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quarta-feira, 4 de março de 2009
Thomé e John Lennon
Ingressei no SEPROCE há 25 anos atrás. Cursava o primeiro ano de faculdade. Um novo mundo que se abria e que certamente foi um dos impulsionadores para que adorasse a carreira que hoje tenho. Quase nunca paro para pensar o quanto as pessoas mais experientes daquele momento foram importantes para minha formação. O falecimento de Thomé ontem não me pediu licença para tornar minhas memórias vivas. Tive a honra e a felicidade de trabalhar com ele em vários momentos. Os mais nostálgicos foram o de início de carreira, na época em que o SEPROCE “rodava” os sistemas de conta corrente e poupança do hoje extinto Banco do Estado do Ceará (BEC). Noites sem dormir não eram raras, na gelada sala de operação (sala dos “grandes”IBMs). O entusiasmo e dedicação de Thomé não nos deixavam dormir. Exigente, mas reconhecedor, estava à frente dos pepinos e os assumia com coragem. Os garotos não mereciam levar as bordoadas (que não eram poucas). Longe de serem tempos difíceis, eram tempos alegres. Thomé vestia a camisa do SEPROCE da mesma forma do time de futebol que ajudou a formar (tanto salão como campo). Em seu Corcel levava-nos os que coubessem para as disputas. Os gramados da periferia de Fortaleza (com pouca grama, mas bem adubado!) conheciam nossa equipe em parte por sua causa. Fazia às vezes de cartola, técnico e médico. Um dia foi batizado pelos torcedores adversários de John Lennon. Era a sabedoria popular de novo em ação. Ao batizá-lo assim pelo seu visual (cabelos longos, óculos redondos, barba) acabaram por rendê-lo homenagem justa pelo seu idealismo e intransigência. Idealismo que o fez navegar pelos sindicatos e pelas diretorias, mas que sempre o levaram a defender uma de suas paixões: o Serviço Público. Intransigência face às decisões governamentais que ano após ano feriram seu SEPROCE até a morte, como face às incoerentes políticas públicas que a vida como funcionário público ajudou a perceber. Era crítico, sim. Contumaz e consistente. Nossos últimos encontros aconteceram há cerca de um ano no pátio do Palácio da Abolição, na antiga sede da SSPDS. Ele estava na Ouvidoria e eu na SSPDS. Encontros rápidos e furtivos, mas que ele não me deixava esquecer de que me acompanhava. Gostava de saber “novidades” da tecnologia e da pesquisa, mas sempre que podia jogava seu olhar crítico às questões que conversávamos. Não tenho dúvidas de que aprendi muito com sua convivência. Sua inquietude vai fazer muita falta, mas resta-nos aceitar que mesmo os guerreiros mais ativos merecem descanso.
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