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terça-feira, 23 de abril de 2013

Um Sonho de País


Há vinte anos desembarcava com a família na França para cursar meu doutorado. Uma oportunidade única que me foi dada pelos meus empregadores (Governo do Estado e Fundação Edson Queiroz), oportunidade essa que não me canso de agradecer e, por isso mesmo, torno público neste introito.
 Os quatro anos que lá vivi, foram-me de profundo ensinamento, não somente pelo aspecto acadêmico, mas acima de tudo por ter-me permitido conhecer bem o primeiro mundo. Numa época em que a Internet engatinhava, o mundo ainda não era tão pequeno como hoje e viagens deste porte eram raras.
A Europa, em particular a França, foram-me (e ainda me são) fascinantes. Poderia relacionar os vários aspectos que me atraíram e que hoje, vejo atraírem os brasileiros que, de mais em mais, viajam para lá, como limpeza, transporte urbano e segurança. Mas havia algo mais que permeava todos esses aspectos: a igualdade social. A classe média era a grande maioria e com representantes em todas as profissões.
Talvez nada tenha sido mais emblemático para mim, do que quando, no primeiro dia de trabalho da empregada doméstica que havia contratado, a vi chegar em seu próprio carro, logo após ter deixado seu filho na escola. Ela tinha uma rotina de trabalho tão comum quanto à minha. Este episódio me veio várias vezes à cabeça, não somente ao acompanhar o noticiário sobre a nova lei dos empregados domésticos, mas sobretudo por ter ainda ouvido lamentações aqui e acolá de que “a nova legislação dificultará mais ainda a contratação e legalização de empregadas”, “minha vida ficará mais difícil”, etc.
É fato de que a vida poderá ficar um pouco mais difícil para uns que se acostumaram com uma cultura que encarnava a desigualdade de forma tão natural que não podia ser percebida. Ainda há muito disso em nossa sociedade. Mas havemos mesmo é de festejar mais um passo do Brasil para sermos um país de classe média: um sonho que temos não somente o direito, mas sobretudo o dever de compartilhar. Um sonho que se tornarmos realidade vai naturalmente reduzir todos os males que hoje nos afligem.

* Esse artigo foi publicado na coluna Opinião do O Povo em 16/04/2012

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O Titanzinho é Aqui

Semana passada fui a Brasília fazer uma palestra na Conferencia de Desenvolvimento (CODE)  na trilha em que se discutiu a Economia Criativa. Uma viagem marcada pelos imprevistos que nem valem ser relembrados.

O mais importante foi a oportunidade de expor sobre o projeto financiado pela FUNCAP à UFC e comunidade do Serviluz para o Titanzinho. Só tinha informações superficiais sobre o projeto, mas como tinha que apresenta-lo fui obrigado a pesquisar mais sobre ele.

Me encantei. A ideia é agregar valor às atividades realizadas por membros da comunidade que vivem em torno do surf. O projeto prevê formação profissional e a criação de uma fábrica de pranchas de surf e de moda surfwear.

Acabei conhecendo também um vídeo feito pela Regina Cazé na série Minha Periferia no Fantástico que descreve bem o contexto do Titanzinho (veja o vídeo aqui). Fiquei admirado com a determinação de João Carlos “Fera”, um homem determinado que abraçou a causa da educação e da prática do esporte como forma de ocupação da juventude e resgate da cidadania. 

Conheçam um pouco mais sobre o projeto no vídeo abaixo. Espero que sintam-se como eu, orgulhoso de ter essa riqueza de cultura, gente boa e vitoriosa. Por mais carentes que as comunidades forem, há muito que os governos podem fazer com pouco. Basta somente potencializar os dons e virtudes das comunidades. Não há estaleiro que pague.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Um Livro, Uma História, Uma Amizade

Mon cher grand ami e compadre, Luis Eduardo Menezes, estará, hoje a noite no Ideal Clube, lançando o livro Desafios, Gestão e Conquistas. Uma trajetória profissional. Um livro que conta uma história de gestão no serviço público, mas acima de tudo, uma história de exemplo a ser seguido. Um exemplo a ser seguido por dois fatores: a carreira de corretude e sucessos e a escrita do livro ela mesma.

Luis e eu, formamo-nos em processamento de dados na UFC e a partir de lá vivemos e compartilhamos nossas conquistas e desafios. Tomamos caminhos profissionais que as vezes se distanciam e as vezes se aproximam. No entanto, tendem sempre a convergir em um ponto: a gestão no serviço público. Luís com seu pragmatismo peculiar, vivendo experiências. Eu, como a academia exige, mais com viés teórico. Imaginem a riqueza de nossas trocas de idéias! Chega a causar ciúmes!

Luis, em várias oportunidades, foi chamado a participar como gestor público nos mais diferentes níveis. O livro conta um pouco dessa história. Embora já o tendo lido, não discorrerei sobre os detalhes de seu conteúdo para não tirar o interesse dos leitores. Será um instrumento valioso para historiadores. Impossível dissociar as histórias de Luis e a “época de mudanças” que acompanhamos, vivemos e torcemos como bons PSDbistas que somos “acusados” de ser. A mudança na gestão pública cearense foi um dos pontos de inflexão do movimento iniciado com a ascensão ao poder de Tasso Jereissati. Luis é um representante típico disso.

Dito isso, venho ao segundo ponto que considero exemplar em sua pequena história (digo pequena, pois acho que muito ainda haverá de ser contado nas próximas edições vindouras): o livro. Escrever um livro é uma atividade exemplar, visto que temos uma enorme dívida com a cultura da leitura e da escrita. Precisamos aprender a contar nossas histórias para gerações vindouras. E isso não é nada fácil. Requer disciplina, dedicação e coragem. Disciplina e dedicação são razões óbvias. Coragem, no entanto, talvez seja uma característica percebida por poucos. Principalmente pelos que não escreveram ainda. Ela é necessária porque um livro é nossa imagem e semelhança. Mostra-nos e registra-nos para sempre. Não há como apagar. Nem todos tem essa coragem. Bravo Menezes!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Bullying Institucionalizado

Em comparação com europeus e americanos, uma das posturas que mais considero marcante nos brasileiros, e mais ainda em nordestinos, é o hábito de “reparar” algo nos outros. Quem morou no exterior percebe mais claramente  esse hábito. É algo tão enraizado na nossa cultura que poucos que aqui vivem percebem o quanto é presente.  Morei na Europa e nos EUA. Ao conviver com outras pessoas lá, percebe-se claramente a preocupação de todos em respeitar a imagem e as decisões dos outros. Por exemplo, se você vai a um cabeleireiro, ninguém no trabalho diz “cortou o cabelo, ne’!”.

Quando falo sobre isso a amigos, alguns me dizem: “puxa como deve ser sem graça”. Pois é, pode-se até atribuir esse tipo de postura a frieza e distância, mas acho que é muito mais uma forma de respeito ao espaço dos outros.

Creio que nós, sob a desculpa da intimidade e convivialidade, exageramos. Reparamos nos outros tudo que os marca. É uma espécie de bullying institucionalizado. Você está magro ou gordo, velho ou novo, cabelos brancos ou pretos, curtos ou longos e por aí vai. Reparamos cada detalhe nos outros como se precisássemos disso até para nos aproximar, para ter intimidade. Não me surpreende quando leio sobre a procura crescente por cirurgias plásticas. Deve ser um peso grande para quem tem algo físico a ser notado a todo momento.

O cearense em particular além de comentar sobre alguma característica de alguém, ainda o faz frequentemente em tom jocoso. Quem vestido de preto não recebeu o comentário “está de Zorro, eih”. Se veste branco, “Lá vem o doutor ou o pai-de-santo”. Faz-se isso sem muito cuidado e frequentemente se passa dos limites. Algumas pessoas ao serem apresentadas a outras, já reagem com uma piadinha ou comentário engraçado. Não consigo me habituar com isso confesso. Mas como se diz por aqui “perde-se um amigo, mas não a oportunidade de uma piada”. 

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Livraria Cultura em Fortaleza

Fiquei muito contente com a abertura da Livraria Cultura em Fortaleza. Como “rato de biblioteca” que sou, minha primeira visita ao novo prédio na Av. Dom Luís deixou-me muito bem impressionado.

Embora ainda continue a comprar majoritariamente meus livros pela Internet, não nego que o charme e o bem-estar de freqüentar uma livraria é inigualável. Fortaleza não tinha um local no nível da Cultura. Em particular, chamou-me atenção o acervo de literatura estrangeira escrito em outras línguas. Os livros em inglês, por exemplo, não se resumem à pockets como na maioria das outras livrarias. Livros que em livrarias no exterior são caracterizados como “não ficção” dificilmente eram encontrados aqui. O acervo de DVDs e CDs é igualmente rico, embora não tenha tido tempo de explorá-lo com carinho.  

Mas de tudo o que mais me entusiasmou foi o fato de ter feito a visita com minhas filhas e tê-las visto tão entusiasmadas quanto eu. Em certo momento emocionei-me ao perceber o prazer que as duas sentiam ao folhear os livros, ao procurar novidades e ao explorar os diferentes temas e o espaço. Indescritível o sentimento que tive. Um misto de orgulho e realização por termos conseguido, Beth e eu, transferir-lhes tão naturalmente o gosto pela leitura que nos é caro. Saímos com a sacola cheia. Caro, mas com o sentimento de que o dinheiro foi bem gasto.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O Revéillon de Fortaleza

O réveillon de Fortaleza foi considerado um sucesso pela sua organização e segurança. Depois de tanta discussão sobre a forma como a contratação dos artistas havia sido feita em 2007, esperava-se um grande esmero dos responsáveis. Parece que isso foi alcançado. Mesmo com esse sucesso atestado, creio que a Prefeitura perdeu mais uma oportunidade de ouro para incrementar a cultura cidadã. Escrevi alguns textos (clique aqui e aqui para ler dois desses textos) sobre como o poder público pode (e deve) ser agente potencializador da educação da sociedade com ações que perpassem a educação institucional feita nas escolas e instituições de ensino. No caso do réveillon, lamento fortemente a escolha artística feita pela Prefeitura. Não que não goste dos artistas convidados ou ponha em dúvida a qualidade dos mesmos, mas acho que o momento poderia ser melhor preenchido com iniciativas mais ricas. Por exemplo, a música clássica de uma filarmônica como a de São Paulo teria um impacto fantástico e agregaria muito mais glamour à festa. Apresentações de balé (que poderia ser inclusive de cearenses com a Edisca) e outras peças músicais, digamos, menos populares combinariam perfeitamente com o momento. Um exemplo magnífico de como isso é bem feito é a cidade de Gramado no Rio Grande do Sul. Lá um concerto com Barítonos e sopranos brasileiros é o ponto alto das festividades e o público formado por turistas e habitantes que, mesmo sem serem apreciadores contumazes, têm a devida sensibilidade para captar a beleza do que lhes é apresentado. Vejam que é esse exatamente o ponto que queria enfatizar. Alguns poderiam dizer que o público, principalmente o cearense, não gosta desse tipo de espetáculo e que não teria a capacidade de apreciá-lo. Discordo fortemente disso. O que lhes falta é oportunidade. Recentemente, o Governo do Estado fez um gol de placa com o patrocínio de apresentações de Artur Moreira Lima na cidade. Um sucesso absoluto. Vejam o que o Jornal O Povo capturou de alguns espectadores:
“Se fosse axé, forró eu não vinha não. A gente tem uma fama de ser um bairro sempre excluído, mas tem muita coisa legal acontecendo aqui e de graça. Se isso aqui fosse pago, com certeza era muito caro”. Clique aqui para ver a matéria completa.

Agora é verdade que há um problema grande com essa minha sugestão. Não combina encher a cara com música clássica, né? É fato. Cabe-nos avaliar que tipo de festa queremos publicamente promover em nossa sociedade e que tipo de imagem queremos que nossos turistas tenham de nossas festas.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

História Urbana

Felizmente, muito se tem falado atualmente sobre a necessidade de uma política de ocupação do solo e de ordenamento do espaço urbano em Fortaleza que vem sofrendo há anos com essa carência. Infelizmente as ações públicas e da iniciativa privada demonstram uma enorme miopia para um aspecto que considero essencial: o respeito à história urbana. Estamos sempre derrubando prédios e construindo tudo de novo (de preferência arranha-céus em estilo “moderno” envidraçado). Em minha última viagem a Portugal tive a oportunidade de presenciar uma obra de engenharia civil que exemplifica o tratamento por eles dado a essa questão. A foto abaixo ilustra o que quero descrever. Veja que a fachada da obra é a de um prédio velho, mas que deverá ser mantido. Dentro há um enorme espaço oco, indicando que a obra vai ser de reforma total. Exceto na fachada. Não é a toa que as cidades européias mantêm um estilo próprio e representativo de suas ricas histórias. Lisboa, em particular, é um exemplo que deveríamos seguir. Vejam que temos, aqui mesmo em Fortaleza, exemplos de como vale a pena conservar e restaurar nossos prédios, como o caso dos prédios da Secretaria da Fazenda do Estado e alguns outros nos arredores da Praia de Iracema, mas eles não parecem ser suficientes para a formulação de políticas públicas mais incisivas. Lamentável.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Cearês , Cultura e Turismo

Bem divertido o dicionário de Cearês(acesse-o aqui). Ele elenca uma centena de palavras que fazem parte do vocabulário do povo cearense e que são um deleite de se serem exploradas. Encontrar expressões como “rebolar no mato” (jogar fora) fazem rir, mas servem, por exemplo, a nos mostrar a pouquíssima preocupação ecológica que certamente não fez parte de nossas últimas gerações (e que ainda não faz!). O mato era o lixo! Só senti falta de um estudo mais elaborado que buscasse as raízes de cada palavra. Termos como baitola e espiricute são derivações do inglês, por exemplo, têm explicações. Baitola surgiu na época da segunda grande guerra quando americanos coordenavam a construção de estradas de ferro que deviam ser construídas com especial cuidado quanto à “bitola” das mesmas. Pelo sentido que a palavra tomou por aqui, dá para perceber que os cearenses não gostavam muito do jeito desses coordenadores, né? Espiricute é outra variação que refere-se ainda hoje a garotas ou garotos danados, mas não no sentido pejorativos. Vem de ”she is pretty cult” (algo como, ela é muito bonitinha!). Mesmo sem possuir esse estudo etimológico, a iniciativa é genial. Felizmente, percebo que gradativamente vamos, nós brasileiros e, cearenses em particular, perdendo o complexo de inferioridade que nos acompanhou muito por muito tempo e que nos fez ter vergonha de nossa cultura. Está cada vez mais claro que temos uma cultura própria, rica e que merece ser divulgada. Não há que comparar ou avaliar se é boa ou ruim. Ela é fruto de nossa história, reflete nossas raízes e auxilia a compreender nossos hábitos e comportamento. As diferenças culturais são a grande riqueza que vem sendo explorada por diversos povos, principalmente em benefício do turismo. Quem viaja, principalmente quando se fala de turismo internacional, está disposto, digo mais, está ávido para conhecer culturas diferentes das suas. É isso que os entusiasma. É claro que nossas belezas naturais e nosso clima ameno são fatores essenciais para atrair turistas. Mas isso só não basta. Há muita beleza natural em várias partes do mundo. O diferencial nessa competição de atratividade é a cultura. Vejam que minha definição de cultura é ampla. Não se resume a museus ou visitas a pontos históricos. Envolve as relações pessoais, a linguagem, a forma de se comunicar de expor os sentimentos, de sorrir, enfim de se dar. E nesse ponto, desculpem os compatriotas, o Ceará é imbatível. Nossa cultura acomoda naturalmente um sentimento de serventia, o prazer de receber e de fazer rir. Não é a toa que há uma proliferação de humoristas e shows de humor na cidade. Um povo que brinca com a própria dificuldade. Chega de leriado, arre égua, feliz festas!

domingo, 12 de outubro de 2008

Lisboa

Lisboa lembra-me fortemente Marseille na França onde morei por quase quatro anos. Talvez por isso mesmo seja uma cidade que me agrade tanto. As colinas e vales e a estrutura de suas avenidas que descem diretamente ao mar são de uma similaridade incrível. Marseille tem sua Canabière que leva-nos ao Vieux Port à beira do Mediterrâneo. Lisboa com suas Avenida da Liberdade e Rua do Ouro que nos levam a Praça do Comércio e ao desembocadouro do Tejo. No entanto, não é só isso. As duas cidades são velhas, mas de espírito jovem. Não que as compare por causa de suas faixas etárias, pois nesse quesito Marseille é mais de 1000 anos mais idosa (oficialmente, mas as duas cidades parecem ter aparecido há mais de cinco séculos antes de Cristo), mas sobretudo em sua arquitetura. São semelhantes em suas ruelas escuras, enigmáticas, cheias de monumentos que comportam muita história e sempre cheias de alegria, sobretudo à noite, algo bem típico de cidades marítimas e de jovens. Abaixo algumas cenas retratadas e que me dizem um pouco de Lisboa.

Aos Gourmands. Pastelarias com Pastéis de Nata


Ruelas e mais ruelas.


As calçadas não são dos peões (ou melhor, pedestres).

Museu Calouste Gulbenkian. Tanto arte antiga(minha preferência) quanto moderna

Mercado de antiguidades e de peças para colecionadores. Selos, livros e discos de vinil abundam em face da Praça do Comércio e abaixo de um arco do triunfo dedicado a Vasco da Gama

Por falar em Vasco da Gama, esses belíssimos azulejos descrevem seu diálogo com o Rei antes de partir para conquistas em sua nau também retratada. Bem que meu Vasco poderia se inspirar um pouco em tanta glória.

Casa do Alentejo. Ainda hoje é destinada a reunir os alentejanos para uma conversa, um café e troca de homenagens. Seu prédio estilo mouro com azulejos e madeiras rebuscadas é imperdível.


terça-feira, 11 de março de 2008

O Inferno da Biblioteca François Mitterrand

Na minha recente viagem a França, tive a oportunidade de voltar à Biblioteca François Mitterrand. Trata-se de um dos dois sítios da Biblioteca Nacional da França – BnF (o outro, mais antigo, está na Rue Richelieu, perto de l’opéra de Paris). A biblioteca François Mitterrand é a terceira no mundo em volumes no seu acervo. São cerca de 13 milhões de livros. Perde para a biblioteca do congresso americano (29 milhões de livros!) em Washington e para a British Library (mais ou menos do mesmo tamanho da BnF). Vê-se claramente a vontade de integrar as diferentes formas de memorização e transmissão do conhecimento existentes no momento atual. Podemos encontrar nela o livro e o periódico, bem como o audiovisual e a informática. Esta última serve tanto para gerir o orçamento, o catálogo ou a consulta cotidiana das obras, como de memória (principalmente os CD-ROMs). Mais de 100 mil obras antigas foram digitalizadas e podem ser acessadas por computador à distância ou no próprio sítio. Um projeto de digitalização de obras que não são mais protegidas por direito autoral está em andamento. Agora, o que me parece o mais marcante da biblioteca é a riqueza de eventos que lá ocorrem diariamente. Exposições, palestras, aulas, debates, a todo momento, acontecem nas quatro torres que fazem a biblioteca. Na minha visita conheci uma exposição super interessante chamada L’Enfers de La Biliothèque (O Inferno da Biblioteca). Esse termo surgiu para representar as obras que eram censuradas e banidas de acesso à leitura. Quando não eram danificadas, ficavam armazenadas em área de acesso restrito. Do começo do século XIX até 1969, o “inferno” foi mantido e proibiu o acesso a livros que retratavam mais de 500 anos de história. Tive uma sensação estranha ao ver os catálogos das obras com a menção enfers escrito de lápis ao lado do título da obra. O termo é decididamente bem forte e emblemático. Carrega toda a carga da moral religiosa tão dominante durante tantos anos na Europa. Tratavam-se em sua grande maioria de obras que versavam sobre sexo, adultério e “imoralidades” (pelos padrões religiosos) embora temas políticos e considerados reacionários também tenham estado lá. A exposição na BnF é proibida para menores de dezesseis anos e uma vasta quantidade de material de áudio e vídeo também está presente. Gravuras, desenhos animados e filmes pornográficos com sexo explícito feitos no começo do cinema mudo nos lembram o quanto o tema é determinante por mais inovadora que seja a mídia. Para ver um vídeo em francês sobre a exposição clique aqui . Abaixo postei uma foto da maquete da BnF, site François Mitterrand. Percebe-se a grandiosidade da arquitetura. Outra figura postada exemplifica algumas chamadas para exposições e eventos diversos.


quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Tecnologia e Hábito de Leitura

Mês passado a FUNCAP foi convidada pela Secretaria de Cultura para propor uma nova visão, com forte viés tecnológico, para a Biblioteca Pública Estadual Menezes Pimentel em Fortaleza. Esta demanda se insere no conjunto de atividades estabelecidas no plano estadual para leitura de livros (PELL). Fui indicado para iniciar um estudo com esse fim e estive na abertura de um workshop de planejamento das ações do PELL. Minha primeira sugestão, que logo percebi que era convergente com o PELL, era de que repensássemos o conceito de bibliotecas públicas. Porque as pessoas não as visitam? Como deve ser uma biblioteca nessa era digital? Como torná-la catalisadora e potencializadora da ação de ler (e mesmo da ação de escrever)? Tais perguntas, me parecem, que não comportam respostas simples. Envolvem diversas áreas e diversos aspectos culturais que precisam ser compreendidos e trabalhados. Novamente, me defronto com um projeto que não é só de tecnologia. Um projeto sobre como a tecnologia pode mudar (ou adequar-se a) o comportamento das pessoas, em especial, um que me agrada sobremaneira: o hábito da leitura. Do primeiro momento que comecei a pensar sobre a questão até hoje, algumas idéias estruturantes começaram a brotar. A primeira idéia é aproximar a biblioteca do leitor através de meios digitais. O portal da biblioteca deve ser dinâmico, mudar a postura passiva de leitor de recorrer à mesma só para consultar obras literárias. Mudar o paradigma de repositório de livros. Há de se criar um espaço interativo, de preferência em consonância como softwares de redes sociais. Desta forma, pode-se potencializar a troca de comentários e sugestões, criação de grupos de leitura, além de fomentar um sistema em que comentários sobre obras lidas sejam compartilhados. Inovações devem estar presentes. Talvez uma sala de leitura coletiva onde um grande livro estaria projetado em uma parede e as pessoas o leriam coletivamente (!?). A consulta de livros pela Internet deve ser a mais lúdica possível. As capas e contracapas, sumários, críticas e mesmo algumas páginas da obra devem ser digitalizadas para que o leitor “virtual” possa conhecer mais sobre a obra que deseja ler. Um sistema de recomendação de obras que “casam” com o estilo do leitor também é outra idéia a ser implantada. Algo bem no estilo Amazon. As livrarias avançaram muito nessa direção. Creio que as bibliotecas precisam fazer o mesmo. Estou buscando parcerias para a realização deste trabalho a ETICE (Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará) e a IBM já se apresentaram. Recebi uma indicação muito interessante da IBM, sobre um relatório feito na Inglaterra que analisa o hábito de leitura da geração Google encomendado pela British Library (Blioblioteca Nacional Britânica). A geração Google é aquela que nasceu depois de 1993. Esse texto abaixo extraído da Wikipédia diz tudo sobre esse conceito: "Most students entering our colleges and universities today are younger than the microcomputer, are more comfortable working on a keyboard than writing in a spiral notebook, and are happier reading from a computer screen than from paper in hand. Constant connectivity – being in touch with friends and family at any time and from any place – is of utmost importance." Em resumo, o texto define a geração Google como sendo aquela com mais familiaridade com a Internet e com a leitura de textos no monitor do que com um caderno e que esta conectada com amigos e familiares em qualquer lugar e a qualquer momento pela Internet. O relatório é denso e merece várias análises, mas é muito interessante saber que os jovens com acesso a internet lêem mais dos que os que não têm esse acesso. Contraria uma certa idéia preconcebida de que a geração digital troca o livro pelo computador. Acho que com medidas criativas pode-se, na verdade, potencializar as ações de leitura. O trabalho está só começando e estamos abertos a novas idéias. Que promete, promete.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Seminário de Economia Criativa

Só agora pude fazer um resumo do que assisti no seminário sobre economia criativa (clique aqui para saber mais sobre esse conceito) que aconteceu na FIEC mês passado (WikiCrimes monopolizou minhas atenções!). Minha primeira avaliação foi de que o objetivo inicial de divulgar o conceito foi atingido apenas parcialmente. Muitas palestras foram de alto nível, mas, lamentavelmente, acompanhadas por um público muito reduzido. Além disso, mesmo sendo de boa qualidade, as palestras não estavam todas relacionadas claramente com o conceito inovador da economia criativa. De qualquer forma, para os que acompanharam intensamente as apresentações sobraram idéias e informações relevantes. O representante da ONU fez uma apresentação muito interessante de como a questão da economia criativa está sendo vista de forma estratégica por essa organização. Ele vinculou fortemente o conceito com a cooperação sul-sul. Quase 95% do mercado consumidor e produtor de cultura no mundo está no norte (80% nos EUA). Achei interessante quando ele disse que o mundo da cultura precisava fugir do modelo Van Gogh (que só teve suas obras reconhecidas após sua morte), mas, por outro lado, devia-se igualmente fugir da idéia comum da economia de riqueza por acumulação de riqueza. A economia cultural não necessariamente segue essa lógica, pois a riqueza pode ter um caráter muito mais amplo, tanto educacional como de realização das pessoas. A definição do Prof. e ex-secretário de cultura de Montevidéu Gonzaga Carambulo é extremamente feliz para contrapor a visão opulenta da economia, ele define a cultura como um processo que enriquece a liberdade real das pessoas em busca de seus próprios valores. O desafio é enorme, pois 70% da população mundial não são inseridas no mercado global da cultura. Essa economia, que agrega valor ao intangível, cresce a taxa de 10 % ao ano. O presidente da FUNCAP, Prof. Tarcísio Pequeno, em sua apresentação fez uma interessante reflexão entre a ciência, educação e a criatividade. Disse que a ciência é a arte controlada da criatividade. É a aprendizagem da “domesticação” da criatividade com um método bem definido. Emendou refletindo: será possível educar criatividade? Pode-se induzir seu aparecimento? Em síntese, ele acredita que a criatividade se estimula com objetos que permitem recombinações e concluiu com um apelo por um sistema educacional que permita uma visão a menos restritiva possível do mundo para que não se tolha essa possibilidade de “recombinações”. Outro lado positivo do seminário referiu-se a diversidade de exemplos interessantes demonstrados. A Nigéria emprega um milhão de pessoas no cinema. São Paulo tem um programa para fomentar a leitura (leia mais sobre isso clicando aqui). Lapa, a cidade da música, São Paulo fashion week, e outros exemplos certamente causaram entusiasmo nos espectadores. Encontra-se aqui uma fonte de riqueza inesgotável do país. Para finalizar sugiro uma passeada pelo site overmundo um portal colaborativo sobre cultura no Brasil onde é possível conhecer iniciativas cearenses bem interessantes.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Moral, Cultura e Lei

Estava lendo um texto sobre a cultura cidadã no site do ex-prefeito de Bogotá por duas vezes Antanas Mockus (clique aqui para acessá-lo, em espanhol) e achei interessante revisitar alguns exemplos e conceitos. Antes, no entanto, lembro que já venho escrevendo sobre a cultura cidadã nesse blog (para saber mais, digite “cultura cidadã” no campo de pesquisa deste blog no canto superior esquerdo). Leis são normas criadas por uma sociedade com o objetivo de organizar a vida comunitária. Outros dois aspectos que andam pari passu com a lei são a moral e a cultura. Esses conceitos são bem conhecidos para quem estuda ética, mas no contexto da cultura cidadã de Mockus ganham um pragmatismo surpreendente. Vejam, por exemplo, quais foram as ações desenvolvidas no programa de educação no trânsito. Mímicos contratados para ensinar às pessoas a importância das faixas de pedestre explicavam teatralmente que o correto era atravessar na faixa e, aos motoristas, que aquele território pertencia aos pedestres. Com o passar do tempo, a própria população passava a repreender os transgressores com apitos e vaias. Se uma pessoa não era convencida a respeitar a faixa pelos mímicos, o povo nas calçadas a repreendia e, se ainda assim não funcionasse, vinha o guarda de trânsito para aplicar a multa. Essa seqüência representa os três mecanismos reguladores: a moral (representada pelos mímicos), a cultura (manifestada pela população vaiando) e a lei (personificada no guarda). Muito difícil conseguir emplacar leis e fazê-las obedecidas se não são suportadas pelos outros dois fatores. Em outro exemplo, o prefeito Peñalosa, que sucedeu Antanas Mockus e deu continuidade a política de seu predecessor, ao se referir sobre a recuperação de espaços públicos e suas formas urbanas, disse “em ambientes desordenados, as pessoas de boa índole (moral) se sentem minoria e não agem solidariamente. Por outro lado, um lugar bem-conservado dá a impressão de uma comunidade alerta(cultura), com cidadãos atuando em conjunto. Como a comunidade se conhece e interage nos parques, quadras esportivas e espaços públicos em geral, acaba ganhando uma cidade mais segura”. É claramente uma visão transversal e multi-disciplinar. Creio que não é preciso gastar muito argumento para convencer sobre o quanto essas idéias são interessantes. O grande desafio é ter capacidade de implantá-las.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Carreiras e Corridas

Estive neste fim de semana em Guaramiranga participando de uma corrida de longa distância que me permitiu conhecer mais intimamente o ambiente que envolve essa prática que vem se propagando fortemente no Brasil, em especial, em Fortaleza. Experimentei o sentimento que move os entusiastas e pude refletir sobre alguns aspectos que me parecem interessantes deste contexto. Mesmo não sendo muito afeito a modismos, reconheço que neste caso, em particular, só identifiquei benefícios. Obviamente, o maior deles refere-se aos impactos positivos na saúde dos esportistas, conseqüência direta da prática de esporte. Impossível não sublinhar que os aspectos estéticos, por serem tão cultuados em nossa sociedade (veja texto sobre isso aqui), também se constituem resultado e motivação, principalmente nas mulheres que, aliás, comparecem em grande massa. Ao buscar aprofundar a busca de por que desta febre maratonista, identifica-se que as corridas de longa distância têm algumas características bem peculiares e que potencializam sua popularidade. Elas não requerem equipamento nem local especiais para sua prática. São ainda extremamente democráticas, pois todos podem praticá-las: congregam tanto homens como mulheres, profissionais e amadores, jovens e velhos, e de qualquer classe social. Não exigem dos eventos maiores preparações nem tratamentos diferenciados. Poucos esportes podem, por exemplo, realizar uma competição com todas as categorias juntas em um mesmo local e ao mesmo tempo. Vi muitas famílias correndo juntas, com pais e filhos e até avôs participando. Esta diversidade favorece sentimentos de companheirismo e fair-play emocionantes. Os corredores se ajudam e dão força uns aos outros. Nos treinamentos semanais os mais dedicados se juntam em grupos e formam equipes. Nutrem-se assim do componente social que originalmente não está presente na corrida que é eminentemente um esporte individual. A competição (estritamente falando) se restringe aos profissionais que disputam os primeiros lugares. A grande maioria dos corredores está buscando competir consigo mesma. Buscam quebrar seus próprios recordes e limites. O público que acena e aplaude em todo o trajeto dá ainda outro tempero especial ao evento. O segundo aspecto que me saltou os olhos foi de como esses eventos esportivos estão se tornando um negócio lucrativo. Não me refiro exclusivamente ao negócio para aqueles que promovem as corridas, mas principalmente às cidades onde elas se desenrolam: o negócio do turismo esportivo. Os esportistas se articulam para participar das corridas e para conhecer os sítios onde elas se desenvolvem. Essa prática já era habitual quando se falava das grandes e tradicionais corridas como as de New York e São Paulo (São Silvestre). Com a popularização das corridas e com o aumento do número de praticantes, há um nicho a ser explorado pelas cidades de outros portes. O evento deste fim de semana em Guaramiranga demonstrou isso muito claramente. Mais de quatrocentos corredores levaram, certamente, pelo menos o dobro de pessoas à cidade. Trata-se assim de uma ótima oportunidade para as cidades que querem expor suas potencialidades. O momento atual é de euforia dos praticantes e o número de adeptos cresce diariamente. Mesmo após um recrudescimento, que me parece normal que aconteça, com perdão do trocadilho: há carreira nas corridas!

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Cultura de Compartilhamento: Você compartilharia seu carro?

Tenho sempre dito aos meus alunos que o empreendedor que deseja investir na web tem uma grande dica a seguir: vislumbrar um negócio que explore alguma possibilidade de compartilhar coisas. Esse tem sido o tom do mundo web com a cultura de compartilhamento como já mencionei em um texto recente (clique aqui para ver o texto). Pois bem, dentro dessa linha, os americanos criaram um serviço inovador de compartilhamento de carros. O site www.zipcar.com explica como o serviço funciona. A idéia funciona como um serviço de aluguel de carros, mas muito mais flexível. A Empresa possui vários pontos de carro espalhados na cidade. O cliente se cadastra na web para poder dizer o horário que vai usar o carro e onde deseja retirá-lo e devolvê-lo. O sistema todo é automático com o uso, pelos clientes, de um cartão de crédito que é passado nos locais de retirada e devolução dos carros. As tarifas variam de sete a nove dólares por hora de uso e ainda podem reduzir quando se consegue fazer um grupo de usuários. Algo que me lembrou o tempo de faculdade quando fazíamos rodízio de carros para economizar. O serviço está disponível em mais de dez grandes cidades americanas e pode também ser usado em algumas cidades do Canadá. A Zipcar tem feito parceria com algumas empresas para prover o serviço para os funcionários das mesmas e assim facilitar a formação de grupos. Enfim, uma iniciativa interessante, ambientalmente correta e com uso forte de tecnologia. É o empreendedorismo tecnológico em essência. Alguém arrisca aqui no Brasil?

terça-feira, 26 de junho de 2007

A Cultura do Compartilhamento

Tenho sempre mencionado que a web 2.0, mais que uma inovação tecnológica, se trata de uma nova forma de viver em sociedade. O motor desta mudança é a cultura do compartilhamento. O mais surpreendente é que até bem pouco tempo a cultura reinante era a da proteção do conhecimento. O compartilhamento se contrapõe a tradicional cultura simbolizada pela “Knowledge is Power - Conhecimento é Poder”. Esta expressão encarnou o sentimento das pessoas que se viam impelidas a proteger o conhecimento que tinham e agir conforme a popular expressão “escondendo o jogo”. Quem de nós não conhece alguém que não gosta de contar os segredos que fazem sua habilidade? Isto é particularmente comum no ambiente de trabalho onde a competição faz com que as pessoas se retraiam e se sintam inseguras em compartilhar seus conhecimentos. O mundo empresarial já tem a algum tempo tentado implantar a cultura de compartilhamento através da gestão do conhecimento. Livros e mais livros descrevendo as vantagens de compartilhar compartimento surgiram juntamente com métodos, técnicas e estratégias a serem implantadas com esse fim. No entanto, há outros sentimentos que se contrapõem a essa noção de esconder o jogo e que a cultura do compartilhamento na web naturalmente evidenciou. Primeiro, trata-se de uma forma de apresentação individual. As pessoas gostam de mostrar do que gostam, pois seus gostos representam o que elas são (ou pelo menos representam como gostariam de ser vistas). Por exemplo, quando alguém compartilha o seu gosto musical ou seu gosto literário, se trata de uma forma de se apresentar aos outros. O segundo sentimento é o de reconhecimento. As pessoas se sentem bem ao serem reconhecidas como sabedoras de algo. Todo mundo tem sempre uma habilidade particular que o faz diferente, orgulhoso e requer conhecimento. A web na forma atual é o mais puro exemplo de como todo mundo tem sempre algo a ensinar a alguém. Hoje qualquer que seja o assunto que se tenha interesse em pesquisar na web, há sempre alguém que disponibilizou algo sobre esse assunto na esperança que alguém um dia se mostre interessado. Vejo também uma motivação implícita de criar uma rede de interesses em comum. Parece-me que o inerente sentimento gregário do ser humano aflora. A vontade de fazer parte de um grupo que compartilha interesses em comum. Alguns exemplos da cultura do compartilhamento na web podem ser vistos nos seguintes sites. O compartilhamento de vídeo tem em YouTube (www.youtube.com) seu representante mais típico. Os blogs são representantes da noção de compartilhamento de textos. Se pode compartilhar transparências (slides) com SlideShare (www.slideshare.com) e fotos com Flickr (www.flick.com). O compartilhamento de músicas pode ser feito com LastFm (www.last.fm), pandora(www.pandora.com), blogmusik (www.blogmusik.net), bem como com os sites tipo Napster e Kazaar. Enfim, a verdadeira revolução da gestão de conhecimento esta em curso na web e sem necessidade de maiores convencimentos!

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Rembrandt está no Ceará


Quem, indo a Amsterdã, se esqueceria de ir a um museu para apreciar a enorme quantidade de obras de arte dos artistas holandeses, principalmente, dos que viveram na época de ouro dos países baixos por volta de 1600? Em particular todos se lembrariam de Rembrandt como sendo um exemplar típico destes artistas. Pois não é que Rembrandt veio (e ainda permanece) ao Ceará? A exposição de algumas de suas gravuras está no espaço cultural UNIFOR até três de Junho. Imperdível! Rembrandt é para muitos o maior pintor de todos os tempos. Em particular suas gravuras, dentre as quais muitas estão na UNIFOR, são o que mais impressionam. De sua personalidade, gosto do fato de que sua pintura exalava sinceridade. Em um momento onde a burguesia adorava ter seus retratos em paredes mostrando “fotos” das famílias comportadas, Rembrandt pintava o que via e o que sentia (o que nem sempre era de bom grado dos mecenas). Esta iniciativa vem se somar às anteriores de porte comparável como a exposição Miró. Soube hoje pelo Reitor da UNIFOR que negociações para uma amostra Goya estão em andamento. Louvável todas as iniciativas. Não é fácil deslocar o eixo cultural do Sudeste da forma como a UNIFOR vem fazendo. Ao lado, postei um dos óleo sobre tela mais famosos de Rembrandt: “A lição de anatomia de Dr. Tulp”. Este quadro está no museu Maurício de Nassau em Haia. Aliás, para quem for a Haia, recomendo uma visita neste museu, pois há muitas coisas que se referem a colonização dos holandeses ao Brasil (basta ver os móveis e colunas que não tenho dúvida que são de Pau Brasil). As gravuras, não irei postar, pois indo a UNIFOR serão bem melhor apreciadas.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Trabalhando em Casa

Uma reportagem televisiva sobre algumas pessoas que trabalham em casa me levou a escrever esse texto. Os avanços tecnológicos como a Internet permitem que as Empresas aceitem e mesmo incentivem estas iniciativas. As pessoas que trabalham em casa têm a tendência de ficar obcecadas por trabalho e acabam cumprindo uma jornada de trabalho maior que a de trabalhadores “normais”. Fica difícil separar a jornada de trabalho da jornada familiar. O trabalho acaba ganhando prioridade, pois lhe forca sempre a reagir a alguma demanda intempestiva. Para profissionais que trabalham em multinacionais com sedes em diversos paises isso é ainda mais sério em função de diferenças de fuso horário. O problema é que não se tem muita certeza de que esse novo modelo de trabalho aumenta a produtividade. Primeiro, em função do natural estado de stress do funcionário que tende a crescer e porque algumas atividades como olhar e-mails tornam-se uma paranóia e a produtividade pode até diminuir. Recentemente uma pesquisa divulgada no New York Times mostrou que os americanos gastam em torno de uma hora por dia acessando e respondendo e-mails. Torna-se uma das razões pelo qual eles são menos produtivos do que alguns países europeus como a Franca. Experimentei o quanto as pessoas trabalham em casa na minha estada na Califórnia. As pessoas no ambiente de pesquisa científica literalmente não têm mais hora para trabalhar. Incrível. Muito frequentemente, tarde da noite quando estava no ar (normalmente, escrevendo o blog) recebia mensagens de membros das equipes de trabalho que tinham contato. O pior disso tudo é que se acaba por criar um hábito de responder às mensagens prontamente, para isso, precisa-se acessar os e-mails a todo o momento e assim a obsessão vai se formando. Cabe a cada um montar sua estratégia para viver no novo paradigma sem entrar nesta roda viva.