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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Minha História em Medalhas

As fotos abaixo são de como ficaram os dois quadros que emolduram as medalhas que conquistei na minha vida de esportista. São 61 medalhas que agora estão em lugar de destaque no escritório de minha casa. A maioria delas referentes a campeonatos de basquete, embora haja uma variedade razoável.

As medalhas contam um pouco de minha trajetória e valem meu orgulho. Alguns momentos memoráveis em competições nacionais e estaduais. Confesso aqui no entanto que o que mais me motivou a preparar os quadros e a escrever esse texto foi o fato de que elas só existem ainda, porque meu pai as guardou durante esses cerca de 40 anos.

Nunca fui muito ligado em colecioná-las. Durante um certo tempo, lembro que tinha receio de que parecesse esnobe. Depois, com o passar do tempo, esse descaso foi mesmo fruto de minha ignorância histórico-cultural. Dias atrás, quando as vi na casa de meu pai, caiu a ficha. Era um pouco de minha história. Conquistadas, literalmente, com meu suor.  

Meu pai teve a sabedoria e a paciência de guarda-las. Creio que ele sabia que minha ignorância havia de ser passageira. Este post é assim uma forma de agradece-lo pela guarda e pelo ensinamento.



segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A História do Ceará na Web


Grata satisfação tive ao revisitar o site criado por Gildácio de Almeida Sá com documentos, fotos e textos sobre a história do Ceará. A iniciativa de Gil, colega de longas datas desde minha entrada no antigo SEPROCE, é louvável e merece todo o nosso apoio.

O site (http://www.ceara.pro.br) vem cotidianamente sendo atualizado e contém muito mais material do que quando tinha consultado anteriormente. Segundo Gildácio, já está com cerca de 6GB de documentos e informação. Informações sobre livros raros, fotos e documentos da Fortaleza Antiga, biografias de cearenses ilustres e links diversos a outros portais da história cearense.

Já sugeri ao Gildácio que crie um canal para receber contribuições dos cidadãos cearenses. Tem muita coisa memorável que está guardada nas gavetas dos cearenses e que poderia estar disponível para consulta no site.

Concentrei-me em explorar Fortaleza, em particular a Gentilândia de meu avô e de meu pai. Pois não é que Seu Joca está lá presente em foto ao lado de sua mercearia que eu freqüentava quase todos os domingos antes de ir ao jogos de futebol no PV. Emocionante!


quarta-feira, 9 de junho de 2010

A Rússia, Os Russos(as): Percepções


Além da história representada pelo Hermitage, como descrevi no texto anterior.  Vale a pena mencionar a igreja do Sangue Derramado que é um dos cartões postais da cidade. Vejam-na abaixo no fundo de minha foto. Tem esse nome por ter sido construída, no século XIX, em homenagem ao czar Alexander II, exatamente no local onde seu sangue foi derramado quando do atentado que lhe tirou a vida. Demorou cerca de trinta anos para ficar pronta e tem seu interior completamente construído por mosaicos extraordinários.



Outras curiosidades e impressões que me marcaram na primeira visita à Rússia. A primeira coisa é a escrita com símbolos diferentes. O único local que havia visitado e que tinha símbolos diferentes do alfabeto romano tinha sido a Grécia. No entanto, mesmo lá, era fácil encontrar traduções. Ainda por cima,  alfabeto grego não é tão desconhecido, em particular daqueles que gostam de matemática. Aqui em São Petersburgo tudo é em cirílico e somente alguns restaurantes e pontos turísticos também usam o alfabeto romano. Tive que dar uma estudada para não me sentir tão deslocado. Considerando que a cidade é repleta de outdoors, não ter a menor idéia do que eles se referem é desagradável. Como o tempo vamos nos acostumando. Vejam na foto abaixo como se escreve Restaurante. Fácil não ? Basta perceber que O P é nosso R e o C é nosso S. O resto é similar e vai por dedução.


Uma curiosidade que me chamou a atenção foi o fato das mulheres russas andarem de mãos e braços dados. Não que isso indique uma particular orientação sexual. É um hábito mesmo. A dupla de mulheres de braços entrelaçados é a imagem mais comum nas ruas. Até porque não dá para não notar nas Russas. São altas, louras, bonitas, maquiadas e vestem-se agressivamente (sapatos super altos, saias muito curtas e que beiram à extravagância). Outdoors com mulheres bonitas e as vezes de biquíni fizeram-me lembrar do Brasil. Não se vê isso na Finlândia, por exemplo. E olha que o inverno russo é tão cruel quanto o Finlandês.

Por fim, o sol da meia noite não podia deixar de ser observado. Não cheguei a vê-lo, mas foi quase. Ontem o sol se pôs 11:35 da noite. O dia todo é claro, pois ele se levanta por voltas das 3 da manhã. Vejam-no abaixo quando estava no avião. Esse fenômeno faz com que o frio seja bem menos intenso e desfrutar da noite é um prazer incomparável. A sensação de segurança, mesmo com as notícias de roubos e violência da máfia russa, é grande, pois há muita gente andando nas ruas. Muitas lojas só fecham as portas meia-noite. Aliás, os russos (pelo menos os de São Petersburgo) demonstram ter se adaptado muito bem ao capitalismo. O comércio é forte, diverso, rico e bem movimentado. O turismo é também bem intenso. Gente de toda parte do mundo. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

História Urbana

Felizmente, muito se tem falado atualmente sobre a necessidade de uma política de ocupação do solo e de ordenamento do espaço urbano em Fortaleza que vem sofrendo há anos com essa carência. Infelizmente as ações públicas e da iniciativa privada demonstram uma enorme miopia para um aspecto que considero essencial: o respeito à história urbana. Estamos sempre derrubando prédios e construindo tudo de novo (de preferência arranha-céus em estilo “moderno” envidraçado). Em minha última viagem a Portugal tive a oportunidade de presenciar uma obra de engenharia civil que exemplifica o tratamento por eles dado a essa questão. A foto abaixo ilustra o que quero descrever. Veja que a fachada da obra é a de um prédio velho, mas que deverá ser mantido. Dentro há um enorme espaço oco, indicando que a obra vai ser de reforma total. Exceto na fachada. Não é a toa que as cidades européias mantêm um estilo próprio e representativo de suas ricas histórias. Lisboa, em particular, é um exemplo que deveríamos seguir. Vejam que temos, aqui mesmo em Fortaleza, exemplos de como vale a pena conservar e restaurar nossos prédios, como o caso dos prédios da Secretaria da Fazenda do Estado e alguns outros nos arredores da Praia de Iracema, mas eles não parecem ser suficientes para a formulação de políticas públicas mais incisivas. Lamentável.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Patrimonialismo

Denomina-se patrimonialismo quando a distinção entre o que é público e o que é privado não é feita de forma clara, precisa em um sistema de gestão ou governo. Ganhou esse nome por referenciar o fato de que nessa situação o Estado passa a ser patrimônio de um governante. Foi uma característica muito comum em governos absolutistas e, dizem alguns historiadores, foi muito marcante no império brasileiro. D. João, sua família e, de uma forma geral, toda sua corte, usavam sem distinção a riqueza pública em seu próprio benefício. Talvez por essa razão histórica seja ainda tão comum se identificar na vida brasileira tantos exemplos de patrimonialismo. De síndico de condomínio, passando pela gestão pública a até presidente de time de futebol pode-se sempre encontrar exemplos de patrimonialismo (leia sobre um exemplo disso no futebol ao clicar aqui). Ele está decididamente enraizado na nossa cultura. Tão enraizado que o patrimonialista e aqueles que o cercam muitas vezes não conseguem nem perceber suas ações deletérias. Na verdade, o patrimonialista chega a se revoltar (eu diria que mesmo a se magoar) quando reprovado. É um sentimento sincero e natural. Creio que isso ocorre porque ele cria uma relação de apego ao bem público que o mesmo ajuda a desenvolver. Acaba por inconscientemente se questionar “Como alguém pode deixar de reconhecer tudo que faço e o quanto me dedico em benefício ao bem público?”, “Será que essa dedicação não me dá o direito de usufruir um pouco?”. Há um longo caminho a percorrer para que a prática patrimonialista seja reduzida da nossa cultura, mas é nessa hora que os cidadãos precisam compreender o quanto a lógica por trás de um sistema democrático com tri-partição de poderes é perfeita para esse fim. A constante possibilidade de supervisão e de controle que os poderes exercem entre si é a única forma de se obter uma gestão pública equilibrada e justa. Estamos em plena construção e aperfeiçoamento desse sistema aqui no Brasil. As sociedades mais avançadas são exatamente aquelas onde esse sistema está mais consolidado. Em particular, gosto de mencionar o sistema norte-americano que, mesmo sendo uma nação jovem como a nossa, adotou a lógica do monitoramento e do controle ao extremo. Aqueles que decidem entrar na vida pública sabem que serão investigados, controlados e monitorados a todo o momento, inclusive em relação à vida pregressa. Aliás, é esse o ponto onde acho que somos mais vulneráveis. Precisamos ser mais rigorosos quanto às regras que permitam alguém a postular um cargo público. Mas isso já é assunto para outra reflexão futura.