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domingo, 30 de junho de 2013

A Beleza de Fortaleza


Em Maio de 2007, recém-chegado do pós-doutorado em que passei pouco mais de um ano na Califórnia, escrevi sobre a Beira-mar.
Na época descrevi meu sentimento quando passeei pelas calçadas e percebi todo o calor humano e diversidade lá presentes. Aqui decido voltar sobre a questão, porque vi alguns comentários de turistas que vieram a Fortaleza e disseram não achar a cidade bela. Diziam não ter visto nada de especial.

Lembrei-me de quando cheguei em Marseille na França, cidade que morei por quatro anos. A primeira impressão quando lá cheguei foi a de achar a cidade feia. Era minha primeira ida a Europa e esperava aquelas coisinhas lindas bem ajeitada, tipo Suíça. Marseille não tinha(e não tem nada disso). É um caos só. Multiarquitetura, multicultural, multilépoca J).  Só compreendi a beleza da cidade depois de algum tempo. E vi que a França não tem tantas cidades como Marseille.

Acho que Fortaleza, embora muito diferente de Marseille, é uma cidade dessas que não dá para perceber a beleza em um primeiro momento como Rio, Paris e outras onde as beleza natural aflora. Ela tem que ser vivida e sentida. E a Beira-mar (incluindo a Praia de Iracema) é para mim o local a se sentir.

Sempre que lá passeio, vejo uma representação de classes, de culturas e de valores incríveis. Difícil encontrar um espaço amplo, cheio de atrações, como muita gente e eclético como a Beira-mar. A proximidade com a zona hoteleira e restaurantes é riquíssima. Durante a Copa das Confederações adorei ainda mais passear na Beira-mar. A mistura de gente tornou-se ainda mais eclética.

Lembro que tudo isso é ainda temperado pelo cearense com seu condimento especial: o bom humor.  Há sempre um vendedor exótico fazendo alguma graça (com a própria desgraça ou zombando da cara do próprio comprador (pode algo ser mais politicamente incorreto)).

Seria muito pobre reduzir a beleza de Fortaleza à noite da Beira-mar? Talvez, mas se os turistas a vivenciarem  vão começar a perceber uma  beleza que vale o ticket. 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Cooper Atrapalha o Trânsito: Continuamos Estragando Boas Idéias

Uma matéria do Diário do Nordeste de 28 de janeiro com o mesmo título da primeira parte do título deste texto chamou-me atenção (clique aqui para ver a matéria ). De início, o próprio título da matéria me causou espanto. Numa cidade onde os pedestres nunca têm a prioridade, o título em questão é no mínimo inusitado. Podem os coopistas ser os causadores de tamanha façanha? O inverso me soaria mais natural. É o trânsito desregulado da cidade que não permite a prática de ciclismo, nem de corridas sem que o praticante arrisque sua vida. O corpo da matéria descrevia que alguns motoristas se queixavam pelo fato da prefeitura destinar um espaço na Avenida Beira-mar das 5 as 8 da manhã para os coopistas. Ao fazer isso, o espaço para os veículos foi reduzido e engarrafamentos passaram a ocorrer frequentemente. Como sou freqüentador casual desse espaço pelas manhãs, pude testemunhar os problemas. Como muitas das coisas no nosso País, trata-se de mais um exemplo de boa idéia e péssima implementação. É claro que destinar um espaço público ao cidadão para prática do esporte é uma boa idéia e trata-se de iniciativa louvável (vejam o exemplo de Paris que mencionei aqui). Mas ao fazer da forma atual, a Prefeitura arrisca estragar mais uma boa idéia (outros dois textos sobre estrago de idéias está aqui e aqui). A iniciativa requer um pouquinho de planejamento e ação interdisciplinar (não muito!). Há dois problemas cruciais no trânsito da Beira-mar: o estacionamento de carros da Avenida e a parada de ônibus de turismo. Os dois problemas podem ser resolvidos com um pouco de engenharia de trânsito e capacidade de articulação com o setor de turismo. Não se admite que cada ônibus de turismo tenha que obrigatoriamente parar na porta de cada hotel da orla. Porque não criar espaços próprios para paradas dos ônibus na própria avenida (ao se restringir o estacionamento de veículos de passeio nessas áreas se ganharia espaço para tal). Porque não destinar outros espaços para os ônibus nas vias de acesso a Beira-Mar? Porque não negociar como setor hoteleiro e com as agências de viagem um pequeno escalonamento de horário para o embarque e desembarque de passageiros visto que o fluxo é muito concentrado em alguns horários durante o dia? E principalmente,porque não colocar agentes de trânsito para coordenar o trânsito e educar os transeuntes e motoristas nos horários de engarrafamento: Normalmente isso só é necessário em períodos curtíssimos (no caso da manhã, o problema se concentra entre 7 e 8 da manhã). Não quero ser exaustivo nas soluções até porque não sou especialista em engenharia de trânsito, mas me parece claro que há alternativas, não muito complicadas, para que todos se sintam atendidos e respeitados. Agora, sem uma ação integrada e planejada, decididamente, não dá. Vejam o que disse o secretário de esportes sobre o assunto. “O que aconteceu é que muitos guias de turismo e pessoas ligadas à hotelaria se sentiram incomodados porque os ônibus não podem mais estacionar no meio da via. Até porque isso é proibido pela Código Nacional de Trânsito”. Não podem, mas o fazem, secretário, o fazem diariamente e é por isso que o problema ocorre. Criar o hábito de parar no meio da rua para recuperar os hóspedes é um desrespeito às leis, sim, mas infelizmente os órgãos responsáveis não estão presentes para repreender os abusos. É preciso entender que uma cidade bela e turística significa uma cidade onde as regras são seguidas e as instituições são respeitadas por buscarem resguardar o interesse da coletividade. Isso não estamos vendo na Beira-mar. Aliás os problemas mencionados ocorrem à noite também mesmo sem haver espaço reservado para os coopistas.

terça-feira, 1 de maio de 2007

O Mundo Nada Virtual da Beira Mar de Fortaleza

A experiência californiana me deixou muito ligado aos novos conceitos da web e fui adquirindo muita familiaridade com o mundo virtual. A iniciativa deste blog, por exemplo, é reflexo disto. Neste primeiro de maio fui dar uma caminhada na Beira Mar de Fortaleza e tive a oportunidade de observar um mundo nada virtual embora que guarde sua semelhança. Para os que não conhecem Fortaleza, a Beira Mar é uma área ao bordo do mar de aproximadamente 6 km que vai da praia de Iracema até o Iate Clube. Creio ser uma das regiões de maior movimentação turística no Brasil e se pode encontrar de tudo lá. Fiz um exercício divertido de identificar pessoas que personificavam, em carne e osso, os diferentes papéis que agentes no mundo virtual desempenham. Por exemplo, encontrei um cidadão que estava discursando em alto e bom tom, indignado sobre a acumulação de riqueza e as injustiças que isso trazia. Naquele momento ele era claramente um blogger. Suas idéias eram divulgadas ao público que transitava na região que, por sua vez, poderia concordar ou não, ou simplesmente, continuar sua caminhada sem dar-lhe maior atenção (que foi aliás o que me pareceu que a maioria decidiu fazer). Outra espécie de blogger foi personificada por uma dupla que cantava músicas religiosas e que tentava vender um CD com suas músicas. Via-se ali um blogger com interesse comercial. A área de entretenimento se fazia presente com vários artistas realizando acrobacias, encenações mirabolantes (como quebrar cocos com o calcanhar) e contando piadas (o que não poderia faltar no Ceará). O comércio também estava presente através das feirinhas de artesanato, mas igualmente pelos vendedores ambulantes que usam das mais diversas técnicas para atrair os fregueses. Alguns anunciam seus produtos gritando, outros usam alto-falantes. As cozinheiras usam o aroma de suas receitas para seduzir os transeuntes. Observei o quão reduzido era o alcance daquelas pessoas nas suas árduas tarefas de serem ouvidas e prestigiadas (diferentemente da web onde o mundo é o limite). No entanto, eles tinham algo em comum, uma grande intensidade de criatividade, disposição e sentimento que exalava nos seus cantos, discursos e gestos. Isso o mundo virtual não consegue transmitir. Os aromas e ruídos de risos, conversas e cantos que estavam no ambiente estavam impregnados de calor humano que é bem real e brasileiro. Tava com saudade !