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domingo, 27 de novembro de 2011

Deveras Lisonjeado!

Acostumamo-nos a criticar os políticos. Eles bem que fazem por onde! Mas nunca podemos esquecer o quão importante são as instituições que representam a democracia. E parece mesmo que não o fazemos.

Percebi isso quando, semana passada, recebi uma carta da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (veja-a abaixo) me congratulando por um artigo escrito no jornal O Povo intitulado Impunidade e Imunidade (veja o artigo aqui. Confesso que fiquei muito lisonjeado. Um agradável sentimento de estar contribuindo com a sociedade. E contribuindo com aquilo que me é tão singular: minha humilde opinião.

Fiquei ainda mais contente quando soube que a iniciativa havia partido do Deputado Heitor Ferrer, alguém que tenho admiração e respeito pela forma como trata seus mandatos (e em consequência seus eleitores). 

Não posso deixar de registrar a reação de uma de minhas filhas ao saber da homenagem. Perguntou, “a troco de quê?”. Disse-lhe que nada tenho a dar-lhes  em troca, mas só o fato de terem lido o que escrevi, quer concordem ou não, já me parece muito valioso. O assunto é por demais importante e eles, nossos representantes, não podem se omitir.

Desde quando decidi escrever esse blog e depois em outros fóruns que convidam para que exponha minhas crônicas, vesti a carapuça de que tinha um papel a exercer nessa sociedade. Nada me foi imposto, nem pedido. Arco com os bônus e ônus (que são em maioria). Hoje regozijo-me com um pouco do bônus. Obrigado Excelentíssimos.


terça-feira, 22 de novembro de 2011

A Cultura da Transparência: Safety Alert

Quando estive em Troy, NY recentemente, chamou-me atenção ao chegar no prédio do laboratório que fui visitar no Rensselaer Polytechnic Institute um cartaz pregado na porta. Parecia um aviso, mas tratava-se mesmo de um alerta, um safety alert. Era um alerta de que dias atrás havia acontecido um roubo nas redondezas do prédio.

Havia uma descrição detalhada do que ocorrera com inclusive as características dos autores que aparentemente portavam alguma arma. Pedia-se, além de cuidado, que se alguém soubesse algo sobre os suspeitos informasse ao setor de segurança da Universidade. Vejam abaixo a foto que tirei do cartaz.

Vejam bem, trata-se de uma universidade privada. Creio que aqui no Brasil o mais comum seria querer encobrir o que aconteceu, não? Mas a percepção de que as pessoas têm o direito de saber o que aconteceu para protegerem-se e ainda de que são as pessoas que podem ajudar a resolver o problema é o que prevalece. Ainda temos um longo caminho a percorrer.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Simpósio Brasileiro de Sistemas de Informações

Sinto-me deveras honrado por ter recebido o convite dos organizadores do VIII Simpósio Brasileiro de Sistemas de Informação para ser um dos dois palestrantes convidados. A temática do Simpósio é a de Cidades Inteligentes. Segue o resumo do que pretendo apresentar e que intitulei de "Cidades inteligentes e Participação Cidadã". Maiores informações sobre o simpósio, inclusive sobre a outra palestra convidada que será ministrada por Jurij Paraszczack pesquisador da IBM nos EUA e diretor do programa de cidades inteligentes da empresa podem ser encontradas aqui.


A Web social e a computação móvel moldam novas formas de comunicação entre as pessoas e abre igualmente espaço para o aparecimento de novas modalidades de participação popular. Paralelamente a este contexto, o clamor popular por publicidade e transparência vem induzindo os governos à abertura de seus dados. A sinergia entre esses dois fatores é determinante para o aparecimento de sistemas de informações ubíquos que realizam acesso imediato à informações determinantes para o cotidiano dos cidadãos e permitem a interação extemporânea entre os cidadãos e governos.

O desenvolvimento de sistemas de informações dentro desse contexto, se por um lado requer expertise sobre as novas tecnologias que surgem, por outro lado, em função do grande volume de dados a disposição, é desejável que possa ser feito inclusive pelos próprios usuários. Torna-se assim, cada vez mais relevante a criação de ferramentas para o fácil desenvolvimento, pelo próprio cidadão de aplicações que fomentem a participação.

Em minha apresentação detalharei os meandros desse contexto e os desafios que ele impõe no tocante ao desenvolvimento de sistemas de informações. Em particular, discorrerei sobre como o processo de participação popular pode ocorrer através de mapas colaborativos e do uso destes em smartphones. Mapas colaborativos são aplicações que envolvem o conceito de participação, interação e localização geográfica. Exemplos na área de segurança pública, poluição sonora e limpeza urbana serão dados.


terça-feira, 15 de novembro de 2011

RPI: O Instituto de Van Rensselaer

Semana passada em uma missão a trabalho, em que prospectei possibilidades de parcerias com o Estado, tive a feliz oportunidade de conhecer o RPI (Rensselaer Polytechnic Institute). Mais especificamente fui ao Tetherless World Constellation (TWC), um dos laboratórios de pesquisa em Web Semântica mais reconhecidos dos EUA.

O RPI é a mais antiga instituição de nível superior de língua inglesa. Isso mesmo, é mais antiga do que as universidades inglesas. Localiza-se na cidade de Troy no Estado de New York e está a cerca de 3 horas de carro de Manhathan. Foi ofertada à sociedade americana pelo riquíssimo holandês Stephen Rensselaer, um dos dez homens mais ricos dos EUA naquela época.

O campus hoje é lindíssimo. Uma deslumbrante mistura de arquitetura clássica e moderna. Disseram-me que o RPI durante muito tempo foi a universidade mais conceituada do leste dos EUA. Troy era muito rica, pois situava-se no centro das rotas comerciais fluviais que existiam no rio Hudson. No entanto, a força do RPI estava no ensino. Outras universidades como o MIT perceberam logo que a reputação de instituições acadêmicas seria muito mais baseada na pesquisa do no ensino. RPI perdeu um pouco de terreno, mas continua sendo muito reputado. Está entre as cinquenta melhores em rankings diversos.

Minhas reuniões ocorreram no TWC onde fui recebido pelos professores Deborah McGuinnes e Jim Hendler.  Dentre as pesquisas que eles desenvolvem na área de web semântica, o desenvolvimento de ferramentas para apoiar a publicação de dados abertos governamentais tem particular relevância. Dentre as iniciativas, não deixe de dar uma olhada no catalogo internacional de banco de dados governamentais abertos aqui.
Nesse projeto você pode buscar onde estão bancos de dados sobre um certo assunto. Só encontrei dois arquivos vindos do Brasil. A área de saúde como sempre tem uma cultura de prevenção muito mais desenvolvida. Um dos arquivos é sobre estatísticas de mortalidade e nascidos vivos. Veja mais aqui  

Um detalhe importantíssimo é que esse tipo de busca nem o Google consegue responder a contento! Isso é, no entanto, assunto para um próximo texto. Fiquem com algumas fotos do RPI no outono.





Prédio do TWC



segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Governo Aberto nos EUA e Além

Minha ida aos EUA na semana passada foi dividida em duas etapas. A primeira foi a apresentação de um artigo científico escrito com Júlio e Henrique sobre dados abertos no contexto da Segurança Pública. A outra refere-se a minha visita ao RPI (Ressenlaer Polytechnic Institute) em New York. Vou escrever sobre as duas atividades em dois textos separados.


O AAAI Workshop Open Government Knowledge - OGK (Conhecimento e Governo Aberto) aconteceu em Arlington, arredores de Washington, D.C e reuniu pesquisadores de vários países para discutir métodos e técnicas em computação, mais especificamente na área de Inteligência Artificial, e suas aplicações em governo aberto. A programação completa e os slides dos apresentadores podem ser encontrados aqui


Além das discussões e apresentações técnicas gostei bastante das palestras de convidados. Em particular, Jeanne Holm a coordenadora do site http://data.gov e Abdul Shaikh do http://health.data.gov detalharam as iniciativas do governo americano, as estratégias usadas para fomentar a participação e os desafios que ainda existem.


Minha percepção é de que o programa já é um absoluto sucesso embora ainda exista muito a ser feito. Já são mais de 400.000 arquivos disponibilizados no site. Isso é muito, mas Jeanne Holm fez algumas estimativas de que isso é só cerca de 5% do total. O ponto mais relevante que identifiquei é a decisão de vincular o programa ao conceito de inovação. Os americanos sabem mais do que qualquer um no mundo que as finanças são fator motivacional importante. Vou elaborar um pouco mais sobre onde os conceitos de governo aberto e inovação se aproximam. Por enquanto, quero somente enfatizar que dados abertos pelos governos podem ser fatores indutores de projetos inovadores.


É exatamente esse o fato que o governo americano tem explorado na área de saúde. Vários projetos são construídos a partir de competições onde o governo chama a população para explorar os dados governamentais abertos. Vários exemplos de como isto está sendo feito podem ser encontrados aqui.


Depoimentos de representantes de outros países foram raros, mas tive oportunidade de conhecer uma iniciativa brasileira que começa a nascer. Apresentei no Workshop uma proposta para padronizar a abertura de dados criminais na Web. Essa proposta será apresentada no Rio de Janeiro essa semana na conferência da Web patrocinada pela W3C no Brasil. Veja mais aqui. Em breve falo mais sobre o tema.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

“This Country has a lot of problems”

Essa frase reproduzida no título deste post é dita nas TVs americanas a todo momento pelas pessoas que discutem a situação econômica e política dos EUA. Eleições chegando, esse tipo de discussão só aumenta. Ela demonstra bem o nível de pessimismo dos americanos.

Meu termômetro mais fiel para medir a temperatura da crise é uma ida ao shopping. Fiz isso no sábado à tarde em Arlington (vizinha de Washington, D.C). Impressionante. Não havia ninguém comprando. Promoções e mais promoções, mas pouquíssimos clientes.

Quando no caixa para realizar o pagamento, avistei de longe uma revista com o nome BRAZIL em letras garrafais na capa. Não pude deixar de conferir. Embaixo havia “Now it is the time to invest” (agora é o tempo de investir). Tirei inclusive uma foto. Vejam abaixo. Isto é que se chama “Momentum”. Não podemos perder a oportunidade.


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Ruth’s me Segue?


Fiquei impressionado com o que me aconteceu ontem. Assim que cheguei em Washington, DC, acessei a Internet do hotel em que estou hospedado. Por coincidência, chega-me um email fazendo propaganda do restaurante Ruth’s Chris. Detalhe: não me lembro de receber esses e-mails, nem de fazer parte de uma mala direta desse restaurante. 

O Ruth’s é um excelente e refinado restaurante que frequento sempre que vou a um lugar onde ele existe. Nos EUA, ele não está presente em todas as grandes cidades. Ou seja, a propaganda até que é útil para um cliente como eu que gosta do restaurante, mas o que me incomodou sobremaneira é a dúvida sobre como o Ruth’s soube que eu estava em Washington. 

O restaurante parece ter conseguido acesso a alguma base em que coloquei minha localização. Qual? Seria a do Google, da Apple, do Hotel, da companhia aérea? Não sei e não acredito que consiga descobrir facilmente. Só espero que não seja o banco de dados da imigração americana J Dias difíceis para a privacidade dos internautas, não?

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Impunidade e imunidade

A sensação de impunidade permeia nossa sociedade. Esse sentimento difundido parece que tira nossa  capacidade de uma análise racional sobre causas e soluções. Por exemplo, todas as vezes em que se cogita estabelecer penas alternativas e mais brandas para casos de menor poder ofensivo escuto clamores de que mais impunidade ocorrerá.  

À primeira vista, a ideia de liberar quem cometeu ilicitudes pode levar-nos  imediatamente a pensar em impunidade. Mas será que isso é mesmo assim tão lógico? Um dos princípios básicos de um sistema coercitivo, em sistemas democráticos pelo menos, é de que a pena por um ilícito deve guardar proporção com o dano causado pelo mesmo.  Esse princípio existe de fato hoje? Não me refiro nem ao arcabouço legal, mas à dura realidade de pessoas (a grande maioria de jovens pobres) que se amontoam em cadeias e que via de regra pagam muito caro pelo que fizeram.

Aqueles que defendem leis mais rigorosas precisam compreender que o grande problema é que nosso sistema hoje já é, de facto, rigoroso. Na verdade, demasiadamente rigoroso e ainda por cima injusto. Ao se tratar da mesma forma aqueles que cometeram delitos de menor poder ofensivo e aqueles mais perigosos, por exemplo, se está alimentando um círculo vicioso da violência. Os agressores vão se “escolando” no crime e também, por saberem que não terão punição muito diferente se forem homicidas ou meros batedores de carteira, tornam-se cada vez mais violentos. 

As deficiências crônicas e históricas do Estado em seu papel socializador e ressocializador acabam por aniquilarmos a esperança de que há solução por outras vias que não exclusivamente a repressão. Políticas e leis que levem o Estado a agir com foco na prevenção e ressocialização são fundamentais, mas para isso ocorra é preciso imunidade à discursos fáceis e contra-produtivos.

* artigo publicado hoje no jornal O Povo, coluna Opinião

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Um WikiCrimes para Chamar de Seu – Bis

Poderia repetir meu texto escrito há pouco tempo sobre como novas iniciativas de fazer como WikiCrimes surgem sem que se perceba que o ideal era somar esforços. Não vou repetir a mesma ladainha. 

Vou somente registrar mais uma iniciativa. Desta vez é um jornal paranaense chamado A Gazeta do Povo. Decidiram criar um mapa de crimes para ser povoado pelos cidadãos. Recebi um telefonema de um repórter do jornal interessado em WikiCimes. Aproveitei para convidá-lo a fazer uma parceria conosco. Pelo visto não fui muito convincente.

Como já disse, não tem problemas. Vamos acompanhar atentamente a iniciativa dos paranaenses. Será que conseguem manter o projeto por muito tempo? Ou vão fazer como o mapa de homicídios do Diário do Nordeste que está inexplicavelmente desatualizado há mais de quatro meses?


terça-feira, 25 de outubro de 2011

Lytro


Lytro, que tomei conhecimento no FB via André Herzog, é mais um desses exemplos de inovações vindas de startups que nascem no Vale do Silício. A tese de doutorado de Ren Ng, em Stanford, permitiu que ele levantasse cerca de U$ 50 milhões para bancar o investimento inicial. Isso mesmo, só o inicial.

Lytro é uma nova forma de fotografar. Com um sistema que consegue capturar as luzes em diferentes direções pode-se ter diferentes focos da foto depois que ela foi tirada. Vejam exemplos abaixo. Você pode interagir com a foto clicando uma vez para mudar o foco e duas vezes para aumentar o zoom.

O Hardware é uma pequena maquineta que mais parece um binóculo (ou melhor, um monóculo). Vejam os preços e mais demos no próprio site. Isso vai revolucionar a forma de se tirar fotos e de explorá-las? Não sei. Há ainda muitas questões para serem  respondidas. Em particular, não se sabe como os usuários vão reagir ao fato de que, embora tenham o hardware, ficarão dependendo do software da Lytro que é o capaz de explorar a imagem capturada. 

No entanto, essa inovação serve para nos indicar que as fotografias estáticas parecem ter chegado ao seu limite. Embora as fotos tenha ficado digitais há alguns anos, elas continuam muito rígidas como se fossem sempre ser impressas, coisa que será cada vez menos usual. Um novo campo de pesquisa chamado fotografia computacional visa avançar nessa nova direção.


domingo, 23 de outubro de 2011

1984 - Basquete Juvenil do Ceará

Para recordar. Vejam foto abaixo de alguns atletas da Seleção cearense juvenil de basquete que saiu no Tribuna do Ceará na coluna de Zé Flávio Teixeira. Isso foi em agosto de 1984. Estou agachado à direita. Tínhamos acabado de chegar de Belo Horizonte. A semi-final foi um jogo super pegado contra os mineiros. Arbitros caseiros foram determinantes para nossa derrota. De qualquer forma, o terceiro lugar foi um grande resultado.

Digno de menção: o chefe da delegação era o "papai sabe tudo", Bebeto Moreira, que nos deixou há pouco tempo.



quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Projetos de Inovação: Leia Antes de Submeter

Já escrevi sobre a dificuldade de se caracterizar uma inovação. Tenho percebido que empreendedores têm muita dificuldade de preparar um projeto consistente e convincente. Resolvi escrever algumas sugestões com base na minha experiência na FUNCAP (Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e na UNIFOR.

Sou frequentemente consultado sobre a questão e achei que expor publicamente minhas sugestões é uma forma de contribuir transparentemente. Não se tratam de sugestões extraordinárias, mas simplesmente de algo que vale a pena ler antes de submeter um projeto. 

É importante sempre lembrar que, embora inovação implique em risco, cabe ao avaliador buscar se cercar de argumentos que justifiquem o investimento  e minimizem o risco de insucesso. Os avaliadores são sempre instruídos a pensar que o dinheiro público da subvenção deve ser tratado como se fosse o próprio dinheiro dele, avaliador. Assim, seja convincente.

Minha experiência tem mostrado que muitos projetos são enviados sem uma clara percepção do que visa o programa de subvenção. Para começar, sugiro logo considerar se o projeto a ser submetido se encaixa claramente no rol daqueles que NÃO se caracterizam como uma inovação elegível à subvenção. Os três casos abaixo são exemplos disso:
i) Projetos de pesquisa científica. Embora a ideia descrita no projeto possa se apresentar como fronteira do conhecimento e bem posicionada perante ao estado da arte, a subvenção deve estar ligada à capacidade de gerar riqueza, dar resultado e agregar valor a curto prazo (no máximo médio prazo). Pesquisas são financiadas por outros mecanismos.
ii)  Projetos que visam desenvolver atividades rotineiras e que a empresa já realiza. Trata-se aqui do caso típico em que empréstimos são os mecanismos de fomento mais adequado. Recorrer ao Banco do Nordeste ou BNDES é uma boa alternativa. Lembre-se ainda que a subvenção não pode ser encarada como uma forma fácil de aumentar o capital de giro da empresa.
iii) Projetos de governo. Projetos governamentais devem ser financiados pelo próprio governo através de ações previstas no orçamento. Inovações sociais até podem envolver órgãos governamentais, mas os atores potencializadores dessa inovação devem ser do terceiro setor.

Algumas variáveis importantes que impreterivelmente são consideradas pelos avaliadores e que seu projeto deve responder são as seguintes:  

a) Por mais que um projeto seja inovador, há sempre formas de encontrar competidores que realizam algo pelo menos parecido. Comparações com soluções existentes no mercado e/ou com a academia   fortalece o argumento de a proposta é inovadora além de dar segurança ao avaliador de que o proponente conhece o negócio,  identifica os obstáculos e vislumbra como vencê-los.
b) O projeto deve apresentar um plano de negócio ou pelo menos uma análise dos competidores, desafios e oportunidades. Como, quando e quanto de dinheiro espera-se que a inovação gere?
c) A cooperação com a universidade é consistente? Esse é um item fundamental. Muitas vezes percebe-se que a equipe é composta de pesquisadores doutores que nem são ativos na área em que o projeto está inserido. Os avaliadores chamam isso de “doutor de aluguel”. Muitas vezes participam do projeto só por favor. Há cooperações anteriores que demonstrem a solidez da parceria?  Recomenda-se que o projeto seja maturado em conjunto. Um avaliador experiente percebe facilmente quando isso não é o caso.
d) A empresa tem uma estrutura mínima de desenvolvimento da inovação? Há equipe que internalize a inovação ou vai ficar somente com os parceiros na academia? Capítulo à parte na avaliação desse item são as Startups. Elas muitas vezes não tem estrutura mínima,  mas a composição de uma equipe com know how diferenciado para desenvolver uma boa ideia pode indicar que vale a pena o investimento de risco.
e) O projeto é de empresa que já foi contemplada com subvenção? Se a subvenção está em andamento, avalia-se rigorosamente se a empresa tem capacidade para abrir inovações em mais de uma frente. Não sugiro a pequenas empresas, submeter um pedido de subvenção quando uma já está em andamento. Caso a subvenção tenha terminado. É desejável que o financiamento de uma segunda subvenção seja uma aposta em algo que deu certo e que pode melhorar mais ainda. Ou seja, mostre que teve bons resultados com uma primeira subvenção e então solicite extensões do que foi feito.

Essa lista não é completa, nem quero dizer que se todos esses aspectos forem contemplados o projeto será aceito. Mas creio que ela cobre pontos relevantes e que, se um projeto não as contempla, já começa em desvantagem. 

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Empreender na Web: O Case da Ingresso.com

Hoje a partir das 14:00, Jorge Reis, criador da Ingresso.com vai palestrar sobre sua experiência em empreendedorismo na Web. Tive a oportunidade de conversar com Jorge longamente ontem e hoje e conheci um pouco de sua rica trajetória.

Desde quando deixou um confortável emprego na Petrobras até se tornar diretor da Americanas.com, e logicamente passando pela criação do ingresso.com, Jorge é um inquieto: algo típico dos  empreendedores. Na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) ele falará das dificuldades e desafios de empreender na web brasileira, mas creio que desde já ouso dizer que ele é otimista. Acredita que o Brasil e o Nordeste, em particular, têm um grande potencial para crescer na área.

Em visita à FUNCAP, Jorge conheceu um pouco do contexto de inovação no estado do Ceará e pode nos falar sobre seus planos de estágio que fará em Berkeley, na Califórnia. Vamos tentar estreitar os laços para fortalecer a cadeia de inovação no estado.

domingo, 16 de outubro de 2011

Compreender o Empreender



Essa semana li uma matéria no jornal O Povo sobre o evento de empreendedorismo que ocorreu em Fortaleza que me chamou atenção. O evento chamado Empreender 2011 foi promovido pelo próprio jornal e que abordou em particular estratégias inovadoras para as micro e pequena empresas. Sou extremamente cético quanto à eficácia deste tipo de evento, mas reconheço que há pelo menos um aspecto positivo envolto neles. Precisamos falar muito de empreender para criar uma cultura diferente da nossa. Já refleti como nossos jovens são mais voltados a buscar um emprego público do que abrir uma empresa aqui.

Mas foi somente ao ver a matéria sobre o que ocorreu no evento é que decidi expor minhas reflexões neste espaço. A “palestra técnica” do evento foi ministrada por Ciro Gomes. Isso mesmo, palestra técnica (por isso em aspas). Não consegui perceber o que Ciro Gomes tem de conhecimento técnico sobre empreendedorismo, mas tudo bem, pensei, tem larga experiência e deve ter algo a dizer relevante.  

Ao acompanhar a matéria sobre a sua palestra, palestra esta de título “Políticas Inovadoras para o Desenvolvimento do Empreendedorismo no Ceará, (você pode acessá-la aqui), reforcei meu ceticismo. A matéria era confusa de uma forma que só me dei duas possibilidades. Havia um problema de compreensão da audiência (no caso o jornalista) ou problemas na mensagem emitida pelo palestrante. Bem, é verdade, há uma terceira possibilidade, a de que as duas anteriores estejam corretas.

O título da matéria é “Ciro Gomes defende mudanças no modelo pedagógico”. Já me causou espanto porque não guarda relação direta com o título de sua palestra. 

Tudo bem, dá para ligar emprendedorismo com educação. Até porque se liga educação com tudo ! Continuemos. O Segundo parágrafo da matéria começa com “Para ele, é falsa a “verdade” de que tudo é culpa da educação.” É falsa a verdade? Soa estranho! Ainda por cima, para quem vai defender mudanças no modelo pedagógico, essa não é exatamente a frase ideal. Seguindo, não inovou muito quando citou o exemplo coreano e do investimento em educação que eles fizeram.

Para finalizar, o ultimo parágrafo começa com outra frase atribuída a Ciro Gomes: “é mentirosa a ideologia neoliberal que diz que a economia mundial está globalizada”. Não satisfeito com o cliché, emenda que “a humanidade está sendo induzida a acreditar que a felicidade é consumir elementos de um padrão internacional de consume”. Assim também é demais! Fico me perguntando o que os micro-empresários e os jovens potenciais empreendedores devem ter extraído em termos de empreendedorismo com essa palestra. 

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A Torcida do Corinthians

Ao acompanhar o movimento das torcidas no Torcida Virtual admito que estou impressionado com a atitude dos corinthianos. Além de serem os primeiros no ranking, participam ativamente do site e parece que já encontraram um outro objetivo maior do que o que tínhamos inicialmente ao lançar a ideia do mapa: mostrar o mapa dos corinthianos no MUNDO e não apenas o brasil. Vejam abaixo a figura que recortei do site. São ou não são um bando de loucos?  :-)))