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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Bebida para menores: um dever de todos



Quando estive em D.C recentemente, fui jantar com minha filha no Ruth’s Chris, um restaurante super agradável que sempre que posso visito nos EUA. Aliás, recomendo. Minha filha pediu uma bebida alcóolica (não lembro bem qual), uma espécie de coquetel. O garçom educadamente pediu que ela lhe mostrasse um documento de identidade para saber sua idade. Nunca tinha presenciado isso antes. Ela tem 22 anos e nos EUA bebida para menores de 21 são proibidas e eles levam isso muito a sério.

Minha filha disse-me que já está acostumada. Em todos os lugares em que vai e que decide beber algo sempre a solicitam a comprovação da idade. É isso que precisamos compreender que fortalece uma sociedade. Não entro no mérito de qual idade mínima é a adequada. O fato é que se a sociedade decidiu que menores não podiam beber com uma certa idade, não cabe exclusivamente às autoridades zelar pela manutenção da lei. É uma tarefa de todos.

Evidente que sabemos que os americanos são bastante rigorosos quando se trata de punir os que desobedecem  a lei, mas afirmo com certeza que a Polícia não sai entrando em restaurantes para dar batidas em buscas de menores bêbados. Isso na verdade é  inadmissível, pois feriria direitos individuais básicos e todos lá sabem disso. Seguem a lei porque concordam com ela e sabem que têm o dever de zelar por sua aplicação.

Nunca presenciei cena similar no Brasil. Quando era jovem também nunca fui proibido de ter acesso a bebida em lugar nenhum (se bem que não recorria a tal expediente com frequência J). Esporadicamente, vejo a movimentação do Ministério Público em festas como o Fortal e outras onde a presença de jovens é muito grande em busca de coibir o uso indiscriminado do álcool. É um exemplo claro de algo necessário, mas largamente insuficiente.

Reparem que estou a falar da nossa postura com relação ao uso de bebidas alcóolicas, mas o mesmo discurso vale para outros delitos e abusos que vamos nos acostumando a aceitar. Vide o problema crônico da prostituição infantil que nos é tão presente. E desta e outras vamos repetindo com vulgaridade o bordão de que Segurança Pública é dever de todos. Estamos entre esses “todos” ou não?  

quarta-feira, 14 de março de 2012

Key West: Sunset Moderno

Na volta a Florida para o Complenet, pus-me na rota de Key West no fim de semana. A mais distante e mais a oeste das ilhas chamadas Keys da Florida. Não a conhecia e a curiosidade de descobrir o que atrai tanto os americanos me motivou. Lá vê-se de tudo. Há desde a típica Florida repleta de aposentados bem como de turistas das mais diversas idades que descem diariamente dos luxuosos navios de cruzeiro.

A cidade é “mignon” com arquitetura colonial (inglesa), cheia de restaurantes, museus e vida noturna. Poderia falar sobre várias dessas coisas, mas o que mais me impressionou foi a forma como os americanos estruturaram a cidade. A ergueram sem nenhum pudor ao meio ambiente. A beira-mar é ampla, arejada e, digamos, dentro do mar. Assim são os restaurantes e os hotéis. Estava hospedado em um hotel que, ao acordar na abertura da janela, vi um cruzeiro que parecia ter invadido o quarto. Chocante! Lembro do amigo Amaral que gosta de dizer que nos dias atuais o Cristo Redentor não teria nunca sido construído por causa da agressão ao meio-ambiente. Talvez Key West também não o fosse. Outros tempos.

Key West se orgulha de ter o por do sol (sunset) mais bonito dos EUA. Todos os dias os turistas se reúnem na beira-mar e depois de assistirem a espetáculos circenses na Malory Square assistem ao por do sol e o aplaudem. É bonito mesmo, talvez seja o mais bonito dos EUA, mas não pude deixar de lembrar-me de nossa Jericoacoara onde os aplausos ao por de sol também são calorosos.

Comparar os dois ambientes é injusto. São tão diferentes que não conseguiria estabelecer critérios mínimos, por mais que me esforçasse. Mas minha verve patriótica (nesse caso, mais cearense do que brasileira) vai me forçar a preferir nossos queridos verdes mares, pela simples razão de que são uma obra de arte original: a originalidade da natureza selvagem.

Pensei. Que enorme desafio temos pela frente. Criar uma infraestrutura que nos permita acesso fácil aos povos do mundo às nossas belezas e que as mesmas sejam geradoras de riqueza para a população (principalmente a nativa), mas preservando aquilo que é o valor mais absoluto: sua virgindade. Isso é possível?

As fotos abaixo de Malory Square com as pessoas se preparando para ver o por do sol e um sol poente em Key West foram extraídas de sunset celebration.



quinta-feira, 16 de junho de 2011

Por Gorjetas de 15%. Opcionais.

Já foram algumas as minhas idas aos EUA. Negócios e passeios se somam ao ano de vivência durante o pós-doutorado. Nelas, durante e depois, vejo-me sempre a pensar sobre semelhanças e diferenças entre as sociedades. Nos dias atuais, nos quais cada vez mais o brasileiro tem a capacidade de conhecer os EUA in loco, pergunto-me se conseguiremos nos influenciar pelo o que há de positivo por lá ou só vamos conseguir contaminarmos pelo vírus do consumo exagerado que por lá tanto circula?

Uma das coisas que mais considero positiva na sociedade americana é que ela é eminentemente meritocrática. Isso é um pilar importante dentro de uma sociedade competitiva. Eles acreditam que se forem bons e fizerem a coisa certa (do the right thing), vão sobressair-se. O apadrinhamento, os laços de amizade e os laços familiares têm muito menos relevância do que cá por estas bandas.   

Um exemplo emblemático de como esse valor pelo mérito é exercitado pela sociedade é a forma como as gorjetas são dadas aos prestadores de serviço. Primeiramente, elas não são dadas somente a garçons em restaurantes. Motoristas de táxi, carregadores de mala e camareiras também podem recebe-las. Agora, o mais importante, é que são opcionais. Nada de incluí-las obrigatoriamente no serviço. Recebe quem merece (e recebe mesmo, não fica com o proprietário). Convencionou-se que um serviço prestado corretamente merece 15%. Uma qualidade superior ao esperado pode valer gorjeta de até 20%.

As gorjetas opcionais servem para exemplificar um outro valor fundamental e que também é sustentáculo da sociedade americana. O rei na sociedade de consumo é o cliente. Dar-lhe atenção e prestar-lhe bom serviço é essencial e não deve ficar só em conversa. Pesa no bolso. Isso não se restringe ao atendente na ponta, mas ao sistema todo. Uma vez, ao sentar-me à mesa em um restaurante, havia um garfo sujo entre o talher que me foi disposto. Solicitei à garçonete que o trocasse. Ela não só o fez de pronto, mas ainda comunicou ao gerente (creio que teve receio de não ter seu serviço bem avaliado) que veio gentilmente pedir-me desculpas e oferecer-me um tira-gosto como cortesia. Será que presenciaria isso aqui onde os 10% independem da qualidade do serviço prestado?

Nesse momento em que temos discutido sobre nossa vocação turística em especial  como preparação para o Copa de 2014, que tal implementarmos ações que tornem melhores prestadores de serviço? O exemplo americano, nesse caso, acho que poderia ser de bom alvitres. 


* esse artigo foi publicado na coluna Opinião do Jornal OPovo de 13/06/2011

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O Sistema Penal Americano

Vou continuar a refletir sobre a questão penal a partir de um artigo recente escrito na revista Parade pelo Senador Democrata da Virgínia, Jim Webb sobre a necessidade de mudanças no sistema americano (acesse o artigo completo em inglês aqui). Aqueles que pensam que o sistema penal estadunidense é só maravilhas estão enganados. É bem verdade, que os problemas de lá são diferentes dos daqui. As prisões americanas, principalmente as de segurança máxima, são exemplo. Muitas delas são privatizadas e o zelo para reduzir o contato dos presos com os agentes está presente nos menores detalhes. Há muito se sabe que esse é um dos pontos vulneráveis de qualquer prisão. É o elo mais fraco, visto que a interação preso-agentes é suscetível à corrupção, extorsão e ameaças. O grande problema que os americanos estão vivendo é que as prisões, por melhores que sejam, estão superlotadas. O sistema penal e judicial americano está em crise pelo excesso de pessoas ou presas ou em liberdade condicional. Os norte-americanos estão agora sofrendo conseqüência de uma política rigorosa de punição implementada nos últimos vinte anos. Há vinte anos atrás 580.000 pessoas estavam condenadas a prisão nos EUA. Esse número hoje é de cerca de 2,3 milhões de pessoas. No Japão, por exemplo, esse número era 40.000 e passou a 71000 vinte anos depois. A população americana representa 5% da mundial mas em se tratando da população carcerária a americana é de 25% da global. A taxa de presos por habitante nos EUA é 756 por 100.000 habitantes sendo cinco vezes maior do que a média global. Um em cada 31 adultos nos EUA está na prisão ou em um sistema de liberdade vigiada. Achei interessante o que Sen. Webb se interroga em seu artigo:
Either we are home of the most evil people on earth or we are doing something different and vastly counterproductive - Ou nós somos a casa do povo mais malvado no mundo ou estamos fazendo algo diferente que é terrivelmente contra-produtivo.

A razão principal para esse crescimento exponencial da população carcerária americana, segundo Sen. Webb, é o fato de que a lei é muito rigorosa com pessoas que cometem pequenos delitos. Isso tira toda a energia e foco das autoridades policiais e as impede de se concentrar nos grandes problemas como o aumento da dominação do cartel mexicano. Ele fornece ainda dados alarmantes sobre a cidade de Phoenix no Arizona. Foram 370 sequestros ocorridos em 2008 nessa cidade que se tornou a campeã desse delito no mundo (evidentemente se deixarmos de contar os seqüestros relâmpagos brasileiros). Uma comissão de políticos e especialistas está sendo formada no congresso americana com o intuito de estudar alternativas para os problemas verificados. Vale a pena ficar de olho no que será proposto. Creio que temos muito a aprender dessa experiência. Não precisamos cometer os mesmos erros que os americanos cometeram.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Prof. High Tech Obama

Obama já entrou para a história mesmo antes de começar seu governo. No entanto, seu início de gestão dá indicações que ele não vai se contentar com pouco. Afora, seu arrojado plano de recuperação econômico que está atropelando todos os que são contra, seu estilo high tech é bem inovador. Nessa semana que estive nos EUA, o que mais me chamou a atenção foi a sessão de abertura de Q&A (Questions and Answers - Perguntas e Respostas) que fez com os cidadãos através da Internet. Por vídeo conferência, ele recebe perguntas dos cidadãos sobre os mais diversos e complexos assuntos. É aqui que ele demonstra uma característica até então desconhecida (pela surpresa que percebi dos comentários na mídia): ele tem uma enorme didática. Consegue falar de problemas complexos em um linguajar simples, mas consistente. Isso não é nada fácil. Um político que vi fazer isso meuito bem foi Antanas Mockus prefeito duas vezes de Bogotá. Mas ele é professor universitário, o que já ajudava muito. Aqui por essas bandas, a maioria dos políticos só tem coragem de falar sem sofrer interrupção e ser interrrogado. Vamos ver se o estilo Obama faz escola. Aliás, a mídia não ficou somente surpresa com o estilo Obama. Ficou um pouco enciumada também. Afinal de contas essa estratégia de comunicação exclui intermediários. Sem dúvida alguma, uma grande novidade. Vamos ver se ele vai ter fôlego para continuar.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Saga da Delta: No Pain no Gain?

A expressão inglesa do título (“sem dor, sem ganho”) é muito usada nos EUA para dizer que tem que ralar para conseguir as coisas. Em texto publicado ontem discorri sobre o péssimo atendimento que a Delta Airlines me deu em viagem para San Francisco. O que aconteceu com a locadora Dollar com quem tinha alugado o carro foi algo bem diferente. Quando cheguei com minha reserva no bureau da companhia no aeroporto(um dia depois da reserva), não tinha mais carro econômico. Aliás, não tinha mais carro nenhum. Acabei ganhando um upgrade para um conversível. A Empresa acreditou que o atraso não tinha sido minha culpa, compreendeu meu cansaço e tratou-me com dignidade. Veja foto abaixo. Será que o ganho foi por ter penado antes com a Delta? Não sei, mas posso afirmar que seria a única possibilidade de dirigir um conversível pelas maravilhosas highways americanas (e o clima ainda ajudou!).

terça-feira, 24 de março de 2009

A Saga da Delta

Já andei escrevendo sobre sagas que passei ao ser atendido por serviços de algumas de nossas grandes Empresas (a saga da Tim começa aqui e a da TAM aqui). Agora, saga de multinacional é a primeira que vivi. Minha ida para a Califórnia na última sexta-feira tinha tudo para ser uma das mais tranqüilas e rápidas. Afinal, o Governo do Estado, em especial a Secretaria de Turismo, tinha conseguido colocar Fortaleza na rota da Delta Airlines, uma das grandes companhias aéreas americanas. Que maravilha! O vôo Fortaleza-Atlanta era a aproximação entre os hemisférios que merecíamos. Algo do que se orgulhar. Isso se tudo não passasse de uma farsa sem tamanho. Os vôos são frequentemente cancelados por causa de "manutenções" nas aeronoves. A verdade, que mesmo os funcionários da Delta não conseguem esconder, é de a viabilidade econômica do vôo é dúvidosa. Quem sofre as consequencias é o cliente que é desrespeitado sem pena. Se não há quórum suficiente para tornar o vôo lucrativo, ele é cancelado e os passageiros são “jogados” de um lado para outro. Foi exatamente o que aconteceu comigo. Se tudo tivesse corrido bem, a previsão era de chegar em San francisco ainda na sexta-feira em cerca de treze horas de viagem. Um vôo diuturno com apenas uma conexão em Atlanta (provavelmente mais caro do que o que acabei pegando). Com o cancelamento, fui enviado ao Rio de Janeiro e só saí para Atlanta cerca das onze da noite. Quase na hora que deveria estar chegando ao destino. Nesse ínterim, o atendimento da Delta mostrou-se digno dos péssimos serviços por mim supra-mencionados. Perdi uma diária do hotel nos EUA que já estava paga. Ao perguntar quem ia me ressarcir, disseram-me “resolva no Rio de Janeiro”. No Rio de Janeiro, disseram-me “resolva no site”. Em Fortaleza, garantiram que teríamos um hotel no próprio aeroporto para nos abrigar até a saída do vôo(eu e os outros cerca de vinte passageiros na mesma situação). Ao chegar no Rio, nada de hotel. A notícia era de que não havia disponibilidade. Promessas de que poderia haver um upgrade para classe executiva também fizeram o mesmo trajeto: Fortaleza-Rio-Água. Consegui falar com o gerente da Delta no Rio. Disse-lhe que o mínimo que a companhia deveria fazer era me fornecer um upgrade mesmo sem minha solicitação, pois naquela noite deveria estar dormindo em um hotel no destino e não dentro de um avião como fui obrigado a fazer. Fui pouco convincente. Sabe o que ele me ofereceu: a sala VIP. Só que só poderia acessá-la quando o check-in fosse feito. Como o check-in não podia ser feito, não podíamos acessar a sala VIP. Cheguei em San Francisco em uma pequena viagem de cerca de 36 horas. Dei queixa na ANAC. Fui gentilmente atendido, mas percebi o quão frágil é sua estrutura. Sei que se recorrer a justiça terei como receber meus direitos, mas mesmo para um blogueiro ter essas estórias para contar cansa.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Black Black Friday

Não exagero quando digo que o maior lazer dos Americanos é ir ao shopping. E olhe que não é só para passear como muitos o fazem aqui. É para comprar mesmo. A última sexta-feira de novembro que coincide com o feriado de Thanksgiving (ação de graças), chamada de Black Friday, é um dia que exemplifica minha afirmação. Esse dia é considerado o primeiro dia de compras para o Natal e é quando os lojistas realizam promoções gerais. Notem que não se trata de ponta de estoque. As lojas estão cheias de novos produtos a serem vendidos no Natal. Quando estava na Califórnia, fiquei impressionado com as filas que se formavam nas lojas desde cedo na manhã, para aproveitar as pechinchas. Não me surpreendi quando li a notícia no OPovo (veja matéria aqui) de que um funcionário do WalMart tinha morrido, no Black Friday desse ano, pisoteado por uma multidão de compradores descontrolados. Decididamente um Black Friday bem Negro.Me pergunto como os americanos vão conviver na crise. Conseguirão parar de comprar? Se sim, terão um lazer bem mais reduzido. Se não, vai ter muito calote!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Avaliação de Financiamentos de Pesquisa: Experiências Americanas e Européias

Como disse em um texto recente deste blog, tive a oportunidade de participar, em Bruxelas, de uma reunião onde pesquisadores europeus e brasileiros foram obrigados a apresentar a evolução de suas atividades dentro de um projeto euro-brasileiro de pesquisa científica financiado pela comunidade européia. Essa experiência me foi muito útil em especial por ter vivido no pós-doutorado nos EUA uma situação similar. Fiz parte de um grande projeto financiado pela DARPA (Agência Americana de Defesa) e estive presente em uma das reuniões de avaliação e prestação de contas. As similaridades entre os métodos usados pelas agencias de fomento americanas e européias são bem maiores que as diferenças. Tem-se sempre uma comissão de especialistas contratados pelas próprias agências que fazem a análise técnica do projeto durante o desenvolvimento do mesmo. A liberação de recursos para a continuação do projeto é condicionada a uma avaliação positiva desses especialistas. As reuniões de apresentação são extremamente importantes e duríssimas para os cientistas. Há uma sabatina sobre todos os aspectos do projeto, quer sejam financeiros quer sejam sobre o conteúdo científico. Agora, percebi uma diferença que me chamou a atenção. No modelo americano a proposta de projeto científico é feita por uma empresa encarregada de montar um consórcio de cientistas (no projeto que estava participando essa empresa era a Lockheed Martin), normalmente vindos de diferentes universidades. Essa empresa tem ainda a responsabilidade de gerenciar o projeto, definir o que deve ser entregue nas diferentes etapas, avaliar resultados e, sobretudo, de concretizar as pesquisas desenvolvidas. Ressalte-se ainda que essa empresa contrata um pesquisador para ser o gerente geral científico. É normalmente alguém altamente renomado e que possui uma ingerência forte nos rumos do projeto. Lembro-me que perguntei a um experiente cientista americano do porque deste modelo. Ele me disse que, antigamente, quando não se seguia este modelo, muitos projetos nem chegavam ao fim. Disse-me que cientistas não são obrigatoriamente bons gestores e com a inserção de uma empresa obtinha-se uma maior eficiência. Essas características demonstram nitidamente o perfil pragmático dos americanos. Há que se transformar as soluções científicas propostas por cada componente do consórcio em resultados o mais concreto possível. Os europeus tradicionalmente não seguem esse modelo. Há igualmente um consórcio, mas somente com uma instituição líder. A gerência geral do projeto é bem mais difícil de ser feita. Isso não impede, como já tinha dito anteriormente, que o processo de avaliação seja rigoroso e realizado durante o processo. E o que poderíamos dizer do modelo brasileiro? Bem, por não termos uma história longa de financiamentos a projetos científicos, creio que ainda estamos aprendendo. Em muitos projetos as avaliações e prestações de contas só são feitas ao final do mesmo. Depois que o dinheiro já foi gasto, o que se pode fazer? Ainda por cima as avaliações técnicas nem sempre existem, foca-se mais na prestação de contas meramente administrativa e financeira. Temos muito o que aprender, mas nosso atraso nessa área é compreensível.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Modelo Federativo Americano e Massacre na Virginia

Em minha visita a Califórnia escutei sempre de meus amigos americanos que era necessário compreender como funcionava o modelo federativo dos EUA para entender como as mudanças ocorrem no País. Diferentemente do modelo brasileiro, nos EUA o poder federal central tem pouco poder. Os estados membros, por sua vez, têm uma grande autonomia e podem estabelecer leis próprias. Por exemplo, a maneira com os EUA estão mudando a forma de encarar o problema do aquecimento global e de como eles vão encampar a luta ecológica se dá através dos Estados. Trata-se de um processo descentralizado onde estados mais progressistas vão liderando e os outros gradativamente vão acompanhando. O exemplo da Califórnia com sua legislação altamente incentivadora de produção de energia alternativa é ilustrador disso. Este modelo comporta, no entanto, suas desvantagens e um exemplo estarrecedor refere-se ao recente caso do massacre na Virginia. O New York Times investigou porque o coreano autor do massacre tinha tido autorização para comprar uma arma se a lei federal dizia que quem tivesse algum histórico de problema mental ou mesmo de depressão não poderia fazê-lo (e o coreano tinha problemas). Eles descobriram que, na Virginia, havia uma interpretação diferente desta lei e que casos como o do coreano (mesmo que conhecessem seus antecedentes), não justificariam uma proibição de aquisição. Vejam como um fato trágico pode ter sido potencializado por uma divergencia de interpretação de leis pelos diferentes agentes do processo. Veja a matéria do NYT clicando aqui.