Bem sabemos que a Apple é uma empresa que adora excentricidades. Dizem alguns que isso faz parte de seu marketing. No entanto, deixar um site fora do ar durante o período de feriado é demais. Tivemos um problema com o aplicativo do WikiCrimes e quando fui tentar resolver, ao acessar o iTunes Connect, vejam abaixo o que me apareceu.
Nossos usuários que nos desculpem, mas agora só quando eles voltarem de férias :-(((
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Eye tracking virando realidade
Já escrevi sobre a tecnologia de interface homem-computador
chamada eye tracking (rastreamento dos olhos) aqui no blog.
Na época, mencionei alguns trabalhos acadêmicos e de pesquisa que avançavam o
Estado da Arte no tema.
As soluções comerciais começam a aparecer. Predict Gaze é um exemplo
disso. Trata-se de tecnologia que usa aprendizado de máquina para desenvolver
algoritmos poderosos e eficientes de reconhecimento de padrão que permitem o reconhecimento
exato do lugar para onde a pessoa está olhando. Em especial, Eye Gaze, por ter
algoritmos potentes, mas leves de serem rodados, permite desenvolvimento de
aplicações para celulares e tablets.
O vídeo abaixo dá um exemplo sobre como se pode diminuir a
altura do som de uma música simplesmente com um shhhhhh.
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terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Chame-me, se puder
Não
chego a pensar que a privatização do sistema de telefonia ocorrido anos atrás
tenha sido prejudicial ao País. Lembro-me de que ter uma linha telefônica era
privilégio de poucos e se tratava de um investimento tão valioso como ter um
imóvel. Impossível imaginar a inserção brasileira no mundo atual de Internet e
telecomunicações globais se não houvesse mudança naquele contexto. Isso não
pode nos impedir de questionar o que está errado no modelo atual de telefonia,
em especial o da telefonia móvel.
O
nível de saturação do sistema chegou a um ponto sem precedentes. Um ponto que
só deixa-nos, nós clientes com nossos cada vez mais modernos telefones
celulares, a apelar para a chacota e as piadas. Não há mais como suportar o
péssimo serviço ofertado pelas operadoras
de telefonia móvel.
Recentemente
depois de muito penar com uma operadora peregrinei entre outras só para
confirmar o que já sabia. A qualidade do serviço é sofrível em todos os níveis
e em todas as operadoras. A péssima qualidade do serviço de transmissão de voz
e dados se alia a não menos ruim qualidade do serviço de atendimento aos
clientes. Serviços de call center e
os de atendimento nas lojas com longas esperas e pouco eficazes são a regra. Cheguei
a passar pela absurda situação de nem conseguir me inscrever numa operadora a
qual já era cliente de telefonia fixa. Faltavam dados cadastrais, disseram-me.
Não entrei onde já estava dentro. Só rindo mesmo.
Transmissão
de voz e dados é cada vez mais crucial no cotidiano de nossas vidas e tornou-se
estratégico para o desenvolvimento de um País. Alie-se a isso a explosão da
demanda impulsionada pelo maior poder aquisitivo do brasileiro. Essa combinação
torna impossível tratar o tema como sendo exclusivamente de interesses
privados. No momento atual, somente a concorrência, que deveria ser a mola
mestra para melhorar a prestação dos serviços, não parece conseguir produzir a
resposta que os clientes requerem.
A
fragilidade dos serviços prestados expõe igualmente as deficiências do Estado
no seu papel de regulador, fiscalizador e indutor. A despeito dos esforços
demostrados pela ANATEL com algumas ações pontuais de punição às operadoras
como foi o caso com a TIM recentemente, não me parece que ela tenha sido capaz
de provocar muitas mudanças no que está posto. Algo mais tem que ser feito
urgente. A situação atual é uma grande
piada, mas de mau gosto.
* artigo publicado na coluna Opinião do Jornal O Povo de hoje
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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
RIP Dave Brubeck
Morreu hoje, aos 91 anos, o músico americano Dave Brubeck, um dos maiores expoentes do jazz de todos os tempos. Brubeck e seu quarteto fez grandes clássicos do jazz como "In Your Own Sweet Way"e "The Duke", mas foi com "Take Five" que bateu recordes. A composição é do saxofonista Paul Desmond outro gigante do Jazz, que na época tocava no Dave Brubeck Quartet.
Acho que "Take Five" é a música de jazz mais regravada, remixada e com remakes que existiu. O blog Mashable elencou alguns dessas gravações aqui. Sou fã da versão original, mas a que considero imbatível foi gravada pelo, não menos genial, Grover Washington Jr. o qual batizou sua versão de "Take Antoher Five".
Rest in Peace Brubeck! Take a Five, no entanto, vai nos embalar para sempre.
Abaixo, publico do You Tube a versão com Grover Washington em seu habitual estilo Smooth Jazz.
Acho que "Take Five" é a música de jazz mais regravada, remixada e com remakes que existiu. O blog Mashable elencou alguns dessas gravações aqui. Sou fã da versão original, mas a que considero imbatível foi gravada pelo, não menos genial, Grover Washington Jr. o qual batizou sua versão de "Take Antoher Five".
Rest in Peace Brubeck! Take a Five, no entanto, vai nos embalar para sempre.
Abaixo, publico do You Tube a versão com Grover Washington em seu habitual estilo Smooth Jazz.
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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Como não consegui entrar na Oi
Havia escrito sobre os dissabores que tive com a TIM no post
passado. Ao tentar portar minha linha para a OI, tive mais surpresas negativas.
A Oi foi minha opção pelo fato de já possuir uma linha fixa nessa operadora.
Pensei então que seria mais simples migrar tudo para lá. Ledo engano.
Eu simplesmente não consegui migrar para a Oi. Isso mesmo.
Entrar na Oi (onde eu já estava) foi impossível. Na hora de efetuar meu
cadastro, diziam que havia incompatibilidade nos meus dados. Não consigo bem
explicar, pois já era cliente Oi fixo desde a época de Teleceará (é o novo!).
Pagava com débito em conta (parece que é esse o problema. Na próxima operadora
não cometo mais esse erro).
A loja não conseguiu resolver a incompatibilidade.
Disseram-me que me ligariam para tentar resolver. Expliquei que seria difícil
me contactar, pois meu móvel era péssimo (razão pela qual decidi mudar). Diziam-me
para ficar tranquilo.
O fato é que infelizmente eu estava certo. Não conseguiram
resolver, embora tenha dado mais duas viagens à loja e tenha ligado outras
tantas vezes. Detalhe, quando ia a loja tinha que ter a sorte de ir no horário
do cidadão que me atendeu. Os outros não sabiam de nada. Incrível! Meu negócio
era com o fulano, não era com a Oi.
Não consegui entrar onde já estava dentro! Resultado. Saí de
vez da Oi. Levei o fixo também para outra operadora. O pior é que já estou
sofrendo de novo. Conto já o que aconteceu com a VIVO. Será que vai sobrar
alguém para contar a história?
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sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Como mudar de plano na TIM ou crônica de uma saída anunciada
Deixem-me logo dizer aos que acessam este texto com o
objetivo de ter instruções sobre como proceder junto a TIM para mudar um plano, saiba que não tenho tais informações. Acho mesmo que a melhor forma de mudar um
plano da TIM é trocando de operadora. Foi o que fiz. Não busquem aqui maiores
instruções.
Não bastasse a má qualidade da rede de transmissão, conheci
o serviço de atendimento que não deixa nada a dever ao primeiro. ERA cliente da
TIM há mais de 15 anos. Não que ache que tenha me tornado um cliente tão antigo
devido a qualidade do serviço prestado. Foi muito mais por comodidade. Mesmo
depois da portabilidade, vi-me preso em um hábito por demais estranho que
adquiri: conviver com ligações que caem e caem. E pior, pagando caro.
Tinha um plano família que mantive, porque em um primeiro
momento não me era vantajoso a troca por planos mais modernos. O problema é que
com o tempo ele foi se tornando muito caro e vi-me obrigado a muda-lo.
Como não gosto de
atendimento telefônico de callcenters (tem alguém que gosta?) decidi ir até a
loja da TIM. No way. Fui informado que teria que concretizar a mudança por
telefone, mas que não me preocupasse, eu seria contactado. Isso foi no começo
de agosto. De lá para cá nunca recebi uma ligação da TIM. No entanto, liguei
algumas vezes (creio que foram pelo menos oito tentativas).
O cenário mais comum era a ligação cair. Interrompida minha
conversa, tinha que começar tudo de
novo. Nas primeiras tentativas tinha senso de humor e brincava como os
atendentes dizendo que o atendimento via TIM era digno de TIM. Slogan: ligações
que caem o tempo todo.
O segundo cenário mais comum era o de ser necessário
transferir a ligação seguido de perto pelo cenário “um momento o sistema está
muito lento”. Dá para perceber que esses dois cenários potencializam o
primeiro, não é? Por exemplo, a probabilidade da ligação cair na transferência
de ramal aumenta.
Em nenhuma de minhas tentativas consegui encontrar alguém que
realizasse a mudança. O máximo que consegui foi que me dissessem que em 48 horas
(não sei porque esse número !) alguém me ligaria para realizar a mudança. Até
hoje, nada. Será que me enganei? Teriam sido 48 meses? Foi então que comecei a
pensar que aquilo tudo fazia parte de um plano da TIM para me colocar para
fora. Os que me conhecem sabem de minha teimosia genética. Decidi insistir e
continuar ligando. Não iam conseguir me
fazer desistir tão fácil J
Passados uns dias fui me convencendo que não tinha como
ganhar essa batalha. Eles eram mais forte do que eu. Me queriam fora e iam
acabar conseguindo. Não sei muito bem porque, mas ficava evidente que a TIM me
detestava. Tinham algo contra mim. Talvez fosse porque pagava a fatura com
débito em conta e nunca atrasava. Nunca paguei multas. Isso deve tê-los
entediados. Desisti.
Antes que pensem que posso aqui estar fazendo alguma
promoção de outra operadora, digo logo que não é o caso e por isso mesmo não
vou nem nomea-la. Confesso que não alimento muitas esperanças de ter um serviço
muito melhor do que tinha, a precariedade do serviço prestado por todas é o
padrão. Só acho que a TIM passou dos limites, literalmente, além das fronteiras
(pelo menos das fronteiras de minha paciência).
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terça-feira, 27 de novembro de 2012
Novo Castelão. Por uma nova torcida
O psicólogo social e historiador Michael Shermer em seu
livro “The Science of Good and Evil” abre interessante debate, por um ponto de
vista evolucionista, sobre a natureza humana no que se refere a moral e a ética.
Em especial, ele aponta para vários estudos que dão evidências de como os seres
humanos são “maleáveis” e podem agir de forma amoral. Análises com experiências
científicas ou por observação de fatos históricos como o Holocausto mostram que
uma das coisas que pode gerar comportamento violento de uma pessoa é
simplesmente o contágio por um grupo.
Lendo seu livro lembrei-me do que acontece nos estádios
brasileiros e de como a sociedade está cada vez mais refém dos atos de
violência das torcidas organizadas que se alastram e que agora não ocorrem
somente em estádios e seus arredores. Escuto sempre afirmações de que os atos
de vandalismo e violência desses grupos é obra de poucos e etc. Acho uma
simplificação perigosa. Esses poucos conseguem contagiar outros que acabam
agindo, talvez inconscientemente, de forma similar.
O fato é que não há mais justificativa plausível para
aceitar torcidas organizadas em estádios de futebol. Promover o agrupamento de
pessoas em um espaço com o intuito de se preparar para uma batalha é,
parafraseando Roberto Jefferson, “provocar os instintos mais primitivos” das
pessoas. Estamos recorrentemente nos omitindo de tomar decisões definitivas quanto
a questão. O novo PV foi uma oportunidade perdida como mostrou o último jogo do
Fortaleza na Série C. Cometeremos o mesmo erro com o novo Castelão?
A proibição das torcidas organizadas deve vir imediatamente
seguida da instituição da prática de se vender ingressos com lugares marcados.
Se é verdade que são poucos os vândalos capazes de provocar tanta violência,
distribuídos no estádio eles terão diminuída capacidade de agregar seguidores e
de formar facções fanáticas. No mundo desenvolvido, os eventos esportivos são
espaço de festa, emoção (nem sempre só de alegria, é verdade), mas nunca de guerra.
Teremos que instituir essa prática na Copa das Confederações bem como na Copa
do Mundo, por imposição da FIFA. Oportunidade melhor não há. Afinal, a quem
interessa a situação reinante?
* artigo publicado no Jornal O Povo de hoje, coluna Opinião
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segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Cidades Inteligentes Europeias
Já escrevi sobre cidades inteligentes (Smart City) algumas
vezes aqui no blog. É um conceito que vem de mais em mais sendo usado com caracterização
diversa. Recentemente descobri esse estudo desenvolvido por Universidades da Austria e Eslovênia. Eles
elegeram as cidades inteligentes com base em diversos critérios. O mais inovador é
que o recorte de cidades participantes foi feito com base no tamanho da cidade.
Somente cidades de até 500 mil habitantes foram consideradas elegíveis. Já é um
critério muito interessante. É reconhecer que as megametrópolis são per se pouco inteligentes.
Foram seis os aspectos investigados para ranquear as cidades:
governança, pessoas, mobilidade, economia, meio ambiente e bem estar (qualidade de vida). As características consideradas podem ser vistas na figura abaixo, O estudo completo pode ser acessado aqui. A lista das vinte mais também está abaixo. Sem surpresa, as cidades nórdicas dominam os primeiros lugares. Itália, Portugal, Grécia e Espanha não possuem nenhuma cidade entre as primeiras. Um fosso entre Norte e Sul dentro do próprio velho continente.
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sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Bebida para menores: um dever de todos
Quando estive em D.C recentemente, fui jantar com minha
filha no Ruth’s Chris, um restaurante super agradável que sempre que posso visito
nos EUA. Aliás, recomendo. Minha filha pediu uma bebida alcóolica (não lembro
bem qual), uma espécie de coquetel. O garçom educadamente pediu que ela lhe
mostrasse um documento de identidade para saber sua idade. Nunca tinha
presenciado isso antes. Ela tem 22 anos e nos EUA bebida para menores de 21 são
proibidas e eles levam isso muito a sério.
Minha filha disse-me que já está acostumada. Em todos os
lugares em que vai e que decide beber algo sempre a solicitam a comprovação da
idade. É isso que precisamos compreender que fortalece uma sociedade. Não entro
no mérito de qual idade mínima é a adequada. O fato é que se a sociedade
decidiu que menores não podiam beber com uma certa idade, não cabe
exclusivamente às autoridades zelar pela manutenção da lei. É uma tarefa de
todos.
Evidente que sabemos que os americanos são bastante
rigorosos quando se trata de punir os que desobedecem a lei, mas afirmo com certeza que a Polícia
não sai entrando em restaurantes para dar batidas em buscas de menores bêbados.
Isso na verdade é inadmissível, pois
feriria direitos individuais básicos e todos lá sabem disso. Seguem a lei
porque concordam com ela e sabem que têm o dever de zelar por sua aplicação.
Nunca presenciei cena similar no Brasil. Quando era jovem também
nunca fui proibido de ter acesso a bebida em lugar nenhum (se bem que não
recorria a tal expediente com frequência J).
Esporadicamente, vejo a movimentação do Ministério Público em festas como o
Fortal e outras onde a presença de jovens é muito grande em busca de coibir o
uso indiscriminado do álcool. É um exemplo claro de algo necessário, mas
largamente insuficiente.
Reparem que estou a falar da nossa postura com relação ao
uso de bebidas alcóolicas, mas o mesmo discurso vale para outros delitos e
abusos que vamos nos acostumando a aceitar. Vide o problema crônico da
prostituição infantil que nos é tão presente. E desta e outras vamos repetindo
com vulgaridade o bordão de que Segurança Pública é dever de todos. Estamos
entre esses “todos” ou não?
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terça-feira, 13 de novembro de 2012
O que nos dizem os dados criminais
O Anuário da Segurança Pública 2012 , produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança é um documento que revela não só as altas taxas de violência que continuam nos demarcando negativamente em comparação com boa parte do mundo, mas evidencia ainda a vulnerabilidade de nossas instituições policiais em uma atividade básica como contar crimes.
Nele pode-se inferir que as polícias ainda tratam a coleta e divulgação de dados sobre crimes como uma obrigação, pois sentem-se pressionadas a informar a sociedade, mídia, ministérios, etc. Como não o fazem por necessidade cotidiana, o fazem muito mal. Não seguem padrões, só divulgam aquilo que os interessa e não se integram com dados de outras esferas. Segundo o Anuário, o Ceará, por exemplo, não informou ao Ministério da Justiça nem a quantidade de ocorrências de roubos em 2010 e continua sem informar essa quantidade em 2011.
A maioria das polícias, dentre as quais as cearenses, não informou também as mortes provocadas por policiais, seja em serviço ou não. Tal estatística é condição mínima para a criação de uma política para reduzir as ações de uso abusivo da força.
O mais surpreendente é que, em alguns Estados, boa parte das ocorrências de crime que levaram à mortes são classificadas como “a esclarecer”. Ou seja, sabe-se que houve uma morte, sabe-se que foi em decorrência de violência, mas não são classificadas. Esse fenômeno não é totalmente injustificado, pois nem sempre se pode imediatamente determinar a causa mortis, mas o que surpreende é a frequência e taxas crescentes com que vêm ocorrendo. Aqui no Estado, elas chegaram em 2011 a 17,8% das ocorrências, no Rio de Janeiro, a 37%. Isso faz com que as taxas oficiais, por exemplo de homicídio, tenham baixa credibilidade.
Essa realidade só evidencia um modelo de polícia que se esgota. Os dados não são confiáveis porque são usados raramente pelas próprias polícias. Para fazer o policiamento que se faz hoje, é bem verdade, não são tão importantes. O desafio é avançar para um novo modelo de polícia com foco na resolução de problemas, na investigação e na inteligência Assim, a melhoria da qualidade dos dados sobre crimes virá como consequência, bem como por necessidade.
* Artigo publicado hoje na coluna Opinião do Jornal O Povo
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domingo, 11 de novembro de 2012
O Futuro do Jornal On Line
O site mashable fez um interessante infográfico mostrando
como tem aumentado o número de jornais que passaram a adotar a obrigatoriedade de pagamento para acesso de notícias on line.
Os americanos passaram a chamar essa prática de Paywall. O New York Times (NYT), embora
não tenha sido o primeiro, pelo seu porte, estabeleceu um marco quando adotou a
prática no começo de 2011. O leitor paga em torno de U$ 15 a U$ 35 mensais. Desde
então ela só tem crescido. Já são mais de 300 jornais que exigem pagamento para
a leitura das matérias.
Podemos dizer que isso é a solução para o jornalismo em
crise de modelo de negócio? Não é tão simples assim. Paywalls geram uma
diminuição grande de acesso ao site. Em alguns casos a queda é de mais de dois
terços. O NYT teve um grande incremento da sua tiragem impressa depois da
medida, mas outras publicações estão às portas da falência. A acompanhar.
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quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Anuário 2012 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
O lançamento do anuário 2012 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) sobre a realidade da Segurança Pública no País continua, infelizmente, sendo um
evento midiático. Digo infelizmente não como uma crítica ao anuário, à
imprensa, nem muito menos à iniciativa do Fórum em produzi-lo, mas ao fato
de se caracterizar como um evento por jogar luz nas enormes deficiências das instituições públicas que atuam na área.
Primeiramente o anuário revela as altas taxas de
violência que continuam nos diferenciando de boa parte do mundo e em especial
dos países com desenvolvimento econômico similares ao nosso e que tanto
gostamos de nos comparar.
Não fora somente por isso, ele é também um evento, por evidenciar
a vulnerabilidade de nossas instituições em uma tarefa tão básica como
contar crimes. Ele mostra de forma inconteste que essa tarefa não é feita de
forma correta em boa parte dos Estados.
Vejamos alguns exemplos. Para começar é preciso fazer um
esforço em classificar os Estados em grupos que se caracterizam pela qualidade
do dado que fornecem ao Ministério da Justiça via Secretaria Nacional de
Segurança Pública (SENASP). Sem isso as comparações e diagnósticos ficam prejudicados
e podem levar a interpretações equivocadas.
Em 2011 foram quinze os Estados considerados como
fornecedores com dados com qualidade (não necessariamente os mesmos de 2010). O
primeiro parâmetro para tal classificação foi uma comparação com os dados do
Datasus que possui um banco de dados que contabiliza mortes por agressão. Divergências
muito grandes são indicadores de falta de qualidade. O Amapá, por exemplo, forneceu
a SENASP informação de que haviam ocorrido somente 6 homicídios em 2011, muito
embora o Datasus tenha registrado cerca de 180 mortes por agressão.
O outro parâmetro para classificar os Estados é a frequência
e abrangência dos dados que são informados esses dados a SENASP. Alguns Estados
simplesmente não informam alguns dados básicos. Estados ricos como Paraná,
Minas Gerais e Santa Catarina não informam adequadamente as informações a
SENASP. O Ceará, para não ficar por fora, não informou a quantidade de ocorrências de
roubos em 2010 e continuou sem informar a
quantidade para o mesmo fato em 2011.
Pouquíssimas polícias contabilizam as mortes provocadas por
policiais seja em serviço ou não. Desta forma, não podem dizer que têm alguma
política para reduzir uma das chagas que vêm marcando as forças policiais desde
o Estado Autoritário: o uso abusivo da força.
Vê-se ainda que boa parte das ocorrências de crime que
levaram a mortes são categorizadas como “a esclarecer”. Ou seja, sabe-se que
houve uma morte, sabe-se que foi em decorrência de violência, mas não são
caracterizadas nem como homicídio, latrocínio, lesão seguida de morte, enfim,
são a serem esclarecidas. Esse fenômeno seria até compreensível, pois nem
sempre se pode imediatamente determinar a causa mortis, mas o surpreendente é a
frequência e taxas crescentes com que vêm ocorrendo. Seria uma tentativa de
maquiar a realidade?
No Rio de Janeiro, por exemplo, do total de 6620 ocorrências
que levaram a morte, 37% delas são “a esclarecer”. No Ceará, a taxa também é
crescente e já chega a 17,8% das ocorrências. Vale ressaltar que não estão aqui
inseridas as ocorrências de suicídio e tentativa de suicídio, que aliás, também
estão em alta em alguns Estados.
O Ceará, segundo dados coletados pela SENASP à própria Secretaria de
Segurança e Defesa Social do Estado, é um dos Estados da Federação onde mais há ocorrências registradas
pela polícia de suicídios ou tentativas em 2011. Um número alto a ser
investigado, se não pelos os estudiosos em segurança, pelo menos para os responsáveis
pela saúde pública. Os números contrapõem-se ao nosso senso comum de que somos
um povo acima de tudo alegre e que chega mesmo a fazer humor com nossa
desgraça. Ou seria outra forma errônea
de contar as ocorrências?
Tem muito mais a ser investigado nos dados do anuário.
Trata-se de rica fonte de informação para aqueles que querem entender nossa
realidade na área de Segurança Pública. Como já escrevi aqui no blog, nossas
deficiências em contar crimes são evidências fortes de que nosso modelo de
polícia está esgotado. Os dados não são confiáveis porque não são usados. Não
são usados porque não são considerados importantes. Para fazer o policiamento
que se faz hoje, é bem verdade, não são importantes mesmo não.
Para mim, um profissional da área de Tecnologia da Informação,
a frustração é ainda maior. Considerando todos os recursos investidos em
Tecnologia da Informação dos últimos anos, todas essas deficiências me levam a
crer que ainda por cima estamos jogando muito dinheiro fora. Além da queda, o
coice.
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sábado, 3 de novembro de 2012
Sandy: Fatos e Versões
Conheci com perfeição o que significa a expressão “coração
apertado” na semana passada. Estive em Washington D.C. brevemente o que me deu
a oportunidade de encontrar com minha filha que está morando e estudando em
Manhattan. Matei um pouco da saudade, mas o furacão Sandy forçou-nos a reduzir
nossa estada. Nossa despedida no domingo foi muito difícil. Eu fugia de Sandy
de volta ao Brasil, mas ela ia justamente em sua direção em New York.
Os dias seguintes
deixaram-me em constante angústia e agonia. Esses sentimentos eram
alimentados pelo acompanhamento do noticiário televisivo, em especial, o
jornalismo americano. Não demorou muito para perceber o quanto os noticiários
eram dramáticos, exagerados e não informativos.
De uma foram geral, a cobertura midiática foi sofrível. Vi
claramente que havia pouca informação a prover. Faziam drama de tudo.
Informação que é bom, nada. Na verdade, não havia muito a informar. O essencial
foi que o furacão havia causado desgastes materiais, havia afetado o
fornecimento de energia elétrica e provocado a paralisação dos meios de
transporte. Isso pode ser dito em um Tweet. Nos jornais televisivos isso tinha
que render. Por isso buscavam dramas, de pessoas angustiadas, tristes e de
preferencia desesperadas. Tiveram dificuldades em encontra-las. Solução: blá,
blá, blá, blá.
Mas tal fato não se restringe somente a imprensa televisiva
e nem muito menos a imprensa americana. O jornal O Povo, por exemplo, em sua
página de capa da quarta-feira dia 31 de outubro, consegue fazer uma absurda
comparação entre o 11 de Setembro e os efeitos do Sandy. A diferença de mortos
entre as tragédias não permitiu ao jornal perceber que de fato o que era mais
relevante noticiar foi como um fenômeno de proporções catastróficas como Sandy
levaram a tão poucas causalidades. Creio que o Katrina ajudou aos americanos a
serem excessivamente cautelosos. Minha versão é que Sandy causou desgastes
grandes materiais, mas a imprensa entrou no rolo.
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quinta-feira, 1 de novembro de 2012
A Imponência e a Modernidade Urbana em D.C.
Estive brevemente em Washington D.C. para apresentar um
artigo científico na Universidade de George Mason. Aliás, saí de D.C. quase
fugido do furacão Sandy (mais devastador do que devasso).
Sempre me surpreendo com essa cidade soberbamente bem
organizada, limpa, bonita em todos os seus ambientes. Vale a pena a visita.
Tive informações técnicas privilegiadas de uma brilhante estudante brasileira
(por coincidência, minha filha) que estuda em New York e me acompanhou nas
minhas andança. Falou-me sobre a história das escolhas urbanas da capital
americana. A imponência das grandes
construções públicas é ressaltada por suas conexões através de largas avenidas que, quase sempre
em diagonal, criam um desenho bem particular desta cidade ímpar.
Não posso deixar de enfatizar: a bicicleta tem sua
relevância. Ela tem seus espaços, pode ser alugada de um lugar a outro e é
comum ver demarcações nas ruas onde elas têm espaço compartilhado com os
carros. Nada de achar que tudo é ciclovia como já cheguei a mencionar aqui.
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terça-feira, 30 de outubro de 2012
Meus votos ao novo prefeito
Passada a disputa, o concreto agora é que Roberto Claudio
vai ter que arregaçar as mangas e trabalhar muito. Se não bastasse o desafio de
ser prefeito de uma cidade cheia de problemas e desigualdades, será ainda o
prefeito da Copa. Um desafio que traz consigo boas oportunidades.
Oportunidades como as que já vêm sendo discutidas pela mídia,
sociedade organizada e governo de cunho econômico, de mobilidade urbana e de infraestrutura
básica. Queria, no entanto, discorrer sobre uma não menos relevante: a
oportunidade de gerar uma corrente de participação do cidadão fortalezense. Eleições
acirradas movimentam a paixão dos eleitores e por isso mesmo os fazem se engajar.
A Copa de Futebol é um ingrediente a mais nesse contexto. Cabe ao novo prefeito
aproveitar a oportunidade e criar condições para que o engajamento persista e
mais do que isso contagie a todos.
Creio que sua primeira tarefa é dar mostras aos fortalezenses
que tem identidade própria. Mais do que
apadrinhado por um ou outro, ele é agora credenciado por mais da metade dos
eleitores fortalezenses. Isso é que vai
contar daqui pra frente. Será isso que permitirá que escape dos estereótipos de
rejeição que predominaram nessa eleição. Tem que ser o prefeito de todos.
Tenho escrito sobre o papel do homem público na tarefa de
liderar um movimento de melhoria de postura do cidadão em relação à cidade. Precisamos
de um animador, um educador social, enfim, um líder. Roberto Claudio terá a sua
oportunidade para fazer isso. A campanha e a vitória serviram para mostrar que
ele tem luz própria. Afinal, se estamos a falar de oportunidades, não podemos
deixar de reconhecer que ele aproveitou a que lhe apareceu. Nem todos conseguem
ver o cavalo selado. Menos ainda são os que nele montam. Espero que consiga elevar
o nível da política municipal, da administração pública e que consiga criar esse senso de engajamento.
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