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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Lytro


Lytro, que tomei conhecimento no FB via André Herzog, é mais um desses exemplos de inovações vindas de startups que nascem no Vale do Silício. A tese de doutorado de Ren Ng, em Stanford, permitiu que ele levantasse cerca de U$ 50 milhões para bancar o investimento inicial. Isso mesmo, só o inicial.

Lytro é uma nova forma de fotografar. Com um sistema que consegue capturar as luzes em diferentes direções pode-se ter diferentes focos da foto depois que ela foi tirada. Vejam exemplos abaixo. Você pode interagir com a foto clicando uma vez para mudar o foco e duas vezes para aumentar o zoom.

O Hardware é uma pequena maquineta que mais parece um binóculo (ou melhor, um monóculo). Vejam os preços e mais demos no próprio site. Isso vai revolucionar a forma de se tirar fotos e de explorá-las? Não sei. Há ainda muitas questões para serem  respondidas. Em particular, não se sabe como os usuários vão reagir ao fato de que, embora tenham o hardware, ficarão dependendo do software da Lytro que é o capaz de explorar a imagem capturada. 

No entanto, essa inovação serve para nos indicar que as fotografias estáticas parecem ter chegado ao seu limite. Embora as fotos tenha ficado digitais há alguns anos, elas continuam muito rígidas como se fossem sempre ser impressas, coisa que será cada vez menos usual. Um novo campo de pesquisa chamado fotografia computacional visa avançar nessa nova direção.


quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Web na Televisão

Recentemente estive a assistir rapidamente Fox Television, uma das maiores cadeias de televisão do mundo, e vi algo que me chamou a atenção: um exemplo de integração da televisão com a web. A Fox fica constantemente mostrando na telinha quais matérias são as mais “pesquisadas”e as mais “clicadas”no seu site na Web. Reflete uma tendência já existente nos EUA. As pessoas usam a web mais do que a televisão e mesmo quando usam a TV, o fazem concomitantemente com um computador. Isso certamente vai dirigir a atenção das cadeias de TV de mais em mais. Agora, se isso é bom ou ruim é outra estória. No momento em que estava assistindo a TV, num desses dias de crise econômica, eleições nos EUA, atentados e outras coisas mais, sabem qual assunto foi disparado o mais clicado (26% dos acessos): o divórcio de Madonna. Lado positivo: caras e bundas não é privilégio de brasileiros.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Promessas Digitais: Visões de Prefeitas

Coincidentemente (ou talvez não?) deparei-me semana passada com dois comentários, uma com teor de promessa, outra de realização política na área da computação que me surpreenderam. Primeiramente, a prefeita de Fortaleza divulgou que deixou de comprar um software por 23 milhões, encomendado na gestão anterior (herança maldita sempre rende!) , e que o mesmo está sendo desenvolvido, com a mesma qualidade, por menos de novecentos mil reais pelos alunos do projeto Pirambu Digital. Para os que não o conhece, esse projeto refere-se a uma iniciativa de inclusão social no bairro do Pirambu um dos mais populosos e pobres de Fortaleza. Iniciativa louvável (inclusive premiada pela FINEP) que visa dar uma nova alternativa de trabalho e renda para os jovens do bairro. A Cooperativa Pirambu Digital teve origem num projeto de formação de jovens em tecnologia da informação do CEFET-CE e desenvolve soluções em TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) oferecendo ao mercado local e nacional os serviços de desenvolvimento de software, criação de sites, manutenção de computadores, criação e implantação de projetos de redes, treinamentos em TIC e implantação de projetos de Inclusão Digital. Esses projetos dão sustentabilidade para que a cooperativa ofereça serviços de inclusão à comunidade como ensino de inglês e empreendedorismo, a preparação para o vestibular, o reforço escolar para crianças, as atividades de canto e dança, o suporte técnico em informática e o acesso à Internet gratuito. Nada contra a cooperativa, muito pelo contrário, mas o que me surpreendeu na afirmação da prefeita foi o fato que o tipo de software, a que ele se destinava, se o mesmo já está em funcionamento e implantado, onde está funcionando, bem como outros detalhamentos para a perfeita compreensão dos porquês dessa grande diferença de preço, nada disso, foi fornecido. A forma como a questão foi colocada me parece excessivamente simplista. Quem trabalha com computação ou mesmo somente precisa dela sabe que a especificação de um software e seu desenvolvimento podem sofrer variações grandes em termos de qualidade e preço em função das escolhas e exigências realizadas. Usar em um discurso político um exemplo de economia dessa magnitude sem detalhamentos é no mínimo incorreto. Outra declaração que me surpreendeu foi a promessa da candidata a prefeitura de São Paulo Marta Suplicy de que forneceria Internet Wireless de graça em toda a capital paulista, para todo paulistano. Pensei comigo mesmo, “será que escutei direito”. Não é que seja impossível, mas é uma proposta tão arrojada que nos faz desconfiar. Seriam cerca de 4.000 antenas espalhadas pela cidade tanto em prédios públicos como privados. Os detalhes técnicos não foram fornecidos, muito menos o custo para se ter algo do tipo. Esses dois assuntos me alertam para algo que já havia percebido em outras iniciativas, mas que parece estar começando a se popularizar: computação tornou-se assunto popular, mas com forte tentação a populismo. Os candidatos incorporaram de que devem dizer algo sobre o mundo digital. Como são normalmente pouco conhecedores do tema, são levados a dar declarações de impacto e que não se sustentam a uma análise mais criteriosa. Senti-me na obrigação de alertar e solicitar cautela.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Software Livre

Semana passada, tive duas oportunidades de discutir sobre software livre. Primeiramente, quando participei de uma reunião na FUNCAP com jovens estudantes que compõem um grupo de estudo no tema. Depois, ao participar de uma audiência pública na Assembléia Legislativa, representando a FUNCAP, para debater sobre o tema. Essas reuniões me dão a oportunidade de voltar a refletir sobre a questão e relacioná-la com outros textos já escritos aqui no blog. Software livre é todo aquele programa de computador que pode ser usado, copiado e distribuído sem nenhuma restrição. Os autores do software não reivindicam direito sobre o mesmo. Para os que quiserem saber mais sobre o conceito sugiro olhar na Wikipédia (clique aqui). Seguindo uma tendência de vários Estados e do Governo Federal, o Governo do Estado definiu como diretriz básica de tecnologia da informação a adoção prioritária de software livre para todas as novas aquisições de programas de computador. Em uma segunda etapa, a migração dos programas já adquiridos ou desenvolvidos vai ser perseguida. Essa decisão certamente poderá ser fomentadora do desenvolvimento de software livre, mas certamente não é esse o aspecto mais relevante no contexto de software livre. Acredito que uma discussão mais ampla se impõe visto que é preciso compreender que o que vem acontecendo com o desenvolvimento de software livre é somente a ponta do iceberg de uma verdadeira revolução em curso sobre a forma de produção e distribuição de conhecimento. Uma revolução que se caracteriza pela produção distribuída, colaborativa, quase que caótica, de bens imateriais e que se ancora fortemente na Internet. A produção de software livre se faz normalmente de forma colaborativa por pessoas, que muitas vezes nem se conhecem e que não estão fisicamente próximas. O processo de produção se confunde com o de distribuição. O software começa a ser produzido e os que o usam têm a liberdade de modificá-lo e redistribuí-lo. Repito que, se esse fenômeno restringisse-se ao desenvolvimento de software, ele não seria tão importante. A produção de bens artísticos e intelectuais de uma forma geral também está se transformando. No contexto musical, por exemplo, a estrutura de produtoras musicais e o conceito de direitos autorais estão sendo revistos na prática como o crescente comércio de músicas na Internet (veja o que já escrevi sobre isso clicando aqui, aqui e aqui). Fundamental é perceber como esse contexto novo se liga com algumas oportunidades de crescimento como o da economia da cultura ou economia criativa (veja o que já escrevi sobre isso aqui). Os bens que representam uma cultura local têm uma ótima oportunidade de se difundirem na Internet. Da mesma forma, as indústrias de software têm ótima oportunidade de conquistarem mercados inatingíveis até então. Mas isso vai muito provavelmente significar a venda do serviço associado ao bem produzido e não somente o valor do bem em si. Quem souber e puder se adaptar o mais rápido possível a esse contexto e conseguir identificar as oportunidades de inovação estará em grande vantagem competitiva no mercado global. Na audiência na Assembléia Legislativa, o Deputado Roberto Cláudio que sugeriu a ocorrência do evento, disse que muitos de seus colegas relutaram em discutir o tema por não verem tanta relevância no mesmo. Reflete o desconhecimento de nossos representantes (aliás, acho que da sociedade em geral) do que está ocorrendo e que, ao continuarmos assim, perderemos oportunidades de desenvolvimento cultural, comercial e social.