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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Ciro e os Marginais Fardados

Esta semana o ex-prefeito, ex-deputado federal e ex-governador Ciro Gomes lançou acusação típica de sua verve. Disse que os policiais grevistas eram marginais fardados e que haviam usado crianças e mulheres como escudo para evitar uma ação violenta do governo.

O teor da declaração de Ciro não terá meu comentário. Queria refletir somente sobre o impacto que essa declaração teve e sobretudo os comentários dela oriundos. A mídia cearense  repercutiu como sempre. Aliás, Ciro tem vivido destes momentos. Cria factoides verbais (se é que podem me entender) para repercussão midiática . Como cada vez mais tem menos impacto, cada vez mais ele carrega na tinta (ou melhor, aumenta a voz).

O que acho interessante pontuar é que as redes sociais hoje começam a fazer um contraponto muito marcante à mídia televisiva e escrita. Tão logo Ciro se pronunciou o presidente da Associação de Cabos e Soldados gravou um vídeo e o lançou na Internet pelo YouTube. Veja o vídeo abaixo. A resposta,  no mesmo tom da acusação, teve repercussão imediata no Twitter e no Facebook.

Lembro-me que logo que comecei meu blog (há cerca de cinco anos), os franceses haviam feito uma grande greve e as redes sociais foram muito usadas na comunicação entre os grevistas, tanto para conclamar à participação como para explicar o andamento do movimento.

Parece-me que os movimentos sociais aprenderam muito mais rapidamente do que os governos a usar os novos recursos de comunicação disponíveis na rede. Aqui no Ceará então ! Um governo que decide direcionar toda busca relacionada a órgãos públicos a uma página inicial de seu portal, certamente não consegue compreender a dinâmica da liberdade caótica das redes sociais.

domingo, 16 de outubro de 2011

Compreender o Empreender



Essa semana li uma matéria no jornal O Povo sobre o evento de empreendedorismo que ocorreu em Fortaleza que me chamou atenção. O evento chamado Empreender 2011 foi promovido pelo próprio jornal e que abordou em particular estratégias inovadoras para as micro e pequena empresas. Sou extremamente cético quanto à eficácia deste tipo de evento, mas reconheço que há pelo menos um aspecto positivo envolto neles. Precisamos falar muito de empreender para criar uma cultura diferente da nossa. Já refleti como nossos jovens são mais voltados a buscar um emprego público do que abrir uma empresa aqui.

Mas foi somente ao ver a matéria sobre o que ocorreu no evento é que decidi expor minhas reflexões neste espaço. A “palestra técnica” do evento foi ministrada por Ciro Gomes. Isso mesmo, palestra técnica (por isso em aspas). Não consegui perceber o que Ciro Gomes tem de conhecimento técnico sobre empreendedorismo, mas tudo bem, pensei, tem larga experiência e deve ter algo a dizer relevante.  

Ao acompanhar a matéria sobre a sua palestra, palestra esta de título “Políticas Inovadoras para o Desenvolvimento do Empreendedorismo no Ceará, (você pode acessá-la aqui), reforcei meu ceticismo. A matéria era confusa de uma forma que só me dei duas possibilidades. Havia um problema de compreensão da audiência (no caso o jornalista) ou problemas na mensagem emitida pelo palestrante. Bem, é verdade, há uma terceira possibilidade, a de que as duas anteriores estejam corretas.

O título da matéria é “Ciro Gomes defende mudanças no modelo pedagógico”. Já me causou espanto porque não guarda relação direta com o título de sua palestra. 

Tudo bem, dá para ligar emprendedorismo com educação. Até porque se liga educação com tudo ! Continuemos. O Segundo parágrafo da matéria começa com “Para ele, é falsa a “verdade” de que tudo é culpa da educação.” É falsa a verdade? Soa estranho! Ainda por cima, para quem vai defender mudanças no modelo pedagógico, essa não é exatamente a frase ideal. Seguindo, não inovou muito quando citou o exemplo coreano e do investimento em educação que eles fizeram.

Para finalizar, o ultimo parágrafo começa com outra frase atribuída a Ciro Gomes: “é mentirosa a ideologia neoliberal que diz que a economia mundial está globalizada”. Não satisfeito com o cliché, emenda que “a humanidade está sendo induzida a acreditar que a felicidade é consumir elementos de um padrão internacional de consume”. Assim também é demais! Fico me perguntando o que os micro-empresários e os jovens potenciais empreendedores devem ter extraído em termos de empreendedorismo com essa palestra. 

segunda-feira, 30 de março de 2009

Reflexões Medíocres Ainda que Hulmides

Semana passada ao ler nos jornais algumas declarações do Deputado Ciro Gomes sobre a construção do Aquário na Praia de Iracema, não me contive a escrever essas linhas. O deputado disse que ser contra o aquário é pacto da mediocridade e que seu irmão deveria fazer como ele fez na construção do Centro Cultural Dragão do Mar: fazer por cima de pau e pedra (sic). A primeira coisa me veio à cabeça ao ler a declaração foi me perguntar: Como foi que já votei três vezes no Ciro Gomes? Quem mais mudou foi ele ou fui eu? Incrível como uma pessoa tão articulada, com alta capacidade de absorção de informação, tem esse hábito deletério de agredir os que “ousam” discordar de suas idéias. Isso é lamentável para um homem público! Creio mesmo que o inviabiliza a ser Presidente da República. Mas isso é outra estória, o que quero enfatizar aqui é que discutir a necessidade do aquário e se o mesmo deve ou não ser prioridade é obrigação dos políticos e da sociedade em geral. Grandes projetos precisam ser debatidos e os prós e contras têm que ser analisados e explicados à população. Isso é o normal em qualquer sociedade democrática e fundamental para fomentar uma cultura de participação ativa da sociedade que nos é tão escassa. É claro que a própria eleição do Governador Cid Gomes o credencia a ter autonomia suficiente para tocar as ações planejadas e prometidas de seu governo. O problema é que nem tudo que se decide fazer agora tinha sido planehjado e muitas vezes nem prometido. Remete-nos a uma das deficiências de nosso processo eleitoral, pois os candidatos muitas vezes se elegem sem programa nem projetos. Vão definindo-os “on-the-fly”. O deputado Ciro Gomes quando faz uma comparação com o Centro Dragão do Mar nos força mais ainda a refletir se o aquário no local previsto é uma boa alternativa. Os projetos “renascentistas” da Praia de Iracema já se tornaram comuns nos últimos anos. Eles vêm e voltam, sob a influência dos ventos políticos, mas o fato é que, mesmo com suas implantações, a Praia de Iracema teima em “morrer” de novo. É natural se questionar. O modelo adotado para fazer esse renascimento é o melhor? A vocação da Praia de Iracema é essa com grandes aparelhos de atração turística? E as pessoas que moram lá, o que pensam? Quando e como a iniciativa privada entrará no projeto? Ou teremos o mesmo modelo do Dragão que se sustenta basicamente com dinheiro público? Não valeria mais a pena investir em obras de infra-estrutura urbana como um metrô e abertura de viadutos e avenidas? Não seriam essas as condições de carência que temos hoje e que impede a iniciativa privada de participar dos empreendimentos? Não creio que alguém hoje possa responder essas e outras perguntas mais específicas com dados confiáveis. Fica claro então que é necessário debater além, aprofundar estudos e apresentar diferentes proposições. Se agir assim é pacto da mediocridade, desculpem-me por essas minhas reflexões, mas ainda que medíocres, acho-as necessárias.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Eleições Municipais – Esquisitices, Pérolas e Curtas Reflexões

A iniciativa de um grupo de pessoas encabeçado por Rosa da Fonseca e a ex-prefeita Maria Luiza Fontenele pedindo que as pessoas não votassem foi uma pisada de bola sem tamanho. Qual a alternativa ao não-voto? Um regime de exceção? Mas não foram exatamente essas pessoas as que mais sofreram as conseqüências cruéis da falta de democracia? Esse fato é muito simbólico de que parece faltar um inimigo (e idéias) para candidatos a revolucionários. Aliás, incentivar o não-voto não seria incentivo a cometer um crime? Com a palavra o Ministério Público.

Gravações de Ciro Gomes pedindo voto para sua candidata a prefeito, sua ex-mulher Patrícia Saboya, e que foram enviadas indiscriminadamente aos usuários de celular. Inacreditável exemplo de desrespeito! Um autêntico spam eleitoral e eletrônico.

Ainda na campanha da candidata Patrícia Saboya. A “terceirização” da irmã de Ciro Gomes para passar uma mensagem de apoio a candidatura de sua cunhada (creio que não existe a figura da ex-cunhada). Que coisa estranha. Uma espécie de "nepotismo" de cabo eleitoral terceirizado ! Queria saber quem pôde imaginar que essa façanha podia conquistar votos.

Licença de cargo eletivo executivo para fazer campanha. Será que alguém consegue encarar, durante uma semana ou dez dias, um chefe do executivo licenciado como não representando o cargo que o povo lhe deu o direito?!

Proposta do candidato a Prefeito de Fortaleza Moroni Torgan para realizar entrega de remédio de graça na casa ao cidadão por moto táxi. Como prometer é de graça ...

A esquisitíssima e mal explicada desistência do candidato a prefeito de Fortaleza Luiz Gastão que teve que voltar correndo à presidência da FECOMÉRCIO sob denúncias de irregularidades em sua gestão. Alegou complô.

Aula de lógica: o que é abdução? A campanha dizia 100% Lúcio é 100% Adahil. Resultado da campanha: 0% Adahil. Qual a conclusão lógica?

Para finalizar. A prefeita de Fortaleza recém eleita acaba de dizer que o estádio Presidente Vargas vai estar entre o rol de estádios a sediarem jogo na Copa do Mundo de 2014. Menos Prefeita, menos. Deixa pelo menos o Leão jogar lá, senão a gente cai para a terceirona.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Ciro Gomes na InfoBrasil

A palestra de abertura da InfoBrasil foi proferida pelo deputado federal e sempre cotado à presidência da República Ciro Gomes. Eu tinha uma grande curiosidade para escutar Ciro Gomes falar sobre tecnologia da informação, inovação, desenvolvimento econômico e social, etc. Como tenho acompanhado a carreira política de Ciro e sempre achei que o mesmo tem um discurso muito eloqüente e rico, tinha uma expectativa de que ele apresentasse uma visão interessante sobre o tema. Pois bem, não sei se ando muito exigente (os amigos me alertam, embora não considere de todo ruim) ou se criei uma expectativa grande do que ele poderia falar. O fato é que me decepcionei. Seu discurso foi confuso, pouco conclusivo e marcado por clichês tipo “males da globalização” e “neoliberalismo” (sem falar nas expressões em inglês onde escorregou, de vez em quando, o que pega mal pra caramba!). No meu ponto de vista, esses clichês perdem de mais em mais espaço na agenda intelectual no mundo, em particular no contexto de tecnologia da informação que era onde ele se encontrava. O fio condutor de sua palestra foi a idéia de felicidade e de como o sentimento do ter gerado pela sociedade de consumo é determinante para que as pessoas sintam-se felizes. Ele considera isso uma deformação e acredita mesmo ser uma perversidade no contexto brasileiro onde há tantas desigualdades. Ainda aqui, nada de novo. Na verdade, ficou muito vago e difícil de imaginar onde ele planeja chegar. Mesmo as sociedades mais avançadas em termos sociais são extremamente bem adaptadas à sociedade de consumo. Pode até ser que Ciro queira trazer esses temas à tona para alavancar suas idéias (entendo, mas acho uma estratégia errada). Sempre achei que um dos seus diferenciais era sua juventude e capacidade de trazer temas recentes ao tablado das idéias. Não foi o que ele fez na InfoBrasil. Em se tratando de tecnologia, inovação e desenvolvimento econômico é preciso compreender que a globalização e o desenvolvimento tecnológico atingido nos dias atuais trouxeram aos países emergentes como o Brasil a oportunidade de desenvolvimento que a revolução industrial não tinha trazido. O que deve fazer parte da agenda de discussão são as formas de aproveitar as oportunidades que surgem em função de nossas potencialidades e criarmos condições para um crescimento sustentável. Quanto antes percebermos isso, maior será nossa probabilidade de crescermos. O mundo pequeno permite o crescimento e difusão de idéias e culturas locais em uma escala globalizada (o livro o mundo é plano indicado nos dá dicas de como isso pode ser obtido). Conceitos como colaboração (e outros da Web 2.0), economia criativa e reformulação do conceito de direitos autorais são muito mais atuais (textos sobre cada um desses temas já foram objeto de reflexão nesse blog. Veja por exemplo aqui, aqui e aqui), Mesmo em pontos em que o Governo Federal tem avançado, Ciro não demonstrou ter muito conhecimento. Por exemplo, ao falar da necessidade de investimentos de risco no Brasil, não pareceu conhecer que o surgimento de fundos ditos capital venture, está se tornando realidade por meio de forte iniciativa do Governo Federal, em particular, da FINEP. Em resumo, acho que o debate de idéias para o futuro (e para 2010, claro) no que concerne a tecnologia da informação e desenvolvimento econômico, pode e deve ser muito mais rico. Ciro não pode passar a imagem de que cansou ou que suas idéias envelheceram. Esperamos mais dele.