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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

“This Country has a lot of problems”

Essa frase reproduzida no título deste post é dita nas TVs americanas a todo momento pelas pessoas que discutem a situação econômica e política dos EUA. Eleições chegando, esse tipo de discussão só aumenta. Ela demonstra bem o nível de pessimismo dos americanos.

Meu termômetro mais fiel para medir a temperatura da crise é uma ida ao shopping. Fiz isso no sábado à tarde em Arlington (vizinha de Washington, D.C). Impressionante. Não havia ninguém comprando. Promoções e mais promoções, mas pouquíssimos clientes.

Quando no caixa para realizar o pagamento, avistei de longe uma revista com o nome BRAZIL em letras garrafais na capa. Não pude deixar de conferir. Embaixo havia “Now it is the time to invest” (agora é o tempo de investir). Tirei inclusive uma foto. Vejam abaixo. Isto é que se chama “Momentum”. Não podemos perder a oportunidade.


sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Vamos Invadir sua Praia (e montanhas)


Estou em Hazleton nas montanhas da Pensilvania, no resort de ski Eagle Rock. Não pude deixar de lembrar desse refrão do título e que ficou popular com a música “Vamos invadir sua praia”do grupo de rock brasileiro Ultraje a Rigor. Ele veio-me a lembrança quando vi o que tem de brasileiro por aqui.

Não é só New York que se prepara para a invasão brasileira nesse Reveillon. As cidades e estados nos arredores também. Afinal de contas, os lojistas norte-americanos precisam demais de compradores e, poucos hoje em dia, são como os brasileiros.

Dos BRIC, creio que somente a Rússia possui um povo tão afeito ao consumo. Indianos e chineses não são os clientes que os americanos podem se confiar para tirá-los da recessão.  É fácil perceber como os EUA se preparam para receber de mais em mais brasileiros.

Nos resorts de ski, por exemplo, vê-se cada vez mais jovens brasileiros trabalhando. Mas o que mais me chamou atenção foram as aeromoças da Delta. Uma delas era brasileira, mas nem por isso as outras não faziam esforço em falar em português. Senti uma sensação super estranha, a aeromoça teve o maior trabalho para me perguntar se eu estava em família e assim precisaria de somente um formulário para a aduana americana. Fiz primeiro uma cara de espanto, pois o que ela falava não era nada parecido com o português (até porque estava preparado para que ela falasse em inglês), mas imediatamente lembrei-me do quanto minha reação era desagradável. Vivi muitas vezes a situação contrária. Concentrei-me e da segunda vez que ela falou, entendi. Mas não deixei de ficar com esse sentimento de que estamos começando a ser vistos no mundo ... e invadindo praias.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Obama Presidente

Poucas vezes em nossas vidas temos a sensação de estar vivendo momentos históricos de escala mundial. A queda das torres gêmeas, por exemplo, não deixou dúvidas a ninguém. Hoje estou tendo a mesma sensação com um evento que, felizmente, não tem nada de trágico. Ao acabar de assistir pela CNN de que o Estado de Ohio dará a vitória a Obama, fica a certeza de que ele será presidente em uma apuração que varará a noite brasileira. É um momento histórico e que nos enche de expectativas positivas. A força do simbolismo que o evento representa é tão intensa quanto o poder americano no mundo, mesmo com sua economia em crise. Suas origens africanas, sua infância humilde, sua vitória pessoal e seu discurso de mudança conseguiram fazer algo que até pouco era impensável: o mundo olha melhor para os EUA. Além da simbologia que já mencionei, o mundo olha para os EUA com admiração pela demonstração de que é uma terra de oportunidades, olha com respeito pela solidez de sua democracia e olha com esperança pela mensagem progressista que Obama veicula. Todos querem acreditar nele e no que ele quer fazer. O mundo está aberto para que os EUA sejam um líder por batalhas que precisam ser combatidas como a pobreza, a devastação ecológica, a intolerância de idéias diversas e as desigualdades trazidas por mecanismos econômicos perversos. O maior triunfo de Obama advêm desse depósito de esperança global, mas que se torna instantaneamente seu maior desafio: não deixar essa imensa esperança evanescer. Só nos resta torcer. God Bless Obama!

Few times in our lives we have the feeling of living a historic moment. September 11th, for example, left no doubt in anyone. Today I am having the same feeling with an event which, fortunately, has nothing of tragedy. I have just watched at CNN that the state of Ohio gave victory to Obama, implying that for sure he will be announced President of USA in the next few hours. It is a historic moment that bring us only positive expectations. The strength of the symbolism that this represents is as intense as the American power (even with the economics crisis). His African root, his humble childhood, his well succeed personal life and his speech of changing provokes what was unthinkable few ago: the world has a better look to US. Besides the symbolism that I mentioned, the world looks to the U.S. with admiration due to the demonstrating that it is a land of opportunities, looks with respect due to the strength of its democracy and looks with hope due to the message that Obama invokes. Everybody wants to believe in him and in what he wants to do. The world is open for that US becomes a leader in the battlefield of wars such as poverty, inequality, intolerance as for divers ideas and ecological devastation brought by perverse economic mechanisms running Today. The greatest triumph of Obama comes from this big global reservoir of hope, but that instantly becomes his greatest challenge: not to allow this immense hope disappear. We can only pray. God Bless Obama!

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Ensino Fundamental e Ensino Médio Americano – Opinião de Quem Está Perto

O pertinente comentário de Rubens no texto “Ensino Médio e Ensino Fundamental” deste blog sobre a idéia preconcebida que muitos brasileiros têm da escola americana, me motivou a escrever minha opinião sobre o tema. Eu também sempre escutei comentários de que o ensino médio americano não era muito exigente e que o nosso era melhor. Como acredito que a educação é a razão básica do desenvolvimento de uma sociedade, sempre desconfiei dessas afirmações. Note-se que este debate só tem sentido de ser feito quando se fala da escola privada brasileira!
Nossa experiência americana tem nos mostrado que as coisas não são bem da forma como pensamos. Acredito que essa percepção desvirtuada se deve a flexibilidade do sistema de ensino aqui, que busca atingir o interesse (e adequar-se ao perfil) dos alunos em diversas dimensões. Por exemplo, aqui é possível escolher as disciplinas que se quer fazer (mais ou menos como a Universidade no Brasil). Desta forma se não se quiser estudar muita matemática basta não fazer as disciplinas de trigonometria, geometria e outras relacionas. Faz-se somente o básico. É possível, por exemplo, optar por uma só ciência (ou biologia, ou física ou química). Não é obrigado fazer tudo. No entanto, quando se opta por essa ciência tem-se a possibilidade de vê-la com mais aprofundamento do que no Brasil. Para se ter uma idéia, Lara na disciplina de Informática esta aprendendo a programar em C++. Para os que não são familiares com o “infortimaquês”, basta saber que é algo que alunos de Computação na universidade no Brasil vêem no 2º ou 3º semestre. Nas aulas de biologia ela realiza experimentos, os valida usando técnicas estatísticas que também só são vistas na Universidade. O que percebemos é que os alunos que fazem intercâmbio normalmente preferem fazer escolhas de disciplinas mais fáceis. Escolhem sempre esporte, artes e coisas que são mais lúdicas. Assim o estudo mais aprofundado vai ficando para depois. Desse jeito é realmente bem menos exigente do que no Brasil. É possível, por exemplo, ganhar “créditos” fazendo trabalhos sociais como campanhas de solidariedade e ajudas aos idosos ou mesmo fazendo “tutoring” (auxiliar os alunos que estão com mais dificuldade em uma matéria). Creio que isto pode esclarecer um pouco mais o porquê dessa nossa imagem preconcebida. Como Lara disse na sua entrevista no texto supramencionado, no Brasil como se é obrigado a estudar tudo, tem-se uma visão mais abrangente, mas aqui eles têm uma visão específica, mais profunda. Creio que ambos os sistemas tem seus prós e contras. Creio, por exemplo, que essa estrutura de ensino americana explica porque temos uma percepção (que me parece mais fidedigna) de que os americanos não têm uma cultura muito diversificada e nem conhecem o resto do mundo. Esta visão abrangente sobre diversas coisas (como a geografia e a historia mundial) não são obrigatórias e muitas vezes são sacrificadas por outras matérias mais “interessantes” e que estão na moda, parecendo serem mais promissoras em termos de desenvolvimento profissional. Vale a pena ainda ressaltar que, comparando com outros países desenvolvidos, os alunos americanos não são os melhores, na verdade vêm piorando ano a ano, o que vem provocando muito debate aqui sobre a necessidade de mudanças no sistema educacional.