, elegem o trabalho como um dos instrumentos mais importantes para atingirmos essa realização. Tudo bem discutível e polêmico. Mas, enfim, adorei a leitura desses textos e do dilema que me causou. Estive percebendo como tenho estado determinístico e racional em minhas reflexões. Há sempre conclusões conclusivas (desculpem-me o pleonasmo. Ele é intencional). Esse assunto consegue me deixar totalmente incerto. Paradoxalmente, de tão incerto, ele só serve para me levar a uma conclusão óbvia e clichê (mas sincera por ser exatamente o pensamento que me vem a cabeça) : o trabalho não é tudo.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

As Oportunidades e Desafios do Desenvolvimento de Software Off Shore

Em julho escrevi sobre os desafios do desenvolvimento de software off shore (ver aqui o texto). Só lembrando, este termo refere-se à prática de empresas terceirizarem algumas de suas atividades em países onde o custo do serviço é reduzido. O desenvolvimento de programas de computadores, os serviços de telemarketing e mesmo as atividades ditas Back Office (contabilidade, logística, cobranças, etc.) são exemplos de serviços que cada vez mias passam a ser exercidos na modalidade off shore. Esta semana tomei conhecimento de um relatório recente produzido pela empresa de consultoria AT Kearney que faz uma análise de que países têm mais potencial para atrair investimentos em serviços off shore. Os quatro primeiros colocados continuam sendo asiáticos com Índia e China encabeçando a lista nessa ordem. A grande novidade é o Brasil que era o décimo colocado em 2005 e, agora em 2007, é o quinto. A análise da AT Kearney baseia-se em três critérios: financeiro, pessoal e ambiente de negócios. No aspecto financeiro se analisa o custo da mão-de-obra, impostos e outros fatores que afetam o custo do serviço. Quanto ao aspecto das pessoas, busca-se analisar a qualidade da mão-de-obra como no nível de fluência em diferentes línguas, a quantidade de pessoas com nível superior e indicadores de educação básica em geral. Por fim o critério referente ao ambiente de negócios analisa o quanto o mercado local é regulado, quão sólidas são as instituições governamentais, inclusive o judiciário e a lei de falência, quão presente é a cultura de proteção de direitos autorais (antipirataria) e outros fatores que podem tranqüilizar ou preocupar um investidor externo. Ao analisar os índices brasileiros para esses critérios fica evidente que o nosso grande desafio refere-se à pessoal qualificado. O Brasil tem uma grande desvantagem no que se refere aos serviços de telemarketing que é a língua. Mesmo grandes conglomerados latinos não consideram o Brasil o primeiro alvo para investimento, pois preferem países de língua espanhola. Esta é uma das razões pela qual o desenvolvimento de software passa a ser o setor mais promissor. O Brasil já tem uma história no setor, mas sofre da carência de pessoal em quantidade que venha a abastecer as demandas do mercado internacional que são grandes. Esse tinha sido exatamente o diagnóstico que tínhamos feito no texto anterior supramencionado, em particular, quando nos referimos ao contexto cearense. Infelizmente, deficiências desta ordem não são rapidamente sanadas. Pode-se até construir prédios, fornecer banda larga e dar incentivos fiscais. Formação de pessoal, no entanto, demanda tempo. Melhor começar logo!

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Tecnologia da Informação: Em Busca do Sonhado Salto de Qualidade

Tenho participado de grupos de trabalho e acompanhado outros, em diferentes contextos, que visam discutir políticas e definir ações a serem tomadas no Estado do Ceará para transformar nosso perfil na área de Tecnologia da Informação (TI). Há um sentimento de que temos um potencial que precisa ser incentivado e que podemos dar um salto de qualidade nesta área. Como acabei de chegar do Vale do Silício e tive a oportunidade de conviver um ano neste ambiente que, em minha opinião, é o mais dinâmico e rico no mundo em se tratando de inovação e criatividade em TI, não pude me furtar a participar das iniciativas nesta direção. O processo de interação que tenho tido com os diferentes setores que representam o setor tem sido muito gratificante. Vejo uma preocupação e um interesse geral em contribuir. No entanto, pude perceber também como esse debate consegue ficar desfocado e excluir o ponto, que na minha concepção, é o mais relevante para que se consiga dar o tal salto. Em qualquer lugar do mundo em que se criou um ambiente de criatividade, inovação e empreendedorismo, pode-se claramente identificar Universidades que foram a base para tal. Para começar exemplificando com o Vale do Silício, as Universidades de Stanford e Berkeley são os dois grandes motores deste processo na Califórnia. Berkeley ao norte e Stanford ao sul de San Francisco congregam um pólo de indústrias de todos os portes ao seu redor. Há de se perguntar, se há alguma política fiscal de incentivo a essas empresas nessas áreas. Absolutamente. Aliás, a região de Palo Alto, nos arredores de Stanford, é um dos metros quadrados mais caros do mundo. O que existe lá, é o que é de mais precioso para quem almeja conseguir inovação: gente qualificada. Todos os anos essas universidades despejam no mercado doutores qualificados não somente na teoria e prática de suas áreas de atuação, mas, sobretudo, impregnados de uma visão empreendedora que lhes leva naturalmente a ousar, arriscar, competir, enfim, cheios de fome e loucura como diz a expressão sempre usada naquelas bandas por Steve Jobs (stay hungry, stay foolish, clique aqui para ver o discurso de Jobs na formatura em Stanford). Os mais céticos poderiam dizer que a realidade americana é outra e que ainda não estamos em condições de agir da mesma forma. Voltemos nosso olhar para o Brasil e veremos que aqui também não é tão diferente. O pólo tecnológico de Campinas é suportado pela UNICAMP com um dos melhores cursos de doutorado em Computação do Brasil, sem contar os outros cursos de doutorado em áreas afins. O Rio de Janeiro com a UFRJ e a PUC , Santa Catarina, com a UFSC, para ficar por aqui, também formam anualmente dezenas de doutores e mestres que alavancam o mercado de produção de software nessas regiões. Chegando ao Nordeste, em Pernambuco, a UFPE forma mais do que o dobro de mestres e doutores que todas as nossas Universidades juntas. Eles são o combustível que propulsiona o CESAR e o Porto Digital. Somente este ano a UFC conseguiu formar o nosso primeiro doutor em computação! Ressalto que quando estou falando de formação de mestres e doutores não estou me referindo a formação de pessoas com perfil exclusivamente acadêmico para pesquisa e docência (embora seja uma grande lacuna a ser preenchida). Minha visão de um doutor perpassa a capacitação na sua especialidade. Ela envolve uma capacidade crítica de análise e síntese, uma capacidade de identificar oportunidades da aplicação do estado da arte em benefício da sociedade, o que o credencia na atividade de saber identificar problemas não resolvidos e buscar formas inovadoras de resolvê-los. Obviamente, essas características não são exclusivas de quem consegue uma titulação academia, mas elas são potencializadas em quem passa por essas experiências, pois é o tipo de efeito colateral positivo que naturalmente se obtém durante essa formação. Enfim, é essa a realidade que temos que mudar urgente e prioritariamente. É esse o nosso real gargalo de formação de pessoal que temos. Como agir? Governos! Fortaleçam nossas instituições de ensino e pesquisa. Criem um ambiente de incentivo a inovação, a competitividade, a criação de pequenas empresas. Empresários! Estabeleçam mecanismos de cooperação com as Universidades que identifiquem possibilidades de utilização de seus recursos privados, dos recursos de lei de informática, dos recursos advindos de financiamentos de subvenção econômica e todas as outras oportunidades que hoje surgem abundantemente. Essas cooperações servem tanto para financiar geração de pessoal qualificado como para a produção de inovações. Afinal, não era essa a real intenção do legislador quando propôs as leis de incentivo hoje existentes? Professores! Saiamos de nossas salas de aulas para conhecer os problemas do “mundo real” e formemos doutores e mestres que sejam empreendedores. Esse é o tripé de base de uma política de TI consistente e que poderá nos levar ao tão sonhado salto de qualidade.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

O Estereótipo Informático Que Afugenta as Mulheres

Como já mencionei em textos anteriores, boa parte dos países ocidentais passa atualmente por um fenômeno de falta de profissionais em informática. Em particular, quero focar em um aspecto que considero ser um dos fatores indicativos dessa carência: o pouco interesse das mulheres em seguir a carreira de informática. Recentemente li um artigo no Jornal francês mensal Le Monde Diplomatique que discorria exatamente sobre esse assunto no contexto francês. Os sintomas e diagnósticos por aquelas terras são bem similares ao que passamos aqui. O artigo foi escrito pela pesquisadora em educação da Universidade de Paris-X (Nanterre), Isabelle Collet, que escreveu o livro “L´informatique a-t-elle um sexe? Hackers, Myths et Realités – A informática tem um sexo? Hackers, Mitos e realidades”. A autora rejeita uma explicação superficial de que as mulheres gostam de humanas e os homes de exatas e assim busca compreender mais profundamente os porquês desta realidade. Ela decidiu olhar para o problema pela ótica das razões que fizeram, depois dos anos 80, os homens ficarem muito mais apaixonados pela informática. Em resumo, ela observou que a microinformática e depois a internet ajudaram a criar um estereótipo do hacker, não somente no sentido de pirata de software, mas daquele profissional que se encastela no computador desenvolvendo programas e fica meio alienado. Essa imagem não casa com o perfil feminino o que as leva a ignorar a possibilidade de seguir a profissão. Ela observa ainda que o mais surpreendente é que mesmo com o uso das ferramentas da web 2.0 que privilegiam interação e redes sociais, com as quais as mulheres se identificam fortemente, este estereótipo persistiu. No entanto, ele não é representativo da realidade da profissão. Estima-se que somente trinta por cento dos profissionais de informática sejam programadores e ainda assim programadores, tipo hackers, não são a maioria e tão pouco privilegiados pelo mercado de trabalho. Trata-se de uma imagem mística, meio heróica e que seduz a alguns (mas não as mulheres). Em uma pesquisa realizada entre estudantes franceses universitários dois terços das mulheres disseram não saber o que é o trabalho de um informático(a). Perguntado sobre se escolheriam Informática por profissão, responderam em grande parte que “ ... não me vejo passar toda a jornada de trabalho falando de RAM, circuitos e de máquinas. Prefiro me ocupar com gente”. E o que é pior, muitas disseram que a informática não lhes interessa de forma alguma, sem nem mesmo saber precisar a razão (Isabelle Coiret acredita que elas não se interessam por uma profissão em que as pessoas que lá estão não são parecidas com elas. Já seria assim o efeito de uma conseqüência). Na verdade a Informática está longe de ser uma profissão onde as tarefas individuais e repetitivas prevalecem. Há muito espaço para trabalho em equipe, multidisciplinar e que impõe desafios e renovações constantes. A solução seria buscar reduzir os efeitos deletérios do estereotipo do hacker e fornecer maiores informações da variedade de atividades que pode ter um profissional de informática. Há inclusive ainda outras características que poderiam ser atrativas às mulheres. O trabalho é desenvolvido em ambientes agradáveis, limpos, não exige força física e pode, de mais em mais, ser realizado em casa. Acredito que as análises no contexto francês podem servir de insumo para o governo brasileiro em todos os seus níveis. A questão da falta de profissionais em um setor tão dinâmico como a Informática é estratégico para o País. Não se pode imaginar que há como participar desta batalha sem a contribuição feminina.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Mercado de Desenvolvimento de Software Off-shore no Ceará

No mês de Abril escrevi que achava que a profissão de informática passava por uma espécie de crise de identidade (veja o texto clicando aqui). Não me é muito clara a direção que ela está tomando mesmo para um futuro em médio prazo. Tenho gradativamente aumentado esse sentimento (reconheço que não muito confortável para um professor na área), principalmente após a minha participação nas reuniões de um grupo de estudo coordenado pela Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Ceará que se propõe a elaborar um plano estratégico para o setor de Tecnologia da Informação no Estado. Este grupo tem por objetivo definir políticas de desenvolvimento para o setor e um dos temas recorrentes refere-se à definição de estratégias de formação de mão de obra. Essa questão toma proporções ainda mais relevantes quando se pensa a atender o mercado internacional de empresas de software. Os países em desenvolvimento como os EUA e a Inglaterra, por exemplo, tem contratado empresas na Índia para desenvolver softwares que serão usados em seus países. Isto tem sido cunhado de desenvolvimento off shore (ao pé da letra seria fora do porto em português). A infraestrutura de comunicação mundial estabelecida com a Internet e a tecnologia de redes existente permitem que tais atividades sejam desenvolvidas transparentemente em locais totalmente diferentes das sedes das empresas. Para as contratantes a atração principal desse modelo é a redução de custos, pois em países em desenvolvimento como a Índia se consegue serviço de boa qualidade com salários baixos. Os modelos indianos e recentemente os chineses deram certo porque nesses países havia, e ainda há, uma grande quantidade de mão de obra qualificada e muito barata disponível. Esta não é bem a realidade brasileira, principalmente porque não há tanta oferta de pessoal, embora alguns casos de sucesso nacionais nessa direção já possam ser identificados. A IBM de Hortolândia em São Paulo, por exemplo, possui cerca de cinco mil funcionários que fazem desenvolvimento de software para serem usados pelas próprias fábricas e escritórios da IBM ao redor do mundo. Exemplos como esse e estudos de consultorias internacionais indicam que o Brasil também tem condições de se tornar um desses paraísos de off shore. O Estado do Ceará, sabendo dessa possibilidade, tem buscado criar condições para que o desenvolvimento econômico nesse setor se torne realidade no Estado. O principal problema é que a maioria do pessoal necessário para desenvolvimento off shore é de programadores e a quantidade necessária para atender a demanda é normalmente bem maior do que as Universidades e Faculdades cearenses hoje lançam no mercado. Por esta razão urge um forte investimento em qualificação de pessoal que poderá assim resultar na criação de um novo nicho para o profissional de informática com a captação deste mercado. Uma das idéias é investir na formação de um profissional técnico mesmo sem a base acadêmica tradicional de cursos de ciência da computação, mas com qualificação em matemática e áreas afins que o permitam ter a abstração necessária para ser um bom programador de computador. Várias alternativas têm sido estudadas dentre os quais menciono a formação de programadores já no nível médio e a requalificação de desempregados de nível superior. O debate no tema está longe de se exaurir e não se pode dizer com certeza se os resultados de tais estratégias trarão o retorno desejado. O fato é que tal situação serve para reforçar o que já sabíamos, mas infelizmente não temos sido capaz de reverter: é preciso um forte investimento na formação de pessoas para se aproveitar as oportunidades da sociedade do conhecimento. Como lamentar-se não levará a lugar nenhum, só nos resta começar logo a agir, pois antes tarde do que nunca.